29.2.12

Afinal há quem escreva a verdade!

"Estou com o meu marido há 10 anos e raras vezes discutimos, mas nos primeiros dois meses da Clara estava a tornar-se insuportável e cheguei a equacionar seguir sozinha, coisa que nunca antes me tinha passado pela cabeça!", a ler aqui.

"É um bebé que não interage connosco e por mais que o amemos, não há interacção propriamente dita e por isso [pelo menos no meu caso] a brutal relação afectiva não se estabeleceu de imediato. Adorava-a, era minha, mas havia ali ainda um qualquer distanciamento porque era um ser estranho. O cansaço também é muito difícil quando temos um bebé que chora 3h seguidas ao final da tarde [quando já estamos muito cansadas] como eu tive", a ler aqui.

"O que faltou explicarem-me foi a mudança emocional! Que eu iria sair de um hospital onde tinha entrado gorda [grávida], mas mentalmente normal, e iria sair num turbilhão emocional. Que uma directa todos aguentamos, mas 10, 15 ou 20 destroem a cabeça de qualquer um. Que nós estamos mais preparadas para o que aí vem porque tivemos o bebé na barriga 9 meses e houve alguma mentalização. Para os homens o conceito físico do bebé é um pouco abstracto", a ler aqui.

Obrigada por esta partilha. Estou quase a convidar a leitora para um cappuccino!

Para uns, estes textos representarão um sentimento de "que horror, estas coisas não se dizem!", ainda que se possam pensar e sentir. Para outros (eu), dou graças por alguém dizer a verdade, mesmo quando é para dizer coisas menos simpáticas que não ficam bem aos olhos da maioria das pessoas, como confessar "não senti um amor desmedido pelo meu filho à nascença", ainda que seja verdade.

Prefiro conhecer o lado menos romântico de constituir uma família, ainda que não venha a passar pelo que se descreve, do que ser apanhada de surpresa e pensar que afinal não é tão giro como faziam parecer. Pode ser tudo cor-de-rosa e pode não ser. Se não for, não tenho de me sentir extraterrestre e culpada.

36 caroço(s):

Joana Laranjinha disse...

Estou a tirar o curso de enfermagem e um dos assuntos que já abordei, em várias disciplinas, foi precisamente a ligação entre a mãe e o recém-nascido. Por vezes as mães sentem-se mais distanciadas ao início, porque o bebé pode não corresponder às suas expectativas ou não ter uma personalidade fácil mas, o que em psicologia é chamado de "apego", acaba sempre por acontecer, à medida que os dias passam. Considero que para saber tudo isto não é preciso ter-se curso nenhum e que quem criticar estas mães mostra alguma ignorância. Obrigada por este post. :)

Fashionista disse...

Tenho de concordar contigo! Eu e a minha irmã quando tivemos o primeiro filho, costumavamos dizer que as pessoas mentem dizendo que é a coisa mais bonita do mundo! É brutalmente difícil!

Anónimo disse...

Concordo consigo, a maternidade/paternidade tem destas coisas menos cor-de-rosa... Fiquei sinceramente preocupada com esta leitora, não por isso, mas por ela dizer que o bebé não interage...

luisa disse...

Clap, clap, clap!! Concordo plenamente!

Juanna disse...

Se quiseres que te conte em pormenor como, várias vezes, pedi ao meu marido que me deixasse dar a nossa filha para adopção "só uns anos"... sem gozo, pedi-lhe isto aos gritos, a chorar, em histeria, etc.

Estava maluca, estava doente de cansaço :)
Já passou e ainda bem que ele não deixou lololol.

Juanna disse...

Culpada?? Jamais.

Queres que diga que há momentos em que abomino as minhas filhas? Há. Muitos. E que as acho estúpidas que nem portas.

Demorei várias semanas (meses?) até me apaixonar por elas. Adorei-as, eram os meus bebés mas eram desconhecidas.

Eu mudei? Mudei. Sou melhor.

Confusão emocional? Alguma, no início. A merdas das hormonas a ir ao lugar lixam-nos a sensatez durante uns tempos.

Dormir pouco? Por incrível que pareça, adaptamo-nos.

Só há uma coisa que não consegui suportar ou adaptar-me. Foi ao choro continuado da minha filha mais nova. Cheguei a contar várias horas de choro ininterrupto. Horas! Pelas 6 da tarde chegava a ter ondas de ódio dentro de mim, não suportava o som da voz dela, o meu marido chegava e eu saía porta fora. Foi um bebé horrendo, antipático, chorão e feio. Foi odiosa, foi parvalhona, comia pessimamente, dormia pior ainda.

Mas... e tu já sabes o que significa o "mas" :)

Anónimo disse...

porque é que os links não funcionam?
bjs

rabbit disse...

OI Maça,

Fiquei curiosa sobre o texto que colocaste no blog. No entanto não consigo abrir o link! pelos vistos só para quem tem acesso.
bjs

Ideias Cor de Rosa disse...

Olá Bom dia

o blog é só para leitores convidados, por isso o comum dos mortais não consegue ler!

mas calculo que seja muito complicado, resta apenas desejar muita força à Mini Feijão

Andreia disse...

Acredito que algumas mulheres não sintam o que conta esta leitora, mas eu senti! E é pena que pareça mal dizê-lo! Se fosse dito mais vezes já saberíamos o que nos espera e o choque seria menor...

Pinky disse...

Oh... é pena que o o blog dela seja só para pessoas com permissão :(

Anónimo disse...

A minha twin-sister está a passar por uma fase idêntica. Mas difere apenas no sentido em que, ela se ligou de uma forma doentia à criança, e tem alguns comportamentos desajustados, o que tem deteriorado a relação com o marido. Por mais que a tentemos chamar à razão, nem sempre é fácil. E o pobre do meu cunhado anda aos papéis a tentar não deixar morrer o casamento e ao mesmo tempo ser um marido e pai dedicado. Que o é, sem dúvida alguma.
As mamãs de hoje creio que complicam um pouco demais. Já não se deixam levar pelo instinto e seguem à letra o que o pediatra diz, ainda que a voz da experiência de outras mamãs seja mais racional.

Anónimo disse...

Poisoned Apple..... sempre a procura do lado menos agradável da maternidade.....

Rita Lisboa disse...

Eu não tenho filhos, mas há muito que deixei de ter uma visão romântica da coisa!
Ainda no outro dia ao ver a minha afilhada que tem 4 meses, pensava com muita vergonha, exactamente isso. Que gostava imenso dela, mas que não passava disso, não tinha vontade de a encher de beijos a todos os minutos e de passar o tempo todo a tentar interagir com ela, porque não há interacção PONTO!
Após ter estado com ela, cheguei a casa e vi o meu gato, que me "abraçou" e se aninhou a mim e encheu-me de beijos e eu pensei que gostava bem mais do gato naquele momento do que dela. Fiquei durante semanas atormentada com os meus pensamentos até ler isto.
Não acredito que sejamos únicas no mundo, não acredito que toda a gente sinta a "verdadeira benção de Deus", o "verdadeiro amor", a "dádiva da natureza" e mais outras expressões poéticas que tenho lindo em blogs e no facebook, quando se tem um bebé que passa as noites inteiras a chorar e quando de repente deixamos de ter vida e sanidade mental.

AnaCAlmeida disse...

Cara Maçã
Como diz mesmo que não se venha a passar pelo mesmo é bom saber que se acontecer não somos/fomos as unicas!
Deixo mais um post bastante esclarecedor, ser mãe deve ser um turbilhão de sentimentos opostos...
http://joannagoddard.blogspot.com/2012/02/motherhood-depression-and-weaning.html
Bjs

Carla Isabel disse...

Eu tenho 4 filhos!
Amo-os de paixão. Incondicionalmente. Li este comentários. Fiquei um pouco parada a pensar. É verdade que ninguém , só a natureza, nos prepara para o "depois" da gravidez. Mas também é certo que exageramos um bocadinho. A minha 2ª filha teve muitas colicas e eu muitas vezes nem sabia o que fazer, tentava manter a calma. Mas porque entre o 1º filho e a 2ª filha perdi 4 "bebes" e sofri muito, todos estes "senão" normais de ter um recem nascido em casa para mim até se tornavam maravilhosos...e não estou aqui a fazer "bonito" ou a pintar um quadro maravilhoso!Todos temos registos diferentes...há quem queira filhos e quem não queira, e sinceramente se não se sentem preparadas não tenham! É normal o cansaço, um turbilhão emocional, as lágrimas que saltam miuto facilmente, a vontade de mandar as visitas embora...é tudo normal e isso vai passando com o tempo...e depois para além do bebé temos os maridos que podem, ou não, ser uma grande ajuda...às vezes desajudam porque ficam com mau feitio, porque também não sabem o que fazer...
Mas ainda conto outra coisa...tinha o meu 3º filho 1 mês e meio e foram-lhe detectados 2 nodulos no figado...durante dois dias a indicação que tinhamos é que eram malignos e que ele corria riscos ao ser operado. No IPO fizeram-lhe os exames todos e chegaram à conclusão que eram benignos e que desapareciam com a idade...este milagre para mim superou todas as crises emocionais e o catano que se possa ter...entendem-me???Passamos a outro nivel. Ao nivel do agradecimento à vida.

Poisoned Apple disse...

É um facto que não consigo abrir os links, mas quando agendei este texto há poucas semanas, fi-lo através de uma comentário em que a autora me deixou os links da sua experiência. Na altura consegui ler o blog e gostei dos relatos. Eram verdadeiros.

Desconheço motivos para isto ter acontecido e espero que nada tenha a ver com este texto. Repito, os links foram-me deixados pela autora em comentário a um outro texto. Os textos podiam ter sido lidos por qualquer um.

Brown Eyes disse...

Concordo plenamente, e cada um (a) de nós tem a sua forma de vivenciar as coisas.
Eu como passei por uma fase devastadora no final da gravidez (o meu companheiro e progenitor da minha filha arranjou outra, foi-se embora e deixou-me completamente só e desamparada aos 8 meses de gravidez), a primeira coisa que pensei quando olhei para ela, para além de ter ficado apaixonada, porque fiquei, logo a seguir senti um medo dela indescritível. A vida estava a pôr-me à prova e tinha ali um ser que era meu, mas ao mesmo tempo era estranho e desconhecido e não sabia como havia de lidar com a situação.

Tive inclusive sentimentos contraditórios, porque amava a minha filha e ao mesmo tempo não conseguia dissociá-la da imagem negativa e promíscua que o progenitor dela me deixou.

Aos poucos as ideias estão a ir ao lugar, em quase 20 meses de convivência uma com a outra; apenas e só uma com a outra.

Poisoned Apple disse...

Brown Eyes,

o seu testemunho deixou-me um nó na garganta. Não tenho palavras. Espero que esta provação lhe traga coisas muito boas. Acredite: há males que vêm por bem e espero que o seu caso seja a melhor prova disso.

C. disse...

É tão bom saber que nem toda a gente acredita numa vida encantada. Um bem haja a essas pessoas!

Anónimo disse...

Epah PA já não se aguenta este assunto, tu estás tão indecisa que gostas de provocar o diálogo sobre isto para ver se esclarecem mais alguma dúvida que possas ter. Em todas as coisas da vida há sempre um lado bom e um lado mau. Mas sobre a nossa vida só nós mesmo para decidirmos o que é melhor para ela, até se escolher um caminho nunca se tem a certeza se foi o mais correcto, mas se andarmos sempre no "e se isto", "e se aquilo" então temos a vida hipotecada.

Sofia

Framboesa (uma diva de galochas) disse...

Felizmente hoje em dia já começa a deixar de haver o estigma: "desde que o bebe nasceu sou muito mais feliz e mesmo que não seja vou sempre dizer que sou para não me apedrejarem"...

Nao comparando, quando casei ha 10 anos a minha vida mudou radicalmante...o pior é que toda a gente me tinha falado do prolongamento da lua de mel e blahhh e eu sempre meti na cabeça que aquela tremenda dificuldade de adaptação era culpa minha porque toda a gente era imensamente feliz nos primeiros tempos...passados uns meses ao falar com amigas mais em privado vim a saber q a adaptação custou a todas, mais ou menos, mas custou a todas...

(btw, hoje sou mt feliz, escusava era de ter angariado uma expectativa tão grande que me carregou de culpa...qt a um eventual futuro baby tenciono fazer ao contrario, esperar que não seja um conto de fadas e se for, melhor :)

Chicca disse...

Apesar de a filha ser minha, eu não a vejo pela 1ª vez e fico logo a amá-la... Afinal eu não a conheço e ela não conhece a mãe e o pai.
Claro que gostei dela desde o 1º momento, mas a verdadeira relação mãe/filha vai-se desenvolvendo e crescendo de dia para dia.
A minha filha tem 16 meses e eu dizia muitas vezes ao meu marido: cada vez gosto mais dela! E eu sentia isso, e ainda sinto: o amor a crescer cada vez mais. À medida que o bebé cresce, se desenvolve e começa a ter novas aptidões como sorrir, entender-nos, brincar, mostrar afecto eu sinto que há, de certa forma, retorno, percebo que ela também gosta muito da mãe e do pai. E garanto-lhe que sentir-me amada pela minha filha é o melhor sentimento do mundo!

Ines Ribeiro disse...

Já deixei a minha opinião em vários blogs e deixo aqui tb a minha experiencia pessoal.
Acho lindamente que todas as pessoas: mães, pais, amigos, irmãos deixem os seus testemunhos. fui mae há 18 meses, de um principe lindo de morrer. Foi planeado? NAO! apanhou-nos completamente de surpresa mas qd nos mentalizámos (cerca de uma semana depois) ficamos felicissimos. Li muito, conversei muito e todos os testemunhos que tinha eram de santos. Com um mês dormiam noites inteiras, mamavam lindamente e num instante, nunca choravam, adormeciam sozinhos num piscar de olhos, as mães e os pais tinham tempo para tudo e andavam radiantes... desconfio que a maioria dessas crianças nem fazia cocó. ou se fazia cheirava bem. estou quase certa disto. resultado??? o meu anjinho nasceu e por mais lindo e maravilhoso que fosse tinha o sangue do diabinho a correr-lhe nas veias. HORAS A FIO DIA E NOITE ELE CHORAVA. CHORAVA??? NAO, BERRAVA! a pontos de ter passado nas urgencias a frente de todos os outros bebes porque o pediatra achou que ele estava a chorar daquela forma e só podia ser um sintoma grave... NAO ERA. ERA APENAS A FORMA DELE CHORAR. Apaixonei-me perdidamente pelo meu filho no momento em que o vi mas tb olhei muitas vezes para ele com um misto de sensaçoes e sentimentos em que so queria que ele dormisse. pegasse numa chucha e se calasse. POIS QUE DURANTE OS PRIMEIROS 4 MESES ISSO N ACONTECEU. e acabou a minha licença. Estive 4 meses fechada em casa com o meu filho e ele nada mais fazia que chorar. Desesperei, chorei, gritei muito. Amei-o muito neses meses mas tb desejei com muita força que ele fosse diferente. Ele foi ele e felizmente com o passar dos meses as coisas melhoraram. aos 13 meses (em vez de com um mês) começou a dormir noites completas, e aprendeu a dormir sozinho. Faz birras ocasionais?? Sim, faz. É um bebe. O meu bebe e amo-o mais que tudo. Mas tal como amo o meu marido e as vezes so me apetece que ele me desapareça da frente tb há momentos de fraqueza em que sinto que só queria ter conversas de gente crescida e com gente crescida. (sei bem que para as ter tb passa por mim mas isso era toda uma outra conversa).
Isto para dizer o seguinte:
- esquece os amigos sem filhos que dizem que vao telefonar e fazer-te imensa compania e ajudar-te e bla bla bla. n vai acontecer.
- sim, pode vir a ser um anjo mas tb pode n ser assim e o que te digo é que melhora e muito com o tempo. tenho hoje um filho maravilhoso e super docil
- seguir o coraçao
- mesmo que sintamos que se sairmos com um destes pestes de casa e ele começa a chorar e nada o cala... SAIR E MUITO! nao o fiz e muito me arrependo. sim as pessoas vao olhar, vao comentar, vao dizer que tem fome, frio, calor, que quer colo, que tem colo a mais. vao dizer o que quiserem. cabeça direita que quem é mae é que sabe. Tenho em mim que tenho de ter outro filho para por em pratica tudo o que aprenci as minhas custas no primeiro...

Mamã de Salto Alto disse...

Ah sim,isto é tudo verdade verdadeira.Eu continuo a dizer que é das minhores coisas do mundo,mas há o outro lado,que ninguém gosta de abordar.Os chatos que os miúdos são e ao trabalho fisico e mental que dão.O parir,em comperação com o que se avizinha,não é nada.Principalmente para as mães,que é para quem mais sobra,digam o que disserem.Eu quando a minha filha nasceu,não senti "o clique"(ó que horror dizer uma coisa destas.Mas acontece mais vezes do que se imagina).Fui sentindo ao longo destes meses.Foi uma coisa gradual.É como já disse,se fosse hoje,não tinha esperado tanto tempo para a ter,amo-a com todas as forças,mas não quero mais nenhum.Não sou assim tão altruísta.Perde-se muita liberdade de movimentos,principalmente quem como eu,não tem ajudas por perto a quem recorrer.Egoismo?Talvez.Normalmente quem o diz,é quem tem mãe e sogra a ajudar.E assim,é tudo tão mais fácil.Mas isto tudo para dizer que é maravilhoso ser mãe,mas dá dores de cabeça sim senhora.E quem disser o contrário,está a mentir.Bjs

Anónimo disse...

sou mãe de uma menina que é uma boneca e tem 2 meses. Sempre soube que ter um filho é muito difícil, conhecia diversos estudos com mães que abordavam a questão do enamoramento por um filho se processar ao longo do tempo. Gostava de ouvir opiniões pouco cor de rosa para ir preparada, no entanto tive um choque tremendo sobretudo na primeira semana que estive em casa. É um cansaço enorme, uma adaptação complicada. E eu tive a minha mãe comigo, tive um marido super estruturado e apoiante e uma bebé fácil. E mesmo assim foi difícil, só pensava que se fosse possível voltava atrás, à minha vida sem filhos. Hoje é bem mais fácil, mas tenho muitas saudades de estar sozinha com o meu marido, sair, ver tv, ou seja, das coisas simples do dia a dia.

Kity disse...

Não acho estes comentários nada de extraordinário, ou horrorosos, ou “ai que coragem em dizer isto assim”, pela simples razão que devem haver mil um sentimentos, mil e uma experiências … etc, etc.

Quanto à minha experiência e tentando não dar muitos pormenores que não interessam a ninguém, é assim:

- a minha filha nasceu de cesariana, de urgência, ou seja, tudo encaminhado para parto normal, 8 dedos de dilatação (sem epidural), e zás…vai lá para cesariana…anestesia geral…costumo dizer que tive dois partos num.

- quando fui para a enfermaria e me puseram a minha filha nos braços – lembro-me como se fosse hoje – pensei “ISTO deve ser meu, mas porque é que não sinto nada de especial?”

- viemos para casa e a miúda chorava noite e dia, literalmente! E durante 4 meses foi assim, a minha mãe entrava pela porta da frente eu fugia pela porta de trás!

- quando fui trabalhar senti-me a pessoa mais feliz do mundo, só porque ia novamente ter vida própria e as fraldas, biberões e choros eram só uma parte, não o TODO.

- por várias vezes apeteceu-me mandá-la pela janela, ir pô-la no lixo, desaparecer do planeta.

Ah então não gostas da tua filha?

NÃO!

Amo-a, adoro-a….mas durante os 6 primeiros meses da vida dela, fez-me a minha num inferno! Durante este tempo, eu só dei, cuidados de higiene (a toda a hora), cuidados de saúde, alimento, noites sem dormir, pânicos pelas febres, pelos choros, porque não engordava, porque não fazia cocó….a partir de determinada altura continuamos SEMPRE a dar mas passamos a receber em troca, sorrisos maravilhosos, gargalhadas sãs, as primeiras palavras, as primeiras descobertas, as primeiras aprendizagens…

E claro, vale a pena…
Mas nunca me esqueço de uma palavras que li, salvo erro numa revista tipo “Pais e Filhos”, que eram qualquer coisa assim, simples, simples:

“Ser mãe é deixar de ser filha”, e isto diz tudo!

Um beijo
Kitty

Como"escolher" o sexo do bebe! disse...

Ola, amiga quero lhe dar os parabens pelo post, e pela coragem..muitas mulheres não tem essa iniciativa e fica se escondendo atras de um casamento ou seja o que for de aparências...
Tive uma relação boa com meus filhotes e vc não deve se sentir culpada por não ter...
bjkas

Anónimo disse...

Decididamente a Poisoned Apple não quer ter filhos e unicamente procura justificações para tal.

Poisoned Apple disse...

Anónimo, "decididamente"? A sua certeza é qualquer coisa...

Decididamente quero ter filhos (daí tantas questões) e decididamente não sei como vai ser, como vou reagir, como vai mudar a minha vida, etc, etc.

Eu não preciso de justificações. Se não quisesse, não queria! Por que raio teria eu de me justificar no blog?

Fi disse...

Poisoned realmente privatizei o blog por causa de determinadas loucas q andam por aí. Por isso é q os links n funcionam agora. Mas td o q disse na altura é verdade e amo a minha filha mais do q td na vida. Não tenhas dúvidas pq apesar de td o cansaço é a aventura mais bonita das nossas vidas! Traz mudanças mas com o crescimento do amor e com a adaptação do casal a casa e a vida tornam-se uma alegria! Hoje afirmo q somos mt mais felizes por termos a Clara. Quanto ao cafezinho aceito de bom grado :) leio-te há imenso tempo e pareces-me mt sã de cabeça, gosto d gente assim. Mail para bemvindaclara@gmail.com e combinamos (era para t dar o mail pessoal mas fica aqui o do blog por causa das coisas). Bj

Anónimo disse...

..."decididamente não sei como vai ser (...) etc, etc" Pois não, nem eu que tenho 6 filhos posso dizer como é, até porque foi sempre diferente! É bom que se ouçam/leiam vários testemunhos, mas isto é sempre uma incógnita e nunca há casos iguais, porque tanto as mães como os bebés e os pais são diferentes e formam um "todo" também único.
Garantia, só uma: a vida muda mesmo, e nunca mais se é o que era: despreocupado, por algum tempo pensar só no aqui e agora, aventureiro a 100%, etc. Para alguns - como nós aqui em casa - é muito compensador e as alegrias são tantas que, mesmo quando nos apetece mandar todos pela janela... temos a certeza que a crise irá passar (e a prova é que não tivemos gémeos e todos os filhos foram programados). Certezas ou garantias não existem, é escusado ir procurar aos parágrafos em letra miúda ou tentar encontrar uma companhia de seguros que contemple a maternidade...

Claudia disse...

Eu também tenho muitas dúvidas e muitos medos como tu, Maçã. Tenho medo de não sentir essa ligação que toda a gente fala, tenho medo da depressão pós-parto e tenho medo de não ser boa mãe.
É bom ler estes testemunhos reais, que provam que nem tudo é um mar de rosas. Obrigada Maçã.
Mas eu mesmo assim acho que gostava de experimentar, e se/quando engravidar acho que vou ficar muito feliz.

Anónimo disse...

Tinha o meu filhote 3/4 semanas, ao fim de vários dias com cólicas e 48h sem dormir, passei-me da cabeça, dei-lhe mama, mudei a fralda, enrolei-o numa manta, saí porta fora, atravessei a rua, toquei à campainha da porta da casa da frente, abre uma avó admirada, despejo-lhe a criança nos braços e limito-me a dizer:
- Preciso de dormir 2 horas, desenrasca-te com o miúdo.
Voltei para casa e enfiei-me na cama.
Soube mais tarde que a minha mãe veio atrás de mim, enfiou o miúdo no carrinho, saiu e foi passear com ele por 4 horas para eu conseguir dormir...

R

sara disse...

Olá,Maça,
Sou mae de uma cachopa de 3 anos e também sou pediatra, mas aqui para o caso interessa muito mais o ser mãe que o ser pediatra (embora parecesse o contrário). O que te posso dizer da minha experiencia pessoal e da maioria das mães com quem falei abertamente sobre este assunto é que o instinto maternal é um mito, as mulheres não nascem a saber o que fazer quando nasce um bébé, nem mesmo quando a sua formação de base é essa... aprendemos a criar um bébé por tentativa e erro, e medo, muito medo. Antigamente quando as pessaos tinham muitos filhos e viviam com a familia alargada, suponho que chegavam à maternidade com mais experiência prática mas agora definitivamnete não.
Depois hoje me dia somos mulheres emancipadas que controlam a vida e a carreira e isto cria-nos um problema adicional em termos de competencia e expectativas. Sentimos que temos de ser "competetntes" e portanto ser uma mae perfeita com bébés perfeitos e temos que conseguir conciliar a maternidade, com a carreira, com ser sexy e ter bom aspecto e ficamos muito frustradas porque não conseguimos controlar nada, os bébés choram imenso,não se entende o que querem, se amamentamos não sabemos o que comem (chora: é fome?é colicas, está doente? não pode estar bem...), etc.
É uma frustração, e a esta frustração juntam-se várias coisas: Primeiro, até estammos fascinadas com o recém-nascido que nos puseram no colo, mas não nos sentimos "apaixonadas" e isso desperta logo em nós um sentimento de insegurança e termos algo de "errado" (se toda a gente se apaixona pelo seu bébé, o que é que se passa conosco? será que me vou apaixonar por ele? e se não acontece?). Estamos cansadas, na verdade exaustas, porque não dormimos nada de jeito nas ultimas semanas antes do parto, o parto em si é de uma violencia atroz para o corpo, depois do parto é que não dormimos mesmo nada durante o primeiro mês de vida, pelo que trocar fraldas, amamentar e tentar perceber o que é que se passa de errado com aquele pequeno ser fundem-se ao longo das 24 horas sem tempo para descansar mais do que 1h seguida. Entra-se mesmo em estado de deprivação do sono! e como se não faltasse mais nada, todas as hormonas que andámos a acumular durnate a gravidez caem a pique nas primeiras semanas pos parto! Moral da história: sentimo-nos um verdadeiro lixo ambulante misto de cansaço, culpa, medo e angustia...
Assim pode parecer que não aconselho esta «coisa» da maternidade, mas como já deves estar à espera pelos posts das restantes mães, estranhamente recomendo!

Raquel Vale disse...

Olá! Eu acho que há muita gente a dizer a verdade e facilmente se encontram relatos parecidos com este (e outros completamente diferentes e ambos verdadeiros)passeando na net, já para não falar em conversas com pessoas conhecidas.
Acho é que a nossa (neste caso, a sua) predisposição e interesse neste assunto é que está mais aguçada e daí prestar-lhes mais atenção.
Falando no meu caso pessoal, nunca tive jeito para crianças e nunca fiz muito por conviver com elas. Apesar disso, sempre acreditei que ia ser uma boa mãe. E fui mãe quase há um ano, adoro a minha filha mas não passei a gostar mais de putos ou bebés por causa disso. E muitas vezes quando estou a falar com alguém, não estou para aborrecer a pessoa com relatos pormenorizados das minhas experiências na maternidade e remato com frases feitas 'ai, é um doce, é tão linda a minha princesa bla bla' porque me coloco na pele da outra pessoa e penso que, se fosse comigo, eu não estava interessada em ouvir. Na maior parte das vezes não me interessam as histórias dos filhos dos outros, então para que é que eu hei-de chatear os outros com as minhas?
Agora, ainda recentemente tive uma conversa com uma amiga que está no limbo ter filhos / não ter e aí falei mais ao pormenor, coisas boas, coisas más, a relação do casal, como ficou o sexo depois da gravidez e basicamente tudo o que ela quis perguntar eu respondi de forma crua e honesta. Mas lá está, ela estava com predisposição para ouvir a lengalenga toda... Para qualquer outra pessoa, teria sido um tédio de morte...