30.10.10

Do you remember? #125



Prefab Sprout - Cars And Girls - 1988

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

29.10.10

Passo pelo blog da Pipoca...

... e leio um texto que versa sobre gente estúpida. E má, vá, temos de dar nome aos bois, gente carregadinha de maldade. E olho à volta e também vejo gente estúpida, tão estúpida que ocupa a vida a arranjar sarilhos e, às vezes, em prejudicar-me a vida. Fora do blog, claro está.

E depois li nos comentários uma pequena (muito pequena) de nome Maria, que diz o seguinte:

"é verdade que só és jornalista por causa do teu marido (...) ele que te sustenta. É só com o teu ordenado que viajas tanto e vais às compras como se não houvesse amanhã? É óbvio que és sustentada por ele (...) E se as pessoas forem aos arquivos do teu blogue, vão notar a enorme diferença da Pipoca pobre, para a Pipoca rica (...) Ficaste incomodada com alguma coisa?
Tipo, que se saiba a verdade sobre ti? (...) Fartas-te de apregoar que o teu amor é lindo e blá, blá, bla, mas uma pessoa enamorada não é tão agressiva (...) Claro que não vais admitir no teu blogue que casaste por interesse e não por amor. Nem ninguém estava à espera de uma confissão tua, pequena pónei".


E fico parva.

Há coisas que lido mal na vida. São elas: estupidez, ignorância e burrice. E aparece-me esta tipa debaixo do nariz com todas elas juntas.

Hoje passei pelo local de trabalho de um amigo, pensei e decidi não lhe fazer uma visita. Há lá gente de merda, não gosto de remexer no entulho, e tenho horror a malta que não presta. Assim, fiz o que sei fazer muito bem: afastei-me e segui com a minha vida.

Cara Maria, siga com a sua vida também. Procure um coração dentro de si, deixe que a Pipoca seja sustentada, que faça do marido um escravo e que não tenha onde guardar sapatos. Deixe lá isso e arranje que fazer que você é daquelas pessoas a quem eu desejo hemorróidas vitalícias e corrimento vaginal. Também vitalício.

Se há coisa que me revolta na vida é a maldade. E mesmo que no fundo saiba que a Pipoca não é o que apregoa, dá-lhe gozo irritá-la, andar de bate-boca a ver o quanto ela se defende. Isso tem um nome: maldade. Só que o que a Maria não se lembra é que o mal que fazemos aos outros volta sempre para trás. Então, quando estiver na merda, lembre-se que é castigo pelo que fez à Pipoca e pelo que, certamente, faz a outras pessoas. A Maria é todo o género de quem vibra com intrigas e o mal alheio.

Mas agora que penso em si, e apesar de pensar que partes de um homem lhe faziam falta, o que na verdade lhe faz falta é amor. Pelos outros, porque por si tem de sobeja. Acha-se o máximo e dona da verdade. Mas uma mulher que fala assim sobre um amor alheio é porque não tem quem a ame de verdade, é uma realidade que desconhece porque de outra forma o identificaria.

E aqui está. Este é o seu primeiro castigo, a falta de um amor de verdade.

Nota: este não é um texto sobre a Pipoca nem serve para a defender, que ela sabe fazê-lo. Este é um texto sobre gente má.

Consultório #38

"Estou a enviar-lhe um e-mail porque costumo visitar o blog com alguma frequência e sinto que é alguém a quem podemos expor as nossas dúvidas e ter a certeza que tentará ajudar no que puder. Tenho 18 anos e estou numa situação que, apesar de saber que não sou a única, é o que sinto. Acontece que sou bastante reservada, não gosto de sair à noite e de ir a festas como a maioria dos jovens da minha idade gostam. Não consigo estabelecer facilmente conversa com quem não conheço e, por vezes, sei que isso transmite uma imagem pouco apelativa e algo anti-social.

O que se passa é que nunca tive um namorado e, portanto, nunca beijei ninguém. A minha melhor amiga estava na mesma situação que eu até há dois anos e compreendíamo-nos mutuamente, uma vez que ambas nos sentíamos mal com a situação. Entretanto, também ela arranjou um namorado, perdeu a virgindade e eu senti-me sozinha. A verdade é que nunca conheci mais ninguém que, com a minha idade, nunca tivesse beijado um rapaz. Por vezes pergunto a mim própria, será que sou assim tão pouco desejável que nenhum rapaz queira estar comigo? O facto de ser magra e não ter praticamente peito também contribui para que me sinta, por vezes, infeliz comigo própria.

Sinto-me deslocada e sinto falta de sentir que também eu tenho direito aos miminhos de um namorado. Não quero parecer desesperada, mas por vezes sinto-o. Não sei o que há de errado comigo quando todas arranjam namorados à minha volta e eu não. Por vezes sinto-me sozinha. Sinto que o meu coração está cheio de amor para dar mas ninguém o quer receber. Tenho todo o amor da minha família, isso é verdade. Mas o amor da família não preenche a falta de um amor que uma mulher pode sentir por um homem (e vice-versa).

Desculpe se a macei".

Olá M.,

obrigada pela sua mensagem.

Vou começar por lhe contar já uma coisa: não gosto de sair à noite! Quer dizer, gosto de ir ter com alguns amigos, jantar fora, ir até casa deles, quem sabe beber um copo em alguma esplanada, mas discoteca... não tenho paciência! Já tive, a idade era outra, as emoções eram também outras, e agora dificilmente me arrancam de casa para isso. A última vez que fui a uma discoteca foi em Dezembro de 2009, na despedida de solteira de uma amiga. Nunca mais me apanharam num sítio desses. Eu até posso gostar de dançar uma horita, mas rapidamente me farto do ambiente e de ter de falar aos gritos. Se é uma festa de alguém, vou; se é para ir aproveitar o tempo e divertir-me, prefiro outras coisas. E ainda tenho muitos amigos que partilham da mesma opinião. Por isso, não se sinta excluída! Está longe de ser a única.

Do meu grupo de amigas do tempo de escola, que se mantém até hoje, fui a última a dar um beijo na boca. Compreendo a sua sensação, agravada por ter já 18 anos, mas não é o fim do mundo. Tenho a certeza (e peço que comentem) que outras leitoras terão histórias semelhantes para contar. Cada um tem as suas características de personalidade, a M. é mais tímida e reservada e provavelmente dá mais trabalho a que uma pessoa se aproxime de si, mas isso não é defeito!, é apenas uma característica. Eu não dou confiança a ninguém que não conheça, tenho fama (larga fama) de antipática e sempre dei muito trabalho aos homens que se quiseram aproximar de mim. No entanto, tenho histórias para contar. A M. também terá certamente, as coisas ainda vão começar para si.

Claro que compreendo que seria mais fácil quando a sua amiga partilhava estas coisas consigo. Era um apoio, era alguém que a compreendia, agora sente-se mais sozinha e quase envergonhada, mas acredite que não há motivos para isso. Acredito é que a M. viva numa concha e precisa de se soltar, gozar mais a vida, o que não é sinónimo de ir a discotecas, por isso não tem de se ralar. Há um mundo para além disso.

Se é magrinha, está cheia de sorte! Sabe quantas mulheres dariam o cabelo para ter o seu peso? Se tem menos maminhas, digo-lhe o seguinte: que sorte! Não queira ter umas maminhas grandes que não vale a pena. Há roupa que não serve (fica bem na cintura mas não aperta no peito), roupa que fica mal e é tão gira, os vestidos têm geralmente de ser apertados na cintura e é mais uma despesa, as maminhas fazem uma pessoa parecer mais gorda do que é, comprar um bikini é um dilema... esqueça isso. Nem sabe o que eu dava para ter menos maminhas. Mas mais do que estes incómodos, deve lembrar que ninguém deixa de gostar de ninguém porque é mais magro, porque tem mais ou menos maminhas, porque usa óculos ou porque tem uma cicatriz no joelho. Então e como fazem os casais quando as mulheres têm filhos, ficam disformes e com as maminhas moles? Vão abandonar a mulher por isso? Essas coisas não são tão importantes como julga.

Também muitas vezes me senti deslocada e não foi há muito tempo. De um lado tinha os amigos casados, com filhos e outras vidas; de outro lado tinha os amigos que ainda conseguem passar os tempos livres na noite, a viver de casos esporádicos e uma vida que não lembra a ninguém. Eu sentia que não encaixava em lado nenhum, também me senti deslocada, mas foi uma fase que passou, e por isso estas coisas têm esse nome: fases. Todos passámos por algo semelhante na vida e cá andamos para contar a história.

Acho sim que se sente em baixo, que talvez revele alguns problemas de auto-estima e a minha melhor recomendação para isso é psicoterapia. Ter alguém que lhe conduza o pensamento, que a faça ver que vale mais do que pensa, que os atributos físicos não são questão, e aos poucos, alguém que a faça acreditar mais em si própria. Daí, vai crescer em si outra energia para a vida. Quando isso acontecer, eu garanto-lhe que as pessoas se vão começar a aproximar de si. Pense nisso e lembre-se que também não é vergonha nenhuma procurar um profissional para melhorar a sua vida.

Cabeça para cima que não é diferente dos outros!

Beijinhos,

28.10.10

Serviço público - que piteuzinho!

Correndo o risco de a malta vir comentar anonimamente que este blog está uma bodega, que agora é vestidos e cabelos, blá, blá, blá, tenho de prestar este serviço público:

Os livros de receitas da Bimby aqui! Gritem todas comigo!

Obrigada Lena!

Nota: após leitura deste post a minha coxa grossa duplicou. Pensem duas vezes antes de clicar no link!

27.10.10

Verdade #66

Ia no trânsito quando pensei que em tanto tempo nunca encontrei ninguém que combinasse tão bem comigo.

E estiveste sempre à minha frente.

25.10.10

Como fazer dinheiro do fim de uma relação

Ele há ideias do catano! Há malta nos Estados Unidos que tem umas ideias que não lembram a mais ninguém, mas há que dizê-lo, são geniais pela sua invulgaridade.

Ficou noiva uma eternidade e nunca chegou a vestir o vestido? Ficou pendurada no altar? Depois de lhe pedir em casamento descobriu que andava a dormir com a sua gata? Descobriu que ele afinal tem outras perferências sexuais? Venda tudo!

O www.exboyfriendjewelry.com é um site criado por uma norte-americana que teve a ideia de criar uma espécie de Ebay para corações partidos. O objectivo deste negócio é desfazer-se de tudo o que tenha a ver com o estupor que lhes partiu o coração, promovendo desta forma um passo importante: deixar para trás o que ao passado pertence.

E cada peça que vai à venda tem alguma história nela:

“I was engaged for about 16 months. I then discovered he had other girlfriends and quickly cut my losses”.

“I had known the guy since middle school and we had been engaged for about 6 months when I decided to come home early from work one day. Our apartment door was locked (which is totally out of the ordinary) and when I walked in he was making out with his manager on MY couch”.

“Wedding dress bought... wedding never happened. Sure, I'll get married some day... but I can guarantee you it will not be in this dress!”

“I had brought my Wedding dress 3 months after our engagement. I then moved in with my fiance (which turned out to be a BIG mistake). As soon as I moved in, he started acting differently and not like himself. He had a VERY bad temper and would punch holes into the walls of our house. I tried everything to keep the relationship together with NO luck. Finally the day after Thanksgiving he was completely rude. After he yelled and cussed me for what seemed like forever, I threw my hands up on the relationship and walked out. I couldn't allow myself to married a guy like that”.

“Blah, Blah, Blah, Blah, Blah...We've all heard the story...Great guy, in love, marry, oh, wait, NOT a great guy, really an as*&^%”.

O que não faltam neste site são aneis de noivado. Se a moda pega por cá….

23.10.10

Do you remember? #124



Toto – Africa - 1982

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

22.10.10

Consultório #37

"Querida Maçã de Eva,

Durante as férias naquele ambiente da noite fui para a cama com um rapaz que mal conhecia e nem sequer sabia o nome, apesar de o clima já ter começado a sentir-se na praia no mesmo dia.
Depois dessa noite ainda voltámos a estar juntos mais umas vezes e como era de esperar ele pensa que eu sou uma pêga, o que não é verdade até porque foi a primeira vez que me comportei assim. O problema é que ele tornou-se importante para mim e eu não sei como lhe explicar que não sou como ele pensa que sou. E também não quero que ele perceba o quão é importante para mim porque ele já tem um ego demasiado elevado e eu não quero dar parte fraca.

P.S.: Eu era virgem mas ele não notou nem é para alguma vez saber.

Por favor, ajuda-me. Obrigada"


Olá M.,

vou dar resposta à sua mensagem, apesar de nunca me ter respondido qual era a sua idade, pois nesta matéria era importante.

O ir para a cama com alguém no dia em que o conhece não era algo que pudesse acontecer comigo, o que não significa que esteja errado. É simplesmente uma opção. Para mim seria impossível, que ligo o sexo ao coração, mas conheço algumas pessoas que o fazem ou já fizeram e não lhes deixo de falar por isso, ainda que seja algo com que não me identifico de todo.

Mas escreveu-me uma frase muito importante: "como era de esperar ele pensa que eu sou uma pêga", ou seja, não só tem perfeita noção de que há um risco de uma conotação desagradável numa escolha dessas, como diz "como era de esperar". Por outras palavras, não esperava outro sentimento por parte dele que não este, no entanto foi em frente. Apesar de eu não poder afirmar que foi uma escolha errada, socialmente posso dizer que há muito boa gente que pensa assim. Diz-me que por causa disso passou a ser olhada por este homem como uma pessoa de cama fácil, rapariga para diversão e não para relacionamento sério e não está enganada nesse sentimento.

Mais me espanta ter perdido a virgindade nestes termos o que, apesar de ser uma decisão sua e que a si diz respeito, não posso deixar de dizer que sinto alguma "pena" por não tê-lo feito de outra forma. Seria muito mais mágico e inesquecível se tivesse optado por dar esse passo com alguém por quem tivesse sentimentos e que tivesse sentimentos por si, mas isso é algo que só vai compreender quando se envolver com alguém por quem tenha sentimentos.

Diz que ele está errado e que a M. não é quem ele pensa porque nunca se comportou assim. Mas quando não teve experiências anteriores, como pode saber quem é sexualmente? Ou seja, a M. não se conhece nesta matéria, esta é uma nova fase da sua vida, como pode saber como é na verdade? Isso dir-lhe-á o tempo.

E como espera que essa pessoa saiba a verdade se não lhe contar? Espera que adivinhe? Por obra e graça do Espírito Santo? Parte de nos tornarmos adultos sérios é sermos inteiramente honestos com outros e sobretudo connosco próprios. É ir à luta pelo que queremos usando todas as armas, e essas armas não são omissões e estratagemas, são simplesmente a sinceridade. Não espere que uma relação amorosa lhe corra bem e lhe proporcione um sentimento de vida preenchida se esconder factos importantes da sua vida. Por que raio não haveria de poder contar a verdade? Acha que a omissão é um bom ponto de partida? Recomendaria isso a alguma amiga? Espera que alguém mude a atitude para consigo se não puser cartas na mesa? Para que ele mude e pense de outra forma, a M. terá de mudar também, contando a verdade. Não espere receber nada se não der também.

Há outra frase que me parece ser muito importante: "não quero que ele perceba o quão é importante para mim porque ele já tem um ego demasiado elevado e eu não quero dar parte fraca". Cara M., quando temos uma relação séria a outra parte sabe que é importante para nós e vice versa. Sem isso não há relação. Pense comigo, numa relação que conhece e admira, essas duas pessoas escondem que gostam uma da outra ou é algo tão do conhecimento público que às vezes até enjoa?

E também, coloca imediatamente um defeito nele, "tem um ego demasiado elevado". Ou seja, o ego dele é tão grande que a faz sentir diminuída, o ego dele é tão grande que sente que se for honesta estará a dar parte fraca, o ego dele é tão grande que sente apenas que vai ser gozada e, no fundo, duvida que vá ser correspondida. Nesse sentimento que acredito que possa ser verdade, procura pós e mezinhas para dar a volta à situação, obter o que quer, mas tudo sem dar de si, a tal "parte fraca". Se ele a achar fraca, acha que é sinal que gosta de si?

Quando há sentimentos verdadeiros não há partes fracas. Parece-me a a M., é muito "verde" nestas coisas de amores, o que não tem mal nenhum nem faz de si pior pessoa. Todos começámos por algum lado. No entanto duvido que vá obter aquilo que procura por uma razão simples: em nada do que me escreveu me parece que exista outra intenção da parte dele que não alguns momentos de diversão. Mas a única forma de saber a verdade é pôr cartas na mesa e ser completamente honesta. Depois disso, é esperar para ver e espero sinceramente que seja correspondida, mas por aquilo que me contou aconselho-a a ter expectativas baixas. E se a resposta dele não for de encontro aos seus desejos, lembre-se que não há vergonha nenhuma na sinceridade dos seus sentimentos. A existir vergonha, ela estará apenas na resposta que ele lhe der e na forma como vier a responder.

Também não posso deixar de lhe dizer que, mais do que gostar desse homem, parece-me que a M. criou uma ligação da qual não quer desitir porque foi com ele que perdeu a virgindade. Pense nisso. Gosta mesmo dele ou sente que lhe pertence porque perdeu a virgindade com ele?

Beijinhos,

21.10.10

Eis uma estratégia de marketing mal pensada!

Mail enviado à Vodafone

Exmos. Senhores da Vodafone,

ultimamente tenho recebido publicidade via... SMS! Não há nada que os tempos não mudem.

Apesar de apreciar a iniciativa, não estou interessada. Gostava eu que o telemóvel fosse mais sossegado, mas não o sendo, não se ofendam, mas não estou interessada num volume de contactos acrescido de publicidade.

Agora mesmo recebi publicidade dos cabeleireiros Moreno. Como posso evitar este serviço?

Grata,

Poisoned Apple

Nota: este tipo de publicidade é bom para a pequenagem, por exemplo, promoções de menus no McDonald's. Menores de idade e com pouco que fazer é o melhor target. Ninguém vai aparar os pêlos ao cabeleireiro Moreno porque recebeu um SMS. Ainda por cima é careiro.

20.10.10

Sobre as entidades patronais

Nota: este texto foi enviado para a sede do PS

Este post é um desabafo. Ando transtornada com as entidades patronais deste país. Um destes dias fui a uma entrevista num conhecido Hospital em Lisboa, um posto de trabalho a ser ocupado por seis meses para substituir uma baixa de parto. Depois disso, o desemprego.

E detesto pessoas estúpidas. Mais, detesto de morte o patronato que acha que pode pôr e dispor dos empregados. E queriam eles pagar miseralvelmente a quem fosse trabalhar por apenas seis meses. E afirmavam e sublinhavam que era trabalho de muita responsabilidade. Mas todo esse trabalho e toda a responsabilidade era paga miseravelmente. E perguntavam da disponibilidade horária, o horário é das 09h às 18h, mas é claro que nunca é nada disto! O desplante. Ou seja, muito trabalho, muita responsabilidade, trabalho de sol a sol, pago miseravelmente. E a minha vontade era perguntar se não tinham vergonha na cara, em procurar um licenciado com experiência, pedir-lhe que abdicasse da vida pessoal, que passasse a viver para trabalhar, tudo a troco de menos do que ganha à hora uma mulher a dias.

Não compreendo a ligeireza com que neste país se assina um contrato por um trabalho de oito horas diárias, esperando, obrigando, a que o trabalhador faça muito mais horas que isso sem receber mais um chavo. As pessoas não têm outro remédio senão aceitar estas condições e a medida dos empregadores generaliza-se. É vergonhoso.

E perguntavam-me se tinha formação em audiovisuais. Bem respondido seria: criatura de Deus, leste o meu currículo? A minha licenciatura é a descrita, a experiência é a descrita também. Amor, não leste o meu currículo. Está aí alguma referência a audiovisuais? Então é porque não tenho. Mas queres alguém ainda com formação em finanças? Contabilidade? Recursos humanos? Lava-retretes? Esperam que a pessoa faça tudo. Eu faço de tudo, mas não faço tudo, porque tenho apenas uma licenciatura.

Para trabalhar neste Hospital, teria de abdicar da minha vida pessoal, não podia contar com fins-de-semana certos, nunca saberia a hora de saída, andaria sempre estoirada, sonolenta, irritadiça. O ginásio ia à vida, ficaria gorda e, consequentemente, mais frustrada. Depois disso, infeliz. Os fins-de-semana, os que tivesse, seriam gozados a dormir. Aos poucos, abandonaria momentos com os amigos, com a família, a minha relação deixava de ser prioridade. Chegaria tarde a casa, exausta, irritada, acabaria de jantar sem quase conseguir falar, deixava de conversar, instalava-se um afastamento discreto. Filhos nem pensar.

Depois a separação. Cada vez mais acredito que os divórcios começam aqui, na falta de tempo e, quando o há, não é de qualidade, não pode nunca ser, pois está para lá das capacidades de uma pessoa.

Esta é a vida que os empregadores esperam que tenha, a troco de uns míseros euros. E eu pergunto-me como fazem então os países (muito mais ricos e eficientes) onde existe bom senso, onde a regra das oito horas funciona (8h x 3, para trabalhar, para a vida pessoal e para dormir), e onde a hora extra é paga ao cêntimo. Do outro lado do mundo, o meu “cunhado” está satisfeito com o que ganha, é pago pelas horas extra que tem de fazer, ainda lhe pedem desculpa e agradecem.

O espírito “dei-te um trabalhinho é bom que me agradeças muito e te esfalfes” dá-me cabo dos nervos. Mudar de país era uma boa ideia, mas depois bateria à porta a tristeza, a saudade e começaria uma espiral de descontentamento. Eu quero trabalhar para viver e não viver para trabalhar, o que não significa que não seja eficiente. Não seria era chulada. Eu quero trabalhar para criar condições de ser feliz e não o inverso.

Dos trabalhos que mais gostei na vida davam-me liberdade. Chegava e saía às horas que entendia, o trabalho estava sempre feito, eu geria a minha vida profissional como entendia e não era infeliz.

Se fosse empregadora, não teria coragem de obrigar os trabalhadores a mais do que é suposto sob pena de os substituir. Mas isto sou eu que penso na vida, que acho que a vida é para ser vivida e não me estou nas tintas para os outros. Lamento, mas a minha vida pessoal é mais importante do que a profissional.

Sinto-me entre a espada e a parede. Todos os dias desespero. E a contribuir para tudo isto, ainda que se tratem de "tradições" anteriores, agradeço ao meu governo que não coloquei no poleiro e às suas medidas de austeridade que vão colocar mais lenha na fogueira.

A infelicidade mata-me.

18.10.10

Dizeres femininos, matemática masculina

Decorria um belo jantar de família a um Domingo quando o Poisoned Apple Man foi apanhado a dissertar sobre mulheres com um primo meu, mais novo. Tu nem te dês ao trabalho de tentar compreender as mulheres. Ficas maluco! Deixa tudo para lá, diz sempre que sim, mas não procures perceber que nunca vais encontrar respostas.

Horas depois destes ricos ensinamentos, já em casa, na cama, pergunta-me:

- Deste um pum?
- Não.
- Deste um pum?
- Não!!!
- Não deste mesmo um pum?
- Outra vez? Não dei!!!
- Tive de perguntar uma terceira vez. Aprendi contigo que às vezes dois "nãos" podem querer dizer um "sim".
- Hã...?
- Agora vou começar a falar como as mulheres! Tornar tudo confuso!

E depois elas é que são malucas!

16.10.10

Do you remember? #123



Danny Wilson - Mary's Prayer - 1987

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

15.10.10

Consultório #36

"Estou com o meu namorado há dois anos e pouco, gosto muito dele. Porém, sinto que eu sou demasiado ciumenta e ele já me disse, e estou sempre a perguntar-lhe coisas do género "com quem estás?", "de certeza que estás com...?", e etc... Sinto que ele assim sente uma pressão enorme... O que faço?

Outra coisa é que sou imensamente romântica, estou sempre a mandar-lhe mensagens e e-mails com significados amorosos, digo-lhe coisas lindas e por vezes tenho de lhe dizer "olha, nunca mais me disseste...", pois não me sinto retribuída... O que faço também? (…)"


Olá M.,

obrigada pela sua mensagem.

No que respeita às declarações amorosas, a resposta à sua questão é muito simples: não há nada que possa fazer. Lamento, bem sei que preferia ler outra resposta, mas nestas respostas ao "Consultório" tenho de ser clara e não deixar margem para dúvidas, não permitindo desta forma que as pessoas façam outra interpretação que não a leitura exacta daquilo que escrevo.

Imagine que a situação era inversa, que o seu namorado me enviava uma mensagem dizendo que a namorada era demasiado melosa. O que é que ele poderia fazer? Nada. Estas são questões intimamente ligadas à personalidade das pessoas, à sua forma de ser. Eu não digo "amo-te" todos os dias, nem nada que se pareça. Digo-o em momentos especiais. Digo-o em situações em que o coração me leva a isso e não porque é suposto dizê-lo. Também, o Poisoned Apple não me diz todos os dias que gosta de mim, mas mostra-o nas coisas mais pequenas, como nas festinhas que me faz nas pernas sempre que me sento ao lado dele ou todas as noites em que nos deitamos e pede para fazer "cadeirinha". Ou seja, existem mil e uma formas de mostrarmos a alguém que gostamos e não tem necessariamente de ser com palavras.

Sou honesta: se um homem me dissesse que me amava todos os dias eu enjoava. Não gostava mesmo nada. Já aqui escrevi, algures, que a repetição destas expressões (para mim) acabam por soar a falsas ou a repetição de gravador. Eu não envio SMS melosos por tudo e por nada. Há fases da relação em que isso acontece, outras não tanto. Às vezes deixo bilhetes e desenhos nos bolsos da roupa, mas também passa muito tempo em que não o faço. Faço-o de vez em quando e é a parcimónia destas coisas que as torna as coisas mágicas quando acontecem. Se elas acontecem todos os dias, perdem a magia, deixam de ser tornar um acontecimento para se tornar um hábito. Se acontece com frequência, a pessoa já o espera e não tem nada de novo.

Mas esta é a minha visão do assunto, o que não significa que o seu comportamento esteja errado. Cada um é como é e talvez o seu namorado seja mais do meu género do que do seu, o que vem causar-lhe esta insatisfação. O segredo é saber aceitar as pessoas como elas são, com o que têm de bom e de mau, até porque ninguém aparece na nossa vida perfeito e talhado ao nosso gosto. Também o Poisoned Apple Man faz e tem coisas que eu não gosto, mas conhece alguma relação em que isso não aconteça? Eu também terei os meus defeitos. E apesar dos defeitos alheios, qualquer relação baseia-se em saber separar águas: saber o que a pessoa aos seus olhos tem de bom e de mau e saber se o bom compensa que ature o mau. É assim para toda a gente, isso é construir uma relação.

Se alguma vez me dissessem "nunca mais disseste que me amavas" caiam-me as unhas. É a pior cobrança que se pode fazer e é até constrangedor. Se eu não digo é porque não quero e quando me apetecer digo-o. Cobrar e lembrar alguém de tal facto, para mim e para muita gente, seria porta aberta para a fuga. É desagradável. Lamento cara M., eu sei que preferia ler outras palavras, mas se ele não o diz é porque não quer (no limite porque já lhe pediu várias vezes para o dizer!), o que não significa forçosamente que não goste de si. Até porque, convenhamos, se não gostasse não estaria presente para ouvir tais solicitações. Tem de gostar, não conheço nenhum homem disposto a aturar tais pedidos nas calmas.

No que respeita a ciúmes, também já aqui escrevi sobre isso. O tema ciúmes é uma coisa que me custa muito dissertar, pois é uma coisa que não compreendo. É uma coisa estúpida e irracional que não traz nada de bom a ninguém, só atrapalha. Se me perguntassem "de certeza que estás com Fulano Sicrano?" depois de eu ter informado que estava com Fulano Sicrano, eu ficava maluca. Se há coisa má na vida é não sentirmos que somos livres e que estamos a ser controlados. Eu sou livre, não me controlam os passos, naturalmente converso sobre onde estou e com quem estive, mas não sou controlada. E saber que estamos sobre uma mira é outro meio caminho andado para uma porta.

Quando pergunta "de certeza?", por outras palavras está a dizer-lhe "não confio em ti". E quando não há confiança, não há relação. Eu também tenho medo que a vida me troque as voltas e que o Poisoned Apple Man prefira um dia com outra pessoa, e será um medo vulgar a todas as relações saudáveis, mas acha que se apertar o cerco e passar a controlá-lo será por isso que não acontece? Tenho a opinião contrária, acho que acontece mais rápido, pois teria necessidade de encontrar sensações libertadoras.

Um dia destes trabalhei até às 01:00. O Poisoned Apple Man foi jantar com amigos vários dele que não conheço. Quando ia para casa, perguntou-me se queria passar por lá, mas eu só queria era cair na cama e disse-lhe para ficar. Apareceu às tantas da noite, esteve num jantar a beber copos até tarde, numa casa cheia de amigos e amigas que ainda não conheço e acha que eu me ralei? Eu queria era dormir! Eu não fiquei a perguntar-me se haveria mulheres giras e atraentes para as quais ele pudesse olhar, eu dormi como um anjo! Agora que penso nisto, eu nem cheguei a perguntar onde era a casa, podia ser em Espanha que eu não sabia. O que eu sei - e é o que a M. deveria pensar - é que se ele está comigo é porque gosta de mim. E se algum dia ele se envolvesse com outra pessoa era porque já não gostava de mim. E se isso acontecesse, por muito que me magoasse, era melhor para mim, pois eu não quero estar ao lado de um homem que não gosta de mim.

Ou seja, eu não tenho de ter medo de outras mulheres, eu tenho de ter medo de algum dia me distrair e deixar de cultivar a relação. Quando uma pessoa gosta não tem vontade de estar com outra. E isto serve tanto para homens como para mulheres. Há os homens que gostam de várias mulheres ao mesmo tempo, mas isso é o que eles dizem, pois quem gosta de várias na verdade só gosta dele próprio e de mais ninguém, por isso essa espécie não conta para este campeonato.

Se acha que o seu ciúme é maior do que devia, então precisa de ajuda profissional para que possa descobrir a razão de tal. O ciúme qb. é saudável, em excesso é destruidor. E controlar os passos de alguém então, não há palavras. Eu não sei do seu namorado, mas se fosse comigo era exactamente isso que me faria deixar de gostar de alguém e, consequentemente, pôr um fim na relação.

E agora que escrevo, penso nisto e comparo as suas palavras à minha relação, não há nada como dar toda a liberdade do mundo, não saber por vezes onde anda a cara-metade, nem ter a certeza com quem e sentir-me amada todos os dias, mesmo que não o diga. Eu dispenso muitas vezes as palavras, pois são traduzidas nos gestos, nos olhares, nas conversas e em tantos momentos do dia-a-dia, e de certeza que há milhares de casais assim como eu. Garanto-lhe: esta tranquilidade que lhe descrevo não tem preço. Nem sempre é adquirida, mas pode aprender-se a construí-la com o tempo e a pessoa certa.

Beijinhos,

13.10.10

Pedro e o lobo, Poisoned Apple e os copos

Quando comecei a frequentar a casa do Poisoned Apple Man, reparei que ele tinha uns copos horríveis do IKEA. Pronto, não são horríveis de fugir, mas não gosto. Até porque não gosto de copos altos para as refeições. E um dia destes, de visita ao website da loja, perdi-me de amores por uns copos que mostrei e deixei bem claro: eu quero!

Lá começou o homem a ditar que não precisávamos de copos para nada, que os que temos chegam perfeitamente, mas eu também não preciso de uma oliveira dentro de casa e ele quer. Afirmou que não ia dar a ninguém os copos manhosos nem os ia deitar o lixo.

Ora, nós mulheres sábias sabemos bem como nos livrarmos de uma peça de vidro da qual não gostamos. E é aqui que entra a minha gargalhada de bruxa. Tudo bem, os copos vão começar a escorregar-me das mãos. Brindou-me com o silêncio de quem sabe não ter remédio e o assunto ficou esquecido.

Poucos dias depois abri o armário e vejo um dos copos rachado de alto a baixo. Estranhei que o Poisoned Apple Man não tivesse reparado, pois tinha sido ele a tirar a loiça da máquina. Deitei-o no lixo e fui à minha vida, não sem antes pensar com um sorriso: já é menos um!

Já eu estava deitada quando ele chegou a casa, passou pela cozinha e teve de ir ao lixo. Entrou no quarto:

- Então, já começaste a partir copos?
- Não fui eu!!!
- Não. Fui eu.

Triste destino o meu.

11.10.10

Questões pertinentes #30

Ora bem, quantas moçoilas há por aí em busca de um vestido de noiva?

Escova marroquina - serviço público

E eis que fiz a afamada escova marroquina!

Ganhei a luta contra os caracóis e o aspecto despenteado que é sentido como um esforço inglório para muita boa rapariga. Não tenho muito cabelo, por isso não sabia se era a melhor pessoa para fazer este alisamento, ainda assim arrisquei. Tenho dias que gosto menos, mas apenas por ter pouco cabelo. No entanto não me arrependi e de certeza que volto a fazer. Não há nada como secar o cabelo ao ar e ficar com o cabelo liso, macio, arrumado e sem dúvida que está mais brilhante e hidratado. Há quem diga que torna o cabelo mais oleoso, é capaz, mas como lavo o cabelo todos os dias torna-se indiferente. Sei de quem fez a escova marroquina com o cabelo e couro cabeludo tão seco que não fez qualquer diferença. Ou seja, não será igual para todas.

Depois de orçamentos estúpidos que foram até aos 240€, lá arranjei uma pessoa que me fizesse em casa dela por 55€. O orçamento inicial era de 80€, disse que nem pensar, fiz uma contra-proposta e lá ganhei.

Visto o procedimento, fiquei estúpida com o valor que andam a cobrar por aí. O processo consiste em lavar o cabelo duas ou três vezes apenas com shampoo (coisa que fiz em minha casa), aplicar muito pouco produto em madeixas com um pente fino (o produto não é manipulado, ou seja, não exige mistura nenhuma, vai directamente da embalagem), fazer um brushing, passar a chapa (que no meu caso achei ser desnecessário) e está feito. Estava liso, escorrido e colado à cabeça, assustei-me, cheguei a casa, lavei-o imediatamente e ficou uma maravilha. Não fica esticado como uma vassoura, que não gosto disso, mas o cabelo fica liso e com as pontas viradas para os lados.

Investiguei, e o produto é caro. Só o encontro por terras brasileiras, vende-se em embalagens de 1 litro, o que para mim dá para perto de 20 utilizações. Vi preços de 200 e 300 reais (cerca de 86 e 130€). Qualquer pessoa consegue fazer aquilo sozinha ou pedir a uma amiga que faça, não tem ciência nenhuma. Eu não volto a pagar fortunas por isto, da próxima trato de comprar uma embalagem e arranjar quem me ajude a fazer.

Por estes dias, um amigo interrompeu-me o discurso para dizer: “Não te esqueças do que dizias… fizeste alguma coisa ao cabelo?”. Não só reparou, coisa que os homens não fazem, como achou que me dava um aspecto mais arranjado e até parecia que tinha mais cabelo. Disse que ficava melhor assim. E isto é mais que suficiente para vos mostrar que vale a pena!

Agora vamos ver quanto tempo demora a desaparecer o efeito da escova marroquina. Explicou-me a rapariga que quanto menos lavar o cabelo, mais dura. Se usar um shampoo sem sulfatos e parabenos, também prolonga o efeito da escova. Mas eu estou-me nas tintas para estes preciosismos, uso os mesmos produtos de sempre e acho que vai durar que tempos.

Recomendo!

9.10.10

Do you remember? #122


Alannah Myles - Black Velvet - 1990

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

8.10.10

Consultório #35

“(…) Estou em união de facto há três anos e até há uns meses tudo corria menos mal, mas agora as coisas começaram a piorar a olhos vistos. O meu companheiro tem dois filhos que por sinal não suporto (sinto muito, mas é a pura da verdade), que ele faz questão de sempre que cá está impingir na nossa casa. Atrás deles vem (…) a conversa sobre as mães dos respectivos rebentos (sim são duas, um filho de cada). Toda esta situação para mim sempre foi muito complicada mas ia empurrando com a barriga porque realmente me via com ele na minha vida futura. Mas agora as coisas mudaram, de um momento para o outro teve de ir trabalhar para fora e só vem a casa de 15 em 15 dias. E nos 5 dias que cá está nunca tem tempo para mim, tem de ter tempo para tudo e todos menos para mim.

Entretanto, com esta falta de atenção por parte dele, uma amizade surgiu na minha vida baseada em apoio, carinho, compreenssão e, quando dei conta, os meus sentimentos por ele passaram de amizade para algo mais. Descobri que não sou a única, pois ele também sente o mesmo por mim.

Não estou feliz com o meu companheiro e disse-lhe que me ia embora. Fez uma daquelas cenas de choro, a dizer que a vida dele sem mim não fazia sentido e pediu-me para esperar e pensar com a cabeça fria . Eu disse “está bem” porque tive pena e optei por não sair este fim de semana, mas agora tem sido SMS constantes a dizer que a vida dele sem mim não é nada e por aí fora.

A minha decisão de sair desta relação está mais do que tomada mas não queria que ele sofresse. Não consigo mais, cheguei ao meu limite de falta de carinho, de atenção, de amor e de não pensar em mim. Em três anos finalmente estou novamente a pensar em mim e na minha felicidade. Acha que estou errada? Preciso de uma opinião sincera: acha que estou a ser uma insensível, sem escrúpulos e egoísta? Tenho a referir que nunca faltei ao respeito ao meu companheiro e que não o trai (…)”

Olá T.,

obrigada pela sua mensagem.

Aquilo que leio no que descreveu é que se desencantou, desgastou-se, a relação deixou de lhe dar o que queria e acabou por descobrir sentimentos noutro lado. Com o tempo, aprendi que não existem formas exemplares de tratar os fins amorosos, mas existem formas cuidadas. Uma coisa é desenvolver sentimentos por outra pessoa, que não os controla, outra é envolver-se antes de terminar a relação anterior.

Acabar uma relação nunca é fácil, nem para a pessoa que fica triste, nem para a pessoa que acaba. Se me tivesse enviado uma mensagem sem que a parte de um novo sentimento existisse, a primeira coisa que eu ia pensar era que a sua relação com a pessoa com quem vive há três anos não tinha futuro. Poderia até arrastar-se no tempo, mas nunca seria de qualidade e, por isso, não teria futuro. É que nenhuma relação, em nenhuma parte do mundo, com pessoa alguma, irá correr bem se não existir afecto pelos filhos da cara-metade.

Diz que não suporta os dois filhos dele, o que eu aceito perfeitamente. Eu não sou mulher de achar que as crianças são o melhor do mundo e que são todas queridinhas. Não, não são. São terroristas, irritantes e mal-educadas na maior parte das vezes, mas felizmente existem as encantadoras e bem-educadas pelos paizinhos. O que me leva à questão que importa: não gosta das crianças porque são estúpidas (entre outra adjectivação) ou porque são filhos fruto de relações anteriores? Se escolher a segunda hipótese, então é um problema que está dentro de si, que desconheço mais pormenor e, como tal, não tenho oportunidade de desenvolver. Não pode é pedir que os filhos que o homem só vê de vez em quando, não pernoitem em casa dele quando volta das tais viagens. Isso não é coisa que se possa pedir a um pai. É livre de não gostar das crianças, mas ser egoísta de forma a impedir o pai de passar tempo com os filhos não está correcto.

Ele só está em casa de 15 em 15 dias e tem cinco dias para distribuir por todos, inclusive a T. e as crianças. Compreendo que quisesse os dias todos para si, mas não acha que está a ser demasiado exigente dadas as condições do homem? Pede-me sinceridade e eu dou-lhe sinceridade: acho sim que existe algum egoísmo da sua parte, mas isso não significa que tenha de ficar com ele. Há egoísmo quando diz que finalmente ao fim de três anos começou a pensar em si. Fala como se em todos estes anos tivesse vivido a roçar o insuportável. Então não lhe deu nada de bom? Não foi feliz em momento nenhum? Se não foi a si se deve, não o culpe e às crianças, pois manteve-se na relação porque quis. Podia ter saído antes como o está a fazer agora.

Mas em suma, não gosta dos rebentos, o homem distraiu-se, fez a sua vida à distância que é como quem diz, ele tratou de fazer o que entendia ser melhor para ele ou aquilo que precisava, na sua explicação tomou-a por garantida ao diminuir atenção e dedicação sem pensar que isso teria consequências e encontrou outra pessoa. Continua a espantar-me como muitos casais que vêm a separar-se não percebem o que fizeram. É certo que há muitas situações impossíveis de salvar, mas a larga maioria das separações acontece quando uma das pessoas se esquece da outra, passa a tomá-la por garantida, aumentando a frustração e descontentamento da parelha, vai-se o brilho e a magia de outros tempos e, sem que fosse planeado, alguém aparece para preencher o que está em falta. Na maioria das vezes, as traições e separações não acontecem porque sim, mas porque alguém se esqueceu.

Cara T., a sua decisão parece-me mais que tomada. Não é fácil, não é simpático, mas vai viver com alguém por pena? Não me parece. Todos temos de viver a nossa vida, não há solução a dar ao seu desencantamento e desamor, mas há sempre a possibilidade de tratar a pessoa com respeito e carinho, minimizando de alguma forma o sofrimento da outra pessoa. Siga o seu coração.

Felicidades,

6.10.10

Verdade #65

Sou levada da breca. Uma peste da pior espécie. Cheia de mim própria, dou conselhos a quem me escreve como se fosse dona do mundo e da sabedoria. Eu sei tudo, sobre tudo, as minhas palavras deviam ser seguidas por todos. O meu blog tem uma rubrica igual a umas páginas da revista Maria e, na verdade, eu não tenho mais nada do que fazer senão dar resposta a quem me escreve, porque no fundo o que quero é atenção. Mais que qualquer outra coisa, sou sedenta de atenção e procuro tornar-me famosa na blogosfera. Tenho a vida tão vazia, tão cheia de nada, que o melhor que tenho a fazer é discorrer sobre os meus “nadas” no meu blog. Uma vida contada timtim por timtim na blogosfera. Aos meus leitores não lhes escapa nada porque eu, que não tenho nada para fazer, conto tudo o que é pessoal no meu blog.

Como se não bastasse, surgiu na minha vida um homem que quis ficar comigo. Fogo de artíficio! Vivo obcecada por ele, não saio do lado dele, bebo do seu amor a cada minuto, não me vá ele fugir. Não penso noutra coisa, só nele. Vivo e respiro o homem. Estou tão obcecada que só escrevo sobre ele, tal é o encanto. Como não tenho uma grande vida, também a nossa relação pode ser lida no blog, uma cópia fiel da realidade, sem que escape ao leitor pormenor e onde se pode verificar como ele é um pau mandado. Eu nasci para mandar. Tenho um súbdito e a melhor imagem da nossa relação é imaginá-lo de quatro, cabeça baixa, o meu pé sobre as suas costas e o meu rosto sério ligeiramente elevado, um nariz empinado que só o meu. Ele faz tudo o que eu quero, come a merda que lhe der e nunca pia. Não arranjaria melhor cão em lado nenhum. Sou dona da relação, quem manda sou eu, tenho-o na mão. Sou Rainha, qual Dama de Copas.

Ou então sou uma pessoa normal. Ou então chorei tanto, aprendi tanto com o que penei que gostava que, nesse tempo, alguém me tivesse falado as palavras que precisava. Ou então chorei em silêncio, não permitindo que ouvisse palavras que precisava, mas aprendendo com os meus erros. Ou então, sinto no meu íntimo que gostava de ajudar como quis ser ajudada e sinto que contribuo com algo de bom a alguém. Ou então sofro de falta de inspiração, deixei de querer escrever sobre tristeza, dando lugar a pequenos episódios que, embora muita gente gostasse, descontextualizados não são um retrato fiel da minha vida. Ou então tenho uma relação normal, sem obsessões nem ninguém na palma da mão à mistura, com tudo o que uma relação traz de bom e de mau. Ou então os dias não são todos de alegria extrema e também tenho chatices. Ou então, em vez de abandonar o blog por falta de inspiração, optei por contar episódios que pensei ter graça. Se calhar, o homem ri-se deles e eu também. Ou então, procuro escrever porque gosto, porque há quem goste de me ler, porque se calhar há mesmo quem goste de me ler, quando escrevo bem, mal, sobre o íntimo, a sociedade, a ficção ou os gases que me afectam, e fico desmotivada quando me criticam de forma destrutiva, maldosa até, quando a crítica poderia ser construtiva. Ou então, sou uma pessoa normal, com fragilidades como todas as outras, com uma vida normal, merdas normais, o blog não é um diário e está longe de representar tudo aquilo que eu sou e a minha vida é.

Ou então, as pessoas pensam que muito sabem quando, na verdade, dou a saber apenas o que me apetece.

4.10.10

Conto #2 - E nasce um texto de um vídeo

Caetana Maria, orgulhosamente nome da mãe e de outras gerações, desabafava naquele lanche de mulheres endinheiradas e bem sucedidas. Conspirava e acusava o seu mais-que-tudo de completa inabilidade oral. É um bom namorado, mas… Há sempre um “mas” nas relações, excepto havia para Tita, que não lhe importava a performance do marido, um matrimónio de tantos anos ao qual o tempo roubou a magia mas manteve a pose de um garfo espetado no ânus, pedindo apenas que ele não fosse buscar “disto” e “daquilo” lá fora. Se não gostas por que fazes?, perguntavam as amigas chiques de Earl Grey na mão. E entre um amendoado de canela e outro, coisa fina comprada na Versailles, do alto da sua falsa independência emocional e determinação, explicou que se de vez em quando não aparecesse de vaselina na mão, ele ia com certeza buscar quem lho desse fora de casa. Ele é director de uma empresa, anda sempre com muitas mulheres de um lado para o outro, não posso deixar que caia em tentação. A Tita suportava qualquer coisa, mas nunca cair na desgraça da língua alheia, divorciada como as amigas, que acumulavam casos e namorados queixando-se sempre do mesmo.

Adiante, fechava-se o parêntese do desabafo da Tita, que os problemas sérios eram os de Caetana Maria. No fluir do diálogo, chegaram à conclusão que os problemas desta eram os mesmos da outra amiga de chá, a Belinha. Já a Tixa tinha novidades para contar. E à Tita nada importava, desde que ele não fosse buscar fora de casa.

Caetana Maria estava cansada de simulações, de ser actriz em palco de teatro, de gritar tanto quanto a matança do porco sem sensação que acompanhasse tamanha sinfonia; a Belinha já não sabia o que fazer, qualquer dia ainda dava cabo da coluna de tanto que se dobrava e contorcia de um simulado prazer, já a Tixa tinha algo de novo para contar. Sem explicação aparente, o parceiro, até há tempos uma nulidade oral, qual canídeo atirado a uma taça de ração depois de dez dias sem comer, mostrava-se verdadeiramente competente. Deve ter lido na Internet como é que se fazia. Estes gajos mais novos aprendem qualquer coisa na Internet, dizia sem suspeitar da boa da vizinha do 4º esquerdo, uma sabida de colégios católicos, de olho azul e longos cabelos, ainda sem vinte anos, mas determinada e segura de si, que agarrou o caso da emancipada vizinha de baixo entre as pernas. Naquela tarde, entre diversos avisos relativos ao pouco tempo que tinham, a miúda de olhos azuis soltou um grito destemido: que merda é essa que andas a fazer? Estás parvo ou quê? Anda cá que eu explico. E aprendeu assim o homem, sem pudores e sem ordinarices, o B-A-BÁ da matéria, elevando de forma significativa as suas competências.

Caetana Maria e Belinha, já velhas de bengala, ao lado das placas mergulhadas em copos de água, longe do tempo em que os lençóis não eram só para dormir, riam dementes e falavam baixinho, não fosse uma das enfermeiras dar conta do assunto que lembravam lá no lar onde os filhos as tinham deixado. Vieram mais tarde a morrer sem nunca terem tomado a medida mais simples e óbvia, mas que a estupidez intrincada na sua personalidade fútil nunca permitiu pensar na dicotomia problema/solução: ensinar um homem.

2.10.10

Do you remember? #121



Roxy Music - More than this - 1982

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

1.10.10

A Joana precisa de ajuda

Pode ler-se toda a informação necessária aqui!

Consultório #34

"Olá Poisoned Apple! (…)

Tive alguns amores (relações de namoro) que foram sempre muito descontraídas e que os mantenho até me darem prazer caso contrário termino-os de forma tranquila. Isto, terá a ver com a minha maneira de encarar a vida e sempre fui mais racional vs sentimental e tenho- me dado bem com isso.

Posto isto, há coisa de 3 anos foi um novo colega para a empresa que já era conhecido de todos e sabe-se que ele vive em comunhão com uma senhora há cerca de 8 anos, sem filhos e sem nunca se terem casado. Para mim, isso nem era importante, ele é comprometido.
Sempre o achei um homem giro e fisicamente era muito do meu gosto. Mas, nós vamos conhecendo durante a vida muitas pessoas que nos atraem fisicamente e nem por isso nos envolvemos com todas elas. Por isso ele era mais um homem giro e nunca dei importância ao assunto.

Durante este convívio laboral (e só laboral) ele sempre foi muito simpático e atencioso comigo (às vezes até demais) e com todos os outros colegas (achava eu). Sempre a procurar ajudar, sempre disponível, quando tem oportunidade toca-me como sem querer, enfim, só mimos. E também surgiram alguns convites para jantar. Eu ia beber café nos intervalos com uma colega e ele começou a acompanhar-me ou aparecia lá e monopolizava a conversa e ficávamos os dois a falar e a "discutir pontos de vista". O certo é que a colega até deixou de ir beber café connosco, não sei se percebeu alguma coisa ou se foi coincidência! E quando chega a hora de saída fica sempre com muitas dúvidas para esclarecer comigo (o que me põe doida porque quero sair a horas) e às vezes queixa-se em tom de brincadeira que eu não lhe ligo. Os colegas reparam que estamos sempre juntos, mas como nunca viram nada (porque na realidade nunca houve nada) não há comentários e quando surgem são sempre em tom de brincadeira porque é normal os homens serem simpáticos e eu respondo sempre com educação desde que não passem os limites da cortesia (aí dou um chega para lá...).

Com ele as coisas foram sempre descontraídas até que um dia quase que gritou comigo e zangado que eu não lhe dava importância. Fiquei estupefacta a olhar para ele e a pensar o que ele queria dizer com aquilo da importância?! Mas não respondi nada ... nem consegui. Este episódio fez-me pensar que este possível "flirt" dele (que é tão comum em ambientes de trabalho) estava a avançar e eu alheia à realidade. Sempre lidei com isto como uma diversão da parte dele e já andamos nisto há 3 anos e como também sou uma pessoa bem-disposta e de bom trato com toda a gente, utilizo o humor para me defender das inúmeras "investidas" dele.

Isto agora quase que parece uma comédia romântica em que eu fico na dúvida, porque gosto da companhia dele e da sua maneira de ser e falamos de tudo menos da relação dele porque que fica incomodado quando falo na mulher e eu assim evito tocar no assunto. Por outro lado, tenho consciência que ele é meu colega de trabalho e como diz o ditado; "onde se ganha o pão não se come carne" e jamais me quero envolver com pessoas comprometidas.

Já pensei em confrontar directamente sobre esta conquista dele mas tenho medo que ele assuma e me peça uma oportunidade e aí tenho muitas dúvidas se seria bom para ambos, nestas circunstâncias. Acho que ele criou muitas expectativas em relação a mim (pelas conversas que surgem por vezes) e eu não sei se estarei à altura delas. Também já pensei mudar de emprego e se ele tiver que ser o "tal" será !!! Mas, noutro contexto (…)”

Olá N.,

obrigada pela sua mensagem.

As palavras que me escreve são contraditórias e se calhar nem se dá conta disso. Ora tanto afirma que ele é só mais um homem giro, que não quer nada com ele e expressa incómodo em relação às investidas dele, como no fim já se pergunta se deverá mudar de emprego e ver se ele é "o tal".

Da mesma forma que escrevo que quando uma pessoa quer estar com outra, está; também uma pessoa que quer marcar a devida distância a um colega de trabalho, também o sabe fazer se quiser. Eu já tive dois namorados que embora não fossem colegas de trabalho directos, trabalhavam no mesmo sítio que eu. A minha experiência é de que não vale a pena, mas outras podem haver que contrariem a minha opinião.

Também já afirmei em tempos que alguém andava atrás de mim por sua conta e risco e que eu não queria nada. Mas na maioria das vezes há uma pontinha de mentira nisso: quando não fazemos nada para o evitar, quando vamos a cafés, jantares, quando permitimos o toque e temos conversas profundas com alguém que sabemos estar interessado, isso é alimentar a coisa. Não dizemos que "não" com as palavras, mas estamos a dizer que "sim" ou que "não tem mal, podes continuar" na atitude. Ora, isso não é mostrar não querer nada. Todas gostamos de ser cortejadas, mas depois quando a coisa "aperta" não vale a pena fazermo-nos de vítimas, como quem foi apanhado de surpresa porque sabemos que alimentámos o cortejar. Já todas fizemos isso algum dia, não é uma história nova.

Assim sendo, no seu íntimo saberá que, ainda que de uma forma discreta, deu esperanças ao rapaz. Ou pelo menos assim parece pelas palavras que escreveu. Também já tive homens com quem trabalhei que se quiseram aproximar e o perguntar "estás parvo?" numa situação-chave, não ir a cafés e jantares sem ser com outras pessoas e não proporcionar momentos a dois é mais do que suficiente para que percebam. Se a mim, numa situação indesejada, me fizessem ficar no trabalho após horário de saída (e sabendo que era uma situação propositada e não de necessidade), eu dizia logo que aquilo não era vida para mim e que tinha melhores coisas para fazer do que ficar no escritório.

Quando ele lhe gritou dizendo que não lhe dava importância, nada era melhor do que perguntar: "mas devia dar mais importância e respeito do que dou a todos os colegas de trabalho?!!". Mas isso só se diz se de facto o sentir, pois é livre de vir a desenvolver sentimentos.

Não lhe sei dar uma grande resposta, pois ao ler o seu texto tanto parece incomodada com esse homem, como no fim se propõe a mudar de vida para estar com ele. É como se mentisse a si própria, por razões que não tenho como adivinhar. Não é que eu ache que me tenha mentido, que isso não faz sentido nenhum, mas acho que se mentiu a si própria escrevendo um texto com um conteúdo no qual a N. quer acreditar, mas que não é completamente sincero. Assim é difícil dar uma resposta.

No entanto deixo um aviso sábio: pelas costas dos outros vejo as minhas. Um homem que tem esse comportamento apesar de ter uma relação assumida com alguém com quem vive há tantos anos, já mostrou ser capaz de enganar a mulher. Não aconteceu nada, mas só porque não se moveu nesse sentido, pois era só querer. E quem faz isso a uma mulher, faz a duas, a três, a quatro e por aí fora...