31.10.09

Do you remember? #75



Garota de Ipanema - 1963

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

28.10.09

Maravilhosa




Há anos que chama por mim. E eu disse-lhe em segredo que não se preocupasse, hei-de ir até aí, susurrei. E não lhe menti, vou mesmo. Não sei se salta de alegria, mas eu sem dúvida que ando a roçar a histeria, vivo com a alegria na massa muscular e a electricidade no sorriso. Vou abandonar o frio que já se começa a fazer sentir e parto com destino a 32ºC. A Cidade Maravilhosa vai ser minha por uma semana.

Vou de Havaianas à procura de água de côco, percorrer o Corcovado, o Pão de Açúcar, a Barra da Tijuca, o Leblon sem descurar um jantar naquele que dizem ser o melhor sushi do mundo: o Sushi Leblon. Vou comer no tão falado rodízio Fogo de Chão como se não houvesse amanhã, comprar todos os bikinis que conseguir, tentar não apanhar um escaldão, passar por brasileira e andar de chinelo o dia inteiro. Quero fundir-me e falar carioca, dar um bacalhau no Lula, provar cada uma das frutas no café da manhã, empanturrar-me com pão de queijo, falar com todo o mundo legal, tentar não levar um tiro nem ser assaltada. Na praia, vou ter sempre um saquinho de castanha de cajú na mão, um pé nas águas quentes e um olho nos bikinis que se vão vendendo na praia ao preço da uva mijona. Quero sandálias, mais que muitas, quero namorar, quero encontrar a Maitê, ameaçar uma mija no Cristo Redentor para depois dizer que era uma brincadeira, as meninas educadas não fazem xixis no meio da rua nem cospem em monumentos nacionais.

Quero andar de mão dada no calçadão, dar abraços, beijos na boca, quero tirar todas as fotos que a discrição permitir, comer doce de leite com colheres de sopa e comprar mais e mais brincos. Quero fazer as compras de Natal, andar de bondinho, ser garota de Ipanema, dizer "oi?" quando não perceber o que me disserem, proferir expressões tais como show de bola, sacanagem, jeitinho gostoso e pô, quando não me fizerem as vontades. Quero aprender a dançar samba sem parecer que tenho ouriços nos pés, quero ouvir bossa nova e alegrar-me com muitas caipifrutas. Quero ganhar novas cores, trazer a mala enorme (e emprestada para o efeito viagem-compras) pesada e, essa já tenho a certeza, a vontade de querer voltar.

Nota: para quem já foi, agradecem-se ideias para passear e spots para adquirir bikinis e outros bens de primeira necessidade. Mails para aqui: amacadeeva@gmail.com Obrigada!

26.10.09

No restaurante italiano...

... ele estava aquilo que eu chamo de "mimoso", como a vaca do leite, mas no masculino. Ele era miminhos, abracinhos, mão dada, as vontades todas feitas, festinhas, palavras queridas, transformação aliás que venho notando há mais de um mês. Um estado amoroso constante, imperturbável, como se eu tivesse sido agraciada por uma paz intocável. Certo é que a autora e o homem da Poisoned Apple têm muito boa relação, com dois ou três desentendimentos a constar da lista, mas isso todos sabemos que faz parte.

Mas desengane-se quem achava que eu andava a viver nas nuvens. É que os homens não mudam, por isso algo se passava. Até passou a fazer o jantar sozinho! Ou seja, para mim existia motivo de preocupação que conversei com uma amiga. Das duas uma: ou apanhou um cagaço no último desentendimento, viu-me com um pé do lado de fora da rua e teve medo, ou traiu-me e sente-se culpado.

As pessoas não mudam porque o vento sopra numa determinada direcção ou porque acham que uma determinada atitude é a correcta a ter. Se não fizer parte da personalidade de um indivíduo, não espere mudanças, nem neles nem nelas. Eu também acho que devia fazer ginástica mais vezes, está provado que apenas me beneficia, mas ainda assim não faço tanto quanto gostaria. Ou seja, ninguém muda porque apenas quer ou acha que sim. Mas há algo que sem dúvida pode transformar uma pessoa: o sofrimento. Assim sendo:

Possibilidade 1 - Medo do fim, de sofrer, perceber que nada está garantido e ter de se esforçar mais
Possibilidade 2 - Traição, sentimento de culpa, medo de ser descoberto

Andei de olho, procurei indícios, observei, fiz contas... Nada! Muito pelo contrário. Cheguei a perguntar o que se passava, o que é que ele tinha, afirmando que nada e enchendo-me de beijos.

No italiano, à conversa e à luz de vela, olhou para mim e disse: estou cada vez mais apaixonado, enquanto me segurava na mão.

Sim, fiquei feliz, sorri e podia o caro leitor acusar-me de ser uma criatura negativa por não contar com uma Possibilidade 3. Mas é que surgiu imediatamente uma questão para o lugar dessa possibilidade: então e antes não estava?

24.10.09

Do you remember? #74



Cock Robin - When your heart is weak - 1985

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23.10.09

Marry me

Quando a Pipoca me contou que ia casar, não queria acreditar! Fiquei genuinamente feliz por ela, fiz mil e uma perguntas sobre o monumental pedido e sobre o que está para acontecer, se tinha chorado, se não, quantas pessoas tinham assistido... foi um excitamento. Foi também como assistir a um desenrolar da história e ver que apesar de tropeções, mazelas e outras tareias, um dia chega a hora de uma pessoa. Não que o casamento seja a ginginha no topo de bolo, o Santo Graal, o momento que todas procuram, mas sem dúvida que tem o seu quê. É saber que se é de tal forma amada, que um homem está disposto a assinar uma união. É ter a certeza absoluta que o sentimento é verdadeiro, certeza essa que é mais importante para umas do que para outras mas, importâncias à parte, é sempre emocionante, tem o impacto de um murro no estômago, tem o poder de alterar o sistema nervoso de uma pessoa e, com isso, o poder de fazer querer mudar uma vida inteira.


E foi a Pipoca que me fez cair em mim sem que o soubesse. Tenho passado a vida a dizer que não quero casar. Houve alturas em que me convenci mesmo disso, mas a verdade é que digo que não quero casar porque nunca acreditei que um homem fosse gostar tanto de mim a ponto de querer casar comigo. Procurei convencer-me que no fundo o casamento é apenas um papel que não faz diferença. De facto, na prática não faz, a não ser no IRS, mas há algo de fascinante em saber que o homem de quem se gosta é o "marido".

Está confessado o verdadeiro motivo, ainda que eu preferisse realmente não querer casar. Poupava-se a desilusão, mas pode ser também que uma mentira proferida mil vezes se torne verdade.

21.10.09

Aquele italiano*

Trabalhava eu furiosamente sobre o teclado do escritório quando o homem da Poisoned Apple, em casa, apareceu no messenger para enviar beijinhos, corações e outros adereços. Caro leitor, atente na conversa que se segue, verdadeiro exemplo do poder de uma mulher sobre um homem. Veja até onde vai a persuasão femina, ora leia:

Eu - Então e o que é que se janta hoje? Já deves ter preparado um verdadeiro pitéu!
Ele - Vamos jantar fora
Eu - Isso é que é cozinhar! Italiano?
Ele - Sim, mas outro
Eu - Mas eu quero ir a esse ao lado de casa! Eu quero! Eu quero! Eu quero! Eu já estava a sonhar com a carbonnara e os profiteroles com mousse de chocolate! E eu quero AQUELA carbonnara que não é igual às outras! Eu quero! Eu quero! Eu preciso! Não gostas de mim, eu sabia. Nunca me fazes as vontades! Estou quase a perder a vontade de ir jantar fora... snhiiiff! - em jeito "vou atirar-me da janela"
Ele - Ok, vamos a esse
Eu - Mas se não quiseres, deixa...
Ele - LOL! Fazes sempre isso quando consegues as coisas!
Eu - Hum? Isso o quê?

Receita: aja como se a família estivesse a morrer, adicione a possibilidade do sentimento não ser retribuído, mostre que o que deseja é tão importante como a própria vida e misture tudo. Aguarde que cozinhe em banho-maria na mente e coração do seu companheiro e a resposta vai ser uma doçura. Faça-se sempre de parva.

* Nota: já à espera de receber comentários que afirmam como sou uma mimada, importa explicar que isto foi uma brincadeira que tive com o homem, heim? Mas a brincar se diz a verdade, não é? :)

19.10.09

Verdade #55

Estava tranquilamente na minha dieta, a mastigar cubinhos de melão enquanto trabalhava em frente do meu novo portátil. Eis que, sem qualquer tipo de aviso, um espirro dá de si.

Não tive tempo de pôr a mão à frente.

Posso dizer que não foi um espectáculo bonito. Nem leio bem as letras.

17.10.09

Do you remember? #73



Whitesnake - Here I Go Again - 1982

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16.10.09

Girls will be boys

Agora que vou tomar um medicamento para a próstata - diria dirigido apenas ao sexo masculino, mas ao que tudo indica com benefícios nas meninas - tenho para mim que vou conhecer um mundo novo. Vai brotar na minha pessoa toda uma compreensão acerca dos homens, tudo vai ser claro como água, nunca mais estranharei o sexo oposto e muito menos o condenarei. Será como viver na cabeça de um homem comum por 365 dias, o tempo da toma do dito, que me tornará num novo ser, esclarecido.

Certamente fugirei com toda a informação que disponibilizarei gratuitamente às mulheres que a solicitarem e seremos todas felizes para sempre. O trabalho é sempre nosso, do sexo feminino, mas nós damos conta do recado! Me aguardem!

Ou isso ou cresce-me uma pilinha. Com ou sem testículos, não sei.

14.10.09

"The" voice

Não dou a conhecer a minha cara, mas eis que vos dou a conhecer a minha voz (em off) :)

Adorei este trabalho!

12.10.09

Grandes entradas #2

Nada como levar as mãos ao peito, encarar a realidade: Houston, we have a problem, pedir a todos os santos muita paciência, bater à porta do gabinete do patrão, logo no quarto dia de trabalho - depois de ter batido com a porta do seu Mercedes XPTO numa coluna de betão - e avisar que o portátil que me deram para trabalhar quinou. Que é como quem diz berrou, morreu, desfez-se, derreteu. Poisoned Apple, acho que isto não tem arranjo, vai mesmo ter de se comprar um novo... - disse horas mais tarde.

Este magnetismo especial que eu tenho de arrasar tudo o que toco... eu só liguei o power e deu nisto!

Kaput. Este post desintegrar-se-á após leitura.

10.10.09

Do you remember? #72





Billy Idol - Mony Mony -1987

(original: Tommy James & The Shondells -1968)

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8.10.09

Limpa-te aqui

Um dia destes conversava com a minha amiga Vizinha e seu marido Vizinho, questões relativas ao obranço masculino. É incompreensível que certos homens sofram de uma produção massiva tal, que consigam cagar, literalmente, toda uma sanita e ainda gastar 3/4 de um rolo de papel higiénico na limpeza da fonte, tudo com medo de sujar as impressões digitais. Ou de deixar impressões digitais, agora que penso nisso. Adiante.

A minha amiga, cansada daquele consumismo obsceno, vai de obrigar o seu homem a sentar a peida no bidé e a lavar-se, no lugar de gastar parte do orçamento do agregado familiar em futilidades como papel higiénico. Não que considere este bem de primeira necessidade uma futilidade, mas quando vai de segurar na extremidade e puxar do rolo como se não houvesse amanhã - e aliás, recordo, como fazia a minha irmã mais nova correndo pela casa fora - aí estamos a brincar com os pobrezinhos que não têm outro remédio senão limpar-se ao jornal. Mas desengane-se quem pense que a minha amiga conseguiu um grande feito. Agora o problema é que o seu esposo deixa micro-resíduos no bidé que, com o tempo secam, e não tem ela outro remédio senão raspar com as unhas. E com uma fúria que só vendo. Quem disse que o amor era fácil?

E nisto, eu e o homem da Poisoned Apple fomos às compras. Na hora de escolher o papel higiénico, que ele quer sempre o mais fofo, com 300 folhas duplas ao melhor estilo esdredão de penas (não vá ele lesionar o ânus), tentei explicar a barbaridade que era gastar tanto dinheiro numa coisa que servia para limpar o rabo, quando logo na prateleira ao lado existia a mesma coisa, para o mesmo efeito, mais barato.

Chegámos a um acordo a meio da prateleira: nem caro, nem barato; nem com penas de ganso, nem com arame farpado. Mas insistiu na quantidade porque assim até saía mais barato o rolo. Então vai de ocupar o carrinho de compras com uma embalagem de fazer inveja ao Pai Natal: 50 e tal rolos mais uma dezena de oferta. E eu perguntava-lhe: tens noção que isto é mais de meia centena em rolos de papel higiénico? Ele não quis saber. Eu encolhi os ombros, mas quando chegámos à caixa senti-me envergonhada. Parecíamos uns cagões.

Mas os homens são como as crianças. Quando há muito, têm gozo em gastar. E eu comecei a ver o primeiro rolo de papel higiénico mirrar rapidamente. Assim sendo, deixei-lhe um recado.


E foi toda uma conversa sobre asfixia democrática e escutas à porta de tudo o que ele produzia, que já não se pode estar em lado nenhum e que vivemos numa nação mal parada. Está como o Cavaco, a cagar chouriços, não confirmando nem desmentindo se tinha produzido em demasia, nem ainda se tinha sido ele o autor de tamanha despesa.

6.10.09

Grandes entradas

Obrigado estimados leitores, toda a sorte que me desejaram nesta nova incursão profissional. Fico muito sensibilizada e sinto-me pois, obrigada a partilhar a minha grande entrada logo no primeiro dia deste novo emprego.

Feitas as apresentações, o primeiro dia foi toda uma manhã em diálogo sobre o futuro, um reforço do que já haviam dito do que pretendiam da minha parte e um convite dos Directores para almoço. Simpático. Umas boas-vindas marcadas em almoço gourmet com os manda-chuva da empresa. Abriram-me a porta do carro, qual Ambrosio, seguimos em conversa animada, estacionámos para mimar o estômago que já pedia e, Poisoned Apple, com a sua elegância do costume, vai de estoirar a porta do Mercedes espada-comprido-extras-faz-tudo-menos-depilação-a-laser do patrão numa coluna de betão. Tudo normal. Lapso sem consequências no processo contratual.

É um magnetismo especial este que eu tenho de fazer entradas triunfais nos primeiros dias de emprego. Ficou para a memória o primeiro dia do meu primeiro emprego "a sério", dia em que tomei o pequeno-almoço e fiquei para lá de Bagdad de tão mal-disposta que estava. Não eram nervos que eu não sou miúda para essas coisas. Aquilo caiu-me de facto mal. Toquei à campainha, abriram-me a porta com um sorriso e eu não sorri para ninguém. Olhei para o chão e...

vomitei-me toda.

Atenção, não cheguei sequer a proferir um educado "bom dia!". Foi o chama o Gregório do mais fundo das minhas entranhas. A alcatifa verde de uma empresa de prestígio ensopada. Os meus cabelos, as minhas calças, os meus sapatos todos espirrados. As calças e os sapatos de quem me abriu a porta também. Um cheiro nesfasto capaz de acordar um morto e um dia inteiro mal-disposta. Vá lá que me foram dando chazinhos o dia inteiro. Fofos.

Mas isso pertence ao passado. Ainda neste novo emprego, como se não bastasse, sabendo eu que a cada esquina daquele edíficio há uma câmara, estou calmamente à espera do elevador quando se me dá uma comichãozita no hemisfério sul e vai de coçar o pipi num corredor que eu pensava vazio. Lá vazio estava, mas tinha uma câmara mesmo por cima de mim com uma luzinha vermelha de quem diz eu estou-te a ver..!

Esta é a minha vida.

3.10.09

Do you remember? #71



Berlin - Take my breath away -1986

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1.10.09

Uma no cravo e outra na ferradura

É tempo de mudança, é tempo de uma fase nova que começa hoje mesmo. É tempo de um gabinete para mim, condições quase principescas (dizem) e de começar a mandar em alguma coisa. Agora as decisões são minhas. Ficou um outro emprego para trás do qual ainda trago raiva na mala. Resta a satisfação de que mudei para melhor, a satisfação de ver os números multiplicar e, espero, a satisfação de quem ri por último rir melhor: o meu sucesso noutro lado. Hoje é o início de uma nova fase de crescimento profissional e estou feliz com isso!