30.9.10

Ainda sobre as sandálias Guess

ATENÇÃO

NOTA POSTERIOR: Já não há sandálias disponíveis, por favor não enviem mais e-mails. Obrigada! :)

Caríssimas,

ainda não houve ninguém que me enviasse uma mensagem (prefiro e-mail para amacadeeva@gmail.com) a dizer "meço x no pé direito e y no pé esquerdo. Gostava muito de ficar com as sandálias, como podemos combinar?" ou coisa parecida. Ninguém!

Para as mais desconfiadas, tirei fotos das sandálias para que observem a diferença de quase 1 cm, que não parece nada, mas é. Olhem para o tamanho de 1 cm numa fita métrica e logo vêem. O meu pé boia no lado maior (esquerdo) e está normal no lado correcto (direito).


Para as "invejosas", aqui fica o link da Amazon onde podem encomendar as sandálias. Fazem envios internacionais e, acreditem, as sandálias estão uma pechincha! Em Portugal, nas Amoreiras, custavam 120€. O quê???! 120€ por uns chinelos? Nem pensar! Depois descobri que nos EUA custavam cerca de 50$USA e aí já estava capaz de pagar. Corri todas as Guess que passei, nunca as encontrei, mas fui encontrá-las na Amazon a este preço tão simpático!

29.9.10

Sandálias Guess - doa-se




ATENÇÃO

NOTA POSTERIOR: Já não há sandálias disponíveis, por favor não enviem mais e-mails. Obrigada! :)

Encomendei estas sandálias da Guess a partir do site da Amazon e um espertalhão qualquer decidiu enviar a encomenda com pés de números diferentes. Feita a reclamação, vão enviar-me outras em condições e posso fazer o que quiser com estas. Assim sendo, decidi doar as sandálias que vêm nas imagens, em tom bronze.

Há muito boa rapariga que tem um pé diferente do outro e assim aqui fica a oportunidade:

- Pé direito, size 7 (equivalente a um 37, um pé de 23,5 cm do dedo grande ao calcanhar)

- Pé esquerdo, size 7 1/2 (equivalente a um 38, um pé de 23,9 cm do dedo grande ao calcanhar)

Meninas, toca a pegar na fita métrica. Ganha a primeira pessoa que me garantir ter um pé diferente do outro. Para as receber, só terá de pagar os portes de envio ou ir ter comigo a algum lado em Lisboa.

PS - para quem acha que as sandálias não vão fazer muita diferença uma da outra e arriscam em pedi-las, acreditem fazem mesmo diferença de um número, senão tinha ficado com elas.

Conto* #1

Agarrada a uma faca de cozinha, lamentou a sua vida, amaldiçoou a sua triste sorte, ela que podia ter tido uma vida melhor. Bem lhe dizia, naquele tempo, uma vizinha já enterrada, para não largar os estudos, mas a teimosia e os ímpetos do coração eram quem sabiam. Os jovens são mesmo assim, não há quem os ensine. Devia ter dado, naquele tempo, uma oportunidade aos avanços do José. Acanhadito, sem graça, de camisa apertada até ao colarinho, mas era agora um doutor, médico respeitado lá na terra, com tanto dinheiro que até mandou construir uma moradia que, diziam, tinha uma escadaria em caracol de mármore e um bar em pinho escuro, envernizado, cópia do móvel de uma estrela de televisão que posou para uma revista barata. Nem olhou a orçamentos, diziam também.

Em vez de ser a esposa de um doutor, de vestir daquelas marcas de roupa que além de vestidos até tinham perfumes, em vez de ter uma empregada, a Nela sentia-se apenas a empregada de alguém. Vivia sem se conseguir descolar do rótulo que a identificava como sendo a irmã de um homem que a droga e as más companhias atiraram para uma cadeia em Caxias. Andava a ver “o sol aos quadradinhos” como gozavam impiedosamente os colegas de profissão ilegal. “Hádes lá ir parar tu também!”, gritou uma vez cheia de coragem da paragem do autocarro, mostrando que não se importava, enquanto se lhe encolhia o coração.

Segurando a faca, olhou as mãos sapudas e grotescas que denunciavam a lida de duas casas, os detergentes viviam debaixo da pele, o que a faziam desistir de ter umas unhas bonitas como as da patroa, que apesar de não ser má pessoa, não compreendia que as molduras e os cinzeiros ficavam muito mais bonitos nas estantes e nas mesas quando colocados de lado, de esquina. Era assim que faziam os que tinham dinheiro, e a patroa com dinheiro não agia de acordo com a classe. Era o mesmo que Deus dar nozes a quem não tinha dentes. Mas assim fazia na casa arrendada com ajuda do Estado, com os bibelots que ia comprando na loja dos trezentos, ela que não tinha as nozes, mas levava Deus ao peito, confiando que lhe haveria de dar, um dia, uma merecida vida melhor, mais endinheirada.

Sem poupanças, e apesar do salário se gastar dias antes do fim do mês, a Nela entendia que o melhor era comportar-se como se a conta fosse recheada. Estes eram os conselhos do tarólogo que vivia lá no prédio, a quem pagava reduzindo na lista de supermercado, alimentando a alma e a esperança em vez do estômago. Num ambiente de baixa luz, entre incensos e arcanos menores, explicou-lhe esta criatura com dom do oculto que tinha de praticar “O Segredo” como o Mourinho, que não era jogador da bola, mas tinha sido, ou coisa assim. Não interessava, o que era preciso era que o praticasse para que o dinheiro chegasse.

Suspirou, tentando aproximar à realidade uma vida melhor, para que esta chegasse de uma vez por todas, afastando as lágrimas que pingavam do nariz, disfarçando a melancolia, culpando cada rodela de cebola. Desistiu, decidindo que o melhor era tratar do jantar antes que o homem, o malandrão escolhido no tempo em que era jovem, chegasse a casa vindo do café junto com o resto da prole, vindos das ruas onde matavam o tempo e ignoravam os estudos que também ela não quis. Ainda tinha uma pilha de roupa para passar a ferro. Trataria de puxar a si melhores energias mais tarde.

*A pedido de algumas famílias, a ficção

27.9.10

Quem tem razão?

Estive no IKEA. Eram caixas, caixinhas, caixotes e tudo o que possa existir para arrumação dentro de um saco amarelo que o Poisoned Apple Man carregava. Que achas disto? Encolheu os ombros. Perguntei se não sabia dar uma opinião e respondeu que era indiferente, pois a palavra final era sempre minha. Isto contado assim de forma seca e fria, faz de mim uma bruxa, mas não é verdade. A verdade é que eu tenho sempre razão, eu sei o que é melhor, tenho olho visionário e sou eu que trato da maioria das coisas. Logo, o melhor é que a última palavra seja mesmo minha.

Como por exemplo, o facto de ele achar todas as caixas e caixinhas um desperdício de dinheiro, elementos descenessários, até ver o estado das gavetas arrumadas, coisa que nunca tinha visto com tanto primor desde os tempos de solteiro. Ou como a história da sopa de ervilhas, que noooojo, não gosto de ervilhas!!! Come, cala-se e no fim do prato pede mais.

Ou como a roupa começar a aparecer estragada, ficar louca, desesperada e, ao fim de algumas semanas de roupa para o lixo, acusar a máquina de lavar roupa de estar estragada. Ui, o que eu ouvi! Eu não estava boa da cabeça, a máquina só tinha dois anos de uso, estava impecável. Mas eu sou obstinada e liguei para a linha de apoio a cliente. O telefone tocava e ele dizia que estava a perder tempo. Perguntei se alguma vez tinham tido reports de roupa estragada, com manchas amarelas que não saíam da roupa branca nem com lixívia, e eis que confirmam os estupores que era da máquina e como resolver o problema. Mas a roupa estragada era da quantidade de cremes e perfumes que uso, imagine-se.

Confirma-se: eu tenho razão. Sempre. Acho que isto é uma coisa que vem por natureza com as mulheres. Só não compreendo como é que os homens, vendo que a razão se confirma situação atrás de situação, não passam - pelo menos! - a dar o benefício da dúvida. Também deve estar na natureza dos homens.

Para quem é verdinho na vida a dois, este facto é das coisas mais difíceis de levar com calma numa relação. Aquela coisa de ouvir ah, é bom, mas não é fácil, é capaz de começar nestas coisas.

25.9.10

Do you remember? #120



The Police - Message In A Bottle - 1979

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

24.9.10

Consultório - motivação para mim

Umas pessoas respondem, outras nunca me dizem nada apesar de lhes dedicar parte do meu tempo.

Mas em todas há o momento em que não sabemos o que fazer, em que nos mentimos a nós próprias, as desculpas multiplicam-se e as respostas são um todo floreado mas nunca um objectivo "ele não quer". Depois aprendemos. E o melhor de aprender é que não voltamos a colocar-nos a jeito. Ou voltamos, mas já sabemos com o que contamos.

"Bom dia,

Gostava de lhe agradecer o post que colocou a 22 de Maio de 2009 - Consultório #14, sobre o amor não correspondido. Sei que já foi há mais de um ano, mas faz-me sentido agora, num momento em que preciso de um empurrão para dizer "chega". E estas palavras tão simples e tão objectivas, não deixam que continue iludida e à espera que as coisas mudem. De facto, quando um homem gosta verdadeiramente de uma mulher, não é o trabalho nem são outros factores que impedem de estar com aquela pessoa e de lhe dar o melhor. E isso está a acontecer-me neste momento e, por mais doloroso que seja termos de nos afastar de quem gostamos, também sabemos que aquela pessoa não gosta de nós da mesma forma e por isso é desgastante estar aqui a viver uma ilusão. Não vale a pena estar a viver de migalhas, de algumas noites de sexo, de alguns jantares, de alguns sms, de alguns telefonemas, quando serão sempre alguns e quando dá jeito à outra pessoa.

De facto, ao ler estas palavras percebi que a decisão de me afastar tinha de ser tomada:

"Com o tempo aprendi que quando um homem quer verdadeiramente uma mulher, não há nada que se meta pela frente, não há falta de saldo no telemóvel, não há volume de trabalho ou situação familiar que o impeça de obter o que procura. Um homem movido pelo coração é mais insistente que uma mulher".

Um beijinho e parabéns pelo seu blog!"

22.9.10

Como fazer uma relação funcionar #9


Este título devia ter ponto de interrogação: como fazer uma relação funcionar?
O Poisoned Apple Man dobra tão bem as camisinhas que até fico com lágrimas nos olhos.

20.9.10

Cabelos

Então, e quem é que já experimentou fazer uma escova marroquina?

Quando eles mentem

Sempre fui magra, de comer o que queria e me apetecesse que continuava na mesma. Sempre fui bom garfo, até que as coisas mudaram, não sei porquê. Engordar é uma frustração. Tenho mais 5 kg do que queria. Tenho roupa mais apertada, outra que não me sinto confortável, mas nunca comprei roupa porque já nada me servia.

Eu sei que ainda que não esteja obesa, estou roliça. Sei que devo fazer qualquer coisa, mas não tinha muita vontade até à semana passada. Andei com um apetite descomunal, só pensava em comida e não parava. Ansiedades que não sei explicar e que desconheço, pois são coisa nova para mim. Perante isto, diversas vezes perguntei ao Poisoned Apple Man se o meu aspecto era mau ou era muito mau. Estás óptima! e frases do quanto gostava do meu corpo eram habituais. Até que decidiu, por outras palavras dizer que me tem mentido.

Para quê? Para que não ficasse triste. Isto não me sai da cabeça. Sinto-me enganada. Eu não minto para poupar ninguém. Já lá vai o tempo em que contrariava os textos e as palavras para agradar as pessoas. Hoje em dia acho que tenho mais do que fazer. O que não significa que me esteja nas tintas para o que digo e como o digo. Se o Poisoned Apple Man tem uma atitude que não me agrada, é certinho que o dia não acaba sem eu lhe dizer. E eu, não sou merecedora da verdade?

Num casamento a norte do país, recebemos o aviso de que era para ir de calções, bikini e havaianas. O casamento era na piscina e não haveria nada de produções na indumentária. Na véspera questionei a noiva se era mesmo assim e recebi a confirmação. Chegada à boda, havia de tudo: gente de fato, de vestido, de havainas, de vestido de praia, etc. É de referir que o evento... bom, eu olhava à volta e dizia para mim mesma “é por isto que tenho de trazer vestidos para Portugal. Para que as mulheres aprendam a vestir-se!”. Desde mulheres sem soutien e com mamas tipo saco em tops três números abaixo do delas, a mulheres de salto agulha a enterrarem-se e desiquilibrarem-se na relva, ou ainda mulheres maquilhadas dentro da piscina, com cara de boneco de cera, sempre com medo que um salpico borrasse a coisa.

Eu achava que ia normal no meio da parolagem. Saia de ganga pelo joelho, sandálias rasas douradas, top branco com folhos nos ombros, colar, brincos, unhas vermelhas nas mãos e nos pés, algum blush e um bikini no carro. Mas não ia bem, disse-me o Poisoned Apple Man, apenas um dia depois. Parece que a saia me faz o rabo grande – coisa que nunca verifiquei numa saia que até me está solta – e que não me maquilhei como a não sei quantas. Eu aceito que uma saia me fique mal e possa não perceber, eu aceito o reparo, eu aceito a sugestão, mas não aceito a mentira e a comparação a uma mulher com falta de noção.

Então por que é que não disseste nada antes de sairmos? Porque não sabia o que levava na mala. É tão fácil fugir assim à questão. É que quando eu não sei alguma coisa pergunto. Não sabe o que levava na mala, mas podia olhar. Não sabe o que levo na mala, mas sabe reclamar o seu peso e suspirar para o ar tanta roupa para tão pouco tempo! Não sabe porque se calhar não estava mal, mas mais tarde, por comparação sentiu-se diminuído.

Eu gosto de pensar em mim como uma mulher de bom gosto mas, mais do que tudo, gosto de pensar em mim como uma senhora com noção do ridículo. Sou mulher que me arranjo, nas situações que assim o exigem. Terei uns dias melhores e outros piores, como toda a gente, mas o ridículo não me falha. Eu recuso-me a ir maquilhada para uma festa onde se prevê idas à piscina, sob um calor de 35ºC, é ridículo! Eu não uso saltos numa festa que não permite tal, não faço figuras de desiquilíbrio, não ando torta, não peço que me amparem um dia inteiro. Não me visto de preto para um casamento ao meio-dia, não ando com ramelas pretas vítimas do excesso de maquilhagem, não me faço notar pela exuberância, não ando um dia inteiro desconfortável só para andar gira (julgam elas) e, importante, eu não me arranjo para os outros, arranjo-me para mim.

Lamento ter desiludido e não ter estado “à altura” das outras namoradas, mas antes de agradar outros, agrado-me a mim. Apresentei-me de forma neutra, como o faço para ir trabalhar, que era mais do que se pedia. Não vou, nem quero, fazer pelos outros; faço por mim. No entanto, aceitarei sempre sugestões, mas nunca por comparação. Quem o ouvisse, parece que sou uma desleixada, eu que nunca saio de casa sem brincos, sem uns pós na cara, sem que a mala combine com a roupa. Fiquei desiludida pela mentira que se vem arrastando e pela desilusão dele que nasce por comparação às namoradas dos outros.

Sinto-me injustiçada, mas parece que isto faz parte das relações e que agora vai dizer sempre a verdade. Só que esta sensação desconfortável, mais desconfortável do que enterrar saltos agulha em terra e do que ver um homem na casa dos 50 despido e a abanar-se no meio de um casamento, já ninguém ma tira.

Se calhar estava de facto mal e já nem sei ver isso, mas continuo a achar que sempre que mentir, nunca me vou fazer entender.

18.9.10

Do you remember? #119



Duran Duran - Save A Prayer - 1982

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

17.9.10

Consultório #33

“Olá (…),

Actualmente encontro-me numa situação que me tem atormentado, nada de grave mas muito importante para mim (ou seja grave para mim) e por isso resolvi recorrer aqui à procura de uma resposta, de um ponto de vista, de qualquer coisa que me abra a mente... e passo a explicar:

Tenho 35 anos e não tenho uma relação e não prevejo que venha a ter brevemente. Ora bem com esta idade e na fase de vida em que me encontro gostaria muito de já pensar fazer a minha vida com um companheiro (da companhia, do carinho, enfim de tudo).

O meu percurso tem sido complicado, tendo me sempre envolvido com pessoas que não se interessavam por mim verdadeiramente, onde muitas das vezes eu é que andava atrás, por quem sofria horrores, e de quem gostava imenso. Nenhuma destas pessoas eu posso dizer que foram meus namorados, por vezes até digo mas nenhum me assumiu como tal (o que... bem, imagine a minha tristeza). Estas minhas atitudes devem-se provavelmente a uma baixa auto-estima e outros problemas que recentemente fui trabalhar através de psicoterapia.

Mas a verdade é que actualmente estou obcecada com isto de não ter um namorado (e depois de um tarólogo me ter dito uma coisa do género), na minha cabeça está fixada ou implementada a ideia de que vou ficar sozinha para sempre, o que me deixa totalmente desgostosa. Para além de duvidar de mim enquanto mulher. Por que nunca consegui que um homemem ficasse comigo? Por que nunca nenhum cai a meus pés completamente apaixonado? (Bem um caiu, mas totalmente inadequado) Por que nenhuma relação comigo deu certo?

O que devo fazer, desistir da ideia de encontrar um bom homem para mim e tentar abraçar a ideia de ficar sozinha? Mas custa-me tanto pensar assim. Como recuperar a minha auto-estima e confiança como mulher e nos homens e numa boa relação?

O que fazer Maçã?

Desde já agradeço, aguardando ansiosamente uma resposta...

M."


Olá M.,

obrigada pela sua mensagem.

Os meus parabéns. O primeiro passo para uma pessoa recuperar de um mal-estar como o que relatou é saber pedir ajuda. Soube fazer isso e está de parabéns.

Cada pessoa tem um seu tempo. Acredito que com 35 anos queira as coisas que mencionou e fique triste por não as ter, mas já pensou que tal ainda não apareceu na sua vida porque não está preparada? Como contou, cada vez que aparecia alguém, não prestava, envolvia-se, calculo que se aproveitavam e faziam de si o que queriam e, na verdade, vivia relações de dependência emocional e não de amor. Eu também durante sete anos andei a bater com a cabeça nas paredes, fui maltratada, faltou-me a auto-estima, mas a partir de determinada altura não me faltou a vergonha na cara. Quando via que não estava a ser tratada conforme merecia, desaparecia. Sofria feita condenada, mas correr atrás de quem não mostrava quere-me, isso deixei de fazer. E vivia melhor comigo própria apesar do sofrimento inevitável.

Como já escrevi, com o tempo percebi que um homem não quer uma mulher mole, que faça tudo por ele, que se rebaixe, que perca amor próprio, a fala e a convicção. Os homens querem alguém que dê um murro na mesa quando necessário e, homens e mulheres, não podem sentir que a outra pessoa está garantida, pois aí começa a espiral da desgraça. Atenção que há uma diferença em saber que alguém gosta de nós e saber que alguém está garantido. Não é a mesma coisa. Uma coisa é um homem saber que gosto dele, outra é saber que se me trair não tem problema, eu aguentarei porque estou garantida, vivo dependente e não terei coragem de o abandonar. Isso não é gostar, é ser dependente.

É que para gostarmos de alguém e sermos felizes, primeiro temos de gostar de nós próprios, ter orgulho em nós e saber virar as costas quando algo que entendemos ser inaceitável acontece. A melhor coisa a fazer numa relação a dois é dar a conhecer aquilo que somos, no que acreditamos e dar a saber sem sombra de dúvida aquilo que não aceitamos.

Acho que as relações surgem quando têm de surgir, quando estamos preparados. A M., está a trabalhar para isso, para construir as bases que lhe faltam e quando for suficientemente forte, atrairá alguém pela força da sua personalidade. Não procure problemas em si, procure soluções. A M., queixa-se que nenhum homem se apaixona como gostaria, mas pelos vistos já aconteceu antes, só que a M. não quis. Ou seja, não é impossível, pode acontecer quando tiver de acontecer.

Conheço pessoas que vivem e viveram obcecadas por ter alguém. Enquanto não trabalharam esse problema, até podiam ter namorados, mas a coisa nunca corria bem. Conhece relações simpáticas em que um dos elementos quer porque quer ter alguém? É que antes de sentir essa obsessão, há o não saber estar sozinha e isso acontece por alguma razão que precisa de ser trabalhada.

Também eu tive uma altura em que não sabia estar sozinha, depois aprendi e não queria ninguém pela frente, vivia mesmo bem sozinha. Quando passei a tratar tudo a pontapé foi quando me apareceu o Poisoned Apple Man. Curioso, não? Mas não somos todos iguais, é certo. Conheço uma pessoa que já vai nos quarenta e poucos, vai tendo namorados, mas nunca casou, não teve filhos ou relações longas. Mas também é uma pessoa muito difícil de aturar. Ou seja, os motivos não são sempre os mesmos.

Não tem de desistir da ideia de encontrar um homem nem abraçar a ideia de ficar sozinha. Tem é de meter na cabeça que o amor não se procura, encontra-se. E ele vai aparecer quando se tornar uma mulher mais forte.

Boas terapias!

13.9.10

Como fazer uma relação funcionar #8

Estava eu, o hipopótamo, refastelada num sofá da sala, a ver TV, enquanto me deliciava com Momentos de Luxo do Pingo Doce de cookies de chocolate. Para quem não sabe, os baldes de gelado Momentos de Luxo do Pingo Doce é coisa a não perder. Então lá estava eu, feita jibóia, a comer directamente do balde, a fazer festinhas com a colher na língua e ver as minhas ancas duplicar, quando entrou na sala o Poisoned Apple Man. Vinha com uma frutinha e uma faca armado em paneleiro saudável-é-comer-frutinha. Interrompeu o passo e disse:

- Tu não páras? Tens comido gelado todos os dias, várias vezes ao dia! Depois passas a vida a queixar-te que estás gorda, que não percebes como é que é possível e é o fim do mundo! O meu problema é que depois falas nisso mil vezes e eu tenho de dizer que não, que estás bem e que não estou a mentir, mas diga o que disser não estou a dizer a verdade!

Silêncio. Senta-se com a frutinha. Olha para mim.

- Não respondes? Acabei de falar contigo.

Silêncio.

- Não posso falar. Tenho a boca cheia...

E é assim, minhas filhas, que se resolve este tipo de problemas a dois.

12.9.10

Sobre o Consultório Sentimental

Caríssimas leitoras,

não consigo mesmo dar resposta rápida a todos os e-mails que vão surgindo. Não sei o que se passou, mas os pedidos de ajuda parecem ter sofrido um milagre de multiplicação. Responder dá mais trabalho e leva mais tempo do que se possa pensar. No entanto, darei resposta a toda a gente, sem excepção, pela ordem de chegada.

11.9.10

Do you remember? #118



Christopher Cross - Sailing - 1979

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

10.9.10

Pedido

Caríssimas,

tenham a bondade de me auxiliar na sondagem que está mesmo aí ao lado, no início da barra lateral direita.

Obrigada!

Consultório #32

“Tenho 21 anos e tive um relacionamente de 3 anos com o J. que está a ser muito difícil de ultrapassar (…) Ele era emigrante (…) começou a surgir um sentimento entre nós (…) A distância sempre foi muito complicada para ele, por isso decidiu vir viver para Portugal (…) Perdi a virgindade com ele e ele comigo. O primeiro beijo dele até foi comigo, no entanto eu já tinha alguma experiência com namoros e curtes anteriores (...)

Nesse mesmo ano em que ele veio para Portugal eu entrei na Faculdade noutra cidade e isso foi um grande choque para ele. Ele tinha vindo para cá por minha causa (…) mas não podia evitar, tinha de continuar os estudos. O segundo ano de namoro já teve alguns altos e baixos. (…) Quando eu quis terminar, vi-o pela primeira vez em estado de choque, em lágrimas e soluços e se não tivesse sido o primo dele, ele ter-se-ia suicidado de mota. Um dos grandes problemas do namoro foram os meus pais, eles nunca aceitaram o meu namoro com ele. O meu pai não me falava e não me deixava sair com ele (…)

O terceiro ano foi o pior, eram discussões atrás de discussões. Quando fazíamos as pazes era maravilhoso. Mas ele não lutava quase nada por mim, era quase só eu. Isso juntando os meus pais, eu estudar noutra cidade e não ser muito beijoqueira, fez com que a relação chegasse ao fim. Esse dia aconteceu quando ele não apareceu no meu próprio dia de anos, como tínhamos combinado.

A partir daí sofri muito. Ele começou a curtir com outra rapariga da nossa terra e mais tarde a namorar (…) É verdade que ele muda de reacção muito depressa, ora diz que me ama ora não me quer ver e mente-me. Quase tudo o que ele me disse nestes últimos meses era mentira. Quase todas as frases que me dizia tinham uma mentira pelo meio. Mas eu continuo a amá-lo como no primeiro dia!

Passaram 3 meses desde o fim e já tentei o suicídio duas vezes (…) Eu acreditava mesmo que ele era o amor da minha vida. Ainda nos contactamos por telemóvel, mas ele é frio comigo, excepto algumas vezes em que é um amor e parece que quer voltar para mim. O J. não fala para mim todos os dias, mas eu tenho-lhe mandado todos os dias alguma mensagem de telemóvel. Além disso desde que acabámos já tivemos várias vezes sexo e ele já a traiu comigo. Normalmente sempre que nos encontramos acabamos a ter relações. Não sei o que fazer. Quero ultrapassar isto, seguir com a minha vida, mas estou sempre a ter crises e a tentar acabar com a minha vida ou então a tentar que ele volte para mim. O que achas que poderei fazer? Já fui ao médico, que me receitou medicamentos para dormir.

(…) Quanto aos meus pais ainda pioram mais as coisas porque estão sempre a contar-me coisas do namoro de eles os dois e ainda por cima o pai dela é um dos grandes amigos do meu pai.

Por favor ajude-me. Obrigada”


Olá E.,

obrigada pela sua mensagem.

A resposta à sua história não será muito diferente das que já leu neste blog. Ainda tem muito pela frente, ainda vai ter muitos namorados, ser feliz, rir, chorar, sofrer novos desgostos, ir-se abaixo, levantar a cabeça outra vez e por aí fora. Os desgostos custam, mas por si só não matam. E fazem parte de crescer e tornar-se mulher. Eu estou feliz, estive infeliz por muitos anos, mas até quando estou com a pessoa que me faz feliz às vezes as coisas não correm tão bem como gostaríamos e fico triste. Faz parte da vida, acontece comigo e com toda a gente. Foi e vai ser sempre assim.

O que custa mais num primeiro desgosto de amor é o facto de ser o primeiro. É horrível o sofrimento e são emoções que se desconhecem. Pior, não nos reconhecemos. Quando já vai no segundo, a experiência já é outra, sabe-se que não se morreu da primeira vez e encara-se a coisa de outra forma, com outra maturidade. O primeiro desgosto é o pior, parece que nunca vamos conseguir ultrapassá-lo, mas é só um "parece", ele passa com o tempo. Outra razão que leva a que o desgosto seja mais doloroso é o facto de não conhecer outra realidade. Nunca se deu a outro homem, sente que ele não valorizou isso, acha que não consegue vir a gostar de mais alguém, quanto mais envolver-se fisicamente. Mas a vida não acaba aqui, nem o amor. Cara E., tem 21 anos, como acha que aguentaram as pessoas mais velhas? Fizeram por ultrapassar, o tempo curou. Bem sei que dizer isto desta forma parece uma insensibilidade. A E. acha que mais ninguém no mundo sofreu assim, mas isso é também o que sentem as outras pessoas que têm um desgosto pela primeira vez, é o que eu senti. Em suma, os desgostos são iguais entre si.

Diz que durante o namoro, um dos problemas foram os seus pais que não o aceitavam e o seu pai deixou inclusive de falar consigo. Aqui já começo a ficar com os olhos raiados de sangue. Eu gostava de ter um diálogo com esse tipo de pais ignorantes. Desculpe-me a franqueza, sei que são seus pais, mas ser burro e ignorante é coisa à qual tenho baixa tolerância. Se não gostam, os seus pais têm de aceitar e ser cordiais. Deixá-la cometer os erros que precisar e, SOBRETUDO, estar sempre do seu lado. Isso é ser um bom pai. Deixar de falar é coisa que me mete nojo. Durante 5 anos namorei com um energúmeno de quem gostava, sabe Deus a razão, que não prestava, que deixou de estudar, que chegou a roubar-me, que se tornou toxicodependente e mais tarde esteve diversas vezes na cadeia. Giro, não? Acha que a minha mãe estava encantada? Odiava-o de morte! Pedia aos santos que eu o abandonasse, procurava fazer-me entender que aquilo não era vida para mim, que merecia muito melhor, mas nunca deixou de me falar nem foi mal-educada para ele. E é isso que os pais fazem, estão do nosso lado, alertam, mas não vivem a vida por nós e é isto que os seus pais têm de compreender. Ao fim de 5 anos acordei para a vida (sozinha) e ele pode estar vivo ou morto que é irrelevante para mim. Tomara até que tenha morrido que é menos um parasita na terra. O que é que isto também significa? Que tudo passa.

O importante E., é que pare de inventar desculpas que é o que as pessoas fazem quando não têm coragem de "agarrar o touro pelos cornos", quem não tem coragem de encarar as evidências. Ora siga-me:

1. Ele mudou-se para Portugal, a E. teve de ir estudar para outra cidade, mas ia a casa, não ia? Pobre, sofreu tanto. E todas as outras pessoas que vivem à distância? E os namorados que vão para Erasmus? Não, não foi isso que condenou a relação.

2. Num interregno do namoro, ele procurou suicidar-se de mota. Maduro. Se há coisa que me dá cabo dos nervos são as pessoas que ameaçam "vou-me matar" ou a minha preferida "agarrem-me ou então eu mato-me". Quem quer realmente matar-se, mata-se. O resto são chamadas de atenção, é "tenham pena de mim", é "tens de ser minha namorada à força ou ficas com peso de consciência o resto da vida". Mais, quem se mata por outra pessoa não é amor, é dependência. E agora, nos dias de hoje, ele diz que se vai matar? Não. O que é que isso significa? Que tudo passa.

3. "O terceiro ano foi o pior, eram discussões atrás de discussões. Quando faziamos as pazes era maravilhoso". É sempre em qualquer relação, isso não significa nada.

4. "Mas ele não lutava quase nada por mim, era quase só eu". E., leve a mão à consciência. Quando uma pessoa não luta por outra é o quê? Eu sei que dói, mas encarar a verdade é o primeiro passa para se começar a libertar da dor.

5. "Isso (...) e não ser muito beijoqueira, fez com que a relação chegasse ao fim". E., vamos parar de inventar desculpas. Ninguém acaba uma relação porque a outra pessoa não é beijoqueira. Conheço mulheres frias que têm maridos. Eles até podem constatar isso mesmo, mas gostam delas assim. É da pessoa que se gosta, de um todo com o que há de bom e de mau, não se deixa de gostar de ninguém porque dá menos beijinhos do que gostaria.

6. O fim "aconteceu quando ele não apareceu no meu próprio dia de anos". Que nome dá a isso? A um namorado que não aparece no seu aniversário? É uma pessoa digna de estar consigo? Acha que os seus pais podem gostar de alguém que tem coragem de lhe fazer isto? Ele merecia uma tareia! Lamentavelmente, uma pessoa que tem coragem de lhe faltar assim, é alguém que não tem cuidado consigo, que não se importa, que não tem consideração, respeito ou cuidado. Quer estar com alguém que não tem nada disto por si? Revolte-se! Interrompa qualquer contacto agora mesmo!

7. "Ele começou a curtir com outra rapariga da nossa terra e mais tarde a namorar". Isto significa que ele virou a página. Se ele gostasse realmente de si, acha que teria coragem? "A" que gosta mesmo de "B" quer alguma vez envolver-se com "C"?

8. "Ele muda de reacção muito depressa, ora diz que me ama ora não me quer ver e mente-me". Isto não é amar, chama-se aproveitar-se de si. É óbvio que ele não quer que a E. siga a sua vida, quer que fique para sempre presa pelo beicinho, que a terra inteira pense "ela coitadinha gosta tanto dele e ele não quer saber", é o pavão que se passeia pelo mundo, tão amado que há quem lhe caia aos pés. Um balde de água fria era o que ele precisava. E uma tareia, claro.

9. "Passaram 3 meses desde o fim e já tentei o suicídio duas vezes". E., aqui já é consigo que me chateio. Isto faz algum sentido? Quer ser a mulher que se matou por um homem que não queria saber dela ou a corajosa que sofreu, deu a volta por cima e foi feliz com outra pessoa? Eu também já quis morrer de desgosto, queria morrer durante o sono de tanta dor, daí a tentar o suicídio vai um abismo. Mulheres fortes não são estúpidas, andam de cabeça erguida e é o que a E. vai fazer. Se acha que a dor é demasiada para si, isso não é uma vergonha, procure ajuda junto de um psicólogo que a faça pensar, que o que precisa é de alinhar ideias e encontrar o seu verdadeiro "eu", saber que não é uma pessoa que só é capaz de viver para um puto que não interessa a ninguém. Ajuda não é um médico passar receitas para medicamentos, isso não a vai ajudar em nada, só vai pô-la a dormir.

10. "Ainda nos contactamos por telemóvel (...) não fala para mim todos os dias, mas eu tenho-lhe mandado todos os dias alguma mensagem". E., corte o contacto imediatamente! Não pedinche amor que ele não tem para lhe dar. Enquanto falar com ele, a sua dor não vai passar, garanto-lhe! Vai apenas perpetuar a sua dependência por ele, vai demorar mais tempo a acabar com o sofrimento, vai ver e ouvir mais coisas que a vão magoar, vai colocar-se à disposição dele.

11. "Desde que acabamos já tivemos várias vezes sexo e ele já a traiu comigo". E isto significa o quê? Que gosta de si? Se um homem que só quer saber dele próprio pode ter sexo com duas, por que é que vai ter só com uma? Isso não é amor! E., isto é de uma falta de respeito por si própria que ultrapassa os limites do aceitável. Ser a outra? Dar-lhe sexo para ejacular e não querer saber de si até à próxima vez? Acha que um homem quer uma mulher que sabe que não se respeita a si própria, que não dá luta, que lhe beija os pés, que não sabe dizer "não"? Os homens gostam de mulheres fortes e determinadas e os que não gostam são os que têm desvios comportamentais e querem um pau mandado e não uma mulher a sério.

Um dia que tenha coragem de cortar o contacto, ele vai andar mais ainda atrás de si. Vai dizer que a ama, que não vive sem si, que tudo não passou de um erro. E será tudo mentira. Ele só a quer ter na mão, pois todos queremos connosco aquilo que sentimos que nos pertence. E na verdade, por enquanto, ele tem-na de facto na mão. Faz de si o que quer. Isso é claro como água. Mas isso só acontecerá enquanto permitir. Lembre-se: as pessoas só vão até onde lhes permitirmos.

E., procure ajuda profissional. Eu sei que vai detestar ler esta resposta, vai achar que sou uma insensível, que não tenho coração nem piedade. Mas guarde este e-mail e leia-o daqui a uns meses e depois daqui a uns anos. Verá como tinha razão. Procure ajuda porque eu não consigo dar-lhe mais que isto e para si não chega.

Beijinhos e cabeça levantada!

8.9.10

Como fazer uma relação funcionar #7

O Poisoned Apple Man dificilmente vais às compras nas viagens. De cada vez que entra numa loja revira os olhitos, ameaça lipotímias, tem muita falta de ar (inspira e expira com alguma violência) e também lhe falta a paciência. Só eu sei o que sofro nestas incursões a tentar encontrar roupa para mim à velocidade da luz.

Além da minha roupa, tenho de ser eu a tirar a roupa masculina dos cabides e obrigá-lo a experimentar. Vencida a resistência inicial, depois fica todo satisfeito com o que comprou, com o que poupou ao comprar fora de Portugal, com qualidade e evitando parecer igual a toda a gente. Mas nem sempre corre bem.

Ainda em terras americanas, furioso, regurgitou:

- Lindas meias que me aconselhaste a comprar. Olha-me o tamanho destes buracos!!!

Nem davam para coser, as pobres.

4.9.10

Do you remember? #117



Lisa Stansfield – Change – 1991
(e eis que reparo que este clip foi filmado em Lisboa)


Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

3.9.10

Caso Casa Pia - país, por favor, não me envergonhes mais!

Então são estes juízes capazes de declarar sentenças, mas nada de justificar os "crimes provados"? Ah e tal, lêem daqui a uma semana quando for disponibilizado! Isto é um estado de direito? Condenar alguém sem lhe dizer "por A, B e C"? Onde anda a súmula?

Nem um homem culpado deveria esperar por tal coisa!

Que vergonha. Deus me livre de algum dia ir parar a um tribunal português...

Caso Casa Pia

Agora que se lê o acórdão do Processo Casa Pia, naturalmente, não se fala noutra coisa. Nem se lê outra coisa. A internet está pejada de notícias de última hora e a TV deve andar a interromper a emissão. Dizem as manchetes que o colectivo de juízes deu como provados crimes (parece que não todos) dos arguidos. Vai-se a ler a notícia e, para variar, não se lê coisa nenhuma. Dá-se provado como? Com o quê? Isso sim era notícia!

Fiquei na mesma como tenho estado estes anos todos. A Comunicação Social diz o que quer.

A juntar a esta corja, estão os comentários dos leitores das notícias. "TODOS NA CADEIA!", CORTEM-LHES AS PILAS!", "CULPADOS!", "PEDÓFILOS!".

E eu pergunto: o que sabe esta gente que tem tanto de espectador como eu? O que é que eu sei realmente para poder condenar o que não conheço? Estive lá para ver? Aquilo que eu sei é apenas o que a Comunicação Social veicula e, aí, eu opto por "comer" ou não. Acho espantosa a forma como se dá um linchamento público sem se saber coisa nenhuma ou sabendo o que um primo de um vizinho que foi casado com quem sabia contou.

O que eu sei é que depois de ler isto http://www.processocarloscruz.com/ toda a minha opinião sobre este caso mudou.

Gosto pouco de histórias da carochinha, a não ser que as leia a crianças. Gosto de argumentos inteligentes e de factos provados. Este país não é um estado de direito. É uma vergonha. Os casos são julgados na Comunicação Social, conforme a mão e a influência de quem comanda este meios. Os tribunais são acessórios.

Consultório #31

"Olá,

(...) Tenho 19 anos, e namoro há dois anos às escondidas dos meus pais, pois o meu namorado tem 9 anos a mais que eu. Eu queria assumir o namoro, mas o que acontece é que tenho medo da reacção dos meus pais, principalmente do meu pai, pois ele é uma pessoa bastante nervosa e não compreende que estou a crescer e a ter a minha vida. Sou filha única e daí haver uma protecção muito grande. Gostaria de saber como lidar com esta situação, eu queria assumir as coisas e ser mais feliz, mas tenho muito medo.

Se me puder ajudar agradecia imenso.

Beijinhos"



Olá F.,

obrigada pela sua mensagem.

A questão que coloca parece-lhe complicada, mas isso talvez seja fruto da sua idade e da excessiva protecção de que parece ser alvo, pois de complicado não tem nada. Já namorei com alguém que tinha mais 12 anos que eu, os meus pais tinham 12 anos de diferença e conheço um casal em que ela tem mais 12 anos que ele e estão juntos há mil anos. O que é que isto significa? Que o que importa é o que os une. Não acho 9 anos uma diferença abismal, soa mais pesado devido à sua idade.

Medo da reacção dos seus pais é coisa que não faz sentido. Aliás, para ser mulher madura e que a vejam como tal é bom que comece a dar conta disso mesmo, que é crescida, que toma opções sozinha e que é capaz de tomar essas opções sozinha. Se tivesse acabado de começar o namoro, eu compreendia alguma cautela, mas ao fim de dois anos não faz sentido. Aliás, eu nem sei como consegue esconder uma relação por tanto tempo.

No entanto não sei se me está a omitir alguma coisa. O seu namorado é divorciado com cinco filhos de cada mulher? Vive de subsídios do estado e passa o dia a coçar-se? Tem cadastro por homicídio? Se alguma destas hipóteses (ou parecida) se verifica, eu compreendo o nervoso. Qualquer pai preferia melhor para uma filha. Também, se prometeu ir para o convento das carmelitas, é provável que se desiludam.

Se ele é uma pessoa normal, que tal avisar a família que namora há muito, é feliz, ele dá provas do amor que tem por si e informar que está cansada de sentir medo porque não compreendem que já é crescida? Se tiver uma conversa franca e adulta, não é o facto de namorar que vai fazer os seus pais pensarem que cresceu, vai ser a forma, a franqueza e a seriedade com que vai dialogar.

Relativamente a "medos", partilho consigo o que costumo fazer quando aparecem receios: pergunto-me sempre "qual é a pior coisa que pode acontecer?". Pense nisso.

Sabe, os pais também se educam. A partir de certa altura eu avisava que ia sair, não dizia para onde. Não que não quisesse informar, mas não calhava. Podiam perguntar-me com quem tinha estado e eu respondia, mas não era para me controlarem, era por curiosidade. Esta liberdade que eu tinha vinha não só de conhecerem as pessoas com quem me dava (ainda que pudesse surgir um namorado desconhecido pelo meio), mas também de cedo ter provado ser uma pessoa responsável. Mas claro, há pais e pais e nem todos sabem dar asas para voar e permitir que os filhos se tornem adultos, cometam erros e batam com a cabeça na parede.

Experimente conversar e depois conte-me como foi! Lembre-se: a conversar é que as pessoas se entendem. Ah! E aproveite logo para demonstrar que gostava de dar a conhecer o seu namorado. As pessoas desconfiam mais daquilo que não conhecem.

Beijinhos!

2.9.10

Serviço público

Estou encantada com esta loja, tenho de partilhar! Para quem gosta de caixas, bolsas e bolsinhas e quem gosta de ter os rebentos com lancheiras giras, esta loja tem tudo!

Fazem o material personalizado, ao ponto de eu ter dois cadernos que dizem "shoe lover" e "rica, interessante e viajada", wouhahha!

Como há aí muita pequena que gosta destas coisas e mãezinhas que gostam de adornar o quarto dos rebentos, fica o serviço público!






1.9.10

Queiroz mexe com um pipi

Quem me conhece sabe que não tenho nenhum clube de futebol que me toque na alma e sabe, muito mais, que eu odeio futebol, a forma selvagem como a maioria das pessoas se comporta e a gritaria irracional que nasce fruto de um macaco meter uma bola numa baliza. Ódios viscerais à parte, eu não percebo nada de futebol. Durante a maior parte da minha vida achei que um "fora de jogo" era quando a bola saía do campo e isso é quanto baste para ilustrar a coisa.

Não só não gosto de bola como fico irada ao ver que essa porcaria é capaz de abrir telejornais, mas se quero ver as notícias, tenho de aturar. E vai para mais de um mês que oiço falar de um tal Queiroz que parece ser o seleccionador de Portugal. É todo um "sururu", não se fala noutra coisa e até oiço o Poisoned Apple Man discutir a temática ao telefone com os seus compadres. Mas afinal o que se passa? E lá me explicaram a coisa de forma a que pudesse entender, como se tivesse seis anos.

Já a minha avó dizia que se os problemas não são dinheiro, são mulheres. E não se enganou. Então não é que todo este caso anda à volta de um pipi? Queiroz, essa figura da bola, em vez de meter berlindes na boca, contar até 10, inspirar e expirar ou fazer ioga quando lhe foi pedido que ordenasse os jogadores da selecção a inclinar a pilinha para dentro um copo, afim de um controle anti-dopping, no lugar de assentir com a cabecinha, foi de desviar todo o assunto e falar no pipi da mãe de um manda-chuva qualquer e tramou-se. Anda o futebol de um país inteiro sujo nas páginas dos jornais internacionais por causa do pipi de uma senhora.




Pipis há muitos? Há, pois há! Mas toda a gente educada sabe que entre marido e mulher não se mete a colher, que não se põe o dedo em pipi alheio e toda uma série de provérbios que recomendam cautela no que respeita a pipis. O Queiroz não quis saber, deve ser criatura cheia de ele próprio, que pode com tudo e todos e dizer qualquer coisa sobre qualquer pipi que permanecerá intocado. Agora, veio uma suspensão de seis meses que dizem ser sobre outras coisas, mas toda a gente sabe que é por causa daquele pipi.


Um pipi no meio de tantos ainda lhe vai custar o emprego.


Pipis à parte, ninguém tem coragem de falar nos que na bola andam sem bolas, que é como quem diz sem huevos, cojones, tomates ou - à portuguesa - sem os belos dos colhões. Então andaram a enrolar o homem em vez de o despedir imediatamente, dedicaram-se a pôr panhinhos quentes, deixar tomar conta da selecção no decorrer do Mundial e depois quando volta é que é o "ai Jesus"? Se eu mexer no pipi da mãe do meu director o mais provável é ficar desempregada de imediato. Mas como não convinha e nem havia colhões, vai de esquecer momentaneamente o pipi da mãe do manda-chuva e depois das festividades honra-se o pipi da senhora. De forma enrolada para não ser paga uma choruda indemnização. Lá está, a outra origem de problemas de que a minha avô falava: o dinheiro.


Em suma, entre falta de colhões e mexer em pipis que não chamaram ninguém deu neste 31. E tudo começou por causa de um singelo pipi. Os telejornais abrem com notícias por causa de um pipi e corre tinta na imprensa escrita também por causa de um pipi.


Devia explorar melhor os poderes do meu pipi, que também tenho um.