26.2.19

As minhas cirurgias plásticas - Perguntas & Respostas II



As minhas cirurgias plásticas - Perguntas & Respostas I, ler aqui

Lembro-me bem que nas consultas, em conversa sobre cirurgias várias, o Dr. João Bastos Martins me perguntou opinião: por que motivo as cirurgias plásticas são um tabu, ao ponto de se esconder em sociedade? E eu não sei se tenho uma opinião formada sobre isto porque não me consigo colocar na pele de quem toma a opção de esconder.

Por um lado acho que só alguém muito fraco de carácter é que nega cirurgias plásticas que fez, em alguns casos evidentes. Até admito que uma pessoa possa responder "não falo sobre isso", o que é parvo na mesma, mas ao menos não nega a verdade e poupa-se a passar por mentiroso/a. Por outro lado, apenas uma tremenda insegurança sobre um aspecto que se pretendeu melhorar é que impede que uma pessoa fale num assunto destes. Afinal, qual e o mal de querer melhorar? Não queremos todos tratar dos dentes e ter dentes bonitos? Por que não aplicar o mesmo raciocínio a umas mamas?

Nunca fiz segredo das minhas cirurgias plásticas e até faço piadas. Há dias numa festa, um grupo de amigos comparava narizes e heranças genéticas no formato. Nesse grupo estava uma pessoa que eu tinha acabado de conhecer virou os olhos para mim e respondi: "não vale a pena olhar para mim, este nariz foi comprado!".

As minhas cirurgias deram que falar no blogue, mas também noutras páginas (que, claro, outras pessoas me avisaram). Estes comentários que publico abaixo não foram deixados na minha página e as autoras escreveram num registo de fofoca, cheias de preconceitos.

Quando li estes comentários percebi que é exactamente por estes gestos que algumas pessoas escondem as suas cirurgias plásticas: não estão para se submeter ao escrutínio da sociedade. O que é uma pena, porque honestamente, o que se lê abaixo não passa de um exercício de tontas desocupadas.

"Confesso que também me faz alguma confusão, tanta plástica numa pessoa só e ainda tão nova. À primeira vista, parece-me “apenas” uma pessoa muito insegura, com algumas coisas do passado para resolver (...) se calhar é só uma forma de dizer que tem dinheiro e talvez por isso, tanta exposição".

"Não me faz confusão a exposição das cirurgias, mas sim a necessidade de as fazer. A jovem em causa no blog aparenta ser tão segura de si, auto-estima em grande e no entanto esta necessidade em fazer cirurgias transparece uma certa insegurança. Faço figas para que fique tão gira como a doña Letizia do Montijo".

"É verdade que são coisas da vida dela, mas a exposição online dá nisto. Todos queremos opinar. E sim, parece também querer mostrar a si própria que o dinheiro lhe resolve alguns problemas. Em termos de personalidade parece que não bate a bota com a perdigota. Revela insegurança e ao mesmo tempo muita futilidade naquela cabeça".

Eu leio isto, procuro construir uma linha de raciocínio, mas honestamente fico bloqueada. O que responder a este tipo de comentários? É daquelas coisas que por um lado mais vale ficar quieta, não é que eu vá ensinar alguma coisa a pessoas convictas da verdade sobre mim, mas por outro lado é preciso combater o preconceito. E além disso, eu posso afirmar que NAAAAAADA no mundo vindo de gente desta estirpe abala a satisfação de termos realizado a cirurgia que tanto queríamos.


Idade vs. Cirurgia Plástica
Existe uma relação? Eu não sei bem qual foi o raciocínio de quem escreveu este comentário, mas eu reduzi as maminhas porque as tinha grandes, há uma idade para isso? Conheço quem o tenho feito aos 18 anos! Orelhas de abano, se podemos fazer uma correcção em criança, para quê esperar pela idade adulta sem gostarmos de nos ver ao espelho uma vida inteira? No entanto, se uma miúda de 18 anos quer fazer um lifting ao rosto, estamos a entrar no campo de percepção física alterada, de facto não seria normal. Esse seria um caso sem indicação de cirurgia, mas não serve de exemplo para nenhuma das cirurgias que eu fiz.

Insegurança vs. Cirurgia Plástica
As pessoas verdadeiramente inseguras não fazem cirurgias plásticas, são dominadas pelo medo.
Já as que têm algum receio mas não se deixam dominar e procuram muito um resultado, a vontade prevalece. E por sua vez as pessoas que escondem e negam, essas sim são as inseguras. A insegurança é isso mesmo, uma incapacidade de falar abertamente no assunto.

A cirurgia plástica pode corrigir situações físicas que provoquem insegurança, mas não corrige as questões psicológicas. De resto, diante de uma faixa da sociedade como a representada nestes comentários, só alguém seguro de si assume que faz cirurgias plásticas para melhorar certos aspectos do seu corpo. A mim parece-me perfeitamente normal, nem todas gostamos disto ou daquilo em nós. Volto a dar o exemplo dos dentes: também coloquei aparelho e faço branqueamentos, e aí ninguém comenta que "não é normal". E coloquei aparelho nos dentes aos 30 anos. Os meus dentes eram feios, eu queria tê-los bonitos, corrigi, assumi. E hoje em dia adoro os meus dentes.

Futilidade vs. Cirurgia Plástica
"Todos queremos opinar (...) em termos de personalidade parece que não bate a bota com a perdigota (...) revela insegurança e ao mesmo tempo muita futilidade naquela cabeça". Pessoa escreve este comentário e eu sou a fútil. I rest my case.

Dinheiro vs. Cirurgia Plástica
"É só uma forma de dizer que tem dinheiro". Exacto, fui fazer cirurgias plásticas que nem tinha vontade, mas pronto, assim uma pessoa sempre mostra que tem guito para fazer cirurgias plásticas que depois da cirurgia... gasta! Excelente raciocínio.


Há mais perguntas por aí? Fico contente de poder ajudar. Adorei os meus resultados e a qualidade de vida de ter umas maminhas mais pequenas... é tão boa que nem sei descrever!

Podem saber mais sobre o trabalho do Dr. João Bastos Martins aqui ou aqui.




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19.2.19

As minhas cirurgias plásticas - Perguntas & Respostas I


As minhas cirurgias plásticas - Perguntas & Respostas II, aqui


Em Março de 2018 fiz uma série de cirurgias plásticas de uma assentada, sendo as maiores uma redução mamária e uma rinoplastia. Desde então fui partilhando todo o processo desde as consultas, à cirurgia, aos dias que se seguiram e os resultados. Durante todo esse processo enviaram-me mil questões que reuni e tenho gosto em esclarecer.

Sobre a experiência de cirurgia e os dias seguintes, escrevi uma espécie de diário de bordo. Podem ler o texto aqui e algumas considerações aqui. Sobre preços (que é uma pergunta sempre muito colocada), recomendo a leitura deste post.


Que médico escolheste e onde?
Escolhi o Dr. João Bastos Martins e fiz a cirurgia na Clínica da Beloura. O Instagram do cirurgião que publica imensos casos interessantes está aqui e o site está aqui.

O que te levou, entre tantos outros, a escolher o cirurgião em questão?
A resposta está aqui, mas em breves palavras vi as maminhas de duas familiares minhas (de uma equipa de cirurgia da qual o médico fazia parte). Basicamente quis ter maminhas iguais àquelas!

Ponderas fazer mais cirurgias?
Sim, coloco a possibilidade, mas não tenho uma lista de objectivos e nem penso nisso todos os dias. Primeiro porque custa dinheiro, depois porque por menos doloroso que tenha sido, há sempre um tempo de recuperação e é preciso arranjar tempo para isso.

Se com a idade ficar com pálpebras caídas ou papos nos olhos, não penso duas vezes. Não quero parecer uma boneca de porcelana e não tenho medo de envelhecer, mas pegando no exemplo das pálpebras, acho que até passa por uma questão de qualidade de vida. Pegando noutro tipo de exemplo, se existisse uma cirurgia para remover as manchas do rosto, era já!

Quanto tempo teve de cirurgia e de internamento?
Entrei na Clínica da Beloura pelas 14h30, entrei em bloco operatório cerca de uma hora depois, e os quatro procedimentos que fiz levaram cerca de cinco horas (redução mamária, rinoplastia, retoque na papada e fechar o piercing do umbigo). Saí no dia seguinte pelas 16h.

Cuidado pós operatórios?
Os que já se imaginam: não fazer esforços físicos, fazer refeições moderadas e mornas, dormir de barriga para cima, mudança de pensos e desinfectar cicatrizes, tomar alguns antibióticos e comprimidos para as dores (não tomei estes porque não tive dores), etc. Não é nada de especial e quando vamos para casa entregam um documento com todos os cuidados, indicando o que é expectável acontecer nesses dias, o que fazer, contactos do médico e da clínica, caso necessário, etc. Não fica a faltar nada.

Tenho medo. Onde vai arranjar tanta coragem?
Nem coragem, nem medo. Nem nervosismo, sequer. As pessoas que têm medo imagino que tenham medo de morrer, mas isso é muito alimentado por histórias tenebrosas de cirurgias com médicos duvidosos e em condições esquisitas. Num centro clínico normal, com uma equipa de médicos competentes não existe um risco semelhante ao de uma cirurgia num vão-de-escada em Tijuana. Aliás, para se ter a certeza que o paciente está apto para cirurgia é que se fazem tantos exames e análises antes da cirurgia. De todos os casos de morte que vão aparecendo na comunicação social, são sempre casos que já se adivinhavam situações de risco.

Tiveste medo da despersonalização, de não pareceres tu?
Nunca. Nas consultas, antes de tomarmos qualquer decisão de cirurgia, o médico pode tirar fotos e enviar-nos uma simulação aproximada do resultado final. Só fiz isto para o nariz e o resultado foi completamente ao encontro das expectativas. As maminhas já imaginava por comparação às minhas familiares.

Queria muito fazer, mas não tenho coragem. Queria um resultado muito natural e tinha pavor de ficar um Mickael Jackson.
Isso não funciona assim, este comentário está carregado de uma ideia pré-concebida que nada tem a ver com a realidade das cirurgias plásticas. O Michael Jackson não ficou com o nariz que tinha por acidente, foi porque ele procurou aquele resultado final. Ele fez uma série de rinoplastias! Se procurar no Google, encontra fotos dele alinhadas por anos e é possível ver-se a diferença de umas para as outras, calculando-se cerca de seis rinoplastias, pelo menos.

E a Carmenzita, que reacção teve?
Fez uma cara de curiosidade e estranheza quando cheguei a casa. Queria mexer na tala do nariz, mas ao fim de umas horas já não fazia caso.

Existem diferenças se fizer pelo público ou pelo privado?
Sim e não. Fazer uma cirurgia plástica pelo serviço público não é sinónimo de um mau serviço, no entanto será sempre uma cirurgia funcional, não puramente estética. Por exemplo, na minha redução mamária, o médico lipoaspirou a lateral das mamas (por baixo das axilas) para ficar mais bonito e atraente. No público não fariam uma redução de talhante, mas pode acontecer não haver este cuidado de pormenor. De qualquer forma, o Dr. João Bastos Martins também trabalha no público.

Por que motivo tem necessidade de partilhar fotos? E de falar nas intervenções que está a fazer? 
Não tenho necessidade, tenho gosto em ajudar as pessoas com informação. Desde sempre quis fazer uma rinoplastia, tinha o nariz feio e torto. Encontra-se registo dessa minha vontade desde o início do blogue. E desde há muito que também queria fazer uma redução mamária. Tinha maminhas grandes, desconfortáveis, que me incomodavam no dia-a-dia. Sempre as escondi, nunca publicava imagens onde se pudesse perceber o meu peito e a foto que publiquei em bikini na altura da cirurgia terá sido uma surpresa para muita gente (no sentido de tamanho inesperado). Com a redução pareço mais magra, uso outras roupas, arrisco decotes, vou aparecer diferente, ter atitude diferente até. As pessoas vão perceber/notar e eu vou mentir para ninguém saber? Em nome do quê? Não faz sentido nenhum.

Faço-lhe a si a pergunta: se eu posso ajudar, por que não divulgar e contar a minha experiência? Eu estranho as mulheres que não contam para se ajudarem umas às outras. Encontrar um bom cirurgião plástico pode ajudar muita gente. Tenho a certeza absoluta que o meu relato ajudou mulheres a tomar uma decisão ou a pensar numa cirurgia de correcção que nunca consideraram possível.

Nas maminhas, a cicatriz é em T invertido?
Em alguns casos pode ser necessário, mas no meu caso foi apenas uma linha de alto a baixo e em volta do mamilo. Com o tempo fica da cor da pele.

Puseram-te drenos?
Sim. E retirar não custou nada.

Tinha que copa e reduziu para qual?
É difícil responder a esta pergunta porque os tamanhos variam com as marcas. Em termos gerais passei de uma copa D ou DD para um B cheio ou C. Tudo o que é preciso! Tenho comprado soutiens 34C ou 36B, depende das marcas. Nota: o tamanho numérico corresponde ao tamanho das costas e a letra à copa.

Qual o soutien indicado para os primeiros tempos?
O Dr. João Bastos Martins indicou uns soutiens da Triumph, mas como as minhas familiares já tinham passado pelo processo, o tamanho pretendido era o mesmo e os soutiens também (embora modelos descontinuados), usei os delas que tinham guardado.

Teve que reposicionar o mamilo?
Não tenho a certeza se percebo esta questão. Se tive de tirar o mamilo, tipo tampinha? Não e isso só se faz em casos extremos. No meu caso o corte foi feito em volta do mamilo e reduziu o diâmetro em 2 ou 3mm para ser proporcional ao novo tamanho da mama. Com o tempo a linha de corte fica da cor da pele e não se vê.

O médico falou numa eventual perda de sensibilidade do mamilo?
Perguntei e é muito raro acontecer, sobretudo em casos em que o mamilo não é retirado. No entanto, não é assim tão raro acontecer temporariamente. Fiquei sem sensibilidade no mamilo esquerdo, o direito estava igual. Ao fim de uns meses o mamilo regressou à mesma sensibilidade, estão ambos iguais ao que eram. Nem lhes noto diferença de tamanho porque a nova dimensão foi adequada ao resto da mama e eu já tinha mamilos para o pequeno.

Para reduzir as maminhas, tiveste de emagrecer?
Algumas mulheres têm de emagrecer para fazer uma redução mamária, mas isto respeita apenas a casos de obesidade. Eu tenho um Índice de Massa Corporal normal.

Podes conduzir?
Sim, uma semana depois da cirurgia comecei a conduzir. Estava cheia de vontade! Sentia que podia perfeitamente ter conduzido antes, mas a recomendação não tem a ver com capacidade de conduzir, mas com os movimentos que são de evitar se queremos uma cicatrização bonita.

Durante quanto tempo são de evitar as relações sexuais?
Bom, eu vou jurar que depois de uma cirurgia com anestesia geral, maminhas cheias de pontos e o nariz quase engessado, relações sexuais estão de fora da lista das coisas que uma mulher tem vontade de fazer, ainda que não tenha dores (como foi o meu caso). Não me foi dada nenhuma ordem de abstinência, mas acho que é uma questão de lógica e bom senso: da mesma forma que recebi indicação para não carregar sacos com peso, andar com a criança ao colo ou conduzir por causa dos movimentos, o mesmo deve aplicar-se às relações sexuais. Acho que tudo depende de quão hard core pode ser a actividade. O problema não está no sexo em si, mas nos movimentos.

Essas cirurgias são feitas com que anestesia? Geral? Sedação? Outra?
As cirurgias de redução mamária e rinoplastia são feitas com anestesia geral, mas podem existir procedimentos menos invasivos que se fazem com anestesia local ou sedação.

No nariz, fizeram tamponamento?
Sim. E no blogue algumas leitoras referiram horrores para retirar os tampões. A mim retirar o tampão não me provocou qualquer dor. Pelo contrário, fez-me comichão.

Quando conseguiste respirar sem obstruções?
Assim que retirei os tampões.

Quando tempo demoraram a desaparecer as nódoas negras nos olhos?
Não tive muitas nódoas negras e rapidamente mudaram de roxo para amarelo, mas em cerca de uma semana já não tinha marcas. Foi muito mais rápido do que pensei.

O duplo queixo/papada é um procedimento simples?
É, mas não recomendo a fazer com anestesia local para quem é medrosa.

Porque fizeste retoque na papada?
Porque apesar de estar bem, com o tempo achei que podia ficar ainda mais seco de gordura. Não faria qualquer intervenção se não tivesse estas cirurgias marcadas, mas assim aproveitei o bloco e a anestesia, foi só mesmo para um retoque.

"Não tenho nada contra a cirurgia plástica e se isso faz com que as pessoas se sintam melhor e mais bonitas, então força aí. Mas vemos tantos e tantos casos de pessoas que começam com cirurgias simples, pequenos retoques, e de repente começam a perder o controlo e ficam como que viciadas na cirurgia. A certa altura tornam-se irreconhecíveis e pior do que isso, completamente artificiais. Não deveria um cirurgião por um pouco de travão?"
Há pessoas que têm transtorno de imagem. Há pessoas que se recusam a envelhecer. E há cirurgiões desprovidos de ética, interessados simplesmente em facturar.

É interessante este comentário que eu própria coloquei ao Dr. João Martins a propósito de uns tratamentos estéticos que fiz (e ainda não escrevi sobre eles). A pergunta era: "e se eu não souber parar?". A resposta foi gira: "não te preocupes, estás comigo. E se preferires outro cirurgião, perguntas e eu respondo-te na mesma".

Eu não acredito que não saiba parar. Não tenho transtorno de imagem nem medo de envelhecer, no entanto gostava de envelhecer com bom aspecto e achei bem colocar a questão. Se algum dia pedir algo desadequado ao meu corpo, espero que um médico me diga "nem pensar!" em vez de dizer "sim, sim", interessado apenas em facturar. Mas para isso é preciso encontrar o profissional e acho que essa é uma característica do médico que escolhi.

Muito do trabalho desta classe médica vai de paciente em paciente e a sugestão que vai de boca em boca é tudo. E aí, os resultados, o rigor e a assinatura dos trabalhos são fundamentais para uma boa fama. Por exemplo, no tempo de consultas em que conversávamos sobre este pilares, o médico referiu um caso de uma mulher que queria uns implantes enormes tipo bolas de queijo e ele recusou, não queria assinar um trabalho assim. E estava no seu direito. Qualquer pessoa que tenha uma consulta com ele vai perceber que tem um sentido estético muito apurado e que não é fã da falta de naturalidade.

De resto, saber parar depende das expectativas das pessoas. Tenho 40 e não tenho vontade de parecer que tenho 20, mas gosto de ter uma pele cuidada e tratada. Não tenho interesse em ter papos e sei que não vou conseguir disfarçar rugas o resto da vida, mas não procuro parecer jovem, quero apenas ter bom aspecto e um ar cuidado.

Outras pessoas confirmam que o Dr. João Bastos Martins é um profissional de mão cheia (e aqui se confirma como o boca em boca é importante, foram por minha sugestão). Estas pessoas comentaram publicamente, mas optei por esconder mais ou menos a identidade. De qualquer forma podem consultar os comentários aqui, caso queiram pedir opiniões por mensagem privada.


[Continua].




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30.7.18

Como foi a cirurgia - algumas considerações



Podem ler uma espécie de diário de bordo, experiência do dia-a-dia dos primeiros tempos pós-cirurgia, aqui.


Para a rinoplastia, façam um bom stock de cotonetes e compresas de tecido não tecido. Vão precisar!

Para as maminhas, a Mepilex tem os melhores pensos de sempre de silicone. Não se sentem, consegui usar por oito dias seguidos (o que é um recorde), mas mesmo assim não me safei de fazer alergia e ter de desistir. São caros, mas valem a pena.

Ainda para as maminhas, o Dr. João recomendou usar Mepitac. É um rolo de fita de silicone, aderente, que ajuda a deixar as cicatrizes mais bonitas. E se faz diferença! Além de ser da cor da pele (quando nos olhamos ao espelho parece que não temos nada), dá para deixar colado, tomar banho e mudar uma vez por semana. Em caso de exercício físico, com a transpiração, não recomendo. O que eu faço é colar as tiras num plástico e voltar a colocar a seguir ao duche. Dá perfeitamente para reutilizar se tratarmos as tiras com jeitinho.

Nos primeiros tempos a seguir à cirurgia optei por dormir sozinha. Pedi um colchão emprestado que esteve que tempos no chão do quarto. Em primeiro lugar porque o PAM é sonâmbulo e a probabilidade de me enfiar uma chapada, era alta. Depois, porque a Carmencita muitas vezes acaba por ir para a nossa cama a meio da noite e eu tinha medo de outra uma chapada. Optei pela segurança e distanciei-me de dois perigos.

No orçamento total, talvez queiram considerar a possibilidade de incluir uma empregada que trate da casa e da comida, pelo menos na primeira semana. Assim em jeito de retiro de férias para quem não tem familiares que possam ajudar.

Não podem ter unhas pintadas em cirurgias. Atenção aos gelinhos e afins, tem de ser retirado para que a máquina possa medir os parâmetros.

Tive saudades da Carminho. Morri de saudades. Tive-a sempre à minha frente durante os primeiros dias, mas não me atrevi a dar-lhe miminhos, beijos e abraços, achei perigoso. Tive saudades mesmo estando com ela na mesma casa.

Com autorização do Dr. e visto que não tive qualquer tipo de dores, abdiquei de tomar os comprimidos prescritos. Não fazia sentido, era mesmo zero dores. Tomei apenas o que era mesmo necessário, como os antibióticos.

O frio tem que se lhe diga. Algumas vezes saí à rua, estava frio e vento, ficar com pele de galinha, a contrição do mamilo por causa do frio, auch!

Em caso de espirro, tem de sair pela boca para não fazer pressão nasal. Assim do tipo cuspir tudo e todos. Temos pena.

Num registo mais íntimo, a limpeza manual do nariz é muito dificultada. Ainda é ao fim de quatro meses. Apesar de estar muito menos inchado, no interior dos salões nasais as paredes estão onduladas de inchadas e pronto, digamos que os dedos não cabem bem. Ainda assim, um lado está melhor que o outro. Eu tenho sérias dúvidas que o interior do nariz já esteja normal daqui a dois meses (diz que desincha em cerca de seis meses), mas pode ser que me engane.

Para quem tem crianças, fica o aviso: é um pincel. Perdi a conta às cacetadas no nariz e nas costuras das maminhas. Uma pessoa fica de lágrimas nos olhos e pronto, passa.

Ao sair da clínica, no saquinho dos medicamentos seguem contactos caso sejam necessários e indicações do que é normal acontecer ou o que não é normal e quando o médico deve ser contactado. Entre as consequências habituais e normais referiam obstipação. Mas que obstipação! Estive quase a convocar as leitoras para rezarem um mantra pelos meus intestinos, viriam autocarros do Porto, autocarros de Faro, charters, juntavam-se todos ali perto do Marquês onde há espaço e as energias de todos iriam devolver normalidade à minha barriga. Não foi preciso, bastou esperar cerca de 10 dias para voltar ao que era.

Quando fizerem contas à vida sobre uma cirurgia, são capazes de querer juntar mais uns euros. Apanhado um corpo novo, novas formas que aspirávamos há tempos, há uma certa tendência para o descontrole de compras. Coisas que antes não me ficavam bem, agora ficam. Soutiens que não me serviam nas lojas comuns (e com preços mais simpáticos), agora servem.

Há perguntas desse lado? Estou a criar um post cheio de perguntas e respostas.

Podem saber mais sobre o Dr. João Bastos Martins aqui ou aqui.




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24.7.18

Como foi a cirurgia - parte 1




Eu sou daquelas pessoas que adora um programa de um extreme makeover, vejo o Botched de queixo caído, acho que a cirurgia plástica pode fazer maravilhas. Ou desastres!

A cirurgia pode fazer muito por nós ou podemos ser estúpidos no caso de aspirarmos a ter corninhos de silicone na testa, a ter mamas de 30Kg, a colorir o branco dos olhos (e com isso perder a visão como li num caso) ou, menos radical mas ainda assim perigoso, achar que vamos ter 18 anos outra vez.

A cirurgia plástica pode ser espectacular se quisermos ter um nariz bonito e não o nariz de alguém, se quisermos colocar maminhas porque quase não existem, tirar porque temos a mais ou subir porque o tempo as fez pingonas. Pode ser fantástica se temos orelhas de abano, um defeito de nascença ou pela mais pura das vaidades, a cirurgia plástica pode deixar-nos mais bonitos com pequenas correcções. Para isto é fundamental escolher um bom cirurgião. É imperativo, é o que mais importa, é o que pode dar-nos o que procuramos.

Desde o início do blogue me leram a querer ter menos peito e com vontade de ter um nariz bonito. Eram desejos de há looongos anos. Esta foto de bikini pode ter surpreendido muita gente que sempre comentou que nunca viu em mim maminhas para tirar. Sempre fiz um esforço por esconder o 34DD usando soutiens que reduzissem e favorecessem o aspecto geral, escolhendo roupa apropriada ao meu tamanho, mas claro, depois vestida de bikini não há muito por onde fugir! Quando o PAM me tirou esta foto em 2016 ou 2017, ia morrendo. Detestei o que vi. Quantas fotos já apaguei na vida porque só se viam mamas? Incontável.

O desejo de fazer uma redução mamária foi persistente e só nunca foi "é já" porque não tinha maminhas descaídas. Era o único factor que me deixava hesitante.

Mas um dia decidi-me. Já a minha irmã mais nova e outra familiar tinham reduzido as maminhas no serviço onde trabalhava o Dr. João Bastos Martins (no caso delas com indicação de o fazer através do sistema público, no Hospital de São José, Lisboa). De cada vez que estava com elas pedia para me mostrarem as maminhas mais uma e outra vez, e fui sempre pensando no assunto. A certa altura estava mais que decidida, só faltava o quando. E nunca dá jeito. Também não me deu jeito na altura, mas tinha de ser antes de o calor chegar. Colocámos uma data no calendário à força e assim foi.




Sempre achei também que tinha um nariz demasiado comprido, que o meu rosto sairia favorecido com um tamanho mais harmonioso. Além disso tinha um desvio do septo, o meu nariz não era direito visto de frente e embora não se veja bem nesta fotografia, tinha a ponta ligeiramente curva para baixo (coisa de bruxa).

Ainda que possamos indicar narizes bonitos, é importante não ter a expectativa de ter o nariz de alguém. A minha ideia era ter o meu nariz, mas em versão melhorada. No entanto, mostrei ao Dr. João Bastos Martins alguns narizes que acho bonitos para perceber o meu conceito (imagens retiradas do Google), ele tem um enorme sentido estético, saberia adequar o que eu imaginava ao meu rosto.

Além disso, dei um retoque na papada que já tinha aspirado antes e que com o tempo achei que podia ter ficado mais sequinha. Não o faria se não fosse ao bloco operatório, mas já que ali estava, aperfeiçoava-se. E ainda fechei o furo do piercing que em tempos tive no umbigo. Cicatriz por cicatriz, fica mais discreta a de ter um ponto do que ter um furo mal fechado.

Como disse - e que não existam dúvidas - ter um bom cirurgião, competente, actualizado, do qual já tenham referências de outros trabalhos, é fundamental. Há quem se guie por preços e por profissionais das revistas cor-de-rosa. É um erro crasso.

Através de amigos de amigos conheço dois casos operados por médicos que passam a vida nas revistas cor-de-rosa. Um resultou num nariz torto com uma narina tapada (que o médico reconheceu e disse que corrigia de graça se a paciente comprasse mamas novas, o que ela nunca referiu interesse e assim desapareceu para nunca mais lá meter os pés). Outro caso é o de uma pessoa que fez uma redução mamária de talhante, com resultado desastroso, com muito sofrimento emocional, a quem o cirurgião pagou para não colocar a situação na comunicação social (e a mulher usou o dinheiro para tentar corrigir a desgraça). Adorava poder dizer quem são estes médicos tão "conhecidos", mas não posso. Mas registem isto: aparecer nas revistas não é sinónimo de profissionalismo!

Para mim, tinha então no meio seio familiar as provas de uma equipa de cirurgiões competentes. Não tendo indicação para ser operada pelo público, explorei o privado, tive atendimento de hotel na Clínica da Beloura (do grupo Cordeiro Saúde), não tive de ficar à espera da cirurgia mais de um ano como é costume e marquei de um mês para o outro.

Fui muitíssimo bem tratada! Adorei a clínica, o Dr. João Bastos Martins é um porreiro, daqueles que dá vontade de convidar a ir jantar lá a casa, a equipa que o assistiu (que é ele quem escolhe a dedo) era tudo gente bem disposta e cuidadosa, a anestesista era um doce, as enfermeiras Andreia, Cláudia e Carolina fizeram de tudo pelo o meu conforto, voltava a esta clínica outra vez sem pestanejar.

E claro, além disto tudo, não sou fã do estilo ridículo: "eu, cirurgia? Não, eu hoje acordei assim!". É da maquilhagem, é da luz, é da posição. Dá-me vergonha alheia. Lembro-me de quando estava na universidade, no meu ano estudava uma actriz conhecida da nossa TV. Faltou às aulas uns 15 dias e apareceu com maminhas evidentes. Justificou que tinha engordado.

Não compreendo estas mulheres. Acho isto tão poucochinho de cabeça. Poupem as pessoas à vergonha alheia do ridículo em que caem. Eu adoro poder contar tudo o que fiz! Não, não nasci perfeita, quis melhorar, fui ao bisturi e partilho tudo para que outra mulher, se quiser, se sinta confiante a fazer o mesmo.

Eis um pequeno diário de bordo:


Dia 13/Março - dia um, zero nervos. O PAM até me perguntou no carro: "não te sentes nervosa?". Mas nervosa com o quê? Confio no cirurgião, é algo que quis fazer a vida inteira, eu estava era ansiosa que tudo começasse e acabasse a cicatrização!

Desde que entrei na Clínica pelas 14H30 até que saí do bloco, o processo foi muito rápido (ou eu senti o tempo a voar). Levava 6h obrigatórias de jejum, assinei consentimentos, deram uma série de explicações, o Dr. João Bastos Martins deu ainda mais explicações e ao marcar-me com uma caneta fez algo que me pareceu extremamente correcto. Perguntei se havia muitas mulheres com o meu tamanho de maminhas a fazer redução, por algum motivo entendeu-me como uma dúvida, fechou a caneta, deu um passo atrás e afirmou sem problemas: "em caso de dúvida, interrompemos já". Nãaaao, credo! Não me tirem isto agora que vai acontecer!

Ainda deu para rir, mas fiquei a pensar que só um excelente médico é que diz que não opera doentes com dúvidas (o que é diferente de ter receios e medos infundados). Ainda contámos umas piadas, passei para o bloco feliz, fui anestesiada e não sei mais nada. Foram quatro procedimentos que levaram cerca de cinco horas.

Acordei com uma broa descomunal, o meu pensamento funcionava, mas o corpo só queria dormir. Levei logo as mãos aos sítios para saber como estava (a cabecinha estava mesmo a funcionar bem): gostei logo do tamanho das maminhas que agora são mãos cheias em vez de três mãos a transbordar, a rinoplastia era evidente pois tinha o nariz tapado, senti o penso no umbigo pelo que o furo do piercing tinha sido fechado e sentia o penso no queixo, a papada tinha sido retocada.

A anestesia geral deixa-nos num estado de sonolência brutal. Por dentro dizia-me a mim própria "vá, fala! Pergunta como ficou!", mas o corpo não obedecia ao pensamento. Dores zero, mas nenhumas mesmo. Para mim a parte mais chata foi ter de respirar pela boca por causa dos tampões no nariz. Isto para quem está habituado a respirar pela boca deve ser peanuts, mas para mim chateava-me e sentia a boca seca. Mas foram cerca de 24H e quase sempre a dormir, fez-se bem!


Dia 14/Março, 2º dia - O dia em que temos de nós pôr de pé. Não custa pelas cirurgias, custa pela anestesia, temos tonturas e enjoos, mas passa à medida que começamos a andar, o que fiz com ajuda das enfermeiras. O Dr. João Bastos Martins foi ver-me, fui despida, mudaram-me os pensos, pude ver-me pela primeira vez mais ou menos, tirei selfies para enviar à minha mãe, o médico disse que estava muito contente com os resultados e eu também fiquei!

Estava era desesperada para tirar os tampões do nariz, não via a hora. No blogue algumas leitoras falaram deste momento como a pior dor da vida delas, eu duvidava que fosse sentir dor, sentia-me tão bem! E na hora de tirar, doeu tanto como tirar um algodão do nariz, daqueles que nos metiam quando sangrávamos do nariz em criança. Para mim representou um alívio e zero dor. Nas maminhas tinha drenos, tirá-los foi tão simples como beber água. Custou zero.

Cheia de recomendações, caixas de comprimidos (no privado tratam de nós, no público temos de tratar destas coisas todas), fui para casa por volta das 16H e fui dormitando, sempre bem, com alguns enjoos ocasionais, fruto da anestesia geral, mas nunca vomitei.


Dia 15/Março, 3º dia - Fiquei com os sonos trocados e os enjoos desapareceram. Levantei-me às 5H cheia de energia, fui para o computador escrever posts, tomei o pequeno-almoço sozinha pelas 6H30, preparei o biberão da Carminho para quando ela acordasse, deitei-me pelas 8H e voltei a dormir até ao meio-dia.

Tomei banho (que me soube pela vida!) e vi as mamas com pensos. Acho que a última vez que vi as minhas maminhas assim tinha 17 anos! Experimentei um fato de banho que usei dias antes no Rio de Janeiro (com mamas a sair pelas costuras) e pareço tão mais magra! A diferença por dois ou três tamanhos de copa de soutien é abismal, parece que perdi imenso peso.

Experimentei partes de cima de bikinis onde me sentia a abarrotar e senti-me com um decote mesmo bonito. E estavam ainda no cucuruto, faltava que descessem e assumissem posição natural, o que aconteceu dois meses depois. Segundo o Dr., aos seis meses (em Setembro) já estarão no seu aspecto final e as cicatrizes finais, ao fim de um ano. A minha cicatriz é em volta do mamilo (que não foi retirado, não existe perda de sensibilidade) e uma linha que desce, não é um T invertido. Cada médico tem as suas técnicas, o Dr. João Bastos Martins está na crista da onda. Pelo que pude avaliar na minha irmã, para ver as cicatrizes é preciso ir lá com os olhos, tem uma linha branca muito fininha, tipo uma estria.

Neste dia até fiz a cama sozinha e aproveitei a tarde para escrever. Maior chatice do dia: sentir o nariz tão seco de manhã, o que fui resolvendo com um cotonete com vaselina e depois à tarde, sempre a pingar, mil pingos que faziam cócegas e tinha de ir secando pressionando levemente com uma compressa.

Dia 16/Março, 4º dia - Sentia-me já fartinha de esperar pela cicatrização, mas faz parte. O nariz não parava de pingar, com pingos que corriam e faziam comichão, como no início de uma constipação. Não doía, são situações que podem ou não fazer parte, depende das pessoas.

Dia 17/Março, 5º dia - Dia de mudar os pensos! Fui ter com o Dr. João Bastos Martins porque preferi, podia ter sido eu a mudar os pensos em casa. Mas quando comecei o serviço descolei sem querer um daqueles pensos que substituem pontos no mamilo, começaram a aparecer pintas de sangue, tive medo de estar a criar caminho para cicatrizes feias ou infecções e preferi ir ter com o Dr. João. Não aproveitei para ver as maminhas sem pensos, achei que não valia a pena, as primeiras semanas é para achar coisa horrível de Frankenstein e medos de ficar assim para sempre, fui avisada disso. Vi as minhas familiares e não fica como parece. Portanto, achei que não valia a pensa, não ia acrescentar nada ao meu pensamento.

A papada nesta altura já estava em óptima recuperação, doía-me como uma nódoa negra, mas só se tocasse. Os olhos começaram a passar de roxo para amarelo a uma enorme rapidez. O rosto estava ainda inchado, mas tudo dentro da normalidade.

Sentia perfeitamente que podia conduzir, tirar coisas das estantes ou pegar na Carminho ao colo. Só não o fazia porque tinha medo que me ela me desse um safanão no nariz ou nas maminhas sem querer e porque não queria que o PAM percebesse que estava cheia de força. Sempre ia mudando as fraldas por mim!

Depois de ter ido mudar os pensos fui ao Colombo almoçar de tala no nariz e olhos negros. É evidente que toda a gente olhava para mim e algumas pessoas eram tão pouco discretas que me dava vontade de rir. Mas eu queria lá saber, queria ir arejar, estava de chuva, estava perto do centro comercial, foi o escolhido. Ainda passei numa loja de soutiens e fiquei maluca com algumas novidades da nova colecção. Queria tanto comprar! Mas as maminhas ainda não estavam no sítio, tinha de aguardar para ver se ficava uma copa B ou C.

Dia 18/Março, 6º dia - Neste dia senti que uma rinoplastia não combinava mesmo com um nariz entupido. Dormir começou a ser um filme de terror porque detesto respirar pela boca. O nariz entupia constantemente, fui resolvendo com cotonetes e soro, mas acordava e às vezes demorava horas para voltar a adormecer. Ainda assim, continuava sem qualquer tipo de dores. Acreditem, onde custa mais é na carteira!

Dia 20/Março, 8º dia - Foi o dia em que tirei a tala do nariz e concluiu-se que o problema do nariz não era uma consequência da cirurgia, eu estava era constipada! Tirar a tala não custou nada, foi o mesmo que colarem uma fita-cola ao nariz e puxarem lentamente, ou seja, sente-se puxar levemente pela pele, mas não dói. O nariz estava ainda muito inchado, até parecia maior do que era, mas já dava para ver que tinha as curvas certas e que uma vez desaparecido o inchaço, ia ficar lindo. O Dr. João apertou o nariz com os dedos e não doeu nada, apenas senti pressão. O que me custou foi tirar um dos pontos presos a um pêlo na narina, auch! Lágrimas, lágrimas! Outros pontos ficaram dentro das narinas, foram caindo naturalmente. Um mês depois o nariz teria já melhor aspecto e ao fim de 6 meses terei o resultado final.

Tirei o ponto da papada e do furo do piercing, tudo impecável e a correr bem. Tirámos também os pensos das maminhas para os mudar, mas não conseguia usar mais. A minha pele não aguenta cola, começou a fazer feridas e bolhas de água, uma chatice. Optámos então por desistir dos pensos e passar a usar compressas de tecido não tecido por dentro do soutien. Além disso, sempre que tomava banho, tinha de passar betadine nas costuras, deixar secar, aplicar creme e massajar as maminhas todos os dias. Não doía e na verdade até sabia muito bem.

Num mamilo tinha sensibilidade, no outro tocava e sabia que estava a tocar porque sentia no dedo, mas não no mamilo. Tudo normal, retomará a sensibilidade a seu tempo.

E eis que chegámos ao momento de me ver ao espelho! O Dr. João Bastos Martins avisou que eu não ia gostar de me ver e que era normal. Isso para mim não era novidade, eu sabia pelas minhas familiares que fizeram redução da mama: os primeiros tempos parecem coisa de talho. Como informou na primeira consulta, depois de uma cirurgia destas as maminhas ficam super subidas (quase na garganta), parecem escavadas por baixo do mamilo, as cicatrizes parecem horríveis e os mamilos umas tampas. Mas em 4 ou 6 meses a maminha desce, toma o formato de maminha redonda na base (desaparece o efeito escavado) e as cicatrizes começam a clarear. Portanto, quando me olhei ao espelho e já sabendo como era, não senti nenhum choque. É preciso ter paciência e aguardar pela cicatrização que naturalmente leva algum tempo, isto é uma obra!

Neste dia voltei a conduzir, oba!

Dia 27/Março, 14º dia - Duas semanas de cirurgia! Praticamente já não tinha nódoas negras na cara, só mesmo uns restinhos de nada. O nariz estava francamente melhor, ainda inchado, sem conseguir ver o resultado final, mas dava para sentir, isso sim! Ao passar os dedos para aplicar hidratante não reconhecia as formas como sendo do meu nariz, ele costumava ser mais largo. Nesta última semana eu mesma cortei pontas dos pontos que ficavam a aparecer nas narinas, eram um elemento socialmente constrangedor. Alguns pontos caíram, outros ainda lá estavam.

Por esta altura as maminhas tinham cada vez com melhor aspecto, notavam-se diferenças de dia para dia. Já conseguia dormir de lado, o que para mim era de sonho, mas tive de continuar a dormir de soutien (indicado pelo médico) até aos 60 dias. Tinha uma sensibilidade anormal nos mamilos, até a roupa me fazia impressão e comecei a sentir que a sensibilidade começava a regressar ao mamilo que estava adormecido. Tomava banho normalmente, tinha apenas de aplicar betadine nas costuras, deixar secar, massajar com creme, deixar secar, vestir o soutien com uma compressa na copa para não roçar no tecido.

4 semanas de cirurgia - Deixei de aplicar betadine nas cicatrizes, já passava a esponja esfoliante nas maminhas (sem apanhar os mamilos), já conseguia dormir de barriga para baixo, sentia que podia regressar ao ginásio e o único incómodo era mesmo a sensibilidade dos mamilos.

O nariz estava melhor, com pouca ou nenhum sensibilidade na columela, mas é das zonas que mais demora a desinchar depois de uma cirurgia. Se eu quisesse meter o indicador dentro da narina nem entrava, não cabia, tal o inchaço das fossas nasais.

6 semanas de cirurgia - O nariz já tinha muito melhor aspecto, mas a ponta continuava a parecer-me batatuda. E ao fim de seis semanas fui ao ginásio! Não era suposto, só às 8 semanas, mas eu sentia-me como nova à parte das cicatrizes, nunca diria que tinha feito uma cirurgia e fui por minha conta e risco. Durante as semanas seguintes localizei os exercícios mais da cintura para baixo, nada de saltos ou peitorais. Não é que sentisse dor, mas não me apetecia. E a diferença de fazer elíptica sem ter as maminhas sempre a dar Braga- Faro? Espectacular!

3 meses de cirurgia - Por esta altura senti o nariz muito menos inchado, mas ainda tinha por onde reduzir. Por dentro, uma das narinas estava mais inchada que outra. Infelizmente é dos locais que mais demora a desinchar após uma cirurgia.

As maminhas estão óptimas de tamanho (eu devia ter nascido projectada para ter este tamanho), segundo o médico os 3 e 4 meses são a fase mais feia de cicatrização em que as costuras ficam cor-de-rosa. No meu caso, cor-de-rosa fluorescente, mas é uma característica pessoal. Em algumas zonas a cicatriz começou a esbranquiçar. Quando fizer um ano, se achar que preciso posso fazer dermoabrasão para melhorar o aspecto ou mesmo corrigir as cicatrizes, mas ainda há muito para clarear e que recuperar até fazer um ano.

Por esta altura fui de férias, andei dias inteiros sem soutien, comprei soutiens maravilhosos, fiz ginásio, é raríssimo lembrar-me que fiz uma redução mamária a não ser quando olho ver a evolução das cicatrizes. Há zonas onde já nem se vê, estão da cor da pele.

Fazia tudo outra vez! A sensação proporcionada por ter maminhas adequadas ao meu tamanho, vale cada cêntimo! Podem saber mais sobre o Dr. João Bastos Martins aqui ou aqui.

E não, ninguém me pagou para escrever este post, paguei as minhas cirurgias como toda a gente.
Para saberem sobre preços com o Dr. João Bastos Martins, cliquem neste post.


ADENDA: Estão a enviar-me mil mensagens sobre seguros. Ou seja, estão à procura de alguém que pague cirurgias puramente estética e não existem seguros para isso.

Em cirurgia estética só entra o seguro se tiverem indicação para tal e não se tratar de uma questão puramente estética. Ou seja, pegando num caso que conheço, uma pessoa com nariz sem problemas de saúde associados, atravessou a rua, foi atropelada, partiu o nariz que ficou uma desgraça. Foi um acidente, o seguro entrou com  o "arranjo" e ficou melhor do que era.

Mas, não existindo nenhum acidente, não havendo questões de saúde associadas como dores, dificuldades respiratórias, dia-a-dia afectado, etc., se for para arranjar porque se quer bonito, o seguro não cobre. No meu caso tinha desvio do septo, mas não tinha mais nenhum problema. Enviei exames, recusaram. Nas costas tinha uma ligeira escoliose, enviei exames, ainda não estava manca, não cobriram a redução mamária. Em suma, responderam que se quisesse, eu que a pagasse as cirurgias e assim fiz.

Para mim era um incómodo ter maminhas grandes, mas era um incómodo e o seguro só entra quando a saúde é afectada. Por um lado é parvo não funcionar como medicina preventiva, por outro percebo. Depende dos casos. Mas é assim que funciona!



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19.3.18

Cirurgia plástica: e preços?


É difícil responder a todas as pessoas que me contactam, por isso escrevo este post sobre preços.



Quanto paguei pela minha cirurgia?

Toda a gente quer saber quanto se paga por uma redução mamária, por uma rinoplastia, por lipoaspirar a papada ou fechar furos de piercings, tudo o que fiz a semana passada.

E ainda não respondi porque não sei quanto paguei e não sei o que responder. É evidente que eu sei quanto paguei no total, mas não sei qual a fatia relativa a cada um dos procedimentos. Além disso, se fiz uma redução mamária e aproveitei para fazer outras coisas, os procedimentos acrescidos ficam mais baratos porque não estou a usar o bloco operatório mais do que uma vez e os profissionais são os mesmos. Ou seja, na soma existe uma espécie de poupança e sinto que estar a dizer o valor que paguei no total pode ser parvo e induzir em erro, não é por nenhum secretismo.

Além disso, se pegarmos no exemplo das maminhas, há quem tenha menos para tirar, há quem tenha um peso enorme a tirar; há quem tenha o peito descaído e só o queira levantar; há quem tenha uma mama muito maior que outra e só queira equilibrar; há quem tenha mamilos mal posicionados de nascença e queira endireitar; existe um sem número de factores que naturalmente faz oscilar o valor final de um procedimento quer pelo tempo que demora, quer pela dificuldade.

Mas existe uma maneira de saber quanto custa a cirurgia que gostaríamos de fazer, a nossa, não a de outra pessoa e que consiste em fazer que eu fiz: com o meu seguro marquei uma consulta no Hospital dos Lusíadas que me custou 8,50€. Estive que tempos na consulta, o Dr. viu o caso com rigor, respondeu a todas as minhas perguntas, indicou preços e saí de lá esclarecida para tomar uma decisão para mim, adequada ao meu caso e não com base do que li noutro blogue. Repito, isto com o seguro custou-me 8,50€.

Por mais que eu queira ajudar e responder, não é muito melhor marcar uma consulta, ir saber, ganhar conhecimentos e saber com rigor sobre o nosso caso em vez de estar a formar opiniões com base noutra situação? Fiz a consulta no Hospital dos Lusíadas, mas depois acabei por fazer a cirurgia na Clínica da Beloura. O Dr. João trabalha em vários espaços, podem escolher.

Depois dessa consulta que não obriga a qualquer compromisso podem pensar se querem avançar, se não querem, se vão poupar, seja o que for, mas só assim tomam a vossa decisão com rigor. E o mais certo é saírem da consulta surpreendidas com tanta informação. E optimistas. Eu fiquei!


Respondendo também a outra pergunta importante além do preço, por que motivo escolhi o Dr. João Bastos Martins?

O Dr. João fazia parte da equipa que reduziu as maminhas a duas pessoas da minha família. Por sua vez, estas maminhas que eu vi (e acompanhei a recuperação), que ficaram tão bem, foram o mote para eu querer fazer igual. Basicamente eu queria aquelas maminhas.

Além disso tinha opiniões de terceiros, pessoas menos próximas, que só tinham bem a dizer do médico. Depois de dar início ao tema no blogue, por coincidência apareceram leitoras que foram operadas pelo Dr. João, afirmando que eu ia adorar (e confirma-se). Ele tem um excelente currículo (ver aqui), nas redes sociais (aqui e aqui) podem ver-se imagens do trabalho dele, que explorei e gostei e para quem acompanha programas de TV sobre cirurgia plástica percebe-se que está actualizado.

Em consulta, gostei mesmo dele. Gosto da forma como se explica, do sentido estético, da educação, do profissionalismo, do cuidado, do respeito, da capacidade de resposta, eu só tenho elogios a dar. Depois de todo este processo dá vontade de lhe dizer "aparece lá em casa para jantar!".

Além disso, podem ir à consulta e ainda lavam a vista, filhas!



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21.2.18

Está marcada a cirurgia!



Está na agenda o dia em que as minhas maminhas vão ficar mais pequenas.
Vou finalmente usar soutiens giros! Tenho passado nas lojas, sorrio sozinha e pareço uma parva, mas vou adorar usar este tipo de peças, alguém vai ter de me segurar a carteira.

Vou ter um verão em que consigo deitar-me de barriga para baixo no areal sem fazer buracos na areia.
Vou deixar de me ajeitar durante a noite para poder ficar de barriga para baixo.
Fazer desporto, fazer um sprint, vai ser mais fácil.
Não vou segurar nas maminhas para descer umas escadas a correr.
Os vestidos vão servir nas maminhas e na cintura ao mesmo tempo.
As camisas não vão abrir naquele botão do demo.
Vou parecer mais magra.
Vou gostar mais das minhas fotos.
Vou deixar de ter as maminhas juntas num rêgo quando visto o soutien.

E até vou usar decotes!
O umbigo é o limite.



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28.12.17

Cirurgia plástica: fui à faca!


Fui à faca!

Há um par meses escrevi aqui sobre algumas questões de pele com que tenho de lidar: queratoses, fibromas e um buraco na pele que se enche de porcaria. Fui a várias consultas para acontecer o que descrevi nesse post: ia de consulta em consulta com dermatologistas fiteiros na sua conversa de "não vale a pena". Mas eu é que sei se vale a pena, vivo com a minha pele todos os dias, tenho de me olhar ao espelho e isso nunca era tido em consideração. Aquilo que percebi foi que olham para a pele, mas não olham para mim, não têm em conta como me sinto, mesmo que explique.

Então concluí: eu não preciso de um dermatologista puro, preciso de um dermatologista ligado à estética. Ou de um cirurgião plástico, descobri.

Pedi sugestão de médicos no facebook do blogue, sugeriram imensos (obrigada, xuxus!). Mas entretanto já estava para ser consultada pelo Dr. João Bastos Martins, cirurgião plástico (aqui ou aqui), sobre uma redução mamária, falei com ele e se soubesse que tratava da minha questão das costas já tinha falado muito mais cedo!

Quanto à pele, queratoses e fibromas podia tratar de algumas, quanto às manchas no rosto não sendo a área dele recomendou-me procurar um especialista (é honesto, mas fico com pena), maminhas e rinoplastia é conversa para outros posts, mas estando despida da cintura para cima sobre a redução mamária ainda perguntou se não queria fechar a cicatriz do piercing que em tempos idos usei no umbigo, em forma de "aproveito e dou aí um jeitinho num instante". Maravilha, mais uma coisa que vai ser rectificada!

Partilho este post que não sendo a temática mais interessante para umas pessoas, há muitas mulheres que têm queratoses e fibromas como eu, há quem tenha buracos na pele que se enchem de porcaria, há quem tenha um furo de um piercing e acha que tem de viver condenada com ele o resto da vida e ainda há quem queira fazer redução de maminhas ou uma rinoplastia. Eu sei o que difícil que é encontrar quem oiça, quem perceba, e sobretudo quem faça o trabalho como deve ser correspondendo às expectativas, pelo que vou relatando este percurso de cirurgia plástica que vou fazer ao longo de 2018.

Comecei agora no fim de 2017, mesmo antes do Natal fui fechar o buraco que tinha nas costas e que deu origem a ponto negro pequeno, com pouco mais de 1mm mas hediondo, inchado, com área cinzenta em redor como um anel. Era mau demais e um complexo para mim. Mil vezes foi espremido, mas nunca desapareceu.

No Hospital dos Lusíadas, numa sala parecida com um bloco operatório, deitei-me numa marquesa. Estava de touca, bata verde, parcialmente vestida e com toucas por cima dos sapatos. O médico fez nova observação e foi explicando todo o processo: "vou desinfectar", "vai sentir frio", "vou aplicar anestesia", "vai sentir picada", é daqueles profissionais que indica tudo, o que (não sendo o meu caso) é bom para as mais mariquinhas, não dá abertura a surpresas. O curioso é que quando injectou a anestesia disse que ia picar mas eu nunca senti. Mãozinhas de fada!

E depois ao abrir, surpresa! Afinal tinha uma cápsula de porcaria maior do que o esperado. Debaixo do ponto negro estava um ovo surpresa que nunca iria desaparecer por mais espremido. Eu sabia! Levei dois pontos que vou tirar no início do ano, está com óptimo aspecto e no próximo verão vou poder ter as costas ao ar sem ter complexos ou vergonhas, o que não tem preço! Mil vezes uma cicatriz de nada do que um ponto negro daqueles que faz caretas às pessoas. Recomendo vivamente, não custa absolutamente nada.

Por falar em preços, o meu seguro de saúde cobriu a totalidade da mini-cirurgia, não sei dizer qual será o valor para quem não tem seguro, mas certamente indicam.

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28.11.13

Como foi a minha lipoaspiração abdominal


Eu sei, eu sei, estão para aqui leitoras desejosas que saia esta promoção vai para mais de um mês!

Esta não foi uma estreia para mim, já tinha feito uma lipoaspiração ao meu duplo queixo (texto aqui) e num mês foi assim uma diferença da noite para o dia. Nem sei contar a quantidade de pessoas que me disseram “estás mais magra!”. Não, não estava mais magra, apenas já não tinha papada e cara de lua cheia, passei a ter um maxilar definido, não me mudou as feições em nada, mas fiquei outra, como quem emagrece. E verdade seja dita, fiquei muito melhor! Gosto mais de me ver ao espelho agora do que gostava mais nova, com cara de bolacha Maria.

Fazer a lipoaspiração da papada foi um processo que não custou nada, a recuperação foi muito mais fácil do que poderia ter imaginado – várias leitoras que aproveitaram a promoção podem afirmar o mesmo – e acho que não tomei mais do que dois analgésicos para prevenir dores. Esta lipoaspiração tão simples fez muito pela minha auto-estima. Repetia tudo outra vez num piscar de olhos e a única coisa que tenho pena é não ter feito isto há 10 anos.

Depois de recuperada da lipoaspiração ao duplo queixo, ficou a sensação “isto é tão fácil, na barriga é que era!”. Eu não tinha uma grande barriga, não tenho excesso de peso, não sou magra nem gorda, mas tinha alguma gordura localizada na barriga, abaixo do umbigo, que eu sei que ou virava atleta ou vivia com aquilo para sempre. Era aquela saliência redonda como quem vai no primeiro trimestre de gravidez.

Nunca tive uma barriga lisa e acho que é algo que todas gostaríamos de ter. Estudei o assunto, falei nisso, o Poisoned Apple Man respondeu qualquer coisa como “não precisas, não acho normal, mas nem vale a pena falar porque já sei que vais fazer”. Na verdade não tinha ainda tomado uma decisão. Mas depois de tomar a decisão e de fazer a lipoaspiração, o PAM ficou de tal forma invejoso que foi lá bater à porta para fazer duas lipoaspirações. Para quem era contra estas coisas, nada mau. Mudou de um “isso não é normal” para um “também quero”. 

No dia a seguir a cirurgia, apesar de estar inchada, quando retirei os pensos parecia uma tábua. O homem que até ali só me chateava com “não é normal” e “vê lá se precisavas disso!”, quando me viu exclamou “também quero!”. Como pode uma pessoa mudar de ideias. E desde então não descansou enquanto não marcou consulta e se viu livre das gorduras que nunca conseguiu abater no ginásio.

Acho que apenas uma amiga me disse “vai em frente que eu também queria!”, de resto todos olhavam para mim com estranheza. Constato mesmo que a cirurgia plástica, lipoaspirações e afins, infelizmente ainda são um tabu, algo que é motivo de vergonha. E quem faz esconde. Não compreendo, se a ciência nos disponibiliza métodos para melhorar, porque não? Eu sou a primeira a contar tudo, como foi o processo, como foi a recuperação, como me sinto. As pessoas terão vergonha de assumir que queriam sentir-se melhor do que se sentiam? A meu ver, se alguém puder beneficiar dos relatos e das experiências alheias, melhor. Na mesma altura que eu, duas outras leitoras também embarcaram na mesma lipoaspiração, mais tarde foi o PAM que fez duas (cintura e abdómen) e estão uma série de amigos dele à espera da promoção.

Estou e sinto-me melhor nos trintas do que sentia nos vintes e as duas lipoaspirações que fiz fazem parte desse aumento de auto-estima. Para ser perfeito, só precisava de uma rinoplastia.

Uma das coisas que (estupidamente) me disseram quando ponderei a segunda lipoaspiração foi “ai, agora estás viciada!”. Não há pachorra. A lipoaspiração não é viciante. A questão é que (quando feita como deve ser), ficamos tão contentes com o resultado que queremos fazer também noutras áreas que nos deixam descontentes. Aqui a questão é ter consciência: a barriga era algo que eu já tinha suspirado “uma lipo é que ia bem”? Era, mas mal eu sabia que um dia acabaria por fazer uma, quanto mais duas. O nariz era algo que eu gostava de corrigir já há muito tempo? É, há que tempos, mas custa dinheiro. Ou seja, depois de feita uma experiência, nada destes desejos são novidade, apenas ficamos com a certeza de que melhorar é possível e está à distância de um bom profissional e de dinheiro, só isso. É como se se tornasse uma realidade possível que antes pensávamos impossível. E aí queremos mais outras coisas. Depois há a sensatez e a insensatez, como querer ter o nariz de uma actriz, usar a lipoaspiração como forma de retocar o corpo inteiro das orelhas aos tornozelos, etc.

Devo deixar a nota de que as lipoaspirações não servem para perder peso em casos de obesidade. As lipoaspirações são ideais para casos como eu ou o PAM, que temos um peso normal e saudável, mas com gorduras que se depositam geneticamente em alguns locais. Veja-se o caso do PAM, que é um homem magro, magro, se ele vestir as minhas calças servem. No entanto, a única gordura que tinha era uma pequena boia à volta da cintura e da barriga.

Atenção que a lipoaspiração não traz firmeza nem músculos tonificados, pelo que se quer uma barriga fit, depois tem de fazer alguma coisa por isso. Mas a barriga deixa de ser a zona que se ressente assim que engorda 2 ou 3 Kg, como acontecia comigo. Pequenas oscilações de peso não vão fazer diferença.

Atenção aos homens barrigudos que fazem lipoaspirações (como contou uma leitora que tem um irmão que assim fez) e que ao fim de um ano estão iguais ou parecidos. Fazer uma lipoaspiração e beber 10 cervejas por dia, com 10 bolos ao pequeno almoço e 10 pacotes de batatas fritas ao lanche, claro que a barriga deixa de ser a mesma.

No que toca às grávidas, falei com algumas que fizeram lipoaspiração antes de ter filhos e voltaram ao que eram. Tal como fora de uma gravidez, o importante é levar hábitos de vida saudáveis, o que eu já levava antes de fazer a lipoaspiração. Depois, a questão da pele, é outra conversa. Há barrigas que ficam destruídas após uma gravidez, com excesso de pele e estrias (casos para abdominosplatia e não lipoaspiração) e há peles que voltam ao que eram. Se a qualidade da pele for má, isso nada tem a ver com a lipoaspiração.


Vamos ao que interessa, como foi todo o procedimento da cirurgia? 

A minha lipoaspiração durou cerca de 3h30. Não é que a lipoaspiração demore a fazer, que até é o mais rápido de tudo (levou cerca de 1h), mas anestesiar é que demora bastante tempo por ser uma área tão extensa. O que fiz foi uma hidrolipo, exactamente como fiz a papada, com anestesia local, acordada e perfeitamente consciente.

Estas são as lipoaspirações mais seguras. Muitas vezes se ouve falar de situações que correram mal, de perfurações, e quando se está acordado não é assim. No caso de algo correr mal, o corpo avisa. Se nos sentirmos mal, podemos avisar. Com anestesia local o corpo não está como morto, os músculos estão duros e se a cânula passar perto do músculo, não há dúvidas que se percebe, evitando-se assim riscos de perfurações. Quando se sente, não se preocupem que não dói, apenas se percebe. Quando pesquisei sobre o assunto, li num site de cirurgia plástica do Brasil que este é o melhor método de lipoaspiração, sem mortes associadas.

Como disse, a lipoaspiração tumescente (hidrolipo) é indicada para retirar a gordura localizada. A enfermeira deu-me umas pequenas picadas para dar início à introdução da solução (uma espécie de água com anestesia e outras propriedades que diminuem o sangramento e facilitam a retirada da gordura), que doem o mesmo do que quando nos picamos numa agulha. As primeiras picadas, depois as últimas já nem se sentem. Neste processo a barriga incha e incha de líquido, ficamos enormes, sente-se a pele a esticar, pesada. Ao fim de um par de horas perguntaram-me se aguentava fazer a cirurgia sem ir ao WC. Não! Eu imagino que a introdução daquele líquido todo não ajude à vontade de urinar. Redonda como uma grávida, fui ao WC, regressei e, aí sim, o cirurgião começou o trabalho que me levou até ali. Nunca tive dores, fomos sempre conversando sobre viagens e coisas triviais. Na televisão à minha frente passava A Guerra das Estrelas.

Durante a lipoaspiração temos a sensação que aquilo é feito com uma brutalidade horrível, qual talho, que nos vai furar um órgão, que vamos ficar todas negras. Tranquilas. Eu não fiquei nem com uma nódoa negra para contar a história. Há quem tenho ficado com alguma coisa que desapareceu em dois ou três dias, mas isso também tem a ver com a qualidade da pele.

Acabado o processo, o médico tratou de me colocar uns pensos, colocou a cinta, levantei-me, senti os joelhos muito moles (não pensem que podem regressar a casa sozinhos a conduzir), vesti a minha roupa (recomendo roupa de ginásio ou roupa que não se importem de estragar), segui para o gabinete onde me foram relembrados os cuidados a ter em casa, fiquei com o telefone para contactar em caso de necessidade a qualquer hora do dia ou da noite, ganhei uma receita para um antibiótico e um analgésico e fui para casa. Assim simples!

Apesar de ter sido espremida ainda no bloco, a maior parte das pessoas continua a largar líquido. O líquido sai como uma água tingida de encarnado, mas não dramatizem, não é sangue! O sangue é opaco, aquilo é uma aguadilha com cor. Eu comecei a largar água só em casa, imenso, imenso, a minha roupa dava para espremer. O PAM quase não largou água em nenhuma das duas vezes. Uma das leitoras nem chegou à porta da clínica e já estava a voltar para trás de tanta água que largou. Isto depende de cada um, mas recomendo toalhas no carro para no regresso a casa não sujar os bancos e recomendo várias toalhas dobradas na cama na hora de ir dormir.

Na primeira noite nunca mexi nos pensos apesar de ensopados, fui apenas absorvendo água da cinta com uma toalha. Apesar de achar que ia ser desconfortável, dormi bem, de lado ou de barriga para cima, fazia movimentos lentos de quem está dorida, mas nada de especial.

No dia a seguir achei que ia ser o meu fim! Imaginem a pior aula de abdominais de sempre. Imaginem que por cima dessa aula têm de fazer outra aula dessas. É de cair para o lado!

Não desesperem, o dia seguinte é o pior, mas eu achei que ia ficar assim dias e dias. Não ficam. Ninguém tem dores com vontade de chorar, são dores semelhante às de ginásio, mas em grande. Não queremos rir, tossir, mexer, nada! É aquela coisa de olhar para a cara-metade e dizer “se me fazes rir, mato-te”.

O mais chato de tudo é no dia seguinte, no duche, ter de pressionar a barriga para tentar tirar a maior quantidade de líquido que possa ter ficado. Tinha sete furinhos na barriga, espremia e saía líquido de um deles, tipo jacto. O mal é que a saída de líquido provoca uma queda de tensão e pode deixar-nos enjoados. Eu acabei por vomitar, tive de voltar a sair do banho, enrolar-me numa toalha e deitar-me. Passou rápido. O PAM nunca ficou maldisposto, fez tudo na maior. Mais uma vez, depende de cada um.

Eu fiz a lipo a uma sexta e recomendo que fiquem os dois primeiros dias em casa a ver filmes e a ser servida por escravos. Eu não. Eu fui almoçar fora (demorei 5 minutos a entrar no carro), fiz uma caminhada lenta no paredão, fui a casa de amigos, fui a um velório, enfim, não quinei, mas tinha ficado melhor se tivesse estado em casa. Ou seja, em nenhum momento achei que não dava para sair e tinha de ficar de cama, mas não me tinha feito mal.

Paniquei a achar que se demorava 5 minutos a entrar no carro para me dobrar, como ia a conduzir até ao trabalho? De facto o dia seguinte é mau, como se tivéssemos as piores dores de ginásio de sempre, mas ao segundo dia estava completamente diferente e já conduzi (no Domingo). A partir daí, foi sempre a melhorar a olhos vistos.

É um processo de recuperação normal, fiz várias massagens com ultrassons por recomendação do médico e com a minha massagista Patrícia (quem quiser contacto, é pedir), que são um alívio e fazem muito pela diminuição do inchaço, massajei-me a mim própria com creme, fiz alongamentos para ir esticando a pele e tive de usar a cinta durante 10 dias inteiros e 10 noites. Na verdade, usei mais tempo. É que com a lipo a pele arranja um novo sítio para se instalar e o roçar da roupa às vezes faz impressão. Com a cinta justa não sentia essa impressão.

E pronto, fiquei com uma barriga espectacular. Apenas tomei analgésicos dois ou três dias, já o PAM parecia um drogado com medo de vir a ter dores, mesmo à homem, acha logo que vai meter um pé na cova. Durante uma semana não contem com actividades sexuais porque têm os músculos como quem fez a pior aula de ginásio de sempre, mas não é pior que isso.

Para ficar como estou, fazia tudo outra vez sem hesitar. O PAM nem acredita que se viu livre da boia que toda a vida o deixou complexado. Tinham de o ver a namorar-se ao espelho. Antes não permitia que se mostrasse uma foto em que aparecesse de barriga à mostra, agora mostra a quem quiser ver.

Bom, bom era fazer agora o nariz e ficava impecável!

Deixo-vos duas fotos, uns meses depois da lipoaspiração. Uma pessoa parece logo mais magra sem barriga! Mais uma vez, repetia tudo sem hesitar e o PAM também. Quando se olha para trás uma pessoa só pensa “eu devia era ter feito isto há mais tempo”.

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1.4.13

Lipoaspiração da papada - como foi


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Acho que corria a época dos Descobrimentos, algures em 1500, quando me olhei ao espelho e desejei não ter papada. Fizeram-me assim, entristecia-me, nunca me matou, mas sempre desejei não ter papada. Há anos que faço lista de pedidos ao Pai Natal e a lipoaspiração sempre constou das minhas listas. Não que eu esperasse que o Pai Natal descesse da chaminé com uma lipoaspiração na mão, mas as minhas listas de Natal sempre foram listas de desejos, uns mais concretizáveis que outros, mas sonhar não custa. E eu sonhei alto e consegui.

Sou agora uma mulher livre de papada, com um pescoço definido, um maxilar definido que não tinha e com uma auto-estima mais elevada. Presunção e água benta cada um toma a que quer, é certo, mas eu vou assumir aqui sem cerimónias que me sinto muito mais bonita. A diferença nas fotografias é abismal, estou melhor aos 30 do que estava aos 20.

Isto da papada é um mal de família, as mulheres não têm excesso de peso, mas uma senhora papada nota-se em quase todas. É genético, há gordura que se acumula em certas zonas por uma questão genética e, magras ou gordas, é gordura localizada que não desaparece por muito cuidado que se tenha no prato.

Comecei a escrever sobre isso no blogue em Novembro, à procura de opiniões, em busca da experiência de quem já tivesse passado pelo mesmo. Não sei qual foi o click que me fez decidir “vou mesmo fazer isto”, mas em Dezembro eu já estava absolutamente determinada, procurava apenas o melhor sítio. Com as vossas opiniões e a internet, fui trilhando um caminho que não foi a coisa mais fácil do mundo, pois não há UM relato de uma experiência semelhante na internet, de uma portuguesa, operada em Portugal, não há nada. Só há relatos para aumentos mamários e daí este meu testemunho para que possam ler.

Outra coisa que percebi, é que em Portugal a larga maioria das mulheres prefere esconder que se submeteu a uma cirurgia plástica. Eu quero mesmo contar tudo ao pormenor e poder ajudar alguém a tomar uma boa decisão.

Consultei mais do que um cirurgião. Eu acho que um cirurgião plástico deve ser bem pago, mas há preços que não compreendo. Deram-me valores que iam dos 1.800€ aos 3.500€ e eu hesitava no que fazer. Se era verdade que era muito dinheiro, também era verdade que queria mesmo ficar sem papada.

E foi neste altura que a leitora Helena me contactou e me deu uma sugestão: naquele mês tinha saído uma promoção na revista Happy: 50% no valor da lipoaspiração da papada, uma hidrolipo, mais exactamente. Com muitos anos de jornalismo de beleza, a Helena assegurou-me que a clínica era boa (obrigada, Helena!), deixei-me convencer e marquei uma consulta. Já conhecia esta clínica há anos das minhas pesquisas, mas nunca me tinha aventurado num contacto.

Confesso que fui com algum pé atrás, com algum preconceito. Esta coisa de cirurgias plásticas com descontos e publicidade faziam-me desconfiar, mas eu sabia que era preconceito meu. Basta sair do país e ir até à América do Sul para ver que a cirurgia plástica é do mais banal que há, o que não faltam são promoções em revistas e na internet. É fácil encontrar uma mulher que se submeteu a uma cirurgia plástica. Nos EUA, na Califórnia ou na Flórida, não faltam autocarros com publicidade “Breast Augmentation, call now!”, com promoções, descontos, tudo. Em Portugal é que somos pequenos, vemos a cirurgia plástica como um bicho raro, apenas acessível a quem tem dinheiro a jorros e não é verdade. Não é preciso ser-se milionário para fazer uma cirurgia plástica, nem a publicidade e a forma de divulgar o trabalho devem ser olhadas de lado. Afinal, se não estranhamos a publicidade a um consultório dentário, por que vamos estranhar a publicidade a uma clínica de cirurgia plástica? É uma área de negócio como outra qualquer. E com isto na cabeça fui à consulta.

De todas as consultas a que fui, esta foi a única que paguei (80€ que meti no seguro). É claro que preferimos ter a menor despesa possível, mas quando olho para trás, tenho de reconhecer que o tempo de um médico tem de ser pago. Estive na sala com o médico durante uma hora certa na qual me explicou exaustivamente aquilo que iria fazer, caso decidisse submeter-me à cirurgia. Nenhum outro cirurgião esteve este tempo comigo, nenhum cirurgião me fez desenhos, nenhum cirurgião me mostrou centenas de fotos do antes e depois, fui a cirurgiões que nem me sequer pediram para levantar e tocaram na papada. E queria saber de mim, queria saber quais eram as minhas expectativas, conversou comigo. Uma curiosidade desta consulta foi eu ter afirmado “já sei que vou ficar negra”, o que outros cirurgiões me tinham dito, o que este médico estranhou e respondeu “não! Só se for mal feito. Quer dizer, pode ficar com uma ou outra nódoa negra, mas não é suposto ficar com o pescoço negro!”, o que me fez pensar na informação que me deram antes.

Essa coisa que se vê por aí de “consulta grátis”, a mim não me deixou impressionada. Fui a alguns centros onde falei 10 minutos com médicos que nem me tocaram, fui a outros que só responderam às minhas perguntas e não informaram coisa nenhuma de sua iniciativa, fui a um médico de uma especialidade completamente diferente com um “eu vejo-a e depois paga consulta para o cirurgião ver” (se vou a uma consulta grátis não espero ter de voltar, perder tempo e pagar), e até tive a oportunidade de ser atendida por uma recepcionista, com um “o doutor afinal não está, eu atendo-a”, que por muita boa vontade que tenha, tenham paciência! Esta menina até afirmou que eu não tinha gordura, tinha excesso de pele, “mas é melhor o doutor ver”. E eu não aguento esta falta de profissionalismo.

A minha última opção não só era a clínica mais barata, como foi o que mais gostei, não tinha qualquer reclamação na internet (quando é para reclamar as pacientes já escrevem), pareceu-me o mais humano, mais rigoroso e gostei disso. Respondidas todas as minhas questões, dadas todas as explicações, sem qualquer pressão para avançar na cirurgia, saí do gabinete com um “digo qualquer coisa na semana que vem”. 

Na verdade, acho que saí de lá decidida, queria apenas consciencializar-me de que o iria fazer. Tanto tempo a desejar isto! Tantos anos a pensar numa coisa que me parecia inalcançável, mas afinal podia pagar, não parecia ser nada do outro mundo e com um cirurgião que parecia ser um “porreiraço”. Cheguei a casa, falei com o Poisoned Apple Man, com a minha mãe, e lá me decidi. Ainda a semana não tinha acabado e eu já estava a agendar a lipoaspiração.

Antes da lipoaspiração falei com amigos, contei que finalmente ia fazer uma lipoaspiração da papada e a minha recomendação é que esqueçam, não falem muito com os amigos, a conversa é sempre “mas não precisas!”, “mas tu tens lá papada!”, “tem é juízo” e tive um amigo que fazia olhos de gato abatido e pedia “dá-me antes o dinheiro a mim…” Mas quem olha para estas fotos acha mesmo que eu não tinha papada? Não tinha um bócio, claro que não, mas tinha um depósito de gordura que fazia pregas quando sorria, que me fazia a cara numa bolacha Maria, que me fazia parecer gorda, quando não sou.

Além disso, só percebi mais tarde, eu não tinha um maxilar definido, não se via osso, estava tudo escondido pela gordura e é claro que parecia uma lua. A memória da papada, no meu caso não sendo do tamanho de um pneu de carro, só as pessoas que mais convivem connosco é que sabem dizer e, mais do que essas, nós é que sabemos (aqui não incluo pessoas com visão distorcida da realidade). Há quem diga que não nota qualquer diferença em mim, mas quando se olha para as fotos do antes e do depois, é inegável! Quanto a isso, não fico triste nem é de ficar. Significa que os meus traços não foram alterados, apenas o meu rosto foi melhorado, ficou mais definido e mais magro. E correspondeu totalmente às expectativas.

20 dias depois
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A minha última foto, 40 dias depois da cirurgia, ainda não representa o resultado final, vai ficar um pouco mais magro que isto (portanto, só vai melhorar). Ainda tenho um pouco de inchaço debaixo do queixo que vai passando com o tempo e com massagens que faço a mim própria.

Vamos ao que interessa, como foi todo o procedimento da cirurgia? Foi a coisa mais fácil do mundo.

Cheguei eram 11h45, às 13h40 já estava a caminho de casa.

O PAM acompanhou-me (e foi uma pessoa que me deu todo o apoio nesta decisão) e ficou na sala de espera. Tratei da papelada na recepção, assinei um consentimento de cirurgia, declarei que estava consciente de todos os riscos e informada de todo o procedimento, paguei, dei um beijo no homem e fui para uma sala onde tinha uma “roupa de médico” à minha espera (umas calças e uma camisa sem botões, verdes bloco-operatório). Aqui, eram 12h certas.

Mudei de roupa, o médico tirou-me fotos, marcou a minha pele com um marcador, deu-me um tranquilizante (não que eu achasse que precisasse, não sou medrosa, ia determinada e não sou nervosinha de feitio, mas é assim que é), deu-me um caramelo e deitei-me no bloco ainda com o caramelo na boca que não derreteu até metade da cirurgia.

Toda a lipoaspiração da papada foi feita acordada, com anestesia local, com técnica tumescente. A lipoaspiração tumescente (hidrolipo) é indicada para retirar a gordura localizada. O cirurgião deu-me umas pequenas anestesias no rosto (seringa e picadas mínimas, dói mais uma vacina), quando o rosto ficou anestesiado, introduziu uma solução (como água) com anestesia e outras propriedades que diminuem o sangramento e facilitam a retirada da gordura. Neste processo o pescoço incha com a tal solução. Não tinha um espelho, mas através de uma lâmpada que havia no tecto pude ver algum reflexo de um papão gigante, cheio de “água”. Este processo não dói, sente-se a pele a esticar, pesada. Quanto está pronto, o cirurgião introduz a cânula começa o trabalho que nos levou até ali.

Acho que desde que entrei no bloco até sair, não terá levado mais de 30/40 minutos, passou muito rápido. Fui sempre conversando com o Dr. Martins, nunca me doeu, apenas me fez alguma impressão ouvir a cânula passar por baixo da pele, calculo, por ser perto dos ouvidos. Mas nada que nos leve a querer sair da cadeira! Apenas um barulho desconhecido no corpo. O tempo que ali estava eu pensava para os meus botões: “deixe-me pele e osso!”.

Temos a sensação que aquilo é feito com uma brutalidade horrível, que ainda nos fura a pele, que vamos ficar todas negras, mas nem uma, não fiquei nem com uma nódoa negra para contar a história.
Acabado o processo, tratou de me colocar uns pensos, colocou a cinta, levantei-me e senti os joelhos muito moles, uma vontade parva de rir como se tivesse bebido uns copos (não sei se foi do tranquilizante), cheia de sono, fui vestir a minha roupa, segui para o gabinete onde o médico me relembrou os cuidados a ter em casa, deu-me o telefone para contactar em caso de necessidade a qualquer hora do dia ou da noite, passou-me uma receita para um antibiótico e um analgésico e fui para casa. Assim simples!

Nunca no processo de recuperação senti dor a não ser ao tocar. E mesmo assim, umas dores de nada, como tocar no dorido de uma pancada. Usei a cinta elástica 3 dias inteiros e mais 7 dias só à noite, mas atenção que esta indicação pode não ser igual para todas.

Escrevi este pequeno diário para que não me esquecesse de vos contar tudo ao pormenor:

Dia 8 – dia da cirurgia
Vim para casa sonolenta, mas bem-disposta. Almocei, refastelei-me no sofá, adormeci por umas três horas. Quando acordei senti que os movimentos bruscos me faziam sentir uma dor semelhante àquela que sentimos quando estamos muito tempo sem ir ao ginásio e abusamos numa aula. Mas é apenas ao tocar ou a fazer movimentos bruscos, fora isso não sinto nada. Tomei um analgésico porque não sei se vai doer, mas não acho que precise. Não tenho qualquer sensibilidade ao toque no sítio da papada, é estranho, como uma anestesia de dentes. Toco, sei que estou a tocar, mas não sinto, só sinto na mão.

Dia 9 – o dia seguinte à cirurgia
Dormi com a cinta, achei que ia ser um inferno, difícil para adormecer, sempre a acordar, mas nada disso, depois de 5 minutos já estava para lá de adormecida. Dormi lindamente, a cinta não me acordou, é confortável. Hoje finalmente pude retirar a cinta para tomar banho e espreitar o resultado. O contorno do pescoço está claramente mais definido, dá para perceber que vai ficar diferente porque a gordura é diferente do inchaço. Fiz a minha higiene pessoal, coloquei a cinta, fui almoçar fora, fui ao supermercado, fui ao cinema, toda a gente olhou e eu não quis nem saber, não me vou preocupar com “vergonhas”. Ao almoço, mastigar foi como trabalhar com um músculo dorido de ginásio. Roçar com a língua no interior das bochechas foi como pressionar uma nódoa negra. São umas dores ligeiras, até me esqueci do analgésico em casa. Não é fácil abrir muito a boca para lavar os dentes nem esticar o pescoço. Nem é uma questão de dor, é mais porque parece que repuxa a pele. A meio da noite o homem, sonâmbulo, perguntou se eu estava bem e enfiou-me a mão no queixo. Vi estrelas, como vê quem esfolou um joelho e tem um “amigo” que vai lá carregar para ver se está bem. Mas passou num instante.

Dia 10 – 2 dias depois da cirurgia
Retirei novamente a cinta para tomar banho, não acho o inchaço diferente de ontem. Saí para ir almoçar com a família, estive o dia todo com a cinta sem dramas. Acho que ao tocar a dor mudou, já não é uma dor de músculos de ginásio, é mais parecida com uma nódoa negra e, como antes, apenas se tocar. Já não sinto qualquer desconforto a comer.

Dia 12 – 4 dias depois da cirurgia
Fui trabalhar sem a cinta, durante os próximos 7 dias só preciso de a colocar quando chegar a casa e para dormir. Notei muito menos inchaço e continuo sem sensibilidade ao toque na papada. O interior das bochechas já não dói ao roçar com a língua. Ao fim da tarde, fiz a minha primeira sessão de drenagem pós-operatória com ultrassons pelas mãos da Patrícia (minha massagista). Achei que ia doer (não é simpático para ninguém massajar a ideia de uma nódoa negra), mas não doeu. Foi até agradável. A Patrícia, ao tocar no rosto e por «memória táctil», disse que é evidente a falta de gordura no contorno do queixo e nas mandíbulas, disse que parece estar bem seco de gordura e apenas um pouco inchado.

Dia 13 – 5 dias depois da cirurgia
De manhã, quando tirei a cinta achei o inchaço mais reduzido, acho que foi da massagem. Esticar o pescoço já não repuxa tanto. Os furos da lipoaspiração estão completamente em crosta. Tenho alguma comichão por baixo do queixo.

E pronto, a partir daqui não escrevi mais nada, é um processo de recuperação normal como quem recupera de uma ferida, nada de invulgar. Fiz várias massagens, fiz ultrassons por recomendação do médico, massajei-me a mim própria e fiz exercícios com a cabeça para ir esticando a pele.

Desde o dia da cirurgia, 9 de Fevereiro, fui relatando no Facebook A Maçã de Eva o minuto-a-minuto dos acontecimentos (quem quiser pode procurar), como foi, como me sentia, publiquei fotos e muitas vezes os comentários (além dos “eu também quero!”) passaram por “ai, que coragem!”, “ai, eu não conseguia!”, “ai que medo”, “ai, tenho medo de ter dores!”.

Desculpem-me a franqueza, mas não há lugar para estas fraquezas. Como pensam as meninas parir, hum? Não vão aguentar com os medos! Não existe "coragem" nesta matéria, é uma questão de vontade: a pessoa quer ou não quer fazer, deseja muito ou não melhorar a figura. Quando uma pessoa quer, quer. Não é "eu gostava", isto não aparece no colo, é preciso tomar a atitude, agarrar a oportunidade e ir em frente. Se é para serem medrosas, não façam, mas eu sou menina para jurar que mil vezes mais difícil do que isto devem ser os partos. No entanto, quase todas as mulheres têm filhos.

Se o que querem dizer com "coragem" tem a ver com medo de morrer, podem ficar descansadinhas. Uma das perguntas que fiz e que parece ter surpreendido o cirurgião foi, "já alguém morreu por causa desta cirurgia?", ao que me respondeu admirado, "não, que disparate! Nem me diga uma coisa dessas!". Ou seja, a minha questão foi para ele um exagero que não se aplica. A lipoaspiração tumescente é segura.

Honestamente, custou-me muito mais quando tirei os 4 sisos com anestesia geral e fui para casa no dia seguinte. A lipoaspiração à papada é peanuts! 

Dores? Zero. Mas quando digo zero não é força de expressão, eu não senti dores nenhumas sem toque directo. Fiz a minha vida normal, não senti latejar, não senti quente e em todo o processo de recuperação tomei apenas um analgésico por precaução, sem na verdade sentir que precisava. Arrisco dizer que não pode existir quem diga “ai, que não aguento isto”. Não pode existir, é a coisa mais simples do mundo, de tal forma que eu não tenho a sensação que já fiz uma cirurgia plástica, sinto mais que me submeti a um tratamento. Lembro-me de uma queda que dei de bicicleta quando era miúda e esfolei as pernas todas. Aquilo sim, doeu. Até guardei na memória.


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© A Maçã de Eva

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