9.11.09

O Rio na minha pele

Ai… o Rio de Janeiro! Muito me contaram em como ia adorar o Brasil, mas não houve ninguém que me alertasse para a percentagem estúpida de humidade que existe no ar. Resultado para quem tem caracóis no cabelo: peruca afro. Foi uma chapada de corpo inteiro sair do aeroporto e levar aquele bafo que às 19h devia estar na ordem dos 30ºC. Calor, a certeza de que ia haver sol no dia seguinte, um dia de verdadeiro verão, espalharam a alegria no meu corpo. Eram as saudades do verão, quando o de cá ainda há pouco se foi.

No caminho para o hotel, vi como o Rio de Janeiro é exactamente como esperava: favelas e mais favelas no meio edifícios absolutamente normais, quando não luxuosos. Para quem nunca foi, é a Cidade Maravilhosa, tal e qual como se vê nas novelas, é o Cristo Redentor enorme, são as vistas que não acabam, os morros que se multiplicam, é o jeitinho carioca, as frutas nunca antes vistas ou imaginadas, a carne que nos faz salivar, o sol inexplicável que nos faz sentir arrumados entre brasas, impossibilitando a habitual grelha ao sol de quem faz pelo tom de pele (diz isto quem gosta de fazer de lagarto), determinando que ao sol, só debaixo de água.

É sim a terra dos bikinis, mas pequenos. Amaldiçoei as maminhas pequeninas das brasileiras. O Brasil é uma terra de bunda, não é de mamas, já me dizia uma amiga. Foi para mim a terra do acordar cedo sem despertador, do café da manhã delicioso, da água de côco que tanto me desiludiu por saber a água suja, dos meninos quase despidos na rua, a terra das mulheres descomplexadas: 100 Kg, celulite, banha tanta que há anos não vê os joelhos, bisnetos, não são motivos para não usar um fio dental. Não tem maior?, perguntava eu à menina da loja. Ah, maior ninguém quer, né?

O Rio de Janeiro é a cidade onde se conduz sem regras. É a verdadeira anarquia, vale até seguir em contra-mão. Contratados que foram os serviços do Sô Rui, taxista, por um dia, confesso que tive mais medo de circular com ele pela cidade do que ir à Rocinha. Sim, estive na favela da Rocinha, acompanhada e sozinha. Não há que ter medo. Adorei ver como aquilo que parece ser apenas pobreza e desorganização, é afinal tudo menos desorganizado. As favelas chegam a ter “orientadores de trânsito”, pagos pelo líder, para que as pessoas possam atravessar as ruas, pois não existem passadeiras. E o que acontece se as pessoas não pararem? Ai, aí vai ter que se ver com o chefão! As favelas são um corrupio de moto-táxis morro acima, morro abaixo, cada viagem pelo preço de dois reais.

O Rio de Janeiro é Copacabana, Ipanema, é a Barra, o Corcovado e sumo de acerola, é espuma de abacaxi num copo, sandes de verão mágicas, gelados que pingam e escorrem pelo braço, é cajú, é um sambódromo deserto, é o Pão de Açúcar que faz impressão nas alturas, são Havaianas a preços que não se acreditam, é chopp a circular por todo o lado, é mulheres que se arranjam para entrar num centro comercial e é uma maravilhosa salada de palmito. É uma cidade impossível de fazer a pé, é a inegável presença portuguesa, uma calçada mais arranjada que a nossa, é uma cidade que me ficou na pele e a vontade de voltar.








Room with a view

Rocinha mesmo no meio dos edifícios

O outro lado da vista

Bem instalada

O voo dos lunáticos



Cascatinha

Floresta da Tijuca

Jane

Sô Rui

Táxi do Sô Rui






Sem medo das figuras


A favela na qual o líder mandou todo o mundo pintar a casa de azul, para que o BOPE não identificasse as casas pelas cores.




O sistema é ir atirando o lixo pelo morro abaixo. Depois a Prefeitura vai buscar.

Rocinha

Salão de Beleza



Aluga-se



Pontinhos de luz ao fundo: Rocinha



Blarghhh!

E que boa que é a água!

Praia do Pêpê






Praia de Ipanema




Namorar

Orelhão


Já a pensar no próximo destino!

31.10.09

Do you remember? #75



Garota de Ipanema - 1963

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

28.10.09

Maravilhosa




Há anos que chama por mim. E eu disse-lhe em segredo que não se preocupasse, hei-de ir até aí, susurrei. E não lhe menti, vou mesmo. Não sei se salta de alegria, mas eu sem dúvida que ando a roçar a histeria, vivo com a alegria na massa muscular e a electricidade no sorriso. Vou abandonar o frio que já se começa a fazer sentir e parto com destino a 32ºC. A Cidade Maravilhosa vai ser minha por uma semana.

Vou de Havaianas à procura de água de côco, percorrer o Corcovado, o Pão de Açúcar, a Barra da Tijuca, o Leblon sem descurar um jantar naquele que dizem ser o melhor sushi do mundo: o Sushi Leblon. Vou comer no tão falado rodízio Fogo de Chão como se não houvesse amanhã, comprar todos os bikinis que conseguir, tentar não apanhar um escaldão, passar por brasileira e andar de chinelo o dia inteiro. Quero fundir-me e falar carioca, dar um bacalhau no Lula, provar cada uma das frutas no café da manhã, empanturrar-me com pão de queijo, falar com todo o mundo legal, tentar não levar um tiro nem ser assaltada. Na praia, vou ter sempre um saquinho de castanha de cajú na mão, um pé nas águas quentes e um olho nos bikinis que se vão vendendo na praia ao preço da uva mijona. Quero sandálias, mais que muitas, quero namorar, quero encontrar a Maitê, ameaçar uma mija no Cristo Redentor para depois dizer que era uma brincadeira, as meninas educadas não fazem xixis no meio da rua nem cospem em monumentos nacionais.

Quero andar de mão dada no calçadão, dar abraços, beijos na boca, quero tirar todas as fotos que a discrição permitir, comer doce de leite com colheres de sopa e comprar mais e mais brincos. Quero fazer as compras de Natal, andar de bondinho, ser garota de Ipanema, dizer "oi?" quando não perceber o que me disserem, proferir expressões tais como show de bola, sacanagem, jeitinho gostoso e pô, quando não me fizerem as vontades. Quero aprender a dançar samba sem parecer que tenho ouriços nos pés, quero ouvir bossa nova e alegrar-me com muitas caipifrutas. Quero ganhar novas cores, trazer a mala enorme (e emprestada para o efeito viagem-compras) pesada e, essa já tenho a certeza, a vontade de querer voltar.

Nota: para quem já foi, agradecem-se ideias para passear e spots para adquirir bikinis e outros bens de primeira necessidade. Mails para aqui: amacadeeva@gmail.com Obrigada!

26.10.09

No restaurante italiano...

... ele estava aquilo que eu chamo de "mimoso", como a vaca do leite, mas no masculino. Ele era miminhos, abracinhos, mão dada, as vontades todas feitas, festinhas, palavras queridas, transformação aliás que venho notando há mais de um mês. Um estado amoroso constante, imperturbável, como se eu tivesse sido agraciada por uma paz intocável. Certo é que a autora e o homem da Poisoned Apple têm muito boa relação, com dois ou três desentendimentos a constar da lista, mas isso todos sabemos que faz parte.

Mas desengane-se quem achava que eu andava a viver nas nuvens. É que os homens não mudam, por isso algo se passava. Até passou a fazer o jantar sozinho! Ou seja, para mim existia motivo de preocupação que conversei com uma amiga. Das duas uma: ou apanhou um cagaço no último desentendimento, viu-me com um pé do lado de fora da rua e teve medo, ou traiu-me e sente-se culpado.

As pessoas não mudam porque o vento sopra numa determinada direcção ou porque acham que uma determinada atitude é a correcta a ter. Se não fizer parte da personalidade de um indivíduo, não espere mudanças, nem neles nem nelas. Eu também acho que devia fazer ginástica mais vezes, está provado que apenas me beneficia, mas ainda assim não faço tanto quanto gostaria. Ou seja, ninguém muda porque apenas quer ou acha que sim. Mas há algo que sem dúvida pode transformar uma pessoa: o sofrimento. Assim sendo:

Possibilidade 1 - Medo do fim, de sofrer, perceber que nada está garantido e ter de se esforçar mais
Possibilidade 2 - Traição, sentimento de culpa, medo de ser descoberto

Andei de olho, procurei indícios, observei, fiz contas... Nada! Muito pelo contrário. Cheguei a perguntar o que se passava, o que é que ele tinha, afirmando que nada e enchendo-me de beijos.

No italiano, à conversa e à luz de vela, olhou para mim e disse: estou cada vez mais apaixonado, enquanto me segurava na mão.

Sim, fiquei feliz, sorri e podia o caro leitor acusar-me de ser uma criatura negativa por não contar com uma Possibilidade 3. Mas é que surgiu imediatamente uma questão para o lugar dessa possibilidade: então e antes não estava?

24.10.09

Do you remember? #74



Cock Robin - When your heart is weak - 1985

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23.10.09

Marry me

Quando a Pipoca me contou que ia casar, não queria acreditar! Fiquei genuinamente feliz por ela, fiz mil e uma perguntas sobre o monumental pedido e sobre o que está para acontecer, se tinha chorado, se não, quantas pessoas tinham assistido... foi um excitamento. Foi também como assistir a um desenrolar da história e ver que apesar de tropeções, mazelas e outras tareias, um dia chega a hora de uma pessoa. Não que o casamento seja a ginginha no topo de bolo, o Santo Graal, o momento que todas procuram, mas sem dúvida que tem o seu quê. É saber que se é de tal forma amada, que um homem está disposto a assinar uma união. É ter a certeza absoluta que o sentimento é verdadeiro, certeza essa que é mais importante para umas do que para outras mas, importâncias à parte, é sempre emocionante, tem o impacto de um murro no estômago, tem o poder de alterar o sistema nervoso de uma pessoa e, com isso, o poder de fazer querer mudar uma vida inteira.


E foi a Pipoca que me fez cair em mim sem que o soubesse. Tenho passado a vida a dizer que não quero casar. Houve alturas em que me convenci mesmo disso, mas a verdade é que digo que não quero casar porque nunca acreditei que um homem fosse gostar tanto de mim a ponto de querer casar comigo. Procurei convencer-me que no fundo o casamento é apenas um papel que não faz diferença. De facto, na prática não faz, a não ser no IRS, mas há algo de fascinante em saber que o homem de quem se gosta é o "marido".

Está confessado o verdadeiro motivo, ainda que eu preferisse realmente não querer casar. Poupava-se a desilusão, mas pode ser também que uma mentira proferida mil vezes se torne verdade.

21.10.09

Aquele italiano*

Trabalhava eu furiosamente sobre o teclado do escritório quando o homem da Poisoned Apple, em casa, apareceu no messenger para enviar beijinhos, corações e outros adereços. Caro leitor, atente na conversa que se segue, verdadeiro exemplo do poder de uma mulher sobre um homem. Veja até onde vai a persuasão femina, ora leia:

Eu - Então e o que é que se janta hoje? Já deves ter preparado um verdadeiro pitéu!
Ele - Vamos jantar fora
Eu - Isso é que é cozinhar! Italiano?
Ele - Sim, mas outro
Eu - Mas eu quero ir a esse ao lado de casa! Eu quero! Eu quero! Eu quero! Eu já estava a sonhar com a carbonnara e os profiteroles com mousse de chocolate! E eu quero AQUELA carbonnara que não é igual às outras! Eu quero! Eu quero! Eu preciso! Não gostas de mim, eu sabia. Nunca me fazes as vontades! Estou quase a perder a vontade de ir jantar fora... snhiiiff! - em jeito "vou atirar-me da janela"
Ele - Ok, vamos a esse
Eu - Mas se não quiseres, deixa...
Ele - LOL! Fazes sempre isso quando consegues as coisas!
Eu - Hum? Isso o quê?

Receita: aja como se a família estivesse a morrer, adicione a possibilidade do sentimento não ser retribuído, mostre que o que deseja é tão importante como a própria vida e misture tudo. Aguarde que cozinhe em banho-maria na mente e coração do seu companheiro e a resposta vai ser uma doçura. Faça-se sempre de parva.

* Nota: já à espera de receber comentários que afirmam como sou uma mimada, importa explicar que isto foi uma brincadeira que tive com o homem, heim? Mas a brincar se diz a verdade, não é? :)

19.10.09

Verdade #55

Estava tranquilamente na minha dieta, a mastigar cubinhos de melão enquanto trabalhava em frente do meu novo portátil. Eis que, sem qualquer tipo de aviso, um espirro dá de si.

Não tive tempo de pôr a mão à frente.

Posso dizer que não foi um espectáculo bonito. Nem leio bem as letras.

17.10.09

Do you remember? #73



Whitesnake - Here I Go Again - 1982

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16.10.09

Girls will be boys

Agora que vou tomar um medicamento para a próstata - diria dirigido apenas ao sexo masculino, mas ao que tudo indica com benefícios nas meninas - tenho para mim que vou conhecer um mundo novo. Vai brotar na minha pessoa toda uma compreensão acerca dos homens, tudo vai ser claro como água, nunca mais estranharei o sexo oposto e muito menos o condenarei. Será como viver na cabeça de um homem comum por 365 dias, o tempo da toma do dito, que me tornará num novo ser, esclarecido.

Certamente fugirei com toda a informação que disponibilizarei gratuitamente às mulheres que a solicitarem e seremos todas felizes para sempre. O trabalho é sempre nosso, do sexo feminino, mas nós damos conta do recado! Me aguardem!

Ou isso ou cresce-me uma pilinha. Com ou sem testículos, não sei.

14.10.09

"The" voice

Não dou a conhecer a minha cara, mas eis que vos dou a conhecer a minha voz (em off) :)

Adorei este trabalho!

12.10.09

Grandes entradas #2

Nada como levar as mãos ao peito, encarar a realidade: Houston, we have a problem, pedir a todos os santos muita paciência, bater à porta do gabinete do patrão, logo no quarto dia de trabalho - depois de ter batido com a porta do seu Mercedes XPTO numa coluna de betão - e avisar que o portátil que me deram para trabalhar quinou. Que é como quem diz berrou, morreu, desfez-se, derreteu. Poisoned Apple, acho que isto não tem arranjo, vai mesmo ter de se comprar um novo... - disse horas mais tarde.

Este magnetismo especial que eu tenho de arrasar tudo o que toco... eu só liguei o power e deu nisto!

Kaput. Este post desintegrar-se-á após leitura.

10.10.09

Do you remember? #72





Billy Idol - Mony Mony -1987

(original: Tommy James & The Shondells -1968)

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8.10.09

Limpa-te aqui

Um dia destes conversava com a minha amiga Vizinha e seu marido Vizinho, questões relativas ao obranço masculino. É incompreensível que certos homens sofram de uma produção massiva tal, que consigam cagar, literalmente, toda uma sanita e ainda gastar 3/4 de um rolo de papel higiénico na limpeza da fonte, tudo com medo de sujar as impressões digitais. Ou de deixar impressões digitais, agora que penso nisso. Adiante.

A minha amiga, cansada daquele consumismo obsceno, vai de obrigar o seu homem a sentar a peida no bidé e a lavar-se, no lugar de gastar parte do orçamento do agregado familiar em futilidades como papel higiénico. Não que considere este bem de primeira necessidade uma futilidade, mas quando vai de segurar na extremidade e puxar do rolo como se não houvesse amanhã - e aliás, recordo, como fazia a minha irmã mais nova correndo pela casa fora - aí estamos a brincar com os pobrezinhos que não têm outro remédio senão limpar-se ao jornal. Mas desengane-se quem pense que a minha amiga conseguiu um grande feito. Agora o problema é que o seu esposo deixa micro-resíduos no bidé que, com o tempo secam, e não tem ela outro remédio senão raspar com as unhas. E com uma fúria que só vendo. Quem disse que o amor era fácil?

E nisto, eu e o homem da Poisoned Apple fomos às compras. Na hora de escolher o papel higiénico, que ele quer sempre o mais fofo, com 300 folhas duplas ao melhor estilo esdredão de penas (não vá ele lesionar o ânus), tentei explicar a barbaridade que era gastar tanto dinheiro numa coisa que servia para limpar o rabo, quando logo na prateleira ao lado existia a mesma coisa, para o mesmo efeito, mais barato.

Chegámos a um acordo a meio da prateleira: nem caro, nem barato; nem com penas de ganso, nem com arame farpado. Mas insistiu na quantidade porque assim até saía mais barato o rolo. Então vai de ocupar o carrinho de compras com uma embalagem de fazer inveja ao Pai Natal: 50 e tal rolos mais uma dezena de oferta. E eu perguntava-lhe: tens noção que isto é mais de meia centena em rolos de papel higiénico? Ele não quis saber. Eu encolhi os ombros, mas quando chegámos à caixa senti-me envergonhada. Parecíamos uns cagões.

Mas os homens são como as crianças. Quando há muito, têm gozo em gastar. E eu comecei a ver o primeiro rolo de papel higiénico mirrar rapidamente. Assim sendo, deixei-lhe um recado.


E foi toda uma conversa sobre asfixia democrática e escutas à porta de tudo o que ele produzia, que já não se pode estar em lado nenhum e que vivemos numa nação mal parada. Está como o Cavaco, a cagar chouriços, não confirmando nem desmentindo se tinha produzido em demasia, nem ainda se tinha sido ele o autor de tamanha despesa.

6.10.09

Grandes entradas

Obrigado estimados leitores, toda a sorte que me desejaram nesta nova incursão profissional. Fico muito sensibilizada e sinto-me pois, obrigada a partilhar a minha grande entrada logo no primeiro dia deste novo emprego.

Feitas as apresentações, o primeiro dia foi toda uma manhã em diálogo sobre o futuro, um reforço do que já haviam dito do que pretendiam da minha parte e um convite dos Directores para almoço. Simpático. Umas boas-vindas marcadas em almoço gourmet com os manda-chuva da empresa. Abriram-me a porta do carro, qual Ambrosio, seguimos em conversa animada, estacionámos para mimar o estômago que já pedia e, Poisoned Apple, com a sua elegância do costume, vai de estoirar a porta do Mercedes espada-comprido-extras-faz-tudo-menos-depilação-a-laser do patrão numa coluna de betão. Tudo normal. Lapso sem consequências no processo contratual.

É um magnetismo especial este que eu tenho de fazer entradas triunfais nos primeiros dias de emprego. Ficou para a memória o primeiro dia do meu primeiro emprego "a sério", dia em que tomei o pequeno-almoço e fiquei para lá de Bagdad de tão mal-disposta que estava. Não eram nervos que eu não sou miúda para essas coisas. Aquilo caiu-me de facto mal. Toquei à campainha, abriram-me a porta com um sorriso e eu não sorri para ninguém. Olhei para o chão e...

vomitei-me toda.

Atenção, não cheguei sequer a proferir um educado "bom dia!". Foi o chama o Gregório do mais fundo das minhas entranhas. A alcatifa verde de uma empresa de prestígio ensopada. Os meus cabelos, as minhas calças, os meus sapatos todos espirrados. As calças e os sapatos de quem me abriu a porta também. Um cheiro nesfasto capaz de acordar um morto e um dia inteiro mal-disposta. Vá lá que me foram dando chazinhos o dia inteiro. Fofos.

Mas isso pertence ao passado. Ainda neste novo emprego, como se não bastasse, sabendo eu que a cada esquina daquele edíficio há uma câmara, estou calmamente à espera do elevador quando se me dá uma comichãozita no hemisfério sul e vai de coçar o pipi num corredor que eu pensava vazio. Lá vazio estava, mas tinha uma câmara mesmo por cima de mim com uma luzinha vermelha de quem diz eu estou-te a ver..!

Esta é a minha vida.

3.10.09

Do you remember? #71



Berlin - Take my breath away -1986

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1.10.09

Uma no cravo e outra na ferradura

É tempo de mudança, é tempo de uma fase nova que começa hoje mesmo. É tempo de um gabinete para mim, condições quase principescas (dizem) e de começar a mandar em alguma coisa. Agora as decisões são minhas. Ficou um outro emprego para trás do qual ainda trago raiva na mala. Resta a satisfação de que mudei para melhor, a satisfação de ver os números multiplicar e, espero, a satisfação de quem ri por último rir melhor: o meu sucesso noutro lado. Hoje é o início de uma nova fase de crescimento profissional e estou feliz com isso!

30.9.09

Consultório #16

Ele vai casar com a gaja. A gaja cruza-se com a visada, a ex, e procura marcar o território, só faltando mesmo uma mijinha em cima do homem mesmo em frente à antecessora. Ele diz que gosta dela, mas também gosta da anterior. E da amiga e da prima e da gata da vizinha que é uma bola de pêlo mas também lá ia. Entre bichos e mulheres, vai deixando a marca como pode. Há homens assim, que nasceram para gostar de todas as mulheres e mais algumas. Umas há que ficam sem norte. Mas isso trabalha-se.

Olá I.,

(...) pede-me que lhe escreva uma frase mágica, mas a verdade é que a "magia" está dentro de si na resposta às questões: porque é que isto a afecta? O que é que pretende? Há inúmeras razões que apenas a I. poderá indicar, daí a dificuldade na minha resposta. Tem apenas um sentimento de posse em relação ao XY ou ainda gosta dele? Eu continuo a achar que quando o amor foi verdadeiro, o que parece ter sido durante 4 anos, essa vivência torna impossível uma amizade natural e, por isso mesmo, o melhor mesmo é o afastamento, o que não significa que lhe vire a cara se passar por ele na rua.

Se depois disso ainda tentaram voltar, a possibilidade de uma amizade torna-se mais impossível ainda. Acho que o segredo para que isso aconteça é passarem pelos dois outras pessoas e muito tempo, porque só o tempo torna as situações mais relativas, mais "pequenas", mais "sem importância" porque já passou isso mesmo, muito tempo.

O XY é igual a muitos outros, não me parece trazer nada de novo. Um egoísta que só se interessa por ele próprio. Acho estranho que com 29 anos queira casar, não é comum querer prender-se numa idade que é considerado algo cedo na sociedade actual. Para mim continua a haver qualquer coisa que desconhece e não é pressão familiar, porque ele não se importa com isso, só se importa com ele. Mandou-lhe sms porque é sempre divertido (re)viver um flirt, porque é bom, incha o ego saber que a ex ainda nos dá conversa, que ainda somos importantes, porque não há nada como manter os nossos antigamentes numa caixa e conservar para - em caso de necessidade - ir lá buscar, o chamado picar o ponto.

Não caia na ideia de que se ele faz isto é porque as coisas não estão bem ou não está muito apaixonado. Eu também pensava assim e tem sentido pensar assim, mas isso é para pessoas como nós, que acreditamos no amor, na fidelidade e temos bom carácter. Mas a verdade é que há muitos homens que estão bem e fazem jogos por detrás, faz parte da natureza deles e são os que eu chamo de mau carácter. Alguém que vai casar e ainda se ocupa com sms e beijos no seus caracóis, é porque não pode ser boa pessoa.

Quanto a essa XX que tem atitudes de coitadinha, eu tenho uma frase que costumo utilizá-la: "as pessoas só vão até onde lhes for permitido". Assim, da próxima vez que ela fizer qualquer outra tentativa semelhante à que me relatou, o melhor é olhá-la como se fosse uma criança, com ar de quem está ocupado e dizer: "ó XX, desculpa-me a franqueza, dás-te conta das figuras que andas a fazer? Achas que eu quero saber ou me importo? Não me molestes mais, por favor. Vá, arranja com que brincar!", sem qualquer tom de irritação na voz, como se estivesse a rezar o Pai Nosso. Isso acaba com uma pessoa, até porque a faz sentir ridícula. E repita-lhe a mesma frase as vezes que for necessário. Às tantas vai sentir-se envergonhada.

(...) Porque razão quereria a I. contar isto a toda a gente? Não pense que se está a deixar pisar por ficar calada deixando-o impune, pelo contrário, deixa-se pisar ao dar-lhe conversa, responder aos contactos ou ao quer que seja. Pense comigo, o que é que esse homem lhe traz? Nada, já trouxe, mas o passado já lá vai e pelos vistos é incapaz de ter respeito e consideração consigo em nome do passado. Assim sendo, quer mesmo viver uma relação de amizade que não existe? Lembre-se que o corte de relações não tem de ser uma coisa violenta, basta a sinceridade e dizer-lhe que os amigos trazem-nos coisas boas, fazem-nos crescer, ser mais e melhores e ele, coitadinho, não traz nada de bom. A ninguém pelos vistos.

Faça a sua vida junto dos que gostam de si. Há uns tempos estava parada a pensar no que eu já chorei e me irritei com pessoas que não valem a pena. Acredite, não há nada como abandonar aquilo que não nos serve. Ele que viva, case e coma as que quiser. Daqui a uns anos vai olhar para trás e perguntar-se o que viu ali, que foi o que aconteceu comigo em relação ao primeiro namorado.

(...) Beijinhos,

Poisoned Apple

28.9.09

Verdade #54

Há anos que reflicto sobre isto e nunca chego a uma conclusão (nem sequer uma conclusão temporária, não consigo encontrar uma resposta ainda que mais tarde volte a mudar de opinião): não sei se são as pessoas que me desiludem constantemente, se sou eu que sou estupidamente exigente.

Estou mais inclinada para a primeira hipótese. Ou melhor, tenho a certeza que é a primeira hipótese, só que eu sou assim, tapo o sol com a peneira, mais vale pensar que a culpa é minha e assim as coisas estão nas minhas mãos. Só que na verddae não estão. Sem aviso prévio, antes de findo o prazo validade, muitos e muitas que tinha em consideração começam a saber a leite estragado. É estranho, parece uma onda que varre uma série de pessoas.

26.9.09

Do you remember? #70



Bryan Ferry - Slave to love -1985

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25.9.09

Sentido de oportunidade

A ocasião faz o ladrão, bem diz o ditado. Eu, caçadora da verdade nos sentimentos, não me fiz esperar. Tendo um namorado sonâmbulo que fala comigo durante a noite discursos coerentes dos quais não se lembra. E num dia de maior insegurança lembrei-me de aproveitar. Sim, oportunista, mas eu quero lá saber o que fica bem ou mal, quero é o sossego do meu coração. In vino veritas também haveria de servir aplicado ao sono.

A madrugada ia alta quando começou ele um novo discurso que eu interrompi:

- E gostas de mim?
- Sim
- Quanto?
- Muito
- Mas isso é quanto?

E a dormir na resposta faz o inesperado para mim, que foi abrir os braços como quem abraça uma abóbora das grandes, nascida de um fenómeno do Entroncamento, o que me deixou completamente calada e amolecida e, a ele, na maior ignorância porque não se lembra de coisa nenhuma. Foi tão querido que acho que vou ter de contar. E fiquei ali, de pestana aberta a olhar para ele, apenas com a luz ténue do despertador, até adormecer mais calma com a respiração profunda dele.

23.9.09

Do amor e da sua análise

"E eu não quero ter de andar sempre a repetir a minha história (...) sinto que estava mais confiante em relação ao sexo e ao romance quando tinha dezasseis anos (...)"

"Nessa altura eras jovem e estúpida. Só os jovens e estúpidos se sentem confiantes em relação ao sexo e ao romance. Pensas que algum de nós sabe o que está a fazer? Pensas que há alguma maneira de os humanos se amarem uns aos outros sem complicações (...) O amor é sempre complicado. Mas ainda assim os humanos devem tentar amar-se uns aos outros, querida. É inevitável ficar por vezes com o coração despedaçado. Isso é um bom sinal, ter o coração despedaçado. Significa que lutámos por alguma coisa"

in Comer, orar, amar by Elizabeth Gilbert

É verdade, quando era miúda era quase como se fosse ignorante, acéfala, o amor era possível sem qualquer complicação. Mas depois cresci a abri os olhos, comecei a pensar, a decompor e dissecar cada aspecto que eventualmente pudesse desaguar num fim, de modo a contorná-lo, de modo a fazer mais por mim, pelos amor e por um "nós". Quando era miúda não me lembro de pensar nestes aspectos. Agora penso. Muito. Acho que todos os dias. Às vezes desgasta-me, deixa-me frequentemente inquieta e há quem diga que sou uma eterna insatisfeita.

21.9.09

Há não-surpresas

Os homens deviam ter nascido educados quanto à relação homem/mulher. Às vezes acho que a culpa é da maezinha deles, outras vezes nem tanto, pois há-os com falta de sensatez e egoístas por natureza. Nestes casos, que nenhuma mulher pense que ele muda com o tempo ou, pior ainda, que o vai mudar. Senhoras, os homens são o que são quer invistam no diálogo inteligente e fundamentado, quer façam façam promessas a Nossa Senhora de Fátima, incluindo uma viagem de joelhos esfolados da cidade que habitam até este santuário. Por muitas velinhas que se acendam, não há nada a fazer. Ou melhor, se calhar até há. Que os mesmos venham aqui ler este texto e, com sorte, vêem-se no ridículo. Quem sabe um out of the box fará maiores maravilhas que as promessas aos santos mas, ainda assim, ainda que vendo-se no ridículo, tenho para mim que as mudanças teriam a duração de uma semana. Vá, quinze dias, que eu estou num dia de generosidade.


Não sejam estúpidos e ao fim de um dia fora de casa, não façam uma chamada para contar que têm uma surpresa. Não incitem os nervos ansiosos e delírio de uma mulher que acha que vai receber um presente para que, quando chegado a casa, o presente na realidade seja para vocês homens. Eu que sou esperta e tenho um poder de adivinhação peculiar, a meio do dia já estava a pedir a todos os santos que não fosse uma batedeira. É certo que já protestei quanto à falta de alguns bens, a meu entender, de primeira de necessidade. Mas uma coisa é fazer uma surpresa para uma mulher, outra é surpreender na compra de algo que era necessário. Pois bem, chega-me a casa com uma balança. Confere, tinha alertado para uma falta de controlo de peso da minha parte, o que me deixava desassossegada, mas aquilo não era para mim. Aliás, tanto o sabia que quando abri o saco ouvi um arrastado "não é bem para ti..."

Xô as criaturas que vão na lenga-lenga de que o que conta é a intenção, porque de meias-surpresas está o inferno cheio. A falta de noção incomoda-me e, aquilo que costumo recomendar a uma pessoa que não sabe se o que vai fazer está correcto ou errado, é colocar-se no lugar do outro, ter sensibilidade de conseguir inverter os papéis. O que, convenhamos, aos homens é deveras difícil de conseguir. Ou pelo menos (reconheço) à larga maioria deles.

É como estar para cima de um mês a ouvir dizer que vai fazer uma refeição. Uma mulher espera, há as que desesperam e há as que se conformam, como eu, que não caem na ilusão de encontrar o pote de ouro no fim do arco-íris. Atentem: nenhuma mulher fica com a sensação de um homem ter cozinhado para ela se, a poucas horas da hora de jantar, lhe ligar a pedir que vá ao supermercado comprar bifes, natas e cogumelos porque hoje vai cozinhar! Mas a mulher lá vai, munida de paciência. Não é perguntar-lhe se descasca uns alhos já que não está a fazer nada de especial, quanto todos os outros dias em que a mulher cozinha (deveria sublinhar o "todos"?), imagine-se, o homem não está a fazer nada de especial. Invariavelmente, estará agarrado a um jogo de futebol que a Sportzone, sabe-se lá como, consegue desencantar jogos de bola todos os dias. E muito menos é - depois de ter ido comprar o alimento e participar da sua confecção - deixar-lhe a cozinha para limpar. Cozinha essa um verdadeiro esterco que mais parece que teve trolhas a fazer obras na divisão.

Fica o desabafo, meus homens. O que acima relatei não é cozinhar para uma mulher. O que acima relatei não é fazer-lhe uma surpresa. É certo que às mulheres cabe a decisão de saber viver com isto ou largar às urtigas. A curto e a médio-prazo tudo resultará, não se apoquentem, pois ser mulher é sentir que tudo se aguenta eternamente. O pior é a longo prazo, quando estão fartas de fazer de empregadas e encontram no estado civil "solteira" mais paz do que a dois ou, também acontece, tropeçar num desses outros homens que não deixam tudo por conta delas, os chamados participativos e que conhecem os conceitos de divisão e esforço.

Divulgue-se, faça-se copy/paste deste texto, forward via e-mail. É que o Natal está aí à porta e não gostava de ver o mulherio receber novas batedeiras e picadoras nas festividades. Já sei que para muitas uma Bimby seria de sonho, mas dessas já eu tenho em ambas as casas. Os meninos não passam a vida a dizer que não compreendem as mulheres? Pois aqui têm, melhor que isto só fazendo um desenho. E aviso já que não sou dada às artes.


19.9.09

Do you remember? #69



Belinda Carlisle - Heaven Is A Place On Earth -1987

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

18.9.09

Consultório #15

Acho sempre querido quando um homem procura ajuda sentimental. As questões colocadas, a pedido do próprio, não são publicadas, apenas a minha resposta:

"(...) aquilo que me lembrei de imediato é que as pessoas tendem a complicar o evidente e, nos piores casos, a enganar-se a si próprios. Não tenha medo da minha resposta porque no final de contas, acho este e-mail não vai ser nem mau nem bom. Vou pedir-lhe que atente nas palavras que escreveu e que tente interpretá-las como se estivesse de fora, como se não tivesse assinado o texto.

O XY disse que "a relação corria bem até aos quatro anos e meio, onde começaram a existir algumas discussões se calhar normais, de casais que já se conhecem relativamente bem". O XY sabe que discussões não são normais, sobretudo se começarem depois de tanto tempo juntos, conhecendo-se bem um ao outro. Pense comigo: ao fim de tantos anos em comum é que é começam a discutir? A discussão (e pelo que percebi partia quase sempre dela) é um sintoma de algo que não vai bem. Esta é para mim a tentativa de engano nº 1, mas por favor não se ofenda com o que lhe digo nem tome as minhas afirmações como lei. Escrevo-lhe na medida das minhas experiências e do meu lado como mulher.

Enganamo-nos a nós próprios para que a realidade não seja tão cruel, para desculpar alguém que não queremos que tenha mudado, mas com isso só atrasamos a nossa vida. Quer-me parecer que o XY é uma pessoa pacífica e ela um vendaval, calculo que estivesse habituada a que lhe fizesse as vontades e quando não o fez tirou-lhe o tapete. Aliás, tomou a iniciativa de um afastamento, algo com que ela não contava de certeza. Mas XY, 3 meses é muito tempo e dá para muita coisa. Quando uma pessoa se afasta por uma semana ou 15 dias, tudo bem, mas 3 meses, ainda que com algum contacto, é demasiado. E quando digo demasiado não falo de regras universais, falo do tempo que lhe foi dado a que ela agisse, a que conhecesse um mundo no qual está ausente e a que se habituasse à distância e à ausência. Somos todas diferentes, mas o que custa são as primeiras semanas. Depois, dependendo se se fica em casa a carpir ou se sai para descobrir o que há lá fora (o que ela parece ter feito), vem a mudança.

O XY diz que o sentimento não pode ter desaparecido em 15 dias porque ela fez uma tentativa antes da sua nesse horizonte temporal, mas tem de se lembrar que deu ao sentimento 3 meses para se gastar e o que pode ter ficado afinal não era sentimento, mas sim orgulho ferido, o que a leva a rejeitá-lo quando consegue o que tanto parecia querer, quase como quem diz "agora já não tem graça".

Não me leve a mal mas, não sei porquê, através do seu texto algo me leva a querer que ela será algo mimada, a ter sempre o que quer - não que isso faça dela boa ou má pessoa - mas se assim for confirma a suspeita de querer só para depois largar, não digo por maldade, mas por questões e necessidades humanas que me ultrapassam.

"Estive uma última vez com ela, faz um mês agora, para lhe dar umas coisas a pedido dela. Não se aproximou de mim mais do que um metro, não me cumprimentou, nem tão pouco agradeceu o facto de eu ter ido lá levar-lhe as coisas. Pedi 5 minutos e tive-os a muito custo", isto são atitudes de quem não quer mesmo estar consigo, a não ser que se trate de uma sonsa que quer é vê-lo de rastos implorando pelos 5 minutos. Para quem tem 32 anos e, calculo eu, queira ser mãe a médio/longo prazo, ela parece ter uma rede de defesa. Sabe aqueles baloiços de circo lá no alto? Uma pessoa atreve-se a maiores acrobacias se souber que tem uma rede que a segura lá em baixo, a sensação de que nunca cairá no chão. E é isso que me parece, que há algo que lhe é omitido que lhe dá uma grande segurança e, normalmente, sobretudo depois de relações longas, é uma terceira pessoa.

Não sei se é seguidor do meu blog, mas eu acredito muito numa coisa que é a seguinte: quem gosta está, quem não gosta não está. Não há amuo que dure indefinidamente se a pessoa realmente gostar da outra (...)

E o XY, acha mesmo que gosta assim tanto dela ou tem um sentimento de perda? Todos estamos sujeitos a errar, mas não acha que se fosse assim tão arrebatador não teria aguentado tanto tempo longe dela? Pense nisso, até que ponto o hábito e o sentimento de perda não estão a falar mais alto, confundido-lhe os sentimentos. Já passei por isso. O meu melhor conselho é que seja claro e transparente olhos nos olhos, sem margem para dúvidas. Não lhe permita birras nem fitas, leve tudo o que tem dela, apareça-lhe e diga-lhe que gosta dela, que lamenta o que aconteceu e que está arrependido, mas está ali para recuperar o que havia e não vai andar a sofrer nem a remoer a hipótese de não ter lutado o suficiente. Assim, prova disso, ali está à frente dela, para que lhe diga que sim ou que não de uma vez por todas.

Se optar pelo não, entrega o que lhe pertence, explicando que não tem mais motivos para o contactar, partindo à sua vida. O destino ditará se um dia poderão ficar amigos ou não mas, a acontecer, não vai ser em pouco tempo. Ou então seriam os primeiros. E na verdade isso não é importante, porque lhe iria saber sempre a migalhas o que ela teria para dar, seria apenas uma fonte de sofrimento e, essa, o melhor é cortar pela raiz. Se ela lhe disser que não, diga-lhe também que não, desapareça da vida dela informando-a disso mesmo e proibindo qualquer contacto.

Chore o que tiver para chorar e um dia tudo mudará. É sempre assim, não querendo reduzir a sua situação a uma frase, estas histórias, também minhas, são sempre iguais, só mudam os pormenores. Ou como costumo dizer: a merda é a mesma, só mudam as moscas. E lembre-se sempre que - "se não a puder ter de volta, existe uma coisa que me consome ainda mais que é saber que sou odiado pela pessoa que mais amo, sem ter merecido isso" - se ela o odiar algum dia, foi porque assim tristemente decidiu, porque é garota, porque a si é que não lhe deu o devido valor e não o contrário.

Disponha,