"Sou a Maria, tenho 24 anos e namoro com o João, também de 24 anos, há 5 anos, e com quem vivo há um ano e meio. Somos ambos estudantes universitários, pelo que conhecemos diariamente pessoas novas na faculdade. Este ano, como todos os anos, entraram novos alunos para a faculdade. Existe um deles, o Tiago, com 20 anos, que eu até já conhecia e que ultimamente tem demonstrado um interesse especial por mim, tendo chegado a confessar que, realmente, se sente atraído por mim, mas também referindo que sabe que sou comprometida e que não vai fazer nada que possa ir contra essa situação.
A verdade é que o João nunca foi o meu “tipo”, isto é, apaixonei-me por ele, mas ele não é uma pessoa romântica, nem tão pouco é alguém com quem chegue a casa e converse sobre o meu dia nem nada que se pareça, como sempre idealizei que seria o meu namorado. De qualquer forma, a nossa relação tem resultado, com altos e baixos pelo meio, com alturas em que só me apetecia mandar tudo para as urtigas. Mas estamos bem neste momento.
A situação é: tendo alguém que exprime uma ternura sincera por mim (aparte da atracção física), sinto-me um pouco dividida. Por um lado existe o João, com quem tenho uma relação um tanto instável, é certo, mas que me aturou em todos os momentos, me ajudou quando precisei, mas que não sabe muito bem como exprimir o seu amor por mim. Por outro lado, existe o Tiago que é uma criatura que me eleva o ego (e acho que este é verdadeiramente o cerne da questão), que exprime uma verdadeira ternura por mim, que me faz gostar de estar com ele, de conversar, ouve-me como se não houvesse mais ninguém, sorri, e sem dizer directamente o que eu sei que ele está a pensar, faz-me sentir valorizada.
No meio de toda esta confusão emocional não sei bem o que fazer. Sugestões?".
Olá Maria,
sinceramente, não me parece que a Maria queira um conselho. Quer antes uma palmadinha nas costas!
Eu acredito pouco na durabilidade das relações quando se é muito novo. A Maria tinha 19 anos quando começou a namorar com o João e já leva mais tempo de namoro do que seria expectável na altura. Isto não quer dizer que um namoro iniciado aos 19 anos não tem futuro, mas é pouco provável. Tenho uma leitora que casou com o namorado da adolescência e não quero que ela se sinta ofendida (que já se expressou sobre o assunto), mas acho que ela é a excepção e não a regra. Ou seja, é pouco provável que isso aconteça.
A questão é que nessas idades jovens as personalidades mudam, as vontades, os desejos, os objectivos e tudo isto torna difícil manter as duas pessoas no mesmo caminho. Por outro lado, quando a Maria se interessa pelo Tiago, o mais provável é já não gostar do João. Mais, a sensação que dá é que gostou do João mas nunca o amou. Foi-se deixando levar porque vivem juntos, porque ainda estudam e provavelmente dividem despesas, porque não é nada de mais nem de menos, e assim sempre deu para manter o equilíbrio.
No entanto, deve parar para se perguntar o que realmente quer, sabedo que não pode (ou não deve) ter tudo. Se não estará a dar o João por garantido (o que traz sempre alguma falta de sal à relação) e não terá apenas uma curiosidade pelo Tiago. Embora o Tiago a faça sentir que tem mais a ver consigo do que com o João, também não se esqueça que as aparências iludem, que o Tiago sabe menos da vida do que a Maria, que é mais miúdo, que se calhar quer é ter várias experiências e não namoros, que se calhar o que parece ser lindo em menos de uma semana se torna feio.
Qualquer que seja a sua decisão, ela é sua e está livre de a tomar. O mais importante é o que respeito e o carinho com que vai tomar conta da situação.
11 caroço(s):
Nunca registei nenhum comentário aqui, mas perante este consultório não resisto. Tenho 29 anos, estou casada hà 5, mas comecei a namorar com o meu marido tinha na altura 17 anos... sou então um daqueles casos raros que a Apple reconhece que existem, ño entanto eu acredito que são viaveis e conheço alguns... Mas não foi por isso que estou a comentar, mas pelo resto...tb lá em casa temos alguns problemas de expressão, tenho um marido que não gosta de me dar flores, e que tem dificuldade em me surpreender... durante o meu namoro houve uma pessoa que se declarou claramente...Tive dúvidas, sim, muitas... optei pelo mais fácil, tvz... mas a cima de tudo optei por aquele que sabia que me ia fazer feliz mais tempo! Ser Feliz no imediato é fácil, faz bem ao ego ouvir elogios todos os dias, receber cartas de amor e sentir que outros estão atraidos por nós... mas a cima de tudo faz bem ao ego sabermos que somos amados, que trabalhamos para o mesmo fim, que somos compreendidos, que somos apoiados nos momentos mais dificeis... No fundo que somos uma familia e em muitas alturas um só. É a construção de uma relação de confiança que nos dá a segurança para um casamento/relação longa e duradoura! E é nisso que temos de apostar... não na felicidade do momento e no que nos levanta o ego!
Se para a Maria é o João ou o Tiago, ela é que sabe...
MA
Olá Maçã,
Não sei se estava a falar de mim, mas vou presunçosamente assumir que sim, que sou eu a leitora de quem falou, já que manifestei aqui que casei com o meu primeiro e único namorado, namorado de adolescência.
Não fico nada ofendida com a referência, bem pelo contrário, fico bastante lisonjeada, que para responder à Maria, tenha focado a minha experiência.
Efectivamente tenho consciência que sou uma excepção, começar a namorar aos 17 e manter esse relacionamento até hoje, passado 11 anos, atravessando n dificuldades, mas sobretudo não perdendo o amor nem a paixão, não é comum.
Passamos o fim da adolescência juntos, as faculdades diferentes, o inicio da carreira profissional e soubemos gerir todas as supostas dificuldades, porque simplesmente nos amamos.
A verdade é que, aproveitando este caso, queria frisar que o que realmente faz sentido numa relação é o amar o outro e obviamente ser amado também, e esse amor é que não é fácil encontrar.
Porque quando amamos, e não à cá o verdadeiramente que amar, amar é sempre verdadeiramente, mas e para não me perder nem alongar mais, quando amamos e somos amados, tudo o resto se ultrapassa, não há idades, nem distancias, e não à terceiras pessoas, só o outro, apenas o outro e nós, e o nosso amor e a vida que construímos juntos, com respeito, confiança, paixão mas acima de tudo amor.
Um beijinho,
Trinca
Olá, só para focar que os casos de namoro que inicia na adolescencia e resultam não são assim "tão excepcção", aqui vai mais um: comecei a namorar com o meu marido tinha eu 16 anos e ele 18. Somos casados à 16 anos e temos 2 pimpolhos lindos! E sim, considero-me uma mulher feliz. Beijinhos!
Pois eu sou a regra e mudei de namorado umas 3 ou 4 ou 5 ou 6 vezes antes de me casar lolol. Daquilo que me lembro bem aos 20 anos é da efemeridade (isto diz-se?) dos sentimentos e das juras de amor que fiz e me faziam e que duravam... 3, 6, 10 meses. E puffff, voilá, esfumou-se a paixão e não ficou amor.
Querida Maria, pela primeira vez comento um consultório, porque a sua história é uma realidade.
A Maria não estará com o João precisamente a espera dos Tiagos desta vida?!
Acredite que se o João fosse o tal, mesmo com a sua idade ia saber. E sabe porque?Porque o Tiago ia ser apenas mais um a preencher os requesitos mas ia ser o João que por mais defeitos que tenha será sempre o unico que a fará feliz!
É apenas a minha opinião, mas pense nisso!E aproveite a vida!:)
F.F
De facto, também acho que esperarmos que o outro seja perfeito, é querermos o impossível. Nós tb n somos. Amar é saber os defeitos do outro mas, mesmo assim, ter a certeza que é com ele que estamos felizes e queremos ficar. Quando a dúvida se instala, talvez seja a altura para nos questionarmos se o que temos é o que desejamos ou apenas o que vamos vivendo sem entusiasmo. Sinceramente, acho que neste caso o Tiago é só o rastilho para a reflexão.
Acho que algumas pessoas são como as crianças: têm um brinquedo que adoram, mas quando sai uma novidade ou um amiguinho tem um que é diferente e parece melhor, querem logo trocar.
Mas o que normalmente acontece é que a troca acaba sempre por ser a pior opção.
Pela descrição, parece-me a mim que o João ama a Maria (mas estamos a falar de uma descrição muito sucinta). De qualquer modo, acho que a Maria anda a procurar um bocado a perfeição, mas a perfeição pura e simplesmente nao existe. O tiago até pode demonstrar muito carinho e afecto e ser muito atencioso, mas será que num futuro vai ser capaz de apoiar a Maria como o João fez? Não sei, nao conheço.. Mas nestes casos há que agir com a razão e não agir por impulsos... Porque por vezes damos um passo errado e quando vamos a ver já não existe volta a dar.
Pois é... Como nos disse o pensador, Niceto Zamora: "Se só se permitisse o matrimónio aos que são moralmente capazes de contraí-lo, quase toda a humanidade seria família ilegítima." E embora acredite na boa vontade dos sentimentos, olho para a primavera-da-vida nos olhos, e acrescento - a carne e fraca!
É a primeira vez que deixo um comentário no blog, mas não resisto a juntar-me ao rol das excepções e deixar aqui o meu testemunho…
Eu comecei a namorar com aquele que hoje é o meu marido com 15 anos. Já passaram 17 anos. Nunca tive outra pessoa na vida. Não me faz falta outra pessoa na minha vida. Crescemos juntos e ensinámos um ao outro tudo aquilo que hoje ambos sabemos. Nunca demos um tempo (não acreditamos nisso) e raramente nos deitámos zangados. Somos felizes? Sim, muito. Foi sempre perfeito e sem chatices? Obviamente que não. Apenas tenho a certeza que ele é o tal. Alguma vez tive dúvidas? Sim… e foi precisamente por isto que resolvi deixar umas palavras à Maria… quando fui para a Faculdade apaixonei-me por outra pessoa. Estava apaixonada por ambos. Pensava que isso não era possível, mas afinal é! Foi difícil escolher: de um lado, a novidade, os poemas, as músicas, o romantismo, as serenatas, enfim, o príncipe encantado!; do outro lado, dois anos de vivências, estabilidade e amor… para além da paixão. Pensei, pensei, pensei. Escolhi aquele cuja ausência seria mais difícil de suportar; aquela pessoa sem a qual eu não estava completa. Felizmente acertei! Ainda hoje guardo um carinho especial pela outra pessoa, mas estou feliz por ter percebido atempadamente qual era o Homem da minha vida (sim, estes também existem…). Acrescento ainda que, despois deste episódio aos 18 anos, nunca mais me senti minimamente atraída por qualquer outra pessoa nem tive as tradicionais “químicas” com ninguém. Com tudo isto o que quero dizer à Maria são três coisas: 1) há amores de adolescência que amadurecem e evoluem (e eu conheço muitos casos); 2) gostar de duas pessoas ao tempo tempo é possível (não é desejável) e não tem forçosamente de implicar existência de inúmeros problemas na relação primária; 3) a decisão, por um ou por outro, nasce naturalmente dentro de nós (normalmente já está tomada, ainda que inconscientemente) e, de duas uma, ou acaba com a relação ou reforça-a. Maria, boa sorte…
Catarina
Olá gosto muito ler o que escreve,nunca fiz comentários mas hoje não resisti,tambem sou das que namorei aos 16 e casei aos 18,
faço 37 anos e continuo casada , com a paixao de sempre mas muito mais Amor
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