30.11.10

Protesto. Desabafo. Vou perder leitoras, mas que se lixe!

Há meses, anos, que esta merda me incomoda. Há semanas começou a fazer-me nascer caruncho nos ossos, urticária na pele, fico cheia de nervos e qualquer dia ainda me provoca hemorróidas. E eis a questão que me perturba de sobremaneira, que vou confessar, consciente do risco de perder clientes e leitoras:

Mas por que raio as pessoas não respondem aos e-mails???!

Mas por quê???! Eu preciso de saber por quê!

Eu percebo que não se responda a um forward, eu percebo que não se responda a questões, ainda que objectivas, no segundo em que o e-mail chega à caixa de correio. Mas vá, responder no dia seguinte, não?

Como as sandálias Guess que quis oferecer. A primeira candidata pediu para esperar um mês porque estava fora do país e quando chegasse trataria de me contactar. Esperei um mês. Esperei dois meses. Esperei três meses. E-mail: "sempre quer as sandálias?". Ainda estou à espera da resposta. Fui de as dar à candidata seguinte que me respondeu em menos de 24 horas e muito agradeceu. "Sempre vai querer o vestido que reservou?" e em vez de uma resposta, passam dias sem fim. Vendi-o a quem o mostrou querer muito. Falta de aviso não foi.

Por que razão as pessoas fazem isto. Não se sentem mal?

Faltas de resposta anormais vão parar à minha lista negra. Palavra de honra que me apetece brindar algumas pessoas com aquilo que me dão. Eis o nome que dou a isto: falta de consideração.

29.11.10

É tão bom que tenho de postar #7

Minhas queridas,

que noite, a de ontem. O Universo às vezes é fodido mas sabe sempre o que faz. Claro que isto agora vos soa pior, mais ridículo e idiota que a própria hecatombe que, parece, se abateu sobre as vossas vidas. Ainda me lembro da última vez que o o meu coração se derreteu nas mãos de homem que queria «para a vida». Também tive amigos, quando os pedi, e arrendei o seu colo a cada golfada de ar. Para além de amizade, posso oferecer-vos o que tenho de melhor nestes dias. A minha presença silenciosa. Faz parte. Quando alguém que amamos decide mudar a bússola e não nos coloca em nenhum dos pontos cardeais, resta-nos o silêncio. Não o silêncio digno das bem aventuradas, mas o silêncio sofrido e doído das que, tendo coração, ficaram sem ele. Pelo menos, assim parece.

Dizer-vos que vêm aí dias melhores, não ajuda. Há sempre aquele gosto de fim de linha, que se mistura com as perguntas sem resposta, que nos obnubila o pensar e nos deixa apáticas, catatónicas. É sempre assim. Temos grandes planos para os outros. Neste caso, o plano de que a pessoa a quem entregamos o viver amoroso, e às vezes mais que isso, nos ame para sempre, sem percebermos que o «para sempre» só existe nas músicas foleiras de elevador. Nada é para sempre. Nem nós mesmas somos para sempre. Mas enquanto vivemos e alimentamos essa bolha, esquecemo-nos, tantas vezes, de nos alimentar a nós. Foi o vosso caso. Alargaram o vosso limiar de dor numa relação a dois e aceitaram que ele vos fosse transformando, insidiosamente, numa outra pessoa. Indesculpável, para quem partilha paredes connosco e que, paulatinamente, vai deixando de gostar sem nunca manifestar grande coisa a respeito.

Porque há homens assim. Mergulhados em culpa cristã e viciados em palavras bonitas que embrulham quotidianos falsos. Mas eles não importam, minhas queridas. O que importa são vocês. Chorem, berrem, gritem, durmam, durmam muito. Morram, nasçam e voltem. Porque quando o fizerem, vão perceber que o mundo vai continuar a girar e nós vamos continuar aqui. A girar convosco também.

Daqui!

27.11.10

Do you remember? #129



Never Ending Story - Limahl - 1984

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

26.11.10

Consultório #42

Cara M.,

tentei enviar-lhe esta resposta cerca de seis vezes e o e-mail voltou sempre para trás. Esta foi a única forma que encontrei para lhe responder.

"Boa tarde,

(...) Sou XXX e o meu namorado também. Ele entrou primeiro que eu, mas fui colocada primeiro porque o meu curso é muito mais curto. Começámos a falar e depois nos anos de uma amiga começámos a namorar. Já lá vão 1 ano e 3 meses. Ele mora XXX e eu sou de XXX e a distância sempre foi "problema", mas os fins-de-semana nunca ninguém nos tirou e às vezes sabia muito bem porque todos os reencontros sabiam a saudade. Ainda hoje assim é, pois eu fiquei colocada em XXX e ele XXX. Sempre nos demos bem, resolvemos os nossos problemas, quando estamos juntos é espectacular... mas conheci um rapaz (...) e tornámo-nos amigos (...) Não temos o contacto um do outro mas assim que nos vemos falamos muito e muito bem. Há uns tempos que não páro de pensar nele.


Ontem à noite sonhei com ele, hoje não parei de pensar nele e (...) encontrei-me com o meu namorado. Assim que me meti no carro aquele veio-me à cabeça. Apple, dá-me na cabeça SFF!"

Olá M.,

obrigada pela sua mensagem.

Não tenho nada que lhe dar na cabeça. Se o seu coração segue outros rumos, que é o que me dá a entender, como é que eu vou fazer isso? Como já disse muitas vezes, aprendi que não há formas perfeitas de fazer as coisas, mas há sempre uma forma cuidada. Se se está a interessar por uma outra pessoa, tem de decidir/perceber se esse novo homem é só um flirt, uma emoção passageira, ou se começa a criar sentimentos por ele. E também se é recíproco.

Acredito que a distância, ao fim de um tempo, se torne rotineira e tire o brilho à relação. Se as relações têm várias fases, as obrigações impostas pela distância retiram alguma naturalidade à relação. Acaba por ser sempre a mesma coisa: dois dias algures, sempre a correr, voltar às obrigações e esperar pelos dois dias livres seguintes. Mesmo que esses dois dias pequenos tenham sido sempre fantásticos, o que eu acredito, às tantas são sempre a mesma coisa. E quando tudo é igual, por vezes temos necessidade de novidade e sem querer encontramos noutro lado.

Não é que eu não ache a distância saudável. Eu adoro ter saudades, acho importante algum distanciamento que vem renovar algo na relação, mas percebo que no seu caso acabe por se tornar em algo que não procura. Uma da maiores dificuldades do amor é fazer com que duas pessoas sigam juntas pelo mesmo caminho e às vezes não se consegue, não sendo por isso culpa de uma das partes. Simplesmente às vezes não tem de ser.

Tenho a certeza que o tempo vai-lhe dizer o que fazer. Não é por mal, mas não tenho como dar respostas que só a M. carrega.

Beijinhos!

25.11.10

Verdade #67 - Aparelho III

Obrigada pelas vossas palavras de apoio, dicas e sugestões. Fiquei mesmo sensibilizada e o meu humor melhorou um bocadinho. Depois das lágrimas, apareceram uns amigos. Dizem que mal se nota e, um deles, diz que pareço uma pitinha. Segundo ele, retira-me 10 anos à idade. Boa, boa!

Esta manhã, já dei de caras com pessoas que falaram comigo e não deram por nada. Tive de perguntar então não reparas nada??! E depois lembram, ah! É verdade! Mostra lá! E confirmam: mal se percebe.

Fora isso, pareço anormal a comer, mas com o tempo espero ganhar outra destreza. Ainda não enfrentei o desafio espinafres, caldo verde e afins. Lavar os dentes é tarefa completamente diferente e, aquilo que eu tinha mais medo (feridas nos lábios e por dentro das bochechas) não se verificam nem por sombras até agora. Serei um caso atípico? Amanhã acordo esquartejada ou se não fiz feridas até agora já não devo fazer? Nem sequer uso o silicone (em vez de cera). Dores nos dentes, algumas, nada de especial e ainda não me atirei aos analgésicos.

O melhor de tudo, foi ter escolhido uns elásticos que achei serem a cor mais discreta. Para começar achei que era melhor não ir logo para o cor-de-rosa bubble gum. A dentista disse que supostamente brilhavam no escuro, mas que eram uma tanga. E esqueci-me desta informação até que ontem, no escuro, os elásticos iluminavam mesmo! Foi hilariante.

Agora é adaptação! Adaptação! Obrigada pelas vossas palavras :)

24.11.10

Verdade #67 - Aparelho II

E prontus, confere, sinto-me feia. E vulnerável. Já deitei umas lágrimas e faço figas para que o Poisoned Apple Man não goste menos de mim.

Objectivo: ficar como na foto.

Jantar de hoje: sopa sem submarinos e puré de maçã. O Jamie Oliver não faria melhor.

Verdade #67 - Aparelho I

Daqui a umas horas, para minha tristeza, alguma criatura me chamará de "ferrinhos". E eu vou desatar a chorar, como fazem as crianças.

Daqui a umas horas vou ter um aparelho nos dentes, para já apenas o superior - que é muito! - e eu sei que me vou sentir mesmo feia. É por um bem maior, certo? Passa rápido, não é? Vou ficar linda, afirmativo?

Para já tenho umas borrachas nos dentes há dois dias e estou com vontade de pegar no alicate e arrancar a cremalheira toda para deixar de me fazer aflição. Dias difíceis se aproximam. Espero ao menos ficar magrinha.

Snhiff!

O Pai Natal diz que os homens são parvos

Estava há que tempos numa incursão cibernáutica em busca de tudo o que quero para mim neste Natal, e não satisfeita, com a impressão de que me falta qualquer coisa, procurei auxílio:

- Poisoned Apple Man! - gritei da outra ponta da casa, para que aparecesse junto de mim.
- Chamaste-me?
- Chamei. O que é que eu quero de presentes para o Natal?
- Como assim?
- Preciso de dar ideias à minha mãe para que distribua as ideias pela família e a malta não apareça com presentes duvidosos.

Silêncio.

- Tudo o que houver nas lojas.

E desaparece como se tivesse dado uma resposta normal.

Informa-se o género masculino que não, as mulheres não querem tudo que há nas lojas, querem quase tudo!, o que está longe de ser a mesma coisa. Não fazem por perceber e depois dizem que não compreendem as mulheres. Solução grátis para o povo masculino: abandonar o défice de atenção habitual e eu garanto que vão perceber o que elas querem. Parvos.

22.11.10

Prémio O Inconveniente 2010

Há umas semanas, tive de ir a um velório de uma pessoa que nunca conheci. O pai de um amigo meu, o A., partiu mais cedo do que era suposto e nós, os amigos, juntámo-nos para dar um beijinho e um abraço. Nestas situações, nunca sei o que dizer, por isso opto sempre por dizer isso mesmo: não sei o que dizer. E mostro-me presente, amiga, disponível para o que for preciso, na esperança que isso baste e não me deixe em falta.

Mas o que é que dizem os estúpidos e os nervosos nestas situações? Disparates.

Quando cheguei ao velório, a cara do meu amigo deixou-me de coração partido. Nada que não esperasse. Para aliviar a tensão no ar, falou-se de cinema, de um filme qualquer, ao que eu respondi:

- Vai ver! É de morrer a rir!

Merda.

Pensamento Poisoned Apple: Por que é que eu disse isto??! De morrer a rir? Não podia apenas antes ter dito que era hilariante? Estúpida! Estúpida!

Sorriso amarelo. Segundos passam, a coisa aligeira e espero que ninguém tenha constatado a minha infeliz escolha de palavras.

Até que chega o M., cheio de boa disposição para animar o A., brincalhão do costume, mas ganhando com isso o prémio O Inconveniente 2010.

O A., com calor, tirou o sobretudo afim de remover a camisola e passou-o para os braços do M. para que o ajudasse.

- Segura aí no casaco
- Não seguro nada! Sou teu pai ou quê???!

Silêncio.

Agarrem-me que eu caio para o lado.

Neste momento pensa-se: sabemos que não disse por mal, mas vamos-lhe aos cornos ou não?

O A., sofrido, fez de conta. Nós também, mas esta cena não me sai da cabeça. Espero ao menos que o A. tenha sentido o nosso apoio e estima e ainda a noção de que não lhe faltaremos, ainda que se digam disparates.

20.11.10

Clinique - serviço público

Quem conhece este blog, sabe que não sou piquena de fazer concursos nem publicidade a marcas e serviços, excepto quando são realmente bons e da minha escolha. Esta semana fui convidada pela Clinique para um workshop com outras bloggers. Aceitei de imediato o convite porque já sou cliente, porque achei que não tinha nada a perder, mas confesso, fui um bocadinho de pé atrás a pensar que não me iriam ensinar nada de novo. Enganei-me.

Além de alguns truques de maquilhagem, descobri esta maravilha que é o Superbalanced Powder. Uma base em pó, com factor de protecção solar SPF 15, que faz exactamente o que eu quero: cobre o que é preciso e não me deixa a cara tipo boneca de porcelana. Além disso, a embalagem tem uma peça que gira e o pó que vai libertando é sempre na quantidade que eu quiser e como se estivesse novo. Adorei!

Faço esta divulgação porque nunca prestei atenção às bases em pó, por razão que desconheço achei sempre que seriam uma porcaria, que desapareceriam num instante obrigando a um constante retoque, mas é maravilhoso. É leitora deste blog e usa base? O melhor é experimentar esta! No inverno sou incapaz de sair de casa sem base e fiquei fã desta, apesar de já usar uma outra base líquida, também Clinique.

Agora é colocar na lista e esperar que o Pai Natal de chegue à frente com uma embalagem. Natural 04, sim? Eu mereço!

Mais info aqui!



Nota: antes que venham as más-línguas, não, a Clinique não pede a ninguém PUB nos blogs. Cada autor faz o que quer. Nem sequer se falou nisso.

Do you remember? #128



ABBA - Megamix

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

19.11.10

Consultório #41

"Sou casada há quatro anos e tenho um filho de um ano e meio. Temos quase 10 anos de relacionamento no total, namoro, noivado e casamento, e nesse tempo sempre fomos muito felizes. Tivemos várias brigas mas nada muito sério, ele nunca me tratou mal, sempre foi um óptimo marido, amigo, em casa nada falta, ele me dá de tudo que eu quero... enfim ele sempre foi especial.

(...) Venho desconfiando que ele estaria me traindo, mas até então eu não acreditava de verdade que isso poderia estar acontecendo, mesmo assim eu via o celular dele, na bolsa, até na gaveta de cuecas. Descobri que ele tinha um chip (...) fiquei super grilada com isso, começei a perceber que o celular dele nunca tinha histórico de ligações e quando ele chegava em casa o celular sempre ficava desligado. Fui questionar isso, ele me disse que desligava o celular para a empresa dele não ligar e pedir para ele fazer hora extra e que tinha comprado o chip para ligar paro pai dele, mas que nao ia usar mais pra nao me aborrecer.

Não acreditei nisso e continuei investigando até encontrar três cobranças de motel em sua factura do cartão de crédito (...) Fiquei louca da vida, chorei muito, briguei e ele negando tudo, como sempre. Sei que ele estava me traindo mesmo, não só pelo facto das cobranças de motel, mas pelas atitudes dele nesses últimos três meses. O meu dilema agora é o que fazer, perdoar, aceitar essa situação e viver com ele, ou me separar... nao sei, estou tao confusa.

Ele chora demais e pede para eu perdoar tudo de ruim que ele me fez, menos pelo motel, porque ele jura que não foi, até (...) registou queixa contra a empresa do cartão, mas sei que isso é cena dele, para tentar me enganar ou para ganhar tempo (...) e ele jamais iria assumir que me traiu.

Estou tão triste, meu coração está partido e não sei o que fazer. Será que existem mulheres que conseguiram passar por cima disso e ser feliz? Será que eu vou conseguir ser feliz novamente com ele? Eu o amo muito, e apesar de tudo que ele me fez, não consigo ir embora, mas quando estamos juntos só brigamos e não quero viver assim, até mesmo pelo meu filho que é tao pequeno. Nem sei como você poderá me ajudar, mas escrevi para desabafar um pouco, pois estou-me sentindo sufocada, meu coração está doendo demais (...) Eu não sei o que pensar, tenho vergonha de falar isso com alguém, acho tao constrangedor eu dizer que sou chifruda sabe...? Então guardo isso para mim e estou ficando louca! Me ajude..."

Olá B.,

obrigada pela sua mensagem.

Já escrevi várias vezes que não suportaria uma traição porque tenho consciência de que não iria saber viver com isso, no entanto, há quem tenha a capacidade de perdoar, há quem não fique a pensar todos os dias se vai acontecer outra vez e há quem consiga renovar a relação depois de uma traição.

Uma coisa é certa, quando uma mulher sente que está a ser traída, quando sente que algo está estranho ainda que não saiba porquê, é mesmo porque algo está estranho! Nisto, excluem-se as mulheres que vivem com um pé num alguidar de histeria, porque há as que acham que estão a ser traídas a cada cinco minutos e o homem não está a fazer nada, tem apenas a culpa de ter casado com uma mulher histérica.

Mas a B. sabia, foi à procura e não se enganou. Não se percebe como é que um homem engana para depois chorar rios de lágrimas. É burro. Se eu não quero perder uma coisa, por que raio vou dar-lhe pontapés? Basicamente ele terá dado a B. por garantida, achou que era mais esperto que todos os espertos juntos, que poderia fazer a vida que queria e que nunca seria apanhado. Enganou-se. Os homens são parvos, não percebem que há situações em que ainda não aconteceu nada e às mulheres já lhes cheira!

É claro que partilho da sua opinião, toda a conversa em volta do telefone e do cartão de crédito não passa de uma mentira. Tinha de ser um homem com muito azar para ter a mulher desconfiada, ficar constantemente e por acidente sem registos no telemóvel e ainda receber três cobranças de motel.

Lamento B., mas não tenho resposta para lhe dar. Se deve perdoar ou não tem de ser a B. a decidir. Pena dele não tenho, que o que merece é ficar com medo mesmo!, mas o resto está nas suas mãos. Não importa se ele chora ou arranca os cabelos, o que importa é o que a B. quer para si. Talvez algumas mulheres comentem o texto no blog e consigam dividir experiências consigo. Não tenho filhos nem um relacionamento de 10 anos, por isso e para falar sobre o seu caso a minha experiência é curta.

Eu percebo que se sinta constrangida e humilhada, afinal, uma traição é ser passada para trás e ninguém gosta de ser menos apreciado, descer de lugar quando devia ser a coisa mais importante, é sentir que outra mulher tomou o seu lugar. No entanto, a vergonha é dele, que foi ordinário, que a desrespeitou (e agora chora!) que não se preocupou com o seu bem-estar e da sua família. O que é que ele esperava? Que atitudes nefastas não tivessem consequências? Por muito que se espante, era mesmo isso que esperava. Só que ele subestimou a B. É natural que agora qualquer pormenor sem importância exploda em discussão. O problema não é o pormenor sem importância, é o pormenor do adultério que não consegue deixar de lembrar. Como isso se gere, não sei. Quando se descobre uma traição, o sofrimento está apenas a começar.

Eu apostaria sempre no diálogo, mas se ele nega o que a B. sabe ser verdade, também não lhe dá muita margem de manobra para que possa entender e perdoá-lo.

Não se esqueça que a vergonha nunca é sua, é dele.

Beijinhos,

18.11.10

Venda de Roupa e Acessórios

Já por várias vezes tenho visto vendas de roupa, sapatos, malas, acessórios e afins divulgados pelo FB. Nunca liguei nenhuma até perceber exactamente o que era e como vale a pena. Várias mulheres retiram do armários compras antigas, fruto de impulsos de uma mulher num centro comercial: roupas que foram usadas uma vez, roupas que não foram vestidas mais do que meia-duzia de vezes, as roupas que já não servem e algumas até têm etiqueta, etc. Além disto, malas, sapatos e por aí fora. Tudo em perfeito estado.

Depois disso, as amigas juntam-se numa casa, abrem as portas e o resto é comprar a preços maravilhosos. Pela primeira vez, a Dress a Dress vai estar num evento deste género, tendo para esta participação descido consideravelmente o preço de muitos vestidos (40 a 50€ de desconto).

Acho que vai ser divertido e, por aquilo que vi, as oportunidades são realmente boas.

A quem interessar, mais info no blog e no FB da Dress a Dress.

17.11.10

"Não cases"

Encontrou-me um amigo de quem gosto muito, com quem estou muito poucas vezes, e perguntou logo a matar: já casaste? E eu ri à pergunta que ele naturalmente sabia resposta.

Todos os amigos sabem que tenho muitas reservas em relação ao casamento. Estas questões não são iguais para todos, e ainda bem, mas ninguém me tira da cabeça que o casamento é o princípio do fim. Diz-se que não muda nada, que é só um papel, opinião que também partilhava, mas com o tempo percebi que realmente muda. Muda muita coisa. Dá-se a união por garantida, as pessoas relaxam-se, não se faz o mesmo esforço que num namoro, a paciência diminui e o tempo trata de enfraquecer o que antes não era fraco.

Se isto pode acontecer na mesma quando as pessoas não são casadas? Pode. Se isto é intencional? Não me parece, mas não tenho dúvidas que é o que acontece na maior parte das separações. Depois do relaxar, do encolher os ombros, do há-de passar-lhe quando toca um alarme ao qual não apeteceu dar a devida atenção , do não estou para me chatear, depois das atitudes que se têm quando se sente que o risco é baixo porque se está casado, vem o desencanto. E depois disso não vale a pena discorrer que já se conhece o caminho.

Tenho uma visão muito romântica do dia do casamento, acho tudo lindo, adorava ser a noiva por um dia, se no dia seguinte tudo fosse igual. Mas eu não acredito que seja. Gozam-me os amigos que desesperam por mais uma festa de casamento que esta bandeira é por mim hasteada com firmeza para fazer género, outros dizem que eu estou é doidinha para casar. É um diz que disse, todos têm um palpite para dar. Palpites há muitos, mas pensar que aquilo que digo possa realmente ser o que acredito e não uma verdade-falsa que esconde qualquer coisa por debaixo, nem pensar. Acho que só o Poisoned Apple Man compreende e partilha. Menos mal.

Um destes dias, no tempo de um semáforo, o homem deu-me a mão e disse um dia peço-te em casamento. Devo ser a única mulher a quem uma informação destas provocou o pensamento: sim, mas por favor que demore muito! Não é que não queira. Quero, mas mais tarde, aos 40. Ou aos 50. Quero ter os pés assentes na terra, não me quero deslumbrar, quero ter a certeza que tenho maturidade para o fazer. E não me importo de casar com cabelos brancos, para tristeza de muitas amigas.

Um dia destes, criou-se uma confusão de roda de um vestido branco. Uma amiga achou que estava para casar, desatou aos gritos, estava pronta a marcar na agenda, quando tive de explicar que não vale a pena andarem obcecados por isso. Não estamos para aí virados. O sogro pede por favor, filhos ilegítimos não, e já fomos pressionados de tal forma que saí de um jantar fininha como uma folha de papel. Depois, os mais fanáticos, dizem que é pecado, com jeito de deviam fazer o favor para os que acreditam ficarem mais descansados. No que respeita a "favores", nem quero entrar por aqui.

Bem, respondo o do costume: ninguém me tira da cabeça que o casamento é o princípio do fim. E também ninguém me diz que isto não é verdade. Dizem que é um exagero, que não é bem assim, gaguejam, mas ninguém me dá um bom argumento que mude a minha opinião. Os que vêem isto como estupidez da minha parte, tenho pena que não percebam que não levo estas coisas com leviandade, nem com um optimismo que afastará males como um dente de alho no bolso afastará vampiros: há-de correr bem! E os que pensam ela não gosta é dele, é exactamente pelo inverso que não quero casar.

E voltando ao encontro, para meu espanto, o meu amigo casado em 2008 debaixo dos meus olhos, com seis ou sete anos de namoro e uma filha de cinco anos, veio concordar comigo. Estou a sofrer dos males que temes. E eu engoli em seco.

Aquilo que antes era natural, depois do casamento deixou de o ser. A futura ex-mulher sentiu-se presa e revelou-se uma falta de maturidade para um passo que aceitou e quis dar. Aquilo que antes era natural, a sensação de obrigação estragou tudo o resto.

É claro que isto não é igual para todos, nem os motivos são os mesmos, mas eu coloco-me em causa. Eu não sei se teria maturidade para casar. Menos sei se o Poisoned Apple Man teria essa maturidade. E prefiro dizer a verdade do que fazer um investimento de risco, arrepender-me e, pior, pensar que foi aquele passo que parece não ter tanta importância e não mudar nada que estragou tudo.

Sim, quem sabe, quando tiver cabelos brancos e maminhas caídas. Aí saberei mesmo que gosta de mim e talvez seja já mais "crescida". Esta pressão é que não.

15.11.10

Senhor do Adeus

Brotaram para aí tantos textos e frases soltas sobre o João, ou Necas, ou Senhor do Adeus, que hesitei em escrever. Levei o empurrão necessário (do Poisoned Apple Man) e o que se versa por aqui, nada tem a ver com o que já se leu.

Andei ao colo do Senhor do Adeus, não sei que idade tinha a última vez que o vi dentro de uma casa. Agora crescida, num tempo em que travo guerras com o cabelo e os caracóis que me eram característicos perdem força, ao olhar-me, ele não se lembraria nunca de mim. Nunca dei trabalho à buzina das vezes que passei no Saldanha. Fazia-me impressão. Bem sei que ele gostava, que aquilo de dizer adeus às pessoas surgiu do acaso e o divertia, mas ainda assim fazia-me sentir que as pessoas gozavam com ele. E deixava-me o coração pequenino.

A mãe dele, a quem sempre chamei de Avó Minita, era a melhor amiga da minha Avó, Mª do Céu. Lembro-me perfeitamente dela, dos cabelos totalmente brancos tapados por tinta, das saias pelo joelho, das camisas de seda e dos casacos de pele no inverno. Eram as duas senhoras que nunca trabalharam, que jogavam canasta e que bebiam chá inglés todas as tardes. O cabelo, sempre igual, resistia às intempéries impecavelmente armado com laca. Elnette, provavelmente, a marca das senhoras naquele tempo.

O Miguel, primo da minha idade, lembra muitos mais episódios do que eu. A mim falha-me a memória, tenho imagens, mas a maior parte delas desfocadas. Avisou-me que existem muitas fotos, antigas, amareladas, a preto e branco, e que têm pelo menos 25 anos. Fiquei de as rever, talvez me avive a memória, talvez me faça recuar atrás num tempo em que Lisboa era tão diferente. O tempo em que todos na família tínhamos empregadas internas, o tempo dos vestidos de veludo com golas inglesas que estreava no Natal, o tempo em que eu e os meus primos estávamos sempre juntos, o tempo em que o meu pai ainda era vivo e, a minha Avó, Mª do Céu, tinha as costas direitas, a maquilhagem impecável, os anéis não escorregavam dos dedos e as cataratas ainda não lhe tinham roubado a visão dos netos.

Estive quase a chegar-me ao João, ou Necas, ou Senhor do Adeus, no supermercado do El Corte Inglés, onde ele estava tantas vezes. No corredor dos turrones, essas coisas espanholas que fazem parte da minha vida desde que nasci e desde que a Avó do Céu casou com um médico espanhol, o meu Avó que nunca conheci, e foi ali que pensei: vou ou não vou? E não fui, mas hoje arrependo-me. Dir-lhe-ia olá. Sorriria para ele. Diria o meu nome acompanhado do apelido que o João identificaria sem sombra de dúvida e, para que não lhe restassem dúvidas, identificar-me-ia como neta da Avó do Céu, a quem ele talvez chamasse de avó, como eu fazia com a mãe dele. Mas não fiz nada disso, decidi-me por não dar um passo em frente, continuei as minhas compras, talvez com medo de que o passado me mordesse, com medo de o importunar, com medo que ele pudesse não gostar. Mas arrependo-me.

Provavelmente emocionar-se-ia, talvez me desse um abraço. O Miguel diz que depois da morte da Avó Minita, a pessoa de quem ele mais gostava no mundo, perdeu-se de tal forma que acabou por passar a dizer adeus a quem passava no Saldanha, tudo para espantar a grande senhora, como chamava à solidão. Aos oitenta, viu-se sem a mãe e sem os amigos, quase todos enterrados na terra ou enterrados nos quartos, em casa, os que permanecem vivos. Não faço ideia o que terão sido os seus Natais ou os fins-de-ano. Não sei onde passava o verão, apenas sei, porque li, que aos Domingos ia ao cinema com amigos que entretanto fez. Não sabia nada dele, apenas o que via no Saldanha.

Escreve-se, por aí, dada a homenagem que se viu no Saldanha, que o povo português afinal é um espectaculo, afinal têm todos coração, viva o país emocionado e dedicado! Pena que a dedicação só aconteça depois do rigor mortis. Até comigo. Afinal, a mim também só agora me dá a pena de não ter dado um passo em frente, de faltar-lhe com um olá, se calhar estúpido. Ou então de estúpido não tinha nada e mudava-nos o rumo de um dia entre prateleiras do supermercado do El Corte Inglés.

Fiquei em falta, não me lembrei que todos vão parar à cova e nunca me lembrei que talvez aquele tivesse sido a minha, ou nossa, última oportunidade.

13.11.10

Do you remember? #127



Tim Moore - Yes - 1985

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

12.11.10

Consultório #40

“(…) Em Abril do ano passado descobri que o meu marido tinha um caso. Ele negou sempre tudo até que um dia apanhei-o a entrar para um hotel com a pessoa com quem andava. Na altura resolvi dar uma oportunidade (que diga-se que ele nunca pediu), eu achei que aquilo era uma tentação à qual ele cedeu e que as coisas poderiam resultar na mesma se tentássemos. (…) As coisas pareciam correr bem, ele marcou o final do ano num dos sítios que mais gostamos (Paris) e uma semana depois do final do ano, chegou a casa e disse que queria separar-se.

(…) Através de uma rede social, e apesar de não ser "amiga" dele nessa mesma rede, sei que ele está com uma pessoa (não é a mesma do caso), tem como foto de perfil essa pessoa, e os comentários são cheios de "Amo-tes” e “vamos ser muito felizes”, comigo nunca ele fez tal coisa. Neste momento não há absolutamente nada que me preencha, até voltei a estudar para ter a mente mais ocupada, mas só penso em como é possível ao fim de tão pouco tempo de se ter terminado um casamento e uma relação de anos, já se ter uma relação séria com alguém, e fazer juras de amor públicas?

Eu não sei como é possível, porque eu ainda o amo muito, apesar disso tudo, acho que ele é o amor da minha vida, que nunca irei encontrar alguém que me faça feliz como ele fez (porque fomos muito felizes até essa situação acontecer). Existem até mesmo alguns homens que mostram interesse em sair comigo, mas eu neste momento só quero estar em casa, e nenhum deles me interessa. Eu até digo a brincar que se o Brad Pitt me aparecesse à frente eu não queria nada com ele. As minha amigas não compreendem porque ainda gosto dele após toda a humilhação que ele me fez passar, e sinceramente eu também não.

Quero questionar acerca do facto de ele ser uma má pessoa (para ter exemplo põe fotos com a namorada e ao mesmo tempo envia-me SMS a dizer-me que me ama e pergunta se quero voltar para ele). Eu continuo a pensar nele e a amá-lo e a achar que só serei feliz com ele (o que sei que é irracional)”.

Olá A.,

O meu melhor conselho: fuja desse homem! Ele próprio deixou bem claro que não presta e que não combina consigo. Se se coloca todas essas questões, é porque é uma pessoa bem formada, sabe o que quer, o que é certo, o que é errado, o que é respeito e, sobretudo, sabe que não quer o que ele tem para oferecer.

Não acho mal que tenha perdoado a traição. O facto de eu achar que na sua situação não conseguiria fazê-lo, não significa que não exista quem tenha capacidade de deixar essa marca atrás das costas e agarrar um novo recomeço. Tentações acho que todos os casais têm em algum momento da vida, mas a diferença entre uns e outros está em saber se vale a pena ou não, se o casamento e o amor que se tem é prioridade ou não, se a parte tentada, neste caso o seu ex-marido, se pensa só nele ou não. Apesar de poder estar enganada, sempre achei que nestas coisas de adultério, o que custa e provoca medo é a primeira vez, depois dessas outras nascem a pontapé. E isto faz-me perguntar - e não se ofenda, por favor - se esta vez que o apanhou foi de facto a primeira vez que ele a traiu.

Não sei se ele justificou a traição, não me diz, mas sei de um caso em que aconteceu depois de a mulher ser mãe e pura e simplesmente se esquecer do marido. Deu tudo por garantido, achou que não tinha mais de lutar pela relação e ele ficou sozinho embora casado. Com o tempo, depois da tristeza surgiu um interesse, alguém que se interessou e acabou por se apaixonar. Sei que esse não é o seu caso, no entanto, e embora isto seja duro de ler, continuo a achar que quem gosta realmente não se "distrai" nem cai em tentações.

Por alguma razão para ele a relação não estava a funcionar e não foi honesto consigo, mas ao marcar a viagem para Paris, tudo leva a crer que ele tentou dar continuidade à relação e depois disso percebeu que já não era possível. Mas isto são suposições, não tenho como saber se corresponde à verdade.

Não tenho como perceber como algumas pessoas usam as redes sociais para contar a sua vida pessoal aos outros. Tenho algumas fotos com o Poisoned Apple Man, porque ponho fotos das nossas viagens, mas não há entre nós juras de amor eterno, nem "comprometida com", nem coisa nenhuma que não seja paródia e gozação. Ainda no outro dia escrevi, correndo o risco de ser "eliminada" por muita gente, que as pessoas que discorrem sobre a vida pessoal nas redes sociais são as que sempre considerei menos inteligentes. Acho constrangedor e estúpido.

Também antigos namorados fizeram e fazem com outras namoradas coisas que não fizeram comigo. Como me explico isto? Encaro a dolorosa realidade: não gostavam assim tanto de mim. E isto não significa que seja pior pessoa por isso, simplesmente não acontecia. Como diz, há pessoas que se interessam por si e não quer saber delas. Como explica isso? Simplesmente não tem interesse. É horrível não sermos correspondidos, oh se é!, mas quando não acontece não há nada que se possa fazer e isto é válido para ambos os sexos.

O tempo de luto não é igual para todos, mas é necessário. É preciso que chore, que aceite a desilusão, que deixe passar o tempo e, mesmo achando que não vai voltar a gostar de ninguém como dele, acredite que vai acontecer, porque eu confio que alguém merecedor da A. vai aparecer um dia. Um gajo que se divide por todas não interessa a nenhuma! A A. quer algo mais profundo do que o seu ex-marido lhe deu, isso é claro, ainda que tenham tido momentos de felicidade.

Não percebe como é possível que ele se mostre assim envolvido quando a A. diz que não seria capaz por estar ainda tão envolvida. Por mais que isto custe, é fazer contas: se ele consegue, é porque não se importa. E o melhor é encarar a realidade que no início custa horrores, mas depois vai custando cada vez menos.

O facto de ele lhe enviar SMS a dizer que a ama e pedindo-lhe que volte, é o maior sinal de alarme. Lembre-se sempre: pelas costas dos outros vejo as minhas. Se ele a traiu, vai fazer o mesmo com outras; se ele lhe envia SMS, deve enviar a outras também. Provavelmente, gosta de ter todas as mulheres pelas quais passou pelo beicinho e isso não significa que goste de si ou delas. Gosta é dele, tem de encher a barriga com respostas que lhe digam o quão bom e irresistível ele é e espetar as penas de pavão ao espelho. O meu melhor conselho é que corte totalmente o contacto. Não pense que nestas situações a pior coisa que uma mulher pode fazer a um homem é mostrar-se enfurecida. A melhor estratégia é mesmo deixar de responder, deixar de atender, desaparecer do mapa. A pior coisa que pode fazer a um homem não é dar-lhe uma certeza, é deixá-lo em dúvida. Fazê-lo pensar: o que aconteceu? Já não gosta de mim? Conheceu alguém? Mudou de número? Estará viva?

Serei sempre adepta do silêncio, tem um efeito priceless. A sério, detesto homens de merda...

Muito força A., que merece muito mais que nada, porque no fundo o que ele tem para lhe dar é mais do mesmo. E já teve a sua dose de sofrimento, certo?

Beijinhos,

11.11.10

Questões pertinentes #30

Ora então, quem conhece uma nutricionista do caraças, daquelas que mudou a vida a alguém, que descobriu que uma criatura era intolerante a alguns alimentos, que percebeu que para alguém em particular o melhor era comer alimento X durante o dia e nunca à noite, e todas essas coisas malucas que diferem de pessoa para pessoa e só quem sabe é que descobre?

Ou então, quem sabe tenho uma nutricionista leitora, uma jóia de pessoa que queira ajudar esta piquena sem rumo.

Acredito sinceramente que há mais para aprender além de comer legumes e fazer ginástica.

Agradecida!

PS - De preferência que não me levem o couro e o cabelo. O último sítio onde perguntei levavam 65€ por uma consulta.

10.11.10

Estarei condenada ao constrangimento?

Daquelas coisas que um gajo não se lembra, ou não espera, é receber duas clientes e dar de caras com uma antiga colega de curso e uma amiga, por sua vez namorada de um amigo dos tempos de escola. Complicações. A capital é um penico.

E tudo ia bem nesta enorme coincidência quando uma delas me diz divertida: “tu é que és a Poisoned??! Eu leio-te há anos! Adoro aqueles posts em que dás puns com o teu namorado! Farto-me de rir!”.

Deus acuda que a vergonha é gasosa e qualquer dia mata-me.

8.11.10

Constrangimento social

Deu-se-me uma dor de barriga durante a manhã, corri para o WC, deixei lá uma jibóia e voltei para o meu lugar com a sensação de ter perdido um quilo. Ou quilo e meio, agora que penso nisso.

Acabo de me sentar na cadeira, levanta-se o meu colega coninhas-tudo-mete-nojo e vai direito ao mesmo WC.

Preocupação: que horror, vai pensar que sou uma cagona!

Não disse nada, mas eu e ele sabemos os dois que sabemos. É muito difícil para uma senhora viver com a imagem suja de castanho. Esta nódoa não sai.

6.11.10

Do you remember? #126



Simply Red – Stars - 1991

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

5.11.10

Consultório #39

“Descobri que o meu namorado de 8 anos é mentiroso compulsivo! Sim! Deve perguntar-me «o quê? 8 anos e não deste por nada!». Sim, dei, fui-me apercebendo, mas achava mentirinhas piedosas para me conquistar e acabava por perdoar! Agora arrependo-me, mas não conseguimos mandar no coração quando amamos. Não consigo passar um pano e mandá-lo dar uma volta por tudo o que vivemos, tudo o que partilhamos, e todas as dificuldades ultrapassadas! Perdoei sempre, não gosto de ser má. Mas uma coisa frisava bem: NÃO SOU ESTÚPIDA!!! Mas no fundo não percebia nem percebo porque é que ele inventava e inventa. Nada fazia mudar o meu sentimento por ele! Será trauma de infância?

É muito querido para mim, humilde, prestável, trabalhador, tem é a mania da perfeição. Mas é cada história que ele inventa..!, enfim sinto-me sem forças. Após muita pesquisa na net, chegámos à conclusão que tem essa doença! Ele sofre muito e eu também! Pediu-me ajuda, não o quero abandonar agora, apesar de me sentir muito magoada. Não é bom para a nossa relação andar sempre desconfiada, mas ando desconfiada e não páro até descobrir tudo. Quero paz, quero ser feliz, quero ser amada e amar sem receio! Marcámos uma consulta para o psiquiatra. Devo ou não ajudá-lo?”

Olá P.,

Obrigada pela sua mensagem.

Por favor não se ofenda, mas faz-me sempre alguma confusão quando as pessoas me escrevem à procura de uma resposta que já as próprias deram. Não sei se o que procura é aprovação ou um milagre, mas a resposta já foi dada por si.

Não me espanta que não tenha percebido imediatamente o problema do seu namorado. Tendo a achar que quem está mais perto é mesmo o último a saber. São acusações/afirmações/diagnósticos tão graves que uma pessoa tende a negar até que já não o pode fazer mais. Se tem sentimentos pelo seu namorado, é óbvio que quer e sente necessidade de o ajudar. Também é óbvio que não tem como passar uma borracha e esquecer tudo o que aconteceu. Nem eu me esqueço de coisas do dia-a-dia que não gostei e não têm essa gravidade, quanto mais no caso da P.

Sou a pior pessoa a quem poderia perguntar razões para tal desvio comportamental. Não compreendo os ciúmes, a anorexia, nem a mentira compulsiva. Sou demasiado analítica e racional para compreender esses distúrbios que não consigo deixar de olhar como sendo uma opção. Já a tristeza e a depressão não vejo como escolhas, não vejo que passem por uma opção. Com isto não quero dizer que há muitos doentes com desvios comportamentais que não passam de figuras de “teatro”, nada disso! Estou apenas a dizer que está para lá da minha faculdade de compreensão.
A internet diz muita coisa e grande parte dela não corresponde à verdade, por isso não se pode dizer que o seu namorado tem um distúrbio até que seja clinicamente diagnosticado. Com isto também não quero dizer que ele está a inventar e não tem problema nenhum, mas conheço uma pessoa que mente por tudo e por nada, já perdeu amigos e família e não acho que ele tenha uma doença, acho apenas que é estúpido, frustrado e não se importa com aquilo que provoca. Se isto constitui doença ao contrário do que eu opinino, não sei. Mas este nunca foi a um médico e já está bem entradote.

Se gosta do seu namorado, claro que deve ajudá-lo, mas garanto por experiência própria que é cansativo, desgastante, às vezes vai querer desistir, às vezes vai achar que tudo está a melhorar, outras vezes vai pensar que é um esforço inglório e, nesses altos e baixos, poderá desencantar-se, perder o amor por ele e desistir. Isto aconteceu comigo. Não quero com isto dizer-lhe que vai acontecer consigo, mas quero que saiba que existem outras experiências bem extenuantes no que respeita a ajudar alguém.

Siga o seu coração: se achar que quer ajudá-lo, ajude; mas se chegar a um ponto em que não aguenta mais (como eu), tente não se sentir culpada por isso e siga a sua vida.

Beijinhos!

3.11.10

Austeridade

É palavra na ordem do dia. E qualquer dia será assim:





Mas a propósito deste vídeo colocado no FB de um amigo, o que interessa é o seguinte comentário:

"Está bem visto! Mas as mulheres têm tantas ranhuras que um gajo vai acabar por gastar mais!"

1.11.10

Das gripes

Foram menos de quinze dias em que ele ficou doente por três vezes. Eu, vítima de amigdalites por repetição, experiente em tratamentos de penicilina e rabos doridos, fugi dele como o Diabo da cruz, mas sempre acompanhada de uma sensação de impossibilidade duradoura que me moía.

E arrastava-se o pequeno com um ar muito sofrido, solicitando miminhos que eu não podia dar, mas dos quais também sentia falta. Não sou do tipo pegajoso, melosa que enjoa, mas gostar é gostar e há coisas que fazem parte. Comentei:

"Andamos nesta proibição em sofrimento e há casais que não se tocam. Não falo de sexo, mas achas mesmo que há casais que não dão beijinhos na boca todos os dias?"

Ele diz que sim.