30.6.10

Educação Sexual

Chegou o material para a disciplina de Educação Sexual! Disciplina esta que vai aparecer agora e que, na escola onde andava, já havia há que tempos. Ainda nem se falava nisto em Portugal e eu, com a terra idade de 12/14 anos, "há bués", como se diz agora, já tinha aulas desta matéria.

E antes que se levantem os ânimos sobre ser contra ou a favor do ensino desta matéria, tenho a esclarecer o seguinte: a mim, não me aqueceu ou arrefeceu, o que é uma expressão talvez imprópria para este texto. O que quero dizer é que não acrescentou nem retirou nada à minha vida, além de umas piadinhas e gargalhada nervosa geral que tornou a coisa sempre divertida. Por isso paizinhos, não se ralem. Mais do que na escola, as crianças vão continuar a aprender na televisão e junto dos/as amigos/as.

Agora, o que eu acho mal é que se minta. Ora leia:

«Porque ambos estão muito apaixonados, o pénis do homem endurece e incha, de modo a poder entrar na vagina da mulher»

in A Minha Sexualidade, faixa etária dos 6 aos 9 anos

Pelo amor de Deus!

Preciso repetir? Pelo amor de Deus!

Andar a enganar as meninas em tenra idade??! Isto devia dar cadeia! Toda a gente sabe que o pénis do homem incha, apaixonado ou não pela mulher, de classe ou brejeira, pela mais velha e pela mai'nova, asseada ou mais para o porquita, por toda e qualquer uma. Generalizações à parte, depois claro, é os desgostos que se sabe. "Snhif! Mas ele tinha o pénis grande e então gostava de mim! Snhif! Snhif!". E mais!, terá uma base de apoio: "mas eu aprendi na escola!".

Uma coisa não obriga à outra, há que deixar isto claro. Filha minha não será enganada.

28.6.10

Consultório #26

"Olá Poisoned Apple!

Antes de mais quero dar-te os parabéns pelo teu blog, pela tua humanidade, valores e por aquilo que pareces ser. Gosto do teu blog que acompanho há perto de um ano e também das opiniões que vais dando por lá. Hoje decidi que seria eu própria a pedir-te uma opinião, uma vez que por vezes fico confusa e gostava de expor a minha história a outra pessoa que fosse de fora e me pudesse dar uma opinião mais imparcial.

Tenho 33 anos e namoro com um homem de 36 anos, há quase um ano. O problema é que ele mora no Porto e eu em Aveiro e isso dificulta um pouco as oportunidades de nos vermos. A juntar a isto, trabalho na zona de Santarém e como tal, só venho a casa aos fins-de-semana, de onde acabo por ir depois para a cidade dele para nos vermos, onde ele tem casa (e eu não).

A questão é que muitas vezes me aborrece que tenha sempre de partir de mim a acção de pegar no carro e ir ter com ele - mais raras vezes, comboio - depois de ter feito cerca de 600 km para trabalhar.

Ele, por vezes, vem cá buscar-me mas sou sempre eu que lhe peço para o fazer ou eu que lhe chamo à atenção que estou cansada das viagens. De modo que é assim, não lhe vejo grande iniciativa de fazer as coisas por ele e quando chega ao fim-de-semana acabo sempre por ser eu a ir ao seu encontro. Nunca me diz por ele "hoje vou aí buscar-te". Ir ter comigo ao sítio onde trabalho também está fora de questão pois ele tem um carro muito velho que não está em condições de fazer grandes viagens.

No que toca à nossa relação corre tudo mais ou menos bem. Ele demonstra vontade de estar comigo, que venhamos a viver juntos e que façamos uma vida em comum. No geral, é uma pessoa pouco faladora, um pouco distante, irrita-se com facilidade mas, em certos momentos demonstra gostar de mim e preocupar-se comigo. Já tivemos muitos problemas e discussões, mas temos ultrapassado tudo. Um dos primeiros foi o facto de eu ter querido comprar casa com ele, namorávamos há 3 meses (cedo, eu sei) e ele ter preferido comprar sozinho, tendo-o feito na cidade dele, a 200 metros de casa dos pais e sem ter participado na escolha da casa. Claro que sempre me disse que a casa seria para nós e que mais tarde compraríamos outra, essa sim em conjunto.

Estou muito confusa e gostava que dos dados que te dei, me pudesses dar uma opinião. Obrigada e beijinhos".

Olá!

Obrigada pela sua mensagem e elogios! :)

A primeira pergunta que me coloquei e à qual não me parece enviar resposta é: mas por que é que ainda não vivem juntos?

Namoram há um ano, têm a idade que têm, o que é que vos impede? Se me responder que é o trabalho, então aí o trabalho impedir-vos-á o resto da vida. Tem de pensar se quer viver para trabalhar ou trabalhar para viver. Bem sei que o estado da nação não é o melhor, mas chegou alguma vez a procurar trabalho junto dele? Falam em viver juntos quando, aos cinquenta? A idade que têm é aquela em que a maioria das pessoas começam a "assentar arraiais", a construir a vida em comum e constituir família. É óbvio que isto não é regra e podem sempre fugir às convenções sociais, mas isso nunca lhe passou pela cabeça?

Lamento, mas acho um pouco estranho que um homem de 36 anos demonstre vontade de vir a estar consigo. Um dia, lá longe? Estava aqui a pensar na minha situação (e consciente de que não somos todos iguais!), quando eu morava no centro de Lisboa e o homem da Poisoned Apple na periferia. São uns 15 Km de distância e ele perguntava-me quando me mudava de vez, que andava sempre de um lado para o outro, não dormia sempre em casa, muitas vezes ele chegava a casa eu não estava e isto era situação que ele não queria, queria estar mais perto e fez saber isso mais do que uma vez. Se trabalhasse a quilómetros de distância, não imagino como seria. Claro que a palavra final seria sempre minha e, neste caso sua, mas vê nele vontade que essa vida que têm agora acabe de uma vez por todas para ficarem juntos?

Por aquilo que me descreve parece-me um homem confortável com a situação em que se encontra: tem tudo e não se chateia com nada. Não tem de se deslocar, está sempre no seu lar, a namorada vai lá ter todos os fins-de-semana, já nem precisa de perguntar, está garantido, e nem tem de gastar horas no trânsito ou no comboio, fortunas em combustível, que você trata disso. De resto, tem a semana toda para ele, faz o que quer. Eu não estou a dizer que ele não gosta de si, mas com base naquilo que me descreveu não me parece que exista iniciativa e muito menos um empenho do outro mundo. Parece-me uma pessoa conformada.

No que respeita à compra da casa em conjunto, isso não me choca nada. Eu sempre disse que nunca quereria comprar casa em conjunto com alguém. Já vi demasiadas cenas com a divisão de bens quando há separação, fora os anos que se arrastam para que essa divisão seja efectuada. É óbvio que quando uma pessoa se casa ou junta não vai a contar que se vai separar, mas isto é como as bruxas, que as há, há! E tenho a sorte de ter ao meu lado um homem que pensa como eu. Assim, a casa é dele, não pago um tostão de nada que esteja relacionado com a casa, depois no que respeita às despesas do dia-a-dia temos uma conta conjunta que usamos para pagar contas e vivemos confortavelmente com isso. Não estranhe, no fundo acho que é apenas uma questão de feitio, uma adaptação aos dias que correm.

Não pude deixar de notar em algo que parece passar ao lado, mas não passa. Sobre ele e a vossa relação escreveu: "a nossa relação corre tudo mais ou menos bem. Ele demonstra vontade de estar comigo, que venhamos a viver juntos e que façamos uma vida em comum. No geral, é uma pessoa pouco faladora, um pouco distante, irrita-se com facilidade mas, em certos momentos demonstra gostar de mim e preocupar-se comigo".

Já reparou que não lhe atribuiu um único elogio? Já reparou que tudo é "mais ou menos"? Mais me intrigou a afirmação "em certos momentos demonstra gostar de mim e preocupar-se comigo". Em certos momentos é às vezes, de vez em quando, de quando em vez, uma vez por outra, ou seja, não é um hábito. Se havia coisa que eu sentia em relações anteriores que me incomodavam era isso mesmo, eu estava sempre disponível, sempre presente, nunca ficava em falta, investia tudo o que tinha e do outro lado não era tanto assim. Não me sentia em primeiro lugar, e parece-me que é isso que sente também. Hoje, felizmente, a minha vida já não é assim, é o oposto de todas essas sensações que deixam a desejar. O que lhe quero dizer com isto é que é possível ser o primeiro lugar, isso existe!

Diz-me que se sente confusa, mas confusa com o quê exactamente? Calculo que seja não saber realmente o lugar que ocupa e a importância que tem na vida dele, que é também isso que me pergunto pelo que descreveu, mas nessas coisas não há nada como a observação e quando essa não chega, o diálogo. Se não lhe explicar preto no branco como se sente, não me parece que ele lhe vá dar resposta. E essa resposta, já se sabe, pode ser qualquer coisa.

Outra coisa que não deve esquecer é que muitas relações vão funcionando à distância, ao fim-de-semana, mas depois o dia-a-dia é que são elas. Nem sempre é fácil viver em conjunto, há momentos fantásticos, mas também os há não tão simpáticos. Na minha experiência, na soma de todos os momentos, não trocava o que tenho agora por coisa nenhuma e parece-me que é isso que define uma união feliz. Por enquanto é assim, quero que seja assim sempre, mas nunca sei o dia de amanhã, só sei que posso trabalhar para isso. Por isso, se se decidir a mudar de malas e bagagens, de trabalho, da cidade onde vive, acho que faz lindamente, mas só se tiver certezas da parte dele, se se sentir emocionalmente segura. Se o homem da Poisoned Apple tivesse de mudar de local de trabalho, eu sei que ia com ele, sem saber o futuro, mas sabia do presente, que é esse que vivemos agora.

O que quero dizer é que garantias nunca as há, mas o coração sabe sempre qual a melhor opção a tomar. Olhe para dentro de si, dialogue, tenho a certeza que vai encontrar a resposta. Percebo que tenha medo do que pode ouvir, mas esse medo é um travão na sua vida que não lhe vai trazer felicidade nenhuma, vai apenas trazer-lhe estagnação.

Beijinhos!

26.6.10

Do you remember? #107



Michael Sembello - Maniac - 1983

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

25.6.10

Como fazer uma relação funcionar #5

Foi uma luta. Sofri certos amuos. Pedi, pedi e insisti. Eu precisava de ver a casa um pouco minha também, é importante. Queria ter mais coisas ao meu gosto e, sobretudo, poder ter todas as minhas coisas por perto. Na falta de arrumação, sugeri uma estante. "Não, não e não!", não podia substituir a secretária antiga, precisava dela, porque as gavetas lhe davam muito jeito.

- Então para tu te sentires confortável, eu tenho de me sentir desconfortável em vez de alinhares numa solução que dá para os dois. - É assim, há que agarrar o homem pelos tomates apoiando-me no poder de argumentação. Fazê-lo sentir-se mal é o segredo.

E não era nada disso, que eu não estava a ser sensata, ia pensar. Pensou e achou que me ia esquecer. Insisti, disse que não. E eu acabava os SMS com "beijinhos e uma estante". Pequenos apontamentos que mostravam o quão mais feliz seria com um espaço com a minha cara, com as minhas coisas.

E pouco mais de um mês depois levei a água ao meu moinho! Estava na loja de sorriso de orelha a orelha, como criança que tem pela frente um Happy Meal.

Ele desabafava "as coisas que faço por ti... É para veres o quanto gosto de ti", mas agora, após resistência inicial, gosta do tapete e da estante e acha que está com a casa cada vez mais modernaça. Homens!

23.6.10

Acidente gasoso e suas consequências

[Este texto estava agendado para daqui a umas boas semanas que era para não enjoar a malta. Um leitor muito solicitou que o colocasse on line. Como boa pessoa que sou, não fui capaz de recusar. Desejos, são desejos].

Impróprio para enojados, que é como quem diz: este texto tem bolinha!

Já faltava um pouco de humor escatológico neste blog. Numa destas tardes, dormitava no sofá com uns calções mínimos, perdida entre o sono e a realidade, o Poisoned Apple Man desceu de andar para me deixar um beijo na barriga quando… já era tarde demais!

Tinha acabado de dar um peidinho inocente, coisa de criança, que o homem veio a engolir. Ainda dei um grito, mas não o parei a tempo. E ficou preso no andar de baixo, agarrado ao peito e à garganta, com olhos de enforcado e emitindo sons dignos de um gato que deseja regurgitar uma bola de pêlo. No meio daquele sons, consegui ouvir um sumido:

- … engoli um pum…!

Claro que comecei a rir histericamente, mas para ele parecia não ter graça nenhuma. Proferiu umas ameaças quaisquer e o assunto ficou esquecido.

À noite, saímos para jantar. Já ia a entrar no elevador quando ele percebeu que se tinha esquecido da carteira. Voltou atrás para a ir buscar e, eu, que estava sozinha (notem que estava sozinha!), dei mais um pum no elevador. Convenhamos que, do ponto de vista intestinal, estava a ser um dia muito difícil para mim. Ele regressou:

- F#$%&!!! Já me viste este cheiro? Havia necessidade de ir a levar com este cheiro até à garagem?

Caríssimo leitor, eu nem conseguia falar de tanto rir. Não é o peidinho que tem graça, é a expressão do Poisoned Apple Man. Lá chegámos ao carro, abriu as janelas e disse que estava proibida de me peidar sem o avisar. Censura. Acho inadmissível.

Quando regressámos a casa, ia a entrar no elevador, mas fui empurrada. A vingança tinha chegado!

- Agora vais ver!!!

Abriu as pernas, agachou-se uns poucos graus, equilibrou-se encostando as palmas das mãos às paredes do elevador e foi vê-lo rodar a anca o mais que podia.

- Cheeeeeeira! Agora vais cheiraaaaaaaar!

Aquele movimento circular de anca era digno de travesti. E era nauseabundo. Ali estava eu numa digna câmara de gás nazi. Pedi a Deus que fizesse subir seis andares o mais depressa possível, virada para um canto do elevador em apneia.

Eu não merecia.

22.6.10

"Ai que nojo" e "Ai que vergonha"

Lembro-me com gratidão do som de sirenes histéricas e dos rotativos ligados, dos velhinhos que não aguentavam o intestino, vítimas de AVC, e da boca ao lado que dispensava apresentações; lembro do rapaz, tão novo e tão magro, nu, que se arrastava pela pedra fria do chão, em Dezembro, em convulsões sucessivas, do sexo que não parava de abanar e da chuva torrencial. Do homem que viu a mulher cortada ao meio pela cintura, filhos que ficaram sem mãe tão perto do Natal, das conversas via e-mail na noite em que chegava o Pai Natal, dos elogios mais rasgados por ficar por perto, da caixa de chocolates que recebi de presente por ter feito tanto, mas nada mais que aquilo a que o coração me obrigou. Diga à sua mãe que criou uma filha extremamente generosa, e os olhos da minha mãe em água ao ler as palavras escritas pelo homem viúvo.

Da I. agarrada a um balde de praia, de lágrimas nos olhos da humilhação, do cheiro insuportável, uma situação inevitável, o carinho e atenção que me foi possível dar e as toalhitas que ia passando. Lembro das fraldas que mudei, dos orifícios besuntados com Halibut, das caganeiras dos meus primos, e dos vomitados cheios nas mãos em forma de concha em viagens para o Algarve. Do senhor para onde corri à velocidade da luz, agarrado ao peito, nu numa sala cheia de gente, do eco da família ele vai ficar bem?, e do jacto de urina que se perdia no ar. Vítimas de acidente de viação com erecções não é tesão, é lesão medular e há quem tenha de ver um desconhecido nesses preparos. E também lembro do que se atirou da janela, por amor, ou por um amor destroçado, que sem ténis era capaz de matar uma equipa inteira tal era o cheiro. E dos genitais desconhecidos virados para mim, cheios de pêlos, os lábios vaginais que afastei para ver se a cabeça de um bebé estava para chegar ou não.

Ai que nojo!, ninguém quer dizer? Ainda tenho a versão ai que vergonha!, para quem quiser agarrar.

Para mim os vomitados, os rabos, os cocós, os gases e os orifícios têm a importância que cada um lhes quiser dar. E para mim tem tanta importância como tudo o resto que faz parte de nós. Assim como um bracinho.

21.6.10

"É privado!"

Chegada a casa do trabalho e do supermercado, o Poisoned Apple Man chegou-se ao meu lado e disse com um ar muito sofrido: acho que estou com lombrigas…

Ai a #$%&/ da minha vida! Só me faltava um homem com maleitas de criança. Inspirei para ganhar paciência e resistência contra imprevistos, olhei para o saco das compras e enquanto o homem explicava a comichão que tinha na peida, todos os bens alimentares perderam a graça que tinham. Dada a descrição, disse:

- Mostra-me o rabo para ver se tens mesmo.
- Mostrar o olho??! És maluca? Isso é privado!!!

Enquanto eu ria estupidamente, perguntei qual era a pior coisa que podia acontecer, e ele imaginava a penetração de um dedo mindinho com ajuda, não de lubrificante, mas de gravilha, e outros cenários dignos de filmes.

- Não mostro. Tem pêlos.
- E então? As mulheres também têm se não se depilarem!


Mas não era a mesma coisa. E sim, se a maleita fosse minha claro que olhava para o meu ânus sem problemas e sem nojos, mas eu sou menina, blá, blá, blá.

- Então fica para aí em sofrimento. Se apanho uma cobrinha dessas corto-te a pila.

E mudou de divisão. De vez em quando ouvia-o queixar-se. Insisti. Nada. Ao fim de algum tempo:

- Anda lá ver se tenho lombrigas…
- Desce as calças e vira-te para a luz.
- Para a luz???
- Queres que veja como??! Às escuras?

E lá desceu as calças e as cuecas. Virou-se para a luz do sol, duro de embaraço, agarrou nas nalgas apertando-as o mais que podia, sem deixar espaço para um alfinete e só se ria . Eu dava palmadas no rabo para descontrair:

- Mostra o olho! - E ele respondia entre gargalhadas - Não consigo! Eu não acredito que estou a fazer isto!

Lá se concentrou, abriu as nádegas e lombrigas só tinha na cabeça. Sentou-se no sofá de cara esquisita e perguntei o que tinha. Estava a morrer de vergonha, tão querido, e eu não continha as gargalhadas.

- Posso escrever isto no blog?
- O que é que achas? Não! Claro que não!

PS – Minutos depois deixou de ter impressão no rabo e lá o convenci que isto era matéria muito boa para não ir parar ao blog.

19.6.10

Do you remember? #106



Hall & Oates - Maneater - 1982

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

18.6.10

Questões pertinentes #27

Alguma das minhas leitoras tem extensões de cabelo natural? E qual a opinião?

Vale a pena? Não? Dói horrores? Nota-se?

E métodos? Pelo que percebi há mais que muitos!

16.6.10

O outro lado

Sempre me perguntei, quando outras mulheres interferiam nas minhas relações, se elas pensavam nisso. Se se lembravam que havia uma mulher que ficaria infeliz, destroçada, com a sua intromissão. Se teriam vergonha na cara, se se perguntavam "serei castigada por isto?", se as consequências seriam uma preocupação. É que a minha primeira sensação no lugar delas, seria o medo de a vida tratar de me castigar. Bem sei que tenho aquela teoria de que a culpa não é delas, elas são livres, eles é que não, mas ainda assim pensaria nisso. Até porque o mal que fazemos aos outros volta para nós.

Nunca fui a outra, sempre me recusei. Esse respeito por mim própria nunca me faltou. Mas isso não significa que não surgisse um clima ou um sentimento mútuo por alguém quando ainda estava ocupado, ainda que em fase final. Não há formas correctas de fazer as coisas, mas há o minimizar das consequências. Se calhar é apenas um detalhe estúpido, um consolo de consciência, mas antes andar com esta leve.

E no meio de um gelado, perguntei ao homem da Poisoned Apple a razão para que a anterior namorada o apagasse de uma página social. Após três anos de inúmeras interrupções, depois da última deu-se o delete, mas ao que parece, as visitas à página pessoal continuaram.

Seis meses depois cheguei eu. Fizemos uma viagem longa, as fotos apareceram e com as fotos o choque da antiga namorada que o contactou. Pediu-lhe que ao menos tivesse respeito por ela.

Soube isto quase um ano depois e não consegui deixar de me sentir mal. Sei que não fiz nada de errado, que nada tenho a ver com o fim da relação e que, depois do fim desta, não fui certamente a mulher seguinte. Ainda assim, sentia-me mal, porque sei como é o lugar dela. Não se trata de questão de ciúmes, do acusar "agora apareceu esta rameira", o avaliar se ela é mais gira ou mais feia. É o lugar evidente que mostra "ele está feliz, não me quer mais. Acabou mesmo". E esse lugar horrível, o da constatação, é penoso. É sentir "eu não fui suficiente".

Fiz alguém sentir o que sempre condenei noutras mulheres que não se importavam. Se calhar alguma até se importou, mas a vida de cada uma tem de continuar. É, não há formas correctas de fazer algumas coisas, mas o tempo apaga a dor de algumas delas.

14.6.10

Mais Santos Populares








Todos os anos é a mesma coisa, "eu só vou um bocadinho...! Não é para ficar até tarde!".

E prontus, uma princesa deita-se já ao raiar do sol para acordar poucas horas depois com a boca a saber a papel, uma sede descomunal e a eterna questão interior: "as bifanas seriam mesmo de porco?", mas vale sempre a pena. E o melhor de tudo é rever e encontrar amigos, ficar à conversa até às tantas.

Este ano levei um amigo ao Santo António com uma missão. Lá estava o Toninho (só para os amigos) em estátua, rodeado de velas, de livro aberto. Diz a tradição que é preciso acertar com uma moeda em cima do livro para ser bafejado pela sorte: até aos próximos Santos Populares, a criatura que acertar com uma moeda, assenta na vida. Brincadeiras à parte, o certo é que no ano passado acertei finalmente pela primeira vez (sim, que aquilo não é nada fácil!). 3 semanas depois começou o namoro com o homem da Poisoned Apple.

Levei o meu amigo, obriguei-o a atirar as moedas ao ar. Acabaram-se as moedas e ainda lhe dei as minhas. E lá conseguiu, para júbilo e histeria de todo o povo, ao menos antes de me acabar a fortuna que levava na carteira.

Caríssimo amigo, até ao ano que vem é que vai ser!

12.6.10

Santos Populares

João Ratão ausentou-se,
faltou à noite de Santos Populares.
Poisoned Apple apressou-se
a enviar-lhe beijos aos pares!

Poisoned Apple não fica em casa,
sangria e sardinha estão na ordem do dia!
Tenta não se ralar, tudo passa,
mas tê-lo por perto era o que mais queria.

A comida é indigesta,
os puns chegarão na certa.
Sorte a tua, João Ratão,
não estás por perto quando aperta!

Noutro dia levas-me às sardinhas,
e cobro mais um abraço.
No meu ouvido dizes que já sabias,
que gostar de ti é o melhor que faço! ;)


Do you remember? #105



Supertramp - Give a Little Bit - 1977

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

11.6.10

Seu cocó! Seu piaçaba! Excremento!

Não, este não é um post escatológico, mas bem vistas as coisas, não há maior caganeira que esta. Não sei se prefira chamá-la de "cocó" ou se "excremento" faz mais justiça à peça. O melhor é ir tudo.

O escândalo caiu sobre a blogosfera quando a menina Titinha Parreira do Amaral agarrou-se ao blog da Luna, o "Crónica das horas perdidas" - que anda cá há mais tempo que a maioria dos blogs, desde 2005 - como se fosse sua propriedade e vai de retirar pequenos excertos, colá-los na página pessoal de Facebook, como se de inspiração pessoal se tratasse. E depois vai a malta amiga comentar: "ai que escreves tão bem!", "ai que estás tão inspirada!", "ai como eu adoro vir aqui ler-te!". É, é tudo muito lindo, sobretudo constatar como escreve correctamente português quando copia, mas assim que faz uma edição especial, fuuuujam que é erro! Cada tiro, cada melro.

Seu cocó! Seu piaçaba! Excremento!

E senti tanto pela Luna, não merece. Também já uma vez fui advertida para o facto de os meus textos estarem presentes noutro blog. Foi-se a ver e era um novo blog feito à minhas custas! E lembro-me o mal que me senti, a exploração da minha criatividade, a invasão de espaço, a indecência, a falta de escrúpulos e limites, tudo isso que a Luna deve sentir e muito mais. No meu caso, bastou um pequeno enxovalho e o blog desapareceu da blogosfera. No caso da Titinha Parreira do Amaral Cocó-Piaçaba-Excremento, diz-se ter sido ela vítima de plágio. Pobre rapariga, nem se lembra que em 2010 está a publicar excertos de textos de 2005. A mediocridade é assim.

Seu cocó! Seu piaçaba! Excremento!

E eu dizia à Luna, "eu agarro e tu bates-lhe!", mas sabe a pouco. Eu queria era poder esfregar-lhe os cactos que tenho lá por casa nas axilas e nas virilhas e mandá-la correr a meia-maratona. Ou esfregar-lhe a escova de dentes no piaçaba do Ervi ou do Pisto, esses grandes cagões; ou ainda atirá-la para um contentor de pioneses; fazer-lhe depilação com pedras de calçada. Não, nada disso, a morte não! Então a malta quer vê-la cá viva a pagar pelo que fez. Quanto muito, a pessoas como estas, deseja-se hemorróidas vitalícias e/ou corrimento vaginal. Vitalício também.

Como um gajo não tem poder sobre estas coisas, resta o enxovalho público! Wouhahhahah!

9.6.10

Consultório #25

Num texto em que os ciúmes de um homem sobre uma leitora foram abordados, alguém me deixou um comentário que dizia concordar com a minha visão da coisa, mas faltava-me um outro lado da questão, o lado de quem sofre de ciúmes. “Custa-me um pouco vê-la «esquecer-se» completamente de quem está do lado de lá”.

Confessou a leitora que tem sofrido muito com isso: “a idade e a experiência trouxeram-me a clareza de espírito para perceber que sou eu quem tem um problema. E o reconhecimento foi algo que muito me ajudou (e ajuda) no traçar do «plano de recuperação» que desejo para mim. O meu ciúme parte exclusivamente da minha própria insegurança e, em parte, de uma anterior relação que tive algo problemática”.

Não é que me tenha esquecido, não é que desconsidere, é que não compreendo. Não me levem a mal, mas não consigo compreender. No entanto, compreendo que viver assim é viver em constante agonia. Eu nunca tive ciúmes da forma que se descreve, como um problema. Tive ciúmes pontuais, em algumas situações, mas até esses acho que tenho cada vez menos.

Sou muito matemática em relação às situações de stress. Imaginando uma situação em que tivesse ciúmes o meu procedimento mental seria: tenho ciúmes. Por quê? Porque a mulher é interessante e está claramente a fazer-se ao piso. A pergunta que imediatamente me coloco é se tenho razões para isso. E a resposta é “não”. Se a resposta for “sim”, estamos mal. É que o ter ciúmes dependeria sempre da atitude do meu namorado em relação à hipotética mulher. Se ele não se mostra interessado, vou preocupar-me com o quê?

Confesso que tenho dificuldade em traçar cenários em que tivesse ciúmes, pois acho que a solução é simples como um exercício de lógica. Lembro-me de ser trocada por outras mulheres e de não sentir ciúmes. Lembro-me que tinha raiva deles, desgosto, tristeza, mas ciúmes não. Talvez leve à letra a expressão que diz “ela era livre, ele é que não”. E lembro-me de amigas em situação semelhante, de darem cambalhotas de ciúmes, de procurarem toda a informação sobre elas, moradas, telefones, eu sei lá! E de ver o desgastante que era. Olhavam para mim e perguntavam como conseguia. Pois, não sei dizer, defeito de fabrico, mas não me levem a mal, antes assim! Eu também procurei informação, mas era uma curiosidade mórbida e a vontade de ver o quão cabrão ele era. Quase como para me provar a mim mesma “vê como não perdeste nada!”.

Depois do meu primeiro desgosto a sério com a módica duração de dois anos (e como nunca mais sofri nenhum, pelo menos durante tanto tempo), três meses depois de ser trocada – ou seja, tempo nenhum para quem sofre - eu estava na mesma praia que ele, que estava com a gaja e se comportavam como namorados. Nervoso evidente dele à parte, olhando de esguelha para mim, mostrava o piercing dela que lhe tinha oferecido nessa tarde. E eu estava destroçada como não podia estar mais, afastada do meu grupo de amigos que entretanto tinham ido cumprimentá-lo, sozinha na toalha agarrada ao Expresso, magra esquelética, em evidente estado depressivo e de dor, mas ciúmes não sentia. Eu estava-me nas tintas para ela.

Tenho medo de ofender alguém, mas não há forma de me explicar melhor. Acho que os ciúmes são uma questão de racionalidade. Esta é uma visão fria de quem não sofre disso, é uma visão out of the box que, espero, não alimente ódios a este blog. No fundo, é uma resposta pouco esclarecedora ao que me foi pedido, mas não consigo dar mais que isto, que é o que tenho.

7.6.10

Mais fragilidades

Continuo a ter fragilidades, vivo com elas no dia-a-dia, dormem ao meu lado e muitas vezes aparecem nos meus sonhos. Apesar de não ter razões para tal, continuo com medos. Ou há sempre razão para ter medos? Com fases melhores, outras piores, tenho a horrível sensação de que um dia tudo verá um fim. E pior, paro no tempo a imaginar como seria. E repito o meu nome por extenso, para mim própria, como uma mãe que ralha a um filho, para me deixar destas coisas, que não tenho juízo, que sou estúpida. Logo eu que detesto energias negativas e tenho medo de atrair a desgraça para cima de mim.

Esta tem sido uma parte dura de trabalhar, mas pergunto-me se haverá solução a estes desatinos momentâneos, se o contrário deste problema não será dar tudo por garantido. Venha o diabo e escolha. Entre ter medo e sentir alguém por garantido não faço ideia qual é a pior. A segunda hipótese é, a médio ou longo prazo, também uma desgraça.

Como numa destas semanas, com ele do outro lado do mundo, percebi que nesse dia ainda não me tinha dito nada ao contrário do que é habitual. Enviei um SMS que não via resposta, mas como tal nunca acontece, achei de imediato que algo ia mal. E olhava para o telefone de 30 em 30 segundos, e os medos a tomarem conta de mim, e aquelas palpitações horríveis, o esconder a terceiras pessoas o que estou a sentir, o semblante sério, a falta de sorriso para as piadas alheias que noutro momento até teriam graça. Chegar a perguntar-me se me saiu na rifa mais um cabrão.

Não me considero obsessiva ou histérica, não vivo colada lado a lado, não estabeleço contacto por tudo e por nada e acho até que dou todo o espaço que é possível dar a alguém, no entanto, por algumas vezes, não consigo afastar de mim este tipo de coisas. Será simplesmente gostar? Foi uma hora e qualquer coisa de agonia e quando cheguei a casa o meu portátil já denunciava dois contactos anteriores ao meu SMS. Descansei a alma e preocupei-me comigo. Quando é que vou parar com isto? Afinal tinha esquecido o telemóvel, só isso. Lembrava-se de mim e eu pensava como seria fazer malas.

Chegou a casa e falou-me em ter bebés.

5.6.10

Do you remember? #104



Bill Medley & Jennifer Warnes - I've Had the Time of My Life - 1987

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

4.6.10

Procura-se

Meu amigo DM é uma jóia de moço com galo na vida. Temos em comum uma vida de desgostos, de namoros mal alinhados, fase que eu já pus atrás das costas mas que ele continua a viver. Ele é o que eu e outras amigas chamamos de "o gajo mais gaja que existe". É sensível e ao contrário de homens que querem é viver, que é como quem diz querem pinar com metade das mulheres do planeta, ele está farto disso e quer é gostar de alguém que goste dele.

Esta semana mandou-me a entrevista que abaixo se pode ler, inconformado com o facto de não encontrar nenhuma mulher educada, atraente, doce, equilibrada e todas as outras características que um homem quer ver numa namorada.

E foi quando me lembrei que, como ele, podem existir leitoras deste blog. Se se identificam, já é algo em comum. E se o resto não jogar, sempre fica um bom amigo. As mensagens são bem-vindas para amacadeeva@gmail.com . Contando que ele não me mate com esta minha tentativa de lhe alegrar a vida, eu reencaminho os e-mails!

Ginásio e sexo

Estive dois meses sem pôr os pés no ginásio. O homem da Poisoned Apple esteve também mais ou menos esse tempo sem exercitar a musculatura. Resultado: banha. Piquenos pneus que se foram acumulando, nada que nos fizesse mudar de número de roupa, nada que me incomode quando olho para ele, mas algo que quando me olho ao espelho me deixa infeliz e envergonhada.

Ora então, toca de retomar o Holmes Place que tenho andado a pagar para nada, que é como quem diz, pegar fogo a maços de notas.

Fomos. Cheios de energia. Demos cabo do canastro. Saímos de lá estropeados.

E agora o sexo? É difícil. É um "ai, ui!" constante. É um "ai que não aguento mais!". É um "não consigo assim, dói-me nos músculos. Tenta assim!". É um carnaval, é o que é. Cenário de circo, resistência nula, precisamos de tempo para recuperar e acabamos pior do que quando voltamos do ginásio.

O meu corpo não acompanha o meu pipi. A idade não perdoa. E o pior são aquelas dores de músculos que nos fazem desatar a rir de dor. Não há ordem entre lençóis.

2.6.10

Poisoned Apple também falha

Meu amigo Piston, certamente num dia de mau feitio, deixou-me um comentário no blog em que perguntava quando se iria ler um texto no qual se lessem erros meus, do ponto de vista amoroso. Como se ele não os soubesse! Por alguma razão, para tal pedido, fiquei a pensar que talvez transmitisse a sensação de alguém que nunca falhou, nunca caiu em falso, nunca pecou. E já diz o ditado, quem nunca pecou, que atire a primeira pedra.

Recebi também um comentário de uma mulher que me dizia “aparentas ter uma força que eu invejo!”. Sorri e questionei-me: terei mesmo a força que aparento? Não serão momentos de força alternados com momentos de fraqueza, como toda a gente?

Mas é verdade, não vou mentir, acho que hoje tenho uma força incomparável à que tinha há anos. E isso aconteceu porque percebi que não morria de amor. Morria quase, só isso. Aconteceu porque falhei vezes sem conta. Não acho que tenha falhado com os homens, mas não tive respeito por mim própria, e esse é o pior dos erros. Humilhei-me vezes sem conta e, como toda a gente, aprendi a não repetir alguns erros. No fundo é como fazer cópias. Tanto se repete a gramática para que não se esqueça, mas até lá, travam-se duras batalhas. E em muitas dessas batalhas tinha perfeita consciência de que não procedia de forma digna. Tanto que não tinha coragem de contar a ninguém.

Hoje os tempos são outros, continuo a achar que o pior burro é aquele que não quer aprender. A vergonha não está na falha ou no erro, está em repeti-lo incessantemente sem que nunca se aprenda nada.

Era miúda, não sabia nada da vida, mas já chorei à porta de casa de um rapaz, sentada nas escadas que lavava com as minhas lágrimas, enquanto ele se ria dentro de casa com os amigos e jogavam jogos de computador. De vez em quando abria a porta, mandava-me embora, gozava comigo e todos riam à fartazana. Achava que a minha persistência o levaria a ter pena de mim e a tratar-me bem. Pena? Quão humilhante é isto?

Um namorado acabou a relação por telefone quando me dirigia para casa dele para irmos ao cinema, que era o que ele tinha combinado. Em vez de nunca mais lhe dirigir a palavra, andei a arrastar-me atrás dele. A insistir em telefonemas e SMS que não viam resposta. Quão triste e humilhante é isto? Dois anos depois, reencontrámo-nos. Dois anos que esteve sem dar cavaco e eu ainda queria estar com ele. O clima surgiu, outra miúda também, e quando tudo apontava para um recomeço, abandonou-me via e-mail.

Em casa de um namorado, onde estava a dormir sozinha enquanto ele se divertia pela madrugada fora em festas duvidosas, o telemóvel esquecido apitava histericamente. Demorei a encontrá-lo dentro de um necessaire. A mensagem de uma gaja dizia que tinha adorado o e-card dos sapos que lhe tinha enviado essa tarde, mais umas palavras dengosas quaisquer. O e-card tinha sido enviado por mim, poucos dias antes. Uma gracinha em que uns sapos saltavam de nenúfar em nenúfar e davam beijos de línguas esticadas. O que é que eu fiz? Chorei, calei a boca com medo de perder o que não valia nada e consenti. Continuei com ele sabendo que me enganava com uma gaja que estava do outro lado do mundo. Então achava que não era motivo suficiente para o mandar dar uma volta, como se a distância o justificasse.

Também cheguei a aparecer, vezes sem conta, em casa de um homem que não me atendia o telefone. Homem que era namorado! Ou pelo menos assim achava, me chamava e me apresentou aos pais. Estava lá sempre para ele, nunca falhava, e ele punha e dispunha. Eu fazia bolos e bolinhos, o meu primo mandava-me estar quieta. Devia tê-lo ouvido, mas na altura ainda não tinha percebido que os homens só gostam de desafios e rejeitam o que está ou aparenta estar garantido. O bom disto, é que sei agora que posso ser eu própria. Na verdade sinto que sempre fui, mas depois quando tudo começava a morrer, no meu lugar instalava-se o desespero e a falta de vergonha na cara.

Numa viagem a NY, a primeira que devia ser uma viagem de sonho, ouvi de um homem que conhecia uma mulher com quem não tinha nada, mas se ela desse uma oportunidade não sabia como seria. Como se não bastasse, passou a noite a chamar pela mulher enquanto dormia e enquanto eu observava todos os defeitos do tecto do quarto de hotel. No dia seguinte, só conseguia chorar. Pedi um momento sozinha e em vez de me consolar, pedir desculpa ou no mínimo, dizer que não me deixava sozinha, saiu porta fora e deixou-me com os ácaros num quarto de hotel, a milhares de quilómetros de casa. Bendita a maravilha do telemóvel e das palavras do meu padrasto, que tudo fez para me consolar do outro lado do mundo. Desci a Times Square e fui ajudá-lo a fazer compras para a "irmã" e "cunhada", if you know what I mean. Eu não vi um presente, mas no meio disto ainda fui capaz de lhe dar um. Just call me stupid.

Estas são muito poucas, quase nada entre tantas. Querem mais? O texto já vai longo e depois ninguém lê nada. E eu fico cansada de de escrever tanta tristeza, humilhação e falta de amor-próprio. O bom destes sapos todos que engoli, maiores que os do e-card, é que com o tempo dei o grito do Ipiranga, vomitei os sapos todos e passei do oito para o oitenta. Posso vir a falhar em coisas novas, posso sempre, mas estas já não as repito.

Olho para trás e parece que fui quase eternamente adolescente. Não tenho nada a ver com o que era. Hoje gosto mais de mim e percebi que se não me der ao respeito, ninguém me vai respeitar. Isso dispensa mais apresentações e é o segredo do meu bem-estar: as pessoas vão até onde eu lhes permitir, é a minha máxima.

1.6.10

Como estragar um vestido


Eu até nem sou de vir colar os vestidos das galas no blog, mas sou de os observar sempre. Neste caso não resisti. O vestido tem tudo para ser maravilhoso e, em vez disso, é trapo de rameira. Caiu-me o queixo que segurei, não fosse o espanto permitir que me entrasse uma mama pela boca adentro.
Penachos nos ombros fora e um decote em V sensato e este vestido tornar-se-ia absolutamente inesquecível pelas melhores razões. A discrição não foi escolha e, resultado, ninguém olhou para o vestido! Diz-me quem foi a este evento que uma pessoa nem conseguia falar. Era um magnetismo constrangedor, ninguém pensava noutra coisa e desesperava por sair à rua e desabafar com alguém. Era um espanto demasiado forte para uma pessoa aguentar sozinha.
Mas eis um belíssimo exemplo em como uma mulher com oportunidade de se mostrar uma senhora elegante, num ápice se transforma em rameira. E permanecerá rameira para sempre porque se dirá: lembram-se daquele vestido? Eu cá já não esqueço.

Há mulheres que ainda não perceberam que ganham na escolha da sobriedade, tornam-se mais interessantes e aguçam a curiosidade; a sedução não é sinónimo de uma mama em cima da mesa ou em cima de um prato junto aos talheres, é resultado da imaginação, do que está escondido e do que se gostava de ver. Ao mostrar tudo a imaginação perde lugar e o pensamento passa apenas a identificar (mais) uma porca.

Pobre mãe desta rapariga... e pobre vestido que podia ser tão jeitoso!