Este género de comentários representam para mim o lado infeliz de ter um blog:
"Eu sou mulher e acho que quando se dá demasiada importância aos gadjets como tu dás, que não falas noutra coisa, é mau sinal. Não sou contra eles, mas até hoje nunca precisei e porquê, porque o meu marido me satisfaz inteiramente sem precisar de ter coisas a estimular isto e aquilo. E tenho dito. Aliás parece-me que andas meio obcecada com o sexo e com o mostrar que tens homem. Enfim. E antes que me digam que se não gosto escuso de cá voltar, eu aviso já que não volto cá, que isto está a tornar-se um blog de dicas sexuais e fotos para mostrar o tufinho do pipi num biquíni tigresa horrível, para mostrar q faz topless (uau) e para mostrar que tem homem".Anónima
A mente diminuta é inquietante e quando se faz juízos de valor sobre o desconhecido, aí faltam-me as palavras, logo eu que tenho sempre uma debaixo da língua. Podia simplemente apagar o comentário, mas o povo deve ser educado, a fazer reciclagem, a não cuspir na rua, a conduzir de forma cívica e a ter tento na língua. Ou nos dedos. Assim, cumpro o meu dever de cidadã.
Não sofro de nenhuma disfunção sexual (bater na madeira!), mas caso acontecesse, estava a ser condenada por procurar soluções, o que para mim revela uma atitude absolutamente extraordinária. Acusada de dar dicas, há que esclarecer que não prestei dicas sexuais, muito pelo contrário, procurei informação junto dos meus leitores. Afinal, eu é que queria as dicas! É que eu estou longe de saber tudo na vida e não há nada como a partilha, pois informação é poder. Curioso é o facto do último
post vir na sequência de outro e fruto de um comentário masculino que muito me interessou. Era contrário à minha opinião, mas era construtivo e também uma brincadeira. O J., seja lá quem ele for, não me insultou. Curioso também é o facto da Anónima ir contra tudo o que leu:
até hoje nunca precisei. Ora, caramba, gira o disco e toca o mesmo. Mas eu não falava de não se tratar de uma questão de necessidade? Há leitores que me trocam as voltas.
Além da minha obsessão (e eventual disfunção?) sexual, parece que me gabo de ter homem, logo eu que tantos desgostos sofri e sobre isso escrevi. Tudo indica que quando a vida não foi partilhada, gabava-me de não ter homem.
Pois cá para mim, tirei fotos porque gosto; faço topless porque adoro, é libertador, gosto de me bronzear, salvo excepções em que o pudor social me impedem de tal; não faço bandeira disso, como não faço de beber água; tenho homem mas durante sete anos passei o diabo com desgostos e desilusões, vivi infeliz a maior parte desse tempo (e gabei-me, diz-se) e continuo com medo do que pode sair "desta vez". É que gato escaldado tem medo de água fria e não dou nada por garantido. Ou certo. E também, não iria a um
blog comentar que os sapatos de alguém, o biquini, o vestido ou o quer que seja, são de fugir. É que não acrescenta nada à minha vida nem à dona da indumentária. Posso pensar que não gosto, mas há tanta coisa que não gosto. Assim sendo, para quê? Não se compreende.
E cara Anónima, cá entre nós que mais ninguém nos lê, se calhar o melhor era experimentar destes
gadjets, ao que parece mais que muitos. Aliviava-a de alguns tormentos. Não sei, digo eu que nada sei.