31.7.10

Do you remember? #112



Laura Branigan – Self Control - 1984

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

24.7.10

Do you remember? #111



Duran Duran - Ordinary World - 1993

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

17.7.10

Do you remember? #110



Aztec Camera - Somewhere in my heart - 1988

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

16.7.10

Até para o mês que vem!

Coisas lindas, não levem a mal, mas a princesa Poisoned Apple tem de se ausentar por largos dias, até meados do mês que vem. Eu mereço esta road trip e eu sei que concordam! Prometo voltar com muitas fotos como habitualmente.

First stop: Las Vegas!!!

É aqui que faço o primeiro milhão!

14.7.10

1994 - 2010


Consultório #28

Pela sua invulgaridade, este foi dos pedidos de opinião mais interessantes que recebi.

"Olá Maçã!

(...) A minha mãe é testemunha de Jeová, eu fui criada nessa religião. Conheci lá o meu primeiro namorado sério e casei com ele quando tinha 22 anos. Devo dizer que segundo essa religião não se pode ter sexo antes do casamento, por isso casei muito nova. Passado mais ou menos um ano de nos termos casado, fomos deixando a pouco e pouco de nos associar nessa religião, até que deixámos mesmo de ir, e começámos a ter uma vida "normal". Começámos a ir a discotecas e beber o que nos apetecia, fumámos uns cigarros para experimentar, etc etc (tudo o que mencionei anteriormente é proibido pela religião) (...) Fui muito feliz no meu casamento, até que um dia descobri que ele andava com outra. As coisas acabaram e neste momento estamos divorciados.

(...) Segundo essa religião, o facto de não se ir lá, ou de não ter associação, não anula o facto de lá se pertencer, ou seja mesmo que não se vá lá há anos, as regras têm de ser cumpridas, correndo o risco de se ser expulso. Esta expulsão não teria a conotação negativa que tem se as pessoas que conhecemos, que são da mesma religião, não tivessem de deixar de nos falar. Por exemplo, imaginando que uma amiga minha (Testemunha de Jeová) me visse na rua e eu tivesse sido expulsa ela nem «Olá» me diria.

Isto para dizer que o meu ex-marido foi expulso da religião, e agora está a vingar-se de mim indo contar tudo o que terei feito de "mal", para que possa ser expulsa também. Inclusivé tirou-me fotos a fumar e de quando saí com um amigo mais especial. Sinceramente apetece-me escrever uma carta para que não me considerem mais associada áquela religião, mas isso significaria o maior desgosto da vida da minha mãe (que passaria a ter uma relação limitada comigo), e também implicaria que uns tios e primos meus deixassem de me falar ou de até me receberem em casa.

(...) Tenho saído de há 3 meses para cá com um rapaz. Ele tem sido super querido para mim, já lhe contei o que se passou comigo, mas parece que não me consigo "atrever" a ter uma relação com alguém. Fui traída, trocada, e isso afectou a minha auto estima e a capacidade de confiar nos outros. Há alturas em que ele quer algo mais, quer um compromisso digamos e isso assusta-me. Tenho medo que me firam de novo os meus sentimentos e que volte a sofrer. Eu sei que as pessoas não são todas iguais e que não podemos catalogar todos do mesmo modo, e ele tem demonstrado ser uma pessoa que só me quer ver bem, no entanto, não me consigo entregar totalmente e fico sempre de pé atrás... (Devo dizer que este tipo de comportamento é também um pecado, visto que só deve existir namoro tendo em vista o casamento). Por vezes acho que me magoaram de tal forma que nunca vou recuperar, que nunca mais ninguem conseguirá entrar de verdade no Mundo e que não me vou conseguir entregar a alguém.

Passámos o último fim-de-semana juntos e devo dizer que foi fantástico, mas no Domingo à noite quando regressei a casa, comecei a pensar que não podia estar a gostar tanto dele, e então comecei a dar-lhe o tratamento do silêncio, estive a 2ª e 3ª quase sem lhe falar, não porque não me apetecesse, mas porque não queria ficar tão agarrada a uma pessoa, como fiquei depois do fim-de-semana que passámos. Mas o melhor de tudo isso, é que ele esteve sempre em contacto.

(...) Outra coisa que se passa, é que muitas vezes acho não estamos em pé de igualdade. Eu acho-o um rapaz super interessante: inteligente, culto, muito bonito com um corpo perfeito, sabe conversar, sabe cozinhar, é atencioso, carinhos... e fico a pensar que não estou ao mesmo nível, como se costuma dizer «areia a mais para a minha camioneta». Chego a ir na rua com ele e pensar que as pessoas à volta pensem: mas o que é que aquele jeitoso faz com aquela?? (...)"

Olá XY

Começo imediatamente por lhe dizer o seguinte: a XY é uma pessoa inteligente, é de caras, mas encontra-se submersa num mundo com o qual não se identifica e tem dificuldades em sair dele, pelas razões óbvias.

Eu não sabia que ser testemunha de Jeová implicava tudo isso: não ter liberdade de pensar por si próprio, não ter liberdade de tomar uma decisão, ter regras para tudo, até para ter uma opinião. Com todo o respeito, e por favor não se ofenda, ser testemunha de Jeová é ser-se inútil, é não ter personalidade, é colocar de lado qualquer firmeza e determinação pessoal, é viver sob as regras das quais se desconhece objectivo. Com isto, quero dizer-lhe que estou completamente do seu lado.

As religiões assentam (ou deveriam assentar) em princípios que procuram tornar o mundo um sítio melhor, mas as testemunhas de Jeová promovem o estigma, a expulsão, a falta de diálogo, de compreensão, as pessoas não são livres de ser elas próprias, de falar e amar quem o coração manda, apenas quem a religião permite. Estou enojada.

A XY, provavelmente viveu sob esta "bolha" a vida inteira, não tem culpa. No entanto, ainda que acredite que não, safou-se. Está apenas com dificuldades em gerir isso e dar a conhecer quem é. Aquilo que a XY e o seu ex-marido fizeram ao fim de um tempo de casados (sair à noite, fumar, etc.) foi, simplesmente, viver. Imagine-se! Foi descobrirem-se num mundo normal, foi encontrarem quem verdadeiramente são, a vossa personalidade, vontades e aquilo em que acreditam, que não é claramente ser testemunha de Jeová.

Lamento o desfecho do seu casamento, mal tal aconteceu porque também ele nunca tinha vivido nada. Vocês os dois viveram "presos" todo o tempo da vossa vida, nas idades em que mais teriam para descobrir e conhecer. Não é que considere correcto o que ele fez, mas parece-me que era de esperar. Tenho para mim que foi algo que não conseguiu controlar. Ele devia estar sedento de realidade, cansado de viver afogado em obrigações estúpidas. Eu não imagino a angústia de viver assim! Quem não vive, quem não se descobre na altura certa, acaba por cair nestes erros. O mesmo acontece com homens (e mulheres) que casaram praticamente crianças e um dia descobrem que existe mais vida além daquilo que conhecem, lá para os quarenta e cinquenta anos. E depois fica tudo muito surpreendido e o mundo acha que enlouqueceram.

Acho muito triste e lamentável que ele procure prejudicá-la por ter sido expulso da religião, algo que também era de esperar. No que toca ao seu ex-marido, à sua mãe e restante família, só tem uma solução: diálogo. E muita paciência e argumentação! Ao ex-marido, toque-lhe no coração, faça-o ver o que perderam uma juventude inteira, lembre-o que não tem culpa da sua frustração, que nada vai ganhar com isso, seja o mais sincera possível. À sua mãe (e restante família), por muito que possa ficar magoada, é dizer que na relação com ela nada mudará, mas que cresceu, tornou-se mulher e adulta, tomou opções de vida e não pode continuar ligada a algo que não acredita e que até agora manteve apenas porque é sua mãe. Depois desse "anúncio" é entregar a carta em que abdica de uma vida controlada por regras, medos, angústias e ansiedades. Sim, porque é isso tudo que sofre neste momento e é tudo provocado por essa religião. O poder de argumentação vai ser fundamental. A sua mãe tem de perceber que a S. é e vai continuar a ser a mesma pessoa para ela, mas vai ser livre, vai passar a viver sem um peso sob os ombros, vai poder respirar e ser genuína.

Prepare-se para todo o tipo de reacção, mas lembre-se sempre que as pessoas que gostarem realmente de si vão querer estar consigo, independentemente do que ditam as regras. Para alguns, talvez seja necessário que algum tempo passe. No entanto, lembre-se também que não vale a pena ficar triste por alguém que não fala consigo por regras inventadas por sabe-se lá quem, até pode ser o Diabo! Ser testemunha de Jeová é promover o mal estar entre entes queridos, caramba! É indiferente se alguém se afasta de si porque é obrigado a tal (fraco) ou porque não quer mesmo. Para qualquer das hipóteses, são pessoas que nunca lhe vão ensinar nada ou trazer algo de bom, são gente tacanha, diminuída, desprovida de personalidade. De que serve essa gente na nossa vida?

(...) Use o seu poder de argumentação, agarre as pessoas pelo coração, faça mostrar que acredita noutras coisas mas que nas relações nada mudará, pois há muito que pensa assim e ninguém teve razão de queixa até ao momento da verdade. É adulta, seja também individual, tenha uma opinião própria, deixe de viver no meio da "carneirada" se é essa a sua vontade.

No que respeita ao novo rapaz que apareceu na sua vida, pelo que conta, parece realmente querer estar consigo. Seguros, só para os bens materiais e mesmo esses dão problemas. Olhe para mim e para o que leu no blog, passei tanto tempo a bater com a cabeça, arrisquei e deu certo. Quando pensar no que pode vir a sofrer, lembre-se também do que pode estar a atirar pela janela. Dê tempo ao tempo, seja sempre honesta, confesse os seus receios. Se ele for boa pessoa e gostar mesmo de si, vai respeitá-la e quando der por si tem uma relação normal, de gente normal. Estas coisas são uma questão de tempo e de lembrar o coração de que também temos direito a ser amadas. E deixe-se de coisas, não se subestime! A XY é uma mulher inteligente que no meio de uma educação lamentável conseguiu ver outras luzes. Isso, não é para todos. Não há ninguém com demasiada areia para a sua camioneta.

Achei o seu e-mail extremamente interessante. Mas que nenhuma testemunha de Jeová me apareça pela frente enquanto me lembrar o que são obrigados a fazer uns aos outros! Até tenho raiva. Liberte-se e escreva-me sempre que lhe apetecer. Acredito em si e na sua força de vontade. E tenho a certeza que os outros leitores também!

Beijinhos,

12.7.10

O pior namorado do mundo

Uma sobrancelha inteira. Comigo, para cada sobrancelha, era um testículo espremido até à inexistência. Depois o fim da relação. Namorados estúpidos provocam-me tendências homicidas. Sorte a minha que não tive destes, estúpidos; só cabrões.

10.7.10

Do you remember? #109



Eagles - The New kid in town - 1977

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

9.7.10

Verdade #63

Percebi que, enquanto durmo, volta e meia ele pergunta-me "gostas de mim?"

Apanhado!

Questões pertinentes #28

Eis que a Poisoned Apple adquiriu um TomTom One 3rd Edition com mapas dos EUA e Canadá. Agora, faltam-me os de Portugal! Algum leitor ou leitora generoso/a arranja mapas em sistema de memória interna (sem cartão SD)?

Ficava muito agradecida e mais poupadinha. Os amigos não me ajudam nestas coisas, tenho de recorrer ao blog!

7.7.10

É tão bom que tenho de postar #6

Alguém partilha da minha opinião. Não fui eu que escrevi! Não comecem!

"Há alguma coisa mais geradora de riso em situações de conhecimento inicial do que o peido? Não, não há. Há alguma bufa mais bem metida do que aquela que se dá quando a relação já navega por mares serenos e suaves? Não, não há. Libertar um peido à frente da pessoa de quem se gosta e a quem, por consequência, se quer impressionar, é uma prova imensa de segurança. O que esse odor, na realidade, traz escrito é «gosto de ti e de mim o suficiente para ultrapassar este momento com a souplesse de um bailarino russo». E pronto. Umas gargalhadas semi-envergonhadas mais tarde já ninguém se lembra, o peido está dado e, se pensarem bem, há uma qualquer barreira invisível que foi abaixo, mau grado o cheiro que ficou.

E a bufa conhecida? Aquele que é verdadeira argamassa de relações de anos. Cujo aroma a flores envelhecidas encerra a mensagem «estou seguro disto o suficiente para me peidar à parva, mas não tanto que evite este pensamento». Umas de nós fingem um amuo, outras amuamos mesmo, mas todos sabemos que uma bufa numa relação significa que a coisa é séria. Ou está para se tornar".

5.7.10

Consultório #27

"Há muito tempo que a leio, e há dias depois de ler o post da "Poisoned também falha" talvez me tenha revisto em alguns actos, não iguais, mas com algumas parecenças.

Acabei uma relação (ou melhor ele colocou o ponto final) que durava há 5 anos, posso dizer que foi o meu primeiro relacionamento, e o vazio é imensamente grande. E sinto-me tão sozinha. Não tenho grandes amigos, e aqueles que tenho não são os amigos que possa encostar e estar apenas em silêncio. Tenho 24 anos e o que ouço é que sou nova demais para achar que era um grande amor, que estou é na altura de me divertir, aproveitar a vida, as noites, e dar beijos na boca.

Mas que mal há em eu achar que para mim o sexo só faz sentido com amor, que tenho tanto para partilhar e oferecer, que eu queira alguém com quem partilhar as pequenas coisas. Sei que é o que toda a gente diz, que isto com o tempo passa, que daqui a uns dias já nem me lembro. Mas o dias cada vez parecem maiores, as horas demoram tanto tempo a passar, e a dor continua igual.

O pior são os planos que se tinha feito, as expectativas que se criou, os sonhos a dois. E a esperança que não desvanece, o olhar o telemóvel e o mail a cada 10 minutos. Acredito que seja um pouco estranho receber mails de alguém que não conhece, a despejar as suas lamúrias numa meia dúzia de frases, mas sou sincera não tenho ninguém com quem conversar, que não julgue as minhas atitudes e a minha dor, e muitas das vezes identifico-me tanto com a Poisoned, que abri o mail e comecei a escrever.

Um beijinho"

Olá A.!

Temos muito em comum. Também o meu primeiro namoro durou pouco mais de cinco anos. Era pouco mais nova que a A. quando acabou. Na altura, achava que não poderia nunca vir a gostar mais de alguém, hoje sei que essa sensação se baseava no facto de não conhecer outras realidades. Nessa relação, não houve nenhum dia que marcasse o ponto final, fui-me afastando à medida que ele se tornava tóxico-dependente. Fui a primeira a estranhar as reacções esquisitas, as atitudes, mas a última a saber. Ninguém acredita numa coisa destas! O último ano foi apenas o ir aparecendo para lhe meter juízo na cabeça (ou tentar), para deitar fora o que ia encontrando em casa dele. De alguma forma sentia-me responsável por ele, os amigos já eram e não tinha contacto com a família. Restava eu.

Bem sei que este não é o seu caso, mas não deixa de ser uma relação longa que deixa marcas. O meu verdadeiro primeiro desgosto veio a seguir a este homem, por isso compreendo o vazio, compreendo que se sinta sem amigos porque se dedicou tanto à relação, porque escolhia sempre a relação e, com o fim desta, as amizades não se sentem como eram antigamente. É importante que possa estar em silêncio, é importante que chore, que desespere e faça o luto. Só depois disso vai começar a erguer a cabeça.

Sim, está na altura de se divertir, sair, namorar, blá, blá, blá, mas isso não interessa nada. O que interessa é que deixe de sentir que está a sofrer, interessa que a depressão se desvaneça e que se comece a alegrar e a rir com coisas que neste momento não têm graça nenhuma. Quem lhe diz que daqui a uns dias isso passa, está a mentir. E eu não lhe posso mentir. Custa e demora a passar, mas à medida que esse tempo (por vezes longo) vai passando, vamos melhorando. É como uma gripe, vai-se melhorando, às vezes sofre-se um retrocesso, mas o caminho é sempre para a frente, até que fica boa. Nesse tempo, não morre, ainda que às vezes pareça que vá morrer. As coisas vão custando cada vez menos e vai ganhando alguma alegria.

Não beije na boca só porque sim, beije na boca porque quer. Não vá para a cama com alguém porque lhe dizem que está na idade de namorar, vá para a cama com alguém porque quer, porque tem vontade e, quem sabe, porque gosta desse alguém. Eu sou como a A., não tenho histórias de sexo esporádico para contar. Todos os homens com quem estive gostava deles e eram namorados, ainda que muitos deixassem a desejar como namorados. Mas existia sentimento e se é com isso que se sente confortável, não abdique. Muitas vezes fui acusada de ter algum "desvio sexual" porque não alinhava nessas coisas. E eu queria lá saber, nunca me arrependi. Se é nisso que acredita, não arrede o pé!

Os dias vão continuar a ser vazios, os minutos parecerão horas e as horas dias inteiros, vai perder peso, vai chorar e o sono vai ser interrompido de tanta angústia. Vai perder a vontade de comer, não vai querer ver ninguém pela frente e vai enervar-se de cada vez que lhe disserem que "isso passa". Bem sei o quão irritante é. Sente-se como uma facada no peito, como um desvalorizar da força do nosso sentimento e do abalo do nosso desgosto. Às vezes nem queremos que passe, porque é dele que queremos gostar, é ele que nos interessa e mais ninguém, foi a ele que nos demos pela primeira vez.

Mas aprendi que as pessoas não dizem que vai passar por mal, dizem-no porque é verdade. E passa, tudo passa. Pode deixar marcas, mas deixa de doer e, ele, um dia vai deixar de ter importância porque vai aparecer alguém que faz mais sentido, alguém mais adequado, alguém que a vai fazer mais feliz. Eu sei que isto cai muito mal e que não quer saber, mas é a verdade. Isto não é julgamento meu ou de outras pessoas. A mim custava-me horrores ouvir dizer que dava muita importância a uma coisa que me deixava em frangalhos, era quase uma desconsideração, tinha vontade de apertar o pescoço de alguém, mas a verdade é que vim a constatar que passa sempre. E a constatar que a seguir vem sempre alguém. De todas as vezes que sofri um desgosto foi assim e olhe que não foram poucos! Uns piores que outros, deixaram-me até sem cabelo e ainda hoje tenho de andar a fazer tratamentos para não parecer careca, mas ainda assim, tudo passou.

A A. tem 24 anos, vai ter ainda muitas alegrias e também muitas tristezas. Infelizmente, não vai ser a única vez que vai ter um desgosto. Com isto vai aprender muita coisa que lhe faz falta para o futuro, como por exemplo saber que os planos com alguém que se ama são eternos enquanto dura. Algumas leitoras enviaram-me comentários dizendo que eu tinha muita força e determinação. Sabe de onde é que isso vem? De todo o sofrimento que passei. Acredite que tudo isto vai deixá-la mais forte. É normal que olhe para o telemóvel, que anseie por um e-mail ou outro contacto. Ainda que seja normal, também sei que é um desgaste horrível. Com o tempo vai olhar menos vezes, até que deixa de olhar. Aconteceu com todas e acabou sempre de forma igual, com o tempo.

Mais uma coisa irritante que tenho para lhe dizer, é que procure distrair-se (que é como quem diz procurar não pensar) o mais possível. Não sei o que gosta de fazer, mas aplique-se. A certa altura comprei um computador portátil, fiz download de inúmeras séries e era nisso que passava o meu tempo livre, consumindo séries, temporadas atrás de temporadas. Depois do trabalho, já sabia qual era o meu destino. Hoje vejo menos episódios, mas fiquei viciada. E quem diz isto, diz ginásio, fazer cursos, há muita coisa, mas é quase como obrigar-se a mexer-se. Se achar que a ajuda, podemos combinar para lhe passar todas estas séries que guardo num disco externo ;)

Espero que não fique zangada e não me encare como mais um julgamento desinteressado. Passa, tudo passa e não é porque encolho os ombros e desvalorizo, pois eu sei muito bem o que custa. Aconteceu comigo, tal e qual, muitas vezes, e sei na própria pele que passa. O primeiro desgosto é sem dúvida o que mais custa, pisamos terreno desconhecido, não nos reconhecemos e não pensamos noutra coisa. Lamento muito querida A., as minhas palavras de pouco vão servir, não há nada que alguém nos possa dizer que minimize a dor. A única coisa válida que lhe posso dizer é que me envie um e-mail sempre e quando quiser. Além disso, tenho a certeza que há mais pessoas do seu lado. Apoie-se nelas em silêncio, não responda quando sente que não a compreendem, deixe-os falar sozinhos.

Com carinho,

3.7.10

Do you remember? #108



Fine Young Cannibals - She Drives Me Crazy - 1989

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2.7.10

Como fazer uma relação funcionar #6

O homem da Poisoned Apple gosta de plantas e eu detesto dependentes. Plantas que precisam de água e adubo, mais peixinhos que querem alimento... enfim, eu é mais coisas que não dão trabalho e se desenrascam sozinhas.

Chegámos a casa e um dos enormes vasos com cactos foi ao chão da varanda. Eu bem avisei que aquilo estava nos limites, mas eu nunca tenho razão. Lá arranjou os estragos e ficou cheio de picos. Por mim pegava fogo àqueles cactos. Quando vejo os picos esvoaçantes a entrarem pela varanda da cozinha enquanto lavava a loiça, a histeria tomou conta de mim. Num ápice já estava minada, colaram-se a mim e o melhor é nem falarmos nos meus nervos. Perante o meu sofrimento ainda perguntava: "por que é que estás assim?"

Adiante. No fim da arrumação obriguei-o a tomar banho. De nada serviu. De cada vez que me fazia uma festa lá eu ficava cheia de picos e de nervos. Tomada pela fúria, andei à procura de picos quase invisíveis, a contra-luz, de pinça na mão. Difícil, mas prueba superada ao fim de umas horas.

E foi quando me lembrei: se algum dia me enganas esfrego todas as tuas cuecas naqueles cactos... É que os picos não se vêem, sentem-se ao fim de poucos segundos.

Tenho uma mente brilhante. Wouhahha!