16.12.14

Dubai V

Até já, aqui
Texto Dubai I, aqui
Texto Dubai II, aqui
Texto Dubai III, aqui
Texto Dubai IV, aqui


A seguir ao mercado do ouro, junto às docas, apanhar um barco e fazer um passeio no rio Creek, vale a pena, é giro! Há barcos que funcionam como transporte público e outros que se alugam por 30 ou 60 minutos. Fomos sozinhos fazer um passeio de 30 minutos (chega perfeitamente, não se aventurem em mais), e pagámos os dois cerca de 12€ pelo passeio.

Estava um dia fantástico e o nosso capitão era muito simpático. As vistas são fabulosas, gosto sempre de ver a silhueta da arquitectura local mais antiga, aquela que não deixa margens para dúvidas "isto é árabe" e a hora de almoço foi óptima para fazer o passeio (pouca gente). No entanto, parecem barcos desengonçados, às vezes uns cruzam com outros à tangente, mas sem stress, eles lá sabem o que andam a fazer. De resto, o barco tinha coletes salva-vidas bem visíveis, extintores, tudo parecia cumprir as normas de segurança locais.













Do outro lado do Creek, está o mercado dos tecidos, onde não fui com muita pena. A razão que eu digo que é preciso ir muito cedo para os mercados, é que às 13h as lojas fecham portas e só voltam a abrir pelas 17h. É a hora de almoço e sesta, não trabalham nos picos de calor, as ruas ficam desertas, parece uma cidade abandonada. Deve ser um mercado cheio de cores e lenços, fiquei sem saber, não tenho muitas indicações para oferecer. No entanto, no mercado das especiarias comprei duas pashminas 100% cashmere.

SHARE:

26.11.14

Dubai IV

Até já, aqui
Texto Dubai I, aqui
Texto Dubai II, aqui
Texto Dubai III, aqui


O Burj Al Arab é o hotel que normalmente faz capa para o Dubai (aqui). Não faço ideia o motivo, o Burj Khalifa (no post anterior) ganha aos pontos e nem sequer é possível entrar no Burj Al Arab, a não ser que seja hóspede ou tenha uma marcação para refeição (consta que o mais barato são 200$ por um lanche de chá e scones). Os pobres vêem as vistas para o edifício numa praia perto e alguns acotovelam-se perto da entrada, até onde os seguranças deixam ir, japoneses e chineses carregados de iPads a tirar fotografias com vista para edifício. Demasiado para mim, apenas passei com o carro e segui.

Esta praia ao lado do hotel é pública, qualquer pessoa pode estacionar o carro e estender a toalha na areia (há muita praias privadas). Em 2012 não era nada de especial, mas oh se mudou! Quando fomos pela primeira vez estava tudo em obras, algumas partes tapadas, imensos montes de areia, gruas, não era um cenário maravilhoso nem eu percebia o que andavam a fazer para ali.

Este ano já está tudo completamente mudado! A praia está limpa, há um passeio com uma parte de chão mole, muito ao estilo Califórnia, cheio de barraquinhas de gelados, hamburguers, sumos, há WC, chuveiros, relva. Está mesmo espectacular, fomos num Sábado (equivalente ao Domingo deles), portanto era tipo Oeiras ao fim-de-semana, mas esteve-se mesmo bem. Umas mulheres de bikini, outras de burka, nada de stresses, água maravilhosa e sol do bom. Recomendo uma visita a esta praia!

Também para estes lados há um bar e restaurante, o 360º, como o nome indica contam com uma vista de 360º e serve umas bebidas de fruta, bem catitas. No entanto, vou avisando, não conheço nenhum sítio no mundo onde o álcool seja tão caro como é no Dubai. Minha rica carteira! Mais informação aqui.


SHARE:

24.11.14

Dubai III

Até já, aqui
Texto Dubai I, aqui
Texto Dubai II, aqui

A última vez que escrevi sobre o Dubai foi em 2012, não acabei o relato (uma vergonha, eu sei), entretanto voltei há umas semanas e é mais que altura de contar o que aquela cidade tem para oferecer (vou usar imagens antigas e ouras retiradas da net).

Eu adoro o Dubai, acho uma cidade extraordinária, uma cidade recente, construída com rigor quase à pressa, ou melhor, a uma velocidade estonteante, e quase uma imitação de outras cidades. O Dubai vai buscar a outras cidades o que elas têm de melhor. E tem muito, mas mesmo muito de EUA, talvez por isso goste tanto de lá ir. A diferença que encontrei em apenas dois anos é impressionante, tanto que já brincávamos que é para regressar de dois em dois anos.

SHARE:

26.11.12

Dubai II

Até já!
Voltei do Dubai
Dubai I

Chegados ao quarto, tínhamos pela frente uma vista extraordinária do centro da cidade. Preparávamo-nos para dormir apenas duas horas, eu achava que nem meia-hora ia conseguir dormir de tão desperta que estava (efeitos do excitamento no Dubai!), mas foi apenas ligar o ar condicionado, deitar e em pouco tempo já seguia por outros planetas. Dormir naquela terra, só de ar condicionado.

Ao dormir mais do que queríamos, levantámo-nos de rompante, tomámos banho e aparecemos com cara de sono na sala. Para nos era Sábado, mas para eles era Domingo, pois os fins-de-semana deles são Sextas e Sábados e o dia da semana começa ao Domingo. Estranhíssimo!

Eram já 14h30, hora de almoço, sem ideias, e fomos todos almoçar ao Shakespeare, um sítio meio café, meio pastelaria, com bolos lindos, lindos, e com menú de almoço e jantar. O que não faltava por lá eram pessoas no lado exterior a fumar narguilé de todos os sabores, eles ou elas, é um hábito muito comum no Dubai. O preço que mais vi por lá era o equivalente a cerca de 10/12€ para fumar, mas desconheço durante quanto tempo, nunca cheguei a fumar shisha, apesar de gostar.

A decoração do espaço é completamente british, cadeiras forradas com tecidos de flores, todas diferentes, um género «casa de bonecas», um regalo para os olhos.

Logo ali aprendi uma coisa dos restaurantes e cafés do Dubai: todos eles têm a sua versão de mint lemonade, que é uma bebida fabulosa. À parte de algumas variedades demasiado doces para o meu gosto, não houve nenhuma que pudesse dizer que não me sabia bem.

Mint lemonade não é mais do que limonada a sério com hortelã, ora folhas picadas, ora batidas, ora com folha inteira, há de tudo! O primeiro impacto foi: isto sabe a mojitos! Ai mãe, o que me foram dar a provar...



O Shakespeare é mesmo ao lado do Dubai Mall, em frente ao edifício mais alto do mundo, o Burj Khalifa e de uma série de souks onde passeámos. Como disse, a noite aparece muito cedo nesta altura do ano, às 18h já é noite cerrada, por isso neste dia o dia não rendeu muito. Depois do almoço demos uma voltas pelo local, a filha de quatro anos dos nossos amigos caiu e bateu com a testa numas escadas e aí se foi a tarde toda com cuidados. Nem pensar que íamos seguir a nossa vida, e ficámos com eles pela zona, sempre a tentar perceber se era preciso ir para o hospital. Caiu a noite e fomos ver o espectáculo de água, imperdível, mesmo em frente ao centro comercial.

Este espectáculo de água e luzes é em muito semelhante ao que existe em Las Vegas. A cada meia-hora, a partir das 18h e até às 23h, um mar de gente prepara-se para assistir aos espectáculos com coreografias diferentes, músicas diferentes, algo muito giro de ver e a não perder. Fica aqui um vídeo do espectáculo que encontrei no YouTube. O vídeo parece um bocadinho redutor para a dimensão do que vi, mas terá sido da localização de quem fez o filme.

Para ver este espectáculo não se paga qualquer bilhete, é grátis. A fonte tem 275 metros de comprimento e, como era de esperar, foi desenhada pela mesma equipa que desenhou a fonte de Las Vegas, que fica em frente ao Bellagio Hotel.





O Dubai Mall tem tudo! Acho que não lhe falta nada. Não sei se o Colombo ainda detém o título de maior centro comercial da Península Ibérica, com 300 lojas, mas o Dubai Mall é uma coisa que está para além da imaginação, com 1.200 lojas. Das duas vezes que lá estive, nunca consegui dar a volta ao espaço. Eu estava feliz da vida com as lojas que costumo visitar nos EUA e em Londres, todas reunidaos no mesmo espaço, algumas que nunca tinha visto, pronta para o dia em que pudesse fazer compras, mas esse dia nunca chegou, para minha infelicidade.




O Poisoned Apple Man é alérgico a lojas, fica insuportável de aturar e não deixa uma pessoa fazer compras. Não tenho problemas com isso, mas apesar dos meus pedidos para me deixar no Dubai Mall à noite e ir fazer a vida dele, em nenhum dos dias isso se concretizou. Proporcionou-me uma hora ao fim da tarde enquanto esperava sentado num corredor, quase sem bateria no telefone, o que me deu para espreitar umas lojas novas, comprar um top de desporto, perdi-me, desatei a correr pelos corredores e quando o encontrei já tinha passado uma hora. E um homem não compreendo que uma hora num espaço destes não dá para coisa nenhuma! Mulheres, se forem até ao Dubai, agendem um dia em que vão às compras e ele que arranje o que fazer nesse tempo. Sem exagero, proporcionem-se quatro a seis horas e aproveitem para ir à noite. Quem avisa amiga é! Da próxima vez não me escapa.

O que não falta naquela terra são centros comerciais e, em todos eles, o que não faltam são grandes marcas. Não é que tenha interesse nisso, não compro malas Dior, Chanel e Prada, mas achei curioso como ao passar por uma Zara tinha gente, em quantidades normais, e ao passar pela Chanel mais parecia que estavam a dar malas. Lá dentro vêem-se mil mulheres todas tapadas de preto, a olhar para as prateleiras, literalmente a apontar para o que querem para que alguém da loja comece a empacotar.

À primeira vista, apesar destas mulheres parecerem todas iguais, não o são. A primeira coisa que salta à vista são as malas que trazem penduradas nos braços. Vi malas de 10 mil € e não estou a brincar. Para onde quer que olhe, vê-se gente muito desafogada na vida. Elas, impecavelmente maquilhadas, de uma forma que eu não sei como fazem, são acompanhadas por empregadas que carregam sacos, também todas tapadas mesmo que não seja a religião delas.

Quanto a preços para roupa, o Dubai é mais caro. Numa Zara, Mango, Massimo Dutti, as peças são mais caras na ordem dos 5 ou 10€ a mais por peça. Em lojas que não existem em Portugal e só encontramos fora, eu estava-me nas tintas para esse excedente de preço e aproveitaria, se tivesse tido oportunidade. No entanto, a Nine West, uma sapataria americana que adoro, achei mais barata que nos próprios EUA. No supermercado, as lâmpadas eram quase de graça e os chocolates também eram mais baratos. Portanto, há coisas mais baratas, outras mais caras, é procurar!

À parte das lojas, o Dubai Mall tem um gigantesco aquário onde deveria ter nadado com tubarões, mas para minha infelicidade era uma actividade que não estava aberta nessa semana. Há ainda um ring de patinagem no gelo, que não é nada modesto, mas que de tanto adiar acabei por não experimentar.

E se há coisa que conheço há anos dos EUA mas nunca me despertou curiosidade em conhecer, foi o Cheesecake Factory. Que erro crasso! O que eu tenho andado a perder! Lá fui arrastada pela minha amiga sem saber o que ia provar, mas eu e o PAM quase fomos às lágrimas à primeira garfada.

A sério, eu vou querer entrar num Cheesecake Factory sempre que tiver oportunidade. O Cheecake Factory tem 38 (TRINTA E OITO!) variedades de cheesecake e eu tinha de ir viver para lá para experimentar todas. São precisos meses (se não for comer cheesecake todos os dias) para experimentar tudo. Fiquei-me pela versão fresh strawberry, que estupidamente dividi com o PAM, enquanto as versões tiramisú, café, oreo, manteiga de amendoim, côco, caramelo e macadámia, chocolate, snikers, abóbora, entre outras, ficaram a piscar-me o olho. Eu nunca mais passo por uma Cheesecake Factory sem entrar. Palavra de Poisoned! E que pena que tive que a minha mãe não pudesse experimentar o bom que aquilo é, ela que é fã de cheesecake.





Segundo consta, os emiratis são dados a ter empregadas para tudo e mais alguma coisa. A meio da noite apetece um copo de água? O emirati acende a luz da mesa de cabeceira, bate palmas e espera que alguma moça lhe leve o copo de água. Soube disto através da empregada da minha amiga, que preferem trabalhar para europeus ou americanos. A empregada da minha amiga é filipina e para estar lá a trabalhar os meus amigos têm de lhe pagar o visto de 1.000€ por ano. O mais estranho, é que o Richard, como empregador, é responsável pela empregada. Fica com o passaporte dela e no dia em que o contrato acabar, tem de levá-la ao aeroporto e entregá-la aos serviços de emigração que a partir daí tratam da questão e a colocam num voo de regresso a casa, a não ser que ela arranje um novo patrão que trate de um novo visto de trabalho a começar no dia a seguir ao último dia de trabalho com os meus amigos.

Achei esta forma de lidar com alguns trabalhadores perto da escravatura, quase como ser dono de alguém, mas é algo a que se sujeitam por livre vontade. A Maria, das filipinas, queria era ter patrão no Dubai. Folga um dia e meio por semana e ganha 350€ + 60€ de alimentação e dizem os meus amigos que pagam mais que a média que se pratica por lá. Ela está feliz com o ordenado. Para quem não quer ter uma empregada a tempo inteiro e a dormir em casa, podem optar por agências de serviços de limpeza, como faziam outros portugueses sem filhos, que ficavam com a casa a brilhar por 5€/hora. A minha Dina ganha 7€/hora, bolas!

Qual o meu espanto quando soube que a Maria é enfermeira. A Maria, dona de um metro e meio, trapalhona e dona de uma grande bigode, não era de todo uma imagem de enfermeira. O que mais me espantou foi a falta de capacidade de raciocínio que deixava a minha amiga pouco à-vontade com a questão «crianças», como aconteceu num dia que encontrou uma delas a brincar com o afiador de facas, a fazer as vezes de uma espada. "Foi a Maria que me deixou!" e na confirmação, a Maria apenas respondeu "eu pedi, mas ela não me quis dar o afiador" e assim regressou às limpezas. Ou eu a pedir toalhas, ela a querer dizer-me onde estavam indo direita ao WC onde estava o PAM que, ao puxar o autoclismo pensei, vai esperar que ele saia, mas não. Entrou porta adentro com o homem de calças na mão, mesmo depois de ouvir um autoclismo que indica que há gente lá dentro.

Perguntei ao Richard o que seria o curso de enfermeira nas Filipinas. Teria ela alguma equivalência em Portugal? Estás doida, esquece lá isso! E este é um retrato de tantos e tantos trabalhadores que vim a encontrar no Dubai: falta de raciocínio. No Dubai, tudo o que é obras, limpezas, jardineiros e esse tipo de trabalhos, são todos executados por indianos, paquistaneses, filipinos, etc. Os emiratis são poucos naquele país, cerca de 300 famílias que vivem do petróleo. Nesta viagem, inclusive voltei com uma opinião nova no que toca aos indianos. Afinal não os conhecia!

(continua)
SHARE:

21.11.12

Dubai I

Aaaai, o que eu gostei do Dubai! Há tanto para dizer que nem sei por onde começar, pelo que o melhor é ir seguindo a ordem dos dias.

Apesar de ter adorado aquela terra, na verdade foi uma ideia que surgiu de uma eventual hipótese de um dia fazer as malas para lá. Uma coisa falada muito por alto e sem quaisquer consequências. Depois de uns amigos terem passado por lá, coloquei uma série de questões e, já que eu e o Poisoned Apple Man tínhamos uns dias de férias para gastar, pensei que talvez fosse boa ideia para destino. Mas quando tratei de procurar hotéis comecei a mudar de ideias. Os hotéis no Dubai são caríssimos!

Nunca me preocupei muito com os hotéis, preciso apenas de cama lavada e WC em condições, para mim são apenas para dormir. Nunca optei por luxos, opto sempre por uma boa relação qualidade/preço/localização. Já paguei 40$USA para dormir em hotéis nos EUA, mas quando fui ver hotéis, ficar num simples IBIS eram 100€/noite, o que para dez dias não era um valor simpático a somar. E foi quando um antigo colega do PAM soube que gostávamos de ir ao Dubai e simpaticamente abriu as portas de casa dele. Aceitámos o convite!

Comecei a estudar a terra e percebi que há muito mais para fazer do que poderia ter imaginado. Na verdade, percebi que ignorava completamente a vida e energia que tinha esta cidade. Pesquisei toda a informação que consegui na internet, não encontrei guias para este destino, mas o grupo de portugueses conhecidos por lá era grande e não haveria de nos faltar informação.

Nunca tinha voado na Emirates. Achei uma companhia com serviço normal, à excepção de uma ou outra hospedeira achei-as bastante carrancudas. Quem me conhece sabe que a parte do avião é o que mais me custa nas viagens. Morro de tédio, sinto-me sem nada para fazer e tenho a sensação que os minutos andam para trás. Fico sempre na esperança de hibernar ou, pelo menos, de encontrar bons filmes que me distraiam e façam o tempo voar. Não é uma companhia que deixe os passageiros a morrer à fome. Na classe económica tive direito a duas refeições: a um jantar bem preenchido com um borrego picante que de cada vez que me lembro ainda me vêm as lágrimas aos olhos e, mais tarde, uma espécie de ceia também generosa. Não comi nada que me ficasse na memória (à excepção do picante, meu Deus!), deixei algumas coisas esquisitas de parte, mas não morri à fome.

O voo da Emirates para o Dubai sai de Lisboa às 18h e chega ao destino cerca de sete horas e meia depois. Deu-me um fanico quando percebi que ia chegar à 01h30 de cá, mas… às 05h30 de lá! A diferença horária para esta altura do ano são de mais quatro horas, o que parece que é pouco, mas quando se vai “experimentar” é mais difícil do que se imaginava. Ou seja, eu cheguei ao Dubai quando devia estar a dormir, mas sem ainda ter dormido uma noite normal e com o dia a começar! É estranho.

Aterrámos no Dubai e eu não estava a acreditar no tamanho do aeroporto. É o maior aeroporto que já vi na vida, cheio de colunas prateadas ao estilo império romano, enormes, para lá de altas, junto aos serviços de entrada no país. À hora que chegámos, havia alguma gente nas filas para mostrar o passaporte, esperámos cerca de 40 minutos para passar, conte com isso! A seguir levantámos as malas, o que depois da experiência que tive numa viagem inteira sem malas me provoca alguma angústia, mas correu tudo bem e lá estava a minha menina verde alface pronta para ser recolhida.





À saída do aeroporto (parece um casino com luzes do lado de fora!), cerca de uma hora depois de aterrarmos, lá estava o Richard, impecável, que acordou com as galinhas para tratar do transporte dos portugueses. Assim que entrei no parque de estacionamento, levei um bafo de ar quente, qual secador em altas temperaturas e pensei que ia morrer de jeans e botas. O casaco já lá ia há muito, estava de manga curta. Saímos para a estrada e o tempo estava mais fresco que no parque de estacionamento. Não sei explicar, mas todos os parques de estacionamento têm um bafo que pode levar as pessoas a pensar que na rua também está aquele calor.

Novembro foi uma excelente altura para ir ao Dubai. Apanhámos uma média de 23/33ºC. Durante o dia estava bom sem assar e as noites estavam maravilhosas. Para quem pensa que o Dubai é um «inferno» o ano inteiro, desengane-se. Há alturas que pedem um casaquinho!


A partir de Dezembro, à noite, já está mais fresco e Janeiro e Fevereiro não são meses que convidem à praia. Por outro lado, o pico do verão deles, de Junho a Setembro, talvez seja de evitar para passear na rua à hora de almoço.

Segundo me explicaram, o verão tem meses de muito calor (calor extremo que chegou aos 50ºC), mas vive-se bem. As insfraestruturas, os carros, as casas, estão perfeitamente preparadas para aguentar este calor. À praia vai-se mais ao fim da tarde do que com o sol a pique e as esplanadas fecham. Enquanto por cá há sítios que fecham no inverno, no Dubai fecham no verão.

As piscinas são refrigeradas porque o mar não é bom para refrescar. Nesta altura apanhei a água do mar (que é de um azul espectacular) pelos 30ºC. É bom, é aquela temperatura que dá para entrar e mergulhar sem grandes adaptações, ficamos bem dentro de água à conversa, mas não é a água mais quente que já experimentei. Em Agosto parece que a água do mar bate nos 38/40ºC, o que é mesmo água do banho e me deixa cheia de curiosidade. Nunca experimentei! Os locais queixam-se que é quente demais, mas também se queixavam que a água agora estava fria e eu tinha era vontade de os convidar a dar mergulhos na Costa da Caparica para verem o que é bom. A sério, se Portugal não tivesse uma água do mar tão fria, acho que o turismo duplicava! Por isso é que vai tudo para o Algarve.

Uma sensação estranha, pelo menos para esta altura do ano, é que o dia acaba muito cedo. As 16h30 equivalem às 19h do nosso verão. O sol começa a ficar fraquinho, a luz mais alaranjada e se estiver vento, é desagradável estar na praia, a não ser que seja um vento quente. Para ir à praia preferi ir sempre de manhã, a temperatura estava ideal e nunca senti o sol a torrar-me como já todos sentimos. Estar ao sol era uma sensação boa, não era insuportável, e não precisei de protectores solares com factor muito alto como pensava. Levei um 50 a medo, mas usei 15 e 20 sem problemas e nenhum dos dois apanhou escaldões. Um bronzeado saudável, mas isto em Novembro, no resto do ano não será sempre assim.

Adiante! No caminho do aeroporto para casa, uma pessoa fica logo impressionada com o tamanho das estradas, a 1ª circular tem 6 faixas para cada lado, só se vêem bons carros, enormes ou futuristas, imenso terreno areado junto às estradas, mil colunas eléctricas, um milhão de viadutos e ali é sempre a andar. São poucos os semáforos e circula-se lindamente nas estradas.




Entrámos no aldeamento onde vivem os nossos amigos que tem casinhas e casinhas, rodeadas de verde, de bicicletas de criança, de entradas floridas, achei que tinha tudo a ver com Wisteria Lane, o bairro onde viviam as Desperate Housewives, embora ali com as casas praticamente iguais umas às outras.

Entrámos em casa abrindo a maçaneta. Da mesma forma que abre a porta para entrar numa sala, assim se abre a porta de casa por ali. O Dubai deve ser dos sítios mais seguros do mundo como vim a comprovar em qualquer rua.



Conversa puxa conversa, abrimos a mala para oferecer o que que chamámos de “Kit emigra com selo de Passos Coelho”, que incluía pastéis de Belém, queijo de Seia amanteigado, paio do lombo, tremoços e uns chocolates para as crianças. Ali ficámos durante horas num mega-pequeno-almoço em animado paleio, comigo já a desesperar com as botas e por um banho, com o PAM que mal tinha dormido no voo (ao contrário de mim) a fechar os olhos. Afinal, para nós eram já 05h da manhã sem dormir como deve ser.

Rumámos ao quarto que nos foi destinado para arrumar malas e dormir umas horitas e depois seguir para começar a conhecer o Dubai.

(continua)
SHARE:

20.11.12

Voltei do Dubai

Voltei do Dubai como nunca voltei de uma viagem. Já fui a muitos sítios, já vi muita coisa, não é segredo que eu adoro passear pelo mundo, conhecer tudo e mais qualquer coisa, mas nenhuma viagem me fez sentir o que eu sinto: eu não quero estar aqui, eu quero ir viver para o Dubai.

Já discuti com o Poisoned Apple Man por causa disto, diz-me que não, que não quer, dá-me argumentos que para mim são disfarçados de outra coisa, que não me fazem sentido, e enquanto isso sinto uma ira que me é difícil de explicar aos outros. Para a maioria sou apenas maluca, que estupidez ir viver para o Médio Oriente, mas nos outros eu vejo falta de ambição e medo de arriscar. Quando olho para mim, por cá, vejo-me a definhar, na mesma vidinha de sempre, não realizada, a construir coisa nenhuma, sempre a contribuir para o Estado. Eu não quero estar aqui.

Em todas as viagens que fiz voltei com aquela felicidade miúda de regressar a casa, ver Lisboa pequenina era uma sensação de regresso ao sítio onde pertencia, sorria quando voltava a conduzir o meu carro, a arrumar as minhas coisas nas gavetas, sentia uma certa satisfação de voltar ao que já conhecia. Foi sempre assim até ao Dubai. Esta viagem trocou-me as voltas, revelou uma falta de sentimento de pertença, um «eu estou-me nas tintas para este país». Desisti. Lamento, mas desisti, eu já não gosto de andar por cá. E não é apenas o não gostar, eu ando revoltada, eu suspiro pelos cantos, eu só quero fugir. Eu não quero mesmo continuar igual.

Estou cansada de pedintes, de grafittis, de parquímetros, do IMI que vai aumentar, espera, afinal vai descer outra vez, ora mais IRS, mas porque neste (des)governo são amigos, descem qualquer coisinha. Estou cansada do preço da gasolina, das contas que terei de fazer para ter filhos, da qualidade de vida que vou perder, detesto o meu trabalho, detesto o frio, detesto os buracos na estrada, detesto a falta de esperança e motivação, detesto o nome do meio deste país: desorganização. Gosto dos meus amigos e família, mas a mudança não me impedia de os ver. Mudaria para melhor.

Há um grupo grande de portugueses no Dubai, falei com eles e com elas, não há quem esteja infeliz ou arrependido. A qualidade de vida de todos é fabulosa e cheguei a ouvir «quando estou de folga quase sinto que estou de férias». Adorei tudo o que aquela terra pode proporcionar, dava tudo para que o PAM tentasse uma transferência, mas ele vê uma mudança destas quase como uma fatalidade. Para chegar a esta ambição, era preciso entrar em falência.

Eu sei que para o PAM eu estou a roçar o insuportável, que tudo me faz suspirar por uma vida melhor que se podia tentar, sinto que aqui não se constrói nada, que há melhor qualidade de vida noutro lado, e eu tenho muita pena, mas não consigo reprimir o meu sentimento de raiva: eu não quero estar aqui. É como se eu tivesse deixado de pertencer a esta cidade, a este país, eu quero mesmo virar costas. Sinto-me em falência mental e como expliquei a quem arriscou mudar, sinto que o país me está a expulsar. Eu estou num sítio no qual já não acredito e para o qual me estou nas tintas.

Já fiz muitas viagens, mas nunca uma me deixou assim, de mal com a vida, a querer mudar de poiso. Enquanto isso procuro ofertas de emprego no Dubai, em busca de uma vida de trabalho que me faça sentido. Eu não quero estar aqui.
SHARE:
© A Maçã de Eva

This site uses cookies from Google to deliver its services - Click here for information.

Blogger Template Created by pipdig