28.2.11

Presentes envenenados

Há uns tempos jantei com vários colegas de trabalho do Poisoned Apple Man. A mulher de um deles, uma simpatia, ofereceu aos casais que lá estavam um saco com um lacinho cor-de-rosa, todo bonitinho, com chocolates feitos por ela. Os chocolates tinham um aspecto rústico, bruto, pesado, daqueles cheios de avelãs, amêndoas e passas. Eu agarrei-me logo ao saco e abri a pestana com vontade de os provar. Já sabia que iam ficar todos para mim, pois o Poisoned Apple Man não gosta destas coisas.

Dias mais tarde, trabalhava arduamente em frente ao portátil enquanto ia tirando chocolates do saco e metendo na boca sem olhar. De repente senti algo estranho preso no aparelho. Olhei para o espelho.

Wouaaarrrrgh!!!

Se não era um pintelho, podia ser.

No meio de alguns 10 sacos que foram distribuídos, o dito pintelho tinha de estar no saco que me foi destinado. Serve-me o consolo não ter provado aquele chocolate específico mesmo ali à mesa, no jantar.

Só a mim, só a mim. Tudo eu! Já de uma outra vez ia a passear pelas ruas do Castelo e levei com um pintelho voador colado ao meu magnífico Magnum de amêndoas, tudo por causa de uma mulher que sacudiu os lençóis à janela.

Ninguém merece este magnetismo.

26.2.11

Do you remember? #140



Phil Collins - Against All Odds - 1983

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

25.2.11

Enquanto não me tirarem o pio, não me calo #2

Resposta ao texto 'A parva da Geração Parva', da autoria de Isabel Stilwell que pode ler-se aqui

Enviado para editorial@destak.pt

Sugestão: fazer link desta resposta nos blogs, nos FB, copiar a resposta e fazer forwards. Ainda ninguém deu uma resposta que tenha circulado em massa. Convém mostrar o ponto de vista de quem é 'parvo'.

Exma. Senhora Isabel Stilwell,

Escrevo-lhe em resposta ao texto que publicou no jornal Destak, com o título ‘A parva da Geração Parva’. Espero que entenda esta resposta como construtiva e não mais um desses hate mails que de certeza tem recebido e deve levar a sua conta de e-mail ao desespero. O meu estilo prima pela educação.

Tenho muitos dos últimos romances que escreveu. Mais do que uma vez, suspirei o quanto gostaria de escrever algo assim como fez a Isabel, mas quando me deram a conhecer texto publicado no Destak, não pude deixar de me desiludir.

Vamos a apresentações! Tenho 32 anos, estudei em escolas particulares, fiz a minha licenciatura na universidade que frequentam os filhos das boas famílias. Também tenho apelidos sonantes, na minha família todos são licenciados e gosto de pensar que fui bem educada. Sei que tive muita sorte. Tive um avô médico, outro sentou-se em grandes cadeirões de alguns bancos nacionais. Tive muita sorte. Quando me formei, continuei a ter sorte. Fiz um estágio curricular numa instituição onde gostavam muito de mim, queriam contratar-me, mas não tinham como. Trabalhei dez meses de graça. Depois lá conseguiram. Ganhava muito bem, depois mudei e passei a ganhar muito, muito bem, mas sempre vi os meus amigos a ganhar muito mal. Tive muita sorte. Eles não. No meio de tudo pelo que me sinto grata, imagine, esta é já a terceira vez que me encontro desempregada. Nunca estive tanto tempo desempregada.

A minha mãe sempre me ensinou a trabalhar por aquilo que queria. Fez um bom trabalho. Gostava de vir a fazer o mesmo pelos meus filhos, um dia. Com catorze anos comecei a fazer serviços de baby-sitting. Primeiro aos tios, depois aos amigos dos tios e por aí fora. Depois, aos dezasseis, comecei a fazer de hospedeira em alguns congressos, aqueles davam trabalho a menores de idade. Desesperei pelos dezoito anos para trabalhar mais e poder engordar as minhas poupanças, mesmo que em casa não me faltasse nada. Os dezoito chegaram e com eles tantos trabalhos que não consigo enumerar. Trabalhei durante toda a minha licenciatura.

Então, o desemprego bateu à porta uma, outra e outra vez. Esta última, muito mais longa do que eu contava. Mas não cruzei os braços. Licenciada, com experiência profissional e tendo já usufruído de salários gordos, aproveito a minha ainda cara de miúda e sou orientadora de sala numa sala de espectáculos da capital, vou fazendo algumas traduções (tenho a sorte de ser bilingue) e ainda peguei numa parte das minhas poupanças para dar inicio a um negócio online. Não fiz nenhuma fortuna, mas não perdi dinheiro. Fico contente por não ter perdido e por dar para atestar o depósito do carro (que eu paguei) algumas vezes. Há pouco tempo, numa festa, encontrei a mãe de uma amiga de longa data que me perguntou se me mantinha na situação de desempregada. Expliquei-lhe o que andava a fazer e devolveu-me um suspiro: ‘o que vale é que está sempre a fazer outras coisas!’. Nem nunca tinha pensado que olhavam assim para mim.

Ou seja, continuo a esforçar-me o quanto posso. Mando tantos currículos que já lhes perdi a conta. Nem me chamam para uma entrevista. Já me sugeriram que omitisse partes do meu currículo, o que me recuso a fazer. Ao que isto chegou!

Ou seja, desde que me lembro de ser gente, não andei a coçar-me. Sempre trabalhei, estudei, formei-me e tive muita sorte. Mas vi os meus amigos a desesperar de azar, lamentei por eles, vi-os desertar, vi-me longe de muitos amigos distribuídos pelo mundo fora, o que eu também devia ter feito. Tenho pena de não ter tido coragem.

Nisto, a geração que já foi rasca, agora é parva, nas suas palavras. Tudo porque os Deolinda decidiram cantar uma música com que tantos se identificam. Uma música, no meio de tantas, deu-lhe a si o direito de chamar as novas gerações de ‘parvas’. Lamenta que tenham gasto dos impostos para os quais contribuiu sem que esta geração tenha aprendido coisa alguma. Nas suas palavras, ‘aprender (…) significa estar apto a reconhecer e a aproveitar os desafios e a ser capaz de dar a volta à vida’. Eu estou apta, reconheço e aproveito os desafios… desde que eles existam!

Gostava eu de saber qual a sua base estatística, ver esse documento na minha frente que diz que os ‘licenciados (…) ganham duas vezes mais do que a média, e 80% mais do que quem tem o ensino secundário ou um curso profissional’. A média, vi há dias na SIC, era de 800€ líquidos. Eu não vejo a minha geração a ganhar duas vezes isso. E conheço muita gente.

Nenhum jovem diz que a crise foi inventada para o tramar. Isso é insultuoso. Os recibos verdes não existem para escravizar ninguém, existem porque quem os inventou não teve cuidado naquilo que estava a fazer. As entidades patronais, aproveitam. Quem tem recibos verdes, quem tem uma empresa, desconta muito mais do quem tem um contrato. No entanto, não tem direito a subsídio de desemprego ou direito a uma baixa, se doentes. Isto, no mínimo, é dar nome ao conceito de injustiça.

Há uma geração inteira que se identificou com uma música, mas não a tornou num hino, ao contrário do que afirma. Quantas músicas foram escritas sobre tantas guerras e lamentos? Há um tango argentino, deve ter cerca de 40 anos, em que um amigo escreve a outro que abandonou Buenos Aires para trabalhar em Itália. Escreve-lhe: ‘não voltes’. Também Eça de Queiroz e Fernando Pessoa lamentaram os tempos modernos da altura, a falta de valores e os malandros dos jovens. Em todas as épocas, alguém a quem a sociedade leu e deu ouvidos, escreveu e lamentou os tristes tempos que se viviam. Só não sei se foram insultados de ‘parvos’. É cíclico, não traz nada de novo.

Afirma que temos de ser parte da solução o que, penso, passará por levantar mangas e começar a trabalhar. Mas esqueceu-se de um facto: tendo em conta as hierarquias empresariais, é a sua geração que nos dá/devia dar empregos com salários justos. Saber que existe uma vida pessoal e não obrigar a trabalhar doze horas por dia em troca de coisa nenhuma. É a sua geração que devia considerar e cuidar a dedicação dos colaboradores. Agora, se querem atirar-nos areia para os olhos quando sabemos que atrás de um estagiário a custo zero, vem outro, para não haver lugar a contratações, isso sim, quem acreditar que é mito, é parvo. Nos sites de emprego, vejo anúncios insultuosos. Em alguns, solicitam até a viatura própria para depois nos deixar a arder.

A minha mãe, que tem uma empresa que nunca lhe deu o que queria, no fim do ano, se as vendas de Natal corressem bem, dividia parte dos lucros com os funcionários. Sem que tivesse qualquer obrigação. A minha mãe, que tem uma empresa que nunca lhe deu o que queria, sempre pagou cada uma das horas extra feitas por cada funcionário. Isto chama-se de consideração. E com isto aprendi coisas que penso que a si lhe faltaram ao escrever o texto do Destak: humildade, empatia, generosidade.

O que me leva a perguntar-lhe, como Directora do jornal Destak: quanto ganham os estagiários? Sabe ou alguma vez soube?

Enquanto espera que os jovens deste país ‘apliquem o que aprenderam para encontrar a saída’, eles vão desertando, vão sendo infelizes, vão fazendo promessas aos santinhos e esperar por algo igual à sorte que eu tive. Ainda que desempregada, estou muito grata pelas coisas que consegui. Continuo a arregaçar mangas e a ver navios. A minha família não me deixará morrer à fome, mas assim também não conseguirei ser feliz e muito menos realizada. Mas tive muita sorte.

Diz que faz muita falta que os jovens desenvolvam para aplicar aquilo que estudaram. Não espere por isso. Eles estão a desertar. Vão aplicar sim, mas noutros países. Quando aspirar à sua reforma, aquela que consiste num sistema baseado em que os jovens descontam para os mais velhos, esqueça. Eles não vão estar no país. Ou não tiveram filhos, porque os salários não permitiram. E assim se envelhece a população.

A minha geração estudou para ter uma vida, já nem digo uma boa vida. Alguns deles encontraram uma triste vida e não conseguem ser totalmente independentes, por muito que arregacem as mangas. Por isso se identificam com a música dos Deolinda. Já eu, uma em tantos, tive muita sorte, ainda que desempregada. Não sei até quando. Mas estou grata pelo que fui conseguindo à custa do meu esforço. Espero ser recompensada em breve.

24.2.11

Novidades

Este blog vai ter um passatempo! Coisas lindas e boas, mesmo boas!

Nota: No blog A Maçã de Eva, a autorá não participará em passatempos sempre que não acredite ou não confie nas marcas que se querem associar.

23.2.11

Sem dramas

O homem usa a água morna na casa de banho. Eu abro a água fria na cozinha.

O que dizer a um homem que grita que nem um desalmado por ter queimado as vergonhas?

- Já passa.

A avaliar pela reacção, tudo indica que a simplicidade do consolo representa uma grande desconsideração pelas suas vergonhas.

22.2.11

A quem já me pediu vários posts sobre a Bimby...

... não deixa contacto, não verifica se há respostas e depois parece que não dou cavaco!

Mas eu respondi:

"Anónima da Bimby, eu já tinha lido o seu comentário, andei às voltas e não sei bem como escrever um post sobre a mesma. Eu gosto da Bimby, mas não sou fã nº 1, inveterada e estou longe de a usar todos os dias. Envie-me um e-mail com as suas questões que trato de responder e dissertar sobre o tema!"

O derby de ontem

Quem me conhece sabe que não sou adepta de nenhum clube futebolístico. Mais: detesto futebol. Com todas as ganas. E não detesto o jogo em si, embora não me diga nada, mas todas as reacções próprias de gente bronca e acéfala que vai provocando pelo mundo fora.

Lá vai o tempo em que um dia, para me enturmar num encontro qualquer, gritei: fora de jogo! A sala que estava aos gritos calou-se. Depois começou tudo a rir e sou gozada até hoje. Afinal 'fora de jogo' não é quando a bola sai do campo depois de um pontapé vigoroso.

Ontem foi dia de derby. Lá rumei a uma jantarada em casa do meu sogro, de quem gosto muito e que me obrigou a marcar presença, mas sou pouco fã destes programas. Já sei que mal se pode falar, que os olhos estão postos naquela televisão do tamanho de um cinema, o som da TV vai sendo alternado com o som do relato na rádio à velocidade de um botão e é toda uma histeria, gritaria e palavreado fino em volta daquilo que me faz sentir numa feira que não tem nada de giro para comprar. E se não há nada de giro para comprar, não vale a pena existir feira.

São muito adeptos do Sporting, mas enquanto vos escrevo de costas para estes fervorosos adeptos, estou a ouvir:

1. Este cabrão só corre, não faz mais nada!
2. Filho da puta! Isso é jogada?
3. Estes gajos são uma merda!
4. É falta!, cabrão!
5. Cabrões do caralho, só perdem.
6. O melhor em campo é o árbitro!
7. Quando é que este gajo se vai embora do Sporting?
8. Este jogo é uma merda!


É todo um palavreado fino que me deixa sem palavras. Note-se que nunca oiço este tipo de linguagem excepto durante o tempo que dura um jogo, o que vem confirmar que o futebol altera as pessoas. Para pior.

Ora, já viram que eu não percebo nada de bola, mas pelo que me consta o Sporting passa a vida a perder. Ou melhor, só perde, não desfazendo os adeptos, que isto não tem nada a ver com quem joga melhor. Acrescem a estes pontos que acima descrevi, os nervos em franja, os rostos vermelhos de cólera, dedos do meio esticados (de ambas as mãos), momento de quase-enfarte, e ainda todo um paleio em frente à TV que apenas, única e exclusivamente, insulta e rebaixa a equipa.

Ora, se é assim, se perde, se é para insultar, se é para ficar de trombas, para suspirar e continuar a dizer mal, se serve apenas para sofrer desgostos e ficar de mal com o mundo, para que raio ver jogos e continuar adeptos de um clube que não traz alegrias?

Isto é o mesmo que ver uma mulher a correr atrás de um homem que já disse com todas as letras, alto e a bom som, que não a quer. Burrice.

Questões pertinentes #34

Ora bem, tenho de começar a pensar nas férias. E conto com a vossa ajudinha, querubins.

Quem é que já foi a Miami e dali apanhou um cruzeiro para as Caraíbas? Sugestões (empresas de cruzeiros, hotéis em Miami, ilhas a escolher...) críticas, preços, tudo é bem-vindo para me começar a organizar.

Eu quero muito fazer isto, mas o Poisoned Apple Man está com receio de fazer o cruzeiro da 3ª idade. Não quer passar as férias a fazer corridas de andarilhos no convés. Eu cá desconfio que da mesma forma que existem cruzeiros para reformados, gays e lésbicas, também deve existir para adultos como nós, não?

21.2.11

Poisoned Apple é amiga das crianças

As minhas amizades bem sabem porque não corro à maternidade: não estou preparada. Basicamente parece que não estou preparada para coisa nenhuma? É verdade. Sou uma coninhas. E não estou preparada para uma série de coisas como gritos que me consomem a paciência e birras por motivos estúpidos. Eu sou uma pessoa extremamente racional e espero que os meus filhos chorem quando têm motivos para isso, não quero que aconteça por tudo e por nada e por coisas estúpidas como tiraram-me o brinquedo. Eu quero que a minha criança pense que se já não tem aquele brinquedo, vai buscar outro. Sem piar. Como não tenho garantias de vir a ter crianças extremamente racionais e inteligentes, deixo-me estar quieta por enquanto.

Já diz a minha amiga vizinha, com voz grave e pesada, que os meus filhos vão andar na tropa! Comenta que os filhos dela nunca jantam tão depressa como quando lá estou a fazer a ronda pela cozinha, de cara séria, controlando o ponto da situação de braços cruzados. Já a K. diz que vai ter pena dos meus futuros filhos. E eu compreendo.

Mas isto para contar que fui ao jantar de anos em casa da minha amiga vizinha, onde estavam 3 crianças que lutavam pelos mesmos brinquedos. Se uma desistisse, também desistiam e iam lutar pelo novo brinquedo (são estas cenas que eu acho pouco racionais e me dão cabo dos nervos, ainda que lhes dê muito amor quando calmos).

Isto aconteceu, nomeadamente, com um balão amarelo. Balão esse que estava pintado de verde com uma caneta, onde todos punham as mãos que depois levavam à cara para afastar as lágrimas e ali nasceram lindos monstros com a mesma cor do Shrek. Verdes.

A mesa estava linda, os adultos tentavam degustar uma belíssima sopa de cogumelos e cebolinho, as crianças berravam, a aniversariante tinha calores, soprava de nervos, os adultos diziam coisas como deixa lá brincar, empresta o balão, deixa lá que já devolve, e cenas que não levam os putos a lado nenhum porque não são racionais (lá está!) e estão-se a cagar. Era tal a força que faziam por um balão que ficavam vermelhos de fúria, choravam desalmadamente, desiquilibravam-se, ameaçavam vomitar o jantar e iam dando encontrões na mesa tão bem posta.

Olhei para o Poisoned Apple Man do outro lado da mesa, por onde passava o balão:

- Dá-lhe com o garfo! Aproveita agora!

PUM!

Problema resolvido. Sou assim: nunca me concentro no problema, mas na solução.

Vou ser uma mãe horrível.

19.2.11

Do you remember? #139



A-ha - The Sun Always Shines On Tv - 1985

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

18.2.11

Consultório #52

"(...) Há dois anos conheci o Y. (...) por quem acabei por me apaixonar (...) Estudávamos em pontos diferentes do país (...) Começámos a estar juntos (...) aos fins-de-semana e nas férias. Agíamos como namorados, com beijos e carícias apenas, nada além... Embora o desejo fosse muito. Mas nada evoluía no sentido de um relacionamento assumido, embora eu gostasse dele e ele parecesse gostar de mim. Ambos tínhamos acabado de sair de relações longas, por isso era até bom para mim não ter nenhum compromisso, pensava. Mas o meu ego contrariava essa lógica.

Um dia, aconselhada por uma amiga, decidi tomar a iniciativa de ter "a conversa". Perguntei-lhe sobre nós. A resposta era aquela que eu já sabia há muito tempo (como toda a gaja sabe sempre) e poderia ter-me poupado a ouvir:
"Não estou preparado para namorar neste momento... Namorei muito tempo... Blá, blá, blá." Ao que eu respondi: "Ok. Eu também namorei muito tempo, blá, blá, blá... E agora não estou preparada para nada sério. Apenas queria saber em que pé as coisas estavam para ti. Tudo claro agora." Pois, nada poderia ter ficado menos claro. Infelizmente.

(...) Após tanto tempo a resistir (...) decidi que ter estado tanto tempo com ele sem nunca termos dormido juntos tinha sido um erro, pois isso só me fazia desejá-lo mais. Então cedi a "perder o medo" (...) Não foi bom. Não foi mau também. A recordação que guardo dessa noite é a de um vazio ensurdecedor. Algo estranho e incompleto como até então as minhas noites com alguém nunca haviam sido (até à data, nunca havia experimentado dormir com alguém com quem não tivesse um relacionamento real). E, para mim, algo importante faltou. Na manhã seguinte ele agiu como sempre, não foi mais carinhoso, não foi menos. Apenas houve mais silêncios e olhares mais enigmáticos que o habitual. Eu também não ajudava uma vez que não conseguia ultrapassar de forma completamente eficaz uma vontade imensa de ficar em silêncio, tentando entende-lo e entender-me. Acompanhou-me até me ir embora e nunca mais falámos dessa noite. Nem nunca mais a repetimos.

(...) Depois surgiu uma oportunidade para mim de passar uns meses fora do país (...) Fui e voltei e apesar de tudo, ele continua encantador. O desejo afinal não passou, nem depois daquela estranha noite que passámos juntos. E eu continuo a não lhe resistir e a comparar todos os homens que se interessam por mim e por quem eu me tento interessar, a ele. E todos saem invariavelmente a perder.

Voltei a beijá-lo, uma vez só desde que voltei, não me permiti a mais, embora nos tenhamos encontrado mais do que uma vez e ele me tenha, como sempre, deixado de joelhos a tremer e com borboletas no estômago. E agora está ele fora do país (...) mas brevemente vai voltar com promessas de novos encontros. Os quais eu não consigo recusar.

Gosto muito dele. Ele atraí-me imenso, como homem, como pessoa... Mas passados dois anos de nos termos conhecido, começo (a verdade é que não começo; continuo...) a achar isto doentio, pois ele não dá sinais de mudar de opinião, nem de gostar mais nem menos de mim, continua o mesmo de sempre e o pior de tudo isto é que eu também. Sei que não teremos futuro e sei que tão pouco existimos como "nós". Nunca existimos. No meio de todo este "non sense" sei que não vou conseguir deixar de estar com ele quando ele voltar definitivamente, o que está para muito breve, mas sei também que não estar com ele de todo seria talvez (???) a forma mais inteligente de proceder para bem da minha saúde mental (que começo a questionar seriamente). Estou a pensar de forma correcta?

Já não falo desta situação às minhas amigas pois é muito complicado admitir tudo isto em voz alta. Mesmo a mim mesma é difícil. Fere-me o amor próprio, que nunca até agora tinha questionado por causa de um rapaz (mesmo já tendo tido eu pessoas de quem gostei muito, por quem me apaixonei e com quem namorei por bastante tempo). Esta é a verdade, porque este "eu" que descrevo é desconhecido para mim, nunca tive um comportamento destes por ninguém, nem o aprovo minimamente. Só que perdi - aparentemente - o controlo sobre mim. Apenas queria desligar-me dele de uma vez e encontrar alguém... Alguém que fosse simples e por quem me conseguisse apaixonar a sério, sem necessidade de comparações".


Olá X.,

obrigada pela sua mensagem.

Eu sempre me perguntei de que valia o sexo com alguém de quem não recebemos o mesmo que damos, ou alguém com quem não existe amor. A resposta é sempre a mesma: nada. Não traz nada de bom, não nos completa, não nos alimenta. E a X. teve logo um sinal de alarme quando lhe perguntou por "nós". A ele, não podemos chamar de oportunista, nem de cabrão. Ele parece deixar claro que gosta de estar consigo, mas é de vez em quando. Gosta de estar consigo, mas não é apaixonado e muito menos a ama, ou então era incapaz de a deixar livre. O que ele quer dizer quando diz "não há nós", é explicar de forma simpática que não existem sentimentos maiores e que ele quer ser livre para fazer o que lhe dá na gana. E não se pode condenar o homem, pois ele parece ter sido bastante honesto. Nesses dois anos, não tenha dúvidas que muitas outras mulheres foram passando por ele.

Mas foi depois disto que a X. decidiu que ia dormir com ele, o que não devia ter feito, não por fazer de si uma ordinária, mas por estar apaixonada. Isso é o mesmo que andar a cavar um buraco. Foi vazio porque não existiam coisas que quer dele, como intimidade e cumplicidade, coisas que nascem do amor. Foi à procura de algo que ele não tinha para dar, iludindo-se com a ideia de "quando fizer isto, passa-me". Por acaso no seu íntimo não se enganou com um "quando fizermos isto, a união entre nós será maior"?

A X. não consegue esquecê-lo porque continua a alimentar a esperança de esta história sofrer um revés e ele vir a correr para si, confessando que afinal é em si que reside o amor. Ao manter conversas, e-mails, mensagens, ao povoar o seu pensamento com ele, está a impedir que outros apareçam e tenham alguma graça. Enquanto alimentar o coração com o Y., A. e B. vão sempre parecer ensonsos. Mas é aí que está a recuperação de alguém, no cruzar desse caminho horrível que é não falar, não pensar, achar toda a gente desinteressante e, muitas vezes, pensar que estamos num café com os amigos e não queremos estar ali. Porque estamos vazias, porque nos falta qualquer coisa, porque temos azar, porque não encontramos o que queremos, porque só nós sabemos.

A X. está a pensar correctamente: essa relação já deu o que tinha a dar. Ele está farto de mostrar que o que tem a dar não corresponde ao que quer e, por isso mesmo, só continua no vazio se assim quiser. A X. já teve relacionamentos longos, sabe o que um relacionamento verdadeiro e profundo traz, e não tem nada a ver com isto, certo?

Querer mais, encontrá-lo, depende de si. Do seu esforço, da sua luta, da sua resistência (mais do que da luta) e até de algumas lágrimas.

Boas escolhas!

16.2.11

Facebook stalkers

Certo dia, há cerca de dois anos, fui a um jantar de aniversário de uma prima minha. Além da primalhada toda, conhecia muito poucos amigos da aniversariante. Galo meu, numa mesa corrida e comprida, fiquei à frente de um tipo com ar de anormal, coitado, que não capei à partida. Mas eu nunca me engano.

Eu estava a levar a seca da minha vida, mas como a minha mãezinha me ensinou a ser educada e tolerante (ou pelo menos a fingir-me tolerante), lá me aguentei. Durante cerca de uma hora ouvi o rapaz falar de todos os Pai Nosso e Avé Maria que já tinha rezado na vida, das peregrinações que fez pelo mundo fora, da equipa de não sei das quantas que tocava as músicas do Senhor ao pôr-do-sol, à tarde e à hora de almoço, que bonitas eram as flores de laranjeira naqueles sítios, toma lá uma foto do telemóvel aqui, outra acolá, ai a minha vida! e o Diabo a sete.

Eu não sou, de todo, uma pessoa que condene os crentes. Nao sou mesmo. Cá tenho as minhas crenças, faço a minha fé, mas, meu amigos, não me impinjam nada que para isso é que não tenho pachorra.

Tentei mudar de assunto, aliviar a minha falta de paciência, pelo que tomei a iniciativa de perguntar:

- Então o que é que fazes da vida?
- Trabalho na EMEL!
- Hum... [Fo**-se! Cab*ão! Filho da p**a! Nunca vamos ser amigos! ]

A partir daqui fiquei tão atordoada, perguntei-me se estaria a ser vítima de um castigo de Deus pelas multas que vou acumulando e já não me lembro mais da noite. Dias mais tarde, recebi um pedido de amizade no FB. Hesitei, mas tive pena do rapaz. Era uma peça perdida no rebanho do Senhor, aquela criatura de quem ninguém devia gostar, que nunca deve ter visto os tornozelos de uma rapariga e lá aceitei. Sou mesmo boa pessoa. Volta e meia aparecia no chat para conversar: Olá amiga! Estás boa? Tomamos café? E eu ficava com suores frios.

Até que em Maio do ano passado, mês em que o Papa visitou este país rebentando com os cordões da bolsa que se dizia estar fechada, a cada 10 minutos, sem exageros, o raio do rapaz escrevia no FB qualquer coisa religiosa como "Deus é nosso Pai", ou incentivos "coloquem uma foto do Papa no perfil!, "todos ao Terreiro do Paço!" dar as boas-vindas a um Papa que, Deus me perdoe, tem cara de pedófilo. Não curto deste Papa. Tem cara de filho da mãe, que lhe fazer? Gostava era do antecessor e estava mais preocupada com o facto de ter Lisboa fechada ao trânsito e com o dinheiro dos contribuintes que se gastava nesta party.

Depois de toda a lavagem cerebral que me tentou fazer com a vinda do Papa e enjoada que já estava de crucifixos, por esses dias arranjou uma namorada muito gira lá das equipas que, como já se sabe, tinha de ser igual ou pior a ele. Dito e feito, passei a assistir a uma troca cruzada de declarações do género: "amo-te tanto com a graça de Deus Nosso Senhor", "dá-me a mão que caminharemos juntos com Cristo pelo meio" e outras cenas altamente promíscuas que metiam sempre um triângulo amoroso com Deus num dos vértices.

Meus amigos, isto era mais do que eu conseguia aguentar.

Peguei no FB e disse para mim "é hoje!". No fim escrevi "acabei de fazer uma limpeza nesta casa. Se ainda lês esta frase é porque és boa pessoa". É claro que no meio dos amigos-spam foi o tal rapaz. Entretanto já fiz várias limpezas. Gosto pouco de guardar lixo.

Ao fim de 15 dias, o tipo lá terá percebido que eu já não fazia parte da lista de amigos dele (ups!) e desde então, há quase um ano!, o gajo não pára de me enviar pedidos de amizade sucessivos? Viu-me uma vez! Esta cena está a deixar-me os olhos raiados de sangue. Já não posso ver a fotozinha tipo passe dele. E tomara que nunca o encontre. Não gosto de ser rude com as pessoas.

15.2.11

Jantar de dia dos namorados - adenda

Ora, ainda bem que a malta ri com o meu jantar de ontem. Riam pequenagem, alguém tem de achar graça a isto. Então hoje liguei para o consultório bimbólico, pronta a levar a minha menina ao médico e sem querer pensar no preço do tratamento. Nisto, vou aos fóruns da Internet ler os comentários da malta a quem isto pudesse ter acontecido. Até que li um comentário interessante:

"Li numa revista que a Bimby não aquece se o tempo não for marcado".

Ó Diabo...!

Lá vou eu ter com a minha menina, atiro-lhe água lá para dentro, marco tempo e... a cabrona aquece imediatamente!

Ou seja, metade do jantar de ontem foi atrasado e ficou meio merdoso porque me lembrei de controlar o tempo a olho, coisa que nunca devo ter feito antes. E prontus, a Bimby já não vai ao médico, este post é apenas serviço público. Pode ser que a minha estupidez um dia ajude alguém. Aguento mal o facto de ter sido tão estúpida. Muito mal. A tipa ali pronta a funcionar e eu a desdobrar-me em mil soluções. Ela, disponível, ria à gargalhada. E eu sem saber.

Fora isso as calças já estão cosidas, a carne vai ser picada para croquetes (espero não partir a hélice de rija que está), a sopa tem grumos, continuamos sem saca-rolhas e o homem quer comprar logo dois, por causa das coisas.

Mas vamos ao que interessa. Quem é que me lançou um mau olhado?

Jantar de dia dos namorados



Eu não ligo nenhuma ao dia dos namorados, é apenas mais um pretexto para fazer qualquer coisa diferente e pirosa. Mas ontem, a noite do dia dos namorados podia chamar-se "noite dos horrores" ou "noite do mau olhado". Quando me preparava para fazer o béchamel na Bimby, a ordinária gripou. Agora não aquece, já me viram isto? Tive de o fazer à maneira antiga. Nisto, o creme de cogumelos não ficou tão cremoso quanto gostaria, a bilha do aquecimento acabou-se e o único saca-rolhas da casa partiu-se.

Passámos cerca de 30 minutos a tentar abrir duas garrafas de vinho, branco e tinto, com material da caixa de ferramentas. Ele era alicates, chaves de parafusos, chaves de fendas, 30 minutos nisto: não é assim! Estás a fazer mal! Ainda te magoas! Ai é? Então tenta tu!

Ai a carne! - lembrei já tarde.

Seca que nem um carapau. Meu rico lombo de porco com ananás. A garrafa de branco lá foi aberta e ficou cheia de rolha moída. Usei um passador e papel de cozinha para coar o vinho. Jantar. Com medo que o gratinado queimasse, poupei no tempo e ficou com partes cruas. O lombo rijo como cornos. Eu a achar aquilo tudo merdoso, desgostosa - nem pareço eu a cozinhar! - e ele a dizer que estava maravilhoso.

Mentiroso. O gajo mente-me na noite do dia dos namorados?

Sobremesa. O cheesecake partiu-se.

Fim do jantar. Atiro-me para o colo dele. Descoso as calças.

Tudo normal. Enquanto escrevo este post, os restos de cortiça no copo sabem-me lindamente.

14.2.11

Do amor e da escolha

Depois de receber o Consultório #48 no qual a remetente falava do sonho de casar, do fim do mundo que representava para ela o facto de o namorado não o querer fazer tão cedo, de - noutras palavras - confessar que até tinha vontade de atentar contra a própria vida, o assunto nunca mais me saiu da cabeça. Por que raio representará o casamento um sonho para uma mulher? Eu percebo que constitua uma vontade, uma felicidade, já todas as solteiras se imaginaram algum dia vestidas de noiva. Mas daí ao "tem de ser" nem que seja batendo o pé, a fazer disso uma meta, vai um abismo. E eu pensava nisto enquanto tomava banho, enquanto conduzia, enquanto fazia o jantar. Isto estava a comer-me por dentro. Matutei, matutei e li sobre a temática.

Até que encontrei a resposta num livro. Para mim, a resposta à vontade desmedida de casar passa por uma única questão: o sentir-se escolhida. Quando um homem diz a uma mulher que quer casar com ela, na cabeça dela, ela está a provar a todo o seu círculo social que foi escolhida. E mais importante do que isso, prova-se a ela própria. Tem tanto valor como pessoa que até foi escolhida "para sempre" pelo homem com quem namorava. E os que ficaram para trás é que ficaram a perder.

A maior parte das mulheres que conheci que queriam casar à força, foram ou são mulheres que já sofreram e viram as esperanças defraudadas em namoros sucessivos (ou no mesmo namoro já bafiento). Mas eu também já penei muito e da vontade de miúda em casar de vestido de noiva, passei foi a morrer de medo. E isto acontece porque não sinto que preciso de mais. Tenho aquilo que queria ter (e não quero estragar nada!). Ao contrário, essas mulheres de que falei, não tinham o que queriam, sentiam as relações tremidas a maior parte do tempo, sentiam que algo faltava, que havia algo que podiam receber e não lhes estava a ser dado, coisas que se sentem e não se confessam a ninguém. O que no fim de contas, não se resume a mais nada do que a não se sentirem completamente escolhidas. Elas no fundo sabem quando aquele homem não está do lado delas com todo o amor, coração, apaixonados e sem vontade de olhar para os lados, mesmo que na rua passe a mulher mais bonita do mundo. É claro que esta última frase é apenas uma força de expressão, os homens podem olhar para os lados na rua, no entanto, um que ame de verdade, só vê o que quer para a sua vida quando olha em frente. Isso, é sem sombra de dúvida amar. E é possível de ver o dia inteiro num homem, mesmo que ele não abra a boca para dizer coisa nenhuma. As mulheres sabem sempre quando não são escolhidas.

Percebi que para muitas mulheres que querem casar a todo o custo, fazendo disso uma batalha, na verdade falta-lhes qualquer coisa que acham que vão encontrar casando e, depois disso, acham que poderão viver mais descansadas. Não sei se passa pela intimidade, pela cumplicidade ou simplesmente pelo facto de não se sentirem únicas para aquele homem. Não querendo ferir susceptibilidades, e sabendo que esta não é nenhuma regra e existirão excepções, essas mulheres sabem que no fundo algo está errado. Ou que não está certo. No entanto querem de qualquer forma. E esperam que o casamento mude isso. Só que o que não vem lá detrás, não é o casamento que traz (criei um verso? Um provérbio?). Opinião minha.

Mesmo sem casamento, eu já me sinto escolhida. O que para umas é um sonho, para mim representa medo. Medo do princípio do fim, da quantidade de divórcios, medo que essa coisa que não muda que afinal mude e estrague tudo, medo que se dê tudo por garantido e, com isso, a relação vá aos poucos deixando de ser cuidada, deixando de ser o que era. Primeiro sem ver, depois sem nada que lhe fazer.

Em jeito de resposta a quem me enviou um comentário dizendo qualquer coisa como "se ele te pedisse em casamento, a ver se não respondias que sim!", como se eu me andasse a fazer de difícil ao tema propositadamente, como se me trouxesse charme, eu não tenho dúvidas no Poisoned Apple Man, tenho dúvidas quanto à instituição casamento. E isso em nada invalida o meu sentimento por ele.

Ou sou eu que penso demais. Sou resistente à mudança, mas sinto-me escolhida. E isso é do melhor que há no mundo. Quem não o sente deve mesmo procurá-lo, ou melhor, esperar que apareça. É que o casamento por si só não traz nada disso.

12.2.11

Do you remember? #138



10,000 Maniacs - Because The Night - 1993

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

11.2.11

Enquanto não me tirarem o pio, não me calo #1



Para: candidatooutlink@gmail.com

Exmos. Senhores,

Esta semana deparei-me com o vosso anúncio no qual procuram duas hospedeiras para a FIL, de 23 a 27 de Fevereiro, para fazer presença num stand. Não queria acreditar no que lia. Hoje dei de caras com o mesmo anúncio e, desta feita, não resisti a escrever-vos.

Não interpretem mal o tom da minha questão, mas entendo que devo ser clara: alguém acha normal aquilo que pretendem pagar a uma hospedeira por cinco dias e inúmeras horas de trabalho??! Eu não queria acreditar. Quem estava ao meu lado ria. E eu que há muitos anos fiz tantos trabalhos de hospedeira sinto-me insultada.

Ora vejamos:

Dias 23/Fev, das 10h às 20h, com uma hora de almoço e duas pausas pequenas (pequenas! Nada de abusos!), ou seja, por 9 horas de trabalho querem pagar 35€. O mesmo esquema de uma hora para comer e duas pausas (pequenas!) repete-se nos dias seguintes.

Dia 24/Fev, 9 horas de trabalho, 35€
Dia 25/Fev, 12 horas de trabalho, 50€
Dia 26/Fev, 10 horas de trabalho, 40€
Dia 27/Fev, 10 horas de trabalho, 40€


E uma pessoa tem de se perguntar: mas isto é uma brincadeira? Contas feitas, por 50 horas de trabalho querem pagar um total de 200€, o que dá a miséria de 4€/hora. A miséria é agravada quando solicitam recibos verdes, o que significa que ao total é preciso deduzir qualquer coisa como 23% (não tenho certeza desta percentagem), ou seja, cerca de 154€ líquidos por estes cinco longos dias de trabalho e 3,08€, valor de remuneração líquida à hora.

O último trabalho de hospedeira que fiz, em 2006 (!!!), recebi o valor de 9,50€/hora. Há cinco anos! Uns melhor pagos que outros, dos trabalhos de hospedeira que fiz entre 1997 e 2006 nunca recebi menos de 5€ ou 1.000$ à hora. Empresas como a vossa levam-me ao desespero. Vocês insultam as gerações mais jovens deste país.

A Dina, que limpa e passa a ferro que é uma maravilha, que não deve ter o 9º ano e não foi abençoada com uma carinha e um corpo laroca que pedem, ganha 7€ à hora. Líquidos. Mais vale lavar escadas, ao menos uma pessoa mexe-se e não tem de ficar um dia inteiro de pé, fazendo de jarra, que é o que normalmente pedem neste tipo de trabalhos na FIL. E que custa muito mais do que andar a arrastar caixotes. Ou seja, falamos de um trabalho desgastante e cansativo do ponto de vista físico. Eu sei, fiz de jarra algumas vezes e achei que morria das costas.

A vossa exploração choca-me. Com todo o respeito, espero sinceramente que não recebam quaisquer candidaturas até à data do evento, pois apenas desta forma vão perceber que não podem, não é justo, é escandaloso continuar com esta exploração. São vocês que fazem a “geração dos 500€” que felizmente não é a minha, tive muita sorte, mas não deixo de me sentir revoltada pelos outros.

Por último, quero dizer-vos que os candidatos não “ficaram” inscritos na agência para futuros trabalhos, pois isso implicaria que já tivessem encontrado hospedeiras aquando da publicação do anúncio e já tivesse ocorrido o evento. É passado. Os candidatos “FICARÃO” inscritos na agência para futuros trabalhos. É apenas uma questão de português. Bom português.

Ou seja, no fim de contas, nem bom senso, nem bom português. Logo duas coisas que, ausentes, já ninguém consegue contar com a minha consideração.

PS – Pode ser que gostem deste vídeo e desta música. Uma crítica a entidades empregadoras (ainda que temporárias) como a vossa:

Consultório #51

"(...) Eu nunca fui rapariga de ter muitos relacionamentos, de facto, devido a ser um bocado cheinha poucos foram os rapazes com quem estive e muitos foram aqueles que me deram com os pés. O meu primeiro namorado apareceu aos 16, mas eu, miúda como era, acabei a relação pouco tempo depois porque, sinceramente, aquilo acabou por não ter nada a ver com o que eu imaginava ou pensava querer na altura. O facto é que desde aí tenho vindo a estar com alguns rapazes, quase como one night stands, mas sem a parte física da coisa.

Tenho para mim que me faltam as bases para poder entender o que é ter um relacionamento porque dou por mim sempre a tentar concentrar-me na minha vida real e a não deixar fantasiar muito porque sei que, quanto mais alto subimos... maior é o tombo. Mas toda esta restrição que imponho a mim própria, acho que me martiriza porque, no fundo, eu gostava de me deixar apaixonar e largar tudo, mas sei perfeitamente que vou acabar por me magoar quando assumir que gosto de uma pessoa, já que foi sempre isso que me aconteceu e, sinceramente, não quero que me aconteça novamente.

Isto tudo para dizer que há uns tempos conheci um rapaz, via facebook, mas que já o conhecia de vista, e começámos a falar imenso e por sms, todos os dias sem excepção. Tínhamos muito em comum: interesses, actividades e gostos iguais. Ele havia estado, inclusive, em muitos locais no mesmo dia e à mesma hora que eu para ver a mesma coisa, por exemplo. Achei muita piada à pinta hollywoodesca disto tudo e aproximei-me cada vez mais, tendo sempre em conta que apaixonar-me era um vocábulo proibido no meu dicionário.

Um dia perguntei-lhe, quando me disse que gostava muito de mim, se era só amizade ou havia algo mais. Ele respondeu que era apenas como amigo, claro que fiquei mais descansada, mas ao mesmo tempo, também fiquei um pouco de coração sofrido porque mais uma vez não tinha material para ser amada, vá.

Porém, ao mesmo tempo em que nos aproximámos, começámos a falar de amigos em comum e eu acabei por conhecer um amigo dele de quem ele não gosta muito (...) Quando, por um acaso, e por ter amigos em comum com esse segundo rapaz, fui sair com ele, reparei que ele flirtava muito comigo e eu entrava, de boa vontade, no jogo. Porém, o primeiro rapaz (...) ficou chateado comigo quando descobriu que eu andava a falar com ele. Seguiu-se um chorrilho de dramas, discussões e que só acabaram quando limpei os pratos dizendo que, na minha vida, ainda mando eu e eu falava com quem bem me apetecesse.

(...) Desta forma, comecei a sair mais vezes com o segundo, o jogo de flirt continua e há sempre uma certa empatia no ar entre nós. Há muita coisa diferente entre nós e esta diferença que me dá vontade de o conhecer mais. Com o tempo decidi-me a arriscar, estava na hora de viver um bocadinho, e por isso admiti a alguns amigos mais próximos e que sabiam da estória toda, que estava apaixonada. Contudo, agora não sei o que fazer! Não sei como reagir, como falar etc. Parece que lhe perdi o jeito, se é que alguma vez o tive (...)"

Olá C.,

obrigada pela sua mensagem.

Não percebo o motivo da sua mensagem, tudo o que me relatou faz parte da vida, de saber escolher, das pessoas que aparecem e vão, de nos tentamos disciplinar, proibir amores para não sofrer, ceder, colocar pessoas no lugar, morrer de nervos, não saber como agir, nervoso num primeiro encontro. Tudo o que descreveu é natural e acaba por se desenvolver da mesma forma, com naturalidade.

Aquilo para o que ainda não encontrou jeito, saber como agir, medir as palavras ditas a um "novo" homem, tudo acabará por fluir. O importante é que aja de acordo com a sua personalidade, de acordo com aquilo que a J. é e não construir uma realidade estranha da qual se pode vir a arrepender.

O resto, o coração vai tomando conta, deslindando, destrinçando, chorando ou rindo, olhe que parece estar tudo normal com a agitação que uma potencial nova relação traz. Vá com a corrente!

10.2.11

Questões pertinentes #32

Tenho uma questão que me intriga de sobremaneira. Talvez me possam responder:

Por que raio aquilo que escrevo não pode ser apenas aquilo que escrevo, aquilo que se pode ler - explicando-me bem ou mal num texto, tanto faz - e tem de ser "tu queres mas não tens coragem de dizer", "tu estás é a fazer-te de difícil", "tu és é mimada", "isso é importante embora digas que não, senão não falavas no assunto", alguém sabe?

Escrevo sobre o assunto porque é temática recente, da mesma forma que conto sobre episódios gasosos quando acontecem. Não ando em lágrimas e desespero, até porque não existe nenhum pedido. Não vivo em agitação, apenas penso nisso naturalmente. Não tenho um ultimato nas mãos. O homem, que sempre partilhou da minha opinião parece estar a mudar de ideias. Ou a gozar comigo.

Se eu gostava de casar, viver um conto de fadas e ser feliz para sempre? Claro! Mas quem não gostava? E depois penso no resto, o que está para lá das fadas e dos pós de prlimpimpim, pois tenho consciência do que sou e de quem tenho em casa.

Podia casar e viver feliz para sempre. Ou podia casar e um de nós começar a sentir-se preso, por razões estúpidas e psicológicas, pressão e começar a mudar de comportamento. Já ouviram falar de quantos casais que namoraram 300 anos e estiveram casados 3 meses? Alguma coisa acontece. Com a mudança de comportamento vai-se a naturalidade que sempre se conheceu até aqui. Chegam os bebés, consomem-nos os nervos, gritam, faz tu, não, fazes tu, não, é a tua vez, a malta acomoda-se, dão cada vez menos beijos na boca, a distância instala-se porque já é mais uma família funcional do que fruto do amor. E o resto dispensa apresentações.

Eu sou naturalmente resistente à mudança. Até posso ser cobarde. E eu lamento que estas coisas me aterrorizem, que pense nelas como uma bola de neve e me imagine de avental, com as unhas por arranjar há mais de um ano, a camisola esgaçada, cheia de nódoas e bolsado e as sobrancelhas por arranjar, sendo completamente o oposto daquilo que esperava ser constituir família. É claro que isto pode ser um exagero, mas não é impossível.

Eu tenho medo que o Poisoned Apple Man mude e também tenho medo de mudar, para pior. Talvez o tempo me traga outra tranquilidade, mas o assinar o "juntos para sempre", ainda que seja aquilo que quero, mata-me de medo.

Esta rapariga não está a fazer fitas, birras, nem acha que isto lhe traz charme. Tem apenas medo que o que é bom deixe de ser. Só isso.

Aparelho VII - adenda

Eu não quero ser chata, mas depois das maravilhas que me dizem, ia a guardar uma botas num armário, olhei para umas quantas saias que tenho penduradas e decidi-me a experimentá-las. Só para ver o que acontecia.

Os fechos subiam nas calmas, cerrei os punhos, levei-os ao tecto, ia mudando de saia para saia, enquanto gritava:

- Serviu! Serviu!

Nota: o Poisoned Apple Man acha que isto é mau sinal. Entende que novas formas são sinónimo de "quero-roupa-nova".

Pois quero!

9.2.11

Não. Sim. Talvez. - parte II

Na sequência desta coisa do ora estou a brincar, ora estou a falar a sério, almoçámos com um casal amigo, casados há uma série de anos, com duas filhas até à data. Perguntei como tinha sido o pedido e fiquei chocada. Não acho mal, mas não queria para mim. Então, há duas mãos cheias de anos, na Casa do Castelo no Algarve, entre copos, bebedeiras, música aos gritos, calor, verão, muita gente e alguns encontrões, ao moço saiu-lhe um queres casar comigo? que de imediato ela aceitou muito feliz.

Não sei se interessa para a história, no dia seguinte o rapaz estava com 40ºC de febre, em Agosto. É apenas uma nota.

Fiquei tão surpreendida com isto que não resisti a perguntar se ele tinha levado algum anel. Não levou nada, ia de bolsos vazios e nem sequer tinha pensado nisso. Não que a questão do anel seja importante, não tem de ter diamantes raros nem ter sido comprado num leilão em Londres, mas a compra do anel significa que se pensou no assunto. Ou seja, houve uma maturação da ideia, dava tempo para terem uma discussão enquanto ele pensava nisso e, assim, ter a certeza que continuava a querer casar. Teria tempo de passar noites sem dormir com a caixa do anel na mão, morrer de nervos perante a ideia do pedido e tudo o que envolve uma decisão destas. Só para ter a certeza.

Nada. O anel veio mais tarde, escolhido pelos dois para simbolizar o pedido.

Voltei a perguntar: mas tinhas pensado nisso ou saiu-te? Encolheu os ombros e disse que lhe tinha saído, fogo do momento, de uns dias bem passados. É óbvio que ninguém está arrependido e ainda bem. Acho que fazem um casal bonito e parecem felizes.

Mas à noite, enquanto preparava a cama para me deitar com o Poisoned Apple Man, puxei dos lençóis e comentei o almoço e a minha impressão, opinião, modo de vida, o quer que seja, que me diz que é sábio não tomar decisões a quente. Quem diz a quente, diz no calor de uma discussão ou na emoção e felicidade de dias maravilhosos a dois. É que a vida não é sempre assim e acho importante que quem toma a decisão possa sentir que tem a mesma vontade mesmo quando as coisas não estão bem, estão aborrecidas ou não há nada para dizer só porque é Domingo. É que o casamento é assim.

Apaguei a luz. Já não me lembro o que me respondeu o Poisoned Apple Man, mas esta é a minha natureza, era incapaz de tomar uma decisão destas como fez o "noivo na Casa do Castelo", num ápice, fruto de um pequeno momento feliz. Não condeno, mas parece-me quase de outro planeta. Ou então sou eu que sou uma chata.

Luzes apagadas. Escuro no quarto. Silêncio.

- Queres casar comigo?
- Queres parar de brincar com isso???!

E ria-se enquanto me apertava as peles.

8.2.11

Aparelho VII

Já consigo abrir os olhos para vos escrever. Na semana passada, lá fui apertar o aparelho pela 2ª vez. Coisa pouca, ainda não consigo somar números grandes, mas lá chegarei. A dentista observou as pérolas e, depois de me ter dito que o aparelho de baixo só ia ser colocado quando o espaço existisse, o que pelas contas dela seria lá para Abril ou Maio, eis que me espanto quando me comunica: se quiser até podemos pôr hoje! Ou seja, ao fim de 2 meses e uns dias. Progressos maravilhosos!

Mas eu não estava para aí virada. Deixa estar amiga. Dá-me uma folga que isto hoje vai ser apertado e quero gozar mais um mês de alguma liberdade.

Desta vez é capaz de doer! - avisou-me. O que é um aviso estúpido tendo em conta os oito dias que passei sem mastigar da última vez.

No dia seguinte eu não queria falar com ninguém. Só o bater da língua nos dentes da frente pareciam martelos. Só os da frente. Quase morri. Fiquei com os olhos molhados da aflição que me fazia a dor, contínua, apenas o toque dos lábios para espalhar batom do cieiro era infernal, o latejar incessante, o sentir do bater do coração mesmo nas gengivas, por cima dos dentes da frente. Eu ia morrendo.

Não tenho feridas, mas fui abençoada com uma sensibilidade do catano. Estou melhorzita, obrigada. Doeu muito, mas foram só dois dias. E a diferença é espantosa.

Para o mês que vem tenho já um pé na cova: apertar o aparelho de cima e colocar o de baixo. Pode ser que perca o resto da gordura e alguma massa muscular. Qualquer coisa serve para vir a dar uso aos bikinis escandalosos que comprei no Rio de Janeiro.

7.2.11

Não. Sim. Talvez. - parte I

Um destes dias, estava eu a chocar uma gripe quando tive de passar com o Poisoned Apple Man por um Centro Comercial. Ao estacionar o carro pergunta-me, do nada, quando é que dávamos o seguinte passo.

- Qual passo?
- Casar. Quando é que casamos? Casas comigo? - pergunta de sorriso de orelha a orelha.

Olho logo para as mãos dele. Vejo que não traz anel nenhum - e o parque de estacionamento do Colombo era mal escolhido para uma coisa destas - enquanto me enche de beijos e abraços e, eu, acelero o passo:

- Anda. Pára de brincar com essas coisas! Ainda ficas doente! Deixa-me!

Ele ri-se, volta a agarrar-me, pergunta a mesma coisa mil vezes de forma diferente, como já perguntou outras vezes noutras tardes e eu nunca o levo a sério. Deu-me a mão e fomos fazer as compras que tínhamos a fazer. Mais tarde, perguntei-lhe o motivo para andar a falar tantas vezes no assunto, ele que era da mesma opinião que eu: o casamento não acrescenta nada, pode tornar as coisas feias, isso são convenções sociais, não muda em nada em relação ao viver junto e por aí fora.

- Porque quero casar, quando tivermos filhos quero estar casado, quero que sejas minha mulher. É diferente.
- Ahhh!!! O teu pai fez-te a cabeça!!! - O meu adorado sogro é aquela única pessoa que faz questão no matrimónio. Já lhe disse várias vezes para não pensar nisso para evitar desgostos.

Relaxado no sofá, responde que não, que é ele que tem vindo a mudar de ideias, que é diferente.

- E não achas que essa diferença de que falas pode ser exactamente o elemento que faz de tudo o princípio do fim? Que estraga tudo?
- Ó Poisoned Apple... - arrasta, com cara de quem diz "fazes muitas perguntas".

As horas passam, vemos as notícias no sofá. Peido-me. Ele informa logo a seguir que afinal já não quer casar e ao fim de uma hora, pergunto:

- Hoje à tarde estavas a falar a sério?
- Não! Estava a brincar. E ri-se.
- Estavas?
- Não sei.

O melhor é achar sempre que ele está a brincar e prontus. Assim ninguém vai ao engano.

Mas merecia uma resposta que o deixasse enrascado.

5.2.11

Do you remember? #137



Cindy Lauper - True Colors - 1986

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

4.2.11

Consultório #50

"(...) sou uma miúda muito determinada e tenho a auto-estima e o amor próprio a níveis muito bons. Já passei por muitas coisas na vida e tudo fez com que me tornasse uma pessoa mais forte. Já sofri por amor, quando era mais novinha, mas agora as coisas não me abalam tanto. À mínima traição à confiança que dou a alguém, essa pessoa é excluída da minha vida.

Namoro com um rapaz há 6 meses. Divertimo-nos imenso, gosto imenso dele e somos muito amigos um do outro. No início do namoro, a ex-namorada enviava-lhe mensagens e ele respondia. Pelo que vi das mensagens, a criatura puxava conversa, mas ele não lhe dava confiança. Para quem tem olhos na cara aquilo era um “chega para lá” com educação.

Mas ele mentiu-me. Dizia-me que não falava com ela (...) e um belo dia peguei no telemóvel para procurar o número de um amigo que ele tinha pedido e vi as mensagens. Ele pediu mil desculpas e disse que não me contava por ter medo da minha reacção, que tinha medo que eu acabasse tudo. Passaram umas semanas, ele fez tudo para me agradar, e eu lá desculpei.

(...) Ontem, estávamos a trocar umas mensagens quando recebi uma que dizia o seguinte “Não estou porque a tua vida agora é outra. Produzir e gajos da noite”. Aquela mensagem não era para mim, e disse-lhe. Ele ligou-me duas vezes seguidas (o que para mim quer dizer preocupação/apanhado ). Disse que era para mim e que era esse o medo dele, que eu me envolvesse com alguém. Não acreditei, aquilo soou-me estranho (...) Passado meia hora enviou-me uma mensagem a dizer “não te quero esconder, a outra enviou-me uma mensagem, e aquela era para ela. Eu inventei a desculpa de ser para ti. Fui um cabrão eu sei, tens o direito de fazeres o que quiseres. Desculpa".

(...) explicou que queria estar comigo, para ela seguir a vida dela, ela disse que já o estava a fazer e pronto as mensagens acabaram por ai. Mas aquela parte da mensagem “não estou porque a tua vida agora é outra” não me cheirou bem, tenho a sensação que há ali mais qualquer coisa (...) Eu estou bem, sem dramas. Mas gosto dele e preciso de resoluções, de saber se o excluo da minha vida ou se dou outra oportunidade, para que fique mesmo tudo a 100%.

Ele é super meu amigo, no Natal deu-se ao trabalho de ir “pesquisar” no meu meio, uma coisa que eu quisesse mesmo e gastou balúrdios. Se vê uma coisa que eu gosto oferece-me. Ouve-me… mas não sei. Pode ajudar-me?"

Olá J.,

obrigada pela sua mensagem.

Há questões difíceis de ajudar e esta é uma delas. Pode existir um milhão de hipóteses! Mas a minha maior questão é: é ele que tem uma relação normal com a ex e fala com ela de vez em quando ou é a J. que faz demasiada pressão? Ou ainda: é apenas a questão dos SMS que faz com que não tenha confiança nele?

Aquilo que tem de procurar saber é a razão porque não se sente confortável. Eu falo com ex, tenho muito boa relação com alguns deles. O Poisoned Apple Man não fala com as ex, a não ser uma troca de SMS no Natal, aniversários e afins, trocas de mensagens essas que nunca sei se ocorrem nem o seu conteúdo exacto. Não pergunto, não me interesso, mas às vezes lá me conta uma novidade ou outra. E eu não ando atrás disso porque estou em paz e não noto alterações de comportamento no que a mim respeita Não estou livre de que me aconteça, mas é boa estratégia passar a vida a pensar na mesma potencial desgraça?

A verdade é que o rapaz pode ter conversas normais com a ex e gostar de si, mas apenas o sentir que está a fazer algo de proibido, algo que sabe que vai despoletar reacções desconhecidas, coloca-o em stress e por isso procura esconder. Ou seja, pressão, neste tipo de situações, é a pior coisa para escolher, pois faz com que as coisas passem a ser escondidas.

Mas se recebesse um SMS igual ao relatado, por engano, aí sim ficava de pulga atrás da orelha. No entanto, nada depende de si, tudo depende dele. Eu não me importava que um namorado falasse com a ex, mas importava-me que ele não a colocasse no lugar. Até porque, virando os papéis, qual é a mulher que sabe que não quer nada com o ex, que quer passar a vida a falar em "voltar" e os "antigamentes" se de facto está de bem com a vida? Nenhuma. Com ele deveria ser igual.

Por outro lado, o ser humano tem uma coisa que é gostar de saber que algumas pessoas estão por perto, mesmo que não queira nada com elas. Alimenta-se a coisa apenas para dar de comer ao ego, mas no fundo não passa de uma coisa inofensiva, questões de ego, que em nada mudam a vida que tem no momento.

Em que situação é que a J. se encontra, não há como eu saber. No entanto ele parece ter sido sincero, reconheceu o erro, pediu desculpa, procura mostrar que gosta de si. A única solução passa por uma conversa em que ele se compromete consigo a agir de acordo com aquilo que os dois entendem ser normal. No meu lugar, podia falar livremente com a ex, mas deixava bem claro que a ele lhe competia marcar travões a avanços que ele também não gostaria de ouvir se os papéis estivessem invertidos. Ele que pense numa balança e pese se prefere ter conversas inconvenientes com a ex ou manter a vida que tem agora. A decisão é dele, a conversa é sua.

2.2.11

Um dia serei rija e boa nas horas. Um dia.

Estava a ler o blog da Pipoca, a invejar a força de vontade dela em sair à rua e correr - coisa que também fiz em tempos, mas estava maluca - quando percebi que a piquena não andava a correr à toa, mas tinha um plano. Ora solicitei o plano que prontamente me enviou (muito agradecida).

Li atentamente o ficheiro, enquanto ia pondo o rato de lado para dar mais uma garfada no bolo de chocolate que já ia quase no fim. Enquanto lambia os meus bigodes de chantilly, achei que não parecia assim tão difícil, mas força de vontade é que nem vê-la.

Talvez daqui a uns dias quando estiver menos frio. Até lá, vivo disto, que correr dói-me nas maminhas:

1.2.11

Aparelho VI

Só para me gabar.

Encontrei no cinema um amigo que não devia ver há dois ou três meses. Amigo esse que sabia das minhas preocupações físicas, tentava convencer-me a fazer exercício e dizia que eu não estava gorda, apenas "cheinha", só para eu não desatar a chorar, calculo.

Vê-me ao longe, nem um olá nem coisa nenhuma:

- Estás pela metade!!!

Eu devia estar assustadoramente obesa.