29.4.11
Testemunho #2
"Sou fiel seguidora do teu blogue (...) e gosto de ler a rubrica do «Consultório». É engraçado como tantas mulheres se deixam levar em situações deprimentes. Eu que sou tão segura de mim, agora aos 36 anos, não cuspo para o ar porque ... é má educação! Aos 15 anos apaixonei-me loucamente, vim para Lisboa para a Universidade por causa dele, que era de cá. Uma treta, uma relação não pode ser só um a querer. E era só eu que queria. Ele dizia que gostava de mim e tal e tal, eu dava-lhe jeito. Era o seu perfeito alibi em relação a tudo, perante os pais dele. Eu uma naif, emprestei dinheiro, perdi dinheiro, uma tolinha. Engravidei no 2º ano da faculdade, casámos, mais valia ter partido uma perna, já a perna estava curada e tinha tido menos dores de cabeça. Se agora até falo com ligeireza, sofri muito na altura, um sofrimento que corrói. A falta de responsabilidade dele era tanta, não mantinha um emprego, eu é que sustentava tudo. Os meus pais não vieram ao casamento, foi um dia dificil, o qual deveria ter sido um dia maravilhoso. A gravidez decorreu sem a presença dele, ele estava mas não estava, entendes? O importante eram os amigos e os charros e o café do bairro onde cresceu. Na noite em que o meu filho nasceu gastou o único dinheiro que tínhamos num jantar com 30 amigos, há 13 anos atrás, achas normal? Bom, adiante. Quando o meu filho tinha 2 ou 3 anos separamo-nos. Saí de casa só com as nossas roupas e arrendei uma casa. Ele recusou-se a sair de casa e por isso vi-me obrigada a procurar soluções. Sozinha com o meu filho e com a ajuda de alguns amigos recomecei a minha vida. Ainda me lembro da felicidade da primeira noite numa casa arrendada sem medo de ser roubada e no dia seguinte nao ter dinheiro nenhum! Foi a primeira noite que consegui dormir mais de três horas num espaço de três meses. Desde os 4 anos do filho que ele não o vê e ainda bem, porque só seria um mau exemplo para ele em todos os aspectos. O meu filho não conhece o pai biológico e sabe de tudo o que se passou. Tem agora 13 anos. Eu refiz a minha vida. Casei de novo. Mais, estou a pedir a anulação do primeiro casamento porque gostava de voltar a casar pela igreja e tenho a certeza que o primeiro casamento só existiu para mim. Em relação ao casamento, ao meu casamento, não há príncipes encantados. Não há rosas sem espinhos. E não há casamentos sem discussões. Não somos todos iguais e na hora de ter razão todos gostamos de a ter. O importante é saber fazer cedências e acima de tudo saber se há amor. Quando há amor tudo o resto funciona. Havemos de ter dias felizes e outros menos felizes, mas ainda posso dizer que fico com borboletas no estômago quando vou para casa, para o nosso lar e sei que me deito e acordo ao lado do homem que amo e que me ama. Claro que também nos zangamos e eu choro, e depois vem o abraço e o bejinho, e só assim vale a pena. Estamos casados há 9 anos! Temos 4 filhos. O meu filho mais velho só o quer a ele como pai e é assim que se tratam e amam-se como pai e filho, com muito orgulho meu. O importante é o amor e o respeito. E um abraço na altura certa, calarmo-nos numa discussão mais acesa e mais tarde conversar com calma".
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14 caroço(s):
Coisa linda de se ler
Adorei, quando for grande quero ser assim! lol ! beijinho
Conheço uma história (bem) parecida e também (me) conheço como personagem principal...
Parabéns pela coragem e muitas felicidades.
Beijinho
Gostaria somente de dizer que é muito bom ler testemunhos assim pois lembram-nos que apesar de momentos dificies num casamento (e acreditem que sei do que estou a falar) vale a pena ter algém do nosso lado que nos ama também!
Parabéns pela familia que conseguiste juntar... e sê feliz!
Grande experiência de vida. Ainda bem que essa leitora conseguiu ter essa força interior.
adorei o parágrafo final...
Parabéns! Faço minhas as palavras da Patricia, ali em cima. Muitas felicidades:)
Isto devia de dar para partilhar no faiçabook. Amazing, I relly love it.
E dá para partilhar! Basta colocar o link:
http://amacadeeva.blogspot.com/2011/04/testemunho-2.html
Gostei...muito...e é mesmo o amor só existe quando é de ambas as partes...senão não é amor:)
Adorei ler este testemunho, era mesmo isso que eu precisava neste momento! Obrigada :)
Adorei ler! Obrigada pela partilha!Bjs
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