Há dias encontrei num provador de uma loja uma amiga que não via há que tempos. Não é bem amiga, é mais conhecida do que outra coisa qualquer, amiga de outra pessoa, e com ela e outras passei algumas noites de verão em tempos idos. Embora não ache a rapariga má pessoa, é pouco expedita, poucochinha. Enfim, eu gosto mais de criaturas que sabem defender o seu ponto de vista.
Então lá estava ela a experimentar roupas de máquina fotográfica na mão. Perguntei-lhe o que andava a fazer e explicou que tinha um casamento. Precisava de se decidir quanto à indumentária e então tirava fotos ao espelho para depois mostrar ao Pedro, o mais-que-tudo da moça, e só depois de ter o aval do homem é que ia comprar a peça de roupa escolhida por ele.
Aquela explicação toda deu-me logo dos nervos. Assim que a vi perguntei-me se estaria mais esperta e desenvolta, mas não mudou nada. E lá estava ela a morrer de amores por um vestido, que lhe ficava lindamente, até porque a pequena tem uma figura absolutamente invejável, sem ponta de gordura, mas sofrida comentou:
- Adoro este! Mas o Pedro não vai gostar nada disto com estes folhos. O que fazes quando o Poisoned Apple Man não gosta da roupa que tu gostas?
- Cago no assunto?
- Ai! És mesmo parva... Eu gosto de estar gira para o meu namorado e para ele é importante - disse submissa enquanto não tirava os olhos do espelho.
Despedi-me e fui à minha vida. Dias depois, no chat do Facebook, não resisti a saber:
- Então? Qual foi o trapinho que o Pedro mais gostou?
- Nenhum. Vou levar um vestido preto que já tenho. É liso e de alças.
A par desta história, soube de outra rapariga a quem o namorado exigiu que apagasse uma amizade do Facebook porque não estava de acordo com a relação exibida na página social. A rapariga apagou, apesar de ser amiga do coitado eliminado. E às escondidas pediu-lhe que compreendesse.
Minhas filhas, daqui a começarem a apanhar no lombo, é um tirito. Mas isso sou eu que sou má pessoa e penso coisas horríveis.
31.10.11
28.10.11
Consultório #83
"Pareço uma carente sem fim, mas acho que este meu problema deve-se à minha infância e adolescência sem muito amor da família, sem um à-vontade, tratar todos por você. Na minha família parece que só é permitido dar beijos quando nos cumprimentamos, quando acordamos e quando vamos dormir. Durante tantos anos, foi assim. Sem abraços, sem beijinhos, sem palavras de afecto, nada. Enfim, acho que posso considerar sofrer de um défice de amor.
O meu problema é o seguinte: O meu namorado é exactamente o oposto de mim. A mãe mima-o demais, desde que nasceu até hoje. É só amor beijos abraços e dizer que ama muito o filho que é tudo para ele etc. Ele não lhe liga muito, não lhe diz palavras carinhosas em troca e raramente lhe dá um beijo!!! Nós andamos há cerca de ano e meio. Eu adoro carinhos e nunca me parecem suficientes, mas eu estou sempre a controlar-me para não o sobrecarregar e nem ouvir 'mais uns e acabas com a minha vida social'.
Comigo ele até que dá muitos carinhos (muitos para ele, sempre insuficientes para mim). Eu acho que um homem que trata assim a mãe não será um bom homem para mim no futuro. No entanto ele trata-me bem, mas é um bem relativo porque quando estamos com outras pessoas, ele gosta de falar com todos, também gosta de atenção e acaba por se 'esquecer' que eu também estou ali e existo. Às vezes tenho de o chamar à parte e praticamente protestar por alguma atenção. Ele fica irritado e aí é que não há nada para ninguém.
Quando estamos sozinhos, ele leva-me a passear a todos os sítios possíveis e diverte-me. Em casa, dá-me alguma atenção mas depois vai a correr para a TV e para o computador. Ele é um homem bonito e charmoso. Também tenho algumas inseguranças porque as mulheres babam-se e parece que querem todas atenção dele. E eu acabo por ficar frustrada porque não sei lidar com isso (apesar de ele dizer-me que não devia de me importar com as outras e ficar de nariz no ar por andar com ele - isto parece-me mimos a mais da mãe). Será que um homem que me faça sentir mal pela quantidade de carinhos que dou não é ideal?"
Há tempos respondi a uma mensagem parecida com a sua. Também eu tenho uma necessidade grande de carinho e de dar, o Poisoned Apple Man não tanto, mas isso não o afecta, antes adapta-se. O importante aqui não é se o problema é seu ou não, é a sensação que tem de que algo está errado. Leia-se:
1. "Adoro carinhos e nunca me parecem suficientes, mas eu estou sempre a controlar-me para não o sobrecarregar"
2. "Um homem que trata assim a mãe não será um bom homem para mim no futuro"
3. "Trata-me bem, mas é um bem relativo porque quando estamos com outras pessoas (...) acaba por se 'esquecer' que eu também estou ali e existo"
4. "Às vezes tenho que o chamar á parte e praticamente protestar por alguma atenção. Ele fica irritado e aí é que não há nada para ninguém"
5. "Em casa, dá-me alguma atenção mas depois vai a correr para a tv e para o computador"
No seu texto, tece alguns elogios, nada de estonteante e sobretudo relativamente à beleza do rapaz, no entanto deixa sempre um "mas" no fim de cada frase. Ou seja, até gosta dele, mas ele não é completamente aquilo que queria que fosse e está à espera que assim seja, que ceda perante si, que se torne tão mais-que-tudo que todas as suas necessidades sejam preenchidas. Anseia deixar de se controlar em algo que lhe parece natural e não está errado. Errada é a falta de naturalidade.
Eu não sei que idade tem esse rapaz, mas mesmo que não seja muito novo, dá-me a sensação de estar a falar de um adolescente. Alguém mimado, habituado a ter tudo à sua vontade, à hora e momento que lhe apetece. Isso não será apenas fruto da personalidade, mas também da educação. Eu nunca fui tratada nas palminhas e não pretendo fazê-lo, mas se um filho me tratasse com o desprezo que descreve - e ainda que não tendo a experiência da maternidade - a ver se era assim que me tratava mais do que uma vez. A mãe desse rapaz parece-me completamente deslumbrada pelo filho, provavelmente divorciada/viúva e ele filho único.
Muitas vezes ouvi dizer que na altura de escolher um homem deve ter-se atenção na forma como ele fala e trata da mãe. Provavelmente isto tem um fundo de verdade, se bem que nunca prestei atenção a isso porque nada me pareceu anormal (e não foi por isso que todos foram excelentes namorados). Mas quando uma coisa destas é evidente, além de me saltar a tampa com uma opinião qualquer, ficaria a pensar naquilo o resto da vida, em constante observação e desilusão. Que é basicamente o que está a acontecer consigo. Gosta e quer este rapaz, mas não quer com tudo o que traz na embalagem e isso não se pode escolher.
À sua questão "será que um homem que me faça sentir mal pela quantidade de carinhos que dou e exijo não é ideal?", definitivamente a resposta é não, não é ideal, porque um homem que gosta de nós não nos limita as emoções, adapta-se. Um homem que gosta de nós não protesta nem se irrita, conversa. Um homem que gosta de nós procura entender o que precisamos e porquê, não se enerva para responder algo desagradável como "mais uns e acabas com a minha vida social". Os homens, quando gostam de nós, fazem exactamente o que nós mulheres fazemos com eles: tudo o possível para sermos correspondidos, para fazer o outro feliz, para não ficar em falta, para sermos o melhor "lugar" do mundo.
O meu problema é o seguinte: O meu namorado é exactamente o oposto de mim. A mãe mima-o demais, desde que nasceu até hoje. É só amor beijos abraços e dizer que ama muito o filho que é tudo para ele etc. Ele não lhe liga muito, não lhe diz palavras carinhosas em troca e raramente lhe dá um beijo!!! Nós andamos há cerca de ano e meio. Eu adoro carinhos e nunca me parecem suficientes, mas eu estou sempre a controlar-me para não o sobrecarregar e nem ouvir 'mais uns e acabas com a minha vida social'.
Comigo ele até que dá muitos carinhos (muitos para ele, sempre insuficientes para mim). Eu acho que um homem que trata assim a mãe não será um bom homem para mim no futuro. No entanto ele trata-me bem, mas é um bem relativo porque quando estamos com outras pessoas, ele gosta de falar com todos, também gosta de atenção e acaba por se 'esquecer' que eu também estou ali e existo. Às vezes tenho de o chamar à parte e praticamente protestar por alguma atenção. Ele fica irritado e aí é que não há nada para ninguém.
Quando estamos sozinhos, ele leva-me a passear a todos os sítios possíveis e diverte-me. Em casa, dá-me alguma atenção mas depois vai a correr para a TV e para o computador. Ele é um homem bonito e charmoso. Também tenho algumas inseguranças porque as mulheres babam-se e parece que querem todas atenção dele. E eu acabo por ficar frustrada porque não sei lidar com isso (apesar de ele dizer-me que não devia de me importar com as outras e ficar de nariz no ar por andar com ele - isto parece-me mimos a mais da mãe). Será que um homem que me faça sentir mal pela quantidade de carinhos que dou não é ideal?"
Há tempos respondi a uma mensagem parecida com a sua. Também eu tenho uma necessidade grande de carinho e de dar, o Poisoned Apple Man não tanto, mas isso não o afecta, antes adapta-se. O importante aqui não é se o problema é seu ou não, é a sensação que tem de que algo está errado. Leia-se:
1. "Adoro carinhos e nunca me parecem suficientes, mas eu estou sempre a controlar-me para não o sobrecarregar"
2. "Um homem que trata assim a mãe não será um bom homem para mim no futuro"
3. "Trata-me bem, mas é um bem relativo porque quando estamos com outras pessoas (...) acaba por se 'esquecer' que eu também estou ali e existo"
4. "Às vezes tenho que o chamar á parte e praticamente protestar por alguma atenção. Ele fica irritado e aí é que não há nada para ninguém"
5. "Em casa, dá-me alguma atenção mas depois vai a correr para a tv e para o computador"
No seu texto, tece alguns elogios, nada de estonteante e sobretudo relativamente à beleza do rapaz, no entanto deixa sempre um "mas" no fim de cada frase. Ou seja, até gosta dele, mas ele não é completamente aquilo que queria que fosse e está à espera que assim seja, que ceda perante si, que se torne tão mais-que-tudo que todas as suas necessidades sejam preenchidas. Anseia deixar de se controlar em algo que lhe parece natural e não está errado. Errada é a falta de naturalidade.
Eu não sei que idade tem esse rapaz, mas mesmo que não seja muito novo, dá-me a sensação de estar a falar de um adolescente. Alguém mimado, habituado a ter tudo à sua vontade, à hora e momento que lhe apetece. Isso não será apenas fruto da personalidade, mas também da educação. Eu nunca fui tratada nas palminhas e não pretendo fazê-lo, mas se um filho me tratasse com o desprezo que descreve - e ainda que não tendo a experiência da maternidade - a ver se era assim que me tratava mais do que uma vez. A mãe desse rapaz parece-me completamente deslumbrada pelo filho, provavelmente divorciada/viúva e ele filho único.
Muitas vezes ouvi dizer que na altura de escolher um homem deve ter-se atenção na forma como ele fala e trata da mãe. Provavelmente isto tem um fundo de verdade, se bem que nunca prestei atenção a isso porque nada me pareceu anormal (e não foi por isso que todos foram excelentes namorados). Mas quando uma coisa destas é evidente, além de me saltar a tampa com uma opinião qualquer, ficaria a pensar naquilo o resto da vida, em constante observação e desilusão. Que é basicamente o que está a acontecer consigo. Gosta e quer este rapaz, mas não quer com tudo o que traz na embalagem e isso não se pode escolher.
À sua questão "será que um homem que me faça sentir mal pela quantidade de carinhos que dou e exijo não é ideal?", definitivamente a resposta é não, não é ideal, porque um homem que gosta de nós não nos limita as emoções, adapta-se. Um homem que gosta de nós não protesta nem se irrita, conversa. Um homem que gosta de nós procura entender o que precisamos e porquê, não se enerva para responder algo desagradável como "mais uns e acabas com a minha vida social". Os homens, quando gostam de nós, fazem exactamente o que nós mulheres fazemos com eles: tudo o possível para sermos correspondidos, para fazer o outro feliz, para não ficar em falta, para sermos o melhor "lugar" do mundo.
27.10.11
Passatempo POR UM FIO
Foi você que pediu mais um passatempo? Precisa de acessórios para estas estações mais tristes? A POR UM FIO tratou disso!
Na POR UM FIO já pode encontrar anéis, pulseiras, colares e outra bijutaria da colecção de Outono/Inverno. Neste passatempo, a POR UM FIO tem um vale de 10 fios para oferecer. Como as peças não são dispendiosas, 10 fios dá para muita coisa, três pares de brincos, por exemplo.
Para concorrer a este passatempo, basta "gostar" da página de facebook da POR UM FIO (clicar na marca para encontrar a respectiva página) e deixar um comentário a este post, indicando o nome e um endereço de e-mail. A vencedora será escolhida através do programa random.org
O passatempo começa hoje e acaba na próxima Quinta, dia 3 de Novembro, às 23:59. Até lá, vá pesquisando a página para escolher onde vai gastar o seu vale de 10 fios!
Boa sorte a todas!


Na POR UM FIO já pode encontrar anéis, pulseiras, colares e outra bijutaria da colecção de Outono/Inverno. Neste passatempo, a POR UM FIO tem um vale de 10 fios para oferecer. Como as peças não são dispendiosas, 10 fios dá para muita coisa, três pares de brincos, por exemplo.
Para concorrer a este passatempo, basta "gostar" da página de facebook da POR UM FIO (clicar na marca para encontrar a respectiva página) e deixar um comentário a este post, indicando o nome e um endereço de e-mail. A vencedora será escolhida através do programa random.org
O passatempo começa hoje e acaba na próxima Quinta, dia 3 de Novembro, às 23:59. Até lá, vá pesquisando a página para escolher onde vai gastar o seu vale de 10 fios!
Boa sorte a todas!


26.10.11
Palm Beach e o Flagler Museum
Palm Beach é uma montra das fortunas americanas. Calculo que seja o sítio perto de Miami onde as estrelas têm casa de verão. São quilómetros de avenidas com casas de babar, mansões que achávamos não existir além dos sonhos, vistas extraordinárias, uma zona feita para ver, dá para passear de carro, mas não dá para parar. Ou seja, as estradas não têm passeios, não têm estacionamento, ali só se pára dentro dos portões da casa de alguém. Como não deu para tirar fotos às propriedades alheias, quem tiver curiosidade, sugiro que procure no google "Palm Beach Homes" e vai compreender a dimensão da coisa. A mim, resta-me guardar as imagens na memória.
Mesmo naquela zona, dirigimo-nos ao Flagler Museum, o momento cultural da viagem para o qual insisti. Já tinha visto fotos desta mansão de 55 quartos e quis ir ver com os meus olhinhos que a terra há-de comer. Se vale muito a pena? Não sei dizer. Gostei muito, a casa está impecável, mas não sei se vale 36$ por 2 bilhetes para uma casa que se vê numa hora. A ideia era fazer uma viagem no tempo e para mim foi conseguido. O Poisoned Apple Man acha que não, mas ele não tem sensibilidade para estas coisas, por isso não sei se a opinião dele deve contar.
Mesmo naquela zona, dirigimo-nos ao Flagler Museum, o momento cultural da viagem para o qual insisti. Já tinha visto fotos desta mansão de 55 quartos e quis ir ver com os meus olhinhos que a terra há-de comer. Se vale muito a pena? Não sei dizer. Gostei muito, a casa está impecável, mas não sei se vale 36$ por 2 bilhetes para uma casa que se vê numa hora. A ideia era fazer uma viagem no tempo e para mim foi conseguido. O Poisoned Apple Man acha que não, mas ele não tem sensibilidade para estas coisas, por isso não sei se a opinião dele deve contar.
A casa de Henry Flagler foi construída em 1902 pelo próprio, que a ofereceu à mulher. Este homem conhecido e respeitado nos EUA, desenvolveu os caminhos de ferro da zona e também a cidade, enriqueceu e eis uma amostra da sua casa que durante alguns anos foi hotel, até que virou museu.
A quantidade de fotos que tiro pelos meus leitores!
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