25.2.11

Enquanto não me tirarem o pio, não me calo #2

Resposta ao texto 'A parva da Geração Parva', da autoria de Isabel Stilwell que pode ler-se aqui

Enviado para editorial@destak.pt

Sugestão: fazer link desta resposta nos blogs, nos FB, copiar a resposta e fazer forwards. Ainda ninguém deu uma resposta que tenha circulado em massa. Convém mostrar o ponto de vista de quem é 'parvo'.

Exma. Senhora Isabel Stilwell,

Escrevo-lhe em resposta ao texto que publicou no jornal Destak, com o título ‘A parva da Geração Parva’. Espero que entenda esta resposta como construtiva e não mais um desses hate mails que de certeza tem recebido e deve levar a sua conta de e-mail ao desespero. O meu estilo prima pela educação.

Tenho muitos dos últimos romances que escreveu. Mais do que uma vez, suspirei o quanto gostaria de escrever algo assim como fez a Isabel, mas quando me deram a conhecer texto publicado no Destak, não pude deixar de me desiludir.

Vamos a apresentações! Tenho 32 anos, estudei em escolas particulares, fiz a minha licenciatura na universidade que frequentam os filhos das boas famílias. Também tenho apelidos sonantes, na minha família todos são licenciados e gosto de pensar que fui bem educada. Sei que tive muita sorte. Tive um avô médico, outro sentou-se em grandes cadeirões de alguns bancos nacionais. Tive muita sorte. Quando me formei, continuei a ter sorte. Fiz um estágio curricular numa instituição onde gostavam muito de mim, queriam contratar-me, mas não tinham como. Trabalhei dez meses de graça. Depois lá conseguiram. Ganhava muito bem, depois mudei e passei a ganhar muito, muito bem, mas sempre vi os meus amigos a ganhar muito mal. Tive muita sorte. Eles não. No meio de tudo pelo que me sinto grata, imagine, esta é já a terceira vez que me encontro desempregada. Nunca estive tanto tempo desempregada.

A minha mãe sempre me ensinou a trabalhar por aquilo que queria. Fez um bom trabalho. Gostava de vir a fazer o mesmo pelos meus filhos, um dia. Com catorze anos comecei a fazer serviços de baby-sitting. Primeiro aos tios, depois aos amigos dos tios e por aí fora. Depois, aos dezasseis, comecei a fazer de hospedeira em alguns congressos, aqueles davam trabalho a menores de idade. Desesperei pelos dezoito anos para trabalhar mais e poder engordar as minhas poupanças, mesmo que em casa não me faltasse nada. Os dezoito chegaram e com eles tantos trabalhos que não consigo enumerar. Trabalhei durante toda a minha licenciatura.

Então, o desemprego bateu à porta uma, outra e outra vez. Esta última, muito mais longa do que eu contava. Mas não cruzei os braços. Licenciada, com experiência profissional e tendo já usufruído de salários gordos, aproveito a minha ainda cara de miúda e sou orientadora de sala numa sala de espectáculos da capital, vou fazendo algumas traduções (tenho a sorte de ser bilingue) e ainda peguei numa parte das minhas poupanças para dar inicio a um negócio online. Não fiz nenhuma fortuna, mas não perdi dinheiro. Fico contente por não ter perdido e por dar para atestar o depósito do carro (que eu paguei) algumas vezes. Há pouco tempo, numa festa, encontrei a mãe de uma amiga de longa data que me perguntou se me mantinha na situação de desempregada. Expliquei-lhe o que andava a fazer e devolveu-me um suspiro: ‘o que vale é que está sempre a fazer outras coisas!’. Nem nunca tinha pensado que olhavam assim para mim.

Ou seja, continuo a esforçar-me o quanto posso. Mando tantos currículos que já lhes perdi a conta. Nem me chamam para uma entrevista. Já me sugeriram que omitisse partes do meu currículo, o que me recuso a fazer. Ao que isto chegou!

Ou seja, desde que me lembro de ser gente, não andei a coçar-me. Sempre trabalhei, estudei, formei-me e tive muita sorte. Mas vi os meus amigos a desesperar de azar, lamentei por eles, vi-os desertar, vi-me longe de muitos amigos distribuídos pelo mundo fora, o que eu também devia ter feito. Tenho pena de não ter tido coragem.

Nisto, a geração que já foi rasca, agora é parva, nas suas palavras. Tudo porque os Deolinda decidiram cantar uma música com que tantos se identificam. Uma música, no meio de tantas, deu-lhe a si o direito de chamar as novas gerações de ‘parvas’. Lamenta que tenham gasto dos impostos para os quais contribuiu sem que esta geração tenha aprendido coisa alguma. Nas suas palavras, ‘aprender (…) significa estar apto a reconhecer e a aproveitar os desafios e a ser capaz de dar a volta à vida’. Eu estou apta, reconheço e aproveito os desafios… desde que eles existam!

Gostava eu de saber qual a sua base estatística, ver esse documento na minha frente que diz que os ‘licenciados (…) ganham duas vezes mais do que a média, e 80% mais do que quem tem o ensino secundário ou um curso profissional’. A média, vi há dias na SIC, era de 800€ líquidos. Eu não vejo a minha geração a ganhar duas vezes isso. E conheço muita gente.

Nenhum jovem diz que a crise foi inventada para o tramar. Isso é insultuoso. Os recibos verdes não existem para escravizar ninguém, existem porque quem os inventou não teve cuidado naquilo que estava a fazer. As entidades patronais, aproveitam. Quem tem recibos verdes, quem tem uma empresa, desconta muito mais do quem tem um contrato. No entanto, não tem direito a subsídio de desemprego ou direito a uma baixa, se doentes. Isto, no mínimo, é dar nome ao conceito de injustiça.

Há uma geração inteira que se identificou com uma música, mas não a tornou num hino, ao contrário do que afirma. Quantas músicas foram escritas sobre tantas guerras e lamentos? Há um tango argentino, deve ter cerca de 40 anos, em que um amigo escreve a outro que abandonou Buenos Aires para trabalhar em Itália. Escreve-lhe: ‘não voltes’. Também Eça de Queiroz e Fernando Pessoa lamentaram os tempos modernos da altura, a falta de valores e os malandros dos jovens. Em todas as épocas, alguém a quem a sociedade leu e deu ouvidos, escreveu e lamentou os tristes tempos que se viviam. Só não sei se foram insultados de ‘parvos’. É cíclico, não traz nada de novo.

Afirma que temos de ser parte da solução o que, penso, passará por levantar mangas e começar a trabalhar. Mas esqueceu-se de um facto: tendo em conta as hierarquias empresariais, é a sua geração que nos dá/devia dar empregos com salários justos. Saber que existe uma vida pessoal e não obrigar a trabalhar doze horas por dia em troca de coisa nenhuma. É a sua geração que devia considerar e cuidar a dedicação dos colaboradores. Agora, se querem atirar-nos areia para os olhos quando sabemos que atrás de um estagiário a custo zero, vem outro, para não haver lugar a contratações, isso sim, quem acreditar que é mito, é parvo. Nos sites de emprego, vejo anúncios insultuosos. Em alguns, solicitam até a viatura própria para depois nos deixar a arder.

A minha mãe, que tem uma empresa que nunca lhe deu o que queria, no fim do ano, se as vendas de Natal corressem bem, dividia parte dos lucros com os funcionários. Sem que tivesse qualquer obrigação. A minha mãe, que tem uma empresa que nunca lhe deu o que queria, sempre pagou cada uma das horas extra feitas por cada funcionário. Isto chama-se de consideração. E com isto aprendi coisas que penso que a si lhe faltaram ao escrever o texto do Destak: humildade, empatia, generosidade.

O que me leva a perguntar-lhe, como Directora do jornal Destak: quanto ganham os estagiários? Sabe ou alguma vez soube?

Enquanto espera que os jovens deste país ‘apliquem o que aprenderam para encontrar a saída’, eles vão desertando, vão sendo infelizes, vão fazendo promessas aos santinhos e esperar por algo igual à sorte que eu tive. Ainda que desempregada, estou muito grata pelas coisas que consegui. Continuo a arregaçar mangas e a ver navios. A minha família não me deixará morrer à fome, mas assim também não conseguirei ser feliz e muito menos realizada. Mas tive muita sorte.

Diz que faz muita falta que os jovens desenvolvam para aplicar aquilo que estudaram. Não espere por isso. Eles estão a desertar. Vão aplicar sim, mas noutros países. Quando aspirar à sua reforma, aquela que consiste num sistema baseado em que os jovens descontam para os mais velhos, esqueça. Eles não vão estar no país. Ou não tiveram filhos, porque os salários não permitiram. E assim se envelhece a população.

A minha geração estudou para ter uma vida, já nem digo uma boa vida. Alguns deles encontraram uma triste vida e não conseguem ser totalmente independentes, por muito que arregacem as mangas. Por isso se identificam com a música dos Deolinda. Já eu, uma em tantos, tive muita sorte, ainda que desempregada. Não sei até quando. Mas estou grata pelo que fui conseguindo à custa do meu esforço. Espero ser recompensada em breve.

70 caroço(s):

Ana Martins disse...

B*R*A*V*O!!!!!
Gosto muito de a ler, e hoje particularmente.
Boa educação, bom senso, racionalidade de pensamento!

Anónimo disse...

Concordo com tudo! Alguém consegue publicar o link do texto da Isabel? gostava de o ler.

Maria João

Ana ツ Diario da Mamã disse...

Sem tirar nem por.

Com educação e humildade chegamos a qualquer lado, até à falta de senso de alguns.

Não me sinto parva por lutar pela minha vida, não estou "encostada" a espera que o mundo dê mais uma volta. Eu todos os dias luto por um dia melhor, uma vida melhor... Ou me sentir melhor. Procuro soluções evitanto mais problemas...

Se conseguir colocar o Link do texto publicado, agradecia muito.

Framboesa disse...

Aplauso.Só isso.

Carla Isabel disse...

Adorei ler-te.
E sabes que mais nós somos é uma geração poderosa e com um poder de encaixe magnifico senão a nossa geração já não existia dado o esforço que fazemos para ter o que vamos conseguindo...esforço dedicação e gloria....e não não tem a aver com futebol, tem a ver com a nossa geração!

Girassol disse...

Concordo plenamente consigo!!

Popeline disse...

Mais uma vez um prazer lê-la!
Que bom seria que este e-mail chegasse às mãos da senhora directora do Destak.
Aqui, de uma forma polida e desarmante para a Isabel Stilwell, está certamente reflectida a opinião de muitos de nós, para além de ser brilhantemente desmontado um argumentário patético.
Parabéns e obrigada.

Anónimo disse...

Parabéns.
V.B.

Não sei que diga disse...

Muito bem, concordo com tudo! Tenho pena de não ter lido o texto da sr.ª Stilwell, mas adorava que ela podesse ler este.

Naná disse...

Deixe-me aplaudir de pé!

Raio-de-Luar disse...

BRILHANTE!!!!
Concordo com cada palavra, identifico-me com cada ideia. De parvos não temos nada, querem é fazer-nos de parvos.

Belinha disse...

Adorei ler este texto!
Não costumo comentar mt o seu blog (mea culpa) mas hoje não resisto!
A Sr.ª Stilwell devia vir aqui ler isto e ver se aprendia alguma coisa...
Eu tb sou licenciada e até hj ainda n csg trabalho na minha área de estudo mas não fiquei parada. procurei sp trabalho, levei mts nãos, dei explicações, vendi bolos...enfim! lutei pela vida, não estive parada.Se desanimei e chorei mts vezes? Sim... foram tantas que já lhes perdi conta...
Agora trabalho, recebo um ordenado mínimo mas não estou conformada com isso... continuo a mandar curriculos e continuo a lutar por mim pk mais ng o faz!
Parva? talvez até seja mas sou parva apenas quando me convém!
Já dizia Arquimedes:“Dêem-me um ponto de apoio: levantarei o mundo”... se calhar era nisto que as pessoas como esta senhora deveriam pensar. Criar oportunidades e não espantar os jovens que terminam os seus cursos e têm de mts vezes recorrer à imigração para tentar ganhar a vida, já que o próprio país os obriga a isso...
Se calhar estou a ser má... não sei...

Um beijinho para si, Maçã de Eva, e dsc o testamento:*

Anónimo disse...

Clap clap clap! Adorei.
Daniela

marisa disse...

PARABENS! Leio-a sempre mas hoje resolvi comentar. Para essa sr.ª, que a te gostava dela, é facil falar: o trabalho que faz e os conhecimentos que tem abrem portas para as suas filhas, agora para quem não tem...fica como nos.Sim, porque tambem sou licenciada e em Medicina DEntaria e estou sem trabalho. Aliei a formação profissional porque adoro e ate nisso agora so tou ocupada 1 dia por semana, e tudo a recibos verdes claro...sem direitos mas mtos gastos.
Geração parva? Talvez, por ainda acreditarmos no pais e não termos desertado!

Ana disse...

Os jovens portugueses só são parvos, em Portugal. Lá fora são considerados dos mais trabalhadores, dos mais empreendedores, dos mais esforçados.É caso para dizer, o mal de Portugal são (alguns d) os portugueses, que consideram os seus iguais, seres inferiores, preguiçosos, desocupados...

Com portugueses como a Sr. D. Isabel estamos bem lixados...

Alexandra disse...

Muito bom, Maçã.

Ganhei-te um novo respeito.

Não me identifico com a música dos Deolinda porque não me acho parva. Não sou. Lamento mas não sou.

Continuo a considerar que, acima de tudo, fiz e continuo a tentar fazer o que é correcto.

Mas há muito tempo que o desespero está à porta e não quero olhar para trás um dia e ver o quanto desperdicei de forças, sonhos, tentativas, esperanças neste país para uma vida que nem isso foi.

Anónimo disse...

Este texto sim, devia ser publicado a nível nacional. Simplesmente fantástico e real.
Sara Ferreira

Anónimo disse...

Muitos parabéns, um texto fantástico e muito bem escrito.Não tenho por hábito comentar mas adoro ler o seu blog.

Carolina

N disse...

Shared.

Helena Barreta disse...

Não li o que a Senhora Isabel Stilwell escreveu, mas pela sua resposta fiquei elucidade.

Este seu texto merece destaque. Parabéns.

Beijinho

Joana disse...

Pa-ra-béns.

Gostava particularmente que a dita senhora respondesse à questão sobre se sabe quanto ganham os estagiários no jornal que dirige. Se souber e, ainda assim, escreveu aquele texto, fico sem palavras para expressar tamanha hipocisia.

Obrigada por não ficar calada, Poisoned Apple, mesmo tendo tido "sorte", como diz.

Bluebluesky disse...

muito bem.. clap clap clap

Catarina Trindade disse...

Muito bem escrito!

Cada vez gosto mais de a ler.

Acho que é um exemplo de preserverança; dedicação pelo que faz e de garra por aquilo que quer construir.

Andreia disse...

Muito Bom!

Nessy disse...

Devo dizer q tb coloquei a música dos Deolinda no FB. Não por querer fazer dela um hino ou coisa que valha mas simplesmente por me identificar com coisas que são lá ditas. Devo dizer até que já ouvi (à custa desta música) chamar a nossa geração de geração mileurista, como se isso fosse de facto insultuoso para nós enquanto pessoas licenciadas. Pois eu devo dizer, que sempre fui uma pessoa optimista que n gst de ver ng em baixo e por vezes até diz parvoices só para ver nascer um sorriso de esperança qd as pessoas se lamentam pelo que estamos a viver. Mas a realidade não é esta, hoje não consigo ser optimita, sou recém licenciada, eu e quase o curso inteiro que terminamos a licenciatura nos enconctramos numa situaçao de desemprego, curriculos é mesmo como dizes que já lhes perdes a conta, entrevistas nem vê-las e sinto-me INSULTADA por ns chamarem geração Mileurista. As ofertas que eu vejo na área rondam o salário mínimo, 600 e até 800€. Não sei onde anda essa geração parva, que não quer é trabalhar, que ganha 1000€, e que é comodista. Devo ainda dizer que já me candidatei para outras áreas que não a minha, e surpresa das surpresas quando nem sou chamada à entrevista e pessoas que eu conheço (mas por provavelmente não terem formação) são entrevistadas quando a mim e a pessoas como eu nem nos são dadas a oportunidade.
E com isto me despeço. Gosto muito do blog e parabens pela educação com que tratou este assunto, sendo que por vezes pessoas que nos chamam de parvas sem ter noçao do que dizem não merecem esse respeito.

rosaamarela disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
rosaamarela disse...

GOSTEI !!!

Leiam Tb :

infernocheio.blogspot.com

"as foleiradas, o fado e o biafra"

Piston disse...

Concordo mais ou menos com isto mas continuo a achar que a minha geração pensa que o canudo lhes dá o direito automático ao emprego (e dos bem pagos).

Não há nenhum mal em perseguir o sonho, em tirar o curso que desejamos (mesmo quando todos nos avisam que o mercado está completamente saturado), há é que enfrentar as consequências.

Tenho alguma dificuldade em aceitar aqueles licenciados, coitadinhos, que andam para aí a chorar porque estão desempregados, porque não há nada na área deles...

Tirando aquela parte a que se chama "legislar", até que ponto é que o estado tem a obrigação de lutar pelos sonhos dos meninos e das meninas? Ainda que compreendendo que não é de todo fácil e em alguns casos quase impossível, não anda por aí uma grande crise no que toca à capacidade empreendedora desta geração? Não há muita passividade envolvida nisto?

Não há emprego na tua área? Há noutra! Não foi para isso que estudaste? O que é que eu tenho a ver com isso?

Só pode optar quem tem opções.
Se esta geração é, na sua maioria, altamente instruída, quem é que vai varrer as ruas? Haverá pessoas não-formadas suficientes para esta simpática tarefa?

The disse...

Sensato, lúcido, e extraordinariamente bem escrito.

matreka disse...

o que posso eu dizer...

eu fui uma das muitas pessoas que lhe escreveu pessoalmente para o e-mail, mas não foi um dos mais mal-educados e insultuosos, acho que foi mais um de desespero e decepção.

Aplaudo o que escreveste, só disseste uma coisa que eu não me lembrei de lhe dizer, mas que já tenho pensado nisso inumeras vezes, a nossa população está a caminho de um envelhecimento ainda mais abrupto. não ha dinheiro, não pode haver mais responsabilidades, não se pode constituir familia. As raras pessoas que eu neste momento eu vejo casar, da minha idade, são aquelas que têm ajuda da familia, mas lá está, até quando?

parabéns pela resposta, hajam mais pessoas assim.

F disse...

FANTÁSTICO!
Estas pessoas que andam por aí a fazer comentários idiotas sobre a música dos Deolinda não têm a miníma noção da realidade...

Pedro Xavier disse...

Gostei do conteúdo mas, sobretudo, do estilo da resposta: polido, educado e com argumentos válidos. Parabéns!

Missy disse...

MUITO BEM DITO. Lamento tanto tanto ver uma coisa daquelas escrita por uma pessoa que tinha alguma consideração. COmo jornalista formada penso que vou mandar-lhe o meu CV para o destak a dizer: Cara Isabel Stilwell, quero arregaçar as mangas. Contrate-me e pague-me 1300 euros líquidos que qualquer licenciado a trabalhar para o sector público recebe. Acham que ela me dá emprego?
Para quem trabalha desde os 14 anos no Verão e se vê agora a ganhar pouco mais do que há 10 anos atrás chega a ser doloroso ler o que foi escrito pela sra. Stilwell.

MakingMoney disse...

É de facto de lamentar, tenho 3 filhos e pergunto-me muitas vezes o que o futuro lhes reserva. Temo que passem fome, tenho medo, muito medo...
O mais engraçado é perceber que a senhora que assim fala não é uma lutadora mas sim, julgo eu, alguem a quem o nome sempre ajudou.
Quando fiquei grávida do meu 3º filho, dizia, à laia da brincadeira, que era muito patriota e que tinha decidido responder ao apelo do nosso Presidente da República quando ele nos pediu que aumentássemos a taxa de natalidade. Hoje pergunto... para quê? Com que objectivos? Que futuro?

Nunca me apeteceu tanto emigrar como hoje...

Patricia disse...

Estou completamente chocada com o que tal pessoa disse! Como é que é possivel?Ela saberá quantas pessoas da idade dela ou da mesma faia etária da dela recebem o rendimento minimo para estarem em casa sem fazer nada.
A gente que eu conheço entre os 35 50 anos que andam de curso em curso com a historia de que é para terem mais escolaridade e no fim recebem é um bom ordenado de quase 600€? E quanta gente não se baseia nisso! Chonheço casos de pessoas próximas reformados da função publica com reforma de 1000€ ouviram bem MIL EUROS por mês sem sequer terem o secundário!!
Gostava de poder na cara dessa senhora, que da minha turma no ensino secundário,que se licenciou, três deles foram para França trabalhar, em analises clinicas e fisioterapia, um deles foi para a a Suiça, outro para Barcelona, enfermeiro, e os que por cá ficaram, uma dá formação e os restantes não fazem nada.
Uma colega minha da faculdade foi fazer o estágio e disseram-lhe que se quisesse continuar lá depois do estágio lhe pagariam 500€....QUINHENTOS EUROS!!
Uma familiar minha que tem o curso de assistente social, esteve 2 anos sem emprego depois do estagio, CLARO,e conseguiu vaga num projecto 5 anos a ganhar 800€....não sei onde essa senhora conseguiu chegar mas na minha opinião e na de muitos que pertencem a esta geração rasca como lhe chamam, o problema de estarmos assim é todo da geração que nos critica!Eles é que ainda não repararam!!!

É claro que há pessoas que têm sorte e conseguem arranjar bons empregos, têm sorte no curso que tiram e têm sorte no curriculo que apresentam, são esforçadas correcto, mas para mim é mesmo isso uma questão de sorte!

Nena disse...

GRANDE!!!!
Muito obrigada, sinto que fala por mim também.
Vou passar palavra, publicar o link para o seu texto. É preciso que o leiamos.
Não deixe que lhe tirem o pio.

Piston disse...

Questões para todos os queixosos:
- Como se altera a lei da oferta e da procura?
- Quando há muitos cães a um osso é suposto o osso ser o melhor disponível?

Não vale a pena espernear e gritar na esperança que tudo mude sozinho. Quem não se quer sujeitar a lavar escadas terá que, mais cedo ou mais tarde, criar o seu próprio emprego.

gervazio disse...

Muito mas mesmo muito obrigado por este texto, fiquei emocionado. Não conhecia o teu blog, foi uma amiga k partilhou e vou ser seguidor!
identifico-me muito com o que aqui foi escrito, a trabalhar desde os 16 até a trabalhar durante a licenciatura e agora o que tenho em troca, um trabalho a recibos verdes mal pagos, sem qualquer regalia como ferias pagas, subsidios, seguros, horas extraodinarias, a descontar cerca de 30% e ainda propicio a ir para a rua com 1 pontape no cu sem qualquer indemenização.
nem sei o que diga deste pais sem futuro, já estou a apreender francês para fazer as malas para a suiça!
Obrigado por estas palavras!

O-ren Ishii disse...

aplaudo o que escreveu, de pé!

Anónimo disse...

Parabéns por tudo o que escreveu!
Ainda bem que nem toda a gente pensa como essa "senhora", que nem de senhora devia ser chamada, mas a boa educação a mim o pede para o fazer.

Obrigada, em nome de toda a Geração À Rasca, por esta resposta magnífica a essa senhora que se enganou no adjectivo que deu à geração, porque parva, é a forma de pensar dela.

Obrigada.

Anónimo disse...

Aplaudo pelo que escreveu o PISTON. É engraçado como os "argumentos" sucedem-se de ouvidos tapados ao contraditório. Nada interessa. As relações complexas que estão na base de uma sociedade, as leis de oferta e procura, as leis laborais, o mérito ou demérito, a vontade e sobretudo a necessidade nada importam. O que interessa é os textos aparentemente bonitos que se escrevem nos blogs e as sucessivas salvas de palmas "muito bem escrito!", "Ai, tão bonito" "Você é um exemplo" "Que força interior" etc... O churrilho de lugares comuns e futilidades sucedem-se. Tudo fica na mesma. A culpa é das empresas que não de dispoêm a realizar o sonho desta jovem burguesia (onde me incluo) que não prescinde o ultimo iPhone, o portátil mais pequeno e leve do mercado e de preferência um guarda roupa que dava para vestir uma pequena vila. Se empregassem um décimo da energia que gastam a escreverem falsas indignações a procurarem emprego, com inteligência, há muito que estavam empregadas. Mas não, esta jovem burguesia é exigente. Só quer trabalhar naquilo em que sonhou e para que estudou! Querem ser livres no espirito, e de preferência ganhar bem, porque no fundo andaram a estudar para quê? Que interessa isso do mercado de trabalho, dos cursos, sem impregabilidade, do estado omnipresente na economia... Alguém tem que lutar pelos sonhos destes jovem burgueses! Eles não podem, pois estão demasiado ocupados a sonhar!
António F.

Piston disse...

Estimado António,

Agradeço o apoio mas destaco que essa falta bom direccionamento de energias não se aplica à autora, embora não concorde com boa parte da opinião dela, tenho que ser justo quanto a isso.

C'est moi, Andreia! disse...

Não concordo de todo com o artigo da Dra. Stilwell, penso que foi muito infeliz, que não tem a menor noção da realidade e que, sendo assim, perdeu uma boa oportunidade para estar calada. Também escrevi sobre o assunto no meu blog:

http://sofarisogood.blogspot.com/

Aproveito para dar os parabéns pelo blog, uma boa dose de bom senso cai sempre bem!

SA disse...

Muito bom!
Assino em baixo.

Anónimo disse...

"A minha mãe, que tem uma empresa que nunca lhe deu o que queria, sempre pagou cada uma das horas extra feitas por cada funcionário. Isto chama-se de consideração."

Sério? Era capz de jurar que pagar "cada uma das horas extra" não é consideração nenhuma! É um dever da sua mãezinha e um direito dos trabalhadores.

A sua rica mãezinha é igual aos outros todos; ou será que as filhas e filhos dos funcionários viviam tão bem como a menina? Estudavam em colégios particulares? Duvido.
Se a sua mãezinha fosse exemplo para a mesma coisa, faria como em alguns países, em que o ordenado dos patrões e empregados pouca diferença faz. Dividir lucros muitos fazem por aí. Nada de novo.

Poisoned Apple disse...

Caríssimo Anónimo,

pagar horas extra é um dever e um direito que muito, muito poucos cumprem. Daí a referência, pois devia ser cumprido por todos. Em todos os meus empregos nunca recebi horas extra. E até tive um emprego onde numa semana fiz 37 horas extra. Para as fazer disse que queria que me pagassem e responderam que sim. No fim do trabalho disseram que não. Esta é a realidade portuguesa.

Não, o vencimento da minha mãe não fazia uma diferença gigantesca dos funcionários.

Eu tenho uma segunda nacionalidade, estudei numa escola particular desse país onde, os que têm essa nacionalidade, NÃO PAGAM!

Contente? O que é que sabe da minha vida para vir fazer estas afirmações? Perdeu o seu tempo, não teve razão em nada.

Analog Girl disse...

Maçã, subscrevo inteiramente. O que me dói neste texto da Isabel Stilwell é mesmo o desrespeito com que trata toda uma geração (mais ou menos trabalhadora) e o esforço com que os nossos pais nos educaram.
Tive sorte de conseguir arranjar sempre trabalho na minha área, mas sempre assumi que se for preciso, mudo de área, faço o que for preciso. Por isso, Piston, aceito o que dizes, mas a razão que me leva a indignar (não aqui) é que eu não me identifico com essas generalizações que se fazem assim à boca cheia. Sim, há muita gente que quer dinheiro fácil e um emprego confortável, mas, se tive direito a educação e a um curso superior, e a muitas comodidades, também tive o bom senso de uns pais que sempre me incutiram que na vida, TENHO de trabalhar. Só isso.

Piston disse...

Há que tomar as rédeas do país e não esperar que o país tome as nossas rédeas e nos ponha a trote.

Analog Girl disse...

Mais ainda Piston, há que tomar as rédeas da minha vida. Mas quando vejo algumas destas injustiças e opiniões tão mal formadas... enfim, irrita-me. Eu cá sei tomar conta de mim.
Mas também não quero perder a expectativa de que as coisas melhorem, especialmente para quem merece.

Piston disse...

Aí está o mal: expectativas passivas.

Anónimo disse...

Porque já li de tudo o que havia a ler sobre este tema, desde a opinião de vários bloggers (que até leio com alguma regularidade e que, assim como a maça, suspirava numa espécie de amor/ódio por não ter sido escrito por mim) passando pelo texto do ex-director do jornal diário Público, pelos comentários anónimos até ao desta senhora, só tenho a dizer isto... PARABÉNS MAÇÃ. É com pessoas como tu(que conseguem ver o mundo além do seu umbigo)e com músicas como esta dos Deolinda que nós, os apelidados de "parvos", podemos deixar de uma vez comer e calar e ver a luz ao fundo do túnel.
Quanto à tua sugestão, a de "fazer link desta resposta nos blogs, nos FB, copiar a resposta e fazer forwards", podes contar comigo e com muitos amigos meus "parvos" como eu.

Citando o brincalhão do poeta popular António Aleixo, deixo-vos com dois poemas da obra "Este livro que vos deixo"
"Não há nenhum milionário
que seja feliz como eu:
tenho como secretário
um professor do liceu."

Sei que pareço um ladrão (parvo, digo eu)...
mas há muitos que eu conheço
que, sem parecer o que são,
são aquilo que eu pareço.

Sónia

Anónimo disse...

Realmente, o poeta António Aleixo é sem dúvida um poço de inspiração. Vou aqui reproduzir mais quadras, e estas são directas para a sra Stiwell
"És feliz, vives na alta
e eu de ratos como a cobra.
Porquê? Porque tens de sobra
o pão que a tantos faz falta.

Quem nada tem, nada come;
e ao pé de quem tem comer,
se disser que tem fome,
comete um crime, sem querer.

Co'o mundo pouco te importas
porque julgas ver direito.
Como há-de ver coisas tortas
quem só vê o seu proveito?

À guerra não ligues meia,
porque alguns grandes da terra,
vendo a guerra em terra alheia,
não querem que acabe a guerra.

Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
q'rer um mundo novo a sério."

Anónimo disse...

O texto original da Isabel Stillwell é fraco mas o teu, poisoned, sinceramente não é melhor: li-o e reli-o e não consigo ver mais do que uma polida versão de algo do tipo "a culpa da situação da minha geração é tua".

é uma mania nacional arranjar desculpas e culpados e parece-me que tu, tal como a Isabel, apenas mandaram mais uma acha na fogueira.

Pero

pero disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
pero disse...

Acrescento que penso que o Piston é um comentador excepcional deste blog.

Tanto em conteúdo como forma. É mais uma razão que me faz cá voltar.

Juanna disse...

Concordo com o Piston, mas também contigo. Há várias maneiras de interpretar o mundo.

Rodrigo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rodrigo disse...

De pé aplaudo.

Sentidos parabéns à tua mãe.

Rodrigo S.

Anónimo disse...

Um dos argumentos mais usados aqui contra o texto de Isabel Stillwell é a generalização de toda uma geração. Se me permitem, posso perguntar (afirmando) se não é exactamente isso que faz a canção dos Deolinda??? Mais, a reacção GENERALIZADA da maior parte das pessoas à música não pede também ela uma resposta GENERALIZADA??

Por último, alguém acha possível discutir este assunto sem se generalizar??? É que a alternativa é discutir cada caso de cada um de nós...

Não usem este (fraco) argumento, pois todos nós sabemos, que mesmo com o erro associado a uma generalização, o artigo não faz mais do que dizer a verdade.

Miss G. disse...

Brilhante!
Também eu escrevi sobre este assunto porque embora haja quem se acomode a grande maioria não o faz. E a capacidade de trabalho nem sempre origina oportunidades.
Era bom mas não é linear.

Mamã do Príncipe Pipoca disse...

Até me arrepiei. Posso partilha-lo no facebook? Está tão bom. Mais uma vez Parabéns!

Anónimo disse...

Melhorámos muito como civilização no ultimo meio século. Desenvolvemos a criatividade e capacidade e inovação. Tornámos a comunicação uma ferramenta disponivel a todos. Mas em contrapartida somo mais superficiais. Mais insensiveis e mais fúteis. Preferimos o conforto de uma "boa ideia" embrulhada em umas quantas boas palávras, ao real efeito decorrente das nossas intenções. É triste.

Se os Deolinda ainda cantavam a falta de emprego, se calhar, com as novas medidas do governo em proibir os estágios não remunerados e obrigar à cobrança de SS, nem estágios vão haver...

Obrigado mais uma vez estado social(lista). Mas a culpa é das empresas...

Vizinho disse...

Não podia estar mais de acordo contigo.
Como alguém comentava mais atrás: aplaudo de pé!
beijinhos do vizinho

Chloe disse...

Muito bem respondido.
Eu estou com medo: ainda não estou para entrar no mundo «dos adultos» mas estou quase a entrar para a universidade. O que me assusta são as conversas de quem acaba este ano o Secundário: «Então, o que queres ser? Já decidiste?» «Não, ainda estou a pensar nas minhas escolhas, não sei qual é o curso que me vá garantir algum emprego». ou «Então e já pensaste em ser...?» «Achas?! Para depois morrer à fome?»

Anónimo disse...

Chloe,
Dou-lhes os parabéns por ser tão nova e ter ja essa maturidade. Pensar assim e sinónimo de inteligência e revela planeamento. Essa decisão é provavelmente das mais importantes que vai tomar na sua vida, e que a mais vai afectar positiva e/ou negativamente. Considere todas as hipoteses e decida com o coração, mas também com a cabeça!

TaViTa disse...

2 palavras:
MUITO BOM
É assim que se fala, e só há gente que diz o que diz é porque não sabe o quanto a nossa geração está a passar mal. Eu diria que estamos a pagar os luxos e as vidas acima da possibilidade das gerações anteriores... Mas o que ainda o que nos vale são essas mesmas gerações, que nos apoiam e ainda nos vão dando de comer.
Um bem haja, gostei de ler o que li... Parabéns pela determinação em mostrar que és feliz... Embora a maré não nos deixe remar, temos que nos sentir bem para ganharmos força para continuar! *** ;)

Anónimo disse...

Sem tirar nem pôr!!Em cheio!

matilde disse...

Sou da geração da Isabel mas concordo em absoluto consigo!Mais uns anitos e somos um país de velhos a morrer de fome, sem ninguém para nos dar reforma! Eu já tenho um filho no estrangeiro a trabalhar para ele, e para as reformas das pessoas do país que o acolheu e lhe deu o que cá não conseguia.

Anónimo disse...

Para tirar confusões persistentes:

- geração rasca = geração X (nascidos até 1981 no máximo);

- geração deolinda = geração Y (nascidos até meados dos anos 90);

por isso de geração rasca a geração parva só para quem nasceu duas vezes.

E fica sugestão de leitura com pés e cabeça:
http://www.sun.com/emrkt/boardroom/newsletter/portugal/0407expertinsight.html

Anónimo disse...

Eu até inha alguma consideração p/Isabel Stilwell ...
Mas depois de ler o seu texto contra os JOVENS do meu País, eu - que tenho 55 anos de idade e mãe de 2 Filhas Licenciadas, uma das quais casada c/2 bebés, emigrada p/poder trabalhar na s/verdadeira Profissão (esta, Arquitectura, tão, mal, desconsiderada em Portugal) - não posso deixar de colocar essa senhora naquele grupo de pessoas que considero imbecis: tout court !
Lá porque escreveu alguns Livros (e ag tb escreve editoriais no Destak - 1jornaleco gratuito de rua), não tem o direito de se "empinar" p/mandar "bitaites" contra uma geração que quer trabalhar e que tt falta fará a todas as «isabeis stilwell» qdo, um dia/brevemente, quiserem receber a s/reforma... (como diz a Jovem que lhe respondeu e TÃO BEM RESPONDIDO, SIM SENHOR !!!) ... porque não se resguarda no seu canto e reflicta q tt "cagança" da s/parte pode vir a cair-lhe no prato como ESCARRO, hein?
Para mim VªSenhoria - I.Stilwell - passou a ser A +PARVA, A +RASCA da s/Classe Profissional e ñ voltarei a comprar mais livro nenhum de s/autoria; mais, direi a todos os m/amigos (p/tds as vias) para fazerem o mesmo !.
Porque cometeu a asneira de ñ saber até q ponto OFENDEU (deve ser socrática - pois parece ter o mesmo vício do "grande líder"...só pode!) todos os Jovens de Portugal e respectivas Famílias, não a respeitarei "jamais" !!!
FátimaP.Duarte.