(Texto publicado no DN de ontem, parcial ou total, não sei. Não comprei. Se alguém tiver a bondade de me enviar uma foto ou digitalização, fico muito feliz e agradecida!)
Não é que não goste do Carnaval. Detesto! Porque é triste e deprimente, pelo menos em Portugal. Quando era criança gostava, pois era sinónimo de alguns dias de férias. Hoje, se estivesse empregada, apenas poderia gostar pelo mesmo motivo. Torna-se ridículo ver pessoas adultas mascaradas na rua porque sim, apenas porque é Carnaval. Homens vestidos de mulheres ou de enfermeiras, com meias de liga, é um cenário triste de se ver. Como ver o Alberto João Jardim de cuecas num desfile, enfim, é a falta de noção.
Nem sei quando começou o Carnaval por Portugal, mas quase posso jurar que é cópia e influência brasileira, onde acredito que o Carnaval tenha graça. O Brasil é um país alegre, cheio de festa, tem um "jeitxinho" inimitável e tem uma coisa maravilhosa que é o calor. Como cópia, aparece em Portugal uma coisa muito mal amanhada, feita com meia dúzia de gatos pingados, puxados por carros de mau gosto, desfilando em avenidas despidas onde o povo bate palmas (sabe-se lá porquê) e onde sambam outra meia dúzia de gordas, nuas, com temperaturas de 10ºC a tiritar de frio. Volta e meia, alteram-se as datas dos desfiles por causa da chuva. Simplesmente não tem graça, é desadequado e uma despesa estúpida e evitável. No Brasil será diferente, como em Lisboa têm graça os Santos Populares, ou como teria piada um baile de máscaras onde todos se trajassem a rigor. Ser adulto e andar mascarado pela rua só para fazer figuras tristes, é isso mesmo: triste.
Pior do que a existência do Carnaval, é a libertinagem nascida da expressão "é Carnaval, ninguém leva a mal". Eu levo. A ideia de levar com ovos (que já me aconteceu muitas vezes), farinha ou balões de água atirados ao carro em andamento, só tem graça para quem faz o lançamento olímpico e para quem não tem de ficar três horas de cabeça para baixo, na banheira, a tentar tirar cascas de ovo no cabelo. Para quem nunca sofreu a experiência, eu garanto, é um inferno. E para quem quiser andar no Eléctrico 28, em Lisboa, assegure-se que leva as janelas fechadas, mesmo quando nesta época o calor dá um ar da sua graça. É que este transporte público circula a escorrer gemas e ovos, de tal forma que nem os turistas vêem bem a beleza da cidade. Nas paragens, ao sair, toda a cautela é pouca.
Não gosto do Carnaval, mas mascarei-me algumas vezes. Creio que a última vez foi de bruxa. Num dia de semana, lembro-me da minha mãe ficar a trabalhar até altas horas da madrugada, tudo para me fazer feliz com um vestido de bruxa, cheio de trovões, um chapéu em bico que deve ter dado um trabalhão a fazer, e umas aplicações para colocar na frente dos sapatos, que os deixava em bico. De manhã, quando acordei para a escola, nunca mais me esqueço do meu espanto. Aquele vestido de bruxa era muito mais do que podia ter esperado. Foi um sucesso e fez-me feliz! O que significa que, quando chegar a minha vez de ter filhos, a consciência vai obrigar-me a repetir este papel e abrir os cordões à bolsa, porque mais do que não aparecer mascarado na escola, o grave é que as outras crianças são más umas para as outras. O dedo apontado para o outsider é motivo para uma memória triste e eterna. Para poupar lágrimas e desgostos, terei de fazer o mesmo um dia. Ou talvez a minha mãe tenha a bondade de se sentar outra vez à máquina da costura.
9 caroço(s):
Eu a pensar que era o único a achar o carnaval em Portugal uma coisa deprimente...
E vão 3... Acho o Carnaval "deprimê"! Portugal só sabe ser o macaquinho de imitação!
Também não gosto do Carnaval. Quando era estudante faltava às aulas para não ter que aturar as cenas de ovos na cabeça e outras mistelas bem piores. Mas sim, também fui brindada com "é carnaval não podes levar a mal" e eu ficava fula. Pensando bem, acho mesmo que nunca me mascarei.
Li algures já há algum tempo que o carnaval como o conhecemos nasceu para prestar homenagem a um Rei Português...
Eu gosto de ir a festas (festas, não bailaricos...) e mascarar-me...não me sinto nada deprimida com isso...Sinto-me deprimida quando estou triste, isso sim...quando me estou a divertir...hummm..não...não sinto qualquer tipo de depressão ;-)
E não, não gosto dos desfiles, não gosto de partidas, não gosto de bebedeiras, e odeio os homens que se bvestem de mulheres (mas isso porque acho feio, só)...gosto mesmo é daquela parte em que me divirto com mais uma cambada de deprimidos que se divertem também :-)
Fique sabendo que foram os Portugueses que levaram o Carnaval para o Brasil. Eles apenas lhe deram uma outra dimensão. Que diga que hoje em dia perdeu o seu cariz tradicional (bombos, cabeçudos, zés-pereira, etc.) e que os imitamos no Samba, tudo bem. Mas a sua celebração não é imitação dos brasileiros.
Concordo. Se au menos não estivesse sempre tão frio no Carnaval e não houvesse tantos homens vestidos de mulheres (fica-se a pensar na sua orientação, visto que nos dias normais, nem se permite a tocar nos braços de outros homens) talvez tivesse alguma graça. Assim, não. Só a noite, como em alguns sítios, as ruas transfomam-se em discotecas, a coisa tem algum jeitnho para gente da minha idade. Mas de resto, só mesmo o feriado é que o salva.
O Carnaval contado por uma professora de uma escola de um dos bairros degradados do nosso país:
http://eanossaescolinha.blogspot.com/2011/03/e-carnaval.html
Triste foi ver, ontem, mulheres adultas mascaradas no shopping. Participar na festa de rua, ver os desfiles, estando mascarado, menos mal. Ir para o shopping mostrar a máscara...
Espero que Portugal não imete literalmente o carnaval no Brail. O Brasil é um país alegre, povo hospitaleiro e com muito sol. Mas a libertinagem aqui é muito forte. a violência, o tráfico de drogas, consumo de drogas e de álcool é exorbitante. Sem contar a prostituição que nesta época é coisa séria. Roubos, furtos, assantos ocorrem muito esta festa que dizem ser a maior do mundo. Na verdade é uma fez ponposa para esconder a iniquidade que assola o país. Só para vocês terem uma idéia o Brasil só funciona depois do carnaval. É um absurdo! Além de tudo isso o objetivo dos que defente este tipo de festa, é fazer esta festa maior que o Natal, o ano novo e pásco. Estas sim são festas que acredito que é muito maior do que o carnaval. O mundo não precisa de carnaval. Precisa de dignidade em todos os atos.
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