To:
info@emel.ptAssunto: reclamação
Exmos. Senhores,
serve este e-mail para expressar o profundo ódio e desprezo que tenho pela EMEL e ainda para colocar algumas questões.
Eu respeitaria a EMEL, palavra que sim, caso se tratasse de uma economia sustentável, em que o valor dos parquímetros teria como destino o arranjo dos buracos no alcatrão, dos passeios irregulares, dos canteiros, se o dinheiro fosse aplicado em transportes públicos, na sua melhoria e frequência, ou seja, se o dinheiro fosse realmente aplicado para servir a melhoria das condições de vida dos lisboetas. Não consigo respeitar a EMEL quando diz que trata do ordenamento na cidade - é-me indiferente e nem sequer vejo transformações realmente benéficas desde a sua existência - e quando pinta traços no chão (quando pinta!) para marcar uma zona de estacionamento. A impressão que tenho, e gostaria de refutassem com tal argumentação que me levessem a reconsiderar a minha opinião, é que a EMEL enriquece alguém, diz-se mulher de um antigo presidente da Câmara de Lisboa, com concursos duvidosos, ou seja, conflitos de interesses.
Não bastava o meu ódio relativo a uma má situação, agora é pior: decidiram aumentar o valor dos parquímetros para valores incompreensíveis e insuportáveis pelos portugueses. Posso ler a afirmação da EMEL, no DN, de 27 de Agosto de 2010, quando afirma que Lisboa
"é a cidade onde é mais barato estacionar na zona vermelha (...) a média europeia é de 2,30 euros". E eu pergunto, qual é a média de salários para esses europeus? Qual a relação parquímetros/vencimentos desses europeus? Como são os transportes públicos na sua qualidade e frequência desses europeus?
No Público de hoje, 4 de Julho de 2011, a EMEL
"sustenta que os aumentos no preço do estacionamento se farão sentir fundamentalmente nas zonas com concentração de comércio". E eu explico o que vai acontecer por vossa causa: se na Baixa e Chiado vêem as lojas fechar portas, as montras despidas e sujas por causa da crise, agora, ao valor de 3,20€ por 2 horas, vão arruinar o comércio de rua e encher os centros comerciais, quando alguns nem sequer cobram pelo estacionamento. Por exemplo, a mim já não me apanham por lá de passeio, só em casos que não possa evitar.
Mais, leio ainda no Público de hoje, que
"o presidente da Emel garantiu anteriormente que estas alterações terão consequências quase nulas nas receitas da empresa". Mais um motivo para estarem quietos e deixar como estava, que já era mau. Quietos incomodavam menos as pessoas, roubavam menos e provocavam menos ira colectiva.
Sobre o novo tarifário, vou ao vosso site e leio coisas ridículas, como quem insulta os lisboetas na sua inteligência:
1.
"Aplicação de um tarifário ajustado às diferentes realidades sócio-económicas da cidade de Lisboa", classes altas e baixas trabalham no centro de Lisboa. Isto é uma anormalidade.
2.
"Incentivar a utilização de transportes públicos nas zonas de maior rotação", eu também gostava, se os houvesse de onde vivo e se fossem de facto funcionais!
3.
"Coincidir com boas práticas europeias através da aplicação de um tarifário ajustado ao perfil de utilização: mais barato nas zonas de baixa rotação e mais caro e com uma duração menor nas zonas de maior rotação e mais bem servidas de transporte colectivos", e já agora, coincidam com as outras boas práticas europeias de que falava.
4.
"Contribuir para uma melhor gestão do espaço público e para um aumento da sustentabilidade da cidade de Lisboa", expliquem-se, que isto parece conversa de Gato Fedorento.
A existência de parquímetros é má, o aumento dos parquímetros é pior, e este bordel legal montado aos olhos de todos, sem qualquer impacto nos transportes públicos é tão escabroso que não tenho adjectivos para classificar. Eu respeitaria a EMEL, se fosse respeitável.
Querem ser europeus como nessas "grandes" cidades? Querem armar-se em modernos e internacionais? Com certeza, mas se isso respeitar um todo, se isso beneficiar os cidadãos e não for apenas roubar. Eu não me importo que os parquímetros cobrem 5€ a cada 5 minutos, se eu tiver transportes para me deslocar (o que não tenho, tenho de me meter no carro para chegar perto deles), se a rede for alargada, se não tiver de esperar uma vida por um autocarro, se o serviço nocturno não funcionar uma ou duas vezes por hora, se o Metro estiver aberto durante a madrugada, se o valor ganho nos parquímetros tirar as empresas de transportes públicos do contínuo buraco financeiro em que se encontram, se eu de facto conseguir fazer a minha vida de transportes públicos, se a EMEL servir de facto para alguma coisa, no lugar de fazer mil agradecimentos e gastar fortunas com publicidade que dizem
"obrigada, parvos. Por vossa causa a cidade está mais arrumadinha", quando por vossa causa andam todos mais irritados, mais frustrados e, pior, mais pobres.
Assim, coloco as seguintes questões:
1. A EMEL é uma economia sustentável ou não?
2. Se não é, qual o nome da pessoa que anda a encher os bolsos com isto?
3. Qual o argumento legal para privados ganharem dinheiro com a EMEL quando o espaço é público? (Não vale enviar resmas de PDF sobre o estado de direito e afins para responder a esta questão).
4. Por que motivo o valor ganho nos parquímetros não é aplicado nos transportes públicos, no arranjo de buracos e no aspecto das ruas em geral?
5. Se não é possível, por que não tornar possível, fazer mais e melhor?
Todas as questões que constam deste e-mail não representam ironia, são questões sérias que gostaria de ver respondidas. Cada uma delas tem um ponto de interrogação.
Cumprimentos,