Chegou o material para a disciplina de Educação Sexual! Disciplina esta que vai aparecer agora e que, na escola onde andava, já havia há que tempos. Ainda nem se falava nisto em Portugal e eu, com a terra idade de 12/14 anos, "há bués", como se diz agora, já tinha aulas desta matéria.30.6.10
Educação Sexual
Chegou o material para a disciplina de Educação Sexual! Disciplina esta que vai aparecer agora e que, na escola onde andava, já havia há que tempos. Ainda nem se falava nisto em Portugal e eu, com a terra idade de 12/14 anos, "há bués", como se diz agora, já tinha aulas desta matéria.28.6.10
Consultório #26
Antes de mais quero dar-te os parabéns pelo teu blog, pela tua humanidade, valores e por aquilo que pareces ser. Gosto do teu blog que acompanho há perto de um ano e também das opiniões que vais dando por lá. Hoje decidi que seria eu própria a pedir-te uma opinião, uma vez que por vezes fico confusa e gostava de expor a minha história a outra pessoa que fosse de fora e me pudesse dar uma opinião mais imparcial.
Tenho 33 anos e namoro com um homem de 36 anos, há quase um ano. O problema é que ele mora no Porto e eu em Aveiro e isso dificulta um pouco as oportunidades de nos vermos. A juntar a isto, trabalho na zona de Santarém e como tal, só venho a casa aos fins-de-semana, de onde acabo por ir depois para a cidade dele para nos vermos, onde ele tem casa (e eu não).
A questão é que muitas vezes me aborrece que tenha sempre de partir de mim a acção de pegar no carro e ir ter com ele - mais raras vezes, comboio - depois de ter feito cerca de 600 km para trabalhar.
Ele, por vezes, vem cá buscar-me mas sou sempre eu que lhe peço para o fazer ou eu que lhe chamo à atenção que estou cansada das viagens. De modo que é assim, não lhe vejo grande iniciativa de fazer as coisas por ele e quando chega ao fim-de-semana acabo sempre por ser eu a ir ao seu encontro. Nunca me diz por ele "hoje vou aí buscar-te". Ir ter comigo ao sítio onde trabalho também está fora de questão pois ele tem um carro muito velho que não está em condições de fazer grandes viagens.
No que toca à nossa relação corre tudo mais ou menos bem. Ele demonstra vontade de estar comigo, que venhamos a viver juntos e que façamos uma vida em comum. No geral, é uma pessoa pouco faladora, um pouco distante, irrita-se com facilidade mas, em certos momentos demonstra gostar de mim e preocupar-se comigo. Já tivemos muitos problemas e discussões, mas temos ultrapassado tudo. Um dos primeiros foi o facto de eu ter querido comprar casa com ele, namorávamos há 3 meses (cedo, eu sei) e ele ter preferido comprar sozinho, tendo-o feito na cidade dele, a 200 metros de casa dos pais e sem ter participado na escolha da casa. Claro que sempre me disse que a casa seria para nós e que mais tarde compraríamos outra, essa sim em conjunto.
Obrigada pela sua mensagem e elogios! :)
A primeira pergunta que me coloquei e à qual não me parece enviar resposta é: mas por que é que ainda não vivem juntos?
Namoram há um ano, têm a idade que têm, o que é que vos impede? Se me responder que é o trabalho, então aí o trabalho impedir-vos-á o resto da vida. Tem de pensar se quer viver para trabalhar ou trabalhar para viver. Bem sei que o estado da nação não é o melhor, mas chegou alguma vez a procurar trabalho junto dele? Falam em viver juntos quando, aos cinquenta? A idade que têm é aquela em que a maioria das pessoas começam a "assentar arraiais", a construir a vida em comum e constituir família. É óbvio que isto não é regra e podem sempre fugir às convenções sociais, mas isso nunca lhe passou pela cabeça?
Lamento, mas acho um pouco estranho que um homem de 36 anos demonstre vontade de vir a estar consigo. Um dia, lá longe? Estava aqui a pensar na minha situação (e consciente de que não somos todos iguais!), quando eu morava no centro de Lisboa e o homem da Poisoned Apple na periferia. São uns 15 Km de distância e ele perguntava-me quando me mudava de vez, que andava sempre de um lado para o outro, não dormia sempre em casa, muitas vezes ele chegava a casa eu não estava e isto era situação que ele não queria, queria estar mais perto e fez saber isso mais do que uma vez. Se trabalhasse a quilómetros de distância, não imagino como seria. Claro que a palavra final seria sempre minha e, neste caso sua, mas vê nele vontade que essa vida que têm agora acabe de uma vez por todas para ficarem juntos?
Por aquilo que me descreve parece-me um homem confortável com a situação em que se encontra: tem tudo e não se chateia com nada. Não tem de se deslocar, está sempre no seu lar, a namorada vai lá ter todos os fins-de-semana, já nem precisa de perguntar, está garantido, e nem tem de gastar horas no trânsito ou no comboio, fortunas em combustível, que você trata disso. De resto, tem a semana toda para ele, faz o que quer. Eu não estou a dizer que ele não gosta de si, mas com base naquilo que me descreveu não me parece que exista iniciativa e muito menos um empenho do outro mundo. Parece-me uma pessoa conformada.
No que respeita à compra da casa em conjunto, isso não me choca nada. Eu sempre disse que nunca quereria comprar casa em conjunto com alguém. Já vi demasiadas cenas com a divisão de bens quando há separação, fora os anos que se arrastam para que essa divisão seja efectuada. É óbvio que quando uma pessoa se casa ou junta não vai a contar que se vai separar, mas isto é como as bruxas, que as há, há! E tenho a sorte de ter ao meu lado um homem que pensa como eu. Assim, a casa é dele, não pago um tostão de nada que esteja relacionado com a casa, depois no que respeita às despesas do dia-a-dia temos uma conta conjunta que usamos para pagar contas e vivemos confortavelmente com isso. Não estranhe, no fundo acho que é apenas uma questão de feitio, uma adaptação aos dias que correm.
Não pude deixar de notar em algo que parece passar ao lado, mas não passa. Sobre ele e a vossa relação escreveu: "a nossa relação corre tudo mais ou menos bem. Ele demonstra vontade de estar comigo, que venhamos a viver juntos e que façamos uma vida em comum. No geral, é uma pessoa pouco faladora, um pouco distante, irrita-se com facilidade mas, em certos momentos demonstra gostar de mim e preocupar-se comigo".
Já reparou que não lhe atribuiu um único elogio? Já reparou que tudo é "mais ou menos"? Mais me intrigou a afirmação "em certos momentos demonstra gostar de mim e preocupar-se comigo". Em certos momentos é às vezes, de vez em quando, de quando em vez, uma vez por outra, ou seja, não é um hábito. Se havia coisa que eu sentia em relações anteriores que me incomodavam era isso mesmo, eu estava sempre disponível, sempre presente, nunca ficava em falta, investia tudo o que tinha e do outro lado não era tanto assim. Não me sentia em primeiro lugar, e parece-me que é isso que sente também. Hoje, felizmente, a minha vida já não é assim, é o oposto de todas essas sensações que deixam a desejar. O que lhe quero dizer com isto é que é possível ser o primeiro lugar, isso existe!
Diz-me que se sente confusa, mas confusa com o quê exactamente? Calculo que seja não saber realmente o lugar que ocupa e a importância que tem na vida dele, que é também isso que me pergunto pelo que descreveu, mas nessas coisas não há nada como a observação e quando essa não chega, o diálogo. Se não lhe explicar preto no branco como se sente, não me parece que ele lhe vá dar resposta. E essa resposta, já se sabe, pode ser qualquer coisa.
Outra coisa que não deve esquecer é que muitas relações vão funcionando à distância, ao fim-de-semana, mas depois o dia-a-dia é que são elas. Nem sempre é fácil viver em conjunto, há momentos fantásticos, mas também os há não tão simpáticos. Na minha experiência, na soma de todos os momentos, não trocava o que tenho agora por coisa nenhuma e parece-me que é isso que define uma união feliz. Por enquanto é assim, quero que seja assim sempre, mas nunca sei o dia de amanhã, só sei que posso trabalhar para isso. Por isso, se se decidir a mudar de malas e bagagens, de trabalho, da cidade onde vive, acho que faz lindamente, mas só se tiver certezas da parte dele, se se sentir emocionalmente segura. Se o homem da Poisoned Apple tivesse de mudar de local de trabalho, eu sei que ia com ele, sem saber o futuro, mas sabia do presente, que é esse que vivemos agora.
Beijinhos!
26.6.10
Do you remember? #107
Michael Sembello - Maniac - 1983
Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com
25.6.10
Como fazer uma relação funcionar #5
23.6.10
Acidente gasoso e suas consequências
[Este texto estava agendado para daqui a umas boas semanas que era para não enjoar a malta. Um leitor muito solicitou que o colocasse on line. Como boa pessoa que sou, não fui capaz de recusar. Desejos, são desejos].
Impróprio para enojados, que é como quem diz: este texto tem bolinha!
Já faltava um pouco de humor escatológico neste blog. Numa destas tardes, dormitava no sofá com uns calções mínimos, perdida entre o sono e a realidade, o Poisoned Apple Man desceu de andar para me deixar um beijo na barriga quando… já era tarde demais!
Tinha acabado de dar um peidinho inocente, coisa de criança, que o homem veio a engolir. Ainda dei um grito, mas não o parei a tempo. E ficou preso no andar de baixo, agarrado ao peito e à garganta, com olhos de enforcado e emitindo sons dignos de um gato que deseja regurgitar uma bola de pêlo. No meio daquele sons, consegui ouvir um sumido:
- … engoli um pum…!
Claro que comecei a rir histericamente, mas para ele parecia não ter graça nenhuma. Proferiu umas ameaças quaisquer e o assunto ficou esquecido.
À noite, saímos para jantar. Já ia a entrar no elevador quando ele percebeu que se tinha esquecido da carteira. Voltou atrás para a ir buscar e, eu, que estava sozinha (notem que estava sozinha!), dei mais um pum no elevador. Convenhamos que, do ponto de vista intestinal, estava a ser um dia muito difícil para mim. Ele regressou:
- F#$%&!!! Já me viste este cheiro? Havia necessidade de ir a levar com este cheiro até à garagem?
Caríssimo leitor, eu nem conseguia falar de tanto rir. Não é o peidinho que tem graça, é a expressão do Poisoned Apple Man. Lá chegámos ao carro, abriu as janelas e disse que estava proibida de me peidar sem o avisar. Censura. Acho inadmissível.
Quando regressámos a casa, ia a entrar no elevador, mas fui empurrada. A vingança tinha chegado!
- Agora vais ver!!!
Abriu as pernas, agachou-se uns poucos graus, equilibrou-se encostando as palmas das mãos às paredes do elevador e foi vê-lo rodar a anca o mais que podia.
- Cheeeeeeira! Agora vais cheiraaaaaaaar!
Aquele movimento circular de anca era digno de travesti. E era nauseabundo. Ali estava eu numa digna câmara de gás nazi. Pedi a Deus que fizesse subir seis andares o mais depressa possível, virada para um canto do elevador em apneia.
Eu não merecia.
22.6.10
"Ai que nojo" e "Ai que vergonha"
21.6.10
"É privado!"
Chegada a casa do trabalho e do supermercado, o Poisoned Apple Man chegou-se ao meu lado e disse com um ar muito sofrido: acho que estou com lombrigas… Ai a #$%&/ da minha vida! Só me faltava um homem com maleitas de criança. Inspirei para ganhar paciência e resistência contra imprevistos, olhei para o saco das compras e enquanto o homem explicava a comichão que tinha na peida, todos os bens alimentares perderam a graça que tinham. Dada a descrição, disse:
- Mostra-me o rabo para ver se tens mesmo.
- Mostrar o olho??! És maluca? Isso é privado!!!
- Não mostro. Tem pêlos.
- E então? As mulheres também têm se não se depilarem!
- Então fica para aí em sofrimento. Se apanho uma cobrinha dessas corto-te a pila.
- Anda lá ver se tenho lombrigas…
- Desce as calças e vira-te para a luz.
- Para a luz???
- Queres que veja como??! Às escuras?
E lá desceu as calças e as cuecas. Virou-se para a luz do sol, duro de embaraço, agarrou nas nalgas apertando-as o mais que podia, sem deixar espaço para um alfinete e só se ria . Eu dava palmadas no rabo para descontrair:
- Posso escrever isto no blog?
- O que é que achas? Não! Claro que não!
PS – Minutos depois deixou de ter impressão no rabo e lá o convenci que isto era matéria muito boa para não ir parar ao blog.
19.6.10
Do you remember? #106
Hall & Oates - Maneater - 1982
Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com
18.6.10
Questões pertinentes #27
Vale a pena? Não? Dói horrores? Nota-se?
E métodos? Pelo que percebi há mais que muitos!
16.6.10
O outro lado
14.6.10
Mais Santos Populares
12.6.10
Santos Populares
Do you remember? #105
Supertramp - Give a Little Bit - 1977
Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com
11.6.10
Seu cocó! Seu piaçaba! Excremento!
9.6.10
Consultório #25
Confessou a leitora que tem sofrido muito com isso: “a idade e a experiência trouxeram-me a clareza de espírito para perceber que sou eu quem tem um problema. E o reconhecimento foi algo que muito me ajudou (e ajuda) no traçar do «plano de recuperação» que desejo para mim. O meu ciúme parte exclusivamente da minha própria insegurança e, em parte, de uma anterior relação que tive algo problemática”.
Não é que me tenha esquecido, não é que desconsidere, é que não compreendo. Não me levem a mal, mas não consigo compreender. No entanto, compreendo que viver assim é viver em constante agonia. Eu nunca tive ciúmes da forma que se descreve, como um problema. Tive ciúmes pontuais, em algumas situações, mas até esses acho que tenho cada vez menos.
Sou muito matemática em relação às situações de stress. Imaginando uma situação em que tivesse ciúmes o meu procedimento mental seria: tenho ciúmes. Por quê? Porque a mulher é interessante e está claramente a fazer-se ao piso. A pergunta que imediatamente me coloco é se tenho razões para isso. E a resposta é “não”. Se a resposta for “sim”, estamos mal. É que o ter ciúmes dependeria sempre da atitude do meu namorado em relação à hipotética mulher. Se ele não se mostra interessado, vou preocupar-me com o quê?
Confesso que tenho dificuldade em traçar cenários em que tivesse ciúmes, pois acho que a solução é simples como um exercício de lógica. Lembro-me de ser trocada por outras mulheres e de não sentir ciúmes. Lembro-me que tinha raiva deles, desgosto, tristeza, mas ciúmes não. Talvez leve à letra a expressão que diz “ela era livre, ele é que não”. E lembro-me de amigas em situação semelhante, de darem cambalhotas de ciúmes, de procurarem toda a informação sobre elas, moradas, telefones, eu sei lá! E de ver o desgastante que era. Olhavam para mim e perguntavam como conseguia. Pois, não sei dizer, defeito de fabrico, mas não me levem a mal, antes assim! Eu também procurei informação, mas era uma curiosidade mórbida e a vontade de ver o quão cabrão ele era. Quase como para me provar a mim mesma “vê como não perdeste nada!”.
Depois do meu primeiro desgosto a sério com a módica duração de dois anos (e como nunca mais sofri nenhum, pelo menos durante tanto tempo), três meses depois de ser trocada – ou seja, tempo nenhum para quem sofre - eu estava na mesma praia que ele, que estava com a gaja e se comportavam como namorados. Nervoso evidente dele à parte, olhando de esguelha para mim, mostrava o piercing dela que lhe tinha oferecido nessa tarde. E eu estava destroçada como não podia estar mais, afastada do meu grupo de amigos que entretanto tinham ido cumprimentá-lo, sozinha na toalha agarrada ao Expresso, magra esquelética, em evidente estado depressivo e de dor, mas ciúmes não sentia. Eu estava-me nas tintas para ela.
7.6.10
Mais fragilidades
Esta tem sido uma parte dura de trabalhar, mas pergunto-me se haverá solução a estes desatinos momentâneos, se o contrário deste problema não será dar tudo por garantido. Venha o diabo e escolha. Entre ter medo e sentir alguém por garantido não faço ideia qual é a pior. A segunda hipótese é, a médio ou longo prazo, também uma desgraça.
Como numa destas semanas, com ele do outro lado do mundo, percebi que nesse dia ainda não me tinha dito nada ao contrário do que é habitual. Enviei um SMS que não via resposta, mas como tal nunca acontece, achei de imediato que algo ia mal. E olhava para o telefone de 30 em 30 segundos, e os medos a tomarem conta de mim, e aquelas palpitações horríveis, o esconder a terceiras pessoas o que estou a sentir, o semblante sério, a falta de sorriso para as piadas alheias que noutro momento até teriam graça. Chegar a perguntar-me se me saiu na rifa mais um cabrão.
5.6.10
Do you remember? #104
Bill Medley & Jennifer Warnes - I've Had the Time of My Life - 1987
Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com
4.6.10
Procura-se

Ginásio e sexo
2.6.10
Poisoned Apple também falha
Recebi também um comentário de uma mulher que me dizia “aparentas ter uma força que eu invejo!”. Sorri e questionei-me: terei mesmo a força que aparento? Não serão momentos de força alternados com momentos de fraqueza, como toda a gente?
Mas é verdade, não vou mentir, acho que hoje tenho uma força incomparável à que tinha há anos. E isso aconteceu porque percebi que não morria de amor. Morria quase, só isso. Aconteceu porque falhei vezes sem conta. Não acho que tenha falhado com os homens, mas não tive respeito por mim própria, e esse é o pior dos erros. Humilhei-me vezes sem conta e, como toda a gente, aprendi a não repetir alguns erros. No fundo é como fazer cópias. Tanto se repete a gramática para que não se esqueça, mas até lá, travam-se duras batalhas. E em muitas dessas batalhas tinha perfeita consciência de que não procedia de forma digna. Tanto que não tinha coragem de contar a ninguém.
Hoje os tempos são outros, continuo a achar que o pior burro é aquele que não quer aprender. A vergonha não está na falha ou no erro, está em repeti-lo incessantemente sem que nunca se aprenda nada.
Era miúda, não sabia nada da vida, mas já chorei à porta de casa de um rapaz, sentada nas escadas que lavava com as minhas lágrimas, enquanto ele se ria dentro de casa com os amigos e jogavam jogos de computador. De vez em quando abria a porta, mandava-me embora, gozava comigo e todos riam à fartazana. Achava que a minha persistência o levaria a ter pena de mim e a tratar-me bem. Pena? Quão humilhante é isto?
Um namorado acabou a relação por telefone quando me dirigia para casa dele para irmos ao cinema, que era o que ele tinha combinado. Em vez de nunca mais lhe dirigir a palavra, andei a arrastar-me atrás dele. A insistir em telefonemas e SMS que não viam resposta. Quão triste e humilhante é isto? Dois anos depois, reencontrámo-nos. Dois anos que esteve sem dar cavaco e eu ainda queria estar com ele. O clima surgiu, outra miúda também, e quando tudo apontava para um recomeço, abandonou-me via e-mail.
Em casa de um namorado, onde estava a dormir sozinha enquanto ele se divertia pela madrugada fora em festas duvidosas, o telemóvel esquecido apitava histericamente. Demorei a encontrá-lo dentro de um necessaire. A mensagem de uma gaja dizia que tinha adorado o e-card dos sapos que lhe tinha enviado essa tarde, mais umas palavras dengosas quaisquer. O e-card tinha sido enviado por mim, poucos dias antes. Uma gracinha em que uns sapos saltavam de nenúfar em nenúfar e davam beijos de línguas esticadas. O que é que eu fiz? Chorei, calei a boca com medo de perder o que não valia nada e consenti. Continuei com ele sabendo que me enganava com uma gaja que estava do outro lado do mundo. Então achava que não era motivo suficiente para o mandar dar uma volta, como se a distância o justificasse.
Também cheguei a aparecer, vezes sem conta, em casa de um homem que não me atendia o telefone. Homem que era namorado! Ou pelo menos assim achava, me chamava e me apresentou aos pais. Estava lá sempre para ele, nunca falhava, e ele punha e dispunha. Eu fazia bolos e bolinhos, o meu primo mandava-me estar quieta. Devia tê-lo ouvido, mas na altura ainda não tinha percebido que os homens só gostam de desafios e rejeitam o que está ou aparenta estar garantido. O bom disto, é que sei agora que posso ser eu própria. Na verdade sinto que sempre fui, mas depois quando tudo começava a morrer, no meu lugar instalava-se o desespero e a falta de vergonha na cara.
Numa viagem a NY, a primeira que devia ser uma viagem de sonho, ouvi de um homem que conhecia uma mulher com quem não tinha nada, mas se ela desse uma oportunidade não sabia como seria. Como se não bastasse, passou a noite a chamar pela mulher enquanto dormia e enquanto eu observava todos os defeitos do tecto do quarto de hotel. No dia seguinte, só conseguia chorar. Pedi um momento sozinha e em vez de me consolar, pedir desculpa ou no mínimo, dizer que não me deixava sozinha, saiu porta fora e deixou-me com os ácaros num quarto de hotel, a milhares de quilómetros de casa. Bendita a maravilha do telemóvel e das palavras do meu padrasto, que tudo fez para me consolar do outro lado do mundo. Desci a Times Square e fui ajudá-lo a fazer compras para a "irmã" e "cunhada", if you know what I mean. Eu não vi um presente, mas no meio disto ainda fui capaz de lhe dar um. Just call me stupid.
Estas são muito poucas, quase nada entre tantas. Querem mais? O texto já vai longo e depois ninguém lê nada. E eu fico cansada de de escrever tanta tristeza, humilhação e falta de amor-próprio. O bom destes sapos todos que engoli, maiores que os do e-card, é que com o tempo dei o grito do Ipiranga, vomitei os sapos todos e passei do oito para o oitenta. Posso vir a falhar em coisas novas, posso sempre, mas estas já não as repito.
1.6.10
Como estragar um vestido
