30.4.09

A vingança

Depois da minha brincadeira com uma nota de 20€, veio a vigança. Eu e o meu amigo DM somos de muito boas contas e quando me devolveu 10€, antes de lhe pegar, sorri imediatamente e perguntei se vinha com algum recado. Disse que não, mas lá estava a mensagem que me fez rir às gargalhadas. Não sei onde isto vai parar, mas para já posso afirmar que a nota se mantém na minha carteira e ainda não me fez passar nenhuma vergonha.

"Querida Ana,
leva isto como um miminho pelo teu bom desempenho oral de ontem...
Parece que ainda a sinto!!!
Um beijo"

29.4.09

Hey Jude

Foi um dia daqueles, a correr contra o tempo entre dois trabalhos, danada por terem estacionado o carro em segunda fila em cima do meu, furiosa porque em casa as coisas não estavam conforme as minhas necessidades, o relógio a andar para a frente mais depressa que o habitual e sempre a mesma pergunta a piscar no telemóvel, um dead end para o qual não tenho resposta, nada podia depender menos de mim e, fruto da repetição e irritação, saiu-me uma resposta torta. Dali, veio outra: "anotado!". E o caldo entornado.

Deixei-me estar, apesar de saber que a culpa era minha. Pensei que pediria desculpa mais logo, amanhã, depois, eu sei lá. Não me deixei abater, mantive a teimosia e recebi a mensagem que não esperava antes de um mea culpa:

"Hey Jude, don't let me down..."

E o coração ficou-me nas mãos. De facto, se calhar há pessoas que merecem que abandonemos o orgulho, a teimosia e outras características do género, mas eu já não as sei identificar.

27.4.09

Gostar, estar e ficar

Quem gosta, fica, está. Quem não gosta vai-se, não está. Gostar, amar, deixar-se ficar do lado de quem dita o coração, para mim não tem áreas cinzentas. Ou sim ou sopas. Ou é ou não é. E quando um homem dita que assim não seja, porque precisa de tempo, de espaço, que a culpa é dele, mas gosta muito dela, ama-a de coração, desfaz-se em declarações, mas precisa de estar só e outras mentiras que abafam a existência de terceiros (ou mesmo que a verdade não inclua um trio, porque afinal as pessoas podem simplesmente ser fracas, estúpidas e/ou imaturas), são para mim o fim de um investimento.

Estes são filmes que já vivi e assisti, como outras, sempre incrédula, sempre à procura de respostas, fazendo as vezes daqueles fantasmas de sótão que arrastam no pé uma corrente presa a uma pesada bola de ferro. O latente, repetitivo e arrasador "porquê?" que não vê resposta come uma mulher por dentro, dirige-lhe o olhar e as energias de um dia inteiro para um telefone que se deseja a tocar no próximo instante, para a caixa de e-mail onde sonhamos mil perdões de quem teve medo de encarar a nossa cara sofrida, o que afinal não é mais do que cobardia. É, já todas passámos por isto.

Mas a vida ensinou-me que afinal a verdadeira justificação não é importante, basta o acto para que se tome a decisão de acabar com o sentimento dentro de nós por quem não merece. Há muitos anos, mais do que uma vez, lutava desmedidamente por quem me partia o coração. Expunha-me, humilhava-me, em nome daquilo que era um bem maior, porque pensava que movida por bons sentimentos o bem haveria de prevalecer. E a verdade é que conseguia. Mas por razões desconhecidas mudei, sem data ou fase específica e apesar do sucesso das minhas lutas, passei a ser da opinião que o que fazia não tinha qualquer sentido. Hoje, penso que lutarei sempre por um homem se eu própria cometer um erro, se fizer uma asneira, porque não estou livre de falhar. Mas quem falhar comigo, Deus me livre da tentação de dar um passo na recuperação de uma perda que não provoquei. A vida cansou-me, a luta deixou-me gasta.

Hoje, quem eu quero e me quer tem-me de coração, a minha dedicação e toda a minha generosidade. Tem-me na alma, na pele, e todos os poros. Mas se se lembrar de fazer asneira vai ver-me desaparecer no mapa sem oferecer resistência ou luta. É que o que vejo acontecer por aí extinguia-se se todos agíssemos da mesma forma: sabendo a parte pecadora que não existiriam gritos, lágrimas, puxar de cabelos desesperados e volta que não sei viver sem ti, o medo da verdadeira perda dava lugar ao é-só-um-bocadinho-que-eu-volto-já-já, obrigando muita gente a crescer e a tomar decisões sérias, em vez de andar a dispor da vida da qual se julga dono, mas que afinal é alheia.

25.4.09

Do you remember? #50



The Housemartins - Build - 1987

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

Esta miúda pensa!

Mais um prémio, desta vez oferecido pela Dark Soul.

Obrigada!

23.4.09

Sirva-se com inclinação de 40º

Quem me conhece sabe que ando desesperada para largar o emprego e encontrar outro. Sabe que fui aumentada na semana passada e não esbocei nem um sorriso, sabe que desespero por desertar, desaparecer, esfumar-me num corredor da entidade patronal e nunca mais voltar.

Hoje foi um dia em que tive de chegar mais cedo. Praguejei contra o trânsito, reconheci - como todos os dias - que é impressionante o mal que se conduz neste país e que não vale a pena sair de casa mais cedo se vou demorar o dobro do tempo a chegar. Mas quando cheguei tinha este e-mail na minha caixa de correio:

"Gostava de te dar um beijo com sabor a boa disposição para te acalmar o mau humor da manhã.

Tipo beijo-café, retemperador.

Assim mais ou menos na bochecha esquerda, 40º de inclinação e com a mão no ombro, para aproximar.

Pode ser?"


E o sorriso que não se esboçou para o aumento exibiu-se para uma doce inclinação de 40º...

22.4.09

Sexo: o lado não da almofada


"Não vem que não tem", "dói-me a cabeça", "estou cansada", "hoje não" por qualquer razão não especificada, parecem-me desculpas que estão na ordem do dia. A verdade é que vejo o milagre da multiplicação acontecer com estas histórias e, antes que comecem a chover gilletes, eu sei que cada uma é como é, que ainda tenho muito que viver e que há aspectos de uma vida a dois que desconheço. Mas há algo que conheço com certeza absoluta: a forma como me move o coração.

Contava-me um amigo divorciado que chegavam a passar meses em que não tocava na mulher dele. Ela nunca tomava a iniciativa e ele, às tantas, ao fim de tantas negações, achava que o melhor era estar quieto. Ou estar "sozinho". Impressionava-me a conduta dela, o adormecer no sofá constantemente para só ir para a cama já de madrugada, desencontrando-se o casal no leito; o deitar mais cedo, antes que ele o pudesse fazer também, para que quando chegasse já o sono fosse alto; o deixar a criança na cama, a meio, por razões sem cabimento; um rol de situações que aos meus olhos são desesperantes e que tornam uma relação num verdadeiro campo minado. Um destes dias comentei estes factos com um outro amigo, separado há pouco tempo, que me confirmou: "sim, é assim mesmo. Eu já conheço todos os truques!", enquanto parecia encher o peito de um orgulho estranho, na posse de uma sabedoria de quem pensa que no futuro o equivoco não baterá à porta, peito cheio de quem sabe mais, de quem sabe identificar os sinais e, talvez, cheio porque não permitirá que tal volte a acontecer, recorrendo ao diálogo ou, em alternativa, o rápido diagnóstico permitirá saltar fora da teia mais cedo, minimizando-se o tempo de sofrimento e a perda de tempo numa relação gasta. A esta minha dedução que não confirmei, acrescentou outras estratégias que desconhecia, como o adormecer no chão da sala porque é bom para as costas. Invenções às quais recomendaria pilates.

Fiquei a pensar que existia um claro padrão entre aquelas que são ou foram as mulheres de amigos meus, o que se extenderá a mulheres que não conheço de lado nenhum. Não consigo compreender o que leva uma mulher a este tipo de atitude e, pior, não consigo imaginar o que se sente quando se ouve o esticar dos ossos no sofá, longe da vista, para que uma recusa surda indique que hoje também não. Dão-se por aí verdadeiras facadas nos matrimónios e o que me inquieta não é a falta de sexo, é a falta de diálogo e de se viver "bem" em camas nas quais os lençóis tanto esticam que se rasgam, acabando por dormir um em Brasília e outro no Cairo, com um qualquer Atlântico pelo meio.

Não compreendo a falta de vontade que uma mulher tem em sentir-se desejada todos os dias pelo homem que supostamente quer ao lado, não compreendo que um casal deixe de o ser e passem a conhecer-se como estranhos. Muito menos compreendo que um "não" tenha de ser sinónimo de costas voltadas, amuos, trombas e silêncios de rejeição no dia seguinte, até que a sorte mude. Mas afinal o que juntou duas pessoas? Não foi isto de certeza. E porque é que muda? Porque o par passou a estar garantido?

Sempre que este tipo de reflexões me atormenta, juro que peço ao Anjo da Guarda que nunca me mude, que nunca permita que me torne numa mulher distante e que nunca se altere o meu comportamento a dois. Não sou ninfomaníaca, mas sou viciada no amor e quando a conjuntura diária não permite carnavais na horizontal ou de pé, quero manter sempre aquele carinho que me é característico, substituindo o que fica para outro dia por um sono recheado de afecto, como nos bolos, numa qualquer posição escolhida para amar sem penetração e que não sei se consta do Kamasutra.

21.4.09

Mais prémios

Muito agradecida. O reconhecimento dos colegas de blogosfera qualquer dia leva-me às lágrimas. Mais prémios foram concedidos à Maçã de Eva, a saber:
"Este blog é tão bom que até arrepia", pela Werinha e pela Flávia (:
"Seu blog é ROXIE!", pela Tixa e pela Pátuá

"Your blog is fabulous!", também pela Flávia (:

20.4.09

Voa-me por Lisboa ao Tejo - II

Estranha experiência. Pergunto-me se o texto que abaixo segue se apresentasse em prosa corrida seria comentado como habitualmente ou se a "apresentação" desagrada. Digam-me de vossa justiça, pois gosto de agradar.

Ou então não foi do agrado de ninguém e nada tem a ver com a apresentação! Estou na dúvida.

Voa-me por Lisboa ao Tejo

Do Castelo, com uma vista do tamanho do coração,
levanta os meus pés,
faz-me flutuar como flores de algodão
e voa-me por Lisboa ao Tejo.

Eu quero morrer de amores, por isso levar-te-ei comigo,
num tapete das mil e uma noites,
dar-te-ei a conhecer as cores da minha emoção,
mais que as sete cores do arco-íris.

Dar-te-ei a conhecer a Alfama, a Bica e a Graça,
vem comigo, não tenhas medo,
voa-me por Lisboa ao Tejo sem nunca me deixar,
sem me deixar na boca um travo a lima,
sem chorar como um rio que se desfaz no mar.

Meu amor, quero-te mais que ninguém,
rasga a luz do dia e traz-nos a noite,
voa-me por Lisboa ao Tejo com lua,
que eu gosto é de te amar.

Abraça-me nessa noite iluminada,
deixa que este sentimento nos mate
que eu gosto é de te amar e voar.

18.4.09

Do you remember? #49



Undercover - Baker Street - 1992

(sugestão enviada pelo Tiago)

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16.4.09

Getting the balls in a Post Secret convention



"I sat there engulfed in a feeling of who-knows-what and started getting butterflies in my stomach. Apparently, my reaction was too slow since Sara and Jonathan were urging me to get up and walk. My walk was even slower than my reaction" - Natalie

"There have been very little things in my life that I have been sure of, but Natalie was the first and only exception. Realizing that I wanted to spend my life with Natalie was the easiest, most crystal clear, and natural decision of my life. Getting the balls to get on stage in front of hundreds of my peer, with no time to prepare was not as easy" - Anthony

Eu é que ia tremer, perder ordem nos joelhos e chorar desalmadamente. Quero um momento assim na minha vida, definitivamente. E não precisa de ser para casar.

14.4.09

Esta teimosia de amar

Sabes que amar é a maior força que me move, senão a única. Não me importam as outras esferas da vida. Com elas sobrevivo, não vivo. Talvez triste, minimalista, trágico ao melhor jeito de Florbela Espanca, mas verdade. Não me interessam os amores breves que nada acrescentam à minha vida, desprezo-os. Não vivo de migalhas, quero o arrebatamento que traz a tua presença, quero que me leves em ti, quero trazer-te em mim. Quero a dois sermos um só, palavras que te roubei, sentir a nossa leveza nos nossos lençóis, que na verdade são teus, ou nossos, porque gostar de dividir tudo. Palavras faltam para descrever a plenitude, a paz que sinto no teu despertar de madrugada, ouvir-te tomar banho enquanto me deixo levitar num sono acordado, sabendo que estás na divisão ao lado e que, perfumado, te chegas a mim para não sair sem antes me deixares um beijo (e)terno. Esse tocar de algodão em que te aproximas pela minha nuca, me faz crescer esta intensidade bruta no peito e te deixo ir, não sem antes de encostar os meus dedos na tua cara, deixar-te uma festinha, num silêncio doce, nosso, de quem não precisa dizer mais nada no escuro, porque está lá tudo.

Nunca me dês de um amor triste, diminuto, efémero. Dá-me da violência do arrebatamento, do calor que emana do medo de não seres meu, da ansiedade de te ter e ver, do alívio de te dizeres só meu. Toca-me com as tuas palavras, irmãs das minhas, com a perfeição do nosso encontro de almas gémeas, com os teus cabelos brancos e a mania que te falta cabelo.

É, o amor é a força que me move e cada segundo dos meus dias são traçados para esse nirvana. Não desejo mais nada no mundo, nada mais do que aquele sentir do teu braço enrolado em mim, mesmo quando o teu detestável ressonar escorraça o meu sossego nocturno e eu penso que não há nenhum lugar no mundo onde eu preferisse estar do que aqui contigo, enquanto guardo para outro dia a vontade de enrolar os teus caracóis curtinhos nos meus dedos para não te acordar.

13.4.09

Verdade #46

Gosto de ti como a ventania que se sente quando abro as janelas do lado norte e sul de minha casa. Gosto de ti como a força da deslocação do ar que provoca. Não, gosto muito mais de ti do que o estrondo que se ouve quando as janelas batem uma na outra.

11.4.09

Do you remember? #48



Beyonce - At last - 2008

(original written in 1941 for the musical film "Orchestra Wives")

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9.4.09

Amar hoje e outros dias

"Benjamin, we are meant to lose the people we love. How else are we supposed to know how important they are?"

The Curious Case of Benjamin Button

Não vou perceber nunca, não quero perceber nunca, as pessoas que apenas sabem o quanto amam depois de as perderem. Quero longe da minha vista os que vacilam, os que apesar de saberem que a vida tem altos e baixos, rumam com a maré e num dos remos levam o sentimento. E voltam. E desaparecem. E voltam mais uma vez, como se de um jogo de crianças se tratasse.

Os meus dias podem ser horríveis. O meu amor, enquanto amar, é inabalável. A verdade é que esta característica me mata, mas também me torna única a quem souber receber.

7.4.09

Aquele abraço, aquele beijo

Foi num fim de tarde Dezembro de um dia que não quero dizer. Na verdade já era de noite, não lembro as horas, devia ser pelas 19h ou 20h, num daqueles dias em que se fazia sentir o frio típico da época natalícia, aquele que dizemos que racha e que a mim me deixa os pés azuis. Fugimos da festa onde não se podia fumar - que isto da ASAE é para cumprir - e como bons cidadãos desaparecemos para uma escada de emergência, onde já tantas vezes tínhamos estado para fumar. Era o nosso sítio para estarmos sozinhos, tornou-se o sítio de sempre, o nosso. Sabíamos um e outro que não queríamos fumar coisa nenhuma, queríamos apenas estar sozinhos, sermos só nós, bebermos do que somos quando estamos sós. O estômago tremia-me e não era do frio, o nervoso de estar sozinha contigo intensificava-se de dia para dia e eu perguntava-me o que me estava a acontecer. Estava a apaixonar-me e nem tinha consciência disso.

Tu, compravas muitos maços de tabaco, tu que nem fumas e és asmático, passaste a fazer os teus dias comigo de tabaco no bolso, matéria que era para ti tão fundamental como cada um de nós carrega o telemóvel e um cartão multibanco. Na tua asma, repetias-te, fumando cigarros uns atrás dos outros porque sabias que eu fumava naquelas escadas. Foi ali mesmo, depois de alguma cinza espalhada no chão que me abriste a porta para voltarmos onde estávamos. Cada um seguiria o seu percurso, mas eu não quis. Num arrojo que não sei onde fui buscar, bati com a porta, fiquei de frente para ti naquele lugar tão apertado, deitei a cabeça no teu ombro e ali me deixei ficar, num abraço que ainda não tínhamos dado. E apertaste-me com tanta força. Entrelaçaste os teus dedos nos meus cabelos, fizeste-me festinhas e ali ficámos naquele abraço eterno, de peito cheio e em silêncio. Mentira, silêncio não, tu suspiravas profundamente, como quem se sente aliviado. E não precisávamos dizer nada.

Foi na mesma escada, também numa noite escura como breu, depois dos cigarros que só eu fumei, foste tornando o espaço mais pequeno, estavas cada vez mais perto de mim. Olhávamos, sorríamos do nervoso, mentalmente perguntava-me se era um primeiro beijo que aí vinha, amaldiçoei o raio do cigarro que me tinha deixado sabor a cinzeiro, inclinei-me para trás, avisei-o, ele não quis saber, deu um passo em frente, e outro, encaixou as mãos na minha cintura, olhou no fundo dos meus olhos, esses que fechámos e depositou os lábios dele nos meus.

Embora longo, foi dos beijos mais acelerados que dei. Brinquei com isso dias mais tarde. Ele explicou que os nervos e a ansiedade estavam a dar cabo dele. Tinha de ter a certeza que beijava.

5.4.09

Do you remember? #47



Katrina & The Waves - Walking On Sunshine - 1985

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2.4.09

(Sem título)

Beijas-me sem pressa, assim como quem gosta de provocar porque sabes que devagarinho, a falta de celeridade, me aquece. Vais passando a mão pela minha nuca num arrepio e mudas-te para o meu peito. Empurras-me contra a parede, fazes-me sentir a força do teu corpo contra o meu e sem nunca largares o nosso beijo, desces a mão até à cintura. Depois apertas-me as nádegas, as coxas, até que te deténs no meu sexo, enquanto exploro o teu pescoço e te seguro a intimidade. Estás louco de tesão, ofegante, ansioso e não sei se é da tua pele, mas faz calor neste quarto. A tua boca desce pelo decote, mordes-me mesmo por cima da roupa e fazes-me deitar. Apoias-te nos braços, roças-te contra mim, despes-me porque entendes que a roupa não tem lugar entre nós. Observas-me. E finalmente tens acesso ao meu peito desnudo, onde brincas com a língua e vais descendo. As palavras são soltas porque juntas não têm nexo. Os teus dedos passeiam por mim sem pudor e eu retribuo. A penetração está latente, mas adoramos aquela tortura de a retardar. Fecho as pernas em jeito de provocação, gosto de te dificultar o caminho para que me mostres quanta vontade de mim trazes em ti. Fazes-me festas no cabelo, na cara.
Fazes uso da força nas minhas pernas e ganhas.
Lisboa, 29 de Outubro de 2008