Das maiores vergonhas que passei na minha vida foi no supermercado, com o Poisoned Apple Man a fazer uma cena pública, tentando impedir-me de comprar latas de grão.
Feijão é para meninos.
29.6.11
27.6.11
Estacionamento
Com alguma relutância, o Poisoned Apple Man lá me levou ao Centro Comercial de onde me tinham ligado a dizer que afinal tinham encontrado a mala que eu queria, eu que já me tinha chorado e já me tinha conformado a achar que nunca mais ia encontrar uma mala daquelas. Era a única, tinha de a ir buscar. Não havia tempo a perder.
Ao entrar no parque de estacionamento começou logo a queixar-se de que não havia lugares, e ainda dizem que não há dinheiro!, e o camandro. Até que avistei:
- Está ali um lugar!
Ele olhou e ditou a sua sentença:
- Não vês que não é um lugar??! Que é um espaço grande entre dois carros? Nem o Smart cabe ali! As mulheres têm uma visão periférica nula. NULA! Não é estar a dizer mal das mulheres, mas é uma incapacidade que nasceu convosco, da mesma forma que os homens não têm jeito para outras coisas. O melhor era admitirem! Eu admito! Mas só para veres, só para veres que não é um lugar e que as mulheres não têm jeito para estas coisas, eu vou dar a volta. Aaaah, eu vou dar a volta para te provar! Aaaaaaaaaahhhh, vais ver como não é um lugar!
Era um lugar.
Um lugar de estacionamento lindo e espaçoso que só ele.
Em abono do homem posso dizer que nesse dia tinha dormido duas ou três horas, o que me levou a ser uma mulher compreensiva e a deixá-lo libertar toda a fúria interior que carregava. No entanto, pergunto-me se terá reparado no meu sorriso rasgado e inevitável que gritava em silêncio: sou tão esperta! Tenho uma visão periférica do caraças!
Ao entrar no parque de estacionamento começou logo a queixar-se de que não havia lugares, e ainda dizem que não há dinheiro!, e o camandro. Até que avistei:
- Está ali um lugar!
Ele olhou e ditou a sua sentença:
- Não vês que não é um lugar??! Que é um espaço grande entre dois carros? Nem o Smart cabe ali! As mulheres têm uma visão periférica nula. NULA! Não é estar a dizer mal das mulheres, mas é uma incapacidade que nasceu convosco, da mesma forma que os homens não têm jeito para outras coisas. O melhor era admitirem! Eu admito! Mas só para veres, só para veres que não é um lugar e que as mulheres não têm jeito para estas coisas, eu vou dar a volta. Aaaah, eu vou dar a volta para te provar! Aaaaaaaaaahhhh, vais ver como não é um lugar!
Era um lugar.
Um lugar de estacionamento lindo e espaçoso que só ele.
Em abono do homem posso dizer que nesse dia tinha dormido duas ou três horas, o que me levou a ser uma mulher compreensiva e a deixá-lo libertar toda a fúria interior que carregava. No entanto, pergunto-me se terá reparado no meu sorriso rasgado e inevitável que gritava em silêncio: sou tão esperta! Tenho uma visão periférica do caraças!
24.6.11
Consultório #67
"(...) Tenho 21 anos e basicamente sempre estive dividida entre dois rapazes. Namorei durante quase três anos com o "Ivo", mas esta relação sempre primou por altos e baixos e muito desrespeito mútuo. Contudo, dizíamos que a partir daquele momento não seria mais assim mas voltava sempre ao mesmo, talvez pelo envolvimento da família e por vivermos perto um do outro.
O "Ivo" é um rapaz com 22 anos que apesar de dar valor à sua família, é muito mal-educado com a mãe, sendo incapaz de lhe ter um gesto de carinho, nem no dia do seu aniversário. Comigo, nas fases boas era meigo, apesar de falar alto e de parecer revoltado com a vida. Gostava de fazer muitas coisas para me agradar e isso notava-se, mesmo em sua casa mostrava-se preocupado comigo. Eu sentia que esta relação seria assim e que nunca sairia disto porque temos feitios semelhantes: o que tenho a dizer digo, não sou autoritária, nada disso, mas digo o que penso e por vezes magoa.
(...) O "Pedro" (23 anos) conheci mais ou menos na altura em que conheci o "Ivo" mas já namorava com este. É uma pessoa calma, meiga, também sempre me quis agradar e lutou muito por mim mesmo namorando com o "Ivo" (...) Desistiu por algumas vezes, mas confesso que nunca consegui estar muito tempo sem falar com ele, isto porque eu e o "Ivo" terminámos durante uns meses e andei "às escondidas" com o Pedro, embora sentisse que não era bem aquilo que queria para mim, apesar de ele fazer o meu género.
Tivemos momentos bons mas nunca ocorreu nada mais do que beijos. O "Ivo" soube desta história com o "Pedro" porque decidi contar-lhe quando voltámos. Por isto, não podia ouvir falar no nome dele nem permitia que falássemos. Mas eu falava com o Pedro e este dizia-me que me queria muito porque só me via a mim como sua namorada e não me conseguia esquecer.
Estivemos tempos sem falar porque o "Pedro" não se sentia bem consigo próprio sem que o "Ivo" soubesse. Eu sinto que sendo o Pedro uma pessoa calma e meiga fará alguém feliz, já para não dizer que se dá muito melhor com a mãe do que o "Ivo", algo que considero importante, chegando a querer que conhecesse a sua família.
Agora que não namoro tentei falar com o Pedro mas este diz que está decidido a não falar mais comigo, não adiantando mais nada. Sinto que gostava de estar com ele para perceber o que sinto realmente mas pelos vistos não está fácil. O "Ivo" é mais bonito do que o "Pedro" mas para mim isso não é o mais importante, apenas interessa quem me fará feliz, o que aconteceria mais com o Pedro, já que nunca houve desrespeito, apesar de não ter passado de um amigo colorido.
Agora, parece que nenhum quer falar comigo. O que devo fazer?"
Olá A.,
(…) Da sua mensagem retiro várias coisas e uma delas é clara: a A. não quer estar sozinha. Não se trata de gostar muito de alguém, trata-se de ter sempre um namorado. Precisa disso, não quer sentir-se sozinha. Com isto não quero dizer que não tenha sentimentos pelo Ivo ou pelo Pedro, mas não é isso que mais a move.
Desculpe-me a honestidade, mas esse Ivo parece ser um traste. Um homem que trata mal a mãe, partindo do princípio que ela não apagou cigarros no corpo dele e não o deixou à fome, não merece qualquer importância. E prova disso é o desrespeito com que a trata, como referiu.
Não faço ideia no que é que esse desrespeito se traduz, mas não interessa, basta que exista, basta para perceber o seu descontentamento. E ao contrário do que diz, um homem assim não dá valor à família, dá-se valor a si próprio, pois é um homem que não está preocupado com a tristeza e o sofrimento que provoca nos outros, e nem se preocupa com o facto de poder afastar outras pessoas, tudo para exteriorizar os seus problemas de rebeldia, provavelmente, sem causa.
Mais do que isto, um homem que a desrespeita e que maltrata a mãe, nunca vai ser bom para uma mulher. Está na natureza dele e não há quem vá mudar isso. Qualquer mulher que caia nos braços dele vai viver um inferno. E acredite que não passou por nada, pois ele ainda tem 22 anos e sabe pouco. Dê-lhe alguma idade e vai ver como com o tempo se torna mais "refinado".
O Pedro, pelo que conta, parece ser um rapaz que se cansou de lutar contra a maré. Provavelmente deve ter-se cansado de lutar e de pensar o que é que ela vê naquele anormal quando eu a trato bem?
O facto de manter o contacto às escondidas significa que sabia que o Ivo não podia saber. Este contacto era mantido porque o Ivo não representa aquilo que quer para si. O encantamento está gasto, quer mudar, mas tem medo. E o facto de ele proibir o contacto, é ter poderes sobre si que não deveria permitir que alguém os tivesse. Este é um país livre. a A. fala com quem quiser. Já reparou que atribuiu inúmeros defeitos ao Ivo e nenhuns ao Pedro?
O meu conselho, se gosta do Pedro, é que insista no contacto. Pode ser que as coisas se resolvam e comece a ter uma relação saudável, coisa que não parece ter tido com o Ivo, apesar de ter passado bons momentos. E se gosta do Ivo, fuja. Esse homem não presta e a A. no fundo sabe disso. Tem é dificuldade em largar uma realidade que conhece bem para mudar e pisar terrenos que não conhece tão bem. No seu íntimo pensa qualquer coisa como: antes um mau que conheço bem e sei com o que conto, do que um bom que me fuja e fique sem nenhum. Mas as coisas não funcionam assim. Ligue ao Pedro!
O "Ivo" é um rapaz com 22 anos que apesar de dar valor à sua família, é muito mal-educado com a mãe, sendo incapaz de lhe ter um gesto de carinho, nem no dia do seu aniversário. Comigo, nas fases boas era meigo, apesar de falar alto e de parecer revoltado com a vida. Gostava de fazer muitas coisas para me agradar e isso notava-se, mesmo em sua casa mostrava-se preocupado comigo. Eu sentia que esta relação seria assim e que nunca sairia disto porque temos feitios semelhantes: o que tenho a dizer digo, não sou autoritária, nada disso, mas digo o que penso e por vezes magoa.
(...) O "Pedro" (23 anos) conheci mais ou menos na altura em que conheci o "Ivo" mas já namorava com este. É uma pessoa calma, meiga, também sempre me quis agradar e lutou muito por mim mesmo namorando com o "Ivo" (...) Desistiu por algumas vezes, mas confesso que nunca consegui estar muito tempo sem falar com ele, isto porque eu e o "Ivo" terminámos durante uns meses e andei "às escondidas" com o Pedro, embora sentisse que não era bem aquilo que queria para mim, apesar de ele fazer o meu género.
Tivemos momentos bons mas nunca ocorreu nada mais do que beijos. O "Ivo" soube desta história com o "Pedro" porque decidi contar-lhe quando voltámos. Por isto, não podia ouvir falar no nome dele nem permitia que falássemos. Mas eu falava com o Pedro e este dizia-me que me queria muito porque só me via a mim como sua namorada e não me conseguia esquecer.
Estivemos tempos sem falar porque o "Pedro" não se sentia bem consigo próprio sem que o "Ivo" soubesse. Eu sinto que sendo o Pedro uma pessoa calma e meiga fará alguém feliz, já para não dizer que se dá muito melhor com a mãe do que o "Ivo", algo que considero importante, chegando a querer que conhecesse a sua família.
Agora que não namoro tentei falar com o Pedro mas este diz que está decidido a não falar mais comigo, não adiantando mais nada. Sinto que gostava de estar com ele para perceber o que sinto realmente mas pelos vistos não está fácil. O "Ivo" é mais bonito do que o "Pedro" mas para mim isso não é o mais importante, apenas interessa quem me fará feliz, o que aconteceria mais com o Pedro, já que nunca houve desrespeito, apesar de não ter passado de um amigo colorido.
Agora, parece que nenhum quer falar comigo. O que devo fazer?"
Olá A.,
(…) Da sua mensagem retiro várias coisas e uma delas é clara: a A. não quer estar sozinha. Não se trata de gostar muito de alguém, trata-se de ter sempre um namorado. Precisa disso, não quer sentir-se sozinha. Com isto não quero dizer que não tenha sentimentos pelo Ivo ou pelo Pedro, mas não é isso que mais a move.
Desculpe-me a honestidade, mas esse Ivo parece ser um traste. Um homem que trata mal a mãe, partindo do princípio que ela não apagou cigarros no corpo dele e não o deixou à fome, não merece qualquer importância. E prova disso é o desrespeito com que a trata, como referiu.
Não faço ideia no que é que esse desrespeito se traduz, mas não interessa, basta que exista, basta para perceber o seu descontentamento. E ao contrário do que diz, um homem assim não dá valor à família, dá-se valor a si próprio, pois é um homem que não está preocupado com a tristeza e o sofrimento que provoca nos outros, e nem se preocupa com o facto de poder afastar outras pessoas, tudo para exteriorizar os seus problemas de rebeldia, provavelmente, sem causa.
Mais do que isto, um homem que a desrespeita e que maltrata a mãe, nunca vai ser bom para uma mulher. Está na natureza dele e não há quem vá mudar isso. Qualquer mulher que caia nos braços dele vai viver um inferno. E acredite que não passou por nada, pois ele ainda tem 22 anos e sabe pouco. Dê-lhe alguma idade e vai ver como com o tempo se torna mais "refinado".
O Pedro, pelo que conta, parece ser um rapaz que se cansou de lutar contra a maré. Provavelmente deve ter-se cansado de lutar e de pensar o que é que ela vê naquele anormal quando eu a trato bem?
O facto de manter o contacto às escondidas significa que sabia que o Ivo não podia saber. Este contacto era mantido porque o Ivo não representa aquilo que quer para si. O encantamento está gasto, quer mudar, mas tem medo. E o facto de ele proibir o contacto, é ter poderes sobre si que não deveria permitir que alguém os tivesse. Este é um país livre. a A. fala com quem quiser. Já reparou que atribuiu inúmeros defeitos ao Ivo e nenhuns ao Pedro?
O meu conselho, se gosta do Pedro, é que insista no contacto. Pode ser que as coisas se resolvam e comece a ter uma relação saudável, coisa que não parece ter tido com o Ivo, apesar de ter passado bons momentos. E se gosta do Ivo, fuja. Esse homem não presta e a A. no fundo sabe disso. Tem é dificuldade em largar uma realidade que conhece bem para mudar e pisar terrenos que não conhece tão bem. No seu íntimo pensa qualquer coisa como: antes um mau que conheço bem e sei com o que conto, do que um bom que me fuja e fique sem nenhum. Mas as coisas não funcionam assim. Ligue ao Pedro!
23.6.11
Elas e ele
Rejeitado por uma mulher de quem gosta, desejado por outra mulher que assume gostar de vários ao mesmo tempo, e assediado por um rapaz homossexual que não percebe que ele não dá para esse peditório, um amigo desiludido com o carácter das pessoas (maioritariamente feminino) com que se tem cruzado, desabafou:
- Estou a fazer um esforço para não me tornar numa puta.
- Estou a fazer um esforço para não me tornar numa puta.
22.6.11
Almoço intrigante
Ontem fui almoçar com uma amiga. Fui ter com ela ao local de trabalho, saímos para almoçar e enquanto conversava, interrompeu-me:
- Desculpa lá interromper! Estou a pensar nisto desde que te pus os olhos em cima. Estás grávida?
- Não!
- Estás mesmo com cara de grávida e estás a rir.
- Estou a rir porque esta noite sonhei que estava grávida!
Tendo em conta que esta senhora adivinhou a gravidez da irmã e da filha só de olhar, fico à cautela. O facto de sonhar que estava grávida não quer dizer nada, pois já me aconteceu um milhão de vezes. Acho apenas que é fruto da pressão do me'home.
Nunca percebi estas coisas de as mulheres ficarem com caras diferentes quando grávidas, mas aguardam-se novos episódios. O Poisoned Apple Man esfregou as mãos de contente com a brincadeira. Eu continuo a achar que ainda não é o momento, sabendo que nunca existe um momento ideal.
- Desculpa lá interromper! Estou a pensar nisto desde que te pus os olhos em cima. Estás grávida?
- Não!
- Estás mesmo com cara de grávida e estás a rir.
- Estou a rir porque esta noite sonhei que estava grávida!
Tendo em conta que esta senhora adivinhou a gravidez da irmã e da filha só de olhar, fico à cautela. O facto de sonhar que estava grávida não quer dizer nada, pois já me aconteceu um milhão de vezes. Acho apenas que é fruto da pressão do me'home.
Nunca percebi estas coisas de as mulheres ficarem com caras diferentes quando grávidas, mas aguardam-se novos episódios. O Poisoned Apple Man esfregou as mãos de contente com a brincadeira. Eu continuo a achar que ainda não é o momento, sabendo que nunca existe um momento ideal.
20.6.11
A carteira
No outro dia estava a arrumar o nojo da minha carteira quando me caiu na mesa uma foto pequenina. Nunca foi uma foto tipo passe, mas fez as vezes de uma numa emergência em que imprimi fotografias de tamanho pequeno e sobraram uma série delas que já nem me lembrava que tinha. A foto foi tirada quando trabalhei no Euro 2004 (grandes memórias!) e, modéstia à parte, acho que estou mesmo querida. E mais nova, mas isso não interessa.
Foi quando me lembrei de fazer uma pequena gracinha: peguei numa das fotos, em fita-cola e colei-a na parte de dentro da carteira do Poisoned Apple Man. Durante horas aguardei por reacções.
Nada.
À noite, sentados à mesa de um restaurante com a família dele, ao vê-lo segurar na carteira tive de perguntar:
- Já viste a tua carteira hoje?
- Não, o que tem?
- Uma surpresa!
E foi ver o homem correr a abrir a carteira, passar pela fotografia sem dar por ela, abrir o lado onde vai o dinheiro, fazer contas e sorrir de satisfação:
- Ufff... o dinheiro está cá todo!
Casei com um príncipe, sem dúvida.
Foi quando me lembrei de fazer uma pequena gracinha: peguei numa das fotos, em fita-cola e colei-a na parte de dentro da carteira do Poisoned Apple Man. Durante horas aguardei por reacções.
Nada.
À noite, sentados à mesa de um restaurante com a família dele, ao vê-lo segurar na carteira tive de perguntar:
- Já viste a tua carteira hoje?
- Não, o que tem?
- Uma surpresa!
E foi ver o homem correr a abrir a carteira, passar pela fotografia sem dar por ela, abrir o lado onde vai o dinheiro, fazer contas e sorrir de satisfação:
- Ufff... o dinheiro está cá todo!
Casei com um príncipe, sem dúvida.
18.6.11
Do you remember? #155
Boy George - Do You Really Want To Hurt Me - 1982
Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com
Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com
17.6.11
Enquanto não me tirarem o pio, não me calo #6
Exmos. Senhores,
normalmente sou educada na redacção das minhas reclamações, mas neste momento ainda tenho os olhos raiados de sangue. Palavras faltam para o inferno que montaram no centro de Lisboa ao fecharem a Av. da Liberdade para o pic-nic dos parolos. Não chegava o fim-de-semana, então vai de fechar a avenida durante dois dias. Ontem, às 11h, a uma hora que NÃO É de ponta, vinda da A5, a fila começava nas Amoreiras!!! E eu achava que só podia ser um acidente gravíssimo, mas não, era o mais profundo desrespeito pelos cidadãos de Lisboa. Eu nem imagino o que terá provocado este encerramento em Lisboa à hora de ponta.
Façam os vossos pic-nic num estádio, num deserto, mas longe de incomodar as pessoas que não têm paciência nem vida para isto! Que têm de trabalhar e não querer saber se o Toy está vivo ou morto, se vai cantar ou se o Continente tem algo mais a dar além da venda de bens alimentares. Limitem-se ao vosso core bussiness.
Condidero tão abusivo uma coisa destas para um pic-nic que, enquanto me lembrar, farei as minhas compras no Jumbo.
normalmente sou educada na redacção das minhas reclamações, mas neste momento ainda tenho os olhos raiados de sangue. Palavras faltam para o inferno que montaram no centro de Lisboa ao fecharem a Av. da Liberdade para o pic-nic dos parolos. Não chegava o fim-de-semana, então vai de fechar a avenida durante dois dias. Ontem, às 11h, a uma hora que NÃO É de ponta, vinda da A5, a fila começava nas Amoreiras!!! E eu achava que só podia ser um acidente gravíssimo, mas não, era o mais profundo desrespeito pelos cidadãos de Lisboa. Eu nem imagino o que terá provocado este encerramento em Lisboa à hora de ponta.
Façam os vossos pic-nic num estádio, num deserto, mas longe de incomodar as pessoas que não têm paciência nem vida para isto! Que têm de trabalhar e não querer saber se o Toy está vivo ou morto, se vai cantar ou se o Continente tem algo mais a dar além da venda de bens alimentares. Limitem-se ao vosso core bussiness.
Condidero tão abusivo uma coisa destas para um pic-nic que, enquanto me lembrar, farei as minhas compras no Jumbo.
Consultório #66
"Tenho 27 anos, sou mãe de 2 sacaninhas, ainda por cima um de cada pai. Escusado dizer como fui criticada, mas eu tenho as costas largas (...) Nasci e os meus pais despacharam-me logo para os meus avós paternos que me educaram até aos meus 10 anos (...) A minha querida mãe foi buscar-me à minha avó para ir viver com ela, esperta, tinha acabado de nascer meu irmão e durante 6 anos fui uma escrava. Tratava de um recém-nascido que nos banhos parecia que me escorria entre os dedos Eu também era um bébé (...) Com a lida da casa, tratar de um bebé, com a escola, não podia brincar como as crianças normais nem tão pouco socializar, senão lá vinham as tareias
(...) Aos meus 16 anos fartei-me , tive de desistir da escola, comecei trabalhar e nem o ordenado via. Hoje, a minha mãe que é só bezanas quer fazer o mesmo ao meu irmão, que (...) está em risco de ir preso (...). Não tive direito à infância, à adolescância, saí de casa sem destino, acabei por ir para casa da minha avó.
Com muita sorte arranjei trabalho e arrendei uma casa (...) Voltei a manter contacto com a senhora minha mãe da forma mais ridícula: pediu-me dinheiro para fazer um aborto. Isto não é mesmo nada normal, mas tudo o que venha dela é assim. Eu, com 24 anos, ser irmã outra vez, é um CHOQUE.
(...) Pouco depois do nascimento do meu segundo irmão, percebi que estava grávida do meu primeiro filho. Estava separada do pai da criança, foi a chamada queca mal dada (...) Tive uma gravidez pavorosa, sempre de cama, com o risco de abortar a qualquer momento, guerras com o pai que forçava a relação e eu nem o queria ver, super boémio, mentiroso, falso, arrogante, passou de bestial a besta.
(...) O meu primeiro filho nasceu, ainda cedi nos primeiros meses mas não valeu mesmo a pena. Era só guerras, pois não cumpre com as obrigações de pai (...) Afastei me de todos os meus verdadeiros amigos e agora é muito complicado voltar a sentir confiança, apoio, nem sei explicar, fecho-me em copas e prefiro sofrer sozinha.
Aos 9 meses de idade do meu filhão, conheci um rapaz mais velho que eu 3 anos. Era tudo perfeito, estava verdadeiramente apaixonada, como já não me sentia há que tempos, ajudou-me a esquecer muitas mágoas, ele era positivo e saudável para mim, até que começaram os senãos: ciúmes sem razão de ser, passava quase 24 horas comigo (estávamos ambos desempregados) (...) Pois bem, o menino desde vasculhar as gavetas todas e revirar tudo, vim a descobrir coisas engraçadas e de mim nunca descobriu nada.
Fotos e e-mails de antigas namoradas, registo em sites daqueles de engate (...) confrontei-o e teve descaramento de dizer me que não era o que eu pensava. Só lhe disse: "tens ali os saquinhos do pingo doce começa a desaparecer com a tua tralha e da corda aos sapatinhos rápido".
(...) Ainda tentou reatar mas nem dei corda. Para ajudar à festa descobri que estava grávida. Com o pó que lhe tinha não queria um ser dele dentro de mim. Tentei abortar mas já não podia, é um defeito meu, não tenho mínimos sintomas (...) Tive uma gravidez avassaladora. Desde rejeitar o meu filho, a estar fechada em casa isolada de tudo e todos com ódio e vergonha, vim a saber que ele se envolveu com uma gaja.
(...) O meu segundo príncipe nasceu e ele pediu-me um teste de paternidade. Não tem noção do que senti (...) Nunca se dignou a questionar se precisava de alguma coisa e depois sai-se com esta?
(...) Passados 4 meses tenho permitido que esteja presente, não por mim mas pelo filho e para dar um chapadão de luva bem branca, pois o meu filho é a TROMBA DO PAI. Ele já não quis teste nenhum e disse que só tinha pedido por raiva, porque a mãe dele andou a envenená-lo (...) Aquela senhora é só joguinhos psicológicos.
(...) Mas ele está diferente, as vezes sinto-o como ele era. Lá me consegue roubar um sorriso, temos estado juntos, ele fica em minha casa aos sábados para ver se durmo, porque sozinha com um filho de 4 meses e outro 2 anos, não é facil. Sexo ou contacto fisico mais íntimo que um beijo, é difícil, ainda sinto nojo. Nem sinto o desejo carnal. Gostava de começar tudo de novo, ganhar as bases, confiança, respeito, dedicação, amizade e tudo isso. Eu preciso disso.
(..) Quero muito que resulte mas já conheci a pior faceta dele e agora tenho medos, não sei o que esperar dele, pois desiludiu-me imenso".
Olá Maria!
Enquanto a Maria se questiona se deve ou não voltar para um homem, durante todo o seu e-mail eu só pensava noutra coisa: controlo de natalidade. Ser mãe de duas crianças, aos 27 anos, de pais diferentes, e sem nenhum deles ter sido planeado, parece-me duro. Isto não é preconceito, mas inevitavelmente representa um atraso na sua vida. Ainda para mais estando desempregada.
Compreendo que a sua infância não tenha sido fácil e que muito do que vive agora é consequência disso. Mas o meu objectivo não é criticá-la, é fazer um alerta. Existem mil e um contraceptivos que juntamente com o preservativo permitem que as mulheres gozem a vida sexual sem problemas. Eu costumo dizer (e sei que não vai gostar de ler isto) que só engravida quem quer. Com isto não quero dizer que engravidou de propósito, mas algo aconteceu para que as injecções não fizessem o seu efeito e este controle não foi assegurado. Se isto acontecesse com alguém que a apoia e está sempre do seu lado, era mau, sendo com um homem como o que descreve, no seu lugar achava o fim do mundo.
Se costuma ler-me sabe que sou uma pessoa extremamente racional, talvez até egoísta, mas eu jamais conseguiria ser refém de filhos indesejados. Num dilema como ao seu, eu não hesitaria em abortar com ou sem tempo. Bem sei que tentou, mas fica a mensagem para que as restantes mulheres não se sintam culpadas. Atenção, eu não estou a dizer que é o que todas deviam fazer, estou apenas a partilhar o que eu faria numa situação como a sua. Há que seja contra o aborto e eu respeito em absoluto, mas espero que quem seja contra também respeite a minha liberdade de opção. E a minha opção começaria ser por primeiro olhar por mim, para um dia ter condições de olhar por outros mais pequenos.
Conheço um rapaz que há uns anos engravidou a namorada com quem tinha uma relação de 3 meses. Longe de concluir os estudos, ambos com 20 anos, decidiram ir em frente. Ela deixou de estudar e ficou com o 12º ano, ele entretanto acabou o curso. Ela diz que um dia vai voltar a estudar e eu aceno que sim com a cabeça. Só acredito quando vir. Estudar e trabalhar é das coisas mais difíceis de fazer. E com um filho nos braços, não imagino. Ela ainda teve de o educar a viver debaixo do mesmo tecto (mais uma criança) e mostrar que não era escrava ou empregada dele.
Aquela relação é de miúdos, a criança é uma mal-educada, típico de pais que não estão preparados, que permitem tudo porque a paciência não chega para mais. No fundo, são duas crianças a tomar conta de outra. Ele um dia vai fazer a vida dele, ela vai ficar agarrada. Boa opção? Não me parece. Na altura não sugeri nem perguntei nada sobre abortos, a vida não é minha nem tenho nada a ver com isso. Mas pensei no assunto. Tenho uma outra amiga (isto é que já tem muitos anos) que se deparou com uma situação semelhante. Os pais perguntaram o que ela queria fazer? Ela tomou a opção de abortar. Depois disso concluiu os estudos, teve outros namorados, casou, hoje tem os seus filhos e é feliz. Os pais pagaram por um aborto num tempo em que não era legal e acho que foram os melhores pais do mundo.
Os filhos, quando indesejados, são travões na vida de uma pessoa, impeditivos de maior felicidade e fonte de inúmeras chatices. Não duvido que sejam amados pela mãe mais do que a própria vida, mas isso é quando estão cá fora. Enquanto isso não acontece, para mim representa apenas uma questão de opção, que certamente não é isenta de sentimentos, mas é uma questão de opção aos meus olhos. Provavelmente vou escandalizar muitas pessoas que lêem o que escrevo, mas é assim que eu penso, sem nunca pregar que é assim que deve ser. Digo apenas que era isso que eu faria.
A gravidez deve ser vivida com uma felicidade estonteante. Ficar grávida deve acontecer quando uma mulher e um homem querem. A felicidade deve ser brutal, a descoberta, algo que é dos dois, o amor que surge (e os medos, que também não devem ser poucos), a nova aprendizagem, acredito que as pessoas mudem completamente. Não imagino o que deve ser rejeitar um filho que está na barriga e lamento que tenha passado por isso. Quase parece um castigo desumano.
Quanto ao homem que pondera voltar, eu não sou ninguém para lhe dizer o que deve ou não fazer. A minha opinião é só isso mesmo, uma opinião. Para tomar a sua decisão, lembre-se:
1. É um homem que esteve envolvido com outra mulher enquanto vivia uma gravidez de risco.
2. É homem disponível para todas as mulheres que possam surgir, dado que se inscreve em sites de encontros.
3. Ou seja, a probabilidade de ele se tornal fiel é apenas por meia-hora, enquanto estiver à sua frente.
4. É um homem que tem uma mãe insuportável e venenosa.
5. Com ou sem mãe assim, ele é livre de tomar as suas decisões. Decisões essas que não toma. Ou seja, não tem qualquer firmeza e determinação no carácter dele.
6. É um homem que pediu um teste de paternidade.
7. Também por isso, é um homem com quem não tem laços de confiança.
8. A relação entre netos e avós está claro que será sempre impossível. Nas vezes que acontecer, será um inferno.
9. Não compreendo como pondera voltar para um homem do qual diz: "sexo ou contacto físico mais íntimo do que um beijo é difícil. Ainda sinto nojo (...) nem sinto o desejo carnal". Isto não é amor.
10. Diz conhecer o pior lado dele e que tem medo.
11. Afirma que a desiludiu.
12. Foi enxovalhada em praça pública.
Ora, posto isto, eu nem pensava duas vezes em prosseguir com a minha vida. Compreendo que seja díficil ser mãe de duas crianças sozinha e sem apoio familiar, compreendo que precise de carinho, de amor, de alguém que a ajude, mas sinceramente, duvido que esse homem possa ser opção e lhe dê mais do que um punhado de desilusão, problemas, nervos, ansiedade, traições... eu sei lá! Acho que dali só vem algo de mau.
Lembre-se que o que eu faria não é o que tem de fazer. Esta é apenas a minha opinião. Talvez as leitoras do blog tenham algo mais a dizer.
(...) Aos meus 16 anos fartei-me , tive de desistir da escola, comecei trabalhar e nem o ordenado via. Hoje, a minha mãe que é só bezanas quer fazer o mesmo ao meu irmão, que (...) está em risco de ir preso (...). Não tive direito à infância, à adolescância, saí de casa sem destino, acabei por ir para casa da minha avó.
Com muita sorte arranjei trabalho e arrendei uma casa (...) Voltei a manter contacto com a senhora minha mãe da forma mais ridícula: pediu-me dinheiro para fazer um aborto. Isto não é mesmo nada normal, mas tudo o que venha dela é assim. Eu, com 24 anos, ser irmã outra vez, é um CHOQUE.
(...) Pouco depois do nascimento do meu segundo irmão, percebi que estava grávida do meu primeiro filho. Estava separada do pai da criança, foi a chamada queca mal dada (...) Tive uma gravidez pavorosa, sempre de cama, com o risco de abortar a qualquer momento, guerras com o pai que forçava a relação e eu nem o queria ver, super boémio, mentiroso, falso, arrogante, passou de bestial a besta.
(...) O meu primeiro filho nasceu, ainda cedi nos primeiros meses mas não valeu mesmo a pena. Era só guerras, pois não cumpre com as obrigações de pai (...) Afastei me de todos os meus verdadeiros amigos e agora é muito complicado voltar a sentir confiança, apoio, nem sei explicar, fecho-me em copas e prefiro sofrer sozinha.
Aos 9 meses de idade do meu filhão, conheci um rapaz mais velho que eu 3 anos. Era tudo perfeito, estava verdadeiramente apaixonada, como já não me sentia há que tempos, ajudou-me a esquecer muitas mágoas, ele era positivo e saudável para mim, até que começaram os senãos: ciúmes sem razão de ser, passava quase 24 horas comigo (estávamos ambos desempregados) (...) Pois bem, o menino desde vasculhar as gavetas todas e revirar tudo, vim a descobrir coisas engraçadas e de mim nunca descobriu nada.
Fotos e e-mails de antigas namoradas, registo em sites daqueles de engate (...) confrontei-o e teve descaramento de dizer me que não era o que eu pensava. Só lhe disse: "tens ali os saquinhos do pingo doce começa a desaparecer com a tua tralha e da corda aos sapatinhos rápido".
(...) Ainda tentou reatar mas nem dei corda. Para ajudar à festa descobri que estava grávida. Com o pó que lhe tinha não queria um ser dele dentro de mim. Tentei abortar mas já não podia, é um defeito meu, não tenho mínimos sintomas (...) Tive uma gravidez avassaladora. Desde rejeitar o meu filho, a estar fechada em casa isolada de tudo e todos com ódio e vergonha, vim a saber que ele se envolveu com uma gaja.
(...) O meu segundo príncipe nasceu e ele pediu-me um teste de paternidade. Não tem noção do que senti (...) Nunca se dignou a questionar se precisava de alguma coisa e depois sai-se com esta?
(...) Passados 4 meses tenho permitido que esteja presente, não por mim mas pelo filho e para dar um chapadão de luva bem branca, pois o meu filho é a TROMBA DO PAI. Ele já não quis teste nenhum e disse que só tinha pedido por raiva, porque a mãe dele andou a envenená-lo (...) Aquela senhora é só joguinhos psicológicos.
(...) Mas ele está diferente, as vezes sinto-o como ele era. Lá me consegue roubar um sorriso, temos estado juntos, ele fica em minha casa aos sábados para ver se durmo, porque sozinha com um filho de 4 meses e outro 2 anos, não é facil. Sexo ou contacto fisico mais íntimo que um beijo, é difícil, ainda sinto nojo. Nem sinto o desejo carnal. Gostava de começar tudo de novo, ganhar as bases, confiança, respeito, dedicação, amizade e tudo isso. Eu preciso disso.
(..) Quero muito que resulte mas já conheci a pior faceta dele e agora tenho medos, não sei o que esperar dele, pois desiludiu-me imenso".
Olá Maria!
Enquanto a Maria se questiona se deve ou não voltar para um homem, durante todo o seu e-mail eu só pensava noutra coisa: controlo de natalidade. Ser mãe de duas crianças, aos 27 anos, de pais diferentes, e sem nenhum deles ter sido planeado, parece-me duro. Isto não é preconceito, mas inevitavelmente representa um atraso na sua vida. Ainda para mais estando desempregada.
Compreendo que a sua infância não tenha sido fácil e que muito do que vive agora é consequência disso. Mas o meu objectivo não é criticá-la, é fazer um alerta. Existem mil e um contraceptivos que juntamente com o preservativo permitem que as mulheres gozem a vida sexual sem problemas. Eu costumo dizer (e sei que não vai gostar de ler isto) que só engravida quem quer. Com isto não quero dizer que engravidou de propósito, mas algo aconteceu para que as injecções não fizessem o seu efeito e este controle não foi assegurado. Se isto acontecesse com alguém que a apoia e está sempre do seu lado, era mau, sendo com um homem como o que descreve, no seu lugar achava o fim do mundo.
Se costuma ler-me sabe que sou uma pessoa extremamente racional, talvez até egoísta, mas eu jamais conseguiria ser refém de filhos indesejados. Num dilema como ao seu, eu não hesitaria em abortar com ou sem tempo. Bem sei que tentou, mas fica a mensagem para que as restantes mulheres não se sintam culpadas. Atenção, eu não estou a dizer que é o que todas deviam fazer, estou apenas a partilhar o que eu faria numa situação como a sua. Há que seja contra o aborto e eu respeito em absoluto, mas espero que quem seja contra também respeite a minha liberdade de opção. E a minha opção começaria ser por primeiro olhar por mim, para um dia ter condições de olhar por outros mais pequenos.
Conheço um rapaz que há uns anos engravidou a namorada com quem tinha uma relação de 3 meses. Longe de concluir os estudos, ambos com 20 anos, decidiram ir em frente. Ela deixou de estudar e ficou com o 12º ano, ele entretanto acabou o curso. Ela diz que um dia vai voltar a estudar e eu aceno que sim com a cabeça. Só acredito quando vir. Estudar e trabalhar é das coisas mais difíceis de fazer. E com um filho nos braços, não imagino. Ela ainda teve de o educar a viver debaixo do mesmo tecto (mais uma criança) e mostrar que não era escrava ou empregada dele.
Aquela relação é de miúdos, a criança é uma mal-educada, típico de pais que não estão preparados, que permitem tudo porque a paciência não chega para mais. No fundo, são duas crianças a tomar conta de outra. Ele um dia vai fazer a vida dele, ela vai ficar agarrada. Boa opção? Não me parece. Na altura não sugeri nem perguntei nada sobre abortos, a vida não é minha nem tenho nada a ver com isso. Mas pensei no assunto. Tenho uma outra amiga (isto é que já tem muitos anos) que se deparou com uma situação semelhante. Os pais perguntaram o que ela queria fazer? Ela tomou a opção de abortar. Depois disso concluiu os estudos, teve outros namorados, casou, hoje tem os seus filhos e é feliz. Os pais pagaram por um aborto num tempo em que não era legal e acho que foram os melhores pais do mundo.
Os filhos, quando indesejados, são travões na vida de uma pessoa, impeditivos de maior felicidade e fonte de inúmeras chatices. Não duvido que sejam amados pela mãe mais do que a própria vida, mas isso é quando estão cá fora. Enquanto isso não acontece, para mim representa apenas uma questão de opção, que certamente não é isenta de sentimentos, mas é uma questão de opção aos meus olhos. Provavelmente vou escandalizar muitas pessoas que lêem o que escrevo, mas é assim que eu penso, sem nunca pregar que é assim que deve ser. Digo apenas que era isso que eu faria.
A gravidez deve ser vivida com uma felicidade estonteante. Ficar grávida deve acontecer quando uma mulher e um homem querem. A felicidade deve ser brutal, a descoberta, algo que é dos dois, o amor que surge (e os medos, que também não devem ser poucos), a nova aprendizagem, acredito que as pessoas mudem completamente. Não imagino o que deve ser rejeitar um filho que está na barriga e lamento que tenha passado por isso. Quase parece um castigo desumano.
Quanto ao homem que pondera voltar, eu não sou ninguém para lhe dizer o que deve ou não fazer. A minha opinião é só isso mesmo, uma opinião. Para tomar a sua decisão, lembre-se:
1. É um homem que esteve envolvido com outra mulher enquanto vivia uma gravidez de risco.
2. É homem disponível para todas as mulheres que possam surgir, dado que se inscreve em sites de encontros.
3. Ou seja, a probabilidade de ele se tornal fiel é apenas por meia-hora, enquanto estiver à sua frente.
4. É um homem que tem uma mãe insuportável e venenosa.
5. Com ou sem mãe assim, ele é livre de tomar as suas decisões. Decisões essas que não toma. Ou seja, não tem qualquer firmeza e determinação no carácter dele.
6. É um homem que pediu um teste de paternidade.
7. Também por isso, é um homem com quem não tem laços de confiança.
8. A relação entre netos e avós está claro que será sempre impossível. Nas vezes que acontecer, será um inferno.
9. Não compreendo como pondera voltar para um homem do qual diz: "sexo ou contacto físico mais íntimo do que um beijo é difícil. Ainda sinto nojo (...) nem sinto o desejo carnal". Isto não é amor.
10. Diz conhecer o pior lado dele e que tem medo.
11. Afirma que a desiludiu.
12. Foi enxovalhada em praça pública.
Ora, posto isto, eu nem pensava duas vezes em prosseguir com a minha vida. Compreendo que seja díficil ser mãe de duas crianças sozinha e sem apoio familiar, compreendo que precise de carinho, de amor, de alguém que a ajude, mas sinceramente, duvido que esse homem possa ser opção e lhe dê mais do que um punhado de desilusão, problemas, nervos, ansiedade, traições... eu sei lá! Acho que dali só vem algo de mau.
Lembre-se que o que eu faria não é o que tem de fazer. Esta é apenas a minha opinião. Talvez as leitoras do blog tenham algo mais a dizer.
15.6.11
A minha amiga em Londres #2
Contactou-me via Skype a minha amiga em Londres para me dizer:
- Estou a ficar igual a ti!
- Impossível - disse eu com calma e certeza - Mas por que razão?
- Ontem dormi em casa do homem e quando estávamos na cama eu só me perguntava se as cuecas atiradas ao chão teriam ficado com o penso diário virado para cima. Não conseguia pensar noutra coisa!
Afirmativo, a minha amiga foi contagiada por alguns dos meus stresses que viram os seus dias contados. Naquela fase de namoro em que o à vontade total ainda não foi instalado, pequenas coisas povoavam a minha mente, como o facto de um penso diário poder ser "encontrado", um pêlo perdido numa perna, ou que o lápis que pinto a falha da minha sobrancelha pudesse ser borrado ou apagado (ninguém me pode tocar nas sobrancelhas).
Mais tarde o mercado ofereceu pensos diários pretos que usados com cuecas da mesma cor, no escuro, não se dá por nada. Então o preto era escolha habitual para a roupa interior. Ou então, um xixi antes do momento que dava tempo para arruinar um penso diário enrolado em papel higiénico que cheguei a esconder nos bolsos ou na mala.
O que uma mulher faz! Hoje o Poisoned Apple Man podia aparecer com um penso diário colado na testa que não me sentiria minimamente constrangida. A seu tempo, quando estes dramas nos passam, sabemos que a relação é para valer.
- Estou a ficar igual a ti!
- Impossível - disse eu com calma e certeza - Mas por que razão?
- Ontem dormi em casa do homem e quando estávamos na cama eu só me perguntava se as cuecas atiradas ao chão teriam ficado com o penso diário virado para cima. Não conseguia pensar noutra coisa!
Afirmativo, a minha amiga foi contagiada por alguns dos meus stresses que viram os seus dias contados. Naquela fase de namoro em que o à vontade total ainda não foi instalado, pequenas coisas povoavam a minha mente, como o facto de um penso diário poder ser "encontrado", um pêlo perdido numa perna, ou que o lápis que pinto a falha da minha sobrancelha pudesse ser borrado ou apagado (ninguém me pode tocar nas sobrancelhas).
Mais tarde o mercado ofereceu pensos diários pretos que usados com cuecas da mesma cor, no escuro, não se dá por nada. Então o preto era escolha habitual para a roupa interior. Ou então, um xixi antes do momento que dava tempo para arruinar um penso diário enrolado em papel higiénico que cheguei a esconder nos bolsos ou na mala.
O que uma mulher faz! Hoje o Poisoned Apple Man podia aparecer com um penso diário colado na testa que não me sentiria minimamente constrangida. A seu tempo, quando estes dramas nos passam, sabemos que a relação é para valer.
14.6.11
Santos Populares 2011
O que eu adoro os Santos Populares! Agora vai ser mais um ano de espera, uma tristeza, para esta festa da qual nunca abdico. Mas este ano teve coisas diferentes. Para começar, eu que costumava circular pelos bairros fora, este ano fiquei-me pelo bairro onde sempre morei e onde a minha mãe continua a viver. Com um grupo largo de amigos, subi e desci a rua para usar a casa de banho vezes sem conta, divisão de extrema importância numa noite destas, que passámos a chamar de "urinol" por uma noite. A minha mãe pareceu gostar da animação e espero que nenhum dos meus amigos tenha deixado a sanita pingada.
À meia-noite já tinha jantado e levava duas sangrias no estômago. Tudo normal. Mas depois descobri uma banquinha onde se vendiam mojitos, bebida que experimentei há umas semanas e tenho de dizer que adorei. Então, vai de beber um mojito. Acompanhou-me um amigo que nunca bebe e não aprecia bebidas alcoólicas. Ao fim de meia-hora, todos pulávamos histericamente, às gargalhadas, ao som dos hits dos Santos Populares, com ele aos gritos:
- Isto é muito giro! Vamos buscar outro! - E levada pelas más companhias, bebi outro mojito.
Meus amigos, palavras faltam para classificar o meu estado. O meu amigo, com dois mojitos no bucho, disse que estava mal-disposto e desapareceu entre dois carros para chamar o gregório. Eu parecia uma hiena, sem parar de rir, o meu equilíbrio já tinha visto melhores dias. A bexiga apertava e voltei a casa com mais um amigo para aliviar a fonte. Às três da madrugada a minha mãe ria e só dizia:
- Estás bonita...
E eu não conseguia falar a uma velocidade normal, estava lenta, demasiado lenta, mas consciente. E o que me perguntava era: como é que alguém consegue pegar num carro e conduzir neste estado? Eu não conseguia e sabia disso. Será que há quem não saiba? Não podia fechar os olhos. A sensação era a mesma de entrar numa montanha russa e ser puxada para trás e os amigos iam dando dicas: quando é assim põe uma mão na parede para saberes para que lado está o chão e para que lado está o céu! ou vai comer!, quando eu perguntava quanto tempo demorava aquilo a passar. Foi toda uma novidade, normalmente vivida por adolescentes.
Fui comer. Caldo verde, hamburguers, farturas, eu estava louca de fome. Depois foi aguardar e tudo passou. Quis fazer um teste de alcoolémia numa esquadra, porque sou uma cidadã consciente: menina, já não há boquilhas. Só tínhamos mil e poucas, o orçamento é baixo. Belíssima informação. Estamos entregues aos bichos.
Foi preciso chegar aos 32 anos para a minha mãe me ver neste estado. Outros amigos que perguntavam onde andávamos, recebiam por SMS a motivação para se deslocarem para o bailarico do meu bairro: venham cá ter! A Poisoned Apple está com os copos! Nunca alguém poderia ter imaginado que um dia ia perder metade da minha pose, logo eu, tão rígida. No dia seguinte o meu facebook alinhava comentários que eu classifiquei de calúnias.
Adorei os Santos Populares deste ano, mas para o ano que vem bebo só um mojito, levo a minha mãe para os copos a quem darei de beber três ou quatro mojitos de uma vez, e espero que o Poisoned Apple Man queira acompanhar-me, ele que não gosta de povo e massas, mas vai aprender os refrões das mais belas músicas portuguesas que se ouvem nos Santos Populares e dançar comigo, em vez de receber MMS de amigos onde eu dançava com outros homens, em vez de mandar recados para me informarem que ele tinha "olhos no local" e em vez de esses "olhos no local" lhe darem como resposta: daqui a nada avisamos. Assim que ela recuperar a consciência.
À meia-noite já tinha jantado e levava duas sangrias no estômago. Tudo normal. Mas depois descobri uma banquinha onde se vendiam mojitos, bebida que experimentei há umas semanas e tenho de dizer que adorei. Então, vai de beber um mojito. Acompanhou-me um amigo que nunca bebe e não aprecia bebidas alcoólicas. Ao fim de meia-hora, todos pulávamos histericamente, às gargalhadas, ao som dos hits dos Santos Populares, com ele aos gritos:
- Isto é muito giro! Vamos buscar outro! - E levada pelas más companhias, bebi outro mojito.
Meus amigos, palavras faltam para classificar o meu estado. O meu amigo, com dois mojitos no bucho, disse que estava mal-disposto e desapareceu entre dois carros para chamar o gregório. Eu parecia uma hiena, sem parar de rir, o meu equilíbrio já tinha visto melhores dias. A bexiga apertava e voltei a casa com mais um amigo para aliviar a fonte. Às três da madrugada a minha mãe ria e só dizia:
- Estás bonita...
E eu não conseguia falar a uma velocidade normal, estava lenta, demasiado lenta, mas consciente. E o que me perguntava era: como é que alguém consegue pegar num carro e conduzir neste estado? Eu não conseguia e sabia disso. Será que há quem não saiba? Não podia fechar os olhos. A sensação era a mesma de entrar numa montanha russa e ser puxada para trás e os amigos iam dando dicas: quando é assim põe uma mão na parede para saberes para que lado está o chão e para que lado está o céu! ou vai comer!, quando eu perguntava quanto tempo demorava aquilo a passar. Foi toda uma novidade, normalmente vivida por adolescentes.
Fui comer. Caldo verde, hamburguers, farturas, eu estava louca de fome. Depois foi aguardar e tudo passou. Quis fazer um teste de alcoolémia numa esquadra, porque sou uma cidadã consciente: menina, já não há boquilhas. Só tínhamos mil e poucas, o orçamento é baixo. Belíssima informação. Estamos entregues aos bichos.
Foi preciso chegar aos 32 anos para a minha mãe me ver neste estado. Outros amigos que perguntavam onde andávamos, recebiam por SMS a motivação para se deslocarem para o bailarico do meu bairro: venham cá ter! A Poisoned Apple está com os copos! Nunca alguém poderia ter imaginado que um dia ia perder metade da minha pose, logo eu, tão rígida. No dia seguinte o meu facebook alinhava comentários que eu classifiquei de calúnias.
Adorei os Santos Populares deste ano, mas para o ano que vem bebo só um mojito, levo a minha mãe para os copos a quem darei de beber três ou quatro mojitos de uma vez, e espero que o Poisoned Apple Man queira acompanhar-me, ele que não gosta de povo e massas, mas vai aprender os refrões das mais belas músicas portuguesas que se ouvem nos Santos Populares e dançar comigo, em vez de receber MMS de amigos onde eu dançava com outros homens, em vez de mandar recados para me informarem que ele tinha "olhos no local" e em vez de esses "olhos no local" lhe darem como resposta: daqui a nada avisamos. Assim que ela recuperar a consciência.
13.6.11
Topless
Há dias, mais precisamente no mês passado, quando se sentia calor e não este tempo de cocós que se faz sentir, combinei ir à praia com um amigo. E fiz algo que gosto de fazer com ele: deixá-lo em pânico. Sabendo ele que faço topless quando vou sozinha à praia, tratei de o deixar constrangido:
- Amanhã vamos à praia?
- Sim, lá para as 15h?
- Combinado, mas já sabes...
- O quê?
- Vou como quando estou sozinha.
- Descombinado!!!
É assim, um menino que de tão aflito decidiu escrever sobre a matéria, como pode ler-se aqui. A verdade é que não sei se teria coragem de o fazer, pois não penso nisso, mas gosto do ar aflito com que fica e então vou ameaçando. O menino é de pele clara, olhos azuis, usa protector solar de criança (50+) e quando envergonhado, é uma gracinha pimentinha.
No primeiro ano de namoro, o Poisoned Apple Man fez-se de rijo, armado em forte, argumentou que não tinha problema nenhum com o facto de não gostar de ficar com as maminhas brancas e afirmou que eu estava à vontadinha. A decisão era minha. No ano seguinte, torceu o nariz, fez inúmeras cenas e eu acusei-o de ter mudado. Respondeu que naquele tempo (um ano antes) era diferente, que os gajos olham para mim, que ele fica doente e só tem vontade de lhes ir à tromba. Então passava os dias de praia a controlar o eventual olhar masculino.
Note-se que eu não me passeio na praia como vim ao mundo. Circulo de biquini e só quando me deito retiro discretamente a parte de cima. Se me levantar seja para o que for, volto a colocar. Ou seja, a minha ideia é não ficar com marcas, não é ser alvo de atenções.
Este ano o Poisoned Apple Man já me tramou. De ano para ano a censura tende a piorar. Só vai comigo a praias em que sabe que posso encontrar família, amigos ou colegas de trabalho dele e assim compra a sua paz e a minha irritação. É isto ou não ir à praia.
Mas depois de contar o meu episódio de praia inicialmente combinado e depois descombinado, a rir às gargalhadas, o homem ditou a sua sentença:
- Vês??! Isso é que é um amigo a sério!
Eu não sei o que lhe passa pela cabeça, mas provavelmente deve ser qualquer coisa como apanhar um labrego qualquer a olhar e eu cair de amores por ele. Entretanto o meu amigo lá vai combinando praias comigo, não sem estacionar o carro e fazer uma chamada para saber se pode colocar as unhas no areal: estás vestida? E eu respondo que estou de gola alta.
- Amanhã vamos à praia?
- Sim, lá para as 15h?
- Combinado, mas já sabes...
- O quê?
- Vou como quando estou sozinha.
- Descombinado!!!
É assim, um menino que de tão aflito decidiu escrever sobre a matéria, como pode ler-se aqui. A verdade é que não sei se teria coragem de o fazer, pois não penso nisso, mas gosto do ar aflito com que fica e então vou ameaçando. O menino é de pele clara, olhos azuis, usa protector solar de criança (50+) e quando envergonhado, é uma gracinha pimentinha.
No primeiro ano de namoro, o Poisoned Apple Man fez-se de rijo, armado em forte, argumentou que não tinha problema nenhum com o facto de não gostar de ficar com as maminhas brancas e afirmou que eu estava à vontadinha. A decisão era minha. No ano seguinte, torceu o nariz, fez inúmeras cenas e eu acusei-o de ter mudado. Respondeu que naquele tempo (um ano antes) era diferente, que os gajos olham para mim, que ele fica doente e só tem vontade de lhes ir à tromba. Então passava os dias de praia a controlar o eventual olhar masculino.
Note-se que eu não me passeio na praia como vim ao mundo. Circulo de biquini e só quando me deito retiro discretamente a parte de cima. Se me levantar seja para o que for, volto a colocar. Ou seja, a minha ideia é não ficar com marcas, não é ser alvo de atenções.
Este ano o Poisoned Apple Man já me tramou. De ano para ano a censura tende a piorar. Só vai comigo a praias em que sabe que posso encontrar família, amigos ou colegas de trabalho dele e assim compra a sua paz e a minha irritação. É isto ou não ir à praia.
Mas depois de contar o meu episódio de praia inicialmente combinado e depois descombinado, a rir às gargalhadas, o homem ditou a sua sentença:
- Vês??! Isso é que é um amigo a sério!
Eu não sei o que lhe passa pela cabeça, mas provavelmente deve ser qualquer coisa como apanhar um labrego qualquer a olhar e eu cair de amores por ele. Entretanto o meu amigo lá vai combinando praias comigo, não sem estacionar o carro e fazer uma chamada para saber se pode colocar as unhas no areal: estás vestida? E eu respondo que estou de gola alta.
11.6.11
Do you remember? #154
Bryan Adams - Do I Have To Say The Words? – 1992
Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com
Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com
10.6.11
Guia American Express
Consultório #65
"(...) Tenho 24 anos e chego a esta idade sem nunca ter tido namorado, sem nunca ter sequer "curtido" com ninguém. Claro que me traz muito desconforto, insegurança, poucas pessoas o sabem. Não me sinto especialmente bonita, é muito difícil aproximar-me de um homem e sobretudo, é-me difícil conhecer um homem que me interesse ou atraia. Sinceramente acho mesmo que estão em vias de extinção. Claro que o problema é bem capaz de ser meu, não nego.
Até há pouco tempo, achava mesmo que não tinha de baixar o meu "padrão", que merecia um homem interessante (que abra a boca e consiga acertar nos tempos verbais, não é pedir muito).
O tempo passa! Estou a acabar o meu curso (medicina), sou bem sucedida a este nível e foi um objectivo que sempre quis e para o qual trabalhei e trabalho muito, eu como qualquer pessoa que gosta daquilo que faz. Mas falta-me a outra parte, tenho cada vez menos esperança. Na faculdade, poucos homens conheci (somos maioritariamente mulheres) e quando saio parece impossível conhecer alguém! Pergunto-me se serei das poucas mulheres da minha idade com este sentimento (sendo que tenho uma amiga numa situação parecida). Por outro lado, não escondo que a falta de intimidade me causa um enorme constrangimento e sinto que é uma bola de neve (como vou explicar a alguém a minha falta de experiência?). Sinto que tenho uma idade “relacional” de 10 anos.
No Verão, conheci um homem pelo qual me interessei muito e com o qual saí algumas vezes. Há muito tempo que não sentia o que me fazia sentir (a taquicardia, a novidade, o flirt...) e, por momentos enchi-me de esperança e coragem, mantive o contacto, enviei mensagens e saímos. Apesar de eu ter feito entender que estava interessada nele, nunca percebi exactamente em que "onda" é que ele estava; também nunca consegui aproximar-me dele fisicamente. Entretanto, ele deixou de me responder aos SMS. Eu percebo que ele não estava interessado, mas além da desilusão ficou a sensação de que será cada vez mais difícil aproximar-me de alguém. Também já pensei, confesso, em tentar qualquer coisa momentânea, mas eu mal consigo aproximar-me de alguém, quanto mais chegar a uma relação sexual.
Enfim, espero ter-me explicado minimamente! Não acho que tenha a melhor auto-estima, mas também não me sinto mal comigo; sinto-me mal por nunca ter sentido interesse de ninguém por mim, sendo que acho, sinceramente que sou tão merecedora como qualquer mulher. O pensamento “o que elas têm que eu não tenho?” assola-me o espírito muitas vezes, estupidamente".
Olá Maria!
Quando quis começar a resposta, algo me falhou. É clara a sua explicação de nunca ter tido um namorado, de ser virgem, mas não sei se percebo o que quer dizer com "sem nunca ter curtido com ninguém". Quererá dizer que nunca beijou na boca? Vou assumir que sim.
Compreendo que se sinta desconfortável, que queira fazer disso um segredo. Aos 24 anos não é comum, mas ainda tem muito tempo pela frente! Começa por dizer que não se sente bonita e coloca a hipótese de a falta de relacionamentos partir de si. E eu vou ser honesta. O que pensei foi: "Meu Deus, esta rapariga deve ser um trombolho, feia como a noite dos trovões e o que é que eu lhe vou responder?". Então tomei a liberdade de a procurar no Facebook e fiquei surpreendida. Não digo que o problema não possa partir da sua personalidade, não a conheço, mas feia é que NÃO É MESMO! Fiquei agradavelmente surpreendida. A Maria é bonita, tem traços exóticos, é magrinha, quem dera a muita gente! Do que é que se queixa? Esse assunto arrume-o, pare de se castigar que não tem razões para isso. Mesmo.
Se os homens interessantes e educados estão em vias de extinção, não sei responder. Parece-me mais que o mundo anda aos encontrões. Tenho muitos amigos solteiros, bons rapazes, educados e trabalhadores que dizem que as mulheres também estão em vias de extinção. Por isso acho mesmo que as pessoas não se encontram, o que é diferente.
A Maria é claramente bem sucedida, mas tenho de lhe perguntar o seguinte: estudar Medicina não contribuiu para se fechar em casa com os livros e fazer deles os melhores amigos? Os seus pais mantinham-na fechada em casa? Nunca lhe deram liberdade? Conheço muitos médicos e sei que alguns são obcecados de tal forma que isso se reflecte na vida social. Depois, a confiança e liberdade que os pais dão aos filhos é muito importante. É também por aí que se desenvolve a auto-confiança e que se aprende tanta coisa ao encarar a vida mais independentes.
Sinceramente, não acho mesmo que deva tentar relações ocasionais. A probabilidade de sair magoada delas é enorme. Até porque inevitavelmente tem uma expectativa muito alta. E uma ansiedade ainda maior. O que recomendo é psicoterapia. Tem de haver algo em si que impede que os homens se aproximem. Pela sua cara e pelo seu físico, não é de certeza; burra também não é, então tem de existir algum travão que não tenho como identificar, pois não a conheço. A psicoterapia vai ajudá-la, vai compreender mais coisas, vai conhecer-se melhor, e com o tempo tornar-se-á mais solta. Acredite que quando estamos bem, atraímos o que é bom.
Gostava de lhe dar mais soluções que esta, mas a psicoterapia parece-me o primeiro passo. Embora a Maria ache de certeza que não tem resistências, tem de haver algo que afasta os homens e isso não está no seu exterior físico. Quando uma aproximação acontecer, o bom é que seja com alguém de quem goste e que goste de si. Quando se gosta não há problemas para dizer a verdade e não tem de ter qualquer vergonha. Como explicar?, pergunta a Maria. Como o coração lhe disser que deve ser explicado. É assim simples, mais simples do que imagina.
Não será a única pessoa nesta situação, tenho a certeza. Talvez os comentários das leitoras ajudem mais do que eu! Sorria e dê o primeiro passo!
Até há pouco tempo, achava mesmo que não tinha de baixar o meu "padrão", que merecia um homem interessante (que abra a boca e consiga acertar nos tempos verbais, não é pedir muito).
O tempo passa! Estou a acabar o meu curso (medicina), sou bem sucedida a este nível e foi um objectivo que sempre quis e para o qual trabalhei e trabalho muito, eu como qualquer pessoa que gosta daquilo que faz. Mas falta-me a outra parte, tenho cada vez menos esperança. Na faculdade, poucos homens conheci (somos maioritariamente mulheres) e quando saio parece impossível conhecer alguém! Pergunto-me se serei das poucas mulheres da minha idade com este sentimento (sendo que tenho uma amiga numa situação parecida). Por outro lado, não escondo que a falta de intimidade me causa um enorme constrangimento e sinto que é uma bola de neve (como vou explicar a alguém a minha falta de experiência?). Sinto que tenho uma idade “relacional” de 10 anos.
No Verão, conheci um homem pelo qual me interessei muito e com o qual saí algumas vezes. Há muito tempo que não sentia o que me fazia sentir (a taquicardia, a novidade, o flirt...) e, por momentos enchi-me de esperança e coragem, mantive o contacto, enviei mensagens e saímos. Apesar de eu ter feito entender que estava interessada nele, nunca percebi exactamente em que "onda" é que ele estava; também nunca consegui aproximar-me dele fisicamente. Entretanto, ele deixou de me responder aos SMS. Eu percebo que ele não estava interessado, mas além da desilusão ficou a sensação de que será cada vez mais difícil aproximar-me de alguém. Também já pensei, confesso, em tentar qualquer coisa momentânea, mas eu mal consigo aproximar-me de alguém, quanto mais chegar a uma relação sexual.
Enfim, espero ter-me explicado minimamente! Não acho que tenha a melhor auto-estima, mas também não me sinto mal comigo; sinto-me mal por nunca ter sentido interesse de ninguém por mim, sendo que acho, sinceramente que sou tão merecedora como qualquer mulher. O pensamento “o que elas têm que eu não tenho?” assola-me o espírito muitas vezes, estupidamente".
Olá Maria!
Quando quis começar a resposta, algo me falhou. É clara a sua explicação de nunca ter tido um namorado, de ser virgem, mas não sei se percebo o que quer dizer com "sem nunca ter curtido com ninguém". Quererá dizer que nunca beijou na boca? Vou assumir que sim.
Compreendo que se sinta desconfortável, que queira fazer disso um segredo. Aos 24 anos não é comum, mas ainda tem muito tempo pela frente! Começa por dizer que não se sente bonita e coloca a hipótese de a falta de relacionamentos partir de si. E eu vou ser honesta. O que pensei foi: "Meu Deus, esta rapariga deve ser um trombolho, feia como a noite dos trovões e o que é que eu lhe vou responder?". Então tomei a liberdade de a procurar no Facebook e fiquei surpreendida. Não digo que o problema não possa partir da sua personalidade, não a conheço, mas feia é que NÃO É MESMO! Fiquei agradavelmente surpreendida. A Maria é bonita, tem traços exóticos, é magrinha, quem dera a muita gente! Do que é que se queixa? Esse assunto arrume-o, pare de se castigar que não tem razões para isso. Mesmo.
Se os homens interessantes e educados estão em vias de extinção, não sei responder. Parece-me mais que o mundo anda aos encontrões. Tenho muitos amigos solteiros, bons rapazes, educados e trabalhadores que dizem que as mulheres também estão em vias de extinção. Por isso acho mesmo que as pessoas não se encontram, o que é diferente.
A Maria é claramente bem sucedida, mas tenho de lhe perguntar o seguinte: estudar Medicina não contribuiu para se fechar em casa com os livros e fazer deles os melhores amigos? Os seus pais mantinham-na fechada em casa? Nunca lhe deram liberdade? Conheço muitos médicos e sei que alguns são obcecados de tal forma que isso se reflecte na vida social. Depois, a confiança e liberdade que os pais dão aos filhos é muito importante. É também por aí que se desenvolve a auto-confiança e que se aprende tanta coisa ao encarar a vida mais independentes.
Sinceramente, não acho mesmo que deva tentar relações ocasionais. A probabilidade de sair magoada delas é enorme. Até porque inevitavelmente tem uma expectativa muito alta. E uma ansiedade ainda maior. O que recomendo é psicoterapia. Tem de haver algo em si que impede que os homens se aproximem. Pela sua cara e pelo seu físico, não é de certeza; burra também não é, então tem de existir algum travão que não tenho como identificar, pois não a conheço. A psicoterapia vai ajudá-la, vai compreender mais coisas, vai conhecer-se melhor, e com o tempo tornar-se-á mais solta. Acredite que quando estamos bem, atraímos o que é bom.
Gostava de lhe dar mais soluções que esta, mas a psicoterapia parece-me o primeiro passo. Embora a Maria ache de certeza que não tem resistências, tem de haver algo que afasta os homens e isso não está no seu exterior físico. Quando uma aproximação acontecer, o bom é que seja com alguém de quem goste e que goste de si. Quando se gosta não há problemas para dizer a verdade e não tem de ter qualquer vergonha. Como explicar?, pergunta a Maria. Como o coração lhe disser que deve ser explicado. É assim simples, mais simples do que imagina.
Não será a única pessoa nesta situação, tenho a certeza. Talvez os comentários das leitoras ajudem mais do que eu! Sorria e dê o primeiro passo!
8.6.11
Greatest marriage proposal EVER!!!
O Youtube já me proporcionou muitos pedidos de casamento originais, mas nenhum como este! Eu assumo, sou uma romântica incurável sem acreditar no matrimónio.
6.6.11
O pijama
No outro dia estava desejosa de cair na cama de tão cansada. Cheia de sono e com calor, fui à gaveta buscar um pijama mais fresco. Quando me deitei, arregalei os olhos de satisfação, pus a mão debaixo da almofada e senti que o outro pijama ainda lá estava guardado. Não me queria levantar para ir pô-lo no cesto da roupa suja, mas ali também não podia ficar. Deitado ao meu lado, o Poisoned Apple Man tratava da vidinha dele organizada num iPhone, quase sem dar por mim.
De repente encontrei a solução: peguei no pijama branco, atirei-o pelos ares e foi cair no chão, mesmo do lado do Poisoned Apple Man. Ele, ao ver a roupa voar, qual estrela cadente, não sabia se olhar para mim, se para a roupa, se para o telefone. Decidiu olhar para mim como quem procura uma explicação:
- Está do teu lado. Põe no cesto da roupa suja.
- Mas está do meu lado porque tu atiraste o pijama ao ar!
- Isso não tem nada a ver.
E o homem, doçura de homem, afastou o lençol de telefone na mão, com a outra apanhou o pijama, atirou-o para o cesto da roupa suja, deitou-se abanando a cabeça, como quem diz que nunca vai compreender a mulher e continuou a organizar a vida dele.
Foi querido, fiquei a pensar que tinha um docinho ao levantar-se para fazer uma coisa que não me apetecia fazer. E adormeci com os anjos.
Para as leitoras, o segredo é agir com naturalidade, como se a argumentação fizesse todo o sentido.
De repente encontrei a solução: peguei no pijama branco, atirei-o pelos ares e foi cair no chão, mesmo do lado do Poisoned Apple Man. Ele, ao ver a roupa voar, qual estrela cadente, não sabia se olhar para mim, se para a roupa, se para o telefone. Decidiu olhar para mim como quem procura uma explicação:
- Está do teu lado. Põe no cesto da roupa suja.
- Mas está do meu lado porque tu atiraste o pijama ao ar!
- Isso não tem nada a ver.
E o homem, doçura de homem, afastou o lençol de telefone na mão, com a outra apanhou o pijama, atirou-o para o cesto da roupa suja, deitou-se abanando a cabeça, como quem diz que nunca vai compreender a mulher e continuou a organizar a vida dele.
Foi querido, fiquei a pensar que tinha um docinho ao levantar-se para fazer uma coisa que não me apetecia fazer. E adormeci com os anjos.
Para as leitoras, o segredo é agir com naturalidade, como se a argumentação fizesse todo o sentido.
4.6.11
Do you remember? #153
10.000 Maniacs - What's The Matter Here? - 1987
Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com
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3.6.11
Consultório #64
"Estou no fundo do poço. As relações às quais dou demasiado de mim, deixam-me num caco. O ano passado tive um click à primeira vista, mas daqueles mesmo fortes que achava nem serem possíveis. Decidi então meter-me com ele. Arrisquei e fui correspondida. Eu tenho 21 e ele 27. Fui de férias logo um mês depois e a pessoa em causa fez questão de me começar a telefonar, com nenhum objectivo específico, mas para irmos falando, com aqueles toques de "se não for eu a ligar..." Ou seja, pensando eu que nas férias havia a possibilidade daquilo que se estava a construir se desmoronar, foi precisamente o contrário.
Quando voltei, viamo-nos quase todos os dias porque ele era proprietário de um café ao pé de
minha casa. Íamos ao cinema, aos cafés, a casa dele, e bastantes vezes dormi em casa dele porque queria, porque me sentia bem, porque ele fazia questão, mas dizendo-me sempre que não queria ser só duma mulher. Contudo, eu não conseguia levar aquilo a sério porque quem fez questão de manter aquele laço nas férias foi ele. Isto começou em Junho e durou até Outubro.
Um dia fui a casa dele, ficámos deitados no sofá, mas ele tinha o computador ligado e falava com uma amiga, de quem já me tinha falado. Achei lamentável. Comecei a chorar mesmo à frente dele, mas omiti-lhe o verdadeiro motivo. A partir daí notei da parte dele um afastamento. Confrontado com isso respondeu que não, que fui eu quem me afastei. Até que na passagem de ano me disse que vai dar o meu número a um amigo. Foi a gota de água. Disse-lhe que não percebia como é que sabendo que eu ainda não lhe era indiferente, me "impingia" para outro. Ele respondeu que não era nada disso, que era só para sair e fazer uma amizade. E até pode ter sido, mas acho que não era atitude a tomar, estando nós como estávamos.
A partir daqui nunca mais o vi, ou seja, há meses que não estou com ele, mantendo sempre aquele friozinho na barriga quando vejo o número dele no visor do telemóvel. Tenho recusado os convites, umas vezes com motivos válidos, outras vezes com motivos inventados. Não sei como irei reagir ao estar ao lado dele, não sei o que fazer. Já lhe disse, mais do que uma vez, que tinha gostado mesmo dele, que me era difícil assumir a normalidade que ele queria
dar. Faz-se de desentendido e continua a convidar-me para cafés.
Não queria estar assim, mas é tudo mais forte do que eu. Olho para o espelho e só vejo características más, olho para o lado e só tenho amigas comprometidas, olho para o lado, e parece-me sempre que sou eu que não mereço nada, que encontro as pessoas erradas, que forço coisas que à partida já saberia que não iriam dar certo, porque no fundo ainda queria acreditar que ninguém estaria comigo só para satisfazer necessidades fisiológicas, se é que me entende. Até disso com ele eu tenho saudades, de ficar envolvida nos braços dele. No outro dia disse-lhe isto e fiquei sem resposta.
Que saudades tenho de me sentir importante para alguém, de acordar com um sorriso nos lábios. Estou farta de fingir a toda a gente que estou bem!"
Olá L.,
eu compreendo o seu sofrimento, eu sei que é horrível e eu adorava ter uma frase que ao lê-la fizesse desaparecer isso tudo. Mas não tenho nem há nada disso. Só vai desaparecer quando tiver sofrido tudo, quando tiver chorado muito mais. As palavras que tenho para lhe dizer não são as que quer ouvir, mas tendo pedido honestidade, é isso que vou dar.
Embora me custe dizer isto, neste momento está nesta situação única e exclusivamente por sua causa, porque não deu ouvidos ao que ele disse. O facto de ele revelar interesse por si, de passar algumas noites consigo, de poder ter sido bom ou divertido, não obriga esse homem a um compromisso. A L. é que alimentou essa vontade. Não só não o obriga como nem se pode dizer que o homem tinha sido indecente, pois ele sempre lhe disse que não queria ser homem de uma mulher só. Ele disse-o com todas as letras! Quantas mulheres não davam o cabelo para ter ouvido estas palavras logo à cabeça e tomar nesse momento uma decisão? A própria L. afirma: "eu não conseguia levar aquilo a sério, porque quem fez questão de manter aquele laço nas férias foi ele". Ou seja, ele avisou, a L. não deu importância porque acha que ninguém é capaz de dizer uma coisa dessas a sério e depois acha que tendo mantido um laço durante as férias, isso é sinónimo de compromisso sério, ou de se apaixonar ou coisa parecida.
L., parece-me que é muito inocente, isso sim. Se um homem lhe desse um presente no dia dos namorados também obrigava a um significado sério? Esse homem é um tipo que não tem tempo a perder. Eu nem sequer sou capaz de lhe chamar nomes, porque ele é sério no que diz. Não é o meu modo de vida aquele que ele escolhe, não me identifico, mas pelos vistos ele nunca teve intenção de a enganar. Parece-me que ele é do género "eu sou assim, é isto que quero, está é a minha vida. Quem não gostar está no seu direito e pode bater com a porta". Mas a L. deixou-se ficar. E esse tipo de relação, ainda mais para alguém tão inocente como a L., é um veneno, uma fonte de ansiedade e sofrimento.
Não faço ideia que amiga é essa com quem ele conversou à sua frente no computador. Fora de contexto não consigo fazer qualquer comentário, mas posso dizer que falo muito (muito!) com amigos no meu portátil, estou sempre a ouvir que não largo o computador, que sou uma viciada na internet e coisas do género, e não é pelas pessoas em causa que a minha relação ficaria em perigo. A ser, seria mais depressa com o tempo que dedico à internet do que a quantidade de homens com quem falo.
Já a ideia de dar o seu contacto a um amigo é, através de um gesto, dizer que não está apaixonado e muito menos a ama. Nenhum homem quer ver a mulher de quem gosta dar-se com outros homens! Para isso é preciso que não goste dela. Uma coisa é apresentar um amigo numa determinada circunstância. Já essas coisas de ceder um contacto de alguém que nunca viu para "ficarem amigos" é ridículo. Até porque as amizades não se fazem, vão-se construindo. Ceder o contacto de alguém da forma que descreveu tem um nome noutros países: blind date. E sabe o que isso é, não sabe?
Este não é um homem que amoleça com lágrimas, é um homem centrado em si próprio. Faz muito bem em não aceitar os convites dele, já não faz tão bem em dizer que gosta dele, o que faz apenas que ele fique com o ego no alto e vá mantendo o contacto consigo, para manter o vício na aprovação "ela gosta mesmo de mim!".
Também eu já olhei para os lados e me senti mal. As amigas não tinham namorados, eram casadas, algumas tinham filhos e eu continuava no estágio 0, com medo de ficar sozinha o resto da vida, sentindo que não me identificava com ninguém, rejeitando os candidatos que apareciam, até que um dia as coisas mudaram. E não estou livre de uma desgraça que faça mudar tudo outra vez. Isto é válido para mim, para si e para toda a gente.
A vida não acabou neste homem. Não se engane. Sim, um homem é capaz de manter uma relação anos a fio só pelo sexo, a L. é que não, e isso não invalida que os outros não sejam capazes de o fazer. Não lhe diga que tem saudades do sexo com ele, não se rebaixe! Isso é tudo o que ele quer ouvir! Não sinta saudades de se sentir "importante nos braços dele" porque se olhar bem para trás, sabe apontar quando é que foi importante para ele? Este homem só tem uma coisa importante na vida dele: ele próprio e respectivas vontades. Nada mais.
No entanto, eu tenho de dizer isto: tomara a todas as mulheres que os homens fossem assim mesmo, sinceros, a dizer a verdade, sem enganar ninguém. Assim só entra nestes esquemas quem quer. Ele não foi indecente consigo. Pode ter sido estúpido, mas não a enganou, a L. é que queria que ele fosse outra coisa, transformou-o na sua cabeça, a esperança disse que ele iria ser seu, mas esse homem é como um bicho selvagem, não é uma rapariga inocente que o vai domar, se é que alguma mulher algum dia vai tomar o coração dele. Cá entre nós, ele vai ser de muitas mulheres o resto da vida, mesmo que case. É a essência dele e essa não muda.
L., chore tudo o que tem de chorar. Não precisa de fingir que está tudo bem. Um conselho? Elimine todo o contacto com esse homem, sofra o que tem a sofrer e depois, quando as coisas forem mais calmas, tudo vai mudar. Acredite em mim. E não lhe dê explicações! Um homem sofre mais no ego com o silêncio do que com quaisquer palavras brutas que possa dizer.
Quando voltei, viamo-nos quase todos os dias porque ele era proprietário de um café ao pé de
minha casa. Íamos ao cinema, aos cafés, a casa dele, e bastantes vezes dormi em casa dele porque queria, porque me sentia bem, porque ele fazia questão, mas dizendo-me sempre que não queria ser só duma mulher. Contudo, eu não conseguia levar aquilo a sério porque quem fez questão de manter aquele laço nas férias foi ele. Isto começou em Junho e durou até Outubro.
Um dia fui a casa dele, ficámos deitados no sofá, mas ele tinha o computador ligado e falava com uma amiga, de quem já me tinha falado. Achei lamentável. Comecei a chorar mesmo à frente dele, mas omiti-lhe o verdadeiro motivo. A partir daí notei da parte dele um afastamento. Confrontado com isso respondeu que não, que fui eu quem me afastei. Até que na passagem de ano me disse que vai dar o meu número a um amigo. Foi a gota de água. Disse-lhe que não percebia como é que sabendo que eu ainda não lhe era indiferente, me "impingia" para outro. Ele respondeu que não era nada disso, que era só para sair e fazer uma amizade. E até pode ter sido, mas acho que não era atitude a tomar, estando nós como estávamos.
A partir daqui nunca mais o vi, ou seja, há meses que não estou com ele, mantendo sempre aquele friozinho na barriga quando vejo o número dele no visor do telemóvel. Tenho recusado os convites, umas vezes com motivos válidos, outras vezes com motivos inventados. Não sei como irei reagir ao estar ao lado dele, não sei o que fazer. Já lhe disse, mais do que uma vez, que tinha gostado mesmo dele, que me era difícil assumir a normalidade que ele queria
dar. Faz-se de desentendido e continua a convidar-me para cafés.
Não queria estar assim, mas é tudo mais forte do que eu. Olho para o espelho e só vejo características más, olho para o lado e só tenho amigas comprometidas, olho para o lado, e parece-me sempre que sou eu que não mereço nada, que encontro as pessoas erradas, que forço coisas que à partida já saberia que não iriam dar certo, porque no fundo ainda queria acreditar que ninguém estaria comigo só para satisfazer necessidades fisiológicas, se é que me entende. Até disso com ele eu tenho saudades, de ficar envolvida nos braços dele. No outro dia disse-lhe isto e fiquei sem resposta.
Que saudades tenho de me sentir importante para alguém, de acordar com um sorriso nos lábios. Estou farta de fingir a toda a gente que estou bem!"
Olá L.,
eu compreendo o seu sofrimento, eu sei que é horrível e eu adorava ter uma frase que ao lê-la fizesse desaparecer isso tudo. Mas não tenho nem há nada disso. Só vai desaparecer quando tiver sofrido tudo, quando tiver chorado muito mais. As palavras que tenho para lhe dizer não são as que quer ouvir, mas tendo pedido honestidade, é isso que vou dar.
Embora me custe dizer isto, neste momento está nesta situação única e exclusivamente por sua causa, porque não deu ouvidos ao que ele disse. O facto de ele revelar interesse por si, de passar algumas noites consigo, de poder ter sido bom ou divertido, não obriga esse homem a um compromisso. A L. é que alimentou essa vontade. Não só não o obriga como nem se pode dizer que o homem tinha sido indecente, pois ele sempre lhe disse que não queria ser homem de uma mulher só. Ele disse-o com todas as letras! Quantas mulheres não davam o cabelo para ter ouvido estas palavras logo à cabeça e tomar nesse momento uma decisão? A própria L. afirma: "eu não conseguia levar aquilo a sério, porque quem fez questão de manter aquele laço nas férias foi ele". Ou seja, ele avisou, a L. não deu importância porque acha que ninguém é capaz de dizer uma coisa dessas a sério e depois acha que tendo mantido um laço durante as férias, isso é sinónimo de compromisso sério, ou de se apaixonar ou coisa parecida.
L., parece-me que é muito inocente, isso sim. Se um homem lhe desse um presente no dia dos namorados também obrigava a um significado sério? Esse homem é um tipo que não tem tempo a perder. Eu nem sequer sou capaz de lhe chamar nomes, porque ele é sério no que diz. Não é o meu modo de vida aquele que ele escolhe, não me identifico, mas pelos vistos ele nunca teve intenção de a enganar. Parece-me que ele é do género "eu sou assim, é isto que quero, está é a minha vida. Quem não gostar está no seu direito e pode bater com a porta". Mas a L. deixou-se ficar. E esse tipo de relação, ainda mais para alguém tão inocente como a L., é um veneno, uma fonte de ansiedade e sofrimento.
Não faço ideia que amiga é essa com quem ele conversou à sua frente no computador. Fora de contexto não consigo fazer qualquer comentário, mas posso dizer que falo muito (muito!) com amigos no meu portátil, estou sempre a ouvir que não largo o computador, que sou uma viciada na internet e coisas do género, e não é pelas pessoas em causa que a minha relação ficaria em perigo. A ser, seria mais depressa com o tempo que dedico à internet do que a quantidade de homens com quem falo.
Já a ideia de dar o seu contacto a um amigo é, através de um gesto, dizer que não está apaixonado e muito menos a ama. Nenhum homem quer ver a mulher de quem gosta dar-se com outros homens! Para isso é preciso que não goste dela. Uma coisa é apresentar um amigo numa determinada circunstância. Já essas coisas de ceder um contacto de alguém que nunca viu para "ficarem amigos" é ridículo. Até porque as amizades não se fazem, vão-se construindo. Ceder o contacto de alguém da forma que descreveu tem um nome noutros países: blind date. E sabe o que isso é, não sabe?
Este não é um homem que amoleça com lágrimas, é um homem centrado em si próprio. Faz muito bem em não aceitar os convites dele, já não faz tão bem em dizer que gosta dele, o que faz apenas que ele fique com o ego no alto e vá mantendo o contacto consigo, para manter o vício na aprovação "ela gosta mesmo de mim!".
Também eu já olhei para os lados e me senti mal. As amigas não tinham namorados, eram casadas, algumas tinham filhos e eu continuava no estágio 0, com medo de ficar sozinha o resto da vida, sentindo que não me identificava com ninguém, rejeitando os candidatos que apareciam, até que um dia as coisas mudaram. E não estou livre de uma desgraça que faça mudar tudo outra vez. Isto é válido para mim, para si e para toda a gente.
A vida não acabou neste homem. Não se engane. Sim, um homem é capaz de manter uma relação anos a fio só pelo sexo, a L. é que não, e isso não invalida que os outros não sejam capazes de o fazer. Não lhe diga que tem saudades do sexo com ele, não se rebaixe! Isso é tudo o que ele quer ouvir! Não sinta saudades de se sentir "importante nos braços dele" porque se olhar bem para trás, sabe apontar quando é que foi importante para ele? Este homem só tem uma coisa importante na vida dele: ele próprio e respectivas vontades. Nada mais.
No entanto, eu tenho de dizer isto: tomara a todas as mulheres que os homens fossem assim mesmo, sinceros, a dizer a verdade, sem enganar ninguém. Assim só entra nestes esquemas quem quer. Ele não foi indecente consigo. Pode ter sido estúpido, mas não a enganou, a L. é que queria que ele fosse outra coisa, transformou-o na sua cabeça, a esperança disse que ele iria ser seu, mas esse homem é como um bicho selvagem, não é uma rapariga inocente que o vai domar, se é que alguma mulher algum dia vai tomar o coração dele. Cá entre nós, ele vai ser de muitas mulheres o resto da vida, mesmo que case. É a essência dele e essa não muda.
L., chore tudo o que tem de chorar. Não precisa de fingir que está tudo bem. Um conselho? Elimine todo o contacto com esse homem, sofra o que tem a sofrer e depois, quando as coisas forem mais calmas, tudo vai mudar. Acredite em mim. E não lhe dê explicações! Um homem sofre mais no ego com o silêncio do que com quaisquer palavras brutas que possa dizer.
2.6.11
Caso de vida ou morte
Estou obcecada! Preciso da ajuda dos meus leitores! A minha amiga Maria Sassetti enviou-me fotos do último trabalho artístico que fez: um mural Super Mario Bros, na Rua Ivens, mesmo no centro de Lisboa. Ao ver isto, fui invadida por uma vontade anormal de voltar a jogar este jogo.




Quando o primeiro Game Boy apareceu em minha casa, vindo dos EUA, não tive direito a ele. Devia ter já um ar crescido e maduro, pelo que não fui brindada com a nova (na altura)tecnologia. As minhas irmãs tinham um para cada, os meus primos todos tinham e a mim restava-me partilhar. Não morri, mas acho que aquilo deu direito a muitas discussões é a minha vez! que sofreram intervenção parental. As pilhas, quatro de uma vez, eram consumidas num dia. Aquela despesa tinha de acabar e compraram-se pilhas recarregáveis. Esperar 12 horas para que carregassem era tortura medieval. Eu tinha níveis para ultrapassar!
Não sei se o Game Boy ainda existe, sei que sofreu modernizações, que as disquetes dos jogos mudaram e o que eu quero saber é se há alguma alma caridosa que queira ir buscar a maquineta antiga ao sótão e doar a esta criatura que quer voltar a vencer todos os níveis.
Tenho pilhas recarregáveis, não sei se o aparelho ainda funciona e a disquete do Super Mario Bros desapareceu. Nãaaaaao!


Raios e coriscos! Não posso viver assim! Eu quero jogar! Até parece que já estou a ouvir a musiquinha tim-tim-tim-plim-tinini.... Ajudem-me, por favor!
Nota: mais info para o trabalho da Maria aqui http://www.stick2target.com/super-mario-bros-in-lisboa
Nota: mais info para o trabalho da Maria aqui http://www.stick2target.com/super-mario-bros-in-lisboa
1.6.11
Eleições
Continuo sem saber o que fazer ao meu voto, mas neste tempo de reflexão percebi uma coisa:
eu é que estava bem para mandar!
eu é que estava bem para mandar!
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