31.5.11

O orgulho da mãe já não é virgem





O Arrumadinho regressou à vida e escreveu sobre este assunto que está nas capas das revistas: Margarida Menezes, fundadora do Clube das Virgens, já não é virgem.


Nunca dei atenção a esta moça para além do que lia nas capas de revistas quando passava numa qualquer banca. Nunca pesquisei informação, não sei em que consiste o tal clube, se ainda existe ou qual é o design da página. Em suma, nunca me interessei muito pela moça, talvez por nunca ter compreendido a bandeira dela ao país e por nunca ter compreendido a importância que lhe davam (ou deveria dizer aproveitamento?). Não vejo por aí manifestos já-perdi-a-virgindade e acho que isso é coisa gira e nova de falar com as amigas, não com o país.


Quando li o texto d'O Arrumadinho e vi as fotos, percebi que a pequena deve ser de facto muito curta de cabeça. Olhei para aquela capa de revista e imaginei a mãezinha dela de olhos brilhantes, tal o orgulho, na merceeria do bairro:


- Olhe-me estas curvas da minha filha! Já viu mulher mais jeitosa? Ela é o sonho de qualquer mãe: famosa, nua na capa de uma revista e virgem! Ai, ela é virgem, não vai com qualquer um que ela tem a cabeça no sítio!


Encantador.


A pequena andou anos a agitar a bandeira só perderei a virgindade com o meu príncipe encantado, com alguém que me ame de verdade. Exige um homem cheio de qualidades, correcto, honesto, cheio de príncipios e educação. E a minha pergunta é esta: então e esse homem, esse príncipe, procura o quê?


"Homem procura mulher básica, de inteligência curta, nenhum ícone de beleza, ensaios fotográficos semi-nus para revistas no curriculum - ou seja, que mais de metade dos homens do país já a tenha visto como ninguém a vê na rua - silicone no peito e divulgação nacional do facto."


Eu meto dinheiro em como esse homem de sonho que ela procura não vai aparecer nunca. Esses homens não procuram este tipo de mulher.

30.5.11

Enquanto não me tirarem o pio, não me calo #5

Olá Ana Isabel,

venho por este meio informá-la que desisti de comprar as suas sabrinas. Como vendedora, o seu comportamento foi deplorável, pelo que dou conhecimento desta situação ao Custo Justo, na esperança que removam a sua conta, como fizeram numa situação semelhante que tive com uma vendedora da sua categoria.

Estabeleci contacto consigo por SEIS vezes para tentar comprar as sabrinas. O primeiro contacto tem a data de 4 de Abril! Desde então, inúmeras vezes lhe perguntei se me podia enviar mais fotos, garantindo sempre que sim e desculpando-se com trabalho. Depois disso, deixou de me responder às mensagens, desprezando-as como uma doença, como quem não tem qualquer obrigação de dar resposta.

A Ana Isabel é um retrato dos profissionais que este país tem, ainda que fosse apenas para vender umas sabrinas suas. É um retrato na medida em que produz pouco, deixa para lá, deixa de dar respostas e, pior, tenho a certeza que dorme bem com isso. A si bastava-lhe dar-me uma única resposta que dissesse "peço desculpa, mas desisti da venda das sabrinas". Era o suficiente, eu aceitava e tinha uma resposta. Se tivesse sido educada, escusava de ter insistido, de ter perdido o meu tempo e poderia ter procurado outras soluções que entretanto encontrei.

A Ana Isabel, estudante ou trabalhadora, não deixou dúvidas que vai ser sempre uma má profissional. Falta-lhe no sangue algo de fundamental: rigor. Nao tem nenhum, nem sequer um rigor atrasado.

E assim vai o país à deriva, minado de pessoas como a Ana Isabel. O meu eterno lamento que detesto pessoas "poucochinhas".

Cumprimentos.

PS - Esta mensagem não carece de resposta, não vá dar-lhe agora uma súbita necessidade de rigor.

28.5.11

Do you remember? #152





Chris de Burgh - Missing you - 1988

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

27.5.11

Consultório #63

"Sou a Maria, tenho 24 anos e namoro com o João, também de 24 anos, há 5 anos, e com quem vivo há um ano e meio. Somos ambos estudantes universitários, pelo que conhecemos diariamente pessoas novas na faculdade. Este ano, como todos os anos, entraram novos alunos para a faculdade. Existe um deles, o Tiago, com 20 anos, que eu até já conhecia e que ultimamente tem demonstrado um interesse especial por mim, tendo chegado a confessar que, realmente, se sente atraído por mim, mas também referindo que sabe que sou comprometida e que não vai fazer nada que possa ir contra essa situação.

A verdade é que o João nunca foi o meu “tipo”, isto é, apaixonei-me por ele, mas ele não é uma pessoa romântica, nem tão pouco é alguém com quem chegue a casa e converse sobre o meu dia nem nada que se pareça, como sempre idealizei que seria o meu namorado. De qualquer forma, a nossa relação tem resultado, com altos e baixos pelo meio, com alturas em que só me apetecia mandar tudo para as urtigas. Mas estamos bem neste momento.

A situação é: tendo alguém que exprime uma ternura sincera por mim (aparte da atracção física), sinto-me um pouco dividida. Por um lado existe o João, com quem tenho uma relação um tanto instável, é certo, mas que me aturou em todos os momentos, me ajudou quando precisei, mas que não sabe muito bem como exprimir o seu amor por mim. Por outro lado, existe o Tiago que é uma criatura que me eleva o ego (e acho que este é verdadeiramente o cerne da questão), que exprime uma verdadeira ternura por mim, que me faz gostar de estar com ele, de conversar, ouve-me como se não houvesse mais ninguém, sorri, e sem dizer directamente o que eu sei que ele está a pensar, faz-me sentir valorizada.

No meio de toda esta confusão emocional não sei bem o que fazer. Sugestões?".


Olá Maria,

sinceramente, não me parece que a Maria queira um conselho. Quer antes uma palmadinha nas costas!

Eu acredito pouco na durabilidade das relações quando se é muito novo. A Maria tinha 19 anos quando começou a namorar com o João e já leva mais tempo de namoro do que seria expectável na altura. Isto não quer dizer que um namoro iniciado aos 19 anos não tem futuro, mas é pouco provável. Tenho uma leitora que casou com o namorado da adolescência e não quero que ela se sinta ofendida (que já se expressou sobre o assunto), mas acho que ela é a excepção e não a regra. Ou seja, é pouco provável que isso aconteça.

A questão é que nessas idades jovens as personalidades mudam, as vontades, os desejos, os objectivos e tudo isto torna difícil manter as duas pessoas no mesmo caminho. Por outro lado, quando a Maria se interessa pelo Tiago, o mais provável é já não gostar do João. Mais, a sensação que dá é que gostou do João mas nunca o amou. Foi-se deixando levar porque vivem juntos, porque ainda estudam e provavelmente dividem despesas, porque não é nada de mais nem de menos, e assim sempre deu para manter o equilíbrio.

No entanto, deve parar para se perguntar o que realmente quer, sabedo que não pode (ou não deve) ter tudo. Se não estará a dar o João por garantido (o que traz sempre alguma falta de sal à relação) e não terá apenas uma curiosidade pelo Tiago. Embora o Tiago a faça sentir que tem mais a ver consigo do que com o João, também não se esqueça que as aparências iludem, que o Tiago sabe menos da vida do que a Maria, que é mais miúdo, que se calhar quer é ter várias experiências e não namoros, que se calhar o que parece ser lindo em menos de uma semana se torna feio.

Qualquer que seja a sua decisão, ela é sua e está livre de a tomar. O mais importante é o que respeito e o carinho com que vai tomar conta da situação.

25.5.11

Passatempo POR UM FIO - Resultado

Ora, aqui estou para revelar o nome da vencedora do passatempo POR UM FIO.

O número sorteado foi o 28, a vencedora é a Andreia Fernandes!, que tem de me enviar um e-mail para amacadeeva@gmail.com





Quem não ganhou, não fique triste. Podem sempre encomendar peças na página da POR UM FIO. Para ver basta clicar aqui.

O Padre é que sabe. Ou não

O anterior, foi um fim-de-semana agitado. No Sábado tive um baptizado logo ao meio-dia. Grande repasto, muita comida. Fui para casa mudar de roupa, dormir, arranjar-me outra vez e segui para um casamento. Nunca comi tantas amoras e framboesas de uma vez. E dancei com o Poisoned Apple Man que, descobri numa valsa, cada passo, cada pisadela. Tenho de arranjar protectores para os meus sapatos de festa.

Banquetes e danças à parte, o Poisoned Apple Man é uma criatura completemente agnóstica. Já eu, digo que sou católica não praticante. Mas na verdade ele acha que eu estou é confusa. Eu construo a minha fé, com as minhas regras e as minhas cores e sinto-me melhor assim.

O baptizado decorria num dia de calor abrasador, o homem de fato suspirou durante a longa cerimónia, sei que o que ele queria era brincar com o iPhone, mas lá teve de se aguentar como um homem crescido. Estavam na igreja mais crianças que adultos, eram mais de trinta (não é exagero, é precisão) que se arrastavam pelo chão, gritavam, corriam, ameaçavam atirar santos ao ar, pisavam as pessoas. Um encanto, mesmo como eu gosto.

O Poisoned Apple Man ainda se metia com uma ou outra criança que ia passando, procurava brincar e eu só queria dar pontapés nos sebentos dos miúdos que se encostavam ao meu vestido branco. Eu assumo: só mimo as crianças da família e os filhos dos meus amigos. O resto é lindo, mas ao longe.

No meio desta selvajaria, tomei atenção às palavras do Padre, um discurso que não tinha ouvido antes. Fiquei sentada a pensar naquilo e na hora de ir embora o Poisoned Apple Man perguntou no que estava a pensar.

- Não faz sentido. O Padre esteve a cerimónia toda a dizer que os católicos são escolhidos por Deus. Ora, quem não é católico é porque não foi escolhido. Então, por que é que a igreja chama os não escolhidos de infiéis, de coitadinhos, de adoradores do diabo, de perdidos? Se tu não foste escolhido foi uma opção de Deus, não deves ser condenado por isso. Foi Ele que decidiu assim.

- ...

- Achas que posso perguntar ao Padre no almoço?

- Não! Levanta-te, vamos embora.

Começo a achar que isto dos Padres é como nos médicos. Cada um tem a sua opinião e por isso trato eu de construir a minha fé com os meus ideiais.

21.5.11

Do you remember? #151





Madonna - Like A Prayer – 1989

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

20.5.11

Consultório #62

"Tenho 26 anos e (...) namorei durante 1 ano com um rapaz que depois terminou comigo por querer estar sozinho e pôr a sua cabeça no lugar. Não se sentia com vontade de estar numa relação e, consequentemente, investir nela. De facto, tempos antes deste dia, já o notava distante e completamente diferente comigo do que tinha sido até então. Eu própria já estava descontente, porque não o via minimamente interessado, mas como a esperança é sempre a última a morrer, pensei que melhores dias viriam e que as coisas acabariam por se compor. Estava redondamente enganada e, ainda assim, foi um choque e fiquei "desesperada".

No entanto, algo me dizia que as coisas ainda não tinham acabado e que alguma coisa havia ficado por fazer. Meses depois, ele começou a restabelecer contacto (...) Como eu entretanto fazia anos, com o pretexto de me dar uma prenda, quis encontrar-se comigo e a partir daí fomos falando e estando em contacto (...) Lá me disse que tinha sentido saudades, que tinha conseguido orientar-se, falámos de tudo o que nos tinha ido no pensamento (...) Eu consegui dizer-lhe que ele me tinha deixado mesmo mal e fiz questão de dizer que não queria que isso voltasse a acontecer. Decidimos voltar, com a condição de fazer tudo diferente, ou pelo menos, tentar. Da primeira vez, a rotina foi um dos grandes motivos que nos fez acomodar e sentir-nos saturados. Conseguimos não nos ver todos os dias, para espicaçar a saudade e essa foi, aliás a única coisa que verdadeiramente mantivemos. De resto, meses passados, voltou tudo ao mesmo.


Eu sou uma pessoa muito pouco pró-activa, é-me difícil tomar a iniciativa, e confesso que criatividade não tenho muita. Apesar disso, fui sempre tentando sugerir novas coisas, novos programas, para vencer a rotina e as coisas serem, efectivamente, diferentes. Mas ele conseguia ser ainda pior do que eu e arranjava sempre razões (ou desculpas) para não irmos: estava cansado, tinha de estudar (ele ainda não terminou o curso e eu já trabalho, coisa que eu acho que sempre o desmotivou), tinha arrumações para fazer ou qualquer outro motivo.

A "gota de água" foi há duas semanas: ao fim de um dia inteiro a dizer que estava cansado (...) e de não nos vermos há 3 dias, ele resolveu ir sair com os amigos. O motivo não é, obviamente, ele ter saído com os amigos. Foi a gota de água, porque se tivesse sido eu a sugerir sairmos, uma vez que até era véspera de feriado, ele não teria aceite de certeza. Assim sendo, "provoquei" eu a discussão e acabámos por decidir terminar tudo, se bem que desta vez de forma diferente.

Tentei entendê-lo e até fiquei com a sensação que tínhamos ficado relativamente "bem", visto que as coisas acabaram por mútuo acordo. Ele voltou a dizer-me as mesmas coisas, que não queria estar numa relação, nem normal nem sem ser normal (já que eu, segundo ele, queria estar numa relação dentro dos parâmetros "normais"), que queria estar sozinho, era assim que se sentia bem e não conseguia explicar porquê. Assumiu que talvez precisasse de ajuda, já que não era nada de novo e assumiu ainda que, se não fosse eu a ter provocado o assunto, provavelmente ele teria continuado a deixar as coisas andarem como estavam.

Desta vez eu até fiquei bem, não no desespero em que havia ficado da outra vez (...). Estava tudo a andar, quando uma semana depois, no Facebook, aparecem comentários dele a fotos de uma colega de curso, inclusivamente um comentário no qual ele lhe chamava o nome que me chamou no início da nossa relação. Além disso, pôs fotos da esplanada onde esteve à tarde a aproveitar o sol, bem como uma frase no perfil a dizer que estava a jantar em muito boa companhia.

Eu admito que muitas relações não funcionem com determinadas pessoas, e funcionem mais facilmente com outras. Mas o que me magou verdadeiramente foi ele não ter sido sincero e ainda publicar as coisas no Facebook, sabendo perfeitamente que eu ia ver. Ando a tentar canalizar a minha raiva, ciúmes, orgulho ferido, tristeza ou seja o que for, noutras coisas, mas tem sido difícil".

Olá A.,

já escrevi anteriormente sobre a questão da naturalidade numa relação. Quando as coisas são forçadas, desenhadas a régua e esquadro... bem, é o caminho para a desgraça. Eu compreendo que possam existir fases mais rotineiras, menos fogosas, mas a vida é mesmo assim. Na vida pessoal também temos uma rotina, no trabalho as coisas nem sempre são cativantes; com a família é a mesma coisa e por aí fora. Mas, são fases. Quando essas situações não passam de ciclos que vão e vêm, o cenário não é simpático. Se é assim para combater a rotina num namoro, imagine a dividir o mesmo tecto.

Ou seja, pelo que descreveu essa é uma relação em que a A. tinha de estar em contínuo esforço, o que não é natural. Teve de andar a arranjar esquemas e situações diferentes, sem que acontecessem por naturalidade. Não fez por arranjar programas diferentes porque podia ser giro, mas porque tinha de ser senão ia tudo por água abaixo. E isso é desgastante. Não é uma relação é um inferno.

Histórias como "não estou bem comigo próprio, preciso de um tempo", "não estou disponível para compromisso sério e duradouro", "não consigo investir na relação porque estou com o colesterol alto", são explicações que cheiram a esturro, que é como quem diz, cheira a terceiras pessoas. E se não mete terceiras pessoas, cheira a não gostar. Qualquer uma das hipóteses é boa para eliminar esse rapaz como parceiro. Aprendi que homens com este tipo de discurso tarde ou nunca se endireitam. Estou mais pelo "nunca".

Ainda ia a meio do texto, onde me contava sobre o discurso dele e eu já pensava "isto cheira a mulher". No fim, já estava a confirmar o que esperava. Eu não duvido que ele possa ter gostado de si, mas o que gostou, não parece fazê-lo agora com a mesma intensidade. Esse homem é só desculpas e, pelos vistos, o trabalho para que o menino se sentisse bem na relação, para que as coisas fossem como o menino gostava, era seu. Da parte dele, muito queixume e nenhuma acção. Ele tratava de fazer a vida dele, a A. que se esforçasse. Ao fim de um dia cansativo, não tem tempo para si, mas tem para ir beber copos com os amigos. Isto é gostar alguém? É que nem sequer é uma chamada em que lhe diz "sei que disse que estava cansado, mas o Zé das Couves vai ver um jogo com o resto do pessoal e eu gostava mesmo de ir, não te importas?". Isto é ter cuidado, mudar de ideias, mas o que ele fez é estar-se nas tintas para si.

Essa afirmação de ele não querer "estar numa relação, nem normal nem sem ser normal" é dizer "quero tudo, não me quero chatear com nada. Vejo-te quando me apetece, faço o que quiser nas horas vagas". Depois, é claro que todos estes homens precisam de ajuda mental. Como a mãe não levou o Nestum à cama até terem pêlos na barba, são uns pobres traumatizados. Não tenha dúvidas, homens com esta conversa preferem admitir que não funcionam bem da cabeça a dizer que querem várias mulheres ao mesmo tempo.

Uma semana depois do fim do namoro já está a chamar uma outra rapariga pelo nome que a chamava a si, a deixar comentários em como está a jantar em tão boa companhia e o diabo a sete. Isto é, mais uma vez, estar-se nas tintas para si. Em alternativa, não se está nas tintas para si, mas o seu sofrimento dá-lhe gozo. Esta é uma espécie que gosta de encher os pêlos do peito, como fazem os pavões com as penas.

Não pense que essa mulher apareceu agora. Mais parece que da primeira vez que se "ausentou" esteve com uma outra, as coisas correram mal e voltou para si. Agora apareceu esta oportunidade, deixa a A. à beira do prato e segue a vontade dele. Depois, quando as coisas começarem a correr mal, voltará a tocar à sua porta, não duvide.

Cara A., eu lamento, mas esse homem já não tem coisas boas para lhe dar. No passado até pode ter sido maravilhoso, mas este é o verdadeiro "eu" dele. E vai pôr e dispor de si sempre que permitir. Abandone-o, brinde-o com o seu silêncio, apague-o do Facebook para não ter de sofrer em vão e quando os dias forem menos sofridos, aparecerá alguém que vai gostar de si e dar-lhe a "normalidade" de uma relação como entende ser boa, sem condições e sem "ai, que hoje estou tão fraco de mente que não consigo cumprir com as minhas responsabilidades e compromissos".

Ele que vá acabar o curso e crescer para a vida, a A. é mais madura que isto.

18.5.11

Enquanto não me tirarem o pio, não me calo #4

Exmos. Senhores,

escrevo-vos tomada pelo cansaço. Palavras faltam para que expresse a minha ira com o moroso, incrivelmente moroso!, trabalho da Alfândega de Lisboa.

No dia 18 de Março, chegou a Lisboa uma encomenda em meu nome, contendo umas botas. Fui informada que as botas eram suspeitas de contrafacção e só poderiam ser libertadas quando um representante da marca ditasse uma qualquer sentença.

E estou à espera.

E à espera.

O tempo passa e continuo à espera.

E o país envergonha-me. Eu compreendo que a Alfândega de Lisboa estabeleça acordos com as marcas, mas apenas e quando esses acordos funcionam, o que está longe de ser o caso! A Alfândega de Lisboa TEM DE estabelecer um espaço temporal no qual as marcas cumpram o propósito da colaboração. Não é isso que acontece. Arrastam-se no tempo, estão-se nas tintas, é uma profunda e total falta de respeito e de consideração pelas pessoas. Não tenho palavras para este desprezo.

Cansada do vosso trabalho, desisti de encomendar todas as coisas que compro no estrangeiro (roupa, sapatos, cosméticos, etc.) para Portugal. Passei a chamar a Alfândega de Lisboa de "inferno na terra". Não há respeito. E não se pense que deixei de fazer encomendas. Não, o que faço é enviá-las para outro país, civilizado, onde moram familiares meus. Sempre que os visito ou me visitam, o que acontece com regularidade, recebo a encomenda.

E explico o que é um país civilizado: vou seguindo a encomenda pelo seu código, num dia entra na alfândega, no dia seguinte está a sair. É assim que se trabalha. Já recebi quatro embalagens. E quando há taxas de alfândega a pagar, quem é que recebe? Não, não é Portugal, um país à beira da bancarrota, que pediu um empréstimo de tantos milhares de milhões e podia ir vendo a dívida diminuir com este tipo de contribuições. É que eu não me importo de pagar, só quero é que funcione! Mas não, este é um país de burros. E devo dizer, ao país para onde envio as encomendas, o que não falta é dinheiro! E daí deduzo, quem é que sabe?

Uma amiga minha viu-se grega para levantar um vestido de noiva. Um amigo viveu um inferno para levantar um vidro. Não há ninguém que levante uma encomenda sem dramas, este não é um sistema feito para funcionar.

Quando explico que a minha encomenda é uma troca, conforme deve estar explicado na factura anexa à embalagem, perguntam-me "procedeu ao aperfeiçoamento pasivo"? E eu pergunto, quantas pessoas sabem o que isso é?

Deste e-mail pretendo três coisas:

1. Que me dêem uma resposta que não seja "não sabemos".


2. Que me informem onde posso encontrar o vosso livro de reclamações.

3. Que reencaminhem este e-mail ao Ministro Teixeira dos Santos, pode ser que aprenda alguma coisa e tome medidas, porque esta foi a minha última encomenda para Portugal, sobretudo quando percebo que por outra via tudo corre sem problemas e sem dramas dignos de novela.

Nota: As botas chegaram a 16 de Maio depois desta reclamação. Vale a pena protestar! 2 meses na Alfândega, coisa pouca!

16.5.11

A massagem

Eu sou uma mulher que adora massagens e tenho um homem que não faz massagens. Sou quase infeliz, portanto.

Eu sou uma mulher que adora massagens e tenho de pedir, insistir, às vezes amuar, para receber três esfregadelas nos pés com creme hidratante. A sensação deve ser semelhante à de um porco a ser desmembrado, mas antes isso que nada.

Nunca o vi desesperar pelas minhas massagens, mas volta e meia sei que faz umas nos hotéis, quando vai para longe. A última foi há uma semana. Eu sabia disto e foi o tema de conversa num jantar com amigos porque uma das convidadas, minha amiga, trabalha na área.

Ele começou a fazer perguntas, a brincar, até que lhe perguntou se alguém se "descascava", que é como quem diz se fica de pirilau ao léu e dá um ar de sua graça, a ver se ela gosta e proporciona finais felizes. Ela confirmou, parece que às vezes apanha malucos que tiram a roupa toda. Até que o Poisoned Apple Man respondeu:

- Estou a brincar, mas eu também tiro. Fico só com uma toalha a tapar as partes.

Fiquei com a salada suspensa no ar. O grande cabrão, tem mais defeitos do que eu pensava.

Ao ver a minha reacção, pousou imediatamente os talheres e para me acalmar, explicou:

- Mas quando a massagista passa as mãos nas pernas, cá em cima, e quase me toca nos tomates, eu só tenho vontade de rir!

E eu fiquei muito mais calma. Meto dinheiro em como é uma toalha de bidé. Uma folhinha de Adão.

14.5.11

Passatempo POR UM FIO - aviso

Para quem não sabe, o blogger esteve em baixo cerca de dois dias. Nenhum autor tinha acesso ao backoffice do blog e nem os leitores podiam comentar.

Houve quem perdesse um ou outro texto, eu não perdi nada, mas as participações ao passatempo POR UM FIO (comentário indicando nome e endereço de e-mail) sumiram-se!

Mas sumiram-se apenas do blog, porque eu tenho um ficheiro com todas as participantes por ordem numerada.

Assim, podem continuar a participar que quem concorreu mantém-se.

Obrigada!

Nota: Quem não tem facebook pode, em alternativa, tornar-se seguidor/a da página POR UM FIO.

Do you remember? #150





Phil Collins - Another Day in Paradise - 1989

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

13.5.11

Consultório #61

"Estou casado há 3 anos com a Maria e, quando nos conhecemos há 10 anos, apaixonámo-nos rapidamente. Sempre nos demos lindamente e o deslumbramento inicial evoluiu para um amor forte e uma relação estável. Não me lembro de termos tido alguma discussão séria e quando das duas ou três vezes que nos chateámos nunca fomos dormir sem antes resolver o problema. Ambos temos famílias e grupo de amigos grandes que se deram lindamente e ao fim de 4 anos começámos a pensar em viver juntos e casar.

Nessa altura a Maria teve um acidente e esteve um mês nos cuidados intensivos. Depois disso ainda esteve três meses no hospital e cerca de um ano e meio mais de recuperação durante o qual teve uma depressão. Estive sempre ao lado da Maria, mesmo tendo a consciência de que a pessoa que tinha ao meu lado não era a mesma pela qual me apaixonei e sem saber ao certo se alguma vez voltaria a ser (…)

Aproximadamente um ano depois do acidente, com a Maria em profunda depressão, conheci uma rapariga no Algarve. A Kate é inglesa, tinha 19 anos e estava a estagiar numa empresa de turismo. Fizemos um click imediato, demo-nos lindamente primeiro como amigos (…) e depois mais do que isso (…) Vivemos durante praticamente seis meses uma relação de fim-de-semana. O regresso da Kate a Inglaterra coincidiu com um período de melhoria substancial da Maria que procurou reatar a nossa relação que estava há dois anos em banho-maria. Tive que tomar uma decisão e, por mais apaixonado que estivesse pela Kate, acabei por optar por tentar reatar a maravilhosa relação que tinha tido com a Maria durante quatro anos antes do acidente.


Ao princípio custou-me mas ao fim de um ano a Maria tinha recuperado completamente e estávamos outra vez tão bem juntos que decidimos comprar casa e casar (um dia de felicidade total!). Durante dois anos vivemos super felizes (o casamento não alterou nada ao contrário da tua "fobia") e começámos a pensar ter filhos. Durante este tempo, e depois de um ano sem qualquer contacto, voltei a falar com a Kate por e-mail e Facebook, esporadicamente. Tudo normal e vivia com a certeza que tinha tomado a decisão correcta.


No Verão passado a Kate regressou a Portugal em trabalho (…) Começámos a falar com regularidade e, devo confessar, pontualmente com um pouco de flirt. Entre trabalho e outros compromissos acabámos por nos encontrar (…) No segundo em que a vi (…) senti um murro no estômago e tive a certeza que a minha paixão por ela não tinha acabado (…) Da segunda vez que nos encontrámos caímos nos braços um do outro e retomámos a nossa relação de fim-de-semana.

Mais ou menos na altura em que a Kate regressou a Portugal, eu e a Maria começámos a ter alguns problemas. O meu trabalho obriga-me a estar fora de Lisboa com frequência. Isso causa uma grande tristeza na Maria que queria que pudéssemos dormir juntos todos os dias. Desde que casámos a Maria teve uma ameaça de recaída da depressão e nessa altura arranjei trabalho no escritório (…) Foi um excelente período para nós porque estávamos muito mais tempo juntos, mas profissionalmente, para mim, foi desesperante! Adoro trabalhar no terreno e não tenho feitio para estar fechado num escritório.

Ao fim de 6 meses regressei ao trabalho de rua. A Maria apoiou esta minha decisão mas com ela regressou também uma certa tristeza e insegurança acerca do futuro. E sempre que a Maria está triste, regressa o fantasma da depressão. Como podemos conciliar a necessidade dela em estar perto de mim com a minha incapacidade de trabalhar todos os dias no mesmo sítio?

É neste contexto de mini-crise que surge o regresso da Kate a Portugal e à medida que a nossa relação de tornava mais forte mais me afastava da Maria. Deixámos completamente de fazer amor e eu passei a viver dividido entre o reatar de uma paixão que apenas tinha estado adormecida e o tormento de estar a quebrar o compromisso que fiz com Maria para toda a vida (saúde ou doença, alegria ou tristeza!). A Kate estava numa situação parecida (com as diferenças que ela não é casada e a relação dela só tem dois anos) e sentia exactamente o mesmo do que eu.

Estivemos cerca de 6 meses nesta situação mas ambos sabíamos que não era sustentável e decidimos que tínhamos que tomar uma decisão (pela 2ª vez). Remoí durante esses 6 meses o que havia de fazer, comparei o que seria a minha vida com a Maria e com a Kate, pensei se poderia alguma vez encontrar um equilíbrio com a Maria, fiz uma introspecção para tentar saber como me sentiria melhor comigo mesmo. Falei com um grande amigo meu.

Encontrámo-nos para tomar uma decisão. A Kate disse que era comigo que queria ficar para o resto da vida. Eu disse-lhe que não conseguia deixar a Maria. O meu raciocínio foi o seguinte, Poisoned: neste momento tenho a certeza absoluta que a Kate é a mulher da minha vida. Amo-a profundamente, sentimos uma paixão como nunca senti e temos/tínhamos uma relação de cumplicidade total que não acredito seja possível voltar a ter. Lemos os pensamentos um do outro, sentimos o mesmo, apoiamo-nos e ajudamo-nos. Mas não creio que conseguia viver com o facto de ter quebrado um compromisso com a Maria, uma relação de 10 anos que já teve altos e baixos (como todas) mas que resistiu e que se foi tornando mais forte com cada crise.


Acredito que as pessoas definem-se essencialmente pelos seus actos e pelas escolhas que fazem e não consigo esquecer que a mesma certeza que tenho sobre a Kate já tive com a Maria. Não quero ser uma pessoa que quebra compromissos e falta à sua palavra por causa de uma paixão. O "fim" de viver o que acredito ser o amor da minha vida não justifica "os meios" de quebrar um compromisso de uma vida em conjunto que foi assumido perante a Maria, eu, os amigos, a família e Deus".


Olá João!

Depois de ler e reler o seu e-mail, não sei o que lhe diga sobre uma série de aspectos. Mas outros há em que sei o que lhe dizer. Uma dessas certezas (e por favor não se ofenda) é a de que a Kate é uma miúda. Ela pode ser fantástica, mais madura que outras mulheres da idade dela mas a vida adulta dela ainda agora começou. Eu não duvido que ela goste de si, mas da mesma forma que gostou da pessoa que entretanto partiu, o mesmo fim pode acontecer consigo. A vida é feita de várias fases, estamos sempre em crescimento e à Kate ainda lhe falta muita coisa. É claro que uma relação entre um homem e uma mulher que tem menos 10 anos que ele pode resultar. Eu acho que tudo resulta enquanto dura e também acho que tudo é eterno enquanto dura.

Expressões como "é o homem/mulher da minha vida" é coisa que só se sabe já velho e quando se olha para trás. Para saber qual foi a pessoa da nossa vida é preciso olhar para trás e não para a frente.

Eu acredito que durante um casamento passe (mais do que uma vez) um passarinho verde carregado de novidade, de frios na barriga e de questões. Acredito que se pergunte, mais em jeito de afirmação do que de questão, se a sua vida não seria melhor, mais excitante e empolgante com a Kate do que com a Maria. Embora entenda que não se pode condenar ninguém pelo que não domina, espero que uma coisa destas não me aconteça nunca. Prefiro não viver essa experiência. No entanto, aquilo que sem dúvida pode ser dominar é a decisão.

Eu não gosto de paixões, nunca gostei. São perturbadoras da razão e do bom senso. Sem dúvida que dou preferência ao amor, a amar, a uma relação boa, calma, que nos deixa preenchidos e realizados. As paixões dão cabo de uma pessoa, é uma ansiedade contínua e, mais contínuo que isso, são as eternas questões "e se". As paixões são uma barulheira, o amor é muito mais calmo. À sua frente parece desdobrar-se um leque de possibilidades para uma vida que julga ser melhor do que a que tem agora, mas talvez isso não passe de uma ilusão.

Mas também acho que os casamentos não têm de durar a vida inteira caso o casal deixe de gostar um do outro, o que não é o seu caso. O seu caso passa mais por uma alternativa o que, lamento, é sempre um motivo estúpido para acabar uma relação. Se é para acabar, acabe porque já não gosta da sua mulher e não porque tem outra no encalço, ainda mais alguém tão novo e a quem falta tanta experiência de vida. Alguém com quem nunca viveu nada mais do que o nervoso do proibido que deve apimentar muito as coisas. Depois, da porta de casa para dentro, tudo é diferente.

Por outro lado entendo o peso que a Maria deve representar para si. Por outras palavras, ela é emocionalmente dependente do Joºao, o que deve ser uma coisa difícil de suportar. Inevitavelmente, isso controla-lhe a vida e fá-lo sentir numa prisão. Não tenho dúvidas que deve ser difícil ter de fazer até escolhas profissionais em função de uma maior disponibilidade para ela. Inicialmente, pensei que a Maria tinha sofrido um acidente que a tinha deixado limitada do ponto de vista físico, mas sendo afinal algo de emocional, por um lado é menos grave, por outro torna tudo mais pesado. Eu compreendo muito pouco a fraqueza humana. Eu percebo que uma pessoa fique de rastos, que chore, que se humilhe, que perca a auto-estima, mas não compreendo um descontrolo mental que deixa alguém à mercê de comprimidos, internamentos e médicos porque não compreendo a falta de reacção.

Não duvido que a Maria seja hoje outra pessoa, é mais que compreensível que o João sofresse um desencanto, é mais que possível que a dependência dela sobre si seja um fardo muito pesado de aguentar. Mais do que a existência de uma Kate, acho que precisa de um escape para isso tudo. Esse escape transformou-se numa pessoa, na Kate, mas eu não acho que seja uma escolha sábia. Mais do que gostar da Kate, o João tem saudades do tempo em que sentia menos 10 Kg nos ombros, tem saudades do tempo em que andava mais ligeiro, com menos obrigações, tem saudades do antigamente. Mas não se esqueça que a decisão de casar veio depois do problema da Maria. Logo, já sabia, não era nada de novo.

A sua vontade de mudar aparece exactamente quando já se encontra mais saturado da falta de espaço e condicionamento que o problema da Maria lhe provoca, quando já existem anos de casado e de vida em comum. Podia ter "dado o salto" quando o barco estava parado. Não o fez porque não quis, porque tinha a certeza da opção que estava a tomar. Agora, compreensivelmente, está mais cansado. E pode ser que todo esse sentimento pela Kate não seja verdadeiro e seja apenas o inverso do cansaço que a Maria lhe está a provocar.

O que lhe falta é ver a Maria independente, solta, poder admirá-la e não saber que estará para sempre debaixo da sua asa porque não vive sem si. Na falta disso, olha para o passarinho verde que tem isso tudo. Ter alguém por garantido é o primeiro sinal de marasmo numa relação, seja namoro ou casamento.

Não tenha dúvidas quando afirma que as pessoas se definem essencialmente pelos seus actos e pelas escolhas que fazem. Quando diz que sabe que a certeza que tem na Kate também já teve pela Maria, está a dizer aquilo onde quero chegar: só sabemos que nada sabemos. É de carácter não querer ser a pessoa que quebrou o compromisso por causa de uma paixão. O maior problema não é atingir o fim de viver o que acredita ser o amor da sua vida não justificando os meios (acabar o casamento). Aqui a questão maior será o arrependimento de acabar por dar um tiro no pé, ou seja, cometer um erro a achar que estava a fazer a coisa certa e, com isso, destroçar o coração da Maria e desiludir tanta gente que vos rodeia.

Não tenha dúvidas que a Maria ficará, quem sabe irremediavelmente, arrasada, dada a sua fraqueza emocional. Também não duvide, o João será apontado como a causa disso o resto da sua vida.

Se tomar a decisão de se manter casado, deixo-lhe outro sábio conselho: leve este segredo consigo para a cova.

12.5.11

Passatempo POR UM FIO

À espera de mais um passatempo? Cá está ele!


Na POR UM FIO pode encomendar peças personalizadas, encontrar anéis, pulseiras, colares, tudo!


A POR UM FIO não só tem criação própria de bijutaria, como também disponibiliza um serviço de arranjos (troca de fechos, troca de fios, substituição de terminais e outros).


E também, a POR UM FIO tem uma pulseira Horizonte à escolha para oferecer a uma leitora do blog A Maçã de Eva. As pulseiras Horizonte podem ver-se aqui.


Para concorrer a este passatempo, basta "gostar" da página de facebook da POR UM FIO (basta clicar na marca para encontrar a respectiva página) e deixar um comentário a este post, indicando o nome e um endereço de e-mail. A vencedora será escolhida através do programa random.org


O passatempo começa hoje e acaba na próxima Quarta-feira, dia 19 de Maio, às 23:59.


Boa sorte a todas!


Esta é a minha preferida!

11.5.11

Atribuindo culpas

Um destes dias, numa semana que agarrei um biscate a ficar pronto "para ontem", não tive oportunidade de correr e a alimentação foi mais ou menos o que apanhava à mão. O resultado disto foi uma tarde gasosa, mais intensa que o habitual. Se eu fosse um cartoon, tinha nuvens pretas à minha volta.

Estava sossegada na sala, na minha vida e conectada no meu portátil, quando o Poisoned Apple Man interrompeu o passo para entrar na divisão, atirando a cabeça para trás, num gesto de sobrevivência e franzindo as peles da cara. Do lado de fora da sala perguntou:

- Já viste bem o cheiro que está aqui?

- FOI O TEIXEIRA DOS SANTOS!


Também tenho a versão "José Sócrates". Lamento, camaradas. Neste país, estou cansada de ver a culpa morrer sempre solteira.

9.5.11

Meu querido IKEA

Acho sempre que o IKEA representa um desafio à comunicação de um casal. No fundo, é também um espelho do que vai numa relação. A coisa até dá para medir mais ou menos assim: mais de cinco minutos para começarem a discutir, a relação é firme, de pedra e cal; cerca de 2 ou 3 minutos para discutir, a coisa está mais ou menos; 30 segundos para começarem a discutir e a coisa está preta. Muito preta.

Se isto é assim para uma singela visita ao IKEA, imaginem para montar uma estante. E foi isto que fizemos no fim-de-semana: montar uma estante (que ele nunca vai manter arrumada). Abrimos a enorme e gigantesca embalagem, lá tratei de separar parafusos e outras peças, tratei de entender as instruções que o homem se recusa a ler (acha que não é preciso) e comandei as operações, já que o macho não é dado a destrezas.

Antes de começar, estava a pensar no desafio que isto representava para a comunicação de um casal. Disse que já voltava, desapareci e regressei a sorrir. Ele agarrado às tábuas, perguntou imediatamente:

- Estás a rir de quê?
- Queres adivinhar?
- Foste escrever qualquer coisa no Facebook.
- Fui. Queres adivinhar?
- Oh, é fácil! Foste escrever mal de mim. Que tenho mãos de passador, que não tenho jeito nenhum, que não sei segurar num martelo. Qualquer coisa assim.
- Eu não escrevo mal de ti!
- Não. É só ir à tua página.

Pobre homem, vai-se a ver e sente publicamente destratado. Mas aquilo que escrevi foi que iamos começar a montar uma estante, "quem vai levantar primeiro a voz? Estão abertas as apostas!". E fiquei muito sentida ao perceber que todas as respostas cairam sobre mim, logo eu, a pessoa mais querida e doce do mundo. Até a minha mãe apostou em mim. Não compreendo.

Tenho a informar que a montagem da estante se deu num ápice - ou não estivéssemos sob minha orientação -, constatámos que teríamos emprego no IKEA, e ninguém levantou a voz. Foram mais desabafos do género:

1. Não marteles a prateleira quando tenho aqui os dedos!
2. Não tens força? Dá-lhe, falâncio! Saiste-me cá uma menina...
3. Estás a fazer tudo mal! Não é aí!
4. Eu não sei onde tenho a cabeça quando decido montar uma estante contigo!

E muitos suspiros profundos para conter os nervos. Tudo dentro da normalidade. Uma relação de pedra e cal, como se quer!

7.5.11

Do you remember? #149




Simply Red – Fairground - 1995

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

6.5.11

Consultório #60

"Tenho 27 anos. Namoro há 8 anos e vivo junta há 3 anos. Simplesmente não conheço o meu namorado. É um homem MUITO calado, reservado, que vive no seu próprio mundo. Sei que ele gosta muito de mim, porque já o demonstrou muitas vezes. Sou uma pessoa muito social, extrovertida, simpática e alegre, mas desde que vivemos juntos, um diálogo diário é muito difícil.

Já não sei o que fazer, estou a transformar-me o oposto da minha personalidade e já nem sei se sou feliz".

Olá S.,

obrigada pela sua mensagem que, por ser muito curta e sucinta, não sei bem o que lhe dizer.

A S., namorou 5 anos antes de se juntar. Nessa altura conhecia esse homem? Ele mudou e tornou-se calado ou sempre foi assim? Ou seja, está com um homem há 8 anos e não se sente "em casa". Claramente ele não representa aquilo que quer para si. Eu conheço casais em que ele mal fala. Isso não tem mal, desde que ambas as partes estejam satisfeitas com isso. Mas a S. não está satisfeita. No lugar de virar a atenção para o seu namorado, em vez de se perguntar por que razão ele é assim, devia mudar a direcção das questões. Devia antes perguntar-se a razão pela qual está com esse homem, o que é que a prende? O que a levou a juntar-se?

É claro que se começou a namorar com 19 anos, não deve conhecer outras realidades, não namorou muito, em suma, não tem muita experiência nesta coisa das relações humanas. Lamento, mas posso dizer-lhe desde já que esse homem não vai mudar. Nem tem de mudar, ele é o que é. Talvez a S. não tenha começado essa relação a dois debaixo do mesmo tecto pelos melhores motivos. Quase me faz sentir que deu esse passo porque fazia sentido, porque já estava habituada. Mas os anos passaram e não se sente bem, até porque sente que está a transformar-se em algo que não é.

Se não é feliz, acredito. Eu não seria feliz com um homem calado que vive no mundo dele e não partilha as coisas dele e as coisas simples do dia-a-dia. No entanto, uma mudança na sua vida só a S. pode tomar. Não há opinião no mundo que possa pedir e lhe dê uma solução simpática. A decisão é sempre sua.

4.5.11

Coco Mademoiselle em tese

Este post podia dar lugar a uma tese. Tese essa que vem confirmar que os homens são burros quando desligam o aparelho cerebral que faz ouvir a voz feminina e, consequentemente, compreender as mensagens proferidas. Ora, os homens, ao fazer como a minha tia Céu que desligava o aparelho da surdez quando não estava para ouvir os outros, quando desligam e fingem que estão a ouvir, na verdade não recebem a mensagem da mulher. Ao optar por não receber a mensagem, arranjam problemas. Logo, má opção, homens burros. Está tudo ligado.

Isto vê-se muitas vezes quando um homem está agarrado a um jornal de bola, uma revista de carros, ou outras merdas de macho e respondem às questões sem ter ouvido e processado verdadeiramente a questão. Atiram "sim" e "não" para o ar, desprezando a importância que tem a exactidão de uma resposta.

Desconfio que foi o que aconteceu quando numa loja de perfumes me perfumei com uns borrifos de Coco Mademoiselle da Chanel, perfume esse que estava a caminho de casa enviado de um outro país a um terço do preço, que eu sou uma mulher poupada. Perguntei ao homem se ele gostava, respondeu que não, que era horrível. Não fiquei convencida.

Dias mais tarde o perfume chegou ao destino no dia em que iríamos gozar um jantar em casa de uns amigos. Aperaltei-me, perfumei-me e já em casa dos anfitriões, na sala cheguei-me a ele, dei o meu pescoço a cheirar e perguntei:

- Gostas do meu novo perfume?
- Hum... gosto muito! - disse a sorrir, animado, enquanto me abraçava e apertava as carnes.

Afastei-o com desprezo.

- És mesmo reles! Estás de castigo!
- Mas..., mas eu disse que gostava!

E desapareci da sala a ver o homem a abanar a cabeça, como quem pensa que nunca vai compreender as mulheres. Na cabeça dele, eu é que sou difícil de compreender e naquele momento nunca ponderou sequer a hipótese de existir um motivo para a minha reacção. Vai saber agora quando ler.

2.5.11

Quando se discorda

Até onde se deve ir para ser uma boa mulher? Qual é o momento que define que a partir dali não estou a ser boa parceira? Não devo nunca omitir o que penso ou devo adaptar-me e ficar calada quando o assunto já está esgotado?

No mês passado estas dúvidas assaltaram-me quando o Poisoned Apple Man anunciou que se queria desfazer de dois bens para comprar um outro. Era um negócio sem pés nem cabeça, um negócio de quem quer um novo brinquedo e a quem só falta bater o pé. Um mau negócio, portanto. E eu que não percebo nada de negócios. O homem olhava para mim, perguntava-me de sorriso aberto o que achava sobre aquilo e eu não mentia: uma burrice. E ele ficava mal-disposto, irritado. Com o tempo consegui fazê-lo perceber que ele não queria uma opinião, mas antes uma palmadinha nas costas. E para não ficar irritado, o melhor era ele parar de me pedir opiniões. Já sabia o que eu pensava, não havia dúvidas a esse respeito, por isso mais valia que tomasse ele sozinho a decisão sobre aquilo que lhe pertencia. A minha opinião mantinha-se.

E o homem continuava a descer números de um lado e a subir do outro, pedia mil opiniões, e ninguém lhe dava a palmadinha nas costas que ele tanto queria. Mas o homem estava obstinado. Caramba, como consegue o homem ser obstinado! Isto durou semanas a fio e eu já não podia ouvir falar no assunto. Num jantar, cheguei a pedir a um amigo, por favor, convence-o a desistir disto! Confesso, cheguei a pedir ainda aos santos que me ajudassem nesta tarefa que parecia revelar-se inglória. Ainda tentei que o Poisoned Apple Man juntasse dois e dois: quando ninguém te dá razão e só tu achas que a tens, no mínimo deverias dar o benefício da dúvida.

Até que um dia entrou em casa de papeladas na mão, um pouco cabisbaixo e disse que já não ia para a frente com o negócio e tudo ficava como estava. Abracei-o, disse que não ficasse triste e afirmei que ainda vai muito a tempo de fazer o mesmo daqui a uns anos, com melhores condições. Juro que olhei para o tecto, fechei os olhos e agradeci. Fui ouvida.

Poucos dias depois já me dava razão e admitiu que teria sido uma estupidez. Isto tem dado lugar a umas gargalhadas da minha parte e a afirmações despojadas de humildade, como "sou tão esperta!", mas a verdade é que essa era uma razão que não me interessava ter. É horrível ter razão. E não a quero para nada, dado que não acrescenta nada à minha vida. Mas esta situação deixou-me angustiada, perguntei-me diversas vezes se estaria a proceder bem, perguntei-me se não estaria a ser um bom apoio quando deveria sê-lo, perguntei-me se estaria a ficar em falta, se não estaria a ser uma boa mulher, perguntei-me quando deveria falar, quando deveria estar calada, quando deveria deixar o assunto morrer, se poderia dizer que me recusava a falar mais no assunto.

Ainda não sei se estive bem, porque o objectivo não era "ganhar" este braço de ferro. Mas fui genuína e com isso tenho de dormir descansada.