29.7.11

Consultório #72

“I was born with an enormous need for affection, and a terrible need to give it”, Audrey Hepburn

"Começo com esta citação pois basicamente esse sempre foi o meu “problema”! Tenho 32 anos grande parte deles vividos à conta de namoros falhados, relações sem futuro, casuais etc mas acima de tud passei muito tempo sozinh, sem encontrar ninguém que valesse a pena (pelo menos assim eu achava) ou quem eu achava que valia a pena não queria estar comigo. Sempre me disseram, e eu sempre acreditei que um dia iria encontrar o “Tal" e eis se não quando, surge-me uma pessoa ESPECTACULAR. Já namoramos há 5 meses e até agora pouco ou nada tenho a apontar!


É daqueles que se preocupa, que pergunta como foi o meu dia, que está presente sempre que percebe (nem preciso de insistir) que algo é importante, que não se corta a nada, fazemos imensos programas juntos e acompanhados por amigos dele e por amigos meus, praticamente temos vivido juntos desde essa altura, relação mais que assumida (apesar de ainda não ter conhecido os pais dele) perante amigos, a minha família (com quem ele interage de uma forma super carinhosa e atenciosa) e até no facebook!

Qual é o problema então? Pois, eu e a minha terrível necessidade de atenção, afeição e vontade extrema de demonstrar o meu amor. Ele é uma pessoa que não é muito dado a demonstrações de amor, não gosta de andar de mão dada por exemplo. Para ele basta estarmos juntos, não há necessidade de muito mais! Eu? Bem por mim passava o tempo todo de mão dada, a dar beijinhos etc. Mas ele é assim em casa e fora dela, percebo perfeitamente que é uma questão de feitio, não de falta de amor. Mas percebo em teoria, porque na prática, a minha cabeça é assaltada diariamente por pensamentos negativos (que ele já não gosta de mim, está comigo porque não tem coragem de acabar). Basta um dia ele chegar a casa mais cansado (dito por ele) e ficar sentado no sofá a ver tv e não me dar atenção (aqui refiro-me mesmo a conversar), para eu começar de imediato a imaginar que tem outra, que já se fartou de mim, etc. Insegurança minha? Sem dúvida, é o resultado de muitas relações em que fui traída, que terminaram sem razão aparente.

O meu medo é que esta insegurança destrua uma relação que até agora está a ser maravilhosa. Tenho medo de o sufocar com os meus “queixumes”, tenho medo que ele se farte de mim, tenho medo de o perder! E odeio sentir-me assim, se há coisa que sempre odiei foi pessoas “needys” e agora aqui estou eu. HELP!"

Olá Maria!

Ora então, somos duas! Eu nem conhecia a frase da Audrey Hepburn, mas assenta-me como uma luva. Também eu tenho uma necessidade grande de miminhos e de dar, o Poisoned Apple Man não tanto, mas isso não o parece afectar de forma problemática. Ele sabe que eu sou assim e aceita-me como tal.

Também eu tive muitas relações falhadas, tive um namorado que não gostava de dar a mão. Hoje, olho para trás e acho que ele não gostava de mim. Tinha um carinho, era divertido, mas não gostava de mim. De certeza que agora dá ou deu a mão a mulheres de quem gostava de verdade. Não faço ideia o que é feito dele.

Não acho assim tão normal praticamente viver com o seu namorado e ele nunca a ter apresentado à família, isto se ele tiver uma relação dita normal e saudável com a família. Acho é que a Maria tem questões, e quando se tem muitas questões e um eterno receio de falhar, de medir os passos e as palavras com medo de estragar tudo, diz-me a experiência que quando é assim, ele não é "o tal". É claro que posso estar enganada, mas reprimir-se e deixar de agir com naturalidade, com extrema necessidade de afecto ou não, com medo de estragar tudo, é cansativo e desgastante. Quando podemos ser nós próprias é que é.

Não quero com isto dizer que ele não gosta de si, mas mesmo que a relação tenha presente, é isto que quer para o futuro? Um homem que não lhe dá a mão e ter de dosear o seu afecto para que não se sinta sufocado? Tenho uma amiga que diz que para cada panela existe um testo. E é mesmo assim, para cada pessoa existe outra que faz com que as coisas pareçam acertadas. O seu namorado fá-la sentir que isso é errado, o que aumenta a sua angústia e insegurança. No seu lugar também me sentiria assim. Mais do que o perder, acho que a Maria tem medo de sentir que falhou outra vez, tem medo de ficar novamente solteira, de sentir que "falhou" e que nunca mais "acerta".

Como lhe disse, o Poisoned Apple Man não é como eu (ou nós), mas adapta-se. Ontem estava a fazer uma mala de viagem comigo a protestar "hoje quase não demos beijinhos e amanhã vais embora!". Respondeu: "não vês que estou ocupado? Não pode ser sempre!". E eu sentei-me calada, de braços cruzados e com trombas fingidas. Em 30 segundos veio encher-me de beijos e abraços e voltou para acabar de fazer a mala. Chama-se ceder para o outro, adaptar-se. E isso, quem tem vontade, consegue sempre concretizar, mesmo que não faça parte do feitio.

15 caroço(s):

Celeste disse...

Maria, diga-lhe que não se sente confortável com essa situação. O meu namorado levou imenso tempo a apresentar-me à familia. Quando lhe perguntava o que se passava, ele respondia que não era do feitio dele. Um dia ( já sem paciência) "encostei-o à parede" e disse-lhe: não é do teu feitio, mas é do meu. Se não me apresentas é porque andas a fazer uma vida dupla e eu não sou importante. Não tardou em levar-me a casa dos pais.
Há homens que se não forem "apertados" nunca se decidem a fazer aquilo que é importante.

Juanna disse...

Credo, e que tal dizer-lhe que gosta de beijocar? Vai na volta ele também gosta mas n tem lata para tentar mudar.

Eu odeio que me agarrem, odeio beijocar, odeio dar a mão o tempo todo. Mas odeio mesmo, até com as minhas filhas. Solução? Marido, eu sou assim , não gosto nada de X, Y, Z, tudo bem por ti ou gostarias que eu fizesse um certo esforço para ser mais lambuzona?

E assim resolvemos o assunto.

Anónimo disse...

Bem, resta.me dizer que é preciso cuidado com os olhares a preto e branco. a mim parece-.me que isso do testo, é um gde embuste que nos fazem crer. Não existem pessoas certas e erradas para nós, existem sim, pessoas com quem nos entendemos mais e menos. E acreditar que so pq alguem nao nos dá a mao na rua, não gosta de nos o suficiente, pode ser perigooso e excessivamente generalista. mas, esta é so a minha opiniao!

Anónimo disse...

Cara Maria,

Acho que a confiança ganha-se com o tempo... as pessoas, principalmente àquelas que já foram muito queimadas, precisam de provas que só o tempo pode dar.. é preciso deixar rolar sem stress...

Poisoned Apple disse...

Anónimo,

para mim a expressão do testo significa isso mesmo, que há alguém com quem nos entendemos muito melhor e por isso lhe atribuo o conceito de pessoa certa.

Talvez importe dizer que quando respondi a esta leitora não me enganei. Nesse dia o namorado colocou fim à relação porque apesar de a considerar uma boa pessoa, não gostava dela com todas as ganas. É óbvio que uma pessoa que não nos quer dar a mão tem algo de errado.

Anónimo disse...

Acabou? :( Fico triste por ela, por dar a entender que tinha medo de o perder e o q mais receava aconteceu. Há males que vêm por bem, Maria, há q pensar assim, namoravam ha pouco tmp, penso q nao era altura para demonstrar tanta insegurança, pelo menos nao a ele, nao para já. Fazer aquele jogo inicial de conquista mas claramente ele nao valia o esforço.

Um abraço apertado

Gonçalo disse...

Adoro os consultórios, foi a minha namorada que me mostrou o blogue e confesso que retiro sempre daqui alguma coisa para a minha vida pessoal. Parabens pela iniciativa, faz-nos pensar.

Anónimo disse...

"trombas fingidas" não "finjidas"
Desculpe, é mais forte do que eu.

Bjos
Dulce Fernandes

Poisoned Apple disse...

Olá Dulce! Não sei como fui escrever uma coisa dessas! Obrigada!

Anónimo disse...

Eu sou exactamente como o namorado da Maria e faço o mesmo que o man da Apple. Ainda estou a rir das "trombas fingidas" de tão familiar que me é essa cena. Por isso é possível ceder um pouco com esse feitio. Maria tem que "treiná-lo" :) e em vez de se passar, tentar que ele "derreta" se isso é tão importante para si.

Anónimo disse...

oh... fico com pena que tenham acabado. embora continue a achar que é feitio e pronto. não querer ser intimimo, dar beijos, caricias, isso já acho estranho, agora não querer andar de mão dada, acho que depende das pessoas sim. claro que se podem sempre encontrar compromissos, mas pronto. ;)

Anónimo disse...

Nos nossos primeiros anos de namoro o meu actual marido raramente me deu a mão em publico... ainda hoje isso só acontece com muita dificuldade... Só foi apresentada aos pais dele com mais de 6 meses de namoro... e hoje, quase 12 anos depois, acho que foi a cima de tudo feitio, adaptação à vida de namorado. Hoje é ele que mais me dá beijinhos e que mais exige a minha atenção... continua a não ter alguns cuidados que eu gostava que tivesse... como dar-me flores e outras coisas... mas é o meu marido, o meu amor, e eu não sei viver sem ele!
Isto para dizer que as pessoas adaptam-se ficam diferentes, e não é por não gostarem de demonstrar afectos em publico que quer dizer que não gostam de nós...
boa sorte Maria, que o futuro lhe sorria!
MA

Carla Isabel disse...

Ok...já percebio que esta relação acabou porque li os comentários...

Mas uma relação é isso mesmo, é a outra metade da nossa laranja!

Bjs

Anónimo disse...

olá, eu sou a Maria :-)
Obrigada a todos pelos vossos comentários!!! Ainda estou a recuperar mas o tempo é uma coisa maravilhosa e está a ajudar-me bastante! Neste momento acredito que o que se passou é que ele simplesmente deixou de gostar...passou aquela loucura inicial (no inicio era bastante atencioso e mimoso comigo) Mas pronto, que se lixe! sou nova, boa pessoa e sei que hei-de ser feliz - sozinha ou acompanhada! Uma coisa é certa, e aí, minha querida poisoned apple, dou-lhe toda a razão! Abdiquei de muitas coisas do meu feitio para esta relação dar certo...e não adiantou de nada! Na próxima serei eu mesma! E NÃO VOU ACEITAR MENOS DO QUE ISSO! As relações e o amor também vivem de cedências...mas tem que ser de ambas as partes! Não apenas de uma (que era o meu caso) Beijinhos e obrigada!

S* disse...

Acho que quando as pessoas amam, sentem necessidade (não apenas vontade) de ser meigas com o parceiro. É uma necessidade daquelas incontroláveis. Lembro-me bem que no início da minha relação o mais-que-tudo era assim meio distante... e hoje é tipo lapa. :)