31.8.11

Facebook e autorizações

Eu tenho uma teoria quanto ao FB: nem toda a gente deveria ser autorizada a ter uma conta nesta rede social. Criaturas há que deviam fazer uns testes psicotécnicos e depois de lhes ser negada autorização, continuavam no seu mundo de mil e uma conspirações, em vez de permanecer naquela rede para escrever mil posts tentando dizer alguma coisa, mas sem dizer nada. Em vez de atirar umas indirectas para o ciberespaço a ver se o suposto destinatário as apanha, em vez de conversar (longamente) em código com as amigas, coisas que as pessoas normais fazem descansadas via SMS, em vez de falar mal da sogra e da vida e no lugar de escrever frases profundas com muitas reticências, como o povo faz.

Na falta de comentários à iniciativa estúpida, a própria pessoa comenta-se si própria, duas vezes!, faz "gostos" em si própria e o mundo continua a revirar os olhos a pensar: se apagar esta moça será que ela dá conta?

O povo é sinistro, meus amigos. Sinistro. E dá demasiados erros.


29.8.11

Post com batota

Bem sei que o meu aniversário com o Poisoned Apple Man já tem mais de um mês, mas andava a ver a desarrumação do meu desktop quando percebi que tinha uma pasta com fotos para ilustrar o blog, e não é que me esqueci de as mostrar?

Quando eu escrevi que não ia organizar nada pelos dois anos de namoro e que o jantar se preparava para ser croquetes com massa, o homem levou-me ao sushi. Ai, sushi! O que eu gosto disto. Era capaz de comer todos os dias. Eis as fotos. Estão autorizados a babar.























26.8.11

Consultório #76

"A minha história é tão confusa que nem sei muito bem por onde começar. Isto nem é sequer um pedido de opinião, porque no fundo eu já sei o que me vai dizer, é mais um desabafo. Estou divorciada há 6 anos e sou mãe de 3 crianças lindíssimas, a mais nova, com 6 anos. O meu divórcio aconteceu depois de ter percebido que o meu ex-marido tinha uma relação com a ainda esposa do meu irmão mais novo. Na altura, toda esta situação foi muito dolorosa e traumatizante, mas hoje, vendo as coisas à distancia e com maior frieza, reconheço que no fundo eu nunca o amei. O nosso casamento aconteceu (tinha eu 21 anos na altura), porque era o que a sociedade esperava de mim. Tinha acabado de estudar, já tinha trabalho, tirado a carta de condução, carro, as amigas começavam a casar e era suposto também eu ter um namorado certinho, casar e ter filhos. E foi o que aconteceu.

Já na fase do namoro muitas coisas me desagradaram e eu fui "metendo" para trás das costas pensando "são feitios", "as coisas vão-se limando", "é tudo uma questão de tempo". Puro engano!Quando me confrontei com as suspeitas de traição do meu marido, o meu maior problema não foi a traição em si mas sim a outra pessoa envolvida na traição. E se não fosse o que eu estava a pensar? Como iria eu abordar o assunto com a familia? Como reagiria o meu irmão? Não sabendo com quem falar sobre tudo isto, foi na internet que fui fazendo perguntas, de forma anónima era-me muito mais fácil expor tudo o que me ia cá dentro.

Algum tempo depois, já decidida a levar o divórcio em frente, mesmo tendo a minha filha mais nova apenas 2 meses de vida, com a auto-estima completamente arrasada, travei conhecimento com um fulano de Lisboa, a quem chamaremos de Vítor, também acabado de se divorciar, que entretanto foi trabalhar para uma obra na minha cidade.

Das pequenas conversas, às mensagens trocadas, a duas saídas para nos conhecermos um pouco melhor, na terceira eu quis que houvesse envolvimento físico. Eu precisava de saber, sentir, se ainda era capaz de agradar a um homem. Precisava de me sentir desejada. Estive sempre convicta que esta "relação" iria apenas durar o período de tempo que ele estivesse a trabalhar na minha cidade, nunca me iludi com nada. Mas o facto é que, mesmo depois de ele ter regressado a Lisboa, fomos sempre trocando mensagens ou falando no msn.

Algum tempo depois ele foi trabalhar para outro país e eu pensei que seria nesse momento que perderíamos o contacto de forma definitiva. Foi o contrário. As mensagens tornaram-se mais intensas e constantes. Comecei a ficar confusa, a gostar de ser alvo de atenção, mas confusa. Afinal o estar longe, num local tão diferente daquele a que se está habituado, longe da família e amigos, deixa-nos mais frágeis, não é? Tive sempre em linha de conta de que ele estaria carente e daí tanta insistência comigo.

Quando veio de férias, ao contrário daquilo que eu estava à espera, tendo em conta o teor das mensagens que me enviava, houve um afastamento. Depois uma nova aproximação. Eu fiquei de pé atrás. Entretanto conheci outra pessoa e resolvi experimentar uma relação com essa outra pessoa, o Diogo, de 48 anos, porque no fundo é isto que me falta, aos 37 anos de vida, e com 3 filhos, eu só tive o meu ex-marido como namorado e depois a história com o Vítor, não vivi a minha adolescência como devia de ter vivido, não fiz nessa altura todas as experiências que devia de ter feito.

O Vítor soube desta minha tentativa de relação com o Diogo e chamou-me à atenção, dizendo que eu me iria magoar. E magoei. Na altura, senti inclusivamente necessidade de pedir ajuda psicológica porque me senti um farrapo. Porque não consigo eu um relacionamento estável? Por que é que os homens me desejam mas não me amam? O que estou eu a fazer de errado? As respostas a estas perguntas ainda não as encontrei. Infelizmente, por motivos económicos, tive de deixar as consultas com a psicóloga.

Assim que o Vítor soube que a relação com o Diogo terminou, veio todo contente dizer que me amava. E eu, toda carente, lá me deixei ir outra vez para os braços dele. Ciente que nunca iria dar em nada, porque como já referi, ele é de Lisboa e eu de outra cidade, além do facto de o trabalho dele ser como o dos saltibancos, agora aqui, depois ali, depois não se sabe onde. Mesmo sabendo que nunca iria dar em nada criei laços de afecto com ele. Apesar de ele dizer que me amava, as atitudes diziam o contrário e eu fui-me deixando ficar. Depois doía-me quando se afastava. E ele afastava-se e depois voltava. E depois afasta-se outra vez e eu sinto-me magoada com todas estas atitudes porque sou burra, já devia de ter colocado um ponto final, eu sei. E sei também que não me sinto com estrutura para ter uma relação a sério, daí o ter mantido esta. Porque está longe. Porque não interfere na minha vida. Não sei se algum dia vou ser capaz de viver com outro homem".

Olá Mafalda!

Eu fiquei de queixo caído quando li que o seu marido tinha uma relação extra-conjugal com a ainda mulher do seu irmão. Mas que gente! Esses dois devem ser boas peças e espero que vivam arrastados num amargo arrependimento. O cenário de família, todos juntos à mesa, a trocar presentes no Natal, debaixo dos olhos dos seus pais, é inacreditável! Adiante.

Homens recém-divorciados nunca são uma boa hipótese. Acho sempre que as mulheres que se seguem servem apenas para curar a ressaca. Da mesma forma, homens já com uma certa idade, que nunca viveram com ninguém, que não têm filhos e que nunca deixaram crescer raízes em lado nenhum, também são de desconfiar, na maior parte das vezes. E também, homens (ou mulheres) que não acertam as palavras com os gestos, são de fugir.

Mafalda, há sempre sinais, basta estar atenta. Como já leu centenas de vezes no blog, as pessoas vão até onde lhes permitir. Eu sei que é difícil encarar a realidade desta forma, mas a verdade é que muitas vezes uma pessoa só nos magoa uma segunda vez se deixarmos. Nestas coisas a esperança acaba por ser a nossa maior inimiga: a esperança de que tudo mude, a esperança que venha a tornar-se mais carinhoso, a esperança de vir a estar mais presente, blá, blá. Não sei porquê, nós mulheres, na maior parte das vezes ou em muitas fases das nossas vidas, achamos sempre que um dia mais tarde tudo pode vir a mudar e então ali nos mantemos a dar com a cabeça nas paredes, a perder a paciência, o orgulho, a auto-estima, tudo em nome de um bem-maior que nunca acaba por chegar e deitando por terra tudo o resto. Há que meter uma coisa na cabeça: ninguém muda. Ou se é, ou não é; ou funciona, ou não funciona.

Eu compreendo que não tenha vivido muita coisa numa fase mais jovem e não me parece que ande à procura disso. Acho que anda procura de si própria só que ainda não sabe que é isso que precisa. A Mafalda, para ser Mafalda, não precisa forçosamente de ter um homem ao lado, mas é assim que se conhece e por isso não se vê de outra forma, então procura substituir esse vazio com pessoas que se vêm a revelar perfeitos trastes. Enquanto que o Diogo parece ter sido uma relação que não resultou, o Vítor é um inferno de vida que não descola, um ai gosto tanto de ti, num contínuo picar de ponto, mantendo-a em banho-maria para sempre que precisar de um conforto quando está longe ou de uma cama quente quando está por perto. Esse homem não presta.

Não acredito que tenha criado laços de afecto com esse homem, pois não criamos laços de afecto com quem nos faz mal. Acreditamos sim que criamos laços de afecto, o que não é a mesma coisa. Se pensar bem, provavelmente criou alguma dependência emocional, uma âncora que a liga a uma vida a dois, o tipo de vida que sempre conheceu na fase adulta e não sabe o que é viver sem essa âncora. Na falta de uma boa pessoa, agarra-se ao que há, e que infelizmente coincide com um traste.

Acredito sim que vá encontrar alguém, que vá ser capaz de viver com outra pessoa um dia, mas isso só vai acontecer de forma certeira quando estiver mais confiante, mais segura de si, quando deixar medos e fragilidade de lado e quando deixar de permitir que façam de si gato-sapato. O que tem a fazer é o mesmo que se faz quando se quer cultivar uma horta simpática: arrancar ervas daninhas. Mas isso já sabe, só ainda não colocou em prática.

25.8.11

Aparelho X

Há muito que ando calada sobre o meu aparelho, isto porque não havia nada de emocionante para dizer. Nos últimos meses tudo decorreu com normalidade e deixei de ter dores de cada vez que ia apertar o dito, pelo que não havia mesmo nada para contar. Acho que os meus dentes se renderam à evidência de que iam mudar de lugar e não valia a pena continuar a lutar contra o inevitável. Uma vez rendidos, começaram a mudar de sítio todos os meses, sem queixas nem fitas e eu até já me esquecia do aparelho.

No mês passado retirei a barra inferior, aquela que ia do lado de dentro dos dentes e que já não me provocava problemas de dicção. Já estava tão habituada que só ao fim de dois minutos de a ter retirado é que percebi que não tinha lá a barra. No mês passado também arrisquei uma novidade que foi um sucesso: elásticos para os brackets cor-de-rosa! Lindos, estava maravilhada, uma princesa. Optei por um cor-de-rosa suave.

Para quem não sabe, aquele ferro que atravessa os dentes do lado de fora começa por ser um ferro fininho que vai sendo substituído por outros mais grossos. Ontem cheguei ao ferro mais grosso que já não vai ser substitído até retirar o aparelho. A única coisa que agora vai mudar são os elásticos. Também, ontem retirei a barra superior que apesar de não sentir, o chato era quando os legumes se enrolavam no ferro e tinha de ir lá com o dedo puxar, tipo coentros da açorda, agriões da sopa, etc. Este também já era!

Apesar dos avanços, ontem não teve graça nenhuma. Ao mudar o ferro percebi que isto ia voltar a ser um calvário. Enquanto lhe dava colocação, a médica dizia "ben-u-ron, heim?" e eu não queria acreditar que isto me ia acontecer outra vez. Cá estou, novamente, sem conseguir mastigar, não está a ser pior que as vezes iniciais, mas não é simpático na mesma. Esta manhã, trincar os morangos do meu Danone pedaços foi para esquecer. O meu consolo é que nos brackets tenho elásticos pink bubble gum, que não foram totalmente do agrado do Poisoned Apple Man.

Previsões: Abril/Maio. Oba!

24.8.11

Amor é...

Existe muito merchandasing daqueles bonequinhos irritantes que dizem "Amor é..." e acrescentam qualquer coisa. Nunca gostei desses estúpidos bonecos que na verdade parecem crianças. Ou seja, dá quase um sentimento pedófilo à coisa.

Em casa, Amor é... ter o homem nos Estados Unidos a ligar-me via Skype. Ligação essa que atendo e através do vídeo percebo que ele está no WC, mais exactamente sentado no trono.

- Estás a cagar?
- Tem de ser.

Nada como usar a esposa como efeito laxativo. Conversa e mais conversa, completamente alheios ao facto de ele estar a libertar um pequeno ser dentro de si, lá acabou a obra e chegou a altura de se limpar. Com o portátil no colo que não queria partir no chão não era fácil, mas ajeitou-se como pôde e ainda o vi dobrar as folhas de papel higiénico. Depois a imagem ficou congelada e ouvi:

- Bolas, já sujei os dedos!

O Amor dos Poisoned Apple é desprovido de complexos ou pudores.

22.8.11

E novidades?

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É MUITA FRUTA!

Vinhaça

O meu homem é uma jóia de moço, mas não pode beber. Não pode beber porque me deixa cheia de nervos e com vontade de abandonar os locais onde estamos. Sofre de uma regressão na maturidade que eu não tenho como explicar. Ele não é dado a bebida, mas se beber um bom vinho, a história é outra. A minha primeira experiência com este problema que desconhecia foi no casamento de uma amiga. Podia ser num jantar qualquer, mas não, tinha de ser no casamento de uma amiga próxima para me matar de vergonha. A juntar à festa, juntou-se o marido da minha amiga Vizinha, o Vizinho. Estes dois homens estão bem um para o outro.

Ora, já bebido, começou a melgar-me. É a altura em que expressa todo o seu amor por mim, diz mil vezes que gosta de mim, tanto que não aguenta - dizem que a verdade está no vinho, não é? - abraça-me mil vezes, quer outros tantos beijos e nos casamentos eu gosto de conversar com as outras pessoas, quero comer, quero fazer o que as pessoas fazem nos casamentos, ele não precisa de estar o tempo todo em cima de mim.

Então, quando lhe peço para ir apanhar ar e deixar de beber, começam as acusações de que não gosto dele, pergunta-me se quero que ele vá embora, começa a andar rápido para destino incerto e desgovernado. Enfim, a paciência torrou-se-me neste casamento. Sobretudo quando falava com os meus amigos Vizinhos e o Poisoned Apple Man apareceu a meter conversa com um ar comprometido, de mão ao peito. A Vizinha abriu-lhe o fraque e voltou a fechá-lo, rindo às gargalhadas. Tinha furtado da casa de banho das senhoras os toalhetes de limpar pipis. Toalhetes esses que ainda tenho em casa. Motivo: ele disse que podia vir a precisar.

O segundo momento foi quase um ano depois, na festa anual de verão dos Vizinhos na Comporta. Foi de caixão à cova. Pela meia-noite pedi-lhe que parasse de beber. Estávamos com o carro dele, uma banheira olímpica, de caixa automática, que eu só conduzo quando o vinho fala mais alto. Na falta de hábito, não me sinto confortável ou confiante, muito menos em estradas que não conheço. Eu nunca quero conduzir aquela banheira.

Às três da matina, homens empoleirados em cima de sofás e cadeiras gritavam de copos na mão, cigarros muitos, e o Poisoned Apple Man que apenas conhecia o anfitrião da festa, já era amigo e camarada de todos, que gritavam pelo apelido dele enquanto perante meu horror, lhe davam a beber de penalti misturas que só Deus sabe o que tinham. Os homens são tão estúpidos. Às tantas da madrugada, o meu regresso da Comporta a Lisboa, com o homem a dizer que se ia gregoriar todo a cada dez segundos, e eu a responder que vomitasse nos estofos de pele que me estava a cagar, foi:

1. Três paragens na estrada nacional, onde não há luz (não há mesmo), parada em quatro piscas, sempre cheia de medo, com o homem etilizado e debruçado numa vala onde cabiam três carros. Medo e gritos histéricos da minha pessoa.
2. Duas paragens na auto-estrada, na berma de emergência, depois de ter sugerido várias vezes que se vomitasse dentro da banheira. Nervos e gritos.
3. De volta ao carro, e após regurgitação do conteúdo gástrico em quantidades anormais, nervos e gritos inúmeros da minha pessoa. Nunca lhe falei naqueles modos, não sei se não tive vontade de lhe bater.
4. Finalmente chegada a casa, o homem atirou-se para o chão do quarto, onde permaneceu por minutos vários deitado no tapete, de barriga para baixo, lamentando a maldade dos seus novos amigos. O facto de ele estar assim era culpa doa amigos, não era de não saber dizer "não".
5. Fiz a minha vida no quarto passando sempre por cima do peso morto que estava no chão do quarto, sem abrir a boca. Silence treatment.
6. Deitei-me, apaguei a luz e ouvi o homem no chão do quarto: "mas assim apagas a luz!". Non sense.

A próxima festa de verão dos Vizinhos na Comporta era para ser na semana que vem, mas teve de ser cancelada. No entanto temos já mais um casamento em poucos dias. Estou em pânico. Qual é o melhor tratamento para desencorajar um homem a deixar-se ir nestas festas? É muito homem junto, ficam todos selvagens. Ao menos temos dormida e ninguém tem de conduzir.

19.8.11

Consultório #75

"Quando entrei para a universidade, aos 18 anos, tive de sair de casa dos meus pais e ir morar para outra cidade. O Pedro foi das primeiras pessoas que conheci e apesar de não ser do meu curso, sempre me ajudou muito, principalmente quando eu estava mais em baixo por estar longe dos meus pais, dos meus amigos e da minha cidade. A amizade acabou por evoluir para "algo" mais, e na altura ele tinha namorada pelo que eu decidi ter uma séria conversa com ele e explicar-lhe que não era correcto o nosso tipo de relacionamento, tendo ele um compromisso com outra pessoa, e que portanto deveríamos ser apenas amigos, porque o que estávamos a fazer não tinha lógica nem eu queria construir algo que começasse de forma tão errada. Ele concordou mas eu creio que se eu não tivesse falado com ele aquela relação ia continuar.

Estivemos um tempo sem nos falar e eu fiquei devastada, acabava sempre por ir chorar no ombro das minhas amigas, que também tinham entrado naquele ano para aquela universidade e conheciam o Pedro como o "meu" amigo especial. Feliz ou infelizmente a universidade era muito pequena e acabávamos sempre por nos cruzar, até que, a dada altura íamos novamente tomar café e sair juntos, sem nunca mais termos ultrapassado a barreira da amizade, apesar de eu continuar apaixonada por ele.

Um ano depois ele acabou o relacionamento que tinha com a outra pessoa e algum tempo depois eu resolvi dizer-lhe o que sempre tinha sentido. Nessa altura eu estava a pensar mudar de curso e ele estava sempre a dizer-me que se eu o fizesse ia ter muitas saudades. Quando lhe disse o que sentia ele respondeu que não sentia o mesmo, que só me via como amiga e que ainda gostava da ex-namorada.

Estupidamente, continuei a ser amiga dele com a esperança de um dia passar a vê-lo também só como amigo, e dizia a mim mesma que conhecia mais pessoas e nas noites académicas não era difícil conhecer pessoas novas. Até que um dia, numa dessas noites académicas, já no final do ano lectivo, o melhor amigo do Pedro, já com uns copos a mais, me disse que sabia que eu gostava do dele e que ele lho tinha dito, passando a citar: "se eu eu estalar os dedos, ela cai outra vez na minha conversa". Então decidi que estava na altura de acabar de vez com todos os contactos que tinha com ele, porque aquela pessoa não me respeitava minimamente.

Mais uma vez acabei a chorar em casa das minhas amigas e contei-lhes o que se tinha passado.
Passei a não responder a telefonemas e a tentar evitar ao máximo encontrá-lo na universidade, o que até era era relativamente fácil, pois naquela altura sabia o horário dele. Durante esse tempo ele não se mostrou muito preocupado com o meu afastamento e nem uma única vez tentou procurar-me para me perguntar porque tinha deixado de falar para ele de repente. Estivemos o final do ano lectivo e as férias de verão sem nos contactarmos.


No ano lectivo seguinte mudei de curso e fui para outra universidade, e consequentemente outra cidade também. Quando ele soube, pelas minhas amigas penso eu, mandou-me uma SMS a desejar felicidades e a dizer que ia ser sempre meu amigo. Respondi-lhe e apesar de estarmos longe ainda hoje vamos falando pelo Facebook ou por SMS mas pouco. Já estou noutra universidade há dois anos, já tive um relacionamento (que considero até agora ter sido o mais sério) e continuo sem saber definir o que sinto pelo André.

No Verão passado acabei por encontrá-lo na praia e como já não nos víamos há muito convidei-o para um café e percebi que já não tínhamos nada em comum, nem sabíamos bem sobre o que falar. Aconteceu uma coisa estranha logo no ano seguinte ao ter mudado de universidade. As minhas amigas que ficaram lá, tornaram-se, de repente, grandes amigas do Pedro. Pelo Facebook percebi que saem muitas vezes juntos e pelos comentários que fazem uns aos outros são mesmo muito amigos. Eu não consigo entender nem formar uma opinião sobre esta situação. Desde que vi tal coisa deixei de contactá-las e elas também não "estranharam" a minha falta de contacto pelo que conclui que nunca foram minhas amigas de verdade.

Certo é que têm o direito de ter amigos e sair com quem quiserem, mas por outro lado sabiam toda a minha história com ele e de repente, eu saio da universidade e elas passam de amigas da amiga dele a muito amigas dele. Agora questiono-me se o que sinto pelo André neste momento são ciúmes misturados com um sentimento de traição por ele nunca ter sido meu nem ter tido verdadeiras amigas, ou se ainda gosto dele. Com toda esta situação, apesar de a minha vida estar tão diferente hoje e já se ter passado tanto tempo, sinto que ainda vivo muito com o pensamento no passado".

Olá Matilde!

O que sente é raiva e sentimento de rejeição, basicamente é isso. E raiva não significa andar a mostrar os dentes. Tem raiva de não ter sido correspondida por esse rapaz, de ele se ter insinuado para depois dizer que afinal representava uma amiga e nada mais, raiva por ele não se ter importado quando decidiu cortar contacto, desprezando-a e despreocupando-se pelo facto de já não lhe falar e de continuar a vida dele não lhe dando qualquer importância. Já ele, sentia-se adorado, de tal forma que "bastava estalar os dedos" para que lhe caísse no colo, pelo menos na impressão dele. Se assim fosse não teria deixado de lhe falar. Sente raiva de esta gente toda continuar a achá-la uma tola.

Ninguém gosta de se sentir rejeitado e o sentimento de rejeição parece que faz prolongar o gostar de alguém, o não sair da cabeça, o estar sempre a pensar no assunto. Muitas vezes, e ainda que inconscientemente, transformamos as situações de rejeição em cavalos de batalha para não sairmos feridos no orgulho: ele não há-de seguir a vida feliz, ele há-de lembrar-se de mim, e assim gastamos o nossos tempo a pensar no assunto. O que sente é raiva da forma como foi tratada e queria poder dar-lhe uma "lição". Como disse, acabou por se encontrar mais tarde com ele e não sentiu qualquer ligação, até o assunto faltava. Mas a raiva continua lá e acho que só é esquecida quando temos o coração e o tempo tomado por outras pessoas, novas pessoas que trazem coisas novas e melhores. Assim o que está para trás vai perdendo importância até que se torna indiferente, mas só o tempo e as novidades tomam conta disso.

Quanto às suas amigas, o percurso não me espanta. Amigos vão e vêm, e mudam. Não tenho a certeza, mas fiquei com a sensação de que essas amigas com o tempo distanciaram-se, o que é natural, pois já não está presente. Mantém contacto, mas é claro que as relações já não são as mesmas. Não se trata obrigatoriamente de terem sido ou não amigas de verdade, a ligação de amizades e as saídas podem ter surgido com naturalidade e a verdade é que a Matilde já não estava lá e provavelmente nunca mais vai estar. As pessoas seguem as suas vidas, dão-se com quem entendem e não podem condicionar as suas vidas porque conheciam a sua história com ele. E qual é a sua história com ele? Gostou, não foi correspondida, armou-se em pavão e Matilde continuou a sua vida noutro ponto do país. Não me parece que o raciocínio tenha sido "agora que ela não está cá vamos ser todos amigos", simplemente aconteceu.

A sua situação é de raiva até para com as amigas desse tempo. Não protegeram o que na sua opinião deveria ser protegido, marcando distância em alguém que não a tratou conforme acha que merecia. Mas a vida não é assim, viveu nessa cidade muito pouco tempo para solidificar relações de amizade profundas, sente uma ponta de frustração por não poder estar por perto e poder também viver tudo aquilo que mostram nas redes sociais e pergunto-me se se sentirá bem integrada na cidade e junto dos colegas que tem hoje, pois se estivesse não queria saber destas pessoas que ficaram para trás.

Para resolver estas questões de pessoas que supostamente não lhe interessam, sugiro a distância, que inclui eliminar contactos e conversas juntos de pessoas que pelos vistos não lhe dizem muito. É o que eu chamo de fazer limpezas, já fiz muitas vezes e nunca me arrependi. Quem interessa não lhe provoca esse tipo de problemáticas. Dou-lhe um exemplo:

Em tempos tive um namorado que por sua vez tinha um amigo, o Hugo. O Hugo namorava com a Inês que com o tempo veio a tornar-se minha amiga, mesmo depois do namoro dela ter acabado. Passeávamos, conversávamos e contava-lhe as minhas coisas, até que fui enganada por esse namorado, sofri desmesuradamente, perdi brilho, cabelo, sentia-me desesperada e infeliz. Andei triste como nunca estive na vida, todos notavam a minha magreza e eu envergonhava-me disso, pois era um espelho indesmentível do que estava a passar. A rapariga com que me enganou o namorado veio a substituir-me e a Inês, que eu achava minha amiga, passou-se para o outro lado. Passou a dormir em casa dela, a sair com ela, a viajar com ela e, claro, a contar-lhe todas as coisas e sentimentos que lhe confessei. Não faço ideia o que é feito da Inês e não tenho pena de ter desaparecido da vida dela. Se não me servia, vou lamentar-me do quê? Mais do que tristeza o que senti foi espanto. Ainda me lembro de estar dentro do carro a chorar e de ela me dizer que nunca iria ser amiga da outra rapariga. Não precisavam de ser inimigas, mas também não precisava de me dar uma facada nas costas.

O tempo passou, outros amigos vieram, melhores, e só me lembro da Inês quando é para contar estas histórias. Para dar um outro exemplo, nesse tempo fiz outra amiga que entretanto foi viver para Londres. Falo tanto com ela como se continuasse em Lisboa. E é isso que quero dizer, quando vale a pena, sabe-se e as coisas correm com naturalidade. Muitos dos amigos que tem hoje não serão os de amanhã. É assim para todos. Mas os de verdade, ficam.

17.8.11

Ao 17º dia





E 17 dias depois de regressar de Londres, lá consegui que o Poisoned Apple Man pendurasse o meu quadro, mas foi necessário argumentar. Atravessei a casa para ir ter com ele e perguntei:

- Podes fazer-me um favor antes de termos filhos?
- O quê?
- Pendurar o quadro de Londres.

Já a sentir-se mal do tempo que tardava em tratar deste assunto, levantou-se de imediato, foi buscar a caixa de ferramentas, marcámos o local para espetar o prego, colocámos o quadro, endireitámos e ficou pronto. Ele rematou:

- Pronto. Já podemos ir fazer filhos!

15.8.11

Passatempo Meia-Tinta - Resultado!

Há dias coloquei neste blog um passatempo da Meia-Tinta que pode ler-se aqui. A oferta era de um conjunto de quatro peças para a praia e para participar era preciso tornar-se seguidora do Facebook da Meia-Tinta, aqui, ou seja, "gostar" da página e deixar um comentário ao post, indicando o nome e um endereço de e-mail. Já temos uma vencedora, escolhida de forma aleatória pelo random.org. Ei-la. logo a primeira!
A menina Vera Francisco deve enviar um e-mail para amacadeeva@gmail.com para tratar de receber o seu prémio cheio de girassóis. Parabéns!



12.8.11

Consultório #74

"Conheci o Ricardo, por intermédio de uns amigos e foi quase amor à primeira vista. Universidade, vinte e poucos anos. Mais tarde o trabalho afastou-nos e a partir daí a nossa vida esteve quase sempre dependente dos fins-de-semana. No início foi difícil, mas acabámos por nos habituar. Era triste a separação, mas quando estávamos juntos tudo passava. Eu sentia-me amada.

Depois a vida complicou-se. Ele começou a ter pouco tempo disponível e mais tarde, pouco dinheiro disponível. Os encontros eram dificeis, quase sempre muito espaçados e rápidos. Recorríamos ao telefone e internet. Sempre me contou tudo (pelo menos eu achava), passou por momentos difíceis e eu estive sempre lá. Por vezes sentia inseguranças, mas ele sempre me acalmava, se estava comigo era porque gostava e difícil como era a nossa vida, estava porque gostava. E eu acreditava, compreendia que o estudo e o trabalho tinham de estar primeiro. Acreditava cegamente. Nunca por algum momento me passou pela cabeça que poderia estar a ser traída. O tempo foi passando, a relação fortaleceu-se, mas os encontros continuavam espaçados. Até que surgiu a oportunidade de trabalharmos na mesma cidade. Começámos a viver juntos. E foi tudo tão bom, tudo corria bem. Entendiamo-nos perfeitamente. Fui muito feliz nessa época.

Mas uns meses depois de começarmos a morar juntos, descobri que não só fora traida, como ele tinha vivido com outra pessoa. Após muitas explicações, disse-me que a distância tinha matado a nossa relação, que tinha começado como um caso e quando deu conta estava a viver uma outra relação. Que tentou sair, mas nunca conseguiu, que ela era violenta, fazia chantagem emocional (hoje não sei que parte disso era efectivamente verdade). Nessa altura não consegui ser forte, fui cobarde, não consegui abdicar da felicidade em que a minha vida estava envolvida e perdoei. Parece incrível, mas foi o que fiz.

Começámos de novo. Certifiquei-me que o caso tinha acabado e fui vigiando. Aos poucos a vida voltou ao normal e voltei a ser feliz, muito feliz. Ele tratou-me sempre muito bem, sentia que se preocupava comigo, que gostava de mim. Passado um tempo, o destino voltou a afastar-nos. Lá foi ele, outra vez viver longe de mim. Mas agora era um pouco diferente. A relação estava muito sólida, havia uma casa nossa, onde voltava aos fins-de-semana. Nos últimos meses as visitas eram ainda mais espaçadas, tinha muito trabalho. Uma pequena coisa aqui, outra ali e comecei a sentir-me inquieta. Será?

Quando o questionava, dizia que eu era maluca, que imaginava coisas, mas desta vez não me fiquei. Esperei pelas alturas certas e comecei a vasculhar. Encontrei algumas coisas, mas nada muito concreto, podiam existir tantas explicações e sabia que ele me apresentaria vários motivos razoaveis. Não o confrontei e fui esperando, sempre de pé atrás. E vasculhei mais, até que encontrei não uma, mas várias.

Fui traída. A explicação dele foi que era só sexo, mas disse mais, que comigo o sexo era muito difícil e acabou por desistir de tentar. Tem um fundo de verdade, mas não é bem assim. Sinceramente, eu era virgem quando nos conhecemos, no inicio foi muito difícil, eu era muito apertadinha, tinha dores horriveis. Acabámos por ter de morar muito distantes, após dois anos e pouco de namoro. Ora o que aconteceu foi que como nos víamos pouco, fazíamos pouco sexo e como era espaçado, de cada vez doía como se fosse a primeira. Sabendo de tudo isto, e dizendo ele que era de mim que gostava, vendo o que fazia com a outra (que os vídeos que descobri eram muito ousados, filmados em casas de banho públicas, no carro...), acabei por perdoar e tentar de novo, achando que efectivamente podia ter alguma culpa.

Quando eu achava que o sexo já era bom, mas claro, com a distância, acabava por ser muito espaçado, ele dizia que era dificil e não era como ele queria. Ora, nós que sempre falámos de tudo, porque não disse ele nada? Até de sexo falávamos, porque como eu era virgem e completamente inexperiente, fazia-lhe sempre muitas perguntas. Ele era muito mais experiente, na altura até achei isso bom, tendo em conta que eu não sabia nada. Não aceito que tenha culpas nesse aspecto. Pode ser que eu não fosse lá grande coisa, mas sei que me esforcei por ser melhor e sei que não sou adivinha para saber se ele nao estava muito satisfeito.

Passou algum tempo e é dificil para ambos não manter algum contacto. Ainda penso muito nele, sinto falta dele, da vida que tinha, éramos namorados, companheiros, confidentes, melhores amigos. A questão é, racionalmente eu sei que o que ele fez é imperdoável, que alguém que gosta verdadeiramente de outro não faz isso, que as suas atitudes são de um verdadeiro canalha, mas o meu coração não consegue ter-lhe ódio, conheci facetas dele que me mostraram inequivocamente que é boa pessoa.


Eu sei que não há pessoas completamente boas, nem completamente más. E pior, ele diz que tudo não passou de sexo, que não conseguiu resistir e estragou tudo. Mas mesmo assim, há uma parte de mim que continua a achar que não tentar outra vez é deitar pela janela um grande amor. Estou cada vez mais confusa, preciso de ajuda, de ouvir opiniões, experiências".

Olá Vanessa!

Quando era miúda roubei uns sugus de casa dos meus primos. Saí de casa deles com os bolsos cheios e em pânico de ser apanhada, coisa de que me lembro até hoje. Saí impune da situação e cresci. A diferença entre mim e o seu ex-namorado é que sei o que fiz de errado e não voltei a repetir. Ele continua a somar.

Já reparou que a sua história não é de alegria, mas antes tem momentos de alegria? Já, mas continua a ter esperança. Eu não a condeno se decidir tentar uma nova vida com esse homem, acho é que se vai desiludir tremendamente e prolongar o seu sofrimento por tempo indefinido. Acredite, falo por experiência própria. Namorei com um homem que tinha mais 7 anos que eu (ou seja, idade para ter sensatez), e acabei e recomecei tantas vezes que não sei contar. Nos momentos que estivemos juntos, claro que houve coisas boas, mas não compensava, era um inferno, uma angústia permanente. Hoje em dia somos amigos, tenho carinho por ele e ele por mim, mas ele continua na mesma com quase 40 anos e a mim pergunta-me quando vou casar ou ter bebés. Somos pessoas que nunca poderíamos combinar porque queremos coisas diferentes. Eu mudei, fui evoluindo, ele continua na mesma.

O mesmo parece acontecer no seu caso. Ele justifica que foi só sexo, mas nunca esteve disposto a abdicar dessa vontade sabendo que a magoava se soubesse. Ou seja, ele quer outras coisas, quer ter o melhor de dois mundos: miúdas para as horas vagas e uma mulher em casa. Pode voltar para os braços desse homem, eu voltei vezes sem conta e só deixei de querer quando me cansei, quando já não tinha esperança. Não me serve dizer-lhe de muito que não vale a pena, tem de sentir isso na pele. Pode voltar, mas acho que vai andar sempre com o coração nas mãos, sempre à procura de sinais, qualquer coisa simples vai-lhe parecer complexa e, pior, no seu regresso vai estar a dizer-lhe que perdoa sempre. E um homem desses faz a sua vida pensando que a pior coisa que pode acontecer é ser apanhado, não é ser deixado. Mas está no seu direito pensar de forma diferente.

11.8.11

Serviço público - casórios

Então quem é que está para dar o nó e ainda não tem vestido? Não tem nem ideia! Não sabe o que fazer! Está prestes a arrancar os cabelos! Quem é que quer uma ajudinha, hum?

10.8.11

Perfumando o leito

Não sei o que se passa comigo, mas há meses, concretamente quando comecei a correr (coisas que já não faço), a flatulência passou a ser uma coisa que não me assiste - frase que agora uso com frequência. Tem fases, aparece pouco, mas quando dá um ar da sua graça é sempre à noite e faço questão de partilhar com o maridão. Ele, sempre um enjoadinho esverdeado, diz que não aguenta, acorda a meio da noite, ameaça-me. Enfim, fica com umas trombas muito desagradáveis.

Por causa deste sofrimento, sempre que visitado pelo Dr. Gás, ele faz questão de me anunciar, feliz. Íamos para a cama, estava a vestir a camisa de noite, quando ele veio da correr da casa-de-banho de escova de dentes na mão, aos gritos:

- Vais cheirar! Agora vaaaaaais cheirar!!!

Incrédula, parada de pé, vi o homem saltar para cima da cama como uma criança que não quer perder tempo. Baixou-se e começou a dar cambalhotas na cama, qual aula de ginástica, de uma ponta à outra do leito, gritando:

- Cheeeeeira! Agora vou espalhar! - Ao fim de um minuto lá se levantou ele da cama para ir lavar os dentes, todo encarnado do esforço físico e, calculo, já a começar a transpirar.

- Não me cheira a nada. És um menino. Isto vai parar ao blog.

9.8.11

Foguetes

Foguetes ao ar! O princesa-mobil está pago! Todo pago! É todo, todinho meu! Meu, meu, mine, mine!

E para que ninguém diga que não fiz festa nenhuma, olhai a foto. Estou capaz de jurar que o bichano tem mau-olhado.





8.8.11

Momentos íntimos

No verão, o Poisoned Apple Man dorme com uns boxers e uma t-shirt e por causa disto, ultimamente, tenho repetido uma gracinha da qual gosto muito.

Depois de acordar, enquanto ele está na cozinha em grande concentração, despenteado, de cara ainda inchada e procurando acertar na espessura certa no seu Nestum com mel, ou seja, com as mãos ocupadas com algo muito importante, passo por ele a correr, puxo os boxers até às canelas e fujo.

Lá fica ele na cozinha em pelota, aos gritos, sem conseguir largar o pequeno-almoço. Uma vez conseguida a espessura certa da papa horrível, puxa as cuecas para cima, cobre as vergonhas e toma o pequeno-almoço sentado, longe de mim, não vá o Diabo tecê-las.

O tempo de férias faz com que isto aconteça com maior frequência. Às vezes passa por mim a segurar o elástico das cuecas. Temo que me ache cada vez menos piada.

5.8.11

Consultório #73

"Fez agora dois anos que o conheci, muito atencioso comigo, fazia-me rir, no fundo veio ocupar o vazio que havia na minha vida. Na altura estava a estudar e como também trabalho, o tempo que não passava a trabalhar ocupava-o com os livros, pois queria acabar a minha licenciatura. Sempre disponivel para mim, comecei por achar piada a tudo aquilo e deixei-me ir. Vivíamos e vivemos longe um do outro e ele sempre disse que isso não era problema.

Acabámos por nos envolver e tudo correu normalmente até Fevereiro de 2010. Disse-me que precisava de acabar o mestrado e que por isso nos íamos ver menos vezes. Continuámos a falar 3 vezes por dia ao telefone e no msn. Comecei a ficar horas à espera que o menino me voltasse a responder por estar ao telefone. Em Maio foi a minha queima das fitas e pela primeira vez senti que ele me estava a evitar. Não estávamos juntos há um mês e ele queria ir fazer compras em vez de estar sozinho comigo. Depois disso começou a vir ter comigo menos vezes e a querer que eu fosse ter com ele menos vezes.

Em Junho cobrei-lhe por não me dizer que ia aos Santos Populares, porque também gostava de ter ido com ele. Ele respondeu que eu não tinha nada a ver com a vida dele nem tinha que me dar satisfaçoes, que não era mulher para ele, entre outras coisas. Tive de repetir exames em Setembro e continuava sem o ver mesmo depois de ter estado um mês de férias e de ele ter feito de tudo para não estar comigo.

Em Setembro reencaminhou-me um pedido de amizade que lhe havia sido enviado de uma pessoa para eu ver se conhecia, uma vez que era da minha terra. Ao clicar no tal pedido de amizade abriu-me directamente a caixa de mensagens dele dessa rede social e caiu-me tudo! Fiquei de boca aberta, havia mensagens de uma outra pessoa para ele, mensagens em que ela dizia que o amava. Não abri as mensagens, mas torturei-me. Contei-lhe o que tinha visto e ele respondeu que não era nada do que estava a pensar. Dias mais tarde lá assumiu e confessou que de facto tinha existido outra pessoa, mas que era casada e que as coisas não podiam ter sido mais do que aquilo que foram. Há muita coisa por explicar ou que pelo menos eu acho que ficou por explicar.

Ainda assim fomos falando, houve uma reaproximação e voltámos a estar juntos, mas a minha desconfiança em relação a ele veio ao de cima e eu não conseguia viver com as dúvidas, incertezas e desconfianças de cada vez que ele não me atendia o telefone. Em Janeiro deste ano disse-lhe que não queria mais aquilo, que precisava sentir-me bem comigo e que não queria aquilo para mim. Até porque ele não queria uma relação séria, pelo menos comigo, e eu queria e quero. Ele não esperava isso de mim e acho que aceitou isso muito bem. Eu sim, senti-me finalmente tranquila e liberta.

Com o passar do tempo ele foi ligando cada vez menos e vamos falando cada vez menos. Sinto-me cada vez mais só e triste e eu sei que foi uma escolha minha. De vez em quando ele telefona e reclama por eu não ligar nem dizer nada, mas de certa forma prefiro assim se bem que isso me faz sofrer. Soube mais tarde que quando me conheceu estava interessado noutra mulher, em Novembro de 2009 andou interessado noutra e em 2010 existiu a casada. Não percebo em que altura é que ele achou que estava apaixonado por mim e se sentiu balançado a ter uma relação mais séria comigo. Tenho noção que fui apenas mais um objecto na mão dele e que a única pessoa que sofre com isso sou eu. Sinto-me revoltada e profundamente magoada".

Olá Maria!

Eu acho sempre que o amor pode acabar e o respeito ficar. Se ele achava que a relação não podia continuar, se ao invés de todas as manobras tivesse sido sincero, a Maria teria sofrido na mesma, mas de outra forma e um dia poderia ter ficado amiga dele. Mas da forma que o descreve esse homem não merece sequer a sua amizade porque não tem respeito por si. É o típico homem que só se importa com ele mesmo e vai deixando as relações marinar enquanto não garante outras no encalço.

A minha opinião é que homens assim nunca mudam. Podem casar, ficar anos sem trair, mas acabam por voltar a fazê-lo. Ter uma relação por muitos anos não é fácil e esses são os primeiros a querer diversificar. Ou seja, nenhum homem desses dá um bom namorado, marido ou amigo. Ficar com um homem desses é quase como viver em permanente angústia e aguardar pela chegada do sofrimento final.

Eu insisto imenso nos sinais, dizem tudo. Um homem que não a acompanha, que não se mostra presente em momentos especiais da sua vida, sobretudo quando não a vê há um mês, deixa escrito na testa o que representa para ele: coisa nenhuma. Outro sinal foi o facto de estarem ocupados com os estudos em cidades diferentes. O argumento dele foi "agora temos de nos ver menos", não foi "agora com tanto trabalho não vai dar para nos vermos tanto, mas faremos um esforço". É completamente diferente.

No futuro, atente sempre aos sinais, nunca enganam. Tenho a certeza que terá visto muitos mais sinais do que aqueles que me contou. A verdade é que quanto mais cedo se libertar de um homem assim, melhor para si, leva menos tempo a sofrer e mais rapidamente tem disponibilidade para que apareça alguém decente. Olhe em frente, tenho a certeza que não vai ser sempre mau.

3.8.11

MSN #3

O meu amigo que não sabe se tenho celulite enviou-me esta foto.

Poisoned Apple (PA): Sabes, ontem vi esta foto e pensei que ela devia usar o meu tamanho de roupa
Amigo (A.): ???
PA.: Ela não era muito magrinha! Tem carnes
A.: Ui, não a compares contigo. Ela estava um churrasco muito grande
PA.: Achas? Sou mais magra?
A.: MUITO
PA.: [Feliz e de olhos marejados] Será que tenho uma visão distorcida de mim?
A.: Completamente. Isto é conversa de gorda
PA.: Ou de nao-magra. Ainda hoje experimentei um vestido, olhei para as minhas pernas e pensei para mim "não tens mesmo vergonhas dessas coxas...!". Merda dos espelhos
A.: Doente

Afinal não é tudo tão mau como pensava. É mais ou menos.

2.8.11

Consultório - ALERTA

Pois que recebi uma mensagem de uma Inês, mas ao olhar para o endereço de e-mail, nele constava o nome e apelido de um homem. Vinha este e-mail da conta do marido de quem falava a Inês na mensagem?

Das duas uma: ou temos aqui um computador partilhado e, de alguma forma que não concebo, foi-me enviada por engano uma mensagem da conta de e-mail errada (atenção aos registos de mensagens enviadas!), ou seja, um acidente, ou este envio foi propositado para ser lido e servir de pontapé de saída para começar a arrumar aquilo que já não se deseja.

Seja como for, não vou responder a esta mensagem até ter novas notícias que aguardo. Quero dormir sossegada.

1.8.11

Litígio na cozinha

Muitas vezes recebi mensagens de mulheres que se sentem infelizes. E embora inicialmente possa não parecer nada, essa infelicidade começou no coçar de tomates dos homens que têm em casa. Por isto entendam-se os homens que esperam ser servidos e partem do princípio que tudo aparecerá pronto, por Obra e Graça do Espírito Santo.

Dou um exemplo: mulher com duas crianças vai trabalhar, vai buscar as crianças à escola, passa pelo supermercado a morrer de vergonha da fita dos filhos estão a fazer porque querem guloseimas, berram e atiram-se para o chão, irritando todas as pessoas que ali estão, mas ela não teve remédio, pois o marido disse que não ia ao supermercado por não perceber nada de compras. Ela que tratasse. Depois de perder duas horas no trânsito no regresso a casa, encontra o homem no sofá, a ver notícias, a bola, não interessa. Ela ajuda nos trabalhos de casa dos miúdos enquanto arruma as compras. Mais fitas. gritos e depois de ameaçar com dez mil castigos, atira as crianças para o banho, faz o jantar com o mais pequeno de fraldas sujas até ao pescoço. Pega na criança acalmar a choradeira enquanto tira com a outra mão e da despensa um tempero qualquer. Momento em que ouve o homem na sala, descalço e bem esticado no sofá: "já que aí estás, trazes-me uma cerveja?".

Eu não aguentava um mês de uma relação assim. Tenho pânico que isto me aconteça e ao ver que caminhava torta, porque o Poisoned Apple Man não cozinha, não gosta de cozinhar nem de nada que se relacione com a área (excepto mastigar o alimento), negociei com ele. OK, eu cozinho, mas tu limpas. E começou muito bem, cumprindo a sua parte. Mais tarde, começou a cumprir ocasionalmente a sua parte, muitas vezes alegando que a Dina vem amanhã, só para não se dar ao trabalho e sabendo que eu detesto uma cozinha deixada por arrumar para o dia seguinte. Eu nunca respondi que para o jantar a Dina vem amanhã.

Regressada de Londres, encostei-me. Queres jantar? Falta a tua parte. Estive uns dias - poucos - sem cozinhar. Descongelei umas refeições que tinha no congelador, mas nada de comidinha acabada de fazer. Nada de sopas maravilhosas cheias de legumes variados. Ouvi mil bocas em jeito de "a brincar te digo a verdade", que estava preguiçosa, que não estava a ser boa dona de casa, que ele estava a passar fome, e aquilo entrava-me por um lado e saía por outro. Não estava minimamente ralada e até sorria. Cheguei ao cúmulo de preparar uma salada de feijão frade sem o atum, deixando as latas de lado para que as abrisse, desfizesse e atirasse o peixe lá para dentro. Tive de esperar meia-hora para que tivesse sido feito pelos dois, mas esperei.

Ao ver que para ele o sofrimento já ia longo, perguntei se queria renegociar e passar a cumprir a sua parte. Rindo, acusou-me de uma tremenda injustiça, afirma que nunca deixou a cozinha por limpar e arrumar, mas lá aceitou. Nesse dia foi às compras, sozinho, com uma lista. Ligou-me umas vezes para perguntar o que era o quê. Eu sabia que as dúvidas eram consequência da falta de hábito, mas não quis ser horrível. Fiquei feliz por ter divido tarefas comigo.

Horas mais tarde passei no corredor suspirando:

- Não me apetece nada fazer o jantar...
- Habituas-te! Também não gosto de lavar loiça e já me habituei! - ralhando-me.

É difícil, esta luta deixa-me com pouca paciência, muitas vezes apetece-me arrancar tudo das mãos dele e fazer eu, mas tenho de resistir. Não quero ser a mulher que descrevi acima. É para os dois, fazemos os dois.