30.3.11

Um homem na cozinha

Entre os vários defeitos do Poisoned Apple Man, que tem alguns, coitadinho, um deles que me enche de nervos, é ele não perceber puto de culinária, mas assim que pisa os azulejos da cozinha sente-se um grande chef da melhor cozinha internacional. Não sabe cozinhar, mas sabe dar palpites, dizer que não é assim que se faz!, perto do fogão, por cima do meu ombro enquanto cozinho, o que me deixa a colher de pau em riste.

Em seu abono, e perante minha insistência e resistência, devo informar que o homem lá vai tentando. O seu esforço é de louvar. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura, e eu hei-de fazer desta criatura um homem com alguns talentos culinários, que eu não deixo que a lida da casa recaia toda sobre mim.

Há uns dias dei-lhe a ideia de grelhar frango. Respondeu que o faria com satisfação. Tratei de comprar o dito cujo que deixei na cozinha e informei:

- A cozinha é tua - fui sentar-me na sala e ele lá foi, contente. Chegou à bancada da cozinha e gritou:

- Mas isto não são peitos de frango! São bifes de frango!
- E de onde achas que vêm os bifes, das unhas do frango?

Enfim. É preciso ter paciência, mas só na grelha percebeu que se fossem peitos de frango, nunca mais dali saía. Já os bifes, demoram menos tempo, apesar de ele achar que não foi rápido.

Aos interessados, jantei pimenta com bifes. Já passaram alguns 15 dias e ainda tenho a boca a arder. Com o tempo isto vai lá. É preciso não desistir!

28.3.11

Estou a começar a odiar o blogger

Esta cena agora não respeita parágrafos e espaços. Alguém sabe como resolver isto? Estou possuída!

Encomendas

Um bom amigo é aquele que vai viajar e a quem se pode fazer uma boa encomenda. Além de umas jeans, uns chocolates, um anti-rugas, uns desodorizantes e um perfume, surgiu-me uma questão:

- Tenho uma pergunta...
- Sim.
- Do foro íntimo.
- Podes perguntar.
- És homem para me trazer também uma caixa grande de pensos diários?
- Pensos diários??! Isso não há cá?
- Há, mas os melhores do mercado são de uma marca que não há cá.
- E como justifico na alfândega uma caixa de pensos diários dentro da minha mala?

Dramas à parte, depois de explicar a variedade dos pensos, a espessura dos mesmos e especificar que os que queria não tinham fragância, depois do meu amigo achar tudo isto uma complicação e de se temer incapaz de encontrar uma coisa tão específica no meio de tanta variedade, verifiquei que é um bom amigo. Trouxe tudo o que pedi, conforme pedi. Poucos homens conseguiriam suceder nesta missão sem fazer asneiras e sem pedir ajuda à menina do supermercado, corando até à raiz dos cabelos, claro. Prueba superada!

26.3.11

Do you remember? #144



Europe - The Final Countdown - 1986

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

25.3.11

Ainda o Passatempo Clinique

Ora pois, eu avisei as vencedoras do Passatempo Clinique tinham 3 dias para enviar os contactos para amacadeeva@gmail.com . Recebi 4 respostas dentro do prazo estabelecido, o que significa que um dos prémios a oferecer ficou sem vencedora. Assim girou-se a roleta mais uma vez.

Parabéns à vencedora!

5º - número 82 - Teresa Marina Francisco, teresamblsfrancisco@gmail.com

Nota: à semelhança das outras candidatas, a vencedora tem também 3 dias para enviar os dados necessários ao envio do prémio. O prazo acaba dia 27 de Março, às 00:00

Consultório #56

"(…) Tenho 35 anos e conheci um rapaz por intermédio de familiares, aliás com alguma distância até somos primos, ele na altura tinha 29 entretanto já fez 30 (...) Mas há qualquer coisa, somos bastante diferentes, de meios diferentes, no entanto considero-o uma pessoa inteligente e com quem gosto de estar. O problema é que a nível íntimo entendemo-nos muito bem, no entanto às vezes sinto que não passa disso, ele diz que para ele a parte íntima é muito importante e que se não se der bem com alguém a esse nível nem vale apena avançar mais. Chegou pedir-me em namoro, mas com uma ressalva que só é oficial quando chegarmos a um ponto (...)

Entretanto já chegámos a esse ponto e agora diz que não me conhece bem, que somos família e não quer estragar um relacionamento familiar que esteve tanto tempo perdido, mas diz que estamos no bom caminho. Que vamos deixar passar o dia dos namorados para não me dar prenda, mas é na brincadeira, aliás até diz que me vai dar prenda (...) Diz que nunca teve uma namorada, vai tendo os seus casos, que não sabe o que fazer. Quando está comigo diz que gosta de mim, muito, mas não o demonstra quando não está comigo. Não sei se é imaturidade ou só quer um relacionamento fugaz.

O problema é que não sinto as coisas a evoluir e sinceramente não sei o que fazer.Já o confrontei várias vezes, mas diz sempre que gosta de mim e muito (...) Quando falamos no relacionamento diz muitas vezes que depois de começarmos a namorar só falta vivermos juntos, o que para mim não faz sentido, não quero que vá viver comigo sem antes nos conhecermos bem melhor (...) O que devo fazer? Enfrentá-lo e acabar de vez ou dar mais um tempo? Eu tinha pensado em esperar até uma determinada data e se estivesse tudo na mesma acabar de vez, mas apesar do prazo ser curto não sei se consigo continuar assim! Preciso de sentir que sou amada. Quando estamos juntos até sinto, mas depois...

Nunca tive mta sorte aos amores (...) transmito uma imagem de senhora do meu nariz, sou muito independente, o que acho que afasta os homens, pareço uma coisa depois sou como qualquer outra pessoa, boa pessoa demais (para eles), carinhosa, acho que os desiludo. Não sei se é por isso, mas não consigo manter um relacionamento muito tempo. Os meus amigos dizem que sou bonita, divertida, amiga dos meus amigos, mas parece que sou aborrecida nos relacionamentos, ou então só atraio quem não me merece".

Olá H.,

Também tive namorados de meios diferentes, mais do que um, e embora gostasse deles havia qualquer coisa que faltava ou que não encaixava. E era isso mesmo: meios diferentes. Durante uns tempos, anos, a relação até pode ser levada com tranquilidade, mas no meu caso lembrava-me sempre disso, cheguei a sentir constrangimentos, a ficar impressionada e sabia sempre, lá no fundo, que não havia qualquer futuro ali, embora houvesse presente. Muitas pessoas podem acusar-me de arrogância, o que aceito, mas não poderia nunca mentir-me a mim própria sobre o que sentia. E a H. deve fazer a mesma coisa que é ser honesta consigo própria. Com isto aprendi que não vale a pena forçar, a água e o azeite podem estar em contacto, mas nunca se misturam e, mais dia, menos dia, a coisa acaba por azedar.

Fora isto, lamento dizer-lhe H., essa relação é um buraco. O facto de me informar logo à cabeça que no sexo as coisas correm muito bem e que para ele isso é de extrema importância, começa a dizer-me que isto não é uma relação normal. Dois estranhos podem entender-se sexualmente, por isso é irrelevante. Mas duas pessoas apaixonadas não falam da relação partindo desse pormenor. Quantas pessoas verdadeiramente apaixonadas as ouviu falar da qualidade do sexo? Quase nenhumas. É que do amor nasce uma cumplicidade que torna tudo isso quase um segredo. Passa a ser apenas dos dois. Não quero com isto dizer que esteve mal, só que é revelador de uma relação, pelo menos "diferente" daquilo que se espera.

Mas mais importante que tudo isso são as condições. Fez-lhe um pedido de namoro, mas com uma "ressalva": apenas será oficial quando chegarem a um certo ponto. Ponto esse que significa exactamente o quê? E é definido por quem? Ou seja, as cartas estão todas na mão dele. E se por acaso lhe informasse que não estava de acordo com as "condições" dele, ele fazia ou quê? Dizia "então já não és minha namorada!" e batia o pé? Eu compreendo que deixe passar uns tempos se a relação pode ser um choque para a família, mas bem vistas as coisas, qual era pior coisa que podia acontecer?

A questão aqui é que nenhuma relação saudável tem condições. O "eu namoro contigo mas tens de..." é aflitivo. Não se diz, não se faz, é abusador, é de quem não presta, é tudo menos amor. Então, só podiam contar quando chegassem a certo "ponto". Agora que já chegou ao tal "ponto", ele diz que afinal não a conhece bem, mas quem é que se conhece bem? Quem é que quer conhecer muito e tudo? Que dizem as mulheres que viveram 20 anos ao lado de um homem que as trocou por uma amiga? Que o conheciam bem? Isso significa o quê? Significa que não presta, que quer ter poder sobre si e que está a empatar.

H., quando uma mulher diz que acha que o relacionamento não está a evoluir, é porque não está a evoluir. Quando uma mulher encobre a sensação de que algo está mal com respostas "ele até me vai dar presente no dia dos namorados" é porque de facto algo está mal. Eu não acho que seja estúpida, acho apenas que está a ser movida pela esperança, mas os dias passam e tudo permanece na mesma. E vai permanecer.

Para estar consigo ele vê em si alguma coisa, quanto mais não seja gosta do sexo, mas ele não é um homem apaixonado e não a ama. Um homem que ama não se comporta desta forma. A relação não é errada se for isto que a H. quer, mas parece-me que quer muito mais, coisas que ele não tem para dar, coisas que lhe cobra e o desgastam. No fim de contas, tendo em conta aquilo que procura para a sua vida, ele não é a pessoa certa para si. A pessoa certa tem outro comportamento connosco e sabemos reconhecê-lo sem sombra de dúvida. Para si, esse homem tem a dar-lhe alguns momentos, coisas descartáveis, passageiras e, mais do que isso, uma grande, grande conversa.

Deixe de se criticar que o problema não é seu. Não interessa se é alta, se é tímida, independente ou querida demais para eles. Isso não existe, pois até as pessoas feias, más e burras encontram alguém. Também eu atraí muita gente que não interessava, mas aprendi com isso, ganhei experiência e inteligência emocional e passei a ser mais selectiva. Não se coloque nas mãos de ninguém, ganhe firmeza, diga que também tem uma palavra no assunto e abandone-o se entender que apenas atrasa a sua vida.

Um homem que não nos traz o que queremos apenas atrasa a vinda daquilo que queremos.

23.3.11

Despedida de solteira

Não, não é para mim, escusam de lançar foguetes. Estou incumbida de fazer uma mega despedida de solteira e não percebo nada do assunto, não tenho ideias, estou a zeros, preciso da ajuda das minhas queridas leitoras! Já fizeram parte de uma despedida de solteira? Já tiveram uma despedida de solteira? O que é que foi mais giro? Do que é que mais gostaram?

Ao que parece, somos cerca de 10 piquenas. Umas vêm de outros pontos do globo (inclusive a noiva) e o evento vai realizar-se em Lisboa, lá para Julho ou Agosto. A boda é em Setembro.

Então, que ideias me dão? Podem comentar ou enviar um e-mail com a festa toda pronta para amacadeeva@gmail.com

Sejam mansas, que esta noiva é muito frágil, capaz de desmaiar ao ver um vibrador ainda na embalagem ou uma bandolete com caralhetes espetados. Nada de ordinarices ou strippers masculinos, mas aceitam-se ousadias. Muitas ousadias!

22.3.11

Resultados do passatempo Clinique

E sem mais demoras, eis as vencedoras do passatempo Clinique:

1º - número 95 - Ana Santos, anagameirosantos@hotmail.com
2º - número 113 - Sara Lopes, saramclopes@gmail.com
3º - (nota posterior: candidata em falta)
4º - número 147 - Karine, Karinecepa@gmail.com
5º - número 230 - Ana Paula Miraldo, anapaulamiraldo@mail.telepac.pt

Muitos parabéns! Ganharam uma base Perfectly Real Makeup e um pó Stay-Matte Sheer Pressed Powder da Clinique!

As meninas têm até dia 24 de Março, Quinta, às 00:00, para enviar um e-mail para amacadeeva@gmail.com dando o nome completo (verdadeiro), a morada e ainda os tons da base e do pó que preferem. Para quem não conhece os tons e não pode passar por uma loja da Clinique, resta indicar se o tom de pele é claro, médio ou escuro.

Não se esqueçam de agradecer à Clinique!

Nota: na falta de resposta até à data e hora indicada, no dia seguinte, 25 de Março, Sexta, volto a girar a roleta.


















Às vezes recebo uns e-mails tão gratificantes!


Obrigada mais uma vez!

21.3.11

Ai, se eu mandasse!

Se eu mandasse é que era! Ouro sobre azul era eu poder escolher, a dedo, com entrevista, carta de recomendação e provas dadas de inteligência, as pessoas que poderiam ler este blog. Quem me lê sabe que aceito opiniões contrárias à minha, com gosto, eu gosto mesmo do debate de ideias. Já a estupidez, acudam que eu não aguento. É demais para mim. Há três coisas na vida que tolero mal, a saber: estupidez/ignorância, mau português e falta de maneiras à mesa.

Então, apareceram no meu blog uns grunhos que comentaram no texto dos meus must have da Clinique, "olha, tanta gente à rasca", "must haves? Uma geração à rasca?", ou frases semelhantes. Eis a minha questão e queiram perdoar o meu francês: o que é que o cú tem a ver com as calças? Quem é que sabe se os produtos me foram oferecidos? Quem é que sabe se eu não recebi uma grande herança? Quem é que sabe se não tenho imóveis como fontes de rendimento? Quem é que sabe se não tenho um excelente pé de meia? Quem é que sabe se não recebo uma boa mesada? Quem é que sabe se não sou rica?

As motivações da minha ida à manifestação estão bem presentes nesse texto e ninguém pode ler que se devem a dinheiro, nem mesmo a emprego, apesar de estar desempregada. Dinheiro e desemprego foram mesmo os motivos que mais me levaram a discordar da manifestação. Fui por mil e um motivos, fui por amigos em condições precárias, fui por outros que tiveram de sair do país, não fui porque quero usar bons produtos e há pouco dinheiro para os comprar. Se eu não posso comprar, não compro; se só posso comprar do mais barato, é do mais barato que compro; e enquanto puder comprar os cremes que gosto, compro!

Naquele dia, depois de descer a Av. da Liberdade, parei no Starbucks para um bebida. Quando fui ao WC deparei-me com um canadiano que me perguntou qual o motivo da manifestação, ao que respondi: "everything!". Os motivos eram vários, estavam lá pessoas por tudo e, espantem-se, até por nada.

Mais do que milhares de pessoas descontentes, quer-me parecer que existem muitos mais que esses milhares a querer dizer mal, só porque sim. Porque é moda ser do contra. Porque há malta pequena que se sente crescida, adulta e eloquente, atirando frases feitas e ouvidas na comunicação social, apontando o dedo, comentando estupidamente um post de cosmética, "cremes? À rasca? Ai que grandes mentirosos!". E eu gostava de apanhar essa gentinha nas compras para poder apontar o dedo. A resposta que receberia seria, "ah, mas eu não estou à rasca!". Eu também não, o que não me impede de participar de uma manifestação pelos motivos que EU acredito. EU tenho direito a uma voz. EU tenho direito a uma opinião. E muitas outras pessoas também. Muito mais do que existir gente à rasca, o que existe são aqueles que gostam de dizer mal para se sentirem melhores e interessantes. Frases feitas ouvidas pelos outros e depois reproduzidas.

Os Exmos. comentadores podem fazer valer o seu ponto de vista, podem discordar, sem dúvida, mas aconselho a não comentar num texto de cremes ou de cada vez que eu beber água para dizer: "uhhh! Isto é que é estar à rasca!". Ou podem, mas escrevem "estúpido" na testa, ignorantes. Façam ver a vossa opinião no local adequado, como seria certamente o texto da manifestação ou num espaço onde escrevessem. Isto, se tivessem criatividade para tal, claro. Atirar postas de pescada é fácil, elaborar uma boa argumentação, já é mais complicado.

E se eu colocar aqui uma foto de um jantar de bifes de lombo, também me vão apontar o dedo? Mas se eu tiver no WC gel de duche da marca Continente, já ajo conforme as expectativas, ou devo lavar-me com sabão azul e branco? Quem diz sabão azul e branco diz não tomar banho de todo. Para participar de uma manifestação, devo fazê-lo pelos meus motivos ou não devo participar pelos motivos dos meus comentadores pouco inteligentes?

Tive mais do que uma pessoa a dar uma opinião contrária à minha, aquela manifestação não era para ir. Uns brincaram, outros gozaram. Ouvi de tudo, mas o curioso é que não vi ninguém que participou criticar estupidamente aqueles que não foram. Ninguém!

Não me molestem. Se querem comentar, dar uma opinião contrária, façam-no com argumentação e inteligência. Eu posso poder comprar cremes, mas continuo descontente com o país, lamento. Pelos mais variados motivos, que em nada se prendem com a impossibilidade de fazer compras. Mas só uma mente diminuta pensa que os motivos passam por aí. Muito diminuta mesmo. E com um carro melhor que o meu.

19.3.11

Do you remember? #143



Abba - Take A Chance On Me - 1978

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

18.3.11

Consultório #55

"(...) Tenho 17 anos, namoro há 28 meses com um rapaz. A nossa relação foi sempre muito feliz. Até ao dia em que ele me traiu por causa de uma bebedeira e beijou uma colega de turma. Sempre foi contra os principios dele trair alguém. Mas o álcool traiu-nos a ambos. Eu dei-lhe uma segunda oportunidade. Mas a nossa relação não foi a mesma. Ele fechou-se em "sete copas", ficou desiteressado, as SMS que enviava eram fraquinhas e não havia grande atenção por parte dele. Eu sempre o chamei à atenção, porém ele sempre discutia comigo de cada vez que eu me queixava de algo.

Agora, passado 8 meses dessa traição, depois de uma longa conversa ao telefone numa noite destas, eu puxei conversa sobre o que ele sentia por mim e ele disse que não sabia. Então, tomei a liberdade de lhe dar um tempo. E, passados estes 8 meses, pela primeira vez, chorou ao telefone, pois estava triste porque sabia que já devia ter falado comigo, não devia ter chegado a estes extremos. Ele disse que ainda se sente culpado pelo que fez e que não consegue perdoar-se a ele próprio, daí se sentir desmotivado.

A minha pergunta é: o que devo eu fazer se ele quiser continuar a relação?"

Olá C.,

(...) Pelos seus 17 anos, esta vai ser uma resposta diferente. A C. é muito nova e há muita coisa que não aprendeu. Também não sou eu que lhe vou ensinar, o tempo encarregar-se-á disso, mas faz-me alguma aflição que se sujeite a situações tristes, embora tenha perfeita noção de que faz parte, parte da idade, de crescer e que só assim se aprende. Eu apenas gostava que algumas pessoas tivessem nascido ensinadas para não terem de passar por determinadas situações, mas assim também se perdiam outras coisas.

Namora há cerca de dois anos e meio, não faço ideia se esse é um namoro adolescente ou mais adulto, mas posso dizer-lhe com toda a certeza, e absoluta!, que o álcool não leva um homem (ou rapaz) a trair uma namorada se assim não desejar. Por si só, o álcool não vai fazer com que duas pessoas se beijem se não existir vontade prévia de ambas as partes. E mais do que isso, não diga "o ácoool traiu-nos a ambos". Mais uma vez, garanto, o álcool não leva ninguém a trair. Por muito que se beba, existe sempre a opção de decidir sim ou não. Partindo do princípio que o seu namorado é heterossexual, se a tal fosse um travesti, acha que o álcool o levava até lá? Não, pois não? E é claro que ele sempre opinou que trair é errado. Quantas pessoas opinam em voz alta que trair não tem mal nenhum? E o que acha que dizem os homens casados que enganam as mulheres? Que trair é feio e é errado.

Depois disso ele desligou-se. E isso aconteceu porque se abriu um novo mundo para ele. Afinal, existe um mundo além da namorada, afinal há outras mulheres que se interessam por ele, afinal, anda há quase dois anos e meio com a mesma pessoa e pode estar a perder uma série de oportunidades. Isto foi o que lhe passou pela cabeça.

A seguir, a C. dá-lhe um tempo o que, com um "verdadeiro" tempo, vai perceber que é coisa que não se faz. Dar um tempo a alguém é dizer "estás à vontadinha, faz o que quiseres, beija quem quiseres que eu continuo à tua espera". Ele vai à vidinha dele, sentindo-se quase solteiro e faz o que lhe apetece. Dar um tempo é perder o respeito por si própria. Ou decide continuar em frente, ou acaba. Nunca mais se ponha na mão de outras pessoas. Tome sempre decisões firmes. Essa não foi uma boa decisão, não foi firme e muito menos inteligente.

Quando me disse que ele chorou ao telefone, eu pensava que ele queria voltar. Mas depois pegunta-me o que fazer se ele quiser voltar. Ora, ele não falou nisso, levou-a a pensar isso, anda a cozinhá-la em banho-maria para fazer o que entender. Querida C., eu compreendo que tudo isto seja difícil de entender, mas ele não me parece genuinamente arrependido. Parece-me que ele quer ganhar tempo. Para o quê, não sei.

Há nisto tudo um grande dramalhão que faz parte da sua idade, uma geração de Morangos com Açúcar, que é uma série que na minha opinião devia ser proibida, pelo poder estupidificante que tem sobre as novas gerações. Está na idade de namorar, vão aparecer ainda muitos rapazes e (espero) que não fique com nenhum desses primeiros, que namore muito, até tarde e que se torne muito selectiva.

Posto isto, se quiser retomar o namoro, retome. Não tem mal nenhum, mas não se surpreenda se ele se repetir na história. Acho sempre que quem tem coragem de fazer isto uma vez, faz duas e três. Apenas aconselho que nunca se coloque na mão dele e mostre sempre que antes de gostar dele, gosta é de si. Dê-se sempre ao respeito.

Votos de muitos namorados!

17.3.11

Dia da Mulher

O Dia da Mulher foi na semana passada. No dia 8 não me lembrei que assim era, até que fiz a minha incursão cibernética matinal e dei conta do facto em várias páginas da internet. Aguardei 5 minutos que o Poisoned Apple Man se pronunciasse. Nada. Fui à procura dele. Estava sentado no trono e, apesar de ocupado, protestei:

- Hoje é Dia da Mulher!

- Eu sei. Já te ia dar dar os parabéns, querida - afirmou com cara dengosa.

- Parabéns do quê? Eu quero é presentes!

Balanço do dia: raspas e vento.

16.3.11

Mais Clinique


Há uns dias uma leitora perguntou-me opinião sobre o sistema de 3 passos da Clinique. Na altura não respondi porque já tinha um texto preparado. Ele está aqui!
Espero desta forma responder à sua questão.
No site da Clinique podem ler os meus Must Haves da marca, que na verdade são mais do que os apresentados, mas ter um limite obrigou-me a escolher.

Passatempo Clinique

Esta semana, e pela primeira vez, o blog A Maçã de Eva vai ter um passatempo da CLINIQUE.

Tenho óptimos prémios para cinco leitoras! São eles 5 conjuntos de base Perfectly Real Makeup e pó Stay-Matte Sheer Pressed Powder.

Perfectly Real Makeup tem uma textura semelhante à de uma mousse, pelo que desliza sem esforço pela pele. Para além disso, não contém óleo, é resistente à transpiração e à humidade, para uma sensação confortável e um aspecto leve e natural. Esta base permite-lhe obter um aspecto impecável, leve e absolutamente natural, sem os inconvenientes de uma cobertura pesada e artificial.



Stay-Matte Sheer Pressed Powder é um pó compacto que controla o brilho e mantém uma aparência fresca e mate, o que o torna ideal para mulheres com peles oleosas e mistas. Também é ideal para mulheres que só ficam brilhantes em algumas zonas, ou que apenas sentem este problema no Verão, quando faz mais calor. Pode ser usado por cima da base ou sozinho, para um aspecto mais fresco e natural.



Para participar é fácil! Tome nota do que precisa fazer:


1º Tornar-se seguidora do blog da Clinique, aqui.
2º Deixar um comentário a este post, indicando o nome e um endereço de e-mail (cada pessoa pode deixar apenas um comentário).


Este passatempo termina no próximo dia 20 de Março (à meia-noite) e as 5 vencedoras serão escolhidas de forma aleatória, através do random.org. Ou seja, é apenas uma questão de sorte! Este passatempo encontra-se limitado a Portugal.

Boa sorte a todas!

Nota: para descobrir os tons destes dois produtos adequados à vossa pele, com ajuda das vendedoras, sugiro que procurem saber junto de um balcão de Clinique.

No blog A Maçã de Eva, a autorá participará apenas em passatempos apenas e quando acredite, confie e se identifique com as marcas apresentadas.

15.3.11

Passatempo

Amanhã há passatempo neste blog!
Quer saber mais? Eu dou uma grande pista!


Não se esqueça se passar por cá amanhã!
Vá, não se atropelem, não discutam, tambem não é preciso... :)

14.3.11

Enquanto não me tirarem o pio, não me calo #3


Enviado para:

Gabinete do 1º Ministro -pm@pm.gov.pt
Censos 2011 - censos2011teste@ine.pt
Tribunal do Trabalho de Lisboa - correio@lisboa.mptt.mj.pt

Exmos. Senhores,

logo à cabeça e depois de ver o anexo que vos envio, tenho de perguntar o seguinte: que falta de vergonha é esta??!

Então na questão nº 32 dos Censos 2011, informam que o inquirido que trabalha a recibos verdes, mas com um local de trabalho fixo, dentro de uma empresa, com subordinação hierárquica e um horário de trabalho definido, ou seja, de forma ilegal, deve preencher "trabalhador por conta de outrem", como se contratado como deve ser, com os benefícios/obrigações que daí resultam?

Mas andamos a brincar? Não leiam esta questão com fúria ou ironia, é que eu quero mesmo saber se é para brincar. É que se for, também vou responder aos Censos 2011 com ceras de cores e responder da mesma forma, a brincar.

Então o patrão usa e abusa do colaborador, age em desacordo com a lei, e as pessoas têm de assinalar a cruz que indica exactamente o contrário? Para quê? Para ficar bonito nas estatísticas do governo? E colocar hipótese a uma cruz que dissesse "trabalhador por conta de outrem, em regime full time, com local fixo, subordinação hierárquica e horário definido, a recibos verdes"? Isso merecia o meu respeito. Isso é que era de coragem, para saber quantos são! A estatística seria certamente interessante.

Dito isto, serve este e-mail para expressar o meu desagrado e para informar que tratarei de me recusar a preencher a questão nº 32 dos Censos 2011, pelo desrespeito que representa para muita gente, se bem que o que mereciam era que não respondesse de todo. Também, informo que darei uso aos meios de comunicação para divulgar este e-mail, de forma a que quem entender, proceda como eu.

Assina uma cidadã que não sofre dos males de trabalhar a recibos verdes, mas sente repulsa por um país que mais parece uma cadeira: tem pernas mas não anda!

Fotos de uma manifestação















Foi a primeira vez que participei numa manifestação. Como disseram diversos comentadores políticos, é verdade, muitos dos que marcaram presença foram a uma manifestação pela primeira vez na vida. Nunca vi tantos programas de televisão do tipo Eixo do Mal como nos últimos tempos, nunca estive tão atenta ao que se passa na Assembleia, nunca liguei a política como agora (sei muito pouco) e procuro inteirar-me do que se passa e compreender conceitos e consequências. Também, nunca estive tão desgostosa com meu país e até com medo do que possa vir acontecer.
Por muitas razões, minhas e de outras pessoas que me são próximas, decidi ir a esta manifestação que teve uma expressão muito maior do que poderia ter imaginado. Quando cheguei eram 14h20. A manifestação estava marcada para as 15h, achei que aquilo estava um tudo nada despido. Mas de repente, a Av. da Liberdade não chegava para todos e as fotografias tiradas em bicos dos pés não deixavam adivinhar onde acabava o mar de gente. Desci pela Avenida que às tantas não circulava. Segui pelas laterais até ao Rossio, que tinha tanta gente como nunca vi. Gostei mesmo de ter ido, não me arrependo nada.
Tenho pena que as pessoas que considero normais não tenham ido a pensar que um outro iria por eles. A manifestação estava cheia de gente manhosa, muitos a precisar de tomar banho, mais ainda a precisar de cortar cabelos e segundo uma amiga que me acompanhava, repetia nervosa, que muitas das orelhas que ali andavam nunca na vida tinham visto um cotonete. Tive um amigo que antes de sair de casa me avisou que ia apanhar piolhos. O Poisoned Apple Man, que não foi, à noite olhava para as imagens de TV e repetia, olha-me o nojo desta gentalha... E é verdade, havia muita gente porca, nojenta, cheios de rastas, a precisar de banho e algum cheirinho a ganza. Condoía-me de cada vez que via cartazes cheios de erros ortográficos, apetecia-me ir lá dizer não é assim que se escreve!, obrigar a repetir 100 linhas daquelas frases e a refazer os cartazes. É óbvio que esta gente não arranja emprego! Mas também havia motivos para todos: gente com dificuldades para pagar o empréstimo à habitação, gente descontente com o governo, gente irada com o preço da gasolina, estudantes que perderam a bolsa, gente que não quer o TGV, o novo aeroporto, eu sei lá... Havia até quem difundisse a data de uma nova manifestação, desta vez em Maio, pela liberalização das drogas leves. Boa sorte, não é a minha praia.
No meio desta mistura, eu concordo com isto, mas fui e não me arrependi porque a culpa morre sempre solteira neste país. A custo e revoltada, eu até posso pagar a crise, mas os culpados não podem depois sentar-se em grandes cadeirões de bancos e empresas e viver felizes para sempre. Eu fui porque toda esta corrupção óbvia, com culpados evidentes, mete nojo aos cães com tribunais que decidem dar como não provado aquilo que uma criança de 5 anos sabe que ficou provado. Eu fui porque a Justiça não anda, os casos precisam de 10 anos para ver solução, quando não prescrevem. Fui porque da mesma forma que existe um ordenado mínimo nacional, entendo que deve existir um valor para os estágios (quando não curriculares), pois trabalho é trabalho. Fui porque é injusto que existam recibos verdes para quem trabalha para numa empresa a full time. Fui porque estes descontam mais que os outros e depois não têm direito a subsídio de desemprego, nem a ficar doentes. O mesmo acontece com proprietários de uma empresa que dá emprego a outros. Fui porque me deixa danada que algumas empresas vão satisfazendo as suas necessidades com estagiários, uns atrás dos outros, sem que nunca sejam contratados. Fui porque odeio a existência da EMEL, da qual me poderia orgulhar se as moedinhas transformadas em milhões servissem para investir em transportes públicos e em passeios e estradas decentes, no lugar de encher os bolsos de alguns porcos. Fui porque o Estado é um comilão com a boca sempre aberta. Aumentem o tabaco para o triplo, se quiserem, mas diminuam a percentagem de impostos em cada litro de combustível. E retirem a taxa da RTP das facturas de electricidade que respeitam a quadros eléctricos que apenas trabalham para regar campos agrícolas.
Fui porque até posso ter um lugar de trabalho na função pública, para o qual fui escolhida, o qual precisam urgentemente de preencher. Mas não sabem que esquema hão-de fazer para me contratar, e então mandaram-me para casa e aguardar, enquanto inventam maroscas. Certamente precárias. E eu estou sempre a telefonar para saber novidades, sou uma chata porque nem sempre me podem atender e tudo funciona muito lentamente.
E podia continuar, mas o texto já vai longo. Aguardo por novidades.

12.3.11

Do you remember? #142



Dire Straits - So Far Away - 1985

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

11.3.11

O fim

Meus amigos, há sempre uma altura que dita o fim. O meu vai ser, certamente, no WC. Gostei deste blog, de trocar ideias com tantos e tantas leitoras, gostei de tanta gente. Beijos e abraços a todos.

Esta noite engoli um bracket. Lembrem-se sempre de mim!

Quem vai?


Consultório #54

"Namoro há dois anos e pouco com o J (22). Ele é aquele a quem nós, mulheres, apelidamos de "o homem perfeito" (...) Mas... há sempre um mas. Conheci o M. (27) faz agora um ano. Ele é amigo de um colega meu de faculdade. Como mora longe, volta e meia vinha cá passar um fim de semana (...) Com o passar do tempo, fomos ficando mais e mais amigos. Falávamos todos os dias por MSN, às vezes por mensagem. Sabíamos que tínhamos estabelecido uma relação de amizade estável e que parecia vir a ser duradoura.

Um dia, resolvi ir passar um fim de semana a casa dele, com mais outro amigo. Não levei o meu namorado (...) Saímos, bebemos, divertimo-nos, e acabámos deitados na mesma cama. O incrível é que não aconteceu nada... até de manhã. Acordámos, olhámos um para o outro e acabámos por nos beijar. Sincera e honestamente, eu nunca tinha sentido nada sequer parecido. Não só foi fugaz como me fez deixar de sentir o mundo em volta. Nesse dia, voltei para casa. Bastante relutante em contar ao meu namorado, não contei.

(...) O J. começou a aperceber-se de que alguma coisa não estava bem, mas continuava sem me dizer nada. Esses fins de semana acabaram por se tornar, não um hábito, mas um escape (...) Sem me aperceber, fui criando uma espécie de paixão por ele que me impede de viver o meu namoro com o J. como vivia antes. Não me sinto perdida de amores por nenhum deles, mas se tivesse que escolher, escolheria o M.

Num desses fins de semana, houve um jantar em casa dele. Estava lá o melhor amigo com a namorada (...) Ele confessou-lhes que gostava muito de mim, que poderia muito bem ser a mulher da vida dele, etc e tal (...) Nesse fim de semana, envolvemo-nos sexualmente pela primeira e única vez... Sinto-me culpada. Ainda gosto bastante do J., mas até que ponto posso pôr a minha felicidade em causa para conseguir ir mantendo as aparências? Por outro lado, a ideia de ter uma relação à distância com o M. desencoraja-me bastante de fazer o que quer que seja.

E por felicidade... com qual deles está a minha? O J. é, desde há alguns anos atrás, o meu melhor amigo. Há pouco tempo disse-lhe que estava a começar a gostar de outra pessoa, e ele, em vez de querer que resolvêssemos as coisas para ficarmos juntos, quis que eu 'fosse' ter a certeza do que queria. Não sabe que estou envolvida com o M., mas sabe que vou lá passar fins de semana... e ele não é burro. Confio plenamente no amor dele, mas não sei até onde posso levar mais esta situação. Será melhor deixar os dois?"

Olá JC,

(...) Esta sua situação é aquilo que eu chamo de ter tudo e não se chatear com nada. A sua única "chatice" é a sua indecisão porque sabe que as regras sociais a obrigam a escolher uma única pessoa. Se pudesse, andava com cada uma delas numa caixa e abria a caixa que mais lhe interessasse conforme a sua vontade. Já todos tivémos um dia vontade de fazer uma coisa destas.

Com isto eu não quero dizer que é má pessoa, quero dizer que o faz porque as outras partes (os dois rapazes) o permitem. Se o J. fosse mais determinado e não lhe desse margem de manobra, teria coragem de se envolver com outra pessoa?

Por outro lado, se o M. vivesse do seu lado, hesitava? Basicamente quer sentir-se confortável, sem que isso a obrigue necessariamente a optar por quem gosta. Mas mais importante, tendo confessado que não morre de amores por nenhum dos dois, qual a razão que a leva a ficar com um deles? Por que não optar por ficar sozinha já que não está apaixonada?

Basicamente, acho que não quer estar sozinha. Acho que procura emoções, o diz que disse dos amigos que vão passando informação, o frio na barriga que indica que mais um fim-de-semana se aproxima, o rapaz que fica triste por vê-la partir e que, inevitavelmente, isso fá-la sentir importante. O M. que diz que até pode ser a mulher da vida dele o que, queira perdoar, espero que não seja. Faz-me aflição as pessoas que casam ou emparalham tão cedo na idade. A probabilidade de vir a correr mal é enorme. Duvido que seja e parece-me conversa fruto de umas noites porreiras com amigos, do "vamos lá dar asas à lama", de uns canecos e de uns empurrões por parte dos amigos. Até porque era muito giro os quatro amigos ficarem "emparelhados" (até correr mal).

Diz que se sente culpada, mas sente realmente? Se sim, como chegou a envolver-se sexualmente? Já tive na vida mais do que um parceiro sexual e sei que podia ter parado quando quisesse. A JC também poderia ter parado se quisesse realmente. No fundo, acho que se engana a si própria no sentimento de culpa. Gosta deste corrupio, deste nervoso, dos segredos, da possibilidade do M. gostar de si, da eventual renovação na sua vida, de ter poder sobre os dois, são emoções que fazem-na sentir viva. É disto que mais gosta.

Pergunta-me até que ponto pode levar esta situação. Basicamente, pode levar até onde quiser. Ou melhor, até onde esses dois rapazes permitirem, pois o desenrolar desta situação parece-me que não vai ser decidido por si, mas por um deles.

Pergunta-me ainda com qual destes dois homens está a sua felicidade. Lamento JC., mas não tenho conselho para lhe dar numa escolha entre dois homens por quem diz não estar apaixonada. Simplesmente não faz sentido para mim, ainda que não a condene por isso. Sei que esta está longe de ser a resposta que gostasse de ler, mas não posso mentir. Talvez algumas leitoras tenham passado por algo semelhante e tenham algo a acrescentar!

10.3.11

Aparelho VIII

Escrevo-vos, mais uma vez, em sofrimento. A aflição mata-me. Ontem foi dia de colocar o aparelho inferior e a minha conclusão pessoal é de que este é muito pior que o aparelho superior. Ainda estava sentada na cadeira, com uma expressão muito triste, e já sentia os dentes a empurrarem-se uns contra os outros. Percebi logo que isto não ia ser simpático. Mais umas fotos para ver o progresso da coisa e de facto isto funciona, pena que não faça o trabalho que tem a fazer em 15 dias, mais coisa menos coisa.

A impressão deixa-me a salivar estupidamente, como uma anormal, portanto. Mastigar começa a ser um inferno e amanhã será impossível. Já estou calejada, já adivinho o futuro de cerca de 10 dias a purés, líquidos e afins. Pode ser que desta vez resista a engolir comida por mastigar, qual refugiada. Ainda sem experiência nesta matéria, temo seja desta vez que vá fazer feridas. Comer dói, não nos dentes, mas nas 'carnes' que raspam no aparelho. É para lá de desconfortável. Comer não tem graça.

O aparelho inferior retém muito mais comida que o aparelho superior, o que é digno de fotografia de vos deixaria a gregoriar. Tento não pensar no incómodo e feio que é, e tento pensar no bonito que vai ficar. Mas até agora sem grande sucesso. O Poisoned Apple Man chama-me carinhosamente de Robocópi, pede-me para sorrir e mostrar os aparelhos muitas vezes e eu só quero é estar calada e deprimir no sofá, a ver TV, sozinha e abandonada.

Bom é que nestes dias chegou mais um adereço bonitinho, uma pasta que carrega todos os meus documentos para o seguro, sem espalhar nem perder nada. Mais uma ideia da Meia-Tinta. As compras são lindas, o estado de espírito é que nem por isso. Snhiff! Vou quinar.

9.3.11

Não gosto do Carnaval

(Texto publicado no DN de ontem, parcial ou total, não sei. Não comprei. Se alguém tiver a bondade de me enviar uma foto ou digitalização, fico muito feliz e agradecida!)

Não é que não goste do Carnaval. Detesto! Porque é triste e deprimente, pelo menos em Portugal. Quando era criança gostava, pois era sinónimo de alguns dias de férias. Hoje, se estivesse empregada, apenas poderia gostar pelo mesmo motivo. Torna-se ridículo ver pessoas adultas mascaradas na rua porque sim, apenas porque é Carnaval. Homens vestidos de mulheres ou de enfermeiras, com meias de liga, é um cenário triste de se ver. Como ver o Alberto João Jardim de cuecas num desfile, enfim, é a falta de noção.

Nem sei quando começou o Carnaval por Portugal, mas quase posso jurar que é cópia e influência brasileira, onde acredito que o Carnaval tenha graça. O Brasil é um país alegre, cheio de festa, tem um "jeitxinho" inimitável e tem uma coisa maravilhosa que é o calor. Como cópia, aparece em Portugal uma coisa muito mal amanhada, feita com meia dúzia de gatos pingados, puxados por carros de mau gosto, desfilando em avenidas despidas onde o povo bate palmas (sabe-se lá porquê) e onde sambam outra meia dúzia de gordas, nuas, com temperaturas de 10ºC a tiritar de frio. Volta e meia, alteram-se as datas dos desfiles por causa da chuva. Simplesmente não tem graça, é desadequado e uma despesa estúpida e evitável. No Brasil será diferente, como em Lisboa têm graça os Santos Populares, ou como teria piada um baile de máscaras onde todos se trajassem a rigor. Ser adulto e andar mascarado pela rua só para fazer figuras tristes, é isso mesmo: triste.

Pior do que a existência do Carnaval, é a libertinagem nascida da expressão "é Carnaval, ninguém leva a mal". Eu levo. A ideia de levar com ovos (que já me aconteceu muitas vezes), farinha ou balões de água atirados ao carro em andamento, só tem graça para quem faz o lançamento olímpico e para quem não tem de ficar três horas de cabeça para baixo, na banheira, a tentar tirar cascas de ovo no cabelo. Para quem nunca sofreu a experiência, eu garanto, é um inferno. E para quem quiser andar no Eléctrico 28, em Lisboa, assegure-se que leva as janelas fechadas, mesmo quando nesta época o calor dá um ar da sua graça. É que este transporte público circula a escorrer gemas e ovos, de tal forma que nem os turistas vêem bem a beleza da cidade. Nas paragens, ao sair, toda a cautela é pouca.

Não gosto do Carnaval, mas mascarei-me algumas vezes. Creio que a última vez foi de bruxa. Num dia de semana, lembro-me da minha mãe ficar a trabalhar até altas horas da madrugada, tudo para me fazer feliz com um vestido de bruxa, cheio de trovões, um chapéu em bico que deve ter dado um trabalhão a fazer, e umas aplicações para colocar na frente dos sapatos, que os deixava em bico. De manhã, quando acordei para a escola, nunca mais me esqueço do meu espanto. Aquele vestido de bruxa era muito mais do que podia ter esperado. Foi um sucesso e fez-me feliz! O que significa que, quando chegar a minha vez de ter filhos, a consciência vai obrigar-me a repetir este papel e abrir os cordões à bolsa, porque mais do que não aparecer mascarado na escola, o grave é que as outras crianças são más umas para as outras. O dedo apontado para o outsider é motivo para uma memória triste e eterna. Para poupar lágrimas e desgostos, terei de fazer o mesmo um dia. Ou talvez a minha mãe tenha a bondade de se sentar outra vez à máquina da costura.

7.3.11

Que pêlos!

Considero o meu amigo P. um tipo normal no que respeita a meninas. Não gosta de tatuagens, bigodes ou pêlos nas pernas, e acredito que aprecie pipis lavadinhos. A primeira vez que corri com ele foi um desafio. Já no fim daqueles quilómetros todos, explicou-me como devia esticar braços e ombros, os chamados alongamentos que fiz conforme disse, dada a boa aluna que sou.

Ao levantar os braços o homem viu o demónio. Fingiu não ter visto o demónio e virou a cara para o lado. Eu não dei pelo demónio. Ficou dez minutos a matutar naquilo e a evitar cruzar o olhar comigo. Eu continuei sem dar por nada e a esticar os braços ao alto, como quem toca nas nuvens e, nisto, mostrava-lhe o demónio. Até que ele percebeu:

- Olha... tens metade da camisola colada às axilas.

Olhei, tinha as axilas minadas de borbotos pretos da sweat, o que era um lindo cenário para ser ver a uma certa distância.

- Wouhahhahaha! Achavas que eram pêlos, não achavas? - perguntei enquanto me 'depilava'.
- Achei. Demorei a perceber. Já estava a passar mal.

Só fazem a barba e depois não percebem do resto!

5.3.11

Do you remember? #141



The Beatles - Hey Jude - 1968

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

4.3.11

Consultório #53

Ele dá-lhe a volta à cabeça, vai e volta no tempo, tanto se aproxima como pede distância. No meio, vai dormindo com ela. Ela é casada.

Olá P.,

(...) A pergunta que se deve fazer a si própria é elementar: o que é que quer? O que procura? Por que está casada?

Em vez de pegar na sua história, vou antes contar-lhe uma história. O A., que andou comigo ao colo, estava casado com a mulher há 25 anos. Entretanto, ela descobriu que os últimos 8 anos da vida que tinham em comum, andou a dormir com outra. Não faço ideia que é essa tipa, nem interessa. Meteu-se um divórcio pelo meio, amigos de uma vida inteira, duas filhas e, finda a novela, ele está em casa, sozinho, cheio de dinheiro e com tanta falta daquilo que o dinheiro não compra. Os amigos, eles não estão zangados, mas ninguém pode deixar de expressar a desilusão com alguém que achavam conhecer. No fundo, até eles foram enganados. Os amigos, todos casados há décadas, movem-se em manada há muitos anos e ele, o mundo lamenta, mas inevitavelmente tornou-se um outsider.

A gaja que o acompanhou durante 8 anos, esfumou-se. Desintegrou-se, o que mostra o quanto gostava dele, agora livre. E a ele, resta-lhe mendigar atenção, pedir para ser convidado para uma festa de fim de ano só para não ficar sozinho, ver-se abandonado quando os amigos vão todos em casais para a neve, fazem viagens, vão jantar fora e estao juntos nas festas de anos. Ele enganou a mulher, o mundo, fez de conta que era uma pessoa que afinal não era, perdeu a força nas amizades, perdeu a compreensão das filhas, perdeu o emprego, perdeu-se a ele próprio. Mas ganhou numa sala um sofá que lhe dá colo sempre que ele quiser e a oportunidade de comer nesse mesmo sofá todas as putas que lhe aparecerem pela frente. Nem sequer tem de dar satisfações a ninguém! Então, mas não era isto que ele procurava?

O A. deu tiros nos pés como nunca ninguém imaginou. Achou que o mundo era dele e que podia fazer o que entendesse, só que esqueceu-se que não estava sozinho no mundo. Que às outras pessoas devemos respeito, carinho, fazer por cumprir os nossos valores e princípios. O mal virou-se contra ele e vai acontecer com quem fizer o mesmo. Se eu tenho pena? Nenhuma. Eu gosto de justiça.

A tentação brota em todo o lado e vai continuar a aparecer, a questão não é quando, mas o que vai fazer com ela? A distracção dentro do casal também existe e é por isso que é tão difícil trabalhá-la. No entanto, os sinais de alarme são óptimas escolas. Eu nunca me deparei com uma tentação, mas a minha relação tem apenas um ano e meio e eu não casei na idade em que devia estar a viver os melhores anos da minha vida.

No outro dia encontrei num livro a analogia de uma relação com uma casa. Se a sua relação representa uma casa, é normal que tenha janelas abertas e que faça novos amigos com quem conversa. Os sinais de alarme começam quando com um determinado amigo fala de uma dessas janelas, baixinho, para ninguém ouvir. Começa quando tem com esse novo amigo, conversas que não tem com outros amigos, conversas íntimas, suas, que teve em tempos com o seu marido. Ao fazer isso, constrói um muro dentro do quarto, que a separa do marido. Ou seja, aquela coisa do "aconteceu sem querer," não existe. A pessoa é livre de tomar decisões e sabe o que está certo e errado. A P. sabe que dormir com outro homem é errado. A P. sabe que o homem com quem dormiu não presta. De outra forma, não me escrevia.

E agora P., o que é que perguntava ao A.? Precisava de perguntar se valeu a pena? Acha que tem mais a ganhar ou a perder? Por que é que não investe as suas forças na relação que tem e não na relação que acha que quer, na verdade, só porque ele não a quer? Pelo amor de Deus, esse homem pediu-lhe distância! Acha que um homem que está apaixonado pede distância? A cama é assim tão boa que vale a pena que deite tudo, a sua vida, a perder?

Ninguém tem de ficar casado a vida inteira, mas se quer sair de um casamento, saia porque já não existe amor. Não abandone um casamento porque permitiu a entrada de terceiros. Não permita a entrada de terceiros. Isso não depende de quem assobia à janela, depende de si.

2.3.11

Ele lá conseguiu

O meu amigo P. lá conseguiu! Anulei a inscrição do Holmes Place (o que foi uma guerra que não vem para o caso, mas vão ter uma surpresa quando perceberem que o banco já não tem autorização para débito directo) e fui correr com o gajo. Começámos pelo Passeio Marítimo de Oeiras, 6.420 Km, alongamentos a que fui obrigada para meu bem, muita conversa, falta de ar porque isto de rir e correr ao mesmo tempo não é inteligente e algumas respostas a perguntas complicadas, não fales comigo! Não consigo responder!

À noite deitei-me tarde, achei que com o cansaço, no dia seguinte ia acordar ainda mais tarde. Engano meu! Às 07h20, plim! Lá estava eu, cheia de energia, desperta como nunca ninguém me viu de manhã. Dormi menos horas, mas muito mais profundamente. O Poisoned Apple Man roncava como habitualmente, andei às voltas umas duas horas e pensei: e se fosse fazer algo pelas minha coxas grossas?

Para surpresa do P., rumei sozinha até à beira Tejo, fiz 5.400Km. Adorei aquele fresquinho da manhã, o solinho catita, o rio espelhado, a cena de parecer boa nas horas naquela roupa justa e preta (que engana muita gente) e ter os machos (velhos e novos, olham todos para todas) a observar-me com admiração, como se fosse criatura cheia de força e corresse todos os dias desde que nasci. Não fiz alongamentos, esqueci-me. Fiquei cheia de dores. Estou a morrer, na verdade.

Ainda não me sinto boa nas horas e faço figas para que me torne viciada nesta coisa que, fisicamente é mais desgastante que o Holmes Place, mas mentalmente é muito mais giro de fazer. Fora isso, a barriga já não incha durante o dia e noto uma grande ausência gasosa. Só por isso o Poisoned Apple Man acha que eu devo continuar a correr. Ele sente-se mais feliz assim. Mas se daqui a um mês não notar nenhuma transformação no tamanho da padaria, volto é a comer bolos.

1.3.11

Roam-se de inveja...

... isto é só para quem tem aparelho. Privilégios!

Um estojo todo catita, levo na mala tudo o que preciso para não ficar com comida presa nos caminhos de ferro ou bafo de bode. Bendita ideia, que eu já tinha tudo espalhado na mala no meio das moedas. Depois morria de nojo.



A Meia-Tinta é só ideias!