Cara Poisoned Apple e restantes maçãs, sou leitora assídua do vosso blog e muitas da vezes indentifico-me com aquilo que escrevem e a maneira como pensam. Acima de tudo admiro a capacidade para analisarem as situações e colocarem os vossos sentimentos "no papel" (...) Tudo começou há seis meses atrás quando tive a infeliz ideia de me apaixonar por um colega de trabalho. Nunca fui muito fã desta ideia, visto que quando tudo corre bem é só rosas mas se a coisa corre mal... enfim, há coisas que não se controlam. Para além de colega é um amigo, daqueles que está lá nas horas difíceis, que nos dá a mão no momento de aperto. Desde que o conheci (há cerca de 4 anos) que me senti atraída mas nunca dei largas aos sentimentos, achei que era tempo perdido. Saímos várias vezes com a malta do trabalho (...) durante esse tempo ele teve outras relações e eu também. No início do ano, mudei de emprego. Empresa diferente mas o mesmo edifício. Continuaram as saídas embora com menos frequência. Sem sabermos muito bem como, demos por nós em jantares a dois, conversas intímas que nunca tinhamos tido antes, troca de mensagens a altas horas da madrugada e pela noite fora (...) E de repente, há coisa de dois meses, ele afastou-se. Sem razão nenhuma aparente. No entanto os estragos já estavam feitos, eu estava e continuo completamente caidinha por ele.Começou a não ter tempo, começou a ter uma agenda pior que a do Primeiro Ministro embora nunca dissesse que não queria, apenas não tinha tempo. E com isso foram-se as mensagens e foram-se as conversas. Não sei se ele alguma vez teve algum interesse real ou se eu meti a pata na poça de alguma forma. Não interessa se sou apenas uma amiga ou algo mais. O que eu sei é que quando um homem quer procura, se não procura... então é melhor esquecer. O problema está mesmo aí... resolvi não dar o braço a torcer, não ser sempre eu a procurar, não me mostrar sempre disponível. Mas cruzo-me com ele todos os dias nos corredores do edifício, temos os mesmos amigos, frequentamos os mesmos espaços... De vez em quando perco a lucidez e envio uma sms, procuro a atenção dele ou de algo que me diga o porquê da mudança. Nunca lhe perguntei directamente se aconteceu alguma coisa, falta de coragem, medo de ouvir o que não quero. Que é só meu amigo e não me quer iludir, que tem outra... A grande questão aqui é que não consigo esquecê-lo apesar de já ter tentado de várias maneiras. Nunca fui directa com ele em relação aos meus sentimentos, nem sei se sou suficientemente transparente para que ele tenha percebido. É um amigo que não quero perder, mas está a tornar-se cada vez mais difícil fingir que não se passa nada. Se estamos juntos e eu não lhe dou a atenção de antigamente, pergunta-me se estou bem. Se estamos juntos, faz questão de me levar a casa. Se estamos juntos, já em casa manda sms a perguntar se cheguei bem ou se já durmo ou se gostei do jantar. Se não estamos juntos, é como se eu não existisse. Não sei se me podem ajudar ou se já passaram pelo mesmo, mas achei que eram as pessoas indicadas para me trazerem de volta ao mundo das mulheres independentes e sem tempo a perder com homens que não interessam. Obrigado por me "ouvirem".(...) Nunca houve nada entre nós, nunca falámos sobre o assunto ou sobre se algo se estava ou não a passar entre nós. Aliás tentei sempre esconder aquilo que sentia com medo de me magoar. Se confundi amor com amizade, talvez, é bem provável.Olá X.,
foi demorado, mas entre festas e quilos a mais, já cá estou!
Sabe, a história que me conta já aconteceu pelo menos uma vez a toda a gente e, no entanto, a resposta mais certeira está sempre dentro de nós. Mas não a queremos ouvir, é sempre dura demais, mais vale enganarmo-nos a nós próprias na esperança de que tudo de mau não tenha passado de um equívoco e, afinal, no fim de contas, tudo bom.
Também sou da sua opinião: relações no trabalho é para fugir! Mas outra coisa é quando se muda de trabalho. Confesso que fiz a mesma coisa, envolver-me com alguém do trabalho, mas só o fiz quando ele deixou de trabalhar naquele lugar. Ainda assim, em nada valeu a pena, provavelmente serviu apenas para que ele tivesse atenção, carinho e sexo. Arrependo-me amargamente, mas isto são outros quinhentos! O que quero dizer é que não é coisa a repetir. Ainda assim, não acho que tenha procedido mal. Afinal, algo surgiu entre os dois, passaram a sair e conversar cada vez mais, a questão do trabalho já não se colocava e sentiam-se bem.
Por razão nenhuma, tudo se desmoronou, afastou-se, tudo deixou de ser o que era, desapareceram os sms e as longas conversas e vive agora com aquela angústia no peito de cada vez que passa por ele, caindo por vezes na tentação de retomar o contacto à espera que tudo volte a ser o que era e, quem sabe, algo mais. No fundo, sabe bem a resposta. Ironiza dizendo que de repente ele passou a ter uma agenda mais preenchida que a do PM. Ou seja, sabe bem que isso não é assim, que quando um homem quer estar, está, mas quer é ouvir algo milagroso.
Lamento, mas não há. Também eu gostava que tivesse havido em tantos momentos da minha vida. Acontece que tudo se desmorou e não foi por razão nenhuma. Foi é por uma razão qualquer que desconhece e, sinceramente, não vale a pena procurar. Nunca chegou a acontecer nada entre vocês, nem nunca falaram no assunto. Não me parece que tenha confundido algo mais com amizade, até porque se assim fosse a atitude dele não teria sofrido alterações. Talvez tenha sido um flirt a caminho do romance que para ele deixou de resultar, talvez tenha sido a presença/regresso de outra pessoa. E eu estou mais por esta última. A não ser que a X. se tivesse tornado um bicho insuportável, um homem gosta sempre de ver no que dá uma possível relação com uma mulher. Se estavam nesse clima todo, ou a X. cheirava mal, ou desistiu em prol de outra pessoa. E eu vou partir do princípio que a X. não cheira mal.
Estando livre, muitos poucos homens desistiriam nessa fase, mas lá está, há sempre uma excepção à regra e por muito que gostasse não consigo ser dona da verdade. Pelos vistos continua a ter algum cuidado consigo, o que significa que guarda alguma mágoa e tem noção de que fez algo de errado (ou correcto evitando que fosse longe demais?). Não acredito que ele desconheça os seus sentimentos por ele, acho é que sente uma problemática entre querer ser amigo, ter cuidado e não alimentar esperanças sem ter de dizê-lo.
O meu conselho é que siga em frente. Não caia na tentação de o procurar. Acho sim que a amizade é possível, mas só quando tiver sobrevivido a isto tudo e não seja para si mais do que uma lembrança dos velhos tempos. É sempre assim, não podemos ver pela frente quem nos tratou mal ou quem desistiu de nós, mas quando não são mais que uma memória de antigamente, a amizade é possível e nem nos lembramos que algo aconteceu, nem que tenha sido apenas um clima. Mas chegar aqui ninguém disse que era fácil... eu sei! Faça por si, goste sempre de si mais do que qualquer outro. Isto é muito importante. Pode sempre gostar de alguém, mas coloque-se sempre em primeiro lugar. Eu só comecei a atinar na vida quando dei o grito do Ipiranga e disse que ia à frente, mas isto não será regra a aplicar a todas, claro.
Procure sempre a resposta no seu coração, ela está sempre lá, não pode é fingir que não a vê.
Beijinhos!