31.3.10

A cómoda, finalmente!

É antiga e foi uma pechincha. Estava perdida no meio de antiguidades que se procuram vender na internet, coisas modernas que nunca a própria imaginou. Deve carregar mais do que as gavetas aguentam, mil e uma histórias de desconhecidos, de velhos e novos, histórias de um tempo que já não se usa. Já deve ter visto alguém nascer e quem sabe viu alguém morrer. Foi acarinhada, foi maltratada. Alguém lhe partiu um pé, que foi colado por nós com carinho. Alguém lhe forrou as gavetas de um papel autocolante, feio capaz de entristecer a mais alegre alma. Descolado que foi, com muito jeitinho e algumas farpas perdidas, tem agora um novo forro, simples, porque menos é mais. Uma tarde inteira de volta da cómoda, uma noite inteira com dores nas costas. Mas no meu quarto repousa, com gavetas bonitas, forradas como a minha mãe me ensinou. Lá está, matrona, pesada, maciça. Sossegada para meu desasossego, que não conheço as histórias que carrega.


Obrigada a todos os leitores e leitoras que me ajudaram a tentar encontrar uma cómoda antiga.

29.3.10

Procura-se

Agora que comecei uma nova vida, fiquei desempregada.

Princesa organizada e com muito galo, anteriormente Directora de Publicidade, procura emprego na área de comunicação, preferencialmente em saúde.

Snhif! :'(

PS - E se eu abrisse um centro de depilação a laser alexandrite?

27.3.10

Do you remember? #95



Supertramp - Goodbye Stranger - 1979

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

26.3.10

Laser - serviço público

Pequenagem,

meio mundo me pergunta se vale a pena fazer depilação a laser. A outra metade faz e anda a ser enganada. Então aqui deixo informação útil.

NÃO FAÇAM NADA DE FOTODEPILAÇÃO, LUZ PULSADA E OUTRAS INVENÇÕES QUE TAIS! Em 5 anos, gastei cerca de 3.000 € nestes tipos de depilação. Não vou dizer que não resulta nada, os pêlos ficam mais fininhos, demoram mais tempo a crescer, mas ao fim de um certo tempo é como ter atingido o limite, dali não se passa, não se fica mais careca.

Houve mesmo um sítio, a Cellulem Block ("#$%"#%$$"%$%!!!), onde eu aconselho vivamente a nem meterem lá os pés. Sem vergonha na cara, vendem um serviço que sabem não funcionar. Gastei uma fortuna em pacotes que não resultavam mesmo. Ao fim 8/10 dias de uma sessão de laser, os pêlos caem naturalmente e na Cellulem Block isso nunca aconteceu. Não aconteceu comigo nem com pelo menos outras 5 amigas que infelizmente acabei por arratar para lá devido aos preços baixos. É aqui que entra a expressão: o barato sai caro.

Fiquei de tal forma frustrada que fiz uma reclamação, exigi a devolução do dinheiro o que não aconteceu. Devia ter-me barricado naquele espaço e não o fiz. Tive de substituir os valores por pacotes de massagens e produtos de estética. Era isto ou um processo judicial a arrastar-se por anos em tribunal. E eu sou tão estúpida que tive pena das meninas, mas não recomendo a Cellulem Block a ninguém. As próprias massagistas de lá me perguntavam onde tinha começado a fazer a depilação a laser a sério porque não queriam fazer ali. E eu lá tinha eu de passar um papelinho com anotações, às escondidas. Ou seja, as meninas não faziam luz pulsada ali nem com desconto!

Descobri a Phormavida que é a concorrência directa da Clínica do Pêlo, onde usam o mesmo tipo de laser, o alexandrite e é esse que devem procurar. As sessões são sem dúvida mais caras do que as de fotodepilação, luz pulsada e outras coisas que inventam, mas eu nem penso nisso. É irrelevante porque só o laser alexandrite funciona efectivamente.

A diferença entre a Phormavida e a Clínica do Pêlo (além de preços mais baratos) é a forma como tratam o cliente. Imaginem que depilam meia perna de cima. Meia perna é meia perna! Apesar de no site terem os preços discriminados, depois medem a pele a régua e esquadro e cobram cada cêntimetro fora, o que eles chamam de suplemento. Uma coisa é meia perna, outra é anca, outra é virilha, e por aí fora. Gosto pouco desta forma mercenária de tratar os clientes. Na Phormavida, não só não há suplementos, como em áreas mais difíceis, chegam a dizer-me para passar lá umas semanas depois só para darem uns disparos e nunca me cobram nada.

Nas minhas pernas fiz quatro sessões de fotodepilação, depois mudei de centro. Fiz mais três de luz pulsada noutro sítio. Depois decidi experimentar o laser alexandrite. Bastaram duas sessoes e deixei de ter pêlos. Já passou mais de um ano.

Na Phormavida comecei eu e depois espalhei a palavra. Para lá foram entretanto 3 amigas, todas contentes! Ninguém teve um mau resultado. Há quem leve mais duas sessões, menos uma sessão, depende... É diferente de mulher para mulher, mas em todas resultou.

Por esta altura, faço depilação a laser alexandrite uma vez por ano, como manutenção para ver se elimino de vez uns pêlos dispersos de má raça.

Digo sempre o mesmo: vale cada cêntimo!

PS - Para quem tenciona experimentar, envie-me um e-mail. Até há uns tempos quem fosse à Phormavida recomendada por algum cliente antigo tinha direito a desconto nas duas primeiras sessões. O nome aqui não o dou, mas enviem-me um mail para amacadeeva@gmail.com

Boas depilações!

24.3.10

Os homens e as pombas

Tenho uma amiga com um desgosto. E toda a gente sabe que eu respeito muito um coração partido, mas chega a um ponto, em que a ignorância é tal, que é difícil manter a calma. Apetece-me esbofeteá-la até me cansar, tirar o sarro dela, como dizem os brasileiros, gritar em plenos pulmões, mas não posso. Há que manter a calma e disfarçar o nível de irritação, quem sabe visível nos meus olhos raiados de sangue. Sobretudo, há que manter a mesma amizade de sempre.

Eu não o conheço bem, não calhou, o que na verdade é capaz até de ser a sorte dele. Mas lá andaram, ele e ela, muito apaixonados, por bastante tempo e, claro está, até ao momento em que ele decidiu ir à vida dele. O que não passa de apenas uma força de expressão, pois o moço não foi propriamente à vida dele. Ah, como gosto deste tipo de homens!

A rapariga chora, desgasta-se, perde qualquer ponta de alegria na vida e, em vez de fazer o luto, leve o tempo que levar, para poder seguir com a sua vida, não. Ela cultiva o desgosto e o cabr@ao namorisca com outra. É que ele disse que talvez não fosse definitivo... Pode ser que seja apenas uma fase. Ah sim? E vais permitir que ponha e disponha? Mas é que ele disse que ainda havia sentimentos... Ah sim? E acreditas em tudo o que ele diz? Mas ele iria mentir para quê? Ó burra ignorante, porque é homem! Porque os homens só querem desfazer-se de uma mulher quando têm outra garantida, porque não lhe fazes a vida negra, porque não tem o que te apontar e és como as pombas: antes uma na mão do que duas a voar! És o fundo de maneio, a última hipótese! Isso não é gostar, é não querer ficar sozinho!

E os argumentos multiplicam-se, porque ela pediu para irem conversar e ele disse que sim, claro que sim! Eu depois ligo! E já passaram uns três meses. E ela insiste, então não íamos falar? Sim, dá-me só mais umas semanas para tratar disto e daquilo e anda na neve com os amigos, nas putas e no vinho verde. Ah, ele não faria isso, se não quisesse ir conversar dizia logo, argumenta. É claro que faria isso, porque não és má pessoa, estás num fase cega e no fim de contas o que ele quer, além de manter uma certa margem de regresso, não vá o Diabo tecê-las, é não te dizer a mais pura das verdades por duas razões: primeiro porque lhe estragavas os planos, e segundo porque não mereces ser magoada. Chamemos-lhe uma forma de cuidado. Mas se me chateasses como o chateias a ele, eu já tinha enlouquecido!

Eu compreendo a resistência, compreendo ainda mais a dor de um desgosto (oh se compreendo!), e revejo-me em tantas desculpas dadas a quem não merece, tudo porque existe uma necessidade importante de nos iludirmos. Antes isso do que enfrentar a verdade. Vejo-me a mim, não como um espelho por nunca fui tão longe, mas noto o quão burra já fui um dia, tudo para minimizar a dor, para não ter de enfrentar a realidade e viver numa verdade triste que não merecia, ao mesmo tempo que encontrava forças de origem desconhecida a acreditar que todo o amor merece que exista uma luta, na tentativa de regressar aos velhos tempos.

Não vale a pena.
Aprendi da pior forma e por isso tenho de ter paciência com aqueles que ainda não chegaram lá. Mas é tão difícil de suportar, saber que esse estado triste de vida não leva a lado nenhum e mais vale enterrar o morto quanto antes. É difícil saber a verdade e não poder transmiti-la apenas com as palavras, porque a vida é assim mesmo, temos de aprender nós próprios, de cabeça na parede. É difícil conhecer as fases da recuperação de um desgosto e de nada valer a explicação. Chega a ser ridículo, revelador de falta de inteligência, são fases de total ausência de auto-estima. É, aprendi da pior forma, mas, isto é que é importante, aprendi mesmo. E já há muitos anos que se um homem decide deixar de estar comigo, posso sofrer horrores, chorar dia e noite, ficar sem cabelo, mas isso é para mim e para os meus amigos chegados. Aos olhos dos outros sou sempre uma senhora. Nunca corro atrás e opto pelo silêncio sepulcral. Quase como se não me tivesse afectado. É que podem partir-me o coração e nisso não há vergonha nenhuma, mas a dignidade ninguém ma tira. E nunca me arrependi.
Mais tarde, com o tempo e certas casualidades, até consegui ficar amiga de homens que me fizeram mal. Porque já não têm qualquer importância em termos amorosos e, nesse aspecto, não passam de uma pobre memória.

- Não te diz nada a não ser que o contactes. Não diz nada nunca! Passa o Natal, o fim de ano, nada! Demora dias para te devolver uma chamada, responder a um sms ou a um mail, e achas que ele quer estar contigo?

- Não sei. Ele diz que não sabe o que quer, que não se consegue decidir. Foi sempre tão correcto comigo, por que é que agora me iria mentir?

Oh Deus... ajuda este pobre homem que está confuso!

22.3.10

Fun, fun, fun

Gosto de ti, do teu jeito desajeitado, da tua falta de destreza que tem dias que tanto me irrita. De te ver tentar acertar com a comida nos tupperwares sob o meu olhar atento e reprovador, de durante a noite procurares o lóbulo da minha orelha para me acariciares e acabares por me apertar o nariz. De fazeres conchinha à noite, da comichão que te dá o meu cabelo, de te rires com ar de quem anda a tramar alguma, dos teus dentes e dos teus dentes. E do sorriso. E dos teus dentes e de te ver fardado, mas não gosto que sejas bonito. É uma dor de cabeça. Gosto de quando conversamos durante a noite, de luz apagada, quase como se nessas noites nos conhecêssemos um bocadinho mais.

Não gosto que não gostes do IKEA, que tenhas a mania de que o que é barato não presta, mas gosto de todas as vezes que me fazes rir. Gosto do beijinho quando chego a casa, das parcas massagens nos gémeos e consequente delírio. Gosto de ler na cama, de quando deixas a porta da casa de banho aberta e sentado no trono perguntas propositadamente: queres fazer amor?

Gosto de como me fazes rir, de te dizer love you to pieces e da dificuldade que tens em contra-argumentar as minhas afirmações. É que eu gosto de ter razão. Não gosto do Sporting, nem de nada de futebol, mas gosto que me digas que nunca me trocarias pelo teu clube. Gosto de saber que te referes a mim como tua mulher, não gosto das tuas coca-colas seguidas, mas adoro quando me descascas a fruta. Gosto de me sentir apaixonada, das manhãs em que o coração sorri e tudo daria para não ter de sair da cama. Gosto da sensação de Sextas e Sábados, de amanhã ficamos na cama. Gosto que não te importes com o tamanho do meu rabo, ou que finjas não te importar. Gosto de quando desenhas corações nos vidros do duche e gostei daquela vez que deixaste o meu almoço preparado para o dia de trabalho num tupperware. Gosto daquelas vezes em que te deixo de rastos, sem tempo sequer para recuperar o fôlego e de te dizer aqui não há meninos!

Somos assim, porquinhos aos olhos dos outros, tontos, pecadores porque não somos casados, e até estúpidos porque não temos filhos, mas divertimo-nos imenso.

20.3.10

Do you remember? #94



Player - Baby come back - 1977

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

19.3.10

Se me lês, ó estupor...

... que não tratas de colocar sinalização no estacionamento pago, o melhor é rezares a todos os santinhos para que me esqueça de ti. Pois vou rogar-te hemorróidas vitalícias, corrimento peniano e cravos no escroto, também vitalícios, claro.

O princesa-mobil nunca antes tinha sido multado. E não teria acontecido se o comum dos mortais soubesse que estacionar ali, era pago! Para isso, a informação não deve ir de boca em boca. Deve ser sinalizada!

- Desculpe lá, onde está o sinal azul que marca a zona de estacionamento pago?
- Ali ao fundo, menina - e aponta o desbloqueador o dedo lá para o longe.
- Lá ao fundo e nada aqui onde efectivamente se estaciona? Ah, então está bem!




Estou 60€ mais pobre, para um saco azul qualquer. E raivosa, muito raivosa.

17.3.10

Mulheres e automóveis

O homem da Poisoned Apple é do género que gosta de observar como as mulheres conduzem para logo apanhar um pisca esquecido, uma travagem mais brusca e logo dizer que as mulheres são nabiças a conduzir, que não nasceram para aquilo, blá, blá, blá. Eu digo-lhe sempre: é porque fomos ensinadas a conduzir por homens e assim conto ver a questão resolvida.

Ao conduzir, junta-se toda a mecânica envolvida, como mudar um pneu. Diz que as mulheres não sabem. E digo eu, ele que não se queixe que foi por causa de um pneu furado que lhe fiz um telefonema desesperado, numa tarde de verão, no parque de estacionamento da praia, para onde ele seguiu a correr, me convidou para jantar e horas depois estava a dar-me um beijo na boca que hoje nos levou a partilhar o leito. Anyway, eu não sabia mudar um pneu, mas a primeira coisa que lhe disse foi, vai explicando que quero aprender!

Ou seja, as mulheres saberão fazer as coisas se forem ensinadas. Só neste país é que se tira a carta de condução sem saber fazer coisas básicas e necessárias, como mudar um pneu. Mas eu quero sempre aprender e aprendi.

É claro que gosto quando ele sai do carro para colocar a mangueira da gasolina e atestar o depósito ou quando verifica a pressão dos pneus, mas isso é sobretudo porque gosto ser mimada e de poupar as unhas. Eu sei fazer tudo sozinha se for preciso!

Pois bem, a minha amiga Mathryoska tinha uma espuminha na água do limpa-pára-brisas que era um sonho. Eu adorava aquilo e mais tarde, numa incursão ao Continente, comprei a tal espuminha que andou meses no carro sem que a colocasse no devido depósito.

Uma tarde, ao chegar a casa, estacionei a viatura e pensei: é agora! Abri o capot qual dona de garagem entendida, procurei a certeza do depósito para onde tinha de verter aquilo e cá vai alho.

Estranho, muito estranho...

O depósito começou a vomitar espuma e bolas de sabão como nunca vi nos tempos de criança. Alguma coisa não estava bem. Olhei para a embalagem que dizia "1 medida diluída em 1 litro de água".
Camaradas leitores, aquilo era a noite de espuma em Ibiza! Já levava 6 medidas e de água apenas o que já lá estava no depósito que que eu não fazia ideia quanto era.

Olhei para os lados para ter a certeza que ninguém olhava ou se ria de mim. Não gosto e fazer figura de estúpida.

Fechei o capot com o mesmo ar entendido de mecânica e fui para casa com os dedos pretos sem contar nada a ninguém, o que faço aqui agora.
Prontus, já aprendi! O que é preciso é aprender...

15.3.10

Prioridades

Ou regresso ao Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa, apanho sol, bebo sumos maravilhosos, mergulho em águas fantásticas, como picolés, ando de havainas e recarrego energias...
... ou adquiro uma tela, um candeeiro e um tapete para o quarto.



13.3.10

Do you remember? #93


Supertramp - Breakfast in America - 1979

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

12.3.10

Questões pertinentes #23

Pois é, a Poisoned Apple pondera colocar aparelho nos dentes. Tudo vai bem com os dentes do maxilar superior, mas os do inferior, desalinhados, muito me entristecem há muitos anos. Cheguei àquela fase boa da vida em que não me importa o que os outros vão pensar, mas importam-me as consequências de um aparelho fixo, daí este pedido de auxílio. A informação urge!

Claro que homem da Poisoned Apple, ao ouvir tal coisa, além de insistir em que não preciso, proferiu: "que noooojo!!! Vais cheirar mal da boca!!!". O apoio do nosso homem é sempre encantador. Claramente lhe desagrada a ideia, mas eu não pinto um cenário tão negro. Falo com toda a gente e venho aqui repetir algumas questões.

Para quem tem ou teve aparelho nos dentes, quer dar-me opinião? E beijar na boca, faz diferença? E sexo oral? Prevê-se um aparelho de porcelana (transparente que não amarela) para o maxilar superior e um aparelho dos metálicos para o inferior.

10.3.10

Co-sleeping

Longe vão os tempos em que tinha uma caminha só para mim, que guinchava que mais parecia a matança do porco, mas era só minha. Agora durmo numa cama que o meu par, aquando da aquisição, achou que era de casal. Solteiros burros que não sabem que além da mulher tem de caber o rabo dela, as maminhas e as coxas grossas.

Lá fico eu, encolhida a uma canto da cama com 150 cm de largura, medida que ele foi achar que era boa (porque eu ainda não fazia parte da vida dele!). Tortura medieval, logo eu, princesa de sangue azul, que sempre sonhei com uma cama de largura entre os 180 e os 200 cm. Sorte malvada!

Aquela cama lembra-me a Feira Popular, nos tempos em que ainda existia. Não pelos festivais que lá encenamos, mas lembra-me os espaços destinados aos carrinhos de choque. Naquela cama, pratica-se rabinhos de choque. Invariavelmente, lá damos um encontrão com o rabo, a meio da noite, e eu que acordo com um suspiro, maldigo o meu triste destino naquela cama que parece ter encolhido com o uso.

Acresce a esta problemática o facto do homem da Poisoned Apple ser como aquelas crianças que são deitadas para um lado, mas acordam na outra ponta do quarto. O homem devia ir para o circo fazer dinheiro. De cada vez que se mexe dá um salto equivalente a um mergulho olímpico encarpado de três voltas e o mais resistente dos colchões salta. E eu acordo. Cheia de nervos, claro.

À quinquagésima tentativa de adormecer depois de acordar indevidamente, levo um soco ou um pontapé, vou ouvindo todas as histórias que ele tem para contar enquanto dorme e morro de dores nas costas, porque fico sem espaço para me virar, entalada entre o corpo de um homem e os lençóis presos por debaixo do meu corpo. Dos 150 cm que supostamente teríamos disponíveis, a meio da noite o homem vai-se chegando para mim. Podia ser amor, mas não é. É o gato que quer ficar com metade das medidas, ou seja, 75 cm para ele, e nós dividimos outro tanto. Isto é terrorismo.

Esta noite durmo com um garfo debaixo da almofada.

8.3.10

Consultório #21

Sexo. Mulheres, vamos ajudar a XX e deixar-lhe uma ajuda na caixa de comentários!

"Olá Poisoned!

Antes de mais, acho muito estranho falar com alguém de quem nem sei o nome, nem conheço a cara. Sou leitora do blog já há uns tempos valentes, embora não comente. Fico até meio constrangida, mas a comunicação virtual tem destas coisas - facilita. E também não me ocorre mais ninguém a quem pudesse perguntar, por isso, era ganhar coragem ou continuar na ignorância (...)

Sou uma jovem de 28 anos, com experiência sexual relativamente curta e apenas com um parceiro. As amigas com quem tenho mais à-vontade ainda não são muito experientes, pelo que penso que não me poderiam ajudar.

Quando estou com o meu namorado e temos relações sexuais (soa estanho, mas não me surge outra maneira de dizer!) acho que genericamente as coisas funcionam bem. Penso que é satisfatório para ele e para mim também. Consigo atingir o orgasmo, embora nao sei se "exactamente" como é suposto. Ou seja, quando há penetração, por dentro parece que me sinto oca. Não me parece que tenha a ver com as dimensões dele, porque me parecem bastante dentro da normalidade... até com atributos generosos. Questiono-me se terá a ver comigo? Parece que lá dentro nao sinto nada! Atinjo o orgasmo, mas é através de estimulação exterior, se que posso dizer assim.

É aqui que pergunto: é normal? Acontece a todas? Terá a ver com posições? (...)"

Olá XX,

obrigado pela sua mensagem. Não tem nada que ter vergonha!

Acho que nós mulheres somos todas diferentes umas das outras. Também eu não sinto coisas que outras mulheres dizem sentir. Houve um tempo em que me perguntava se seria normal e depois deixei-me disso. Tenho uma vida sexual que me satisfaz perfeitamente, não devo perseguir o que o corpo de outras mulheres lhes proporciona, mas posso sempre explorar o que o meu corpo pode proporcionar de novo ou já conhecido. Somos diferentes, de sensibilidade diferente, eu dormito durante a depilação a laser, às minhas amigas só lhes falta chorar.

Mas não posso deixar de notar numa frase que escreveu: "Penso que é satisfatório para ele e para mim também". Pensa. Não estou a dizer que não sente a certeza, mas sabe de certeza? O que eu quero dizer é que eu tenho a certeza que para mim e para o meu par é satisfatório, pois nós conversamos imenso, não temos tabus, propomos coisas novas, quando não gostamos dizemos, quando gostamos dizemos, conversamos dentro e fora do acto em si e acho que esse diálogo é feito como se estivessemos a pensar. Ou seja, não sinto que guardemos segredos, não há medo de dizer o que se quer, nem medo que a outra parte fique ofendida. Se eu quero que me faça sentir determinada sensação, não é pela omissão no diálogo que vou conseguir!

É óbvio que há dias em que o sexo é melhor, outros não tanto porque está de chuva, porque está frio, porque temos sono, porque estamos cansados do trabalho, há fases de maior e menor actividade e entendo que tudo isso seja normal e natural. O importante é que seja sempre bom, ainda que haja dias em que seja excepcional.

Sobretudo, é importante esclarecer-lhe o seguinte: não existem formas "supostas" de como atingir o orgasmo. Não existe um "assim é que deve ser". A XX atinge como atingir, a fazer o pino, com estimulação clitoriana ou não, com vibradores ou não, seja como for, mais intenso quando o cão ladra ou não, não importa, usa o método que entender. Importa é que se sinta realizada e satisfeita. Pessoalmente, nunca me senti oca, mas há momentos de maior lubrificação em que se pode perder alguma sensibilidade, mas é uma coisa que passa rápido. Se tem a ver com a posição, só a XX me saberá responder: essa sensação muda conforme as posições?

Já tive namorados menos "generosos" e é diferente, claro que é. Essa coisa do tamanho não importa foi inventada por um homem. Mas o diferente não quer dizer que seja mau, não vivi infeliz. Mas parece que a questão da proporção não parece ser o caso do seu namorado, o que me deixa sem saber o que lhe responder, mas queria muito ajudar. Já conversou com o seu médico ginecologista? Pode ajudar a compreender algumas questões. Mais uma vez, não há que ter vergonhas, a conversar é que as pessoas se entendem.

Queria muito poder ser de mais ajuda, mas eu não tenho qualquer formação técnica que a possa ajudar. Aqui só me vale a minha experiência.

Faço-lhe a seguinte sugestão. Colocar o seu texto no blog (...) e aguardar pelos comentários femininos. A maioria será certamente anónimo, mas isso não tem qualquer importância. Continuo a achar que o diálogo entre estranhos é a melhor forma de esclarecer certas questões. São estranhos, não nos devem nada, são isentos e não acredito que uma mulher que tenha as mesmas questões que a XX não a ajude, ainda que não se identificando (...)

E lembre-se sempre, não existem formas correctas de atingir o orgasmo. É a forma que quiser, que a faz feliz, a forma que é sua, mesmo que não seja igual a outras formas que lhe contaram. Homens que dizem "as minhas ex não eram assim" (como já ouvi) ou coisa parecida, são homens burros, egoístas e com muito pouca experiência. Os homens que "sabem muito" sabem da existência da diversidade e, imagine, adoram e não se impressionam com nada! Não há nada como um homem que aceita tudo o que nos dá prazer. É tão libertador! Cada vez que me lembro de namorados com conversa de "isto não se faz"... o tempo que perdi!

E outra coisa: o pior burro é o que não quer aprender! Quando era mais nova também tinha "vergonhas". Com o tempo passei a perguntar tudo, a procurar informação em todo o lado e estar-me nas tintas para o que os homens podiam pensar. Olhe, perdi toda a vergonha na cara!

(...)

A pessoa com quem vivo naturalmente já esteve com outras mulheres de quem foi o não foi namorado, mas disse-me que nunca se tinha entendido sexualmente com alguém como comigo. Ele não diz isso porque eu sou acrobata ou malabarista na cama, não o diz porque faço coisas que outras mulheres não fazem, di-lo exactamente por causa da comunicação, do entendimento que se cria para além dos lençóis e que torna tudo, entre lençóis, muito melhor. Pense nisso.

E disponha!

6.3.10

Do you remember? #92



Time Bandits - Endless Road - 1985

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

5.3.10

Facebook

Não sou a fã número 1 do Facebook, mas gosto de ir lá espreitar pelo menos uma vez por dia, para ver as novidades de amigos com quem estou menos vezes do que gostaria, e ainda as novidades daqueles que vejo pouco porque moram lá para o fim do mundo. Mas sim, tenho página de Facebook, cheia de fotos e só as pode ver quem faz parte da minha rede: os amigos e alguns conhecidos.

Dividida entre duas qualidade de coentros no supermercado, comentei:

- Tu agora é só gajas. Todos os dias adicionas gajas à tua rede.

- O que é que tem? Conheço-as, adicionam-me, tenho de aceitar - disse o homem da Poisoned Apple de sorriso nervoso e a adorar a observação.

- Sobretudo aquela de hoje, a CH.

- Tens ciúmes? - perguntou, desejoso que estivesse já a ponderar cortar os pulsos.

- Não, mas há ali qualquer coisa que não me convence, quase como se tivesse ar de porca, embora não tenha - e passei-lhe o saco das courgettes.

Isto era uma observação que me vinha da alma, sem saber dizer a razão. Muito bonita, com ar nórdico apesar de portuguesa, loira de olhos verdes, t-shirt branca, aparentemente tudo normal, mas não me convencia.

Ele ria. E eu pressionava.

- Não sejas assim, ela é amiga do G., já a conheço há anos... - e continuava a rir nervosamente.

- O que é que tem tanta graça? Alguma coisa que deva saber? - já a encostar o carrinho das compras aos ditos do homem da Poisoned Apple.

- Ó Poisoned... ela é... - olha para os lados para ter a certeza que ninguém esta a ouvir - é stripper..., mas não é suposto saberes, heim?

AHA! Eu sabia que havia qualquer coisa! E ri histericamente pelo corredor do leite. Agora que conheço a verdadeira identidade, até era capaz de virar melhor amiga. Espero vir a conhecê-la, adorava conversar sobre a vida de varão e receber umas dicas. Quem sabe experimentar, eu que até estou a pensar ir até lá! A minha vida pode estar prestes a mudar!

Assina, o olho de lince.

3.3.10

Virou

Eu e o homem da Poisoned Apple há uns tempos e nos Domingos à noite, tínhamos sempre um programa para quando nos deitávamos nessas noite de fim da semana. Aulas de beijos. Isso mesmo. Por muitos Domingos ficámos sentados na cama em longas sessões de namoro, muitos beijos na boca, para mostrar um ao outro o que gostávamos, como gostávamos, em que quantidade e qualidade. Com o tempo e as saídas, esses Domingos foram sendo adiados para podermos chegar tarde a casa no último dia da semana, cair na cama e dormir, que o dia seguinte era de trabalho.

Este Domingo, dia de chuva, dos poucos em que ficámos em casa, e com o Sporting a jogar, lembrei: "nunca mais fomos às aulas de beijos. De hoje não passa". Respondeu que sim, aquele sim para me calar, não fosse uma criatura de nome Ruben Micael (Deus acuda) marcar um golo. Chegámos à cama, fiz as minhas incursões no portátil enquanto ele ligou o dele, achava eu, para ver um ou outro mail, notícias rescaldo da bola, mas deu-me uma travadinha quando percebi que ia jogar uma merd@ de um jogo no qual é treinador da bola. Invariavelmente é treinador do Sporting.

- Vais jogar??! E os beijos???
- Ó gatinha... deixa jogar, amanhã...
- Para que é que jogas, o Sporting perde sempre! Sabe-se sempre o final. É como ver um filme quando já se sabe o fim!
- Ó gatinha... - e fez-me festas nas pernas a ver se me tornava mansa.

E eu vou de desatar aos beijos, com ele a afastar-me como se toda eu fosse uma ferida com pus, olha que é canto!, e o portátil a escorregar da cama, olha que é falta!, e eu a ficar de trombas.

- Não queres beijos na boca?
- Amanhã. Hoje já demos muitos.
- Gay. Viraste gay - e apaguei a luz do meu lado e deitei a cabeça na almofada. De trombas, claro.

Estádio ao rubro como barulho de fundo no quarto. O Sporting a jogar e o homem da Poisoned Apple como treinador, feliz por vencer mais um campeonato da tanga.

- Estás a dormir...?
- Paneleiro!

1.3.10

Protesto

Dou por mim com falta de uma qualquer expressão nas coisas mais banais do dia-a-dia. Se uma pessoa é casada, pode dizer que tratará do transporte de uma cómoda quando o marido ou a mulher chegar de viagem. Se é namorado, poderá dizer não se preocupe, assim que a minha namorada chegar, tratamos disso. Mas e quando se vive em união de facto? É-se namorado o resto da vida? Não faz sentido.

O meu companheiro? Abomino! O meu homem? Só em situações de brincadeira, armada em cigana. Tratá-lo pelo nome também não dá jeito nenhum, pois em situações do dia-a-dia com desconhecidos, sabem lá que é ele!

Acho que vivo em pecado. Tal pecado que nunca ninguém se atreveu a inventar uma expressão saudável, um nome que não soe mal na língua portuguesa para designar cada um dos elementos de um casal deste tipo. Medo português dos infernos? Nem em inglês. Nem em espanhol. Mas porque raio será isto? Acho mal.