"Estou com o meu marido há 10 anos e raras vezes discutimos, mas nos primeiros dois meses da Clara estava a tornar-se insuportável e cheguei a equacionar seguir sozinha, coisa que nunca antes me tinha passado pela cabeça!", a ler aqui.
"É um bebé que não interage connosco e por mais que o amemos, não há interacção propriamente dita e por isso [pelo menos no meu caso] a brutal relação afectiva não se estabeleceu de imediato. Adorava-a, era minha, mas havia ali ainda um qualquer distanciamento porque era um ser estranho. O cansaço também é muito difícil quando temos um bebé que chora 3h seguidas ao final da tarde [quando já estamos muito cansadas] como eu tive", a ler aqui.
"O que faltou explicarem-me foi a mudança emocional! Que eu iria sair de um hospital onde tinha entrado gorda [grávida], mas mentalmente normal, e iria sair num turbilhão emocional. Que uma directa todos aguentamos, mas 10, 15 ou 20 destroem a cabeça de qualquer um. Que nós estamos mais preparadas para o que aí vem porque tivemos o bebé na barriga 9 meses e houve alguma mentalização. Para os homens o conceito físico do bebé é um pouco abstracto", a ler aqui.
Obrigada por esta partilha. Estou quase a convidar a leitora para um cappuccino!
Para uns, estes textos representarão um sentimento de "que horror, estas coisas não se dizem!", ainda que se possam pensar e sentir. Para outros (eu), dou graças por alguém dizer a verdade, mesmo quando é para dizer coisas menos simpáticas que não ficam bem aos olhos da maioria das pessoas, como confessar "não senti um amor desmedido pelo meu filho à nascença", ainda que seja verdade.
Prefiro conhecer o lado menos romântico de constituir uma família, ainda que não venha a passar pelo que se descreve, do que ser apanhada de surpresa e pensar que afinal não é tão giro como faziam parecer. Pode ser tudo cor-de-rosa e pode não ser. Se não for, não tenho de me sentir extraterrestre e culpada.
29.2.12
27.2.12
Esteve bem
Num destes dias estava eu em Lisboa, a curtir 1ºC, e ele no Rio de Janeiro, onde estavam 37ºC. Uma delícia, segundo o próprio. Já eu, deste lado, calculava que tudo aquilo fosse um regalo para a vista. Época de Carnaval + temperaturas altas = mulheres nuas na rua. Brasileiras boazudas, mais exactamente.
Lá entrou pelo messenger para saber de mim. Começou pelas desgraças às quais sabe que eu não ligo nenhuma:
- O Sporting perdeu. Para variar...
- Nada de novo. Vais mudar de clube?
- Não! Sporting até morrer. É como contigo: até ao fim.
Eu que detesto qualquer contexto de bola não fui capaz de deixar de sorrir e fazer um ohhhhhh, tão querido! Até lhe enviei um coração.
Lá entrou pelo messenger para saber de mim. Começou pelas desgraças às quais sabe que eu não ligo nenhuma:
- O Sporting perdeu. Para variar...
- Nada de novo. Vais mudar de clube?
- Não! Sporting até morrer. É como contigo: até ao fim.
Eu que detesto qualquer contexto de bola não fui capaz de deixar de sorrir e fazer um ohhhhhh, tão querido! Até lhe enviei um coração.
24.2.12
Consultório #99
"Vivi uma relação pautada pela violência emocional, que acabou por gerar alguma violência física. Conheci esta pessoa há 4 anos, depois de uma relação morna de 5 anos. Ele parecia ter tudo o que eu procurava na altura: paixão, fogo, intensidade. Na verdade, sempre me senti mal amada com esta pessoa. Sempre senti que dava mais do que recebia, amava intensamente e demonstrava-o sem pudor. Não recebia na mesma medida, e ele sempre foi claro comigo, que era assim e que não sabia ser de outra maneira, mas eu achava que o conseguiria moldar tal era o amor que sentia por ele.
Volta e meia sentia que ele gostava mesmo de mim, mas nunca pelos bons motivos. Ou era por ciumes doentios, ou era por me querer sempre em casa, ou por me dizer várias vezes que o sonho dele era ganhar o suficiente para mantermos o nível de vida que tínhamos, mas só com ele a trabalhar e eu ficaria em casa. Falámos em eu engravidar, mas eu tinha muito receio que ele piorasse se eu engravidasse, ficaria mais amarrada aquele amor que não me fazia bem. A verdade é que lentamente fui ficando prisioneira desse homem. Ele fazia de mim uma marioneta. Às vezes sentia-me completamente enfeitiçada por ele.
Acabámos há cerca de dois meses. Decisão minha porque estava farta de ser maltratada, de ser acusada de promiscua e adúltera quando eu era completamente cega por ele. A verdade é que sinto falta dele como se de uma droga se tratasse.
Ele agora está muito doente e fui visitá-lo. Sabia que poderia ser maltratada, mas não quis saber. Ele sempre esteve em 1º lugar! Fui recebida da pior forma. Fui escurraçada como um cão vadio.
Humilhei-me e fui mais uma vez acusada de coisas que jamais faria na frente de familiares dele.
A minha decisão é de não o procurar mais, até porque me disse que já não me amava há muito. Foi cruel de uma forma que nunca pensei. No passado, sempre que discutíamos ele dizia que não me amava, mas depois vinham as desculpas e ficava tudo bem.
Neste momento conheci pessoa que é extremamente diferente dele, e se calhar por isso não consigo avançar. Depois de falar com o meu terapeuta, foi-me dito que eu procuro homens do mesmo padrão e sendo este o oposto, era natural que não sentisse a dita paixão. Sinto-me completamente desorientada. Se por um lado sei que não quero voltar atrás (até porque ele não me aceita visto nunca mais me ter procurado), também não sei se conseguirei sentir algo de profundo pela pessoa que estou a conhecer. Esta pessoa não me pressiona, não exige nada de mim. Tem sido um companheiro, uma excelente pessoa, mas não consigo sentir nada mais que amizade e receio estar a fazê-lo perder tempo comigo."
Olá Helena!
O primeiro passo é reconhecer o cenário em que vivia, o que já o fez. Também, foi capaz de pedir ajuda e, com reconhecimento e ajuda, o caminho é para a frente tem de ser bom! Parece-me que o seu maior problema, muito mais do que gostar desse homem, foi ter sido dependente dele. Ainda o é, de alguma forma, mas era a sua dependência que a fazia sentir que o amava desmesuradamente, quando na verdade estava apenas embrenhada nas teias de manipulação desse homem. Prova disso é o facto de saber que não devia engravidar. A sua consciência assim o ditava. Uma mulher que ama cegamente, engravida; uma mulher que tem alguma capacidade de análise e de ver que há algo de errado, sabe que já está enterrada num buraco e que com filhos a tendência é para cavar ainda mais.
De alguma forma, cansou-se. Acho sempre que dependendo da rapidez com que as mulheres compreenderem que há mais mundo lá fora, que aquele não é o último homem na terra, que não vão forçosamente ficar sozinhas, dependendo do tempo que demoram a interiorizar que o mundo não acaba ali, é o mesmo tempo que levam a abandonar o barco. Para umas demora apenas uns meses, para outras anos, e deve haver quem nunca venha a ter coragem.
Mais uma vez, os sinais. Um homem que tem uma crise de ciúmes, é aceitável, embora deva ser uma crise gerida com sabedoria para que não se repita. Um homem que tem diversas crises de ciúmes, que prefere que esteja em casa, que confessa que o ideal de vida é ganhar pelos dois enquanto a mulher fica em casa, é claramente um homem doente, com desvios comportamentais e necessidade de poder sobre os outros. É claro que há mulheres que ficam em casa enquanto os maridos trabalham, mas não é por isso que todos têm de ser lunáticos. É preciso ter em conta o motivo desta decisão: se é para tomar conta das crianças ou porque faz sentido, se é para que não seja vista por ninguém.
Quando diz que sente falta dele como se fosse uma droga, não está a mentir. É que é mesmo uma droga! Há quatro anos que a Helena não conhece outro registo de uma relação que não seja de manipulação, tensão e medo. Provavelmente afastou-se de muita gente, o que a impediu de ser chamada à atenção, o que por sua vez torna o raciocínio mais turvo. Ou seja, já há muito que a Helena não pensa com clareza, pois foi constantemente manipulada. Provavelmente, de cada vez que saía do trabalho perguntava-se como ia correr a noite. Vivia na ansiedade de não saber se ia ter um dia mau ou um dia bom.
Eu percebo que não consiga cortar o mal pela raiz, da noite para o dia, mas visitá-lo, doente ou não, foi uma estupidez. Era óbvio que esse homem iria maltratá-la, sobretudo porque é um homem habituado a ter uma posição de poder e foi vê-lo num momento de fraqueza. Ainda bem que ele foi cruel consigo, acredite que um dia vai agradecer o facto, pode ser que essa seja a forma de interiorizar que ele não é boa pessoa. E quando lhe disse que não a amava há muito, eu pergunto-me se alguma vez amou. É que homens como esses, que vivem da manipulação sobre os outros e não de sentimentos, não gostam de ninguém. Simplesmente não sabem gostar, desconhecem esse sentimento porque se alimentam de outro: da sensação de poder.
Não sei como foi a sua vida afectuosa antes deste homem, mas o facto de não sentir uma paixão avassaladora por esta nova companhia não é motivo para alarme. Por dois motivos:
1. Apesar de ele gostar de si e de ser carinhoso, não tem de ser forçosamente alguém para si no amor. Nem todas as pessoas são correspondidas só porque mostram carinho, ele pode ser apenas um amigo.
2. Passou muito pouco tempo para quem foi vítima de maus tratos durante 4 anos.
A Helena tem de compreender que já não se conhece, perdeu-se no meio dessa relação abusiva e tem de se encontrar, o que leva tempo. Tem de perceber como é estar sozinha, entreter-se sozinha, como é viver sem medo de uma má reacção, viver sem pensar nesse homem, sentir-se livre, e quando tudo isso passar, aí sim, alguém tratará de ocupar espaço no seu coração.
No entanto, tem de parar para pensar que nem todos os amores começam com um paixão avassaladora. O seu conceito de amor parece implicar sofrimento e angústia, ser algo maior do que a própria Helena, mas a verdade é que só quando se colocar sempre em primeiro lugar é que vai poder viver um amor em pleno.
Olhando para trás, comparando umas relações com outras, aquelas que mais me consumiram foram exactamente aquelas que menos prestaram. O amor pode começar do acaso, de uma companhia, de uma coisa calma pela qual inicialmente não daria nada. Amar não é viver com o coração nas mãos, vítima de um estalo, a inventar desculpas como "bateu-me, irritou-se por gostar tanto de mim". Isso são conversas de quem quer outra coisa qualquer que não amor. O amor a sério é aquele que contribui e acrescenta algo ao nosso dia-dia, é aquele com quem a vida é melhor do que sem ele, mesmo nos momentos maus. Quem tem chatices ou uma discussão de vez em quando, zanga-se, mas sabe que é passageiro e não trocava esse pequeno instante pelo todo. Quem tem a mão assente na cara diz que gosta, mas trocava tudo para não ter de passar por aquele sofrimento outra vez.
Continue a ir às suas consultas que está no bom caminho. Não procure mais esse homem, não deixe que a procure, é fundamental para si, para se encontrar e para a sua felicidade. O resto virá com o tempo, à medida que for aprendendo a valorizar-se cada vez mais. Tenho a certeza que dentro de uns tempos será uma mulher nova, sempre que não voltar atrás.
Volta e meia sentia que ele gostava mesmo de mim, mas nunca pelos bons motivos. Ou era por ciumes doentios, ou era por me querer sempre em casa, ou por me dizer várias vezes que o sonho dele era ganhar o suficiente para mantermos o nível de vida que tínhamos, mas só com ele a trabalhar e eu ficaria em casa. Falámos em eu engravidar, mas eu tinha muito receio que ele piorasse se eu engravidasse, ficaria mais amarrada aquele amor que não me fazia bem. A verdade é que lentamente fui ficando prisioneira desse homem. Ele fazia de mim uma marioneta. Às vezes sentia-me completamente enfeitiçada por ele.
Acabámos há cerca de dois meses. Decisão minha porque estava farta de ser maltratada, de ser acusada de promiscua e adúltera quando eu era completamente cega por ele. A verdade é que sinto falta dele como se de uma droga se tratasse.
Ele agora está muito doente e fui visitá-lo. Sabia que poderia ser maltratada, mas não quis saber. Ele sempre esteve em 1º lugar! Fui recebida da pior forma. Fui escurraçada como um cão vadio.
Humilhei-me e fui mais uma vez acusada de coisas que jamais faria na frente de familiares dele.
A minha decisão é de não o procurar mais, até porque me disse que já não me amava há muito. Foi cruel de uma forma que nunca pensei. No passado, sempre que discutíamos ele dizia que não me amava, mas depois vinham as desculpas e ficava tudo bem.
Neste momento conheci pessoa que é extremamente diferente dele, e se calhar por isso não consigo avançar. Depois de falar com o meu terapeuta, foi-me dito que eu procuro homens do mesmo padrão e sendo este o oposto, era natural que não sentisse a dita paixão. Sinto-me completamente desorientada. Se por um lado sei que não quero voltar atrás (até porque ele não me aceita visto nunca mais me ter procurado), também não sei se conseguirei sentir algo de profundo pela pessoa que estou a conhecer. Esta pessoa não me pressiona, não exige nada de mim. Tem sido um companheiro, uma excelente pessoa, mas não consigo sentir nada mais que amizade e receio estar a fazê-lo perder tempo comigo."
Olá Helena!
O primeiro passo é reconhecer o cenário em que vivia, o que já o fez. Também, foi capaz de pedir ajuda e, com reconhecimento e ajuda, o caminho é para a frente tem de ser bom! Parece-me que o seu maior problema, muito mais do que gostar desse homem, foi ter sido dependente dele. Ainda o é, de alguma forma, mas era a sua dependência que a fazia sentir que o amava desmesuradamente, quando na verdade estava apenas embrenhada nas teias de manipulação desse homem. Prova disso é o facto de saber que não devia engravidar. A sua consciência assim o ditava. Uma mulher que ama cegamente, engravida; uma mulher que tem alguma capacidade de análise e de ver que há algo de errado, sabe que já está enterrada num buraco e que com filhos a tendência é para cavar ainda mais.
De alguma forma, cansou-se. Acho sempre que dependendo da rapidez com que as mulheres compreenderem que há mais mundo lá fora, que aquele não é o último homem na terra, que não vão forçosamente ficar sozinhas, dependendo do tempo que demoram a interiorizar que o mundo não acaba ali, é o mesmo tempo que levam a abandonar o barco. Para umas demora apenas uns meses, para outras anos, e deve haver quem nunca venha a ter coragem.
Mais uma vez, os sinais. Um homem que tem uma crise de ciúmes, é aceitável, embora deva ser uma crise gerida com sabedoria para que não se repita. Um homem que tem diversas crises de ciúmes, que prefere que esteja em casa, que confessa que o ideal de vida é ganhar pelos dois enquanto a mulher fica em casa, é claramente um homem doente, com desvios comportamentais e necessidade de poder sobre os outros. É claro que há mulheres que ficam em casa enquanto os maridos trabalham, mas não é por isso que todos têm de ser lunáticos. É preciso ter em conta o motivo desta decisão: se é para tomar conta das crianças ou porque faz sentido, se é para que não seja vista por ninguém.
Quando diz que sente falta dele como se fosse uma droga, não está a mentir. É que é mesmo uma droga! Há quatro anos que a Helena não conhece outro registo de uma relação que não seja de manipulação, tensão e medo. Provavelmente afastou-se de muita gente, o que a impediu de ser chamada à atenção, o que por sua vez torna o raciocínio mais turvo. Ou seja, já há muito que a Helena não pensa com clareza, pois foi constantemente manipulada. Provavelmente, de cada vez que saía do trabalho perguntava-se como ia correr a noite. Vivia na ansiedade de não saber se ia ter um dia mau ou um dia bom.
Eu percebo que não consiga cortar o mal pela raiz, da noite para o dia, mas visitá-lo, doente ou não, foi uma estupidez. Era óbvio que esse homem iria maltratá-la, sobretudo porque é um homem habituado a ter uma posição de poder e foi vê-lo num momento de fraqueza. Ainda bem que ele foi cruel consigo, acredite que um dia vai agradecer o facto, pode ser que essa seja a forma de interiorizar que ele não é boa pessoa. E quando lhe disse que não a amava há muito, eu pergunto-me se alguma vez amou. É que homens como esses, que vivem da manipulação sobre os outros e não de sentimentos, não gostam de ninguém. Simplesmente não sabem gostar, desconhecem esse sentimento porque se alimentam de outro: da sensação de poder.
Não sei como foi a sua vida afectuosa antes deste homem, mas o facto de não sentir uma paixão avassaladora por esta nova companhia não é motivo para alarme. Por dois motivos:
1. Apesar de ele gostar de si e de ser carinhoso, não tem de ser forçosamente alguém para si no amor. Nem todas as pessoas são correspondidas só porque mostram carinho, ele pode ser apenas um amigo.
2. Passou muito pouco tempo para quem foi vítima de maus tratos durante 4 anos.
A Helena tem de compreender que já não se conhece, perdeu-se no meio dessa relação abusiva e tem de se encontrar, o que leva tempo. Tem de perceber como é estar sozinha, entreter-se sozinha, como é viver sem medo de uma má reacção, viver sem pensar nesse homem, sentir-se livre, e quando tudo isso passar, aí sim, alguém tratará de ocupar espaço no seu coração.
No entanto, tem de parar para pensar que nem todos os amores começam com um paixão avassaladora. O seu conceito de amor parece implicar sofrimento e angústia, ser algo maior do que a própria Helena, mas a verdade é que só quando se colocar sempre em primeiro lugar é que vai poder viver um amor em pleno.
Olhando para trás, comparando umas relações com outras, aquelas que mais me consumiram foram exactamente aquelas que menos prestaram. O amor pode começar do acaso, de uma companhia, de uma coisa calma pela qual inicialmente não daria nada. Amar não é viver com o coração nas mãos, vítima de um estalo, a inventar desculpas como "bateu-me, irritou-se por gostar tanto de mim". Isso são conversas de quem quer outra coisa qualquer que não amor. O amor a sério é aquele que contribui e acrescenta algo ao nosso dia-dia, é aquele com quem a vida é melhor do que sem ele, mesmo nos momentos maus. Quem tem chatices ou uma discussão de vez em quando, zanga-se, mas sabe que é passageiro e não trocava esse pequeno instante pelo todo. Quem tem a mão assente na cara diz que gosta, mas trocava tudo para não ter de passar por aquele sofrimento outra vez.
Continue a ir às suas consultas que está no bom caminho. Não procure mais esse homem, não deixe que a procure, é fundamental para si, para se encontrar e para a sua felicidade. O resto virá com o tempo, à medida que for aprendendo a valorizar-se cada vez mais. Tenho a certeza que dentro de uns tempos será uma mulher nova, sempre que não voltar atrás.
23.2.12
Passatempo AnnieThings
Prontas para mais um passatempo? A AnnieThings tem pulseiras, colares e porta-chaves para todos os gostos, peças que pode conhecer no facebook da AnnieThings.
E a AnnieThings está de volta a este blog para oferecer não um, não dois, mas três presentes para as três leitoras vencedoras deste passatempo. Estas são as peças que a AnnieThings tem para sortear neste segundo passatempo da marca:
1º Prémio
2º Prémio
Para concorrer a este passatempo, basta "gostar" da página de facebook da AnnieThings e enviar um e-mail para thingsannie@gmail.com com com o assunto “passatempo A Maçã de Eva”, escrever “eu quero!” no e-mail, indicar o nome e os contactos. A AnnieThings tratará de criar uma lista numerada e a mim cabe-me sortear os números vencedores. Como habitualmente, a vencedora será escolhida através do programa random.org
O passatempo começa hoje e acaba na próxima Quinta, dia 1 de Março, às 23:59.
Até lá, vá namorando as peças da AnnieThings.
Boa sorte a todas!
22.2.12
Já não vejo o senhor que afia tesouras
Estava no trabalho a ouvir o apito do senhor que afia as tesouras e as facas, coisas de Lisboa que tem os dias contados, coisas que deixei de ouvir desde que saí do centro da capital, o que me deixa saudosista.
A minha mãe ouvia o assobio e lá descia à rua com umas facas e outras tesouras teimosas, utensílios que já não queriam fazer o seu trabalho. Eu ficava em casa, olhava curiosa da varanda e por entre grades, aquela roda de pedal que devolvia o fio às facas. Para mostrar o bom trabalho de uma faca ou uma tesoura renovada, o senhor do apito ou assobio cortava a tela dos guarda-chuvas velhos que levava no carrinho de mão. Escudos entregues, um obrigada, a minha mãe subia as escadas e o assobio continuava. Rua fora, bairro fora, até um novo dia em que voltava a passar.
Adoro o assobio. Por alguma razão associo-o aos meses de Primavera, ao calor que está quase aí, à lembrança de quando a minha mãe, de manhã, com um sol que subia das costas do Tejo e inundava as traseiras da casa ferindo os olhos, tirava lençóis do estendal e deixava entrar joaninhas no meu quarto. Eu, lá as recolhia com muito jeitinho numa missão salvadora e tratava de as devolver ao jardim, largando-as ao ar do lado de fora da janela. Espero que soubessem voar em altitude.
A minha mãe ouvia o assobio e lá descia à rua com umas facas e outras tesouras teimosas, utensílios que já não queriam fazer o seu trabalho. Eu ficava em casa, olhava curiosa da varanda e por entre grades, aquela roda de pedal que devolvia o fio às facas. Para mostrar o bom trabalho de uma faca ou uma tesoura renovada, o senhor do apito ou assobio cortava a tela dos guarda-chuvas velhos que levava no carrinho de mão. Escudos entregues, um obrigada, a minha mãe subia as escadas e o assobio continuava. Rua fora, bairro fora, até um novo dia em que voltava a passar.
Adoro o assobio. Por alguma razão associo-o aos meses de Primavera, ao calor que está quase aí, à lembrança de quando a minha mãe, de manhã, com um sol que subia das costas do Tejo e inundava as traseiras da casa ferindo os olhos, tirava lençóis do estendal e deixava entrar joaninhas no meu quarto. Eu, lá as recolhia com muito jeitinho numa missão salvadora e tratava de as devolver ao jardim, largando-as ao ar do lado de fora da janela. Espero que soubessem voar em altitude.
20.2.12
E se eu não fechar a porta?
"Num blogue conhecido, a sua autora diz que o companheiro faz xixi sentado. Seguiram-se comentários de outras mulheres que partilham a mesma experiência, ora num tom galhofeiro ora intimista. Percebi nesse instante que não sou uma rapariga moderna: nem é tanto pelo o urinar de rabo bem assente na loiça da Roca, é mesmo por gostar muito que o meu namorado feche a porta sempre que vai à casa-de-banho", aqui.
Há coisa de um mês um amigo enviou-me este texto que aparece num outro blog, a propósito deste meu texto, de título, Poisoned Apple ensina os machos. Não conheço o blog, não faço ideia quem é a autora, se tem 16 ou 40 anos, se tem namorado há coisa de um mês, se vive com o namorado há 10 anos, apenas sei da existência de um namorado porque o texto o indica. Antes de mais, não estou de todo ofendida, não há aqui raivas ou irritações à mistura. No entanto, estou intrigada. Realmente intrigada.
Posso não compreender a mentalidade alheia, mas há algo que compreendo e hoje em dia não me escapa: compreendo a minha relação e as que para trás ficaram. Também, sei que o meu feeling em relação ao Poisoned Apple Man é comum a muitas mulheres com homens que têm agora na sua vida ou virão a ter mais tarde. O que quero com isto dizer? Estou a falar do encontro da pessoa certa.
Quando falo de encontro com a pessoa certa, não me refiro forçosamente a um para sempre, mas à nova dimensão que uma pessoa destas traz à nossa vida, algo que nem todas trazem: intimidade e cumplicidade. Como mulher, falo daquele aspecto de um homem que nos faz sentir "em casa", que nos faz sentir que não temos de ser perfeitas, que não nos obriga a esconder que fazemos cocó, que damos puns, que acordamos com mau hálito, que temos bigodes e que não somos umas brasas ao acordar remelosas. Falo desse homem que além de gostar de nós não se lembra de reparar que a Natureza também actua na mulher. Este homem e tipo de relação pode aparecer mais do que uma vez na vida.
Já não é a primeira vez que o facto de fazer um xixi à frente do PAM, ou de darmos puns um em frente do outro, provoca um grande espanto a leitores deste blog, que enojados logo tratam de ditar as suas sentenças. Note-se que de cada vez que o PAM corre para a casa de banho eu não vou atrás de máquina fotográfica com zoom especial, qual mãe babada por sua cria, pronta para registar a produção do seu amor, do mais belo tom esverdeado, quem sabe. Não, lamento desiludir-vos. Eu sei que isto é duro de encarar, mas sinto que devo dizer a verdade: não andamos com o nariz no rabo um do outro. Pronto, já disse! Tentem aceitar com calma que eu sei que isto não é fácil.
Vou espetar uma faca no coração de muitos, mas quando o PAM usa o WC para certas actividades a minha tendência é para fugir. Logo, não estou lá para observar, apenas tenho conhecimento do facto (se ele passar por mim), o que não é a mesma coisa. Não, não avisamos ao outro o que andamos a fazer no WC, lamento a desilusão.
Foi cedo que descobri a intimidade entre um casal, logo no primeiro namoro, aquela que nos desarma e deixa desprovida de constrangimentos. Mesmo que não tenham durado para sempre, as relações em que fui mais feliz e senti que foram para valer foram aquelas em que nunca tive motivo para sofrer de vergonhas. Mais tarde, chegaram aquelas relações que não passaram de frustrações, aquelas em que o homem me fazia sentir incomodada de acordar de olhos inchados em vez de estar impecavelmente maquilhada; vergonha de demorar mais de 2 minutos no WC (pânico: mais que isso já é um cocó e ele sabe que estou a fazer um cocó de certeza!); vergonha de ter um pêlo que ficou por arrancar e desesperar por uma pinça enquanto se pratica contorcionismo, não vá ele dar conta; apertar o rabo o mais possível para que (pela minha vida!) não ousasse libertar gás; constrangimentos provocados pela falta de intimidade, falta de profunda ligação, falta do elemento que torna tudo "para valer". Quando o sentimento contrário existe, o de liberdade, estamos completamente livres de dramas e este tipo de coisas não nos ocupa o pensamento.
Meses depois de ter começado a minha relação com o PAM, comentei com a minha amiga em Londres (em Lisboa na altura) que com ele não precisava de pudores, era o que tinha de ser, algo que não tinha há oito anos. Mal acreditava que tinha reencontrado essa sensação de liberdade em alguém, podia dizer ou fazer qualquer coisa sem ser condenada por isso e, melhor, sem ter medo do que isso pudesse ter como resultado. Ela, que teve uma relação assim de 5 anos e que não voltou a encontrar desde então, suspirou: "tenho tantas saudades desse sentimento!" Posso assegurar que ela não tem saudades de libertar prisioneiros gasosos na frente de um namorado, mas tem saudades da ligação que se cria quando se dá um encontro certo, um encaixe de tal forma profunda e intensa que tudo o resto é indiferente, é um pormenor que... lá está, não nos deixa envergonhados, passando antes a ser motivo de brincadeira sem que a cara ruborize.
Com os anos aprendi rapidamente a identificar quais eram as relações para valer e quais não: numas sentia constrangimentos, noutras, as para valer, nenhum dos dois tinha necessidade de sofrer vergonhas, de agir sem naturalidade, de fazer de conta. Isso não significa que desistisse das relações poucochinhas que nada acrescentaram de bom à minha vida, mas vivia numa eterna busca esperançosa de nessas criaturas vir a encontrar esse sentimento, coisa que surge rapidamente ou nunca aparece, daí chamar-lhe "encontro certo".
Não, eu não fecho a porta do WC quando lá vou porque não há nada em mim que me faça sentir obrigada a isso. Também, não é por ter a porta aberta que vou ter espectadores. Nem eu ou o PAM informamos que vamos usar o WC para que se faça uma festa com foguetes capazes de envergonhar a Madeira no fim de ano. No entanto, se tiver uma única visita que seja em casa, fecho a porta do WC sem ter imediata consciência de que o estou a fazer. A diferença é que com a pessoa que partilho a cama não ajo de forma diferente do que se estiver sozinha em casa. E isso, para mim e para outros que compreendem o que tento transmitir, diz muito da relação.
Há os que gritam, que nojo, um xixi!, num mundo de enfeites, daquilo que "deve ser" e daquilo que "é correcto". Estou-me nas tintas para o que "parece", tenho pena de quem vive de faz de conta que nunca dei um pum. Tenho pena, lamento por quem nunca encontrou alguém que permitisse desarmar por completo, em tudo e até mesmo nas questões biológicas, que representam tão pouco num todo.
No entanto, não consigo deixar de estranhar que daquele texto que a autora do blog escreveu, tenha retirado o facto de a pessoa com quem vivo urinar sentada sem fechar a porta. O texto não versa sobre o PAM ou sobre o facto de ele se sentar, essa é apenas uma indicação. Mas o que é certo é que no texto não escrevo sobre porta nenhuma, o que me leva a deduzir que o raciocínio da leitora foi mais ou menos o seguinte: se ela sabe que ele se senta no WC, é porque viu. E se viu, é porque ele não fecha a porta! Intrigante.
Não saberia viver assim. Causa-me estranheza. Eu não decidi partilhar a minha vida com alguém para ter este tipo de constrangimentos. Intriga-me muitíssimo que alguém o consiga, que viva com "preocupações" diárias, e mais me pergunto como será a intimidade desses casais, a realização de cada um enquanto dois, e a sua durabilidade nesta forma de vida tão pouco fiel à verdade da nossa natureza.
Há coisa de um mês um amigo enviou-me este texto que aparece num outro blog, a propósito deste meu texto, de título, Poisoned Apple ensina os machos. Não conheço o blog, não faço ideia quem é a autora, se tem 16 ou 40 anos, se tem namorado há coisa de um mês, se vive com o namorado há 10 anos, apenas sei da existência de um namorado porque o texto o indica. Antes de mais, não estou de todo ofendida, não há aqui raivas ou irritações à mistura. No entanto, estou intrigada. Realmente intrigada.
Posso não compreender a mentalidade alheia, mas há algo que compreendo e hoje em dia não me escapa: compreendo a minha relação e as que para trás ficaram. Também, sei que o meu feeling em relação ao Poisoned Apple Man é comum a muitas mulheres com homens que têm agora na sua vida ou virão a ter mais tarde. O que quero com isto dizer? Estou a falar do encontro da pessoa certa.
Quando falo de encontro com a pessoa certa, não me refiro forçosamente a um para sempre, mas à nova dimensão que uma pessoa destas traz à nossa vida, algo que nem todas trazem: intimidade e cumplicidade. Como mulher, falo daquele aspecto de um homem que nos faz sentir "em casa", que nos faz sentir que não temos de ser perfeitas, que não nos obriga a esconder que fazemos cocó, que damos puns, que acordamos com mau hálito, que temos bigodes e que não somos umas brasas ao acordar remelosas. Falo desse homem que além de gostar de nós não se lembra de reparar que a Natureza também actua na mulher. Este homem e tipo de relação pode aparecer mais do que uma vez na vida.
Já não é a primeira vez que o facto de fazer um xixi à frente do PAM, ou de darmos puns um em frente do outro, provoca um grande espanto a leitores deste blog, que enojados logo tratam de ditar as suas sentenças. Note-se que de cada vez que o PAM corre para a casa de banho eu não vou atrás de máquina fotográfica com zoom especial, qual mãe babada por sua cria, pronta para registar a produção do seu amor, do mais belo tom esverdeado, quem sabe. Não, lamento desiludir-vos. Eu sei que isto é duro de encarar, mas sinto que devo dizer a verdade: não andamos com o nariz no rabo um do outro. Pronto, já disse! Tentem aceitar com calma que eu sei que isto não é fácil.
Vou espetar uma faca no coração de muitos, mas quando o PAM usa o WC para certas actividades a minha tendência é para fugir. Logo, não estou lá para observar, apenas tenho conhecimento do facto (se ele passar por mim), o que não é a mesma coisa. Não, não avisamos ao outro o que andamos a fazer no WC, lamento a desilusão.
Foi cedo que descobri a intimidade entre um casal, logo no primeiro namoro, aquela que nos desarma e deixa desprovida de constrangimentos. Mesmo que não tenham durado para sempre, as relações em que fui mais feliz e senti que foram para valer foram aquelas em que nunca tive motivo para sofrer de vergonhas. Mais tarde, chegaram aquelas relações que não passaram de frustrações, aquelas em que o homem me fazia sentir incomodada de acordar de olhos inchados em vez de estar impecavelmente maquilhada; vergonha de demorar mais de 2 minutos no WC (pânico: mais que isso já é um cocó e ele sabe que estou a fazer um cocó de certeza!); vergonha de ter um pêlo que ficou por arrancar e desesperar por uma pinça enquanto se pratica contorcionismo, não vá ele dar conta; apertar o rabo o mais possível para que (pela minha vida!) não ousasse libertar gás; constrangimentos provocados pela falta de intimidade, falta de profunda ligação, falta do elemento que torna tudo "para valer". Quando o sentimento contrário existe, o de liberdade, estamos completamente livres de dramas e este tipo de coisas não nos ocupa o pensamento.
Meses depois de ter começado a minha relação com o PAM, comentei com a minha amiga em Londres (em Lisboa na altura) que com ele não precisava de pudores, era o que tinha de ser, algo que não tinha há oito anos. Mal acreditava que tinha reencontrado essa sensação de liberdade em alguém, podia dizer ou fazer qualquer coisa sem ser condenada por isso e, melhor, sem ter medo do que isso pudesse ter como resultado. Ela, que teve uma relação assim de 5 anos e que não voltou a encontrar desde então, suspirou: "tenho tantas saudades desse sentimento!" Posso assegurar que ela não tem saudades de libertar prisioneiros gasosos na frente de um namorado, mas tem saudades da ligação que se cria quando se dá um encontro certo, um encaixe de tal forma profunda e intensa que tudo o resto é indiferente, é um pormenor que... lá está, não nos deixa envergonhados, passando antes a ser motivo de brincadeira sem que a cara ruborize.
Com os anos aprendi rapidamente a identificar quais eram as relações para valer e quais não: numas sentia constrangimentos, noutras, as para valer, nenhum dos dois tinha necessidade de sofrer vergonhas, de agir sem naturalidade, de fazer de conta. Isso não significa que desistisse das relações poucochinhas que nada acrescentaram de bom à minha vida, mas vivia numa eterna busca esperançosa de nessas criaturas vir a encontrar esse sentimento, coisa que surge rapidamente ou nunca aparece, daí chamar-lhe "encontro certo".
Não, eu não fecho a porta do WC quando lá vou porque não há nada em mim que me faça sentir obrigada a isso. Também, não é por ter a porta aberta que vou ter espectadores. Nem eu ou o PAM informamos que vamos usar o WC para que se faça uma festa com foguetes capazes de envergonhar a Madeira no fim de ano. No entanto, se tiver uma única visita que seja em casa, fecho a porta do WC sem ter imediata consciência de que o estou a fazer. A diferença é que com a pessoa que partilho a cama não ajo de forma diferente do que se estiver sozinha em casa. E isso, para mim e para outros que compreendem o que tento transmitir, diz muito da relação.
Há os que gritam, que nojo, um xixi!, num mundo de enfeites, daquilo que "deve ser" e daquilo que "é correcto". Estou-me nas tintas para o que "parece", tenho pena de quem vive de faz de conta que nunca dei um pum. Tenho pena, lamento por quem nunca encontrou alguém que permitisse desarmar por completo, em tudo e até mesmo nas questões biológicas, que representam tão pouco num todo.
No entanto, não consigo deixar de estranhar que daquele texto que a autora do blog escreveu, tenha retirado o facto de a pessoa com quem vivo urinar sentada sem fechar a porta. O texto não versa sobre o PAM ou sobre o facto de ele se sentar, essa é apenas uma indicação. Mas o que é certo é que no texto não escrevo sobre porta nenhuma, o que me leva a deduzir que o raciocínio da leitora foi mais ou menos o seguinte: se ela sabe que ele se senta no WC, é porque viu. E se viu, é porque ele não fecha a porta! Intrigante.
Não saberia viver assim. Causa-me estranheza. Eu não decidi partilhar a minha vida com alguém para ter este tipo de constrangimentos. Intriga-me muitíssimo que alguém o consiga, que viva com "preocupações" diárias, e mais me pergunto como será a intimidade desses casais, a realização de cada um enquanto dois, e a sua durabilidade nesta forma de vida tão pouco fiel à verdade da nossa natureza.
17.2.12
Consultório #98
"Tenho 31 anos, sou casada há 2 anos e sem filhos. Actualmente sou feliz, dentro da medida do possível. Desde que me lembro como gente, a minha vida era um pouco “sinistra”, para ser simpática nas palavras. O meu pai sempre foi emigrante, saía às temporadas de seis meses e como consequência fomos criadas pela minha mãe. Quando ele estava presente, as discussões eram uma constante e embora na altura eu não entendesse o ponto de vista do meu pai chegando mesmo a esta ficar contra ele, hoje eu sei e compreendo porque ele lá continuou a emigrar e ainda hoje é uma pessoa triste, cabisbaixa, no fundo ele adaptou-se ao feitio da minha mãe, desistindo de tentar ser feliz ao lado dela, simplesmente convive com a sua frieza.
(...) Ora a minha mãe não era de todo uma pessoa de afectos, nem de tarefas domésticas, tão pouco de meiguices, de brincadeiras. Fui crescendo (era a mais velha de 4 irmãos) e por sinal tinha traços vincados da família do pai, desde a minha personalidade até à aparência física. Mas, a minha mãe não simpatizava nem um pouco com a família paterna. Daí ela diferenciar-me dos outros filhos e toda a minha existência senti isso na pele.
Enquanto não me apercebi da realidade da vida, andei feliz na minha santa inocência como pude até a dita passar e comecei a ver as coisas mais com olhos de “ver”… Aí, comecei a pensar mais como mulher e a verificar que a minha mãe deveria de nos dar/incutir os cuidados básicos de higiene (porque não aprendemos sozinhas e ela depois ainda nos envergonhava por não tomar banho, etc.), deveria dar-nos um colo, um carinho, um conforto, que eu não me lembro de sentir. Era uma pessoa fria, vingativa, má, rude… Obrigava-nos a trabalhar e a fazer aquilo que ela nunca gostou de fazer. Dava-nos duros castigos, maus tratos físicos e psicológicos (chamava-nos nomes, batia com o que aparecia à mão todas as semanas sem exagero nenhum). Eu tinha pesadelos e morria de medo dela. Ainda hoje, parte daquilo que sou, posso agradecer a ela, a insegurança, a baixa auto-estima, os ciúmes que sinto de outras pessoas. É triste. Sinto que há mulheres que jamais deveriam de pensar sequer em ser mães.
A falta de higiene em casa era uma constante, o desleixo era total. Já nem falo na “falta” de comida. Enfim, poderia escrever um livro com a descrição das muitíssimas situações que presenciei que na altura não compreendia e hoje são claras para mim.
A minha adolescência foi tudo menos feliz. Nunca fui de namoricos, até porque era um bocadinho “bicho-do-mato” até que cheguei a uma idade que o meu principal objectivo de vida era encontrar o meu príncipe e fugir daquele inferno. Só que, o príncipe nunca mais aparecia. Ela limitava-me muito as saídas, à noite e de dia. Ai, eu era tão infeliz, perdi amigos, perdi oportunidades, momentos, sei lá. No fundo eu estava presa aquilo, aquela vida, aquela casa e não sabia como me libertar. Penso até que cheguei a ter uma grave depressão, se não tenho ainda…
O meu semblante era triste, cabisbaixo, os pensamentos em suicídio eram uma constante. Outras vezes fazia verdadeiros filmes para fugir de casa. Nunca o fiz e não sei bem porquê, talvez medo do desconhecido, do julgamento popular, sei lá. Depois, dormia em qualquer sítio, cheguei até a pensar que tinha a doença do sono, tal era a sonolência que me perseguia. Hoje eu percebo que de facto a minha mente estava cansada daquela teia em que vivia e não conseguia libertar. Era efectivamente infeliz.
O tempo ia passando (...) até que conheci o meu actual marido. Uma pessoa com um excelente coração, meigo e amigo (...) Ele gozou bastante bem a vida, os pais eram e são um exemplo, de como deve de facto ser uma família. Amor, respeito mutuo e carinho é coisa que nunca faltou naquela casa. Por isto, para mim era um enorme embaraço falar desse tema. Como lhe iria explicar que tinha aquele ambiente familiar? Que eu precisava muito, mas mesmo muito de afecto, de carinho, de compreensão, de um ombro amigo? Claro que com o tempo ele foi percebendo as coisas. Sempre me apoiou dentro da medida do possível. Resolvemos casar. Foi, de facto, o dia mais feliz da minha vida.
Hoje, dois anos depois, ainda tenho muito que mudar, eu sei perfeitamente disso, mas aprendi a gostar mais de mim. Sou bem mais vaidosa, menos impulsiva, ansiosa, etc. Confesso que tenho medo de ser mãe, não me sinto minimamente preparada. A minha cabeça é um turbilhão de ideias, sentimentos. O meu passado continua a pesar-me, é um fardo que carrego. O meu marido apesar de sempre ter sido meigo, meu amigo, de sempre me ter respeitado, insiste comigo, quando determinadas “coisas” acontecem em que eu erro, para que eu mude assim do “dia para a noite”, no fundo ele não entende, mas eu também percebo que eu é que estive lá, ele não e nem sonha com determinadas coisas que se me passaram.
Às vezes penso que ele nunca vai compreender o que eu passei, que determinadas situações/reacções de minha parte são fruto do meu passado. Mas, outras vezes penso que ele tem razão, eu tenho de colocar a preguiça de lado e esforçar-me ainda mais para ser uma pessoa melhor.
Sou nervosa, ao ponto de tremer de nervos e se não choro, deito cá pra fora, os nervos causam-me dores agudas no peito, ou queda de cabelo, cheguei até a ganhar alergias no pescoço que ficavam camufladas pelo cabelo e que mais tarde vim a descobrir que não passava de nervos.
O outro dia uns tios dele vieram visitar a minha sogra (com quem moramos) e eu estava a chegar a casa, sendo que eles já lá estavam. Eu cheguei, dei boa tarde, sorri e segui a minha vida. Não são pessoas com quem tenho confianças. Mas, ao que parece aquilo causou mal-estar aos meus sogros e aos próprios tios que ficaram ofendidos por não ir ao pé deles cumprimentar com dois beijinhos como manda a praxe. A mim passou-me completamente ao lado, mas a minha sogra "queixou-se" ao filho, por sinal meu marido. Ora, ele descarregou toda a sua ira em cima de mim e foi quando me caiu a ficha. Claro, as visitas devem ser bem recebidas. Que imagem devem ter eles ficado de mim? São pessoas que foram ao meu casamento. Pior de que isso foi a vergonha do meu marido.
Durante a minha vida, não fomos habituados a receber visitas e se vinham, raramente diga-se, nós éramos uns "bichos-do-mato" como poderia eu comportar-me de outro modo? E são estas coisas que eu tenho de ir mudando mas que me fazem sofrer a mim e aos próximos. Quem está de fora e não sabe do meu passado julga-me sem saber e com crueldade. Já pensei procurar um psicólogo, mas…. falta-me a coragem!"
Olá Cláudia!
É evidente que precisa de psicoterapia. Não é que seja maluca, não é que seja pouco esclarecida, mas o sofrimento do passado condiciona a sua vida de hoje e provavelmente nem se dá conta do quanto. Para fazer psicoterapia não precisa de coragem, precisa de vontade de mudar. Ao fazê-lo, vai descobrir uma nova forma de pensar, de ver o passado e construir armas para enfrentar o presente e o futuro.
Aquilo que descreveu que sofria parecem-me a mim uma descrição de ataques de pânico. Lamento a falta de sorte que teve na sua juventude e adolescência, mas aquilo que sofreu não tem forçosamente de ser uma sentença daquilo que se vai tornar. Certamente, o facto de ter tido uma má mãe vai fazer de si uma excelente mãe, pois sabe exactamente aquilo que não quer para filhos seus, sabe o que não quer que se repita e sabe, sobretudo, como não quer nunca que um filho seu se venha a sentir. Por estes motivos, não deve ter qualquer receio em ser mãe.
Porque o seu passado continua tão presente, por lhe chamar "um fardo" que carrega e também para mostrar ao seu marido que quer evoluir, procurar ajuda é a opção certa. O passado não tem de ser esquecido, tem apenas de ser arrumado onde ele pertence: ao passado.
Não tenho dúvidas, no dia em que decidir procurar ajuda vai sentir uma lufada de ar fresco. Há dias em que se vai sentir desanimada, outros em que vai reviver e chorar (mas que é preciso para arrumar) e outros em que abandonará a consulta cheia de energia, a sentir que o mundo é afinal melhor do que pensava e que tem muito mais potencial do que imaginou. As outras leitoras tratarão de partilhar consigo os benefícios que retiraram da psicoterapia, se o fizeram.
Quanto à situação do seu marido e as visitas em casa, é óbvio que devia tê-las cumprimentado sem se ficar por um "boa tarde". No entanto, negocie com o seu marido, peça-lhe para a avisar de imediato quando achar que procedeu de forma incorrecta para lhe dar tempo a corrigir. Diga-lhe que às vezes pode ter determinadas atitudes por instinto de protecção e não por má-educação, mas que por isso lhe pede que a avise discretamente o quanto antes.
Não publicarei o seu texto na íntegra, apenas partes. Não se preocupe que não será identificada e o seu nome será alterado. Desta forma outra leitoras poderão partilhar ideias consigo e, quem sabe, ajudá-la a encontrar estratégias que a façam sentir melhor em momentos de tensão.
(...) Ora a minha mãe não era de todo uma pessoa de afectos, nem de tarefas domésticas, tão pouco de meiguices, de brincadeiras. Fui crescendo (era a mais velha de 4 irmãos) e por sinal tinha traços vincados da família do pai, desde a minha personalidade até à aparência física. Mas, a minha mãe não simpatizava nem um pouco com a família paterna. Daí ela diferenciar-me dos outros filhos e toda a minha existência senti isso na pele.
Enquanto não me apercebi da realidade da vida, andei feliz na minha santa inocência como pude até a dita passar e comecei a ver as coisas mais com olhos de “ver”… Aí, comecei a pensar mais como mulher e a verificar que a minha mãe deveria de nos dar/incutir os cuidados básicos de higiene (porque não aprendemos sozinhas e ela depois ainda nos envergonhava por não tomar banho, etc.), deveria dar-nos um colo, um carinho, um conforto, que eu não me lembro de sentir. Era uma pessoa fria, vingativa, má, rude… Obrigava-nos a trabalhar e a fazer aquilo que ela nunca gostou de fazer. Dava-nos duros castigos, maus tratos físicos e psicológicos (chamava-nos nomes, batia com o que aparecia à mão todas as semanas sem exagero nenhum). Eu tinha pesadelos e morria de medo dela. Ainda hoje, parte daquilo que sou, posso agradecer a ela, a insegurança, a baixa auto-estima, os ciúmes que sinto de outras pessoas. É triste. Sinto que há mulheres que jamais deveriam de pensar sequer em ser mães.
A falta de higiene em casa era uma constante, o desleixo era total. Já nem falo na “falta” de comida. Enfim, poderia escrever um livro com a descrição das muitíssimas situações que presenciei que na altura não compreendia e hoje são claras para mim.
A minha adolescência foi tudo menos feliz. Nunca fui de namoricos, até porque era um bocadinho “bicho-do-mato” até que cheguei a uma idade que o meu principal objectivo de vida era encontrar o meu príncipe e fugir daquele inferno. Só que, o príncipe nunca mais aparecia. Ela limitava-me muito as saídas, à noite e de dia. Ai, eu era tão infeliz, perdi amigos, perdi oportunidades, momentos, sei lá. No fundo eu estava presa aquilo, aquela vida, aquela casa e não sabia como me libertar. Penso até que cheguei a ter uma grave depressão, se não tenho ainda…
O meu semblante era triste, cabisbaixo, os pensamentos em suicídio eram uma constante. Outras vezes fazia verdadeiros filmes para fugir de casa. Nunca o fiz e não sei bem porquê, talvez medo do desconhecido, do julgamento popular, sei lá. Depois, dormia em qualquer sítio, cheguei até a pensar que tinha a doença do sono, tal era a sonolência que me perseguia. Hoje eu percebo que de facto a minha mente estava cansada daquela teia em que vivia e não conseguia libertar. Era efectivamente infeliz.
O tempo ia passando (...) até que conheci o meu actual marido. Uma pessoa com um excelente coração, meigo e amigo (...) Ele gozou bastante bem a vida, os pais eram e são um exemplo, de como deve de facto ser uma família. Amor, respeito mutuo e carinho é coisa que nunca faltou naquela casa. Por isto, para mim era um enorme embaraço falar desse tema. Como lhe iria explicar que tinha aquele ambiente familiar? Que eu precisava muito, mas mesmo muito de afecto, de carinho, de compreensão, de um ombro amigo? Claro que com o tempo ele foi percebendo as coisas. Sempre me apoiou dentro da medida do possível. Resolvemos casar. Foi, de facto, o dia mais feliz da minha vida.
Hoje, dois anos depois, ainda tenho muito que mudar, eu sei perfeitamente disso, mas aprendi a gostar mais de mim. Sou bem mais vaidosa, menos impulsiva, ansiosa, etc. Confesso que tenho medo de ser mãe, não me sinto minimamente preparada. A minha cabeça é um turbilhão de ideias, sentimentos. O meu passado continua a pesar-me, é um fardo que carrego. O meu marido apesar de sempre ter sido meigo, meu amigo, de sempre me ter respeitado, insiste comigo, quando determinadas “coisas” acontecem em que eu erro, para que eu mude assim do “dia para a noite”, no fundo ele não entende, mas eu também percebo que eu é que estive lá, ele não e nem sonha com determinadas coisas que se me passaram.
Às vezes penso que ele nunca vai compreender o que eu passei, que determinadas situações/reacções de minha parte são fruto do meu passado. Mas, outras vezes penso que ele tem razão, eu tenho de colocar a preguiça de lado e esforçar-me ainda mais para ser uma pessoa melhor.
Sou nervosa, ao ponto de tremer de nervos e se não choro, deito cá pra fora, os nervos causam-me dores agudas no peito, ou queda de cabelo, cheguei até a ganhar alergias no pescoço que ficavam camufladas pelo cabelo e que mais tarde vim a descobrir que não passava de nervos.
O outro dia uns tios dele vieram visitar a minha sogra (com quem moramos) e eu estava a chegar a casa, sendo que eles já lá estavam. Eu cheguei, dei boa tarde, sorri e segui a minha vida. Não são pessoas com quem tenho confianças. Mas, ao que parece aquilo causou mal-estar aos meus sogros e aos próprios tios que ficaram ofendidos por não ir ao pé deles cumprimentar com dois beijinhos como manda a praxe. A mim passou-me completamente ao lado, mas a minha sogra "queixou-se" ao filho, por sinal meu marido. Ora, ele descarregou toda a sua ira em cima de mim e foi quando me caiu a ficha. Claro, as visitas devem ser bem recebidas. Que imagem devem ter eles ficado de mim? São pessoas que foram ao meu casamento. Pior de que isso foi a vergonha do meu marido.
Durante a minha vida, não fomos habituados a receber visitas e se vinham, raramente diga-se, nós éramos uns "bichos-do-mato" como poderia eu comportar-me de outro modo? E são estas coisas que eu tenho de ir mudando mas que me fazem sofrer a mim e aos próximos. Quem está de fora e não sabe do meu passado julga-me sem saber e com crueldade. Já pensei procurar um psicólogo, mas…. falta-me a coragem!"
Olá Cláudia!
É evidente que precisa de psicoterapia. Não é que seja maluca, não é que seja pouco esclarecida, mas o sofrimento do passado condiciona a sua vida de hoje e provavelmente nem se dá conta do quanto. Para fazer psicoterapia não precisa de coragem, precisa de vontade de mudar. Ao fazê-lo, vai descobrir uma nova forma de pensar, de ver o passado e construir armas para enfrentar o presente e o futuro.
Aquilo que descreveu que sofria parecem-me a mim uma descrição de ataques de pânico. Lamento a falta de sorte que teve na sua juventude e adolescência, mas aquilo que sofreu não tem forçosamente de ser uma sentença daquilo que se vai tornar. Certamente, o facto de ter tido uma má mãe vai fazer de si uma excelente mãe, pois sabe exactamente aquilo que não quer para filhos seus, sabe o que não quer que se repita e sabe, sobretudo, como não quer nunca que um filho seu se venha a sentir. Por estes motivos, não deve ter qualquer receio em ser mãe.
Porque o seu passado continua tão presente, por lhe chamar "um fardo" que carrega e também para mostrar ao seu marido que quer evoluir, procurar ajuda é a opção certa. O passado não tem de ser esquecido, tem apenas de ser arrumado onde ele pertence: ao passado.
Não tenho dúvidas, no dia em que decidir procurar ajuda vai sentir uma lufada de ar fresco. Há dias em que se vai sentir desanimada, outros em que vai reviver e chorar (mas que é preciso para arrumar) e outros em que abandonará a consulta cheia de energia, a sentir que o mundo é afinal melhor do que pensava e que tem muito mais potencial do que imaginou. As outras leitoras tratarão de partilhar consigo os benefícios que retiraram da psicoterapia, se o fizeram.
Quanto à situação do seu marido e as visitas em casa, é óbvio que devia tê-las cumprimentado sem se ficar por um "boa tarde". No entanto, negocie com o seu marido, peça-lhe para a avisar de imediato quando achar que procedeu de forma incorrecta para lhe dar tempo a corrigir. Diga-lhe que às vezes pode ter determinadas atitudes por instinto de protecção e não por má-educação, mas que por isso lhe pede que a avise discretamente o quanto antes.
Não publicarei o seu texto na íntegra, apenas partes. Não se preocupe que não será identificada e o seu nome será alterado. Desta forma outra leitoras poderão partilhar ideias consigo e, quem sabe, ajudá-la a encontrar estratégias que a façam sentir melhor em momentos de tensão.
15.2.12
Portagens
Num destes Sábados o homem chegou do trabalho às 06:00. Claro que eu estava a dormir ferrada, ele deu-me um beijo, começou a falar enquanto tratava de vestir o pijama, eu despertei e deu-me a fome. Antes que ele pusesse um pé dentro da cama, pedi:
- Traz-me um iogurte líquido.
- Levanta-te e vai buscar.
- Nãaaaao, tenho frio. Traz! Não entras na cama, precisas de pagar portagem. É um iogurte.
- Eu tenho via verde! - sorriu à cabrão e deitou-se.
Amuei e virei costas. Silence treatment.
Lá se levantou, foi buscar o iogurte e ainda trouxe já sem a tampinha de alumínio! Serviço completo, garotas! Aí regressei à normalidade.
Nunca coloquem em causa o poder do silence treatment.
- Traz-me um iogurte líquido.
- Levanta-te e vai buscar.
- Nãaaaao, tenho frio. Traz! Não entras na cama, precisas de pagar portagem. É um iogurte.
- Eu tenho via verde! - sorriu à cabrão e deitou-se.
Amuei e virei costas. Silence treatment.
Lá se levantou, foi buscar o iogurte e ainda trouxe já sem a tampinha de alumínio! Serviço completo, garotas! Aí regressei à normalidade.
Nunca coloquem em causa o poder do silence treatment.
14.2.12
Amor e vapor
Isto não foi hoje, mas numa manhã de fim-de-semana ao despertar, enquanto esperava que me passasse a sensação de ter vidros nos olhos. Esperava ainda que o homem se despachasse a sair do duche e ele lá ia enviando mensagens no vapor a quem aguardava.
Ora tenham um bom dia dos namorados, que o Poisoned Apple Man está longe e vou aproveitar para ver um ou outro episódio das minhas séries.
Ora tenham um bom dia dos namorados, que o Poisoned Apple Man está longe e vou aproveitar para ver um ou outro episódio das minhas séries.
13.2.12
A lida do lar
Foi já para cima de um milhão de vezes que recebi mensagens das minhas queridas leitoras que me dizem coisas como tens tanta sorte!, gostava de ter um homem assim!, ai, o que eu gostava de ir passear com um namorado assim!, também queria quem me fizessem essas surpresas!, casa com ele!, e mimimimi.
Sim, eu acho que tenho sorte, mas desengane-se quem acha que isto é tudo boa disposição, amor e tempo para os dois. Nós também temos os nossos feitios e por vezes acordamos com os pés fora da cama. Como de resto acontece com toda a gente, acho. Mas não acredite nessa ideia de que somos um casal perfeito, porque não somos nem creio que isso exista. Seremos perfeitos à nossa maneira, à medida das necessidades, mas quando lembro que há coisas em falta, o termo "perfeito" lá cai por terra.
Não é mentira, toda a gente sabe, que a coisa que mais me incomoda no Poisoned Apple Man - e que acho completamente egoísta e me deixa fora de mim e me dá cabo dos nervos e me deixa furiosa - é o facto de o homem se recusar a aprender a cozinhar e a lidar com a cozinha. Eu compreendo que não saiba, mas não compreendo que não aprenda nem se esforce. O PAM adorava que eu ansiasse por andar na cozinha a seguir a um dia de trabalho, adorava que eu quisesse passar a vida no supermercado, sozinha, e diz, como se fosse obrigação da mulher tratar da cozinha (algo que ele não quer reconhecer porque sabe que não lhe ficaria bem), que as mulheres estão mais habituadas a isso, o que me provoca uma sensação equivalente a encostarem-me um fósforo na nádega.
Não me esqueço da Marta que teve de passar por casa e me viu a assar um frango. "O quê, chegas a casa a esta hora e ainda cozinhas coisas destas?!!", depois de explicar que o marido dela (e amigo do PAM) estava em casa a comer uma massa requentada qualquer.
Eu, que gostava de cozinhar, porque o fazia de vez em quando (tão bom, em casa da mãe), passei a cozinhar por obrigação, quase todos os dias e, por isso, a odiar cozinhar. Simplesmente deixou de dar gozo. 50% das vezes que cozinho faço-o fora de mim, cheia de nervos, a suspirar, só quero despachar aquilo e ir para a cama, ir para o escritório, ficar sozinha em algum canto e que ninguém me diga nada. Não há nada que provoque mais amuos entre mim e o PAM do que esta minha "obrigação" enquanto ele joga computador ou vê programas de bola e quem sabe ajeita os tomates enquanto aguarda pela refeição. E a sorte dele é que levo almoço para o trabalho, caso contrário, em casa tinha sopa, cereais e iogurtes e eu não cozinhava de todo.
Já perdi a conta às vezes que deixei de cozinhar, tipo greve, o que o obriga a fazer-se à vida como quem faz obras na cozinha ou a ir comer fora (o que ele fazia 90% das vezes antes de eu existir). Perdi a conta àquelas brincadeiras que ouvi num jeito de a brincar te digo a verdade, que não sou boa dona de casa e que ele, coitado, passa fome. Eu nunca quis ser dona de casa, quanto mais boa dona de casa. Eu vi-me obrigada a fazê-lo por uma natural liderança em que alguém tem de tratar para ficar feito. Fui burra. Nunca devia ter feito mais do que sopa, que é a única coisa de que sinto falta quando não há. Eu não dava para ter vivido nos anos 50!
Então, eu que passo a vida a pensar, para não ser injusta e para arrefecer o meu estado de irritação, nos últimos dias tenho procurado ver as coisas de outro ponto de vista: da mesma forma que ele não tem noção da quantidade de coisas que faço (apesar de termos empregada 7h/semana), apesar de ele achar que a roupa entra e sai do estendal sozinha, que as meias e cuecas aparecem dobradas na gaveta dele por obra e graça do Espírito Santo, tenho tentado olhar para as coisas que ele faz e não para as que não faz.
1. Ele põe sempre o lixo lá fora.
2. É ele quem tira a loiça da máquina 90% das vezes.
3. Ele cozinha 2 vezes a cada 100 que eu cozinho (hamburguers ou omeletes, mas não vou bater no cego).
4. Ajuda-me a dobrar os lençóis para os estender umas 5 vezes por ano.
5. Lava alguma loiça (apesar de dizer que lava sempre) e geralmente a cozinha fica um nojo para o dia seguinte. É habitual ter de tomar o pequeno-almoço com a cozinha gordurosa, bancadas nojentas, até que lave o que consegue antes de eu chegar do trabalho, não vá mostrar as minhas trombas, mas não compreende que as bancadas também têm de ser limpas. Mas se no dia seguinte for dia de Dina, a loiça fica onde estiver e no estado que estiver. Fico doente.
6. Faz arroz e esparguete.
7. Descasca-me fruta a maior parte das vezes que peço.
Vou optar por não escrever o que ele não faz e eu tenho de fazer pelos dois. É melhor. Ainda assim, ainda que faça algumas coisas, tem de me aliviar algum peso culinário. Nem que fosse dizer hoje quero almôndegas, tratar de comprar o que fizesse falta e deixasse as coisas em cima da bancada para que depois eu tratasse. É tão chato pensar no que vai ser o jantar, tratar de saber se não falta nada, isto todos os dias, ai... agora compreendo a minha mãe!
E no outro dia, na festa de anos de um amigo, lá as mulheres se reuniram a um canto para falar e todas acabaram por descrever o vício doentio dos jogos de computador, o facto de os homens serem uns putos, de deixarem tudo para o dia seguinte. Ainda que no trabalho sejam responsáveis, dentro de casa é um deixa andar. E senti-me menos sozinha. Menos envergonhada até, que me sentia humilhada com esta incapacidade que sinto em dar a volta a isto. Afinal não sou só eu e já me sinto menos sozinha nesta matéria.
Sorte, queridas, era ter o PAM capaz de fazer qualquer coisa que eu faça e ir alternado. Morro de inveja daquelas mulheres que dizem que os homens ajudam a fazer tudo. E não vale a pena a conversa da Bimby que tenho uma e ele nunca lhe tocou. O gajo devia ser obrigado a oferecer-me 6 cursos Vaqueiro por ano (mínimo). Ao menos variava e aprendia coisas novas.
Como li algures, a relação não é uma coisa colorida e maravilhosa, em que tudo alinha perfeitamente e um encaixa no outro na perfeição. Isso chama-se Lego.
Sim, eu acho que tenho sorte, mas desengane-se quem acha que isto é tudo boa disposição, amor e tempo para os dois. Nós também temos os nossos feitios e por vezes acordamos com os pés fora da cama. Como de resto acontece com toda a gente, acho. Mas não acredite nessa ideia de que somos um casal perfeito, porque não somos nem creio que isso exista. Seremos perfeitos à nossa maneira, à medida das necessidades, mas quando lembro que há coisas em falta, o termo "perfeito" lá cai por terra.
Não é mentira, toda a gente sabe, que a coisa que mais me incomoda no Poisoned Apple Man - e que acho completamente egoísta e me deixa fora de mim e me dá cabo dos nervos e me deixa furiosa - é o facto de o homem se recusar a aprender a cozinhar e a lidar com a cozinha. Eu compreendo que não saiba, mas não compreendo que não aprenda nem se esforce. O PAM adorava que eu ansiasse por andar na cozinha a seguir a um dia de trabalho, adorava que eu quisesse passar a vida no supermercado, sozinha, e diz, como se fosse obrigação da mulher tratar da cozinha (algo que ele não quer reconhecer porque sabe que não lhe ficaria bem), que as mulheres estão mais habituadas a isso, o que me provoca uma sensação equivalente a encostarem-me um fósforo na nádega.
Não me esqueço da Marta que teve de passar por casa e me viu a assar um frango. "O quê, chegas a casa a esta hora e ainda cozinhas coisas destas?!!", depois de explicar que o marido dela (e amigo do PAM) estava em casa a comer uma massa requentada qualquer.
Eu, que gostava de cozinhar, porque o fazia de vez em quando (tão bom, em casa da mãe), passei a cozinhar por obrigação, quase todos os dias e, por isso, a odiar cozinhar. Simplesmente deixou de dar gozo. 50% das vezes que cozinho faço-o fora de mim, cheia de nervos, a suspirar, só quero despachar aquilo e ir para a cama, ir para o escritório, ficar sozinha em algum canto e que ninguém me diga nada. Não há nada que provoque mais amuos entre mim e o PAM do que esta minha "obrigação" enquanto ele joga computador ou vê programas de bola e quem sabe ajeita os tomates enquanto aguarda pela refeição. E a sorte dele é que levo almoço para o trabalho, caso contrário, em casa tinha sopa, cereais e iogurtes e eu não cozinhava de todo.
Já perdi a conta às vezes que deixei de cozinhar, tipo greve, o que o obriga a fazer-se à vida como quem faz obras na cozinha ou a ir comer fora (o que ele fazia 90% das vezes antes de eu existir). Perdi a conta àquelas brincadeiras que ouvi num jeito de a brincar te digo a verdade, que não sou boa dona de casa e que ele, coitado, passa fome. Eu nunca quis ser dona de casa, quanto mais boa dona de casa. Eu vi-me obrigada a fazê-lo por uma natural liderança em que alguém tem de tratar para ficar feito. Fui burra. Nunca devia ter feito mais do que sopa, que é a única coisa de que sinto falta quando não há. Eu não dava para ter vivido nos anos 50!
Então, eu que passo a vida a pensar, para não ser injusta e para arrefecer o meu estado de irritação, nos últimos dias tenho procurado ver as coisas de outro ponto de vista: da mesma forma que ele não tem noção da quantidade de coisas que faço (apesar de termos empregada 7h/semana), apesar de ele achar que a roupa entra e sai do estendal sozinha, que as meias e cuecas aparecem dobradas na gaveta dele por obra e graça do Espírito Santo, tenho tentado olhar para as coisas que ele faz e não para as que não faz.
1. Ele põe sempre o lixo lá fora.
2. É ele quem tira a loiça da máquina 90% das vezes.
3. Ele cozinha 2 vezes a cada 100 que eu cozinho (hamburguers ou omeletes, mas não vou bater no cego).
4. Ajuda-me a dobrar os lençóis para os estender umas 5 vezes por ano.
5. Lava alguma loiça (apesar de dizer que lava sempre) e geralmente a cozinha fica um nojo para o dia seguinte. É habitual ter de tomar o pequeno-almoço com a cozinha gordurosa, bancadas nojentas, até que lave o que consegue antes de eu chegar do trabalho, não vá mostrar as minhas trombas, mas não compreende que as bancadas também têm de ser limpas. Mas se no dia seguinte for dia de Dina, a loiça fica onde estiver e no estado que estiver. Fico doente.
6. Faz arroz e esparguete.
7. Descasca-me fruta a maior parte das vezes que peço.
Vou optar por não escrever o que ele não faz e eu tenho de fazer pelos dois. É melhor. Ainda assim, ainda que faça algumas coisas, tem de me aliviar algum peso culinário. Nem que fosse dizer hoje quero almôndegas, tratar de comprar o que fizesse falta e deixasse as coisas em cima da bancada para que depois eu tratasse. É tão chato pensar no que vai ser o jantar, tratar de saber se não falta nada, isto todos os dias, ai... agora compreendo a minha mãe!
E no outro dia, na festa de anos de um amigo, lá as mulheres se reuniram a um canto para falar e todas acabaram por descrever o vício doentio dos jogos de computador, o facto de os homens serem uns putos, de deixarem tudo para o dia seguinte. Ainda que no trabalho sejam responsáveis, dentro de casa é um deixa andar. E senti-me menos sozinha. Menos envergonhada até, que me sentia humilhada com esta incapacidade que sinto em dar a volta a isto. Afinal não sou só eu e já me sinto menos sozinha nesta matéria.
Sorte, queridas, era ter o PAM capaz de fazer qualquer coisa que eu faça e ir alternado. Morro de inveja daquelas mulheres que dizem que os homens ajudam a fazer tudo. E não vale a pena a conversa da Bimby que tenho uma e ele nunca lhe tocou. O gajo devia ser obrigado a oferecer-me 6 cursos Vaqueiro por ano (mínimo). Ao menos variava e aprendia coisas novas.
Como li algures, a relação não é uma coisa colorida e maravilhosa, em que tudo alinha perfeitamente e um encaixa no outro na perfeição. Isso chama-se Lego.
10.2.12
Consultório #97
"Tenho 19 anos e há quase dois anos que estou com o meu namorado, que tem 22 anos. Apesar de muitos obstáculos (família, distância, falsos amigos) o nosso namoro sempre resistiu. Com discussões claro, ameaças de terminar, mas tal nunca aconteceu. A amizade, a química, o amor, o companheirismo sempre estiveram presentes na nossa relação.
Devido às dificuldades económicas enfrentadas pela família dele, que mais tarde o levaram no meio, ele aproveitou uma oportunidade de trabalho em África e desde Fevereiro que anda em idas e vindas. Nunca coloquei em causa a questão da confiança pois apesar das discussões ou o que quer que fosse, sempre tive a certeza de que essa parte estava segura. Até alguns acontecimentos desagradáveis que me estão a tirar noites de sono. Nomeadamente:
- Ele e a ex mantêm uma amizade educada. Um dia ela viu-nos juntos e enviou-lhe uma mensagem. Achei de muito mau tom o conteúdo da mensagem e comentei. Ele respondeu que por respeito a mim não iria responder. Mais tarde, vim a saber que ele respondeu.
- Uma rapariga com quem ele teve um breve envolvimento tirou-o da sua lista de amigos de facebook e ele, super preocupado, fez questão de a adicionar de novo e perguntar porque o tinha excluído. Se nem uma amizade mantém com a rapariga, qual a preocupação em saber de tal coisa?
- Desde que foi para África que o computador dele é a janela para o mundo. Então passa horas no facebook a falar com toda a gente. Não vejo mal nenhum nisso, mas a partir do momento em que ele apenas fala com raparigas quando não estou online e depois apaga o registo de conversa mal eu começo a conversar com ele, aí eu vejo um grande problema. E é este último que mais me tem incomodado. As conversas não têm mal algum, ele fala com elas normalmente e são raparigas que eu conheço, que são simplesmente amigas e todas têm namorado. Mas então se é tudo tão simples, porque fala com elas apenas quando não estou online e porque apaga o registo de conversa com elas, sendo que o registo com os amigos e com a familia ele deixa lá?
As minhas amigas aconselham-me a falar com ele sobre o assunto mas da primeira vez que tal aconteceu e o confrontei, ele chamou-me de neurótica, tivemos uma discussão enorme, disse que o persigo e sufoco e que não tenho que andar a ver as conversas dele. Não tenho o costume de as ver, mas como já tinha acontecido uma vez, desta última parece que senti o momento. Naquele dia, tive uma sensação estranha. Não lhe disse que já estava na internet e entrei no facebook dele. Ele estava a conversar com uma amiga e com mais amigos, mas a conversa dela ia sendo apagada a medida que iam conversando. E quando lhe disse "amor, estou online vem ao MSN", ele despediu-se da rapariga imediatamente e apagou a conversa.
Não sei se estou a ficar maluca ou se realmente tenho algo com que me preocupar. Sinto-me imatura, completamente a toa. Apostei tudo neste namoro, enfrentei a minha família, mudei a minha vida e estas pequenas coisas estão a deitar-me abaixo".
Olá Rita!
Eu costumo falar numa componente essencial nas relações: a atenção ao sinais, o que parece ter e é bom. Mas só é bom se souber dosear e usar com perícia. Ter atenção aos sinais não é partir para guerra ao primeiro pormenor pouco esclarecido, é usar o trunfo quando tem certezas. E aquilo que soube não serviu para coisa nenhuma.
Quando a ex-namorada dele os viu algures e enviou uma mensagem, não faço ideia o motivo para ter considerado o conteúdo de mau tom, não explica o que ela escreveu, mas não me parece nada de mal enviar uma mensagem a um ex-namorado quando acabámos de o ver. Uma vez que eles são amigos, já pensou que se calhar ela optou por não vos abordar e cumprimentá-lo por sua causa? Não porque tivesse medo ou não tivesse autorização, mas por si, para que não se sentisse desconfortável, pensou nisso? Se eles são amigos ela poderia perfeitamente tê-lo feito.
Nunca compreendi porque raio se há-de fazer um bicho dos antigos namorados. Há dias percebi que o Poisoned Apple Man meteu conversa com a namorada anterior a mim através do facebook. Isto quando antes de eu existir ela decidiu eliminá-lo da página e ainda hoje não estão ligados. Não é que sejam inimigos, mas compreendo o afastamento da rapariga que sofreu (o que nada teve a ver comigo). E eu pergunto-me: para quê meter conversa? Não sei, não faço ideia, mas também me estou nas tintas, depois de ouvir "qual é o mal?" não tive paciência para saber mais.
Eu sou muito racional e se perceber que o Poisoned Apple Man quer dividir-se com outras pessoas, salto do barco. Há situações às quais não me sujeito e esta é uma delas. Se ele quer falar com antigas namoradas, que fale. Eu sempre falei com antigos namorados (não todos) e nem me lembro que alguma vez tive uma relação com eles, pelo que tenho de compreender que outras pessoas possam fazer o mesmo e sentir-se como eu relativamente a esta matéria.
Quanto ao facto de o seu namorado não ter respondido à mensagem "por respeito", por que raio responder a uma mensagem de uma antiga namorada de quem se é amigo é um desrespeito? Desculpe, não consigo compreender. Se eu ouvisse uma coisa dessas, passava-me. E por quê? Porque detestaria sentir os meus passos controlados e as minhas opções condicionadas. Eu quero ser eu própria! É óbvio que ele falou nisso do "respeito" porque imediatamente o asfixiou. Prova disso é que foi responder nas suas costas. E agora pergunto, qual é a mais-valia de pressionar e asfixiar? Não há mais-valias, nunca se esqueça.
O facto dele ele notar que uma amiga com quem teve um breve relacionamento o apagou da rede de amigos de facebook não tem mal nenhum e o facto de ficar intrigado, também não. Acha mesmo que ficou preocupado ou terá ficado intrigado? Primeiro porque é inesperado, depois porque desconhece motivo e, claro, seja quem for mexe com a nossa auto-estima, há alguém que decidiu eliminá-lo da conta. Se ele quer perguntar, porque não?
O facto de ele falar com raparigas apenas quando a Ana não está online, não significa que ele entenda que é errado e que o faz nas suas costas. Pela conversa que viu, mais me parece que quando a Ana está online ele quer reservar o tempo para si e por isso se despede das outras pessoas. Quer melhor que isso?
Ana, parece-me muito verde, o que não é defeito nem está errado, está na idade, mas querer meter o namorado numa bolha e controlar cada um dos seus passos, afastar qualquer pessoa do sexo feminino, fazer cenas e arranjar discussões por relacionamentos passados, nunca são boas estratégias. Atentar aos sinais, sim, em silêncio, sem se revelar e falar apenas caso exista algo verdadeiramente grave.
Um homem que se sente aprisionado vai querer fugir. Não duvide, quanto mais o controlar, mais ele foge. É que ao cortar-lhe espaço, ao condicioná-lo, ele vai deixar de ser quem sempre foi. E quando se der conta disso vai ter saudades e querer voltar ao que era. É aí que começam as mentiras, as conversas de facebook, depois já é um café e toda uma energia dedicada às novidades de um mundo que já estava esquecido, em que as amigas são muito mais giras do que tinha reparado e em que a namorada controladora representa o que já é velho e gasto. Gostar de alguém é também saber dar-lhe espaço.
Não se esqueça que tem 19 anos. Bem sei que pode considerar as minhas palavras absurdas e horríveis, mas o mais provável é que este não seja o seu último namorado. Não quer dizer que não possa acontecer, mas nunca é algo que deseje a alguém tão novo. Com a sua idade espero que viva inúmeras experiências, que tenha alguns namorados e que com eles e sozinha se descubra, saiba quem é, aprenda a estabelecer as suas exigências, a saber escolher, para depois chegar o tal que é o certo. Se ficasse por aqui haveria uma parte de si que nunca chegaria a descobrir.
Devido às dificuldades económicas enfrentadas pela família dele, que mais tarde o levaram no meio, ele aproveitou uma oportunidade de trabalho em África e desde Fevereiro que anda em idas e vindas. Nunca coloquei em causa a questão da confiança pois apesar das discussões ou o que quer que fosse, sempre tive a certeza de que essa parte estava segura. Até alguns acontecimentos desagradáveis que me estão a tirar noites de sono. Nomeadamente:
- Ele e a ex mantêm uma amizade educada. Um dia ela viu-nos juntos e enviou-lhe uma mensagem. Achei de muito mau tom o conteúdo da mensagem e comentei. Ele respondeu que por respeito a mim não iria responder. Mais tarde, vim a saber que ele respondeu.
- Uma rapariga com quem ele teve um breve envolvimento tirou-o da sua lista de amigos de facebook e ele, super preocupado, fez questão de a adicionar de novo e perguntar porque o tinha excluído. Se nem uma amizade mantém com a rapariga, qual a preocupação em saber de tal coisa?
- Desde que foi para África que o computador dele é a janela para o mundo. Então passa horas no facebook a falar com toda a gente. Não vejo mal nenhum nisso, mas a partir do momento em que ele apenas fala com raparigas quando não estou online e depois apaga o registo de conversa mal eu começo a conversar com ele, aí eu vejo um grande problema. E é este último que mais me tem incomodado. As conversas não têm mal algum, ele fala com elas normalmente e são raparigas que eu conheço, que são simplesmente amigas e todas têm namorado. Mas então se é tudo tão simples, porque fala com elas apenas quando não estou online e porque apaga o registo de conversa com elas, sendo que o registo com os amigos e com a familia ele deixa lá?
As minhas amigas aconselham-me a falar com ele sobre o assunto mas da primeira vez que tal aconteceu e o confrontei, ele chamou-me de neurótica, tivemos uma discussão enorme, disse que o persigo e sufoco e que não tenho que andar a ver as conversas dele. Não tenho o costume de as ver, mas como já tinha acontecido uma vez, desta última parece que senti o momento. Naquele dia, tive uma sensação estranha. Não lhe disse que já estava na internet e entrei no facebook dele. Ele estava a conversar com uma amiga e com mais amigos, mas a conversa dela ia sendo apagada a medida que iam conversando. E quando lhe disse "amor, estou online vem ao MSN", ele despediu-se da rapariga imediatamente e apagou a conversa.
Não sei se estou a ficar maluca ou se realmente tenho algo com que me preocupar. Sinto-me imatura, completamente a toa. Apostei tudo neste namoro, enfrentei a minha família, mudei a minha vida e estas pequenas coisas estão a deitar-me abaixo".
Olá Rita!
Eu costumo falar numa componente essencial nas relações: a atenção ao sinais, o que parece ter e é bom. Mas só é bom se souber dosear e usar com perícia. Ter atenção aos sinais não é partir para guerra ao primeiro pormenor pouco esclarecido, é usar o trunfo quando tem certezas. E aquilo que soube não serviu para coisa nenhuma.
Quando a ex-namorada dele os viu algures e enviou uma mensagem, não faço ideia o motivo para ter considerado o conteúdo de mau tom, não explica o que ela escreveu, mas não me parece nada de mal enviar uma mensagem a um ex-namorado quando acabámos de o ver. Uma vez que eles são amigos, já pensou que se calhar ela optou por não vos abordar e cumprimentá-lo por sua causa? Não porque tivesse medo ou não tivesse autorização, mas por si, para que não se sentisse desconfortável, pensou nisso? Se eles são amigos ela poderia perfeitamente tê-lo feito.
Nunca compreendi porque raio se há-de fazer um bicho dos antigos namorados. Há dias percebi que o Poisoned Apple Man meteu conversa com a namorada anterior a mim através do facebook. Isto quando antes de eu existir ela decidiu eliminá-lo da página e ainda hoje não estão ligados. Não é que sejam inimigos, mas compreendo o afastamento da rapariga que sofreu (o que nada teve a ver comigo). E eu pergunto-me: para quê meter conversa? Não sei, não faço ideia, mas também me estou nas tintas, depois de ouvir "qual é o mal?" não tive paciência para saber mais.
Eu sou muito racional e se perceber que o Poisoned Apple Man quer dividir-se com outras pessoas, salto do barco. Há situações às quais não me sujeito e esta é uma delas. Se ele quer falar com antigas namoradas, que fale. Eu sempre falei com antigos namorados (não todos) e nem me lembro que alguma vez tive uma relação com eles, pelo que tenho de compreender que outras pessoas possam fazer o mesmo e sentir-se como eu relativamente a esta matéria.
Quanto ao facto de o seu namorado não ter respondido à mensagem "por respeito", por que raio responder a uma mensagem de uma antiga namorada de quem se é amigo é um desrespeito? Desculpe, não consigo compreender. Se eu ouvisse uma coisa dessas, passava-me. E por quê? Porque detestaria sentir os meus passos controlados e as minhas opções condicionadas. Eu quero ser eu própria! É óbvio que ele falou nisso do "respeito" porque imediatamente o asfixiou. Prova disso é que foi responder nas suas costas. E agora pergunto, qual é a mais-valia de pressionar e asfixiar? Não há mais-valias, nunca se esqueça.
O facto dele ele notar que uma amiga com quem teve um breve relacionamento o apagou da rede de amigos de facebook não tem mal nenhum e o facto de ficar intrigado, também não. Acha mesmo que ficou preocupado ou terá ficado intrigado? Primeiro porque é inesperado, depois porque desconhece motivo e, claro, seja quem for mexe com a nossa auto-estima, há alguém que decidiu eliminá-lo da conta. Se ele quer perguntar, porque não?
O facto de ele falar com raparigas apenas quando a Ana não está online, não significa que ele entenda que é errado e que o faz nas suas costas. Pela conversa que viu, mais me parece que quando a Ana está online ele quer reservar o tempo para si e por isso se despede das outras pessoas. Quer melhor que isso?
Ana, parece-me muito verde, o que não é defeito nem está errado, está na idade, mas querer meter o namorado numa bolha e controlar cada um dos seus passos, afastar qualquer pessoa do sexo feminino, fazer cenas e arranjar discussões por relacionamentos passados, nunca são boas estratégias. Atentar aos sinais, sim, em silêncio, sem se revelar e falar apenas caso exista algo verdadeiramente grave.
Um homem que se sente aprisionado vai querer fugir. Não duvide, quanto mais o controlar, mais ele foge. É que ao cortar-lhe espaço, ao condicioná-lo, ele vai deixar de ser quem sempre foi. E quando se der conta disso vai ter saudades e querer voltar ao que era. É aí que começam as mentiras, as conversas de facebook, depois já é um café e toda uma energia dedicada às novidades de um mundo que já estava esquecido, em que as amigas são muito mais giras do que tinha reparado e em que a namorada controladora representa o que já é velho e gasto. Gostar de alguém é também saber dar-lhe espaço.
Não se esqueça que tem 19 anos. Bem sei que pode considerar as minhas palavras absurdas e horríveis, mas o mais provável é que este não seja o seu último namorado. Não quer dizer que não possa acontecer, mas nunca é algo que deseje a alguém tão novo. Com a sua idade espero que viva inúmeras experiências, que tenha alguns namorados e que com eles e sozinha se descubra, saiba quem é, aprenda a estabelecer as suas exigências, a saber escolher, para depois chegar o tal que é o certo. Se ficasse por aqui haveria uma parte de si que nunca chegaria a descobrir.
9.2.12
SexLab
"Há mulheres que vivem a dor sexual em segredo". Quem o afirma é Cátia Oliveira, uma psicóloga da Unidade Laboratorial de Investigação em Sexualidade Humana (SexLab), da Universidade de Aveiro. A convicção desta psicóloga vem da sua experiência de prática clínica que a leva a concluir que a dor sexual "é quase como se fosse um segredo para as mulheres que a têm" e "a maior parte das mulheres não procuram ajuda. Limitam-se a viver com a dor e nem sempre partilham o problema com os próprios parceiros".
Cátia Oliveira quer desmistificar a dor sexual e "dizer às mulheres que podem ser acompanhadas e tratadas pois há estratégias para atenuar e acabar com a dor". Para isso lançou um estudo pioneiro em Portugal, de nome «Determinantes psicossociais da dor Sexual na mulher», que aborda aspectos como o funcionamento sexual, auto-estima sexual, relacionamento com o parceiro, pensamentos, crenças, afectos e diferentes características da dor, em mulheres com dor sexual.
Clique aqui para ajudar a Cátia ao participar no seu estudo e, consequentemente, vir a ajudar outras mulheres. As respostas são completamente anónimas.
Cátia Oliveira quer desmistificar a dor sexual e "dizer às mulheres que podem ser acompanhadas e tratadas pois há estratégias para atenuar e acabar com a dor". Para isso lançou um estudo pioneiro em Portugal, de nome «Determinantes psicossociais da dor Sexual na mulher», que aborda aspectos como o funcionamento sexual, auto-estima sexual, relacionamento com o parceiro, pensamentos, crenças, afectos e diferentes características da dor, em mulheres com dor sexual.
Clique aqui para ajudar a Cátia ao participar no seu estudo e, consequentemente, vir a ajudar outras mulheres. As respostas são completamente anónimas.
8.2.12
"Muda tudo!"
Há dias, num restaurante, senti uma pessoa de lado a olhar para mim. Olhei de volta e como não vejo um corno a mais de dois metros (vejo mas não distingo feições ou pormenores), lá semicerrei os olhinhos para ter melhor visão e perceber se era uma perfeita estranha a namorar-me ou alguém conhecido.
- Da Católica, não é? - disse ela sorrindo do outro lado do restaurante.
A Manuela sabia que eu tinha sido da turma dela, mas provavelmente não se lembrava do meu nome. Nunca fomos íntimas ou amigas, mas fomos colegas e dávamo-nos bem. Eu sabia que ela não tinha voltado a Braga, de onde veio para estudar, e que tinha ficado em Lisboa a trabalhar numa estação de rádio. Perguntei se ainda aí trabalhava, respondeu que sim, mas agora é diferente. Tive uma filha, já gozei os 6 meses e agora trabalho em horário reduzido.
Shame on me, não sabia que existia essa coisa de "horário reduzido". Achava que as mães que amamentavam podiam sair uma hora mais cedo do trabalho, mas por um período de tempo curto. Rapidamente, a Manuela explicou-me que ninguém nos vem espremer as mamas para saber se estamos a dar de mamar ou não e que temos direito a sair duas horas mais cedo durante o período de um ano após o nascimento da criança. Teve a sorte de ter uma rapariga e comentei: que inveja, só vou querer raparigas. Estou tramada!
E tal como mãe babada disse-me que eu nunca na vida iria sentir amor maior. Olhou para o Poisoned Apple Man que tinha ficado na mesa com os restantes convivas e fez um gesto como quem enxota um insecto: o amor que possas ter por ele? Esquece, é muito maior. Em cinco minutos contou como a maternidade a tinha transformado e como olhava para trás questionando-se como se importava com coisas de merda às quais agora não dava qualquer importância.
Até que veio a frase que NÃO HÁ ALMA que não profira: mas muda tudo!
Porra. Por muita felicidade e amor que toda esta novidade possa trazer, esta é uma afirmação que me inquieta e que passo a vida a ouvir. Antes da Manuela foi a minha dentista, que me perguntou se tinha filhos enquanto observava os meus dentes. De boca aberta respondi que não como pude e ela atalhou logo: muda tudo! Agora está separada.
Eu acredito que mude tudo. Completamente. Do avesso. E por alguma razão algo me faz sentir que isso não é bom. Eu não quero que mude tudo, gosto de muita coisa como está agora. Esta é uma inquietação que me persegue e mata a tomada de uma decisão: eu duvido que fosse gostar que tudo mudasse. E se muda para pior?
- Da Católica, não é? - disse ela sorrindo do outro lado do restaurante.
A Manuela sabia que eu tinha sido da turma dela, mas provavelmente não se lembrava do meu nome. Nunca fomos íntimas ou amigas, mas fomos colegas e dávamo-nos bem. Eu sabia que ela não tinha voltado a Braga, de onde veio para estudar, e que tinha ficado em Lisboa a trabalhar numa estação de rádio. Perguntei se ainda aí trabalhava, respondeu que sim, mas agora é diferente. Tive uma filha, já gozei os 6 meses e agora trabalho em horário reduzido.
Shame on me, não sabia que existia essa coisa de "horário reduzido". Achava que as mães que amamentavam podiam sair uma hora mais cedo do trabalho, mas por um período de tempo curto. Rapidamente, a Manuela explicou-me que ninguém nos vem espremer as mamas para saber se estamos a dar de mamar ou não e que temos direito a sair duas horas mais cedo durante o período de um ano após o nascimento da criança. Teve a sorte de ter uma rapariga e comentei: que inveja, só vou querer raparigas. Estou tramada!
E tal como mãe babada disse-me que eu nunca na vida iria sentir amor maior. Olhou para o Poisoned Apple Man que tinha ficado na mesa com os restantes convivas e fez um gesto como quem enxota um insecto: o amor que possas ter por ele? Esquece, é muito maior. Em cinco minutos contou como a maternidade a tinha transformado e como olhava para trás questionando-se como se importava com coisas de merda às quais agora não dava qualquer importância.
Até que veio a frase que NÃO HÁ ALMA que não profira: mas muda tudo!
Porra. Por muita felicidade e amor que toda esta novidade possa trazer, esta é uma afirmação que me inquieta e que passo a vida a ouvir. Antes da Manuela foi a minha dentista, que me perguntou se tinha filhos enquanto observava os meus dentes. De boca aberta respondi que não como pude e ela atalhou logo: muda tudo! Agora está separada.
Eu acredito que mude tudo. Completamente. Do avesso. E por alguma razão algo me faz sentir que isso não é bom. Eu não quero que mude tudo, gosto de muita coisa como está agora. Esta é uma inquietação que me persegue e mata a tomada de uma decisão: eu duvido que fosse gostar que tudo mudasse. E se muda para pior?
7.2.12
Nutricionista procura-se
Marquei uma consulta de nutrição numa Clínica para me ligarem a dizer o seguinte:
- Podemos marcar, mas para esta especialidade não aceitamos seguro de saúde. Todas estas consultas são a título particular...
- Ah sim? Então fica sem efeito.
Eu não pago um seguro de saúde para isto. Assim, existe por aí alguma nutricionista que queira ver as minhas banhas com olhos de ver e fazer-me perder 3 a 4 Kg com indicações preciosas e controles nazis?
Em Abril/Maio tenho de estar fabulosa.
- Podemos marcar, mas para esta especialidade não aceitamos seguro de saúde. Todas estas consultas são a título particular...
- Ah sim? Então fica sem efeito.
Eu não pago um seguro de saúde para isto. Assim, existe por aí alguma nutricionista que queira ver as minhas banhas com olhos de ver e fazer-me perder 3 a 4 Kg com indicações preciosas e controles nazis?
Em Abril/Maio tenho de estar fabulosa.
6.2.12
A celulite toca a todas
Ontem, com as notícias, lembrei-me deste episódio ocorrido no primeiro dia do ano, em Miami, com uma agradável temperatura de 28ºC. Eu e o Poisoned Apple Man passeávamos tranquilamente num caminho que atravessa quase Miami Beach inteira junto à praia, uma espécie de "calçadão" onde uns correm, outros andam de bicicleta, outros passeiam os cães e eu e o homem namorávamos de mão dada, à velocidade de cruzeiro, num passeio em que viria a deixar vincado o bronze no meu rosto, tirando a parte dos óculos de sol.
Não pensem que naquela terra alguém faz desporto com a roupa velha que tem lá por casa. Não, aquilo é escolhido a dedo. Para muitas é na verdade uma exposição de carne que agarradas a belas garrafas de água, abanam o peito à velocidade da corrida vestidas em micro-tops que quase só dão para tapar os mamilos. Ao fim de 15 minutos de passeio já ninguém estranha nada, mas o homem estranhou e comentou comigo:
- Xiiii... olha o tamanho das mamas daquela. Tem celulite nas mamas de certeza!
O PAM era o tipo de juiz perfeito que aquela marca PIP (que colocou no mercado implantes de silicone industrial em vez de silicone médico) gostaria de encontrar no tribunal quando forem processados: alguém que não percebe nada do assunto.
Não pensem que naquela terra alguém faz desporto com a roupa velha que tem lá por casa. Não, aquilo é escolhido a dedo. Para muitas é na verdade uma exposição de carne que agarradas a belas garrafas de água, abanam o peito à velocidade da corrida vestidas em micro-tops que quase só dão para tapar os mamilos. Ao fim de 15 minutos de passeio já ninguém estranha nada, mas o homem estranhou e comentou comigo:
- Xiiii... olha o tamanho das mamas daquela. Tem celulite nas mamas de certeza!
O PAM era o tipo de juiz perfeito que aquela marca PIP (que colocou no mercado implantes de silicone industrial em vez de silicone médico) gostaria de encontrar no tribunal quando forem processados: alguém que não percebe nada do assunto.
3.2.12
Consultório #96
(A pedido da leitora que não quer ser identificada pela história, não se publica a mensagem. De qualquer forma, ler a resposta basta para compreender a situação).
Olá Filipa!
Vou direita ao assunto: a Filipa está completamente iludida por si mesma, pelos seus desejos para o futuro, transformando pequenas migalhas num projecto de extrema felicidade futura.
O homem que descreve não lhe demonstra amor porque não tem amor para lhe dar, o que ele tem é atracção física, e sabendo os homens que a maioria das mulheres não lhes proporcionarão noites de sexo sem intenções futuras, tratam de romancear as coisas, deixar a esperança no futuro, largar no ar a indecisão "eu gosto tanto de ti, mas...", e vão as mulheres deixar-se enrolar pela eterna esperança que não descola, que faz ver tudo o que não tem futuro com olhos bonitos, transformando a realidade em sonho.
Filipa, em quatro anos viu este homem quatro vezes. Por muitas vezes que tenha falado com ele, não o conhece. Não sabe como se comporta em família, quem são os amigos, não lhe conhece manias, gostos, defeitos, nunca o observou. Sabe dele aquilo que ele contou, e no contar pode ter inventado o que queria. Estando ele de um lado para o outro distribuindo material pelo país, não se surpreenda que este homem tenha outras "Filipas" em cada cidade do país. Aliás, o mais provável é ter. Este não é um tipo de homem que queira assentar arraiais, ter namoro sério, casar, ter filhos e viver numa casinha bonitinha. Este homem quer andar livre, o que até é demonstrado pela profissão que tem. Leia-se:
1. Depois do primeiro jantar a dois, depois de terem chegado a vias de facto (que devia ser o que ele procurava) "ficávamos meses sem saber nada um do outro, algumas vezes não me respondia a mensagens!". Ora, isto, nesta altura, era mais do que suficiente para perceber que ali não havia amor. Conhece um homem que ame uma mulher e nunca lhe diga nada?
2. Quase um ano depois sem se verem, apenas falando algumas vezes, repete-se um jantar. "Disse-me que só me queria como amiga íntima", ou seja, uma amiga com quem ter sexo sempre que lhe apetecesse, por outras palavras; "eu disse-lhe que isso não aceitava, ou éramos amigos normais ou mais do que amigos, outra coisa não queria! Não entendo, se gosta de mim, porque não tentar?". Não tenta porque está a mentir e não gosta, quer apenas sexo. Nenhum homem que goste de uma mulher recusa a possibilidade de um relacionamento. Invertamos os papéis: imagine que é ele quem lhe propõe tentar uma relação, recusava? Não, porque era isso que queria. Só recusa quem não quer e recusa porque não gosta.
3. Quase outro ano passado do segundo jantar, convida-o para o seu aniversário. Não aparece nem diz nada.
4. Mais tarde, estava na sua cidade e decidiu ligar-lhe. É o momento em que se "confessa", "ah e tal, não te disse nada no aniversário, não me portei bem", um belo truque masculino, apontar-se o dedo, reconhecer erros para ganhar o perdão feminino. Na cabeça da mulher lê-se "afinal percebe que errou, fez muito bem em reconhecer!". Na cabeça do homem "basta dizer que sou um merdas e tenho toda a atenção e perdão". Note-se ainda que ele lhe ligou exactamente quando estava estacionado na sua cidade, não foi nem a 10 metros de distância. Preciso dizer o que este homem procurava?
5. Passou por momentos complicados com a doença de um familiar. Ele sabia e nunca lhe deu qualquer atenção ou apoio quanto a este facto.
6. No dia em que fez quatro anos em que se conheceram, não falando há que tempos, decidiu contactá-lo para dizer que fazia já quatro anos. Ele não sabia. Ele não a contactava há uma vida inteira e a Filipa pergunta-lhe "o que queres de mim?". Aqui fico sem chão. O que a leva a perguntar o que ele quer de si quando não lhe diz nada e demonstra não querer nada além de sexo ocasional? Ele, apanhado de surpresa, aproveita o momento para algum jogo de cintura: "ah e tal, não sei bem, mas gosto de ti, é isso que sei". Filipa, acha mesmo que ele estava a ser honesto ou a garantir qualquer coisa para quando voltar a passar pela sua cidade?
7. "Estou em silêncio, só vou quebrar no dia do aniversário dele, vou enviar mensagem porque ele não me enviou no meu aniversário". Isto faz-lhe sentido? Ele vai adorar, não tenha dúvidas! Vai ler e pensar "nem preciso de ter muito trabalho, está no papo!". Eu percebo a sua intenção, quer que ele receba a mensagem e pense "bolas, envia-me os parabéns quando eu não lhe disse nada. Sou um porco e ela é um espectáculo". Esqueça! Os homens não pensam assim, vai estar-se nas tintas e a Filipa só se vai humilhar.
8. "Partilhei com ele o facto de querer ser mãe, sempre lhe disse que queria uma relação séria, ele dizia que seria o pai dos meus filhos". Mais uma mentira. Este homem não é parvo, ele vai apenas dizer aquilo que sabe que a Filipa quer ouvir. Se disser o contrário não tem o que quer.
9. "Gostava de perceber se ele é realmente o homem da minha vida, porque quero casar e ter filhos e já tenho 35 anos". Não Filipa, este não é o homem da sua vida, é um pulha a quem dá demasiada atenção, uma pessoa que não quer saber se tem sentimentos, se sofre, se tem projectos para o futuro. Este homem quer que o ajude a passar o tempo com flirts, longas conversas de telefone, muitos SMS, e algum sexo, sempre e só quando lhe apetecer a ele. Em nenhum momento este homem parece ter feito alguma coisa por si e só deu notícias quando lhe dava jeito e se divertia.
Das duas vezes que estiveram juntos "era como se estivéssemos juntos todos os dias, houve uma química, uma cumplicidade enorme, que não sei explicar!". Filipa, aquilo que teve foi um encontro químico que funcionou bem, deram-se bem sexualmente e foi isto. Ponto final. O resto é criado pela sua cabeça, porque a cumplicidade é outra coisa, algo que surge entre pessoas que têm uma ligação forte e mútua. A mutualidade não é uma característica da relação que tem com esse homem.
Filipa, cada ano que passa, é mais um ano que perde. Esse homem não presta de todo, é uma peça que lhe faz isto a si e a outras. Que julga que ele está a fazer nas temporadas em que não diz nada? A pensar em si? No seu lugar cortava o contacto sem dar qualquer explicação. Apagava tudo sem olhar para trás, fingia ter morrido e não dava nem mais uma satisfação, pois a falta de informação será a única coisa que o vai inquietar. Saber que está magoada, que vai desaparecer, são trunfos, são avisos, é dizer-lhe como e quando se pode mover. Na falta de respostas não sabe nada e vive na ignorância.
Filipa, parta rapidamente para outra que isso não é vida para ninguém!
Olá Filipa!
Vou direita ao assunto: a Filipa está completamente iludida por si mesma, pelos seus desejos para o futuro, transformando pequenas migalhas num projecto de extrema felicidade futura.
O homem que descreve não lhe demonstra amor porque não tem amor para lhe dar, o que ele tem é atracção física, e sabendo os homens que a maioria das mulheres não lhes proporcionarão noites de sexo sem intenções futuras, tratam de romancear as coisas, deixar a esperança no futuro, largar no ar a indecisão "eu gosto tanto de ti, mas...", e vão as mulheres deixar-se enrolar pela eterna esperança que não descola, que faz ver tudo o que não tem futuro com olhos bonitos, transformando a realidade em sonho.
Filipa, em quatro anos viu este homem quatro vezes. Por muitas vezes que tenha falado com ele, não o conhece. Não sabe como se comporta em família, quem são os amigos, não lhe conhece manias, gostos, defeitos, nunca o observou. Sabe dele aquilo que ele contou, e no contar pode ter inventado o que queria. Estando ele de um lado para o outro distribuindo material pelo país, não se surpreenda que este homem tenha outras "Filipas" em cada cidade do país. Aliás, o mais provável é ter. Este não é um tipo de homem que queira assentar arraiais, ter namoro sério, casar, ter filhos e viver numa casinha bonitinha. Este homem quer andar livre, o que até é demonstrado pela profissão que tem. Leia-se:
1. Depois do primeiro jantar a dois, depois de terem chegado a vias de facto (que devia ser o que ele procurava) "ficávamos meses sem saber nada um do outro, algumas vezes não me respondia a mensagens!". Ora, isto, nesta altura, era mais do que suficiente para perceber que ali não havia amor. Conhece um homem que ame uma mulher e nunca lhe diga nada?
2. Quase um ano depois sem se verem, apenas falando algumas vezes, repete-se um jantar. "Disse-me que só me queria como amiga íntima", ou seja, uma amiga com quem ter sexo sempre que lhe apetecesse, por outras palavras; "eu disse-lhe que isso não aceitava, ou éramos amigos normais ou mais do que amigos, outra coisa não queria! Não entendo, se gosta de mim, porque não tentar?". Não tenta porque está a mentir e não gosta, quer apenas sexo. Nenhum homem que goste de uma mulher recusa a possibilidade de um relacionamento. Invertamos os papéis: imagine que é ele quem lhe propõe tentar uma relação, recusava? Não, porque era isso que queria. Só recusa quem não quer e recusa porque não gosta.
3. Quase outro ano passado do segundo jantar, convida-o para o seu aniversário. Não aparece nem diz nada.
4. Mais tarde, estava na sua cidade e decidiu ligar-lhe. É o momento em que se "confessa", "ah e tal, não te disse nada no aniversário, não me portei bem", um belo truque masculino, apontar-se o dedo, reconhecer erros para ganhar o perdão feminino. Na cabeça da mulher lê-se "afinal percebe que errou, fez muito bem em reconhecer!". Na cabeça do homem "basta dizer que sou um merdas e tenho toda a atenção e perdão". Note-se ainda que ele lhe ligou exactamente quando estava estacionado na sua cidade, não foi nem a 10 metros de distância. Preciso dizer o que este homem procurava?
5. Passou por momentos complicados com a doença de um familiar. Ele sabia e nunca lhe deu qualquer atenção ou apoio quanto a este facto.
6. No dia em que fez quatro anos em que se conheceram, não falando há que tempos, decidiu contactá-lo para dizer que fazia já quatro anos. Ele não sabia. Ele não a contactava há uma vida inteira e a Filipa pergunta-lhe "o que queres de mim?". Aqui fico sem chão. O que a leva a perguntar o que ele quer de si quando não lhe diz nada e demonstra não querer nada além de sexo ocasional? Ele, apanhado de surpresa, aproveita o momento para algum jogo de cintura: "ah e tal, não sei bem, mas gosto de ti, é isso que sei". Filipa, acha mesmo que ele estava a ser honesto ou a garantir qualquer coisa para quando voltar a passar pela sua cidade?
7. "Estou em silêncio, só vou quebrar no dia do aniversário dele, vou enviar mensagem porque ele não me enviou no meu aniversário". Isto faz-lhe sentido? Ele vai adorar, não tenha dúvidas! Vai ler e pensar "nem preciso de ter muito trabalho, está no papo!". Eu percebo a sua intenção, quer que ele receba a mensagem e pense "bolas, envia-me os parabéns quando eu não lhe disse nada. Sou um porco e ela é um espectáculo". Esqueça! Os homens não pensam assim, vai estar-se nas tintas e a Filipa só se vai humilhar.
8. "Partilhei com ele o facto de querer ser mãe, sempre lhe disse que queria uma relação séria, ele dizia que seria o pai dos meus filhos". Mais uma mentira. Este homem não é parvo, ele vai apenas dizer aquilo que sabe que a Filipa quer ouvir. Se disser o contrário não tem o que quer.
9. "Gostava de perceber se ele é realmente o homem da minha vida, porque quero casar e ter filhos e já tenho 35 anos". Não Filipa, este não é o homem da sua vida, é um pulha a quem dá demasiada atenção, uma pessoa que não quer saber se tem sentimentos, se sofre, se tem projectos para o futuro. Este homem quer que o ajude a passar o tempo com flirts, longas conversas de telefone, muitos SMS, e algum sexo, sempre e só quando lhe apetecer a ele. Em nenhum momento este homem parece ter feito alguma coisa por si e só deu notícias quando lhe dava jeito e se divertia.
Das duas vezes que estiveram juntos "era como se estivéssemos juntos todos os dias, houve uma química, uma cumplicidade enorme, que não sei explicar!". Filipa, aquilo que teve foi um encontro químico que funcionou bem, deram-se bem sexualmente e foi isto. Ponto final. O resto é criado pela sua cabeça, porque a cumplicidade é outra coisa, algo que surge entre pessoas que têm uma ligação forte e mútua. A mutualidade não é uma característica da relação que tem com esse homem.
Filipa, cada ano que passa, é mais um ano que perde. Esse homem não presta de todo, é uma peça que lhe faz isto a si e a outras. Que julga que ele está a fazer nas temporadas em que não diz nada? A pensar em si? No seu lugar cortava o contacto sem dar qualquer explicação. Apagava tudo sem olhar para trás, fingia ter morrido e não dava nem mais uma satisfação, pois a falta de informação será a única coisa que o vai inquietar. Saber que está magoada, que vai desaparecer, são trunfos, são avisos, é dizer-lhe como e quando se pode mover. Na falta de respostas não sabe nada e vive na ignorância.
Filipa, parta rapidamente para outra que isso não é vida para ninguém!
2.2.12
Laser alexandrite - descontos a acabar!
Então, já trataram de marcar a vossa sessão de depilação a laser alexandrite com desconto A Maçã de Eva?
Não sabe de nada? Não leu o texto? Leia aqui!
Os descontos estão a acabar, dura até dia 14 de Fevereiro de 2012!
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1.2.12
As crianças são o melhor do mundo
Um destes dias cheguei a casa depois do trabalho. Assim que meti a chave à porta, já estava a Poisoned Apple Man na entrada, de pé, atrás da porta à minha espera.
Beijinhos e tal para me entreter começa a perguntar-me por que guardo X na gaveta Y, por que não optimizo o espaço no armário A, porque não arrumo melhor o armário o B, por que raio o caixote C tem coisas que blá, blá, blá... e percebo que o homem esteve a mexer nas minhas coisas.
Ora, não gosto disto. Eu é que sei das minhas arrumações, não quero ninguém a mexer nas minhas gavetas e eu não mexo nas dele. Rapidamente, com o meu olhar 33-vou-te-capar, inquiri:
- Andaste a mexer nas minhas coisas??? Eu não mexo nas tuas coisas!
- Andei. Estive à procura das trufas Lindor Lindt que escondeste e não as encontrei. Porra...
É por isto que reviro os olhos quando me perguntam quando vamos encher a casa de crianças.
Beijinhos e tal para me entreter começa a perguntar-me por que guardo X na gaveta Y, por que não optimizo o espaço no armário A, porque não arrumo melhor o armário o B, por que raio o caixote C tem coisas que blá, blá, blá... e percebo que o homem esteve a mexer nas minhas coisas.
Ora, não gosto disto. Eu é que sei das minhas arrumações, não quero ninguém a mexer nas minhas gavetas e eu não mexo nas dele. Rapidamente, com o meu olhar 33-vou-te-capar, inquiri:
- Andaste a mexer nas minhas coisas??? Eu não mexo nas tuas coisas!
- Andei. Estive à procura das trufas Lindor Lindt que escondeste e não as encontrei. Porra...
É por isto que reviro os olhos quando me perguntam quando vamos encher a casa de crianças.
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