"(...) Há dois anos conheci o Y. (...) por quem acabei por me apaixonar (...) Estudávamos em pontos diferentes do país (...) Começámos a estar juntos (...) aos fins-de-semana e nas férias. Agíamos como namorados, com beijos e carícias apenas, nada além... Embora o desejo fosse muito. Mas nada evoluía no sentido de um relacionamento assumido, embora eu gostasse dele e ele parecesse gostar de mim. Ambos tínhamos acabado de sair de relações longas, por isso era até bom para mim não ter nenhum compromisso, pensava. Mas o meu ego contrariava essa lógica.
Um dia, aconselhada por uma amiga, decidi tomar a iniciativa de ter "a conversa". Perguntei-lhe sobre nós. A resposta era aquela que eu já sabia há muito tempo (como toda a gaja sabe sempre) e poderia ter-me poupado a ouvir: "Não estou preparado para namorar neste momento... Namorei muito tempo... Blá, blá, blá." Ao que eu respondi: "Ok. Eu também namorei muito tempo, blá, blá, blá... E agora não estou preparada para nada sério. Apenas queria saber em que pé as coisas estavam para ti. Tudo claro agora." Pois, nada poderia ter ficado menos claro. Infelizmente.
(...) Após tanto tempo a resistir (...) decidi que ter estado tanto tempo com ele sem nunca termos dormido juntos tinha sido um erro, pois isso só me fazia desejá-lo mais. Então cedi a "perder o medo" (...) Não foi bom. Não foi mau também. A recordação que guardo dessa noite é a de um vazio ensurdecedor. Algo estranho e incompleto como até então as minhas noites com alguém nunca haviam sido (até à data, nunca havia experimentado dormir com alguém com quem não tivesse um relacionamento real). E, para mim, algo importante faltou. Na manhã seguinte ele agiu como sempre, não foi mais carinhoso, não foi menos. Apenas houve mais silêncios e olhares mais enigmáticos que o habitual. Eu também não ajudava uma vez que não conseguia ultrapassar de forma completamente eficaz uma vontade imensa de ficar em silêncio, tentando entende-lo e entender-me. Acompanhou-me até me ir embora e nunca mais falámos dessa noite. Nem nunca mais a repetimos.
(...) Depois surgiu uma oportunidade para mim de passar uns meses fora do país (...) Fui e voltei e apesar de tudo, ele continua encantador. O desejo afinal não passou, nem depois daquela estranha noite que passámos juntos. E eu continuo a não lhe resistir e a comparar todos os homens que se interessam por mim e por quem eu me tento interessar, a ele. E todos saem invariavelmente a perder.
Voltei a beijá-lo, uma vez só desde que voltei, não me permiti a mais, embora nos tenhamos encontrado mais do que uma vez e ele me tenha, como sempre, deixado de joelhos a tremer e com borboletas no estômago. E agora está ele fora do país (...) mas brevemente vai voltar com promessas de novos encontros. Os quais eu não consigo recusar.
Gosto muito dele. Ele atraí-me imenso, como homem, como pessoa... Mas passados dois anos de nos termos conhecido, começo (a verdade é que não começo; continuo...) a achar isto doentio, pois ele não dá sinais de mudar de opinião, nem de gostar mais nem menos de mim, continua o mesmo de sempre e o pior de tudo isto é que eu também. Sei que não teremos futuro e sei que tão pouco existimos como "nós". Nunca existimos. No meio de todo este "non sense" sei que não vou conseguir deixar de estar com ele quando ele voltar definitivamente, o que está para muito breve, mas sei também que não estar com ele de todo seria talvez (???) a forma mais inteligente de proceder para bem da minha saúde mental (que começo a questionar seriamente). Estou a pensar de forma correcta?
Já não falo desta situação às minhas amigas pois é muito complicado admitir tudo isto em voz alta. Mesmo a mim mesma é difícil. Fere-me o amor próprio, que nunca até agora tinha questionado por causa de um rapaz (mesmo já tendo tido eu pessoas de quem gostei muito, por quem me apaixonei e com quem namorei por bastante tempo). Esta é a verdade, porque este "eu" que descrevo é desconhecido para mim, nunca tive um comportamento destes por ninguém, nem o aprovo minimamente. Só que perdi - aparentemente - o controlo sobre mim. Apenas queria desligar-me dele de uma vez e encontrar alguém... Alguém que fosse simples e por quem me conseguisse apaixonar a sério, sem necessidade de comparações".
Olá X.,
obrigada pela sua mensagem.
Eu sempre me perguntei de que valia o sexo com alguém de quem não recebemos o mesmo que damos, ou alguém com quem não existe amor. A resposta é sempre a mesma: nada. Não traz nada de bom, não nos completa, não nos alimenta. E a X. teve logo um sinal de alarme quando lhe perguntou por "nós". A ele, não podemos chamar de oportunista, nem de cabrão. Ele parece deixar claro que gosta de estar consigo, mas é de vez em quando. Gosta de estar consigo, mas não é apaixonado e muito menos a ama, ou então era incapaz de a deixar livre. O que ele quer dizer quando diz "não há nós", é explicar de forma simpática que não existem sentimentos maiores e que ele quer ser livre para fazer o que lhe dá na gana. E não se pode condenar o homem, pois ele parece ter sido bastante honesto. Nesses dois anos, não tenha dúvidas que muitas outras mulheres foram passando por ele.
Mas foi depois disto que a X. decidiu que ia dormir com ele, o que não devia ter feito, não por fazer de si uma ordinária, mas por estar apaixonada. Isso é o mesmo que andar a cavar um buraco. Foi vazio porque não existiam coisas que quer dele, como intimidade e cumplicidade, coisas que nascem do amor. Foi à procura de algo que ele não tinha para dar, iludindo-se com a ideia de "quando fizer isto, passa-me". Por acaso no seu íntimo não se enganou com um "quando fizermos isto, a união entre nós será maior"?
A X. não consegue esquecê-lo porque continua a alimentar a esperança de esta história sofrer um revés e ele vir a correr para si, confessando que afinal é em si que reside o amor. Ao manter conversas, e-mails, mensagens, ao povoar o seu pensamento com ele, está a impedir que outros apareçam e tenham alguma graça. Enquanto alimentar o coração com o Y., A. e B. vão sempre parecer ensonsos. Mas é aí que está a recuperação de alguém, no cruzar desse caminho horrível que é não falar, não pensar, achar toda a gente desinteressante e, muitas vezes, pensar que estamos num café com os amigos e não queremos estar ali. Porque estamos vazias, porque nos falta qualquer coisa, porque temos azar, porque não encontramos o que queremos, porque só nós sabemos.
A X. está a pensar correctamente: essa relação já deu o que tinha a dar. Ele está farto de mostrar que o que tem a dar não corresponde ao que quer e, por isso mesmo, só continua no vazio se assim quiser. A X. já teve relacionamentos longos, sabe o que um relacionamento verdadeiro e profundo traz, e não tem nada a ver com isto, certo?
Querer mais, encontrá-lo, depende de si. Do seu esforço, da sua luta, da sua resistência (mais do que da luta) e até de algumas lágrimas.
Boas escolhas!
6 caroço(s):
Cara X, de certeza que mais gente vai aqui escrever o mesmo que eu, porque a verdade é que já todas passámos por isso. Já todas tivemos relações à la Carrie & Mr Big, em que queremos o mundo e ele estica-nos um dedo e nós achamos que vem magia dali e o pouco de nada que ele nos dá, para nós é o suficiente para nos manter aqui, sentadinhas à espera que ele se aperceba o que está à sua frente. Também eu tive uma relação assim, que durou tempo demasiado. Ele não me queria, mas também não queria que eu me fosse embora. E a coisa era alimentada exactamente da mesma forma que a sua relação com esse homem está a ser alimentada. Mensagens, encontros, trocas de longos beijos e longas conversas pela noite fora, dormidas em casa de um e de outro e se calhar, se de mim a coisa era vivida com imensa paixão, da parte dele agora eu tenho a certeza que não, embora nunca tenha colocado em questão que gostava de mim, mas não o suficiente para perder a cabeça e ir até ao fim. E mesmo assim eu estava ali, sempre disponivel, sempre atenciosa, sempre pronta a dar tudo o que de melhor tinha para dar. E a conversa do "nós" que tantas vezes também veio à superficie, era sempre enrolada com palavras e letras de músicas e significados que eu tentava tirar mas que eram somente formas de engonhar. Olha, descobri uma quantidade de mulheres com quem ele tinha estado ao mesmo tempo em que viviamos a nossa "coisa", nomeadamente a ex de longos anos, encontrei-me com ela, pus os pontos nos is, soube o que tinha a saber, fomos passar férias juntos e no último dia soltei a bomba. Adeusinho amor, vai à tua vida e fica bem. No final das contas, ele ainda me culpou a mim porque eu não tinha nada que ir bisbilhotar a vida dele. Foi remédio santo para me conseguir desligar de vez, apagar numero, contactos, msn, facebooks, tudo. 1 anos depois encontrámo-nos, já eu tinha encontrado outra pessoa fantástica, que me cativou e fez tudo para estar comigo, e ele pediu-me desculpas por tudo o que me fez.
A vida é um ciclo e eu tenho a certeza que o que fazemos aos outros acaba por vir bater à nossa porta.
Por isso X, tome a iniciativa de ser o primeiro lado da relação a desligar, nem que seja por amor-próprio e sanidade mental. Se coloca a si própria várias vezes a questão do "nós" e se sabe que esse "nós" nunca vai existir, para que perder tempo a pensar em alguém que não pensa em si? Está a perder tempo, anos de vida e de felicidade que poderia estar a viver. Impede-se de voltar a amar e não consegue encontrar ninguém porque continua com outrém na sua cabeça, e no seu coração. Tudo depende de si.. força :)
Perfeito:(. O mesmo se passou comigo ...Fdx!
Querida X.,
felizmente nunca passei por essa situação, dado que ainda sou bastante nova, mas penso que terá de ser muito forte e corajosa para ultrapassar toda esta situação. Estou certa de que irá encontrar alguém que verdadeiramente a mereça, e que faça tudo por você.
Go straight ahead!
Acho que só está a perder tempo com ele, enquanto estiver sempre " disponível" está a perder imensas possibilidades de conhecer gente interessante. Enquanto estiver " disponível" e sempre que ele bem a quiser sabe que a tem... acredite, isso na perspectiva de um homem é muito pouco apelativo. Você nunca será a " tal" se se puser a si própria nesse papel. A " tal" será sempre alguém misteriosa, quase inatingível, que dê luta, etc... essa é a dura verdade!
Por mais que eu e as outras leitoras digamos que não vale a pena, terá que ser uma decisão e uma mudança em si.
Maria João
Been there, done that! Custa muito deixar essa pessoa, pois custa porque estamos numa realidade diferente e achamos que, no fundo no fundo, tudo ainda pode mudar e quem sabe se ele não se apaixona por nós. É o pensamento mais errado que podemos ter e que como dizia uma leitora anterior, só nos limita de conhecermos outras pessoas interessantes e quem sabe o "the one"... Conselho: quanto mais depressa sair dessa relação, menos tempo sofre... pense nisso. Um beijinho
Quando uma pessoa começa a questionar sobre a sanidade que lhe traz a relação, é porque há uma evidente necessidade de sair dela. Uma relação não deve trazer medo, angústia e incertezas eternas.
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