30.9.11

Consultório #81

"Tenho 22 anos e posso dizer que nunca tive muita sorte no que diz respeito a relações. Sempre acreditei demasiado nas pessoas e, talvez, fosse um pouco ingénua, por acreditar sempre que ia correr tudo bem. Tendo em conta que só me metia com quem não devia, acabei por me relacionar com demasiadas pessoas, 16 para ser mais específica. É muita gente?! Sim! Mas aconteceu, umas por acreditar que ia dar em mais qualquer coisa, outras porque me deixei levar, outras sei la porquê. Mas, a verdade, é que acabei por me envolver com 16 rapazes diferentes até encontrar uma pessoa muito especial. Essa pessoa especial, apareceu inesperadamente na minha vida e amou-me como nunca ninguém amou. Amei-o de igual forma, ainda amo.

Perante a insistência dele em saber com quem é que tinha estado no meu passado, cedi e fui sincera. Contei-lhe tudo, sem segredos. Nunca tinha feito algo parecido, porque considerava que eram coisas minhas e que ninguém tinha nada a ver com elas. Quando ele soube, ficou chocado e não aceitou. A partir daí as discussões sobre esse assunto eram constantes. Ele referia sempre que eu devia ter pensado quando fiz o que fiz, porque um dia ia ter alguém que se ia preocupar e que não ia aceitar isto. Expliquei-lhe que era passado, que eu nada podia fazer para o alterar e que tudo o que fiz, nunca foi com intenção de magoar ninguém.

Ele considera que eu o magoei mais que muito e que nunca poderei ter noção do que o faço sofrer. Atirou-me muita coisa a cara, disse-me coisas que nunca esperei ouvir de alguém que, supostamente, me amava, como «não sei se quero que sejas a mãe dos meus filhos, nem tão pouco sei se algum dia irei superar isto, para fazer uma vida a dois contigo».

Os meses foram passando e acabei por me mudar para a cidade onde ele vivia, para estar mais perto dele. As coisas melhoraram significativamente e, quando não se falava no assunto, tudo corria às mil maravilhas. Pensei que estaríamos no bom caminho, mas enganei-me. Cada vez que se falava em casar e ter filhos, ele dizia que antes de tomar qualquer decisão mais séria teria de tirar um tempo para ele. Precisava de um tempo para ele aproveitar tudo o que não aproveitou, porque ele só teve duas pessoas na vida dele, acha que não aproveitou e eu supostamente aproveitei.

Chegou a dizer que até podia não estar com ninguém, mas que se quisesse avançar na relação que precisava daquele tempo só para ele. Por amá-lo demasiado e por considerar que essa era a única solução, acabei por ceder e disse-lhe que se achava que esse tempo era assim tão imprescindível, então que o tivesse agora e não daqui a cinco ou seis anos, pois seria muito mais difícil nessa altura. Ele acabou por concordar e assim foi. Eu voltei para casa (para a minha cidade) e decidimos que ele teria o seu tempo, sendo que passado um mês voltariamos a falar e veríamos o que fazer. Também, ficou acordado que no final do tempo ele teria de me contar tudo, pois foi aquilo que ele me pediu que fizesse com ele anteriormente.

Para mim, foi uma decisão muito difícil de tomar, mas tentei pensar que era o melhor para nós. Só conseguia pensar que ou este tempo fazia maravilhas ou fazia estragos irreparáveis, mas mentalizei-me que tinha que ser assim. Confesso que sempre pensei que ele não ia conseguir estar com outra pessoa, mesmo que tentasse, e que a conseguir seria apenas uma e isso seria o suficiente para que percebesse que isto de nada ia adiantar. A coisa não foi bem assim.

Passados poucos dias de eu ter saído da cidade, soube que ele já tinha estado com outra pessoa. Não consegui aguentar e confrontei-o. Ele confirmou e disse-me que o tempo tinha sido para isto mesmo e que ia estar com quantas mulheres pudesse, mas que isso nunca ia ser suficiente para eu sentir o que ele sentiu, quando lhe contei sobre o meu passado. Foi como se me tivessem dado uma facada nas costas.

Ele estava frio e distante comigo e eu sentia que isto era pura vingança. Ele não consegue perceber que as situações são diferentes, quando eu estive com outras pessoas eu nem sequer o conhecia, não estava a magoar ninguém, ele não. Entretanto, tive que me mentalizar que tinha que assumir que isto era um tempo para os dois, caso contrário, não ia conseguir aguentar. Decidi levar isto até ao fim.

Na semana passada, fui até à cidade dele tratar de umas coisas e acabámos por estar juntos de novo. Fiz questão de lhe dizer que estaria com ele não como namorado, mas como qualquer outro rapaz, pois queria respeitar o tempo que lhe tinha dado. Deve ter sido a maior burrice que fiz. Correu tudo lindamente, mas no fim acabámos por discutir, dado que ele me falou em precisar de mais tempo. Não gostei e disse-lhe que os argumentos que me estava a dar não justificavam o precisar de mais tempo. Ripostou, mas a conversa acabou por ficar por aí. Fiquei tão chateada, mas tão chateada, quer era capaz de o partir aos bocadinhos. Fui embora e não pronunciei mais qualquer palavra sobre o assunto.

Falta uma semana para terminar o tempo estabelecido e o que é certo é que entretanto, já soube (por outras pessoas) que ele anda com várias mulheres, sendo que comentam mesmo que ele anda maluco, atrás de tudo o que mexe, e, como é óbvio, tudo isto me tem deixado à beira do desespero. Não sei que decisão tomar, não sei o que pensar ou fazer. A verdade é que apesar de tudo, amo-o como nunca amei ninguém e sinto-me responsável, porque também eu concordei com este tempo".

Olá Marta! Obrigada pela sua mensagem.

Calculo que a esta altura haja mais desenvolvimentos, mas não são bons de certeza. Eu sei que custa, que a melhor definição é "dor", mas este rapaz não é boa pessoa. Não só não é boa pessoa como mentalmente não funciona como deve ser, como se aproveita de si, como a desrespeita e como não se importa com o que possa sentir. Por todos estes motivos, essa relação nunca mais vai voltar a ser uma boa relação, por muito que tente e se esforce. Ele simplemente não tem bons príncipios e contra isso não é outra pessoa que pode lutar. Esta é uma opinião que não tem de estar de acordo com a sua. É livre de fazer o que entender.

A sensação que tinha ao ler o seu texto era que isto tinha de acontecer. Aconteceu porque essa relação não tinha de continuar. Eu tenho pena de já não me cruzar com esse tipo de homens porque nos dias de hoje levavam uma "tareia" da qual nunca mais se esqueciam. Eu confesso, tenho muito pouca tolerância quanto a pessoas de merda, e esta é uma delas. Chega a ser atroz o que ele está a fazer consigo. Ora leia:

1. Quer vasculhar o seu passado, a Marta conta-lhe o que tem a contar, é honesta e ele não aceita. É o primeiro homem que se incomoda com aspectos anteriores à existência dele. Simplesmente estúpido. Tão estúpido que dá raiva. Compreendo que uma pessoa possa ficar ciumenta, espantada, mas transformar o dia de hoje pelo que fez ontem quando ele nem existia, é demais para uma pessoa normal conseguir aguentar.

2. Quando ele afirma que "devia ter pensado quando fiz o que fiz, porque um dia ia ter alguém que se ia preocupar e que não ia aceitar isto" responda que há quem tenha a mesma sensação em relação ao antigo Primeiro Ministro José Sócrates. É óbvio que o que a Marta fez, fê-lo pelos motivos que a si lhe interessam. Pode ou não arrepender-se de algo, mas é algo que não tem motivos para interferir com pessoas que aparecem na sua vida posteriormente.

3. O facto de ele afirmar que o magoou "mais que muito e que nunca poderei ter noção do que o faço sofrer", chega a ser hilariante. Uma pessoa acaba por se perguntar se ele terá raciocínio. Como pode o que fez no passado magoar uma pessoa que não existia na altura?

4. "Cada vez que se falava em casar e ter filhos, ele dizia que precisava de um tempo para aproveitar tudo o que não aproveitou, porque ele só teve duas pessoas na vida dele e acha que não aproveitou e eu supostamente aproveitei". Eu não tenho palavras para isto. É o mesmo que dizer "eu até quero casar, mas ainda tenho de comer muitas gajas. Então ficas aí à espera enquanto eu me roço numas quantas e depois me recebes como se nada fosse". À parte disto, pergunto-me: o que é aproveitar a a vida? É gozá-la com as pessoas que fazem parte de nós, de quem gostamos e que estão na nossa vida nesse momento ou é forçar a existência de experiências sexuais? Para ele, claramente, aproveitar a vida é travar conhecimentos com objectivo sexual e garantir que ali fica, do lado dele, sempre à espera, sofra ou não. O importante é que ele "aproveite a vida" o resto que se aguente.

5. Quanto à parte em que lhe dá um tempo, "por amá-lo demasiado e por considerar que essa era a única solução", qual é a parte da sua decisão que significa amor? No seu texto e quanto à exigência dele, leio medo, angústia, falta de auto-estima, um "podes fazer qualquer coisa mas não me deixes". Eu não vejo amor, vejo desespero. Mas quem é que gosta de alguém e autoriza essa pessoa a estar com outras pessoas? Por outro lado, quem é que gosta de alguém e exige poder fornicar com outras pessoas? Conhece algum casal? Deu a situação por garantida, nunca pensou que ele fosse capaz de se envolver com outras mulheres e por isso lhe deu o tal tempo para "aproveitar". No entanto, ele cumpriu aquilo que disse "não saber se ia fazer", mas que sabia perfeitamente, porque o mais certo era já ter começado. Não tenha dúvidas quanto a isso. É quando já tem alguém no encalço que ele vem com esta conversa.

6. Quando vai ter com ele e faz questão de lhe dizer que estará com ele não como namorado, mas como qualquer outro rapaz, por querer respeitar o tempo que lhe tinha dado, desculpe-me a franqueza, mas isto não é respeito, é burrice. E ele agradece, que tem o que quer e chateia-se pouco, além de ter o melhor dos argumentos: ele já tinha avisado que podia vir a estar com outras mulheres. Entretanto, faz de si um trapo sujo, divide-se com outras mulheres, toda a gente sabe, e a Marta preocupa-se em "respeitar o tempo dele".

Agora que leu isto, acha que ele é um homem que valha a pena? Não tem de se sentir responsável pelos actos dele, mas vai sentir se decidir ficar com esse homem que, não duvide, vai fazer de si uma infeliz e arrastar na lama. Toda essa situação quase parece que tinha de acontecer, há algo maior que lhe está destinado. Não pense que nunca mais vai gostar de alguém como gostou dele. Isso não é verdade e vai perceber quando aparecer quem a trate realmente bem. Este homem não é a última coca-cola do deserto, eu sei o que está a sentir, já passei por desgostos e posso garantir que aparece sempe alguém e melhor. Importante é que retire desta história uma lição e se torne mais exigente, menos tolerante e que goste sempre de si em primeiro lugar, antes de qualquer homem.

No fim de contas, quando já tiver passado algum tempo, acho que mais depressa se arrepende de ter partilhado a sua vida com um homem desses, do que das pessoas que pertencem ao passado. Marta, desapareça da frente desse homem, não caia na tentação de o contactar e deixe-o sem notícias. Faça de conta que morreu, que encontrou melhor, esse sim será o maior castigo dele, não oferecer qualquer tipo de explicação. Ele não presta nem para amigo e muito menos para casar. Um homem que lhe faz estas coisas num namoro, não imagine sequer o que será capaz de fazer uma vez casada e com filhos. Não permita que ele se aproxime, foi bom enquanto durou, mas teve o seu tempo. Esse homem quer retirar-lhe toda a auto-estima que tem, quer que se apague, é um perigo à personalidade e felicidade de uma mulher. Para não falar que ele se comporta como uma pessoa com perturbações mentais. E isto não é força de expressão.

Além de tudo isto, como se não bastasse, percebo nas entrelinhas que toda esta situação é de conhecimento público no sítio onde ele mora e onde viveu ou vive. Não que me preocupa o que os outros podem pensar de si, mas preocupa-me o efeito que isso pode ter em si.

Espero que o seu sofrimento acabe muito depressa.

28.9.11

O meu homem é do caraças!

O meu homem é uma jóia de moço! Caraças, que escolhi bem!

Então lá estava eu a dobrar roupa, muito chateada de ter de fazer uma mala, coisa que detesto, quando ele entrou em casa, chamando por mim, para perceber onde estava. Chegou ao escritório com um embrulho enorme atrás das costas:

- Quer presente? Quer presente?

E eu a achar que me estava a dar uma grande tanga. Comprou alguma coisa para ele e lembrou-se de brincar comigo, pensei cá para os meus botões.

Mas abri o embrulho e ei-la! Uma Samsonite de mão para meninas, com as melhores rodinhas deslizantes, tudo porque está farto de me ver ou com uma mala de mão que não tem rodas, ou outra que tem rodas pouco simpáticas.

Estava longe, longe, longe de imaginar. Jóia de moço!



Quase, quase a caminho!

Mantenha-se encostado à cadeira de onde me lê, não quero incomodar. No entanto, não posso deixar de avisar que na primeira quinzena de Outubro não estou por cá e, por isso, não posso prestar-lhe assistência.

Aliás, neste momento a minha maior preocupação é o que vou levar na mala, que vai ser complicada de fazer, como é habitual. Malditas restrições de peso! A menor das complicações é saber que na mala só viaja roupa leve e muitos bikinis para uma água com mais de 30ºC.

Até breve, camaradas. Tenho um estado da Florida para fazer. Se quiserem novidades é ir passando pelo Facebook do blog*, que pode encontrar já aqui, na barra lateral direita.

Quem quer ver uma foto da Poisoned Apple com baby alligators, quem quer? Ahhhh, vou curtir milhões!

*Não, não pretendo angariar "clientela", vai ao Facebook do blog quem quiser.

27.9.11

Por esta não esperava

Minhas queridas, vocês impressionam-me! Quando fiz este post pensei, "vão matar-me por andar aqui a postar roupa. Não vou ter dois comentários". E vai-se a ver, tenho muitos mais comentários do que noutros textos, todos com alguma opinião. Mas as meninas querem mais trapinhos neste espaço, é?

Pois bem, abaixo podem ver-me no último casamento, ainda este mês, uma pequena lontra de vestido azul. É giro, adoro mesmo, mas estou a ser irresistivelmente arrastada pelo roxo que, por sinal, o Poisoned Apple Man detesta. Diz que tem "fru-frus". Homens.

Ainda falta, o casamento é mais para o fim do mês que vem. Depois mostro como fui. E o mercado permita que encontre sapatos lindos nos EUA. Ainda ontem comentei com uma amiga que o meu armário está cheio, minado, de sapatos em bico, coisa que passei a detestar. Dezenas de caixas com bons sapatos de bruxa e nem me passa pela cabeça usá-los. Aguardarei o regresso da moda da bruxa em cima de uma vassoura.



Escolha complicada

Mais um casamento (este ano não acabam?), mais uma complicação. Em vez de recorrer ao Poisoned Apple Man que na verdade nem olha, pede-se ajuda às leitoras!

Ora, uso pela segunda vez o primeiro vestido (convidados diferentes) ou arrisco numa das outras opções. Ando há semanas nisto e ainda não me decidi.

26.9.11

Dilemas de branco

Uma questão me tem apoquentado de sobremaneira. Ora, comecei a reparar que existe muita moça nos casamentos, convidadas do noivo ou da noiva, não interessa, vestida de branco. Aquilo que antes parecia ser impensável, parece que caiu em desuso. Uma amiga minha colocou fotos no facebook, toda ela divertida num casamento. De branco. Vou a casamentos, eis que aparece alguém, outra vez vestida de branco. Hoje abri uma revista e dei com uma figura pública no casamento de outra figura pública, também a criatura vestida de branco.

Mas afinal, não é de mau gosto ir de branco a um casamento? Essa a cor não está reservada à noiva? Eu adoro branco. Tenho muitos vestidos brancos, às vezes vejo vestidos que adoro, mas penso logo que "não vale a pena comprar, é branco". Há quem diga que não se deve ir vestida de encarnado. Nem de preto. Quanto a isso, tenham paciência. Além do branco visto qualquer cor, depois é uma questão de juntar acessórios e malas para neutralizar as cores.

Queiram ter a graça de me ajudar. Já se pode ir de branco a um casamento? Não é por nada, mas tenho um casamento no mês que vem e um Valentino que pede desesperadamente que lhe dê uso.

Ainda assim, independentemente das respostas, acho que não teria coragem. Até porque não devo ir mais gira que a noiva, certo? O meu Valentino arrasava qualquer uma.

25.9.11

Procura-se

Fly London, Jock, em camel
Estou obcecada por estas botas, Fly London, modelo Jock, que já tem um ou dois anos. A irmã do Poisoned Apple Man, que tem umas em preto, passa a vida a falar maravilhas, em como anda de saltos o dia inteiro sem sentir, em como vai para festas e não chega a casa com as costas desgraçadas, em como duram e duram, o tempo passa e estão como novas, tendo em conta que certa noite com os copos se atirou com as ditas para dentro de uma piscina. Crime. E continuam a resistir como se nada fosse.

Eu até já as encontrei, o problema é o preço, 230€ por umas botas é demais. Se encontrarem algures pelo país umas botas destas, tamanho 38, e em promoção, façam o favor de avisar, sim?

24.9.11

Novas trombas

Então, estou aqui horas a maquilhar o blog, e nem uma opinião! Nada, rien!

Duas opiniões que tive, tive de as pedinchar. O Piston não sabe se gosta e acha que estou a ficar com tendências comerciais, o Poisoned Apple Man disse que ficou muito mais giro. Vá, nem tudo está perdido, reles leitoras. Desta não me esqueço!

23.9.11

Ideias

Estou aqui a magicar uma cena do caraças.

E se eu abrisse um separador no blog com roupa e afins para trocar? Tenho roupa em excelente estado que nunca ou quase nunca foi usada. E se há uma pessoa que gosta daquele vestido da Mango que usei uma vez e tem para a troca uma peça que eu até gostava de ter?

O saco que para ali vai é grande. Tem roupa, sapatos e malas. Algumas coisas já distribuí, mas ainda sobram bastantes.

O problema da ideia é oferecerem para troca um top cheio de borbotos, com furos ou amarelado debaixo dos braços. Só coisas impecáveis, sim? O separador já está aberto aí ao lado, com o nome "Trapos", com umas poucas peças a ver o que acontece.

Adenda - Livros - estou maravilhada!

Pois que tive de rectificar o post da WinkingBooks. Ou eu li mal, ou alguém teve uma experiência diferente no envio dos livros. No entanto, continua a valer a pena.

A "tarifa de editora" chama-se afinal "tarifa de livro". Fui aos CTT com 13 livros no lombo e tive de pedir envelopes para aquilo tudo. Cada envelope pequeno custava 0,92€ e cada envelope médio 0,98€. No envelope, escrevi os dados do remetente, do destinatário e assinalei a opção "LIVRO". Depois, tudo depende do peso. Pelo envio de uns paguei 0,25€ e por outros, os mais pesadões, 1,18€. A estes valores acresce o valor do envelope.

Ou seja, convém ter algum cuidado com a quantidade de livros que se coloca à disposição. A brincar a brincar, 13 livros, portes e envelopes, deixei 19,09€ nos CTT.

E agora vou esperar pelos livros que já escolhi para mim!

Consultório #80

"Chamo-me Andreia e tenho 30 anos. Sou casada há cinco anos, mas a minha relação já dura há 11 anos. Namorei com o meu marido desde os 19 anos, estudei, fiz a minha licenciatura enquanto namorava com ele, terminei o curso e casei com 25 anos, tive a minha filha com 27 e aos 30 estou aqui.

Devo dizer que sempre considerei viver um relacionamento feliz, o meu marido é atencioso, procura mimar-me, partilhamos as tarefas em casa e é um excelente pai, tudo o que uma mulher quer, e é giro! Em Outubro do ano passado foi quando descobri que não estava tudo bem, isto porque eu que nunca senti qualquer tipo de atracção por nenhum outro homem, dei comigo em flirt com um colega de trabalho. Esse colega foi quem se insinuou, mas eu retribuí.

Esta situação fez-me questionar a minha relação. Poderia ter tido um caso e recusei, não porque não me apetecesse, mas se calhar inibida por um casamento no qual quero acreditar. Contei ao meu marido. Não deveria ter contado? Contei. Ele ficou triste, estivemos sem nos falar, e depois falámos e falámos, atribuímos culpas e inocências. Olhámos para dentro e olhámos um para o outro. Gostamos muito um do outro, queremos ficar juntos.

Eu pergunto por quê? Como é que um homem me fez sentir assim. Um homem que não conhecia de lado nenhum. Fez-me sentir desejada, sim, mas isso é suficiente para pôr em causa uma relação tão especial como a que julgo ter com o meu marido? O que se passa é que ainda vejo o outro, o que não me fez qualquer promessa, mas que me deixa a pensar nele. Sinto-me culpada. Sinto-me triste. Acho que o meu casamento não será o mesmo".

Olá Andreia!

Embora não tenha essa experiência (e não quero ter), acho que todos os casamentos ou relações antigas passam por esse tipo de situações, provações, o que lhe quiser chamar. E acho (acho!) que será tudo fruto do tempo, da falta de novidade, do comodismo, do ter tudo por garantido, da falta de sentir saudades, será fruto de todas essas coisas. Com isto não quero dizer que seja uma situação que surja porque o amor acabou, porque o casamento já não funciona, mas quando me escrevem com tanto dilema interior, reconhecendo a pessoa que se tem ao lado e assumindo que a nova pessoa passa por uma questão carnal, de atracção ou flirt, tendo a desconfiar. Quando é assim acho que o que falta, em si neste caso, é emoção, agitação, nervoso bom.

Calculo que não seja fácil manter um casamento de tanto tempo, que já não sinta saudades de uma pessoa que está sempre ao seu lado, que sinta uma certa (ou grande) monotonia. A isto acresce o facto de ter estado com este homem desde uma idade tão jovem, 19. Bem sei que já aqui muitas mulheres afirmaram estar felizes com os maridos com quem começaram a namorar aos 16 e 18 anos, mas aquilo em que acredito (eu, isto não tem de ser válido para todos) é que mais tarde ou mais cedo, a falta de não ter tido namorados nas idades mais novas, de ter passado por mais experiências e vivências, acaba por pesar.

Quanto ao ter contado ao seu marido, já escrevi no blog que achava destas confissões um egoísmo. Divide-se a culpa, tem-se a sensação de perder 10 kg (o peso de consciência tem esse nome porque pesa mesmo) e deixa-se a outra parte destroçada, em cacos. Há quem tenha a opinião de que estas confissões estão correctas, de que são honestas e o ponto de partida para o diálogo e análise da relação, agora a dois. Mas para mim é óbvio que uma confissão destas abala tremendamente uma relação. É óbvio que depois de um sismo desses alguém se remete ao silêncio, surgem gritos, zangas, alguém faz as malas para passar uns dias fora ou faz as malas para voltar nunca mais . E se voltar, é provável que o assunto seja atirado à cara do outro em fases menos boas.

Eu não aguentaria uma confissão destas, passaria o resto da vida a perguntar-me se voltaria a acontecer, mas pelos vistos há quem aguente. A minha ordem de ideias é: se é para manter o casamento, para quê provocar uma ferida dessas? É que ao abrir essa ferida, ao "confessar-se", pode não haver volta atrás, remédio ou solução, coisa que pode existir se guardar o que sente e tentar trabalhar isso sozinha. Embora seja esquisito, manter um casamento pode passar por não ser completamente honesta, mas por omitir e trabalhar sozinha muitos dos seus dramas. A pedra lançada e a palavra proferida não voltam atrás.

Da forma como me escreve acho que está a passar por uma crise, não me parece que o seu casamento esteja condenado, mas tem de descobrir aquilo que procura, o que quer e o que a pode fazer feliz. Como alguém comentou no blog e bem, muitas vezes delegamos nos parceiros a responsabilidade de sermos felizes, mas isso não deve ser assim. A primeira felicidade deve partir de nós.

Boa sorte!

22.9.11

Livros - estou maravilhada!

Abençoado Schnoof e Piston que me deram a conhecer uma plataforma virtual que permite dar e adquirir livros! A WinkingBooks.

Os livros que já não se lê, que não gostou, que já não interessam, por cada livro colocado no site recebe um ponto, por cada livro entregue a alguém recebe uma média de 10 pontos e para solicitar um livro gastam-se em média de 10 pontos. Ou seja, quando dá um livro consegue quase sempre adquirir outro, mas tem antes de inserir alguns livros na plataforma para ganhar pontos.
Se isto tem custos? Tem, mas poucos. Parece ainda que existe outra coisa nos CTT que é a tarifa de livro. Nunca tinha ouvido falar! Uma pessoa vai aos correios, diz que deseja enviar um livro em tarifa de livro, mostra o livro à menina de balcão para que confirme que não está a ser enganada, pede um envelope (custo do tamanho médio 0,98€ e do pequeno 0,92€), assinala "Livro" e paga-se uma quantia de portes que varia. Por uns paguei 0,25€ e por outros 1,18€.

Estou maravilhada! Incluí 26 livros na plataforma esta tarde e ao fim de umas horas tinha 10 pedidos! Amanhã levo os livros no lombo até aos CTT. Quando os destinatários os receberem ganho pontos e posso pedir livros para mim. Mas já pedi um da Isabel Allende. Isto é um novo mundo, tratem de se registar e dividir!

É já aqui: winkingbooks

21.9.11

Dão-se livros

JÁ ATRIBUÍDOS

Há por aí algum jovem amante da leitura?

Quando era miúda devorava livros. Ficava com a luz do quarto ligada até às tantas e quando ia dormir a casa das amigas era uma seca, eu queria sempre ler antes de dormir.

Entendo que os livros nunca se devem deitar fora, devem passar de mão em mão e estes, que se podem ver na imagem (clicar na foto para ler os títulos), foram retirados do baú do Poisoned Apple Man. São livros a ler algures entre os 10 e os 14 anos aos quais estou a tentar dar destino há meses.

Se alguma leitora tiver filhos sedentos por leitura, estes livros serão oferecidos. Para os receber basta combinar a entrega na capital ou, em alternativa, pagar portes (que para estes 14 livros custa no máximo 7,5€) que eu trato de enviar para a morada que me for indicada.

Candidatos/as: amacadeeva@gmail.com

Nervos no coração

Não se enganem ao pensar que entre mim e o Poisoned Apple Man tudo é flores 24 sobre 24 horas. Temos os nossos momentos de stress, não são muitos, mas aparecem, como em todas as relações, calculo eu.

Um destes momentos, que me vai ficar na memória para todo o sempre, tem poucos dias. Foi na viagem para o Algarve, a caminho do casamento da minha amiga sobre o qual escrevi na semana passada. Com o homem doente, ainda estávamos a cruzar a ponte 25 de Abril, já me estava a pedir para conduzir, que não aguentava o caminho todo, que não tinha dormido, que precisava de descansar, que tinha suores, que não se sentia bem, enfim, uma florzinha de estufa, era o que era.

Eu lá lhe pedi que se aguentasse o mais que pudesse e aí sim, trataria de conduzir. Não é que seja má pessoa, que me esteja nas tintas para o bem-estar do moço, é o carro. Caríssimos, aquele carro é uma merda e custa uma fortuna. A começar pelas mudanças automáticas (bom para quem não sabe conduzir), aquilo tem letrinhas esquisitas que um gajo tem de tentar memorizar pela quinquagésima vez; depois é o peso do bicho, de cada vez que dou um toque no volante, mais parece que vai atravessar quatro faixas até ficar fora de mão; e toda uma série de paneleirices, apitos, sirenezinhas e merdinhas que avisam que tudo e mais alguma coisa está a acontecer à viatura.

Parámos numa bomba, lá me disse que tinha de conduzir. Anui, sem deixar transparecer o meu sentimento "este carro é uma merda", ajeitei o banco às minhas medidas e avisei logo, para que não ficasse com dúvidas:

- Se partir esta merda não pago nada.

Consciente da despesa que poderia acarretar, lá ensinou como funcionava a caixa de mudanças que tem tudo menos mudanças, os espelhos foram ajeitados e prossegui viagem. Ainda não ia nem a meio do caminho e não sabia que iria fazer a viagem ao volante até ao destino. O homem adormeceu num instante, roncou e eu ali fiquei, sozinha e muito bem, ao som da M80. Achei curioso que ele adormecesse tão rapidamente, ele que acha que não tenho mãozinhas para carro nenhum, facto com que não me importo nada. Acha que não fica bem feito? Conduza ele. Não imaginam o que poupo em combustível.

Tudo corria bem rumo ao sul, as vaquinhas pastavam, os carneiros brincavam, as abelhinhas faziam o seu trabalho nas margaridas, até que o monstro acordou, vulgo, Poisoned Apple Man. Eu estava a chegar às portagens, quando o homem grita:

- Escolhe a Via Verde da esquerda!

E eu, que vi no espelho que vinha um carro lançado em excesso de velocidade nessa faixa, fiz pisca e comecei a abrandar, à espera de ter vez para mudar de faixa. Nesse momento, 1,5 segundos depois, novo grito:

- Não! A Via Verde da direita!

E eu estúpida, sei lá porquê, ia ouvindo aquilo como ordens absolutas, em vez de fazer a minha vida, ia atravessando faixas de um lado para o outro, antes das portagens, ao ritmo dos gritos do Poisoned Apple Man. Três segundos depois, caí em mim e desatei aos berros. Se tivesse uma naifa naquele momento, tinha-lha espetado na virilha.

Há coisa mais enervante do que uma criatura que crê que não sei conduzir, mas que me dá o carro para as mãos, dorme profundamente, e quando acorda faz quilómetros por cima do meu ombro a ensinar-me como se conduz?

Cheguei ao destino em segurança, mas o meu coração parecia um bife cheio de nervos. Depois, isto foi história para contar aos amigos durante o copo de água, com ele sempre a dizer que eu era uma exagerada. Mas os tipos das portagens sabem que tenho razão, devem ter lá um filme da situação que vão passar na TV antes do Natal, a dar exemplo de selvagens que não sabem o que é cuidado na estrada nem têm respeito pelos outros condutores.

20.9.11

É merecido!

Há meses, resuscitaram o meu Game Boy que já tinha 20 anos e, há dias, num stress que tive no portátil, a ver a minha vida a andar para trás, estas criaturas resolveram-me o problema por assistência remota, ou seja, sem ter de me deslocar.

São sérios, realmente competentes e têm uma piada do outro mundo na publicidade que fazem. Há publicidade merecida e esta é uma delas. O estimado leitor pode não ter nenhum problema informático, mas o mais provável é vir a ter. Acontece a todos.

Sugiro que deixe um "gosto" na pagina de facebook deles e quando precisar, já sabe onde os encontrar: estará junto dos seus outros gostos. Quais clínicas de computadotes em centros comerciais, quais quê, a naoarranca.com são os únicos de que realmente gostei, cumpriram tudo aquilo a que se comprometeram e os meus leitores sabem que não faço publicidade por fazer.




19.9.11

É meu!

Blogs de moda é coisa que brota por aí que nem cogumelos. Arrisco dizer que existem mais blogs de moda que lojas de chineses em Lisboa. Consulto alguns alguns desses blogs, deles tiro ideias, vejo peças que nunca tinha reparado nas lojas e vou a correr comprar e levo as mãos à cabeça com aquilo que chamam "tendências da estação", quando para mim roçam o ridículo ou o medonho. Enfim, eu adoro roupa, sapatos e afins, se pudesse ia às compras todos os dias, tinha muito mais peças do que tenho e dava muitas das que já tenho. Apesar de adorar roupa, nunca mostrei a este blog as peças que vou comprando, não faz o meu género, eu é mais escrever. No entanto, tenho de vir fazer inveja a todas as bloggers de moda! É mais forte que eu.

Estive na minha sogra que enquanto remexia no armário disse que tinha uma coisa para me dar, se me servisse. Não servia completamente, tem de ser um pouco apertado na cintura, mas vai ficar um espanto. E é assim, camaradas de blogosfera, que a Poisoned Apple tem o seu primeiro vestido Valentino, o homem que faz vestidos como ninguém, branco, sem costas, intemporal, giro que não há palavras, ansiosa por uma festa para o usar, que lamentavelmente não pode ser um casamento porque é branco.

À mãe do Poisoned Apple Man o vestido já não serve e diz que faz gosto que a nora o use (eu!), já que a filha nunca quer saber destas coisas. A condição da sogra é que se um dia já não quiser o vestido, seja devolvido à procedência, para depois chegar à neta que já tem e que felizmente ainda não fez quatro anos. Mas assim cumprirei!



Ganhei ainda um sobretudo pelo joelho, camel, caxemira, MaxMara, mas o Valentino faz com que se dê pouca importância ao casaco.

16.9.11

Consultório #79

"O André (ex-namorado) nunca vai sair da minha vida enquanto estivermos na mesma cidade, tivermos o mesmo número de telefone, amigos em comum e sítios que ambos frequentamos. Claro que ele podia continuar a fazer parte da minha vida, se isso não invalidasse a minha capacidade de ter uma vida normal. Não consigo ter outra pessoa, não consigo estar sozinha, não consigo estar com ele, não consigo estar sem ele. Isto acontece a toda a gente - mas um ano seguido? Um ano? Sem arrefecer um bocadinho sequer? A sério?

Dizemos que gostamos um do outro, eu acho que gostamos da cama um do outro e isso nos faz gostar um do outro, não sei faz sentido dito desta forma. No último ano vi homens incríveis entrar na minha vida, todos eles com tudo aquilo que eu quis e o que não sabia que queria. Deixei-os entrar. E depois mandei-os embora assim que senti o André mais próximo de mim. Quase me sinto culpada quando há outra pessoa, fico sempre a pensar, «e se dá para o torto e o perco de vez?» Mas já não o perdi? Perdi. O raciocínio que começa onde acaba dura dias, até perder o controlo e mandar embora o bom que deixei entrar.

A escolha é minha, a culpa é minha. Também sei disso. Que sou eu que deixo isto acontecer, que continuo a adiar o óbvio montes de vezes. É um misto de esperança com medo do que está para a frente. Não sei, não sei o que vou fazer, mas enquanto partilharmos a mesma cidade nunca vamos sair da vida um do outro. Sabe aquela sensação, de quando temos a cera quente na perna e temos de puxar, sabemos que vai doer, e ficamos a olhar para a banda a pensar quando vamos ter coragem para arrancar aquilo de uma vez por todas, e depois temos de puxar outra vez e acontece exactamente a mesma coisa?

Pensei em ir embora, aliás, penso nisso todos os dias. Mas não é errado mudarmos assim a nossa vida para fugir de alguém só porque não temos força suficiente para cortar de outra forma?"

Olá Teresa!

Não me parece que o seu problema seja uma questão de espaço (a mesma cidade), mas de consciência, racionalidade e verdadeiramente aplicada ao coração e aos gestos. Todas as pessoas podem ser esquecidas, ainda que permaneçam na memória, e todas as pessoas são substituíveis, se a isso dermos tempo.

Eu já demorei dois anos para esquecer uma pessoa e hoje sei que demorei tanto tempo por dois motivos: porque eu cultivava a esperança de um regresso e porque não apareceu ninguém nesse tempo (ninguém a quem desse atenção). E é certo que é isso que está a fazer quando diz que "quando há outra pessoa, fico sempre a pensar: e se dá para o torto e o perco de vez?". Basicamente não quer cortar definitivamente, continua a acreditar, ainda que racionalmente perceba que é errado.

Não importa se ele vive na mesma cidade, se é vizinho, se mora na porta ao lado, quando não queremos de verdade. Pense no que faz com pessoas de quem não gosta ou não quer na sua vida: passa a vida a pensar nelas? Mudava a sua vida por elas? Quando confessa que acha que gostam é da cama um do outro a relação toma outras proporções. Não se trata de amor, trata-se de alguma dependência física que já conhece, que controla, que lhe agrada e sabe agradar, e não está com coragem de mudar de cama. A ideia de outro homem, de poder fracassar, de poder não agradar ou de não sentir agrado deve ser algo que a preocupa. Mas preocupa demais, porque condiciona a sua vida. E embora inicialmente possa parecer, não é o fim do mundo, nem a obriga a nada para o resto da vida.

Não precisa de ir embora de lado nenhum, precisa de se mentalizar, que é em tudo diferente. Só depois disso, e de ter passado o tempo que precisa para ter sucesso nesse objectivo, só aí vai conseguir deixar entrar outras pessoas na sua vida. E aí vai perceber que é uma questão do cérebro, fruto dos hábitos, e não de andar a fazer malas para outro lado.

Conto-lhe um segredo: andava o Poisoned Apple Man atrás de mim e eu a fugir. Comentei com uma pessoa (já de alguma idade) e que de alguma forma percebeu que ele tinha boas intenções. Perguntou-me: "e que tal, para variar, deixares entrar na tua vida uma pessoa que se importa contigo?". Estas palavras ainda fazem eco na minha cabeça. Fiquei a pensar nisto, dei-lhe outra atenção, olhei-o com outros olhos e fiz bem. Resultou!

Dê-se por contente, analise-se, racionalize. Quando o problema é do coração custa muito mais e leva muito mais tempo.

14.9.11

Mais um casamento e a esperança de outros

Mais um casamento de uma amiga no Sábado, coisa importante para mim, mas longe para burros (no Algarve) quando durante a madrugada o Poisoned Apple Man fica cheio de febre, com dores de estômago, fígado, eu sei lá. Estava mais ou menos a morrer e longe de conseguir dormir. Durante a noite mal dormida, eu só pedia que a moléstia se resolvesse, eu não podia (nem queria) faltar ao casamento. Pelas 08h da manhã, o homem vendo a minha preocupação na cara, disse lá da cova:

- Querida, não te preocupes que eu levo-te.

E eu achei tão querido que até sorri, mesmo estando de costas para ele na cama. O homem, destruído, acabado, não me deixaria ir sozinha até ao Algarve. O dia dele teve melhoras e piorias, treinei a minha leitura a fazer durante a cerimónia enquanto ele conduzia a caminho do Sul e lá me ouviu dizer o mesmo texto algumas vezes. Depois conduzi eu a maior parte do caminho até ao destino, enquanto ele roncava. Esteve bem durante a cerimónia, mas durante o jantar achei que lhe ia dar uma travadinha. Melhorou. Com o jantar acabado e ainda com todos à mesa, comecei a ficar com frio e o homem disponibilizou-se para ir buscar a minha pashmina ao quarto. Levantou-se da mesa e lá foi ele, percorrer os corredores do Hotel. A minha amiga em Londres olhou para mim e disse:

- Ele é mesmo querido para ti. O Poisoned Apple Man faz-me ter esperança nos homens.

E eu não estava à espera de ouvir aquilo. Naquele momento gostei muito mais dele. É verdade que ele me faz algumas vontades, mas continuo a ter pena que não me faça todas as vontades. A sensação de ele tomar conta de mim cobre essa "falha".

12.9.11

Serviço público - a pílula

Há por aí um grande alvoroço porque o Estado vai deixar de comparticipar a pílula. Tenho um amigo que foi escrevendo no facebook matéria brilhante sobre o assunto, como:

"Quando soube do preço da pílula sem comparticipação, ela meteu os papéis para a menopausa antecipada".

"O meu centro de saúde regista por esta hora uma enchente de mulheres para obter uma caixa de pílulas. Mas o segurança já lhes disse que estão esgotadas e só chega nova remessa no orçamento do ano eleitoral de 2015".

"Da próxima vez que fizer o amor e ao invés de perguntar "foi bom?" vou questionar "foi caro?".


Eu sempre tomei uma pílula de um laboratório qualquer que não me lembro, a Gynera. Um dia, fui à farmácia para comprar uma nova embalagem (pagava cerca de 18€ por uma caixa tripla, sem receita) e não tinham. Foi então que a farmacêutica me sugeriu a mesma pílula, mas genérica. Oi?

Para meu espanto, fiquei a saber que a maioria das pílulas existem iguais (mesmas dosagens) na versão genérica. Levei logo para casa uma caixa tripla que me custou cerca de 5€ sem receita médica e dali em diante passei a tomar essas pílulas. Não senti alteração nenhuma, é igual, já tomo há um ano. Desde que comecei a tomar a pílula, demorei 14 anos para descobrir isto, eu que me achava uma pessoa informada.

Ou seja, pagar 5€ de três em três meses, não me parece que vá ser um grande rombo na carteira das mulheres. Por isso este alarido todo, para mim, é fruto da falta de informação, também dos médicos, que já poderiam ter sugerido isto há mais tempo, mas claro, há toda uma máquina farmacêutica por detrás.

11.9.11

Mayday!

Querubins,

estou há horas (HORAS!) agarrada ao portátil a dar resposta a resmas de e-mails enviados para o e-mail do blog. Alguns consultórios têm data de Agosto e eu não chego a todos, mas vou dando resposta por ordem de chegada. Para ficar bem de consciência, tenho de ter tudo respondido até fugir para os states, pelo que só volto a dar resposta ao consultório lá para o fim de Outubro. Quem quiser aguardar, já sabe.

E-mails com outro género de questões como tenho pêlos às paletes, sugestões de viagens, curiosidades e outro tipo de questões simples e rápidas de responder, pode ser que vejam resposta mais cedo.

E ao organizar o meu confuso gmail, ao ouvir o homem dizer que devia cobrar pelos meus serviços de psicologia, constato que devo ser a única blogger a recusar propostas de publicidade/passatempos às marcas que me contactam. Estarei a ser estúpida ao aceitar apenas marcas que conheço/confio? Nunca vou viver do blog nem chegar longe com ele, o que achava graça. Provavelmente estou a ser estúpida.

9.9.11

Consultório #78

"Tenho 22 anos e quase a certeza que nunca estive verdadeiramente apaixonada. Tive namorados, poucos e durante pouco tempo. Quando chegava à conclusão que não gostava verdadeiramente deles, acabávamos. Não conseguia que fosse de outra forma, gostava de imaginar que se fosse ao contrário teriam a mesma honestidade. Talvez esteja a parecer um pouco cruel, não sei, mas era assim que via as coisas. Tive também alguns "amassos" (detesto a palavra mas não me ocorre outra no momento) inconsequentes, mas mais uma vez, poucos. Não é um orgulho (muitas vezes sinto que seja exactamente o contrário) mas é um facto.

Tenho um amigo e colega, o Raúl, que ao longo dos últimos cinco anos tem sido dos meus melhores amigos. Desde o início ficámos bastante próximos. Ele tinha uma namorada de há mais de 7 anos até ao início deste ano. Quando acabaram ele andou desfeito durante muito tempo, e tentou provar-se andando com várias raparigas. Sempre me contou e nunca tive grande problema com isso. Não tinha de ter.

Mais recentemente, há uns meses, num fim de semana fora com um grupo de amigos, depois de alguns copos, ele beijou-me e eu correspondi. No dia seguinte não nos falámos. Quando recomeçámos a falar nunca tocámos no assunto mas acabávamos sempre a discutir. Numa outra noite, com alguns copos em cima ele foi cruel, à frente de todos, para mim. Não lhe falei mais a noite toda e quando deu conta que não lhe falava perguntou a toda a gente o que tinha dito. No dia seguinte disse-lhe que estava chateada sim, mas ele jurou que não se conseguia lembrar do que tinha dito. Como no fundo achava que devíamos ainda ser amigos prometi-lhe que quando estivesse menos magoada lhe dizia. Depois de mais um jantar beijou-me, empurrei-o, e fui-me embora. Chorei imenso nessa noite e ele começou a namorar com outra rapariga.

No dia seguinte disse-lhe que precisava de falar com ele, mas depois não fui capaz de dizer nada. Não sabia exactamente o que pensar. Não falámos sobre o assunto, ele contou-me da outra rapariga. A partir daí passou a andar especialmente de mau humor, de cada vez que lhe perguntava dizia que era do trabalho, voltámos a discutir imenso, ele chateava-se com quase tudo o que eu dizia e eu não suportava os ataques de fúria, mas tínhamos de trabalhar juntos quase todos os dias. Havia dias melhores, outros piores.

Tivemos uma viagem de umas semanas com amigos, incluindo a namorada dele. Resumindo a história que já vai longa demais, duas noites acabámos enrolados. Ninguém soube de nada. E espero que não venham a saber nunca. Entretanto ele acabou com a namorada. E anda encantado com uma outra rapariga. Continua a contar-me. No outro dia disse-lhe que precisava muito de falar com ele mas depois perdi a coragem. Isto começa a afectar-me de maneira que não tenho habilidade para explicar. Custa-me pensar que tudo isto lhe foi indiferente. Custa-me, acima de tudo, pensar que podemos deixar de ser amigos."

Olá Sofia! Obrigada pela sua mensagem.

Não sei se é possível continuar amiga de uma pessoa com quem já houve envolvimento físico. Acho que sim, quando já passou muito tempo, mas a relação nunca é a mesma, é outra. Isso não significa que seja pior, significa que não é igual.

Esse rapaz parece estar longe de ser o que era, acha que o caminho é agarrar tudo o que lhe passa pela frente e tenta assim preencher um vazio ou encontrar a vida que ele gostava de ter. Não sei quanto tempo leva uma pessoa para perceber que assim não vai a lado nenhum. A única pessoa que tem uma boa resposta para lhe dar não sou eu, é ele. E a Sofia fugiu disso. Se quer perceber o que se passa, agarre o touro pelos cornos, diga o que tem a dizer, faça-se ouvir, faça perguntas e espere respostas. Sempre que tiver medo, pergunte-se: qual é a pior coisa que pode acontecer? É ouvir algo que não lhe agrade, mas que outra resposta lhe serve se não for a verdade? Nenhuma. Então só lhe resta perguntar. É isso ou ficar na mesma, uma questão de escolha.

O facto de se ir envolvendo com ele sem qualquer compromisso, enquanto ele está com outras namoradas ou sem uma base de comunicação só o faz sentir que pode. E só pode se a Sofia permitir. Ao sentir que pode fazê-lo sem outro tipo de obrigações, nem mesmo a obrigação de ser honesto e sincero, fá-lo sentir que tem poder sobre si, que pode pôr e dispor. A Sofia está a marcar um passo que não é aquele que quer para si. Quando lhe diz que precisa de falar com ele e depois acaba por não dizer nada, ele sabe mais ou menos o que tem a ouvir, não será parvo. Quando ele não insiste em que diga o que tem a dizer, não lhe fica bem, mas também não sei se não o faz por cobardia ou constragimento. A primeira razão é imperdoável, a segunda perdoa-se.

Quando nos envolvemos com um amigo, é claro que podemos deixar de ser amigos. É um risco que se corre, mas nenhuma relação, amorosa ou de amizade, se constrói sem uma base de comunicação. Para que servem as palavras se não as podemos usar? Para que servem as emoções, os afectos e os sentimentos, se não os pudermos expressar? Fale com ele, não tenho como saber o que vai na cabeça dele, diga tudo o que tem a dizer e oiça, e sempre que estiver quase a desistir diga para si própria: ou é isto ou continuamos na mesma, pois só assim terá o poder de mudar as coisas. É como lhe disse, para mudar o ritmo das coisas, só quando agarrar o touro pelos cornos. Até lá ficará na mesma.

8.9.11

???

Os pontos de interrogação no título servem para substituir aquilo para o qual me faltam palavras. Remoí, remoí, mas não havia título a dar-lhe. Não consigo, é maior do que eu.

Tenho para mim que a criação de uma página de facebook para este blog está a provocar mais danos na retina e consciência dos meus leitores do que se colocasse aqui uma foto da minha maior diarreia. Sim, uma foto explícita da sanita, branca e espirrada. Material defecado com a mesma consistência da massa cerebral desta criatura, homem ou mulher, nunca se sabe, que ao post em que indico que esta casa passou a ter facebook, responde:

"Estás cá com uma sorte... É que vou já a correr! Enxerga-te, rapariga".

Ter uma página de facebook no blog é um horror. Mas vir cá lê-lo já não.

Continuação de boas leituras, camarada. Afaste-se do facebook. Tenho dado uns apertos de mão por lá sem nunca lavar as mãos.

Vende-se - máquina fotográfica











Brotam por casa máquinas fotográficas, passei a usar uma das do Poisoned Apple Man, pelo que tenciono desfazer-me de uma máquina que é aliás a que tem tirado as fotos que vou colocando no blog. A saber:



EasyShare V803 Zoom preta (com caixa, instruções, todos os cabos, CD, tudo impecável, como novo)



Largura 103 mm

Altura 54.5 mm

Espessura 25 mm

Peso 142 g



Bateria recarregável Li-ion

Memória Interna 32 MB



Ecrã 2.5 polegadas

Tamanho de Sensor 1/1.8

Megapixéis 8 MPx

Resolução Máxima de Imagem: 3264 x 2448 pixel


Formato de Imagem: JPEG

Zoom Digital: 4 x


Tempo de Exposição Máximo: 8 sec

Tempo de Exposição Mínimo: 1/2000 sec

Compensação da Exposição: Sim

Balanço de Brancos: Sim

Temporizador: Sim



Ligações: USB

Cartões de Memória Suportado: Secure Digital, MMC



Captura de Vídeo: Sim
Resolução Máxima de Imagem de Vídeo: 640 x 480 pixel


FPS: 30



Flash: flash incluído, modo auto, modo flash OFF, redução de olhos vermelhos , alcance efectivo do flash 0.6 m - 3 m, iluminador AF



Modos de fotografia: Paisagem, modo fotografia, texto, close-up, museu, luz posterior de monitor (LCD), retrato nocturno, auto-retrato, crianças, fogos de artifício, paisagem nocturna, flor, panorâmica, modo desportivo, pôr do sol, vela, praia, gelo, panorama direito, panorama esquerdo, alta sensibilidade, anti-manchas



Efeitos especiais: Preto & Branco, Sépia, neutro, cor forte, cor fraca



Preço na pixmania, aqui: 159,61€ + portes



Preço Poisoned Apple: 100€ entrega em mão em Lisboa (4€ portes)



Reviews podem ser lidas aqui

7.9.11

Mamas

Se é homem e acha que vai ler aqui algo de extraordinário sobre maminhas, desengane-se.

Não tenho filhos, mas já deve ter faltado mais para me estrear na maternidade. Não, não há planos, é mais "um dia sei que está para acontecer". No último ano tenho lido muita coisa sobre o assunto e conversado com muitas amigas que já são mães. Este verão observei muito a questão do peito. Não tenho o peito pequeno (gostava até que fosse mais pequeno), mas ao menos é rijo e se quiser posso andar sem soutien. A ideia de me vir a sentir desfigurada após a maternidade, mata-me. Já vi maminhas que não aguentava ter e digo sempre que se um dia ficasse assim, fazia uma cirurgia. Não pensava duas vezes.

Há dias, em casa de uma amiga que já foi mãe, despimo-nos para experimentar uns bikinis. Ela perguntou-me se tinha silicone e eu, que nunca tinha reparado nas mamas delas, fiquei impressionada. Eram dois sacos enrugados e pendurados, com aspecto de terem tido o seu tempo elegante. Era tão feio. Ela olhou-me, disse-se invejosa e eu achei que aquele sentimento de infelicidade em relação ao próprio corpo deve ser uma coisa horrível de sentir.

Eu gostava de ser mais magra, de ter menos duplo queixo, de ter o nariz mais pequeno, as coxas mais magras, mas no geral sinto-me bem comigo. E vir a sentir-me mal e desfigurada é uma ideia que não encaro bem. Até que dei de caras com este texto e comentários do blog Rititi.

Uma coisa que tenho pensado, e tendo perfeita noção de que posso vir a chocar muita gente (ou vir a mudar de opinião), é que para mim a questão da amamentação não é imprescindível. Eu não mamei e não passei a vida doente, sempre fui saudável. Chamem-me egoísta, mas não sou o género de viver apenas em função dos filhos e por isso pondero vir a dar de mamar 15 dias, 1 mês, porque sentir-me bem comigo própria também importa. Bem sei que para muita gente isto é impensável e vão chover aqui comentários assassinos, mas eu nunca vou ser uma mulher que se anula com filhos. Eu também conto. Sou mais do género de uma amiga que ao segundo filho, cansada das dores e feridas que a amamentação lhe estava a provocar, arrumou o assunto com os biberons e leite em pó. És cá das minhas!, disse-lhe eu.

Ao perguntar à minha mãe se achava mal que eu não viesse a amamentar, ela disse que o melhor era fazê-lo e que até era muito melhor nas madrugadas pôr uma maminha de fora para alimentar a criança, em vez de ir buscar um biberon, aquecer a água, agitar, ver se não está a ferver, tudo a dormir em pé. De resto, diz que é tudo genética. Ela tem o peito no sítio, tomara chegar à idade dela com as mamas assim. Diz que há mulheres com barrigas inteiramente estriadas, quando ela tem uma do tamanho de uma unha, não se vê muito bem e teve três filhas (e as duas últimas já mamaram).

Espero que a genética resulte, mas acho sempre que os genes me vão trair, vou sair ao lado paterno da família e ficar uma vaca desfigurada. Tenho perfeita consciência que posso vir a mudar, mas por enquanto estou firme nesta minha forma de pensar.

6.9.11

Novidades

Ora, quem é que descobre A Maçã de Eva no facebook e quer "gostar" do novo antro, hum?

Nota: às pessoas que me lêem e que me conhecem, pede-se o favor de apagarem do mural a notificação que dirá qualquer coisa como "Maria Quitéria gosta de A Maçã de Eva". Desta forma poupam-me uma eventual ligação ao blog por parte de pessoas indesejadas, eu que quero permanecer anónima. Agradecida, sim?

5.9.11

Queridos, entre amigos

Eu e o Poisoned Apple Man temos um casal amigo que teve recentemente o jardim remodelado pelo programa Querido, mudei a casa. E que renovação! Aquilo que antes mais parecia um aterro sanitário virou capa de revista. Vimos as fotos no facebook que não deixavam mentir, estamos a adiar uma visita há que tempos e não fomos a tempo de ver a estreia dos amigos na TV.

Numa destas noites de não fazer nenhum, no meio de um zapping demos com a repetição do episódio. No meio das gargalhadas o Poisoned Apple Man ligou ao amigo:

- Então? Estou-te a ver na TV! Já fodeste a relva toda?

Amigos homens são uns queridos entre eles.

2.9.11

Consultório #77

"Tenho 22 anos, o meu namorado é um ano mais velho que eu. A nossa relação começou bem, falávamos muito, dávamo-nos bem, íamos passear, etc, mas as coisas começaram a azedar quando ele insistiu para falarmos sobre relações anteriores. Eu devo dizer que sou (ou costumo ser) uma pessoa directa e sem rodeios, se querem que fale de algo, eu falo, e parto do princípio que se as pessoas perguntam algo é porque estão dispostas a ouvir uma resposta. Confesso que não gostei muito do tema de conversa, principalmente (enquanto partilhava as desgraças que as ex-namoradas tinham feito com ele), quando afirmou ser bastante perspicaz a detectar qualquer mentira, como se aquela conversa estivesse a ser um teste à minha lealdade.

Desde então, sempre que tínhamos alguma conversa mais acesa sobre algo, ele fazia questão de me dizer que o que eu tinha acabado de dizer era igual ao que a ex dele lhe disse uma vez, e essa que o tinha traído, etc. Portanto, comparava-me a mulheres que nunca vi na vida e que aparentemente o trataram mal - isto foram paranóias sem fim.

Falámos, vezes e vezes sem conta, sobre os mesmos assuntos: inseguranças, atitudes menos positivas de um e de outro, coisas que nos fazem sentir bem e coisas que nos fazem sentir mal. Bom, o que quero dizer com isto é que já falámos muitas vezes sobre tudo o que haveria para falar e não é por isso que alguma vez as paranóias, cenas de ciúmes ou o de falta de controlo foram embora.

Deixei o clube desportivo porque ele mandava bocas porque lá existiam homens musculados; restringi as minhas saídas à noite com as minhas amigas, porque ele mandava bocas porque quando as ex-namoradas dele se embebedavam metiam-se com rapazes; restringi as minhas idas ao café com os amigos porque uma ex-namorada dele dizia-lhe que ia ao café com a amiga e afinal era com "o outro". Bom, basicamente eu fiz de tudo para reduzir as paranóias dele, para não lhe dar motivos de desconfiança. Eu restringi a minha vida e parei com os meus hábitos para que as perninhas dele não tremessem e isto não era suficiente. Ainda assim, devo dizer que nunca questionei que era com ele que queria estar e que queria trabalhar para que as coisas funcionassem.

Ultimamente as coisas pioraram porque o sinto cada vez mais distante. Passam dias (já passaram semanas) que não nos vemos simplesmente porque ele "não pode", ou porque ele já não tem a iniciativa para combinar e estarmos juntos. Sinceramente, eu estou cansada de ser sempre eu a ter iniciativa e mais que isso, estou cansada de 50% das vezes que tento combinar algo com ele ouvir um "não" como resposta. Quando o confrontei com esta situação, com o facto disto me estar a deixar em baixo, a única coisa que ele me disse foi que eu estava a exagerar e a fazer filmes, e disse-me que não aguentava os meus filmes. Acusou-me de estar a dramatizar algo e deixou-me a duvidar de mim própria, a fazer-me sentir culpada de o estar a chatear/incomodar, o que afectou seriamente a minha auto-estima.

Sinto que ele me está a por em segundo plano, que não está a fazer nenhum esforço e que o esforço está, mais uma vez, apenas a sair do meu lado. Confesso que ultimamente tenho pensado em terminar esta relação, mas tenho medo que seja assim com qualquer pessoa, porque de facto, tenho medo que ele tenha razão, tenho medo de ser eu a dramatizar e de não me estar a aperceber disso. Tenho medo de que ele seja a pessoa mais interessante que eu alguma vez já conheci - ele é inteligente e eu consigo ter conversas interessantes com ele - e, se terminar tudo, nunca voltar a conhecer alguém tão interessante. Tenho medo de estar a descartar esta relação e de nunca conseguir superar isso. Tenho medo porque essencialmente gosto imenso dele, amo-o. Ele apresentou-me à família dele, será que isso não significa o oposto de tudo aquilo que eu estou a pensar? Estou super confusa e assustada com isto tudo."

Olá Manuela! Obrigada pela sua mensagem.

Não, não está errada nem está a dramatizar. Quem dramatiza é ele e, pior, comporta-se de forma deplorável.

Não sei o que aconteceu durante o tempo que não lhe dei resposta a esta mensagem, mas ou está na mesma ou piorou. Isto, porque esse homem não tem volta atrás. A resposta à sua questão é muito simples: quando uma pessoa tem de deixar de fazer as coisas que sempre fez para poder estar com alguém, então essa não é uma relação saudável. E acho que nisto não existem excepções à regra. Não faz sentido não poder sair com as suas amigas ou deixar de ir ao ginásio porque existem homens musculados. Homens há-os na rua em todo o lado e não é por isso que as mulheres se atiram aos pés deles. E que tal ele enfiá-la numa caixinha para ninguém ver, assim estava bem?

Manuela, lamento, mas parece-me que essa relação já deu o que tinha a dar. Ele já nem a respeita. Não posso dizer que esteve bem quando abdicou de coisas da sua vida por ele. Conhece alguma relação que admire em que uma das partes teve de deixar a vida e os amigos que antes tinha para poder estar do lado dele? Isto só faz sentido quando alguém muda de cidade ou de país por causa de uma outra pessoa. Na sua relação falta algo de muito valioso, que é a confiança. Neste momento que lhe escrevo o Poisoned Apple Man foi beber uns copos com um amigo, não faço ideia onde, daqui a nada vou deitar-me sozinha e não sei a que horas ele vai chegar. Achava normal que eu lhe dissesse que não podia ir? Que fizesse uma cena de ciúmes porque pode cruzar-se com mulheres? Que batesse o pé porque não me quero deitar sozinha? Eu, eu, eu, a minha vontade e ele que a cumpra, é isto que deve ser uma relação? Seria feliz neste registo? A Manuela ainda não tem noção, mas este é o caminho que está a trilhar. Esse é o caminho para uma relação de inferno e, depois, para o fim da mesma.

Não duvide que não está em primeiro lugar na vida dele, não se surpreenda se vier a saber de outras mulheres (não é forçoso que assim seja, mas parece) e não duvide que deve colocar um ponto final nessa relação para ir a tempo de recuperar a sua vida. Há mais pessoas inteligentes, mais namorados que a vão tratar bem e esta fase, ainda que triste e infeliz, é apenas um virar de página. Saia por cima, troque-lhe as voltas, mande-o embora. Não espere eternamente que ele o faça porque vai prendê-la enquanto puder num chorrilho de mentiras e enrolá-la em sofrimento. O facto de ele a ter apresentado à família teve um significado na altura que agora não parece ter, para ele tudo perdeu a importância.

Esse homem já não a trata bem, mente, não lhe dá prioridade, não tem iniciativa de fazer coisas consigo. Acha que isto é uma relação normal? Eu sei que sabe que não. Dói, eu sei que sim, mas também lhe garanto que tudo passa e que novas alegrias virão. Dou-lhe a minha palavra.