Há por aí um grande alvoroço porque o Estado vai deixar de comparticipar a pílula. Tenho um amigo que foi escrevendo no facebook matéria brilhante sobre o assunto, como:
"Quando soube do preço da pílula sem comparticipação, ela meteu os papéis para a menopausa antecipada".
"O meu centro de saúde regista por esta hora uma enchente de mulheres para obter uma caixa de pílulas. Mas o segurança já lhes disse que estão esgotadas e só chega nova remessa no orçamento do ano eleitoral de 2015".
"Da próxima vez que fizer o amor e ao invés de perguntar "foi bom?" vou questionar "foi caro?".
Eu sempre tomei uma pílula de um laboratório qualquer que não me lembro, a Gynera. Um dia, fui à farmácia para comprar uma nova embalagem (pagava cerca de 18€ por uma caixa tripla, sem receita) e não tinham. Foi então que a farmacêutica me sugeriu a mesma pílula, mas genérica. Oi?
Para meu espanto, fiquei a saber que a maioria das pílulas existem iguais (mesmas dosagens) na versão genérica. Levei logo para casa uma caixa tripla que me custou cerca de 5€ sem receita médica e dali em diante passei a tomar essas pílulas. Não senti alteração nenhuma, é igual, já tomo há um ano. Desde que comecei a tomar a pílula, demorei 14 anos para descobrir isto, eu que me achava uma pessoa informada.
Ou seja, pagar 5€ de três em três meses, não me parece que vá ser um grande rombo na carteira das mulheres. Por isso este alarido todo, para mim, é fruto da falta de informação, também dos médicos, que já poderiam ter sugerido isto há mais tempo, mas claro, há toda uma máquina farmacêutica por detrás.
20 caroço(s):
Será que há Mercilon genérica?
Pelo que entendi as pílulas que irão perder comparticipação, vão continuar a ser distribuidas gratuitamente no centro de saúde [que é onde eu vou buscar a minha. E quando não há por qualquer motivo, compro a genérica na farmácia. Pago mais ou menos o mesmo que tu para 6 meses].
As pessoas só se sabem queixar.
Temos sempre a mania que os outros países são melhores que o nosso. Em Espanha, por ex, sei que a pílula NUNCA foi dada gratuitamente.
Mas são opiniões...
Beijinho :)
Sabes ...eu ando danada com as noticias,.....com o espirito envolto na crise e com o tipo de noticias que invadem as nossas casas...oh pá trabalhem, sejam competentes, não vivam à conta de subsidios, sejam felizes e a ver se a crise nao melhora e o espirito fica mais leve!!!!
Foi como haver uma noticia de de uma senhora que ficou sem abono e o que ela disse foi que deixaria de comprar coisas da Kitty para a filha...valha-nos Deus!
Pago 5€ por mês pela minha, sem comparticipação. Há 6 meses fui a uma consulta no centro de saúde e a minha médica mandou-me passar na enfermeira para me dar a pílula gratuitamente. Trouxe 6 caixas. Entretanto, como não tenho nada marcado, voltarei a comprar. Pessoalmente, acho 5€ um preço aceitável para evitar uma situação que poderia ou não ser de alguma gravidade. Pelo menos, indesejável no presente momento.
Quando andava a estudar, ia ao centro de saúde levantar a pílula para 6meses. Entretanto, quando comecei a trabalhar, compro-as na farmácia, sem receita. Tomo o Marvelon, e julgo que a caixa para 3 meses é cerca 8/9€.
Mas é sempre útil saber que há genéricos da pílula exactamente iguais, e da próxima vez vou perguntar na farmácia =)
Eu também já tomei Gynera e ia ao centro de saúde buscá-la (ou melhor, ao seu genérico) gratuitamente. Agora tomo Belara e pago, na farmácia, 21€ por uma caixa tripla..não sei como nunca me lembrei de perguntar pelo genérico da mesma! Da próxima vez já sei(isto porque esta pílula não existe no SNS, senão era onde iria)! Concordo quando dizes que, muito do alarido se deve a falta de informação, nomeadamente de muitos médicos, mas concordo ainda mais quando dizes que há toda uma máquina farmacêutica, muito forte, aliás, por trás.
Eu que também desconhecia que havia as pílulas genéricas afinal até tem um preço aceitável. Por vezes os alaridos devem-se à falta de informação... Também me parece que há aqui outros interesses envolvidos. Não na maçã de Eva, claro... Mas do ramo farmacêutico...
Juanna:
a mercilon é grátis no centro de saúde. Nunca me aconteceu ir lá e não haver...
bjs
Certo, descomparticipar a pílula não é a coisa mais grave do mundo porque elas existem grátis nos centros de saúde e porque existem genéricos na farmácia. Tudo bem. A questão é que governo nenhum devia "poupar" em primeiro lugar em questão NEHNUMA relacionada com a saúde e a educação! Mas onde é que vivemos?! Ah, descomparticipar a pílula (e os broncodilatadores e os anti-asmáticos, que foram incluidos no mesmo saco) tudo bem, agora deixar de dar dinheiro aos bancos é que não!!!
Os médicos e os enfermeiros sujerem isso a todas as utentes, pelo menos têm obrigação de o fazer (haverá sempre gente menos competente).
Para além disso, os centros de saúde disponibilizam gratuitamente a pílula, basta para isso marcar uma consulta de planeamento familiar com o enfermeiro de família. Temos os recursos à nossa disposição só não os utilizamos se não quisermos. Não é nenhum drama ir ao centro de saúde, se fizermos as coisas como deve ser é só ligar a marcar uma consulta e comparecer à hora marcada, sem complicações.
Tanto alarido no centro de saude da minha zona dão sem ser preciso consulta,portanto se podiam ir a uma consulta para ter a receita também se podem inscrever para terem todas as pílulas que quiserem se o estado pode poupar algum não vejo qual é a crise?
Bluebluesky, a questão não deveria ser o poupar, mas antes o não desperdiçar. Pena é que tenhamos atingido um ponto em que não há sequer capacidade governativa de fazer essa diferença e agir em consonância.
Obrigada pelo esclarecimento! Os comentários do facebook desse amigo são hilariantes
Apesar do que dizes ser verdade, algumas das marcas incluem excipientes que as diferenciam das genéricas, e que fazem toda a diferença para algumas mulheres, ao impedirem, por exemplo, alguns efeitos secundários. É nesse espectro que as coisas se podem complicar para algumas pessoas, as quais não têm escolha.
Apesar da substância activa (ie, o que interessa) ser a mesma, o resultado pode não ser o mesmo pela simples presença/ausência de um determinado excipiente.
No fundo, no fundo, também acho que o impacto não será enorme para a maior parte das pessoas. Mas não deixa de ser um pouco desencorajador.
diz que o tempo de espera para fazer um aborto num hospital público é inferior ao tempo de espera para uma consulta de planeamento familiar num centro de saúde para que seja entregue a pílula gratuitamente.
É um mundo desconhecido e fascinante.
Tenho a dizer que no centro de saúde da minha residência distribuem a pílula e preservativos a quem lá os vá pedir, sendo apenas para isso que se dirijam ao gabinete de planeamento familiar, sem marcação prévia, nas horas de funcionamento do mesmo.É mantido um registo de quantas embalagens cada pessoa leva, para evitar situações de desperdício e de "levo para mim e para a minha amiga". Não é um grande escândalo cortarem nas comparticipações das pílulas se as continuarem a fornecer nos centros de saúde. Acho mais escandaloso a questão dos broncodilatadores, como já foi referido.
Eu também tomava a Gynera,mas davam-na no centro de saúde,acabou e passaram a dar a mesma mas genérica.É igual,não sinto diferença nenhuma.E enquanto a derem no centro de saúde estou mas é caladinha e não me queixo.
E para quem vai ter que pagar 18€ por uma caixinha de 1 mês que procure alternativas,se as houver.Existem as mesmas pilulas mas genéricas e existe muita gente a pagar na farmacia quando em vários centros de saude são gratuitas!
Não fazia a menor ideia de que há genérico.
Incrível a falta de informação ao utente, por parte dos serviços de saúde.
Maria
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