22.4.11

Consultório #59

"Namorei durante alguns anos com um rapaz, a quem irei chamar de João. Começámos a namorar ainda éramos os dois universitários. Depois o João conseguiu um bom emprego. Em resultado disso o nível de vida dele aumentou, começámos a passar muito fins-de-semana em sítios maravilhosos, hotéis muito bons, as prendas dele para mim começaram a ser telemóveis topo de gama, computadores, e até viagens. Viajávamos muito, nos meus anos ou no nosso aniversário ele oferecia-me, por exemplo, uma viagem ao Brasil ou ao México, íamos com frequência jantar fora... Para o João, o dinheiro não era questão e sabia que com ele teria uma vida desafogada nesse sentido. No entanto, sempre foi um pouco mulherengo e tivémos algumas desavenças nesse sentido ainda quando andávamos na faculdade. Com ele nunca me senti única. Havia sempre uma insegurança e desconfiança, sei que ele gostava de mim, mas não sei se o suficiente para não pular a cerca. Se o telefone tocava fora de horas, lá ficava com a pulga atrás da orelha, e também por este motivo as coisas acabaram.

Há sensivelmente um ano ando com um rapaz, a quem irei chamar de Rui. O Rui faz-me sentir uma princesa, deixa-me bilhetinhos no carro, faz tudo para me agradar, por exemplo, se vou jantar a casa dele ele faz a comida que sabe que eu gosto, tem sempre a bebida que eu gosto, dá-me flores sem ser em ocasiões especiais, e os presentes dele são sempre pensados, é sempre alguma coisa que ele sabe que eu gosto ou que uma vez terei mencionado que gostava. É super preocupado comigo, e acima de tudo sinto que sou única!



Ou seja, se estamos num bar ou num outro sítio qualquer e está uma rapariga gira, ele olha (todos olhamos para outras pessoas) mas ao mesmo tempo fico com aquela sensação da parte dele: olho para uma gaja jeitosa que está ali, mas a rapariga que GOSTO está aqui ao meu lado. Com ele nunca senti nenhuma insegurança, o telefone dele pode tocar até às 3 da manhã que nunca levo para outro sentido porque ele faz-me sentir que não precisa de mais ninguém. Ele até pode andar com 500 gajas que eu não sei, mas transmite-me essa tranquilidade. Além disso até no sexo ele me faz sentir "amada", não é aquela coisa apenas carnal, sinto que ele quer transmitir-me o que sente por mim até nesse momento. Ou seja com ele tenho tido sensações que nunca tinha experimentado.


Além disso ele faz questão de me fazer saber que o faço feliz. Que para ele a felicidade a dois é aquilo que temos. No entanto, sei que com o Rui todos os pequenos luxos a que estava habituada com o João não vão existir. Não vão haver várias viagens ao ano, nem fins de semana em hotéis de 5 estrelas. Não quero que pense que sou uma interesseira, porque quando comecei a andar com o João ele tinha tanto quanto eu, mas às vezes pergunto-me se não irei sentir falta de ir para fora quando me apetece, de ter de ir acampar quando o que me apetecia era ir para um sítio com Spa (além disso tenho 28 anos a idade de acampar já passou), mas o amor e uma cabana é coisa que não existe e os problemas financeiros são a causa de muitas separações".

Olá R.,

Eu compreendo-a, mas tem de ter muito cuidado na forma como explica essas coisas, ou as pessoas consideram-na interesseira, muito, muito interesseira.

As mulheres (isto é válido para ambos os sexos) podem habituar-se a um nível de vida luxuoso patrocinado pelos namorados/maridos. Bem sei, o dinheiro não traz felicidade, mas ajuda. Quem não gosta de poder viajar e receber bons presentes?

Em tempos tive um namorado que fazia todo-o-terreno. Todos os meses lá andava eu pelo Alentejo, em grandes passeios, grandes alojamentos, boa comida e tudo sem pagar um tostão. Adorava! Para além disso, todas as semanas ele andava com um carro diferente que experimentava na estrada para depois escrever um artigo. Passávamos a vida a passear. Quando tudo acabou, achei que ia morrer de saudades daquela vida. No fim de contas, ia era morrendo de desgosto e nunca tive saudades daquela vida. Não era o importante.

O Poisoned Apple Man, antes de nos cruzarmos, passava a vida em restaurantes caros, sempre comprou o que tinha vontade, tem uma boa vida e trabalhou para isso. Hoje em dia continua a fazer despesas que considero estúpidas, mas o dinheiro é dele, ele é que sabe, limito-me a dar a minha opinião. Quando eu cheguei (não que tenha uma má vida, mas não sou tão mãos largas quanto ele), as idas aos restaurantes diminuiram consideravelmente. Agora até se queixa. Mas eu não quero ir a um restaurante com ele quando não estou disposta a pagar 100€ e nunca parto do princípio que ele paga, sou incapaz. Aceito que ofereça, mas não aceito que ofereça sempre, prefiro não ir, porque me faz sentir mal.

Acho que não tem mal nenhum gostar de coisas boas e luxuosas. Eu também gosto! Por exemplo, neste Natal, na minha lista de presentes (que sempre fiz desde miúda para ajudar a minha mãe naquilo que considera uma dificuldade), estava um relógio que eu acho caro. Eu podia pagar por ele, se quisesse muito. No fim de contas, a caixa apareceu no Natal, oferecida pelo Poisoned Apple Man. Foi o presente mais inesperado de todos. Coloquei na lista por colocar, e não o esperava. Os luxos não têm mal, se a R. os puder patrocinar para si própria, não pode é esperar que lhe sejam oferecidos continuamente. Eu faço massagens todas as semanas, eu fiz depilação a laser, eu faço viagens, gastei uma fortuna numa road trip de sonho aos EUA, mas sai tudo do meu bolso e do meu trabalho. Eu não fico à espera que seja oferecido, não poderia fazer isso nunca.

Eu não sou, mesmo, mulher para acreditar nessa história de amor e uma cabana. A R. não é clara quanto à situação do seu actual namorado, mas uma coisa são dificuldades financeiras, outra é terem uma vida normal, ao nível dos vossos rendimentos. Se gosta de luxos, acho óptimo, mas só se os puder patrocinar do seu bolso. Ou umas vezes ele, outras a R. e assim vão alternado. Eu também gostava de ter muita coisa que não tenho, mas ou junto dinheiro para ter ou vejo fotos do que gostava de ter e suspiro.

"Talvez não me tenha feito entender bem. Sim, todos gostamos de presentes e etc, mas refiro-me a isto: a maçã fez essa viagem nos USA, vamos imaginar o seguinte cenário: a maçã diz ao seu namorado que gostava de fazer uma viagem ao sítio X e custa 500€, e ele diz: eh pá! Agora não posso porque só tenho 300€, não queres antes ir de férias para casa de um amigo meu no algarve?

Outro cenário: aproximam-se fins-de-semana grandes, o seu namorado inicia a seguinte conversa: vai haver um fim-de-semana grande (e na sua cabeça ele vai dizer para irem passar a um sítio diferente, dormir num hotel, não é necessário ser um de 200€ a noite e etc.) e ele conclui: não queres ir acampar?

Este género de situações. Eu vivo bem sem os presentes, porque efectivamente posso fazer as mesmas coisas que fazia, mas gostava de um pouco mais de sintonia. Esse exemplo que me deu do relógio é mesmo aí que quero chegar. É óbvio que a maçã não está com o seu namorado porque ele ganha bem ou seja lá o que for, mas não lhe soube bem abrir essa caixa no Natal? Uma coisa que realmente achava que não iria ter porque era cara e alguém aparecer com ela?

Ou seja, o seu namorado vive bem, dá-lhe coisas boas e pode "acompanhá-la" num certo estilo de vida. Agora imagine que o seu namorado não tem uma situação laboral definida, que não vive assim tão á larga e que o dinheiro ao fim do mês é escasso. Não seria isso um problema para si?

Eu gosto muito dele e até me imagino a ter uma vida em conjunto com ele, porque realmente ele faz-me feliz. Mas peso outros factores também...

Pois, percebo. Nesse aspecto as coisas são mais complicadas, mas as pessoas não ficam na mesma a vida inteira. Pode acontecer ele mudar de emprego e passar a ter uma vida ao nível da sua. Por outro lado, o tipo de sugestões que ele faz para mim eram impensáveis. Eu prefiro ficar em casa e fazer praia na Costa da Caparica do que acampar em qualquer lado. Detesto acampar.

Eu percebo-a, mas basicamente acho que é deixar andar se realmente gosta dele. Se com o tempo nada mudar, vai acabar por cansar-se porque não corresponde àquilo que quer para si.

28 caroço(s):

Anónimo disse...

Simplesmente não mereces o amor do Rui pois não tens nível para ele. Mereces uma vida de luxo, porém vazia e fútil junto do João.

Ana Costa disse...

Tenham paciência. Querem uma vida de luxo, estudem e trabalhem para ela. Agora estar disposta a que o marido pule a cerca para manter o nível de vida...que futilidade! E não, não vale a pena insistir no 2º rapaz, porque é óbvio que não o ama. Quem ama sente o coração apertado cada vez que pensa que a relação pode acabar. Quer envelhecer junto do outro aconteça o que acontecer. Na riqueza e na pobreza. Apesar das dificuldades da vida (que são sempre inevitáveis). Não pega numa calculadora...

Anónimo disse...

vai mas é trabalhar....

Anónimo disse...

(Maça, tens parágrafos repetidos)

On-topic: tens de pesar o que é importante para ti: "liberdade" financeira de ir onde queres e teres tudo material mas passar a vida de coração ao peito (e possivelmente uns bons efeites) VS conter os gastos, não ter liberdades, contar os tostoes mas ter uma pessoa ao teu lado que realmente te ama

Catarina disse...

Não considero que ela seja futil ou que não mereça o amor do Rui.
Se durante muito tempo, esteve habituada a um certo nível de vida é natural que quando tudo acabe se sinta a diferença. Acho apenas que com um esforço e uma mentalidade aberta conseguirás ultrapassar esta questão. Tal como te habituaste ao estilo de vida do João, vais habituar te ao estilo de vida do Rui. Toda a gente gosta de boas prendas, em especial as mulheres. Pelo que foi escrito, o Rui é a pessoa que te faz feliz. Luta por isso.

MiNiNa disse...

A única sensação que ficou depois de ler sua história (não sei se mal contada) é que você não é digna do amor que o "Rui" tem para oferecer. Gostar da boa vida, das facilidades e prazeres que o dinheiro pode comprar todo mundo gosta! Se é isso que você quer, TRABALHE! Leu bem? T.R.A.B.A.L.H.E ! Ao que parece isso que você chama de amor e tem para oferecer é o tipo de "sentimento" que vai para aquele que pagar mais...

Anónimo disse...

Não sei o que acontecerá quando formos todos funcionários aureolados pela organização de aparências que acentua a satisfação dos privilégios. A aparência vai tomando conta até da vida privada das pessoas. Não importa ter uma existência nula, desde que se tenha uma aparência de apropriação dos bens de consumo mais altamente valorizados. Há de facto um novo proletariado preparado para passar por emancipação e conquistas do século. As bestas de carga carregam agora com a verdade corrente que é o humanismo em foco — a caricatura do humano e do seu significado.

Agustina Bessa-Luís, in 'Dicionário Imperfeito'

Anónimo disse...

a mim só me ocorre o seguinte: o dinheiro complica tudo.

façam a prova dos nove: noves fora o dinheiro e o que é que resta? o sentimento!

é isso que deve ser valorizado! o joão dava-lhe boa vida, não era? mas e se um imprevisto ocorrer na vida do joão, se ele perder o emprego que tanto dinheiro lhe dá ou se ficar doente/incapacitado? continuaria com ele?

uma vida a dois é construida com base nos afectos. o resto vem por acréscimo. é mesmo na saude e na doença, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. sinceramente acho que ainda não está preparada para uma vida a dois, nem com o joão, nem com o rui... e o "amor e uma cabana" não é uma utopia.

acredite que quando há amor verdadeiro e esse amor é correspondido, minha querida, não há mesmo limites, superam-se todas as crises!

S* disse...

Bem, não gosto de criticar quem não conheço, mas a autora do texto tem as prioridades mal definidas. O meu primeiro namorado tinha bastante dinheiro, proporcionava-me todos esses luxos... e não vou dizer que não gostava de ser mimada (adorava), como qualquer pessoa gosta de jantar fora sempre que quer, ficar em bons hotéis, enfim... gostava. Mas o meu amor é aquele que me dá a riqueza emocional. Nunca poria um amor em causa por não me poder dar os luxos materiais. Cara R., pense no que a faz feliz. Verdadeiramente feliz. Viajar, fazer massagens, restaurantes e hotéis são bons, mas não serão melhores com alguém que nos AMA realmente?

FM disse...

Não tenho por costume comentar este tipo de situações. Eu sempre ouvi dizer que "fazer festa com o dinheiro dos outros é fácil". A R. transmite a ideia de ser uma mulher fútil, preocupada apenas com aquilo que o namorado lhe pode proporcionar e não com o que ELA pode proporcionar a si PRÓPRIA! E isso, devia ser o mais importante.

Anónimo disse...

Quem chega ao ponto de equacionar João Vs Rui é porque não sabe o que é o Amor nem a vida a dois. Quer dinheiro? Vá trabalhar, e de preferência bem, e muito, que o dinheiro não vem de forma fácil! Caso contrário, e sem ofença, o que está a fazer tem nome: chulice. Para nós mulheres, este nome deveria ter um peso escpecial...

Mariana disse...

Mas há aqui um ponto que ainda não esclarecido: por acaso a rapariga em questão tem dinheiro para pagar os luxos que deseja?
Se o tem, e mesmo que ame o seu namorado é normal que pense nisso, que ache que a sua vida pode ficar aquém das suas possibilidades e que talvez não viva como "merece".
Se não o tem, sinceramente acho o mesmo que aqui foi dito: vá trabalhar. Acho impensável, e por muito rico que seja o seu namorado, que viva às custas dele (assim como ninguém deve viver às suas!)... Se de facto quer a papinha toda feita e não a pode pagar e é por isso que está com dúvidas em relação ao seu namorado Rui, a mim parece-me que não gosta assim tanto dele.

Mariana disse...

ainda não está esclarecido*

Poisoned Apple disse...

Caríssimos alerto para o facto de a autora deixar bem claro:

"Eu vivo bem sem os presentes, porque efectivamente posso fazer as mesmas coisas que fazia, mas gostava de um pouco mais de sintonia".

Deusa disse...

Eu penso que as pessoas se habituam a determinadas regalias quando lhe são dadas quer seja pelos pais/namorado/marido. Mas cada pessoa deve saber que isso são apenas "extras" que de um dia para o outro podem terminar. Neste caso a senhora com o termino da relação acabaram-se tambem determinados luxos, e com uma nova relação as coisas mudam (não há duas pessoas iguais). Deve pensar no que realmente a faz feliz... se são as "estravagâncias" ou o que sente pela pessoa. Se nao confiava no primeiro e não era feliz com ele não pode pensar no que ele lhe dava. Deve reflectir no que realmente quer. Acho que não é uma questão de ela ir trabalhar, pois afirma que pode fazer as mesmas coisas. A sintonia que diz querer ter agora, quer dizer que no primeiro relacionamento ambos tinham um determinado nível de vida, diferente do que tem com o recente parceiro.

Madame Butterfly disse...

Mais uma vez se revela a fascinante capacidade do ser humano em atirar pedras ao alegado pecador. Vestir a pele dos outros é é tarefa demasiado complicada...

Compreendo perfeitamente as incertezas da autora do texto. E em momento algum ela disse que não podia pagar os seus próprios luxos. O que eu entendi foi que o actual namorado não tem capacidade financeira de a acompanhar no seu nível de vida e isso entristece-a pois acaba por não fazer muitas das coisas que aprecia.

Entendo, aliás, perfeitamente. Como escreveu o Miguel Esteves Cardoso, "o vida é uma coisa, o amor é outra". Ou como cantou o Rui Veloso, "não se ama alguém que não ouve a mesma canção". É uma missão complicada, ninguém duvide.
Cara autora do texto, não se deixe levar pelas críticas negativas aqui deixadas á sua personalidade. Criticar é mais fácil do que compreender. Como já escreveu a Maçã, deixe andar e não se concentre demasiado neste ponto da vossa relação. As coisas poderão mudar de um momento para o outro, quem sabe...E se não mudarem, chegará o momento em que terá a certeza do que quer, ou do que não quer. Desejo-lhe muitas felicidades.

Anónimo disse...

"Dá Deus nozes a quem não tem dentes!"

Anónimo disse...

apesar de nao querer atirar pedras pq tenho telhados de vidro so me apetece dizer o mesmo. da deus nozes a quem nao tem dentes. na minha relaçao existe o sentimento de insegurança e tb nao ha o acompanhar do certo nivel de vida. Em anteriores relaçoes, eu passava férias em hoteis (pagos por mim e por ele) e agora vou para pousadas da juventude (pq a pessoa com quem estou tem dinheiro mas, axa q nao deve gastar nessas coisas) e ainda assim a unica coisa que queria era sentir-me amada como eu o amo a ele! tente dar valor ao que tem!

Anónimo disse...

Tenho uma amiga que namorou com um rapaz que gastava rios de dinheiro com ele em roupa e que levava a namorada a almoçar na messe da polícia, ou a dividir bilhetes de cinema quando tinha um de borla. E essa mesma amiga fartou-se desse rapaz e começou a namorar com outro que lhe disse que não era " riquinho" como o ex-namorado dela, que se calhar não podiam ir jantar muitas vezes fora, porque ganhava pouco e ela apaixonou-se perdidamente e casaram.
Hoje viajam e tem uma vida boa porque trabalham para isso e porque poupam.

Maria João

Juanna disse...

Diga-lhe que, de vez em quando, gosta de mimos. Uma vez acampam, da vez seguinte vão para o Spa. Falar, falar, falar, falar.

Anónimo disse...

Por amor da Santa!!!! Mas há gente que não tem vergonha. Como é possível sair e deixar que seja o namorado a pagar tudo? e receber presentes caros, sem dar em troca?

Ter sexo com alguém e deixar que esse alguém retribua com valores materiais tem nome, sabia?!?!

terapia disse...

Maçã, como posso enviar algo para o "Consultório"?

Poisoned Apple disse...

Terapia, o endereço de e-mail do blog é amacadeeva@gmail.com

Allie disse...

Quando namoramos com alguém e a relação vai ficando séria, naturalmente, muitas questões se colocam. Se só o amor chegasse, os casais apaixonados nunca se chateavam e a vida em comum não sofreria desgaste. Toda a gente consegue imaginar o que fazer com mais dinheiro, mas se sempre teve uma vida "desafogada" é natural que tema a adaptação a menos conforto ou independência financeira. Não me pareceu que a autora estivesse indecisa entre um e outro, mas apenas no sucesso da actual relação ao fim de uns anos a rejeitar alguns luxos a que está habituada porque ele não a pode acompanhar. Possivelmente, quando começarem a fazer planos de vida a dois (viver juntos, compra de casa, etc), aí sim, será justo pensar o que cada um pretende da vida e como pensa alcançá-lo. Aos 28 anos tudo é possível. O rapaz, se é trabalhador e tem ambição, ainda está no início da sua vida profissional. As coisas não caem do céu e se abdicar destes pequenos luxos, ainda que por alguns anos, é assim tão difícil de imaginar, então, na verdade, não é uma relação que deva continuar. Temo apenas que quando se aperceber que muitos desses bens na verdade são dispensáveis, seja tarde demais. Pessoalmente, já me relacionei com homens ricos (com direito a frequentar sítios muito caros) e nunca foram relações felizes. Já com o meu namorado, até podíamos fazer uma vida mais "movimentada", mas na maioria das vezes ficamos contentes com uma pizza entregue em casa, sentados frente à televisão, a ver as nossas séries favoritas.

► JOTA ENE ◄ disse...

ººº
É assim, nem sempre se pode juntar o útil ao agradável.

AMOR OU BOA VIDA? Dificil escolha ou não?

Helena de Troia disse...

Nunca gostei tanto de uma resposta da Maçã como esta. Como pode julgar o seu namorado por não lhe dar luxos que você própria não os pode ter? O amor não é 'amor e uma cabana' mas tudo aquilo que exige do outro, devem ser coisas que pode adquirir para si própria. Aii nem me apetece comentar mais nada porque todo este texto foi absurdo e, infelizmente, a mensagem que passou foi mesmo a de uma dondoca que quer viver às custas de um homem, mesmo que não fosse essa a sua ideia.

Narizinho Lunático disse...

Eu quero apenas deixar uma questão à R: vamos imaginar que a situação profissional do Rui fica estável. Consegue um emprego onde ganha 3000 euros por mês. Dinheiro para ele não será problema... No entanto, vamos imaginar que a R. tem algum contratempo profissional e só consegue um emprego a ganhar o salário mínimo... Agora, cara R., pense, gostaria que o Rui pensasse que, se calhar, você não seria a pessoal ideal para ele, porque não poderia pagar um hotel de luxo?!... Concordo totalmente com a Poisoned Apple. Se quer uma vida mais luxuosa, trabalhe para isso, poupe para isso. Não fique à espera que seja o Rui, o João ou o Manuel a dar-lhe. E, caso o Rui não possa pagar um hotel a 200 euros a noite, paguem a meias... Quando comecei a namorar com o Piqueno, deixei muito bem explícito este tipo de coisas: ele até pode pagar-me cafés ou um copo quando saímos. Mas férias, hotéis e afins, hei-de ter muitas, pagas por mim. Ou, quando muito, pagas a meias. Sinceramente, e não querendo fazer juízos de valor acerca da sua personalidade, se AMA o Rui, isso não deveria ser um problema. E não me interprete mal, eu também não acredito na história de amor e uma cabana. Mas quando ambos têm mãos para trabalhar e lutarem por algo mais, esse tipo de questões não deviam existir! Boa sorte para a R! :)

Atlântida disse...

Nem sei por onde começar...
Julgo que vou começar pelas mentalidades...
A mentalidade do "trabalha para ganhar dinheiro"; correcto! A não ser que se seja herdeiro de uma fortuna, não há dinheiro sem trabalho, legal ou não. Mas vamos lá pensar quantas pessoas em Portugal, no Mundo, trabalham, suam as estopinhas, e nem por isso têm possibilidades viver à grande. Algumas nem têm sequer dinheiro para campismo!!
Quanto ao Amor... Houve Reis a abdicarem do trono por Amor, etc. Quando se ama, não se pensa no que se está habituado a ter!! E se fosse ao contrário? Imagine alguém com o dinheiro do seu ex e com a sua mentalidade? Está a ver onde ia parar, ou não? Sim, que ideia é essa de ser o homem a ter mais dinheiro que a mulher? Ou é demasiado egoísta, ou interesseira, ou não ama! Se o ama, poupe e, quando ele disser que só tem 300, ofereça-se para lhe pagar os restantes 200. Assim, ficam os 2 satisfeitos! Mas é mais fácil receber, com a sua mentalidade, não é? Pobre coitado, por a amar...