"(…) Tenho 35 anos e conheci um rapaz por intermédio de familiares, aliás com alguma distância até somos primos, ele na altura tinha 29 entretanto já fez 30 (...) Mas há qualquer coisa, somos bastante diferentes, de meios diferentes, no entanto considero-o uma pessoa inteligente e com quem gosto de estar. O problema é que a nível íntimo entendemo-nos muito bem, no entanto às vezes sinto que não passa disso, ele diz que para ele a parte íntima é muito importante e que se não se der bem com alguém a esse nível nem vale apena avançar mais. Chegou pedir-me em namoro, mas com uma ressalva que só é oficial quando chegarmos a um ponto (...)
Entretanto já chegámos a esse ponto e agora diz que não me conhece bem, que somos família e não quer estragar um relacionamento familiar que esteve tanto tempo perdido, mas diz que estamos no bom caminho. Que vamos deixar passar o dia dos namorados para não me dar prenda, mas é na brincadeira, aliás até diz que me vai dar prenda (...) Diz que nunca teve uma namorada, vai tendo os seus casos, que não sabe o que fazer. Quando está comigo diz que gosta de mim, muito, mas não o demonstra quando não está comigo. Não sei se é imaturidade ou só quer um relacionamento fugaz.
O problema é que não sinto as coisas a evoluir e sinceramente não sei o que fazer.Já o confrontei várias vezes, mas diz sempre que gosta de mim e muito (...) Quando falamos no relacionamento diz muitas vezes que depois de começarmos a namorar só falta vivermos juntos, o que para mim não faz sentido, não quero que vá viver comigo sem antes nos conhecermos bem melhor (...) O que devo fazer? Enfrentá-lo e acabar de vez ou dar mais um tempo? Eu tinha pensado em esperar até uma determinada data e se estivesse tudo na mesma acabar de vez, mas apesar do prazo ser curto não sei se consigo continuar assim! Preciso de sentir que sou amada. Quando estamos juntos até sinto, mas depois...
Nunca tive mta sorte aos amores (...) transmito uma imagem de senhora do meu nariz, sou muito independente, o que acho que afasta os homens, pareço uma coisa depois sou como qualquer outra pessoa, boa pessoa demais (para eles), carinhosa, acho que os desiludo. Não sei se é por isso, mas não consigo manter um relacionamento muito tempo. Os meus amigos dizem que sou bonita, divertida, amiga dos meus amigos, mas parece que sou aborrecida nos relacionamentos, ou então só atraio quem não me merece".
Olá H.,
Também tive namorados de meios diferentes, mais do que um, e embora gostasse deles havia qualquer coisa que faltava ou que não encaixava. E era isso mesmo: meios diferentes. Durante uns tempos, anos, a relação até pode ser levada com tranquilidade, mas no meu caso lembrava-me sempre disso, cheguei a sentir constrangimentos, a ficar impressionada e sabia sempre, lá no fundo, que não havia qualquer futuro ali, embora houvesse presente. Muitas pessoas podem acusar-me de arrogância, o que aceito, mas não poderia nunca mentir-me a mim própria sobre o que sentia. E a H. deve fazer a mesma coisa que é ser honesta consigo própria. Com isto aprendi que não vale a pena forçar, a água e o azeite podem estar em contacto, mas nunca se misturam e, mais dia, menos dia, a coisa acaba por azedar.
Fora isto, lamento dizer-lhe H., essa relação é um buraco. O facto de me informar logo à cabeça que no sexo as coisas correm muito bem e que para ele isso é de extrema importância, começa a dizer-me que isto não é uma relação normal. Dois estranhos podem entender-se sexualmente, por isso é irrelevante. Mas duas pessoas apaixonadas não falam da relação partindo desse pormenor. Quantas pessoas verdadeiramente apaixonadas as ouviu falar da qualidade do sexo? Quase nenhumas. É que do amor nasce uma cumplicidade que torna tudo isso quase um segredo. Passa a ser apenas dos dois. Não quero com isto dizer que esteve mal, só que é revelador de uma relação, pelo menos "diferente" daquilo que se espera.
Mas mais importante que tudo isso são as condições. Fez-lhe um pedido de namoro, mas com uma "ressalva": apenas será oficial quando chegarem a um certo ponto. Ponto esse que significa exactamente o quê? E é definido por quem? Ou seja, as cartas estão todas na mão dele. E se por acaso lhe informasse que não estava de acordo com as "condições" dele, ele fazia ou quê? Dizia "então já não és minha namorada!" e batia o pé? Eu compreendo que deixe passar uns tempos se a relação pode ser um choque para a família, mas bem vistas as coisas, qual era pior coisa que podia acontecer?
A questão aqui é que nenhuma relação saudável tem condições. O "eu namoro contigo mas tens de..." é aflitivo. Não se diz, não se faz, é abusador, é de quem não presta, é tudo menos amor. Então, só podiam contar quando chegassem a certo "ponto". Agora que já chegou ao tal "ponto", ele diz que afinal não a conhece bem, mas quem é que se conhece bem? Quem é que quer conhecer muito e tudo? Que dizem as mulheres que viveram 20 anos ao lado de um homem que as trocou por uma amiga? Que o conheciam bem? Isso significa o quê? Significa que não presta, que quer ter poder sobre si e que está a empatar.
H., quando uma mulher diz que acha que o relacionamento não está a evoluir, é porque não está a evoluir. Quando uma mulher encobre a sensação de que algo está mal com respostas "ele até me vai dar presente no dia dos namorados" é porque de facto algo está mal. Eu não acho que seja estúpida, acho apenas que está a ser movida pela esperança, mas os dias passam e tudo permanece na mesma. E vai permanecer.
Para estar consigo ele vê em si alguma coisa, quanto mais não seja gosta do sexo, mas ele não é um homem apaixonado e não a ama. Um homem que ama não se comporta desta forma. A relação não é errada se for isto que a H. quer, mas parece-me que quer muito mais, coisas que ele não tem para dar, coisas que lhe cobra e o desgastam. No fim de contas, tendo em conta aquilo que procura para a sua vida, ele não é a pessoa certa para si. A pessoa certa tem outro comportamento connosco e sabemos reconhecê-lo sem sombra de dúvida. Para si, esse homem tem a dar-lhe alguns momentos, coisas descartáveis, passageiras e, mais do que isso, uma grande, grande conversa.
Deixe de se criticar que o problema não é seu. Não interessa se é alta, se é tímida, independente ou querida demais para eles. Isso não existe, pois até as pessoas feias, más e burras encontram alguém. Também eu atraí muita gente que não interessava, mas aprendi com isso, ganhei experiência e inteligência emocional e passei a ser mais selectiva. Não se coloque nas mãos de ninguém, ganhe firmeza, diga que também tem uma palavra no assunto e abandone-o se entender que apenas atrasa a sua vida.
Um homem que não nos traz o que queremos apenas atrasa a vinda daquilo que queremos.
5 caroço(s):
Concordo com tudo o que disse a Maçã. Nenhum homem deve ter o poder de a manipular desta maneira. Qual é o papel da H. nisto tudo? Ele dita as regras e a H aceita?
Desculpe que lhe diga isto, mas quando comecei a ler a sua carta, se não visse a sua idade parecia-me coisa de adolescentes.
Maria João
Parece-me histórias de adolescentes...
Eiii que chorrilho de aldrabices... foge disso!
História típica de alguém que joga em várias frentes ao mesmo tempo e dificilmente mudará...
Adorei todo o texto, mas em particular a última frase... Sem tirar nem pôr...
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