Sexo. Mulheres, vamos ajudar a XX e deixar-lhe uma ajuda na caixa de comentários!
"Olá Poisoned!
Antes de mais, acho muito estranho falar com alguém de quem nem sei o nome, nem conheço a cara. Sou leitora do blog já há uns tempos valentes, embora não comente. Fico até meio constrangida, mas a comunicação virtual tem destas coisas - facilita. E também não me ocorre mais ninguém a quem pudesse perguntar, por isso, era ganhar coragem ou continuar na ignorância (...)
Sou uma jovem de 28 anos, com experiência sexual relativamente curta e apenas com um parceiro. As amigas com quem tenho mais à-vontade ainda não são muito experientes, pelo que penso que não me poderiam ajudar.
Quando estou com o meu namorado e temos relações sexuais (soa estanho, mas não me surge outra maneira de dizer!) acho que genericamente as coisas funcionam bem. Penso que é satisfatório para ele e para mim também. Consigo atingir o orgasmo, embora nao sei se "exactamente" como é suposto. Ou seja, quando há penetração, por dentro parece que me sinto oca. Não me parece que tenha a ver com as dimensões dele, porque me parecem bastante dentro da normalidade... até com atributos generosos. Questiono-me se terá a ver comigo? Parece que lá dentro nao sinto nada! Atinjo o orgasmo, mas é através de estimulação exterior, se que posso dizer assim.
É aqui que pergunto: é normal? Acontece a todas? Terá a ver com posições? (...)"
Olá XX,
obrigado pela sua mensagem. Não tem nada que ter vergonha!
Acho que nós mulheres somos todas diferentes umas das outras. Também eu não sinto coisas que outras mulheres dizem sentir. Houve um tempo em que me perguntava se seria normal e depois deixei-me disso. Tenho uma vida sexual que me satisfaz perfeitamente, não devo perseguir o que o corpo de outras mulheres lhes proporciona, mas posso sempre explorar o que o meu corpo pode proporcionar de novo ou já conhecido. Somos diferentes, de sensibilidade diferente, eu dormito durante a depilação a laser, às minhas amigas só lhes falta chorar.
Mas não posso deixar de notar numa frase que escreveu:
"Penso que é satisfatório para ele e para mim também". Pensa. Não estou a dizer que não sente a certeza, mas sabe de certeza? O que eu quero dizer é que eu tenho a certeza que para mim e para o meu par é satisfatório, pois nós conversamos imenso, não temos tabus, propomos coisas novas, quando não gostamos dizemos, quando gostamos dizemos, conversamos dentro e fora do acto em si e acho que esse diálogo é feito como se estivessemos a pensar. Ou seja, não sinto que guardemos segredos, não há medo de dizer o que se quer, nem medo que a outra parte fique ofendida. Se eu quero que me faça sentir determinada sensação, não é pela omissão no diálogo que vou conseguir!
É óbvio que há dias em que o sexo é melhor, outros não tanto porque está de chuva, porque está frio, porque temos sono, porque estamos cansados do trabalho, há fases de maior e menor actividade e entendo que tudo isso seja normal e natural. O importante é que seja sempre bom, ainda que haja dias em que seja excepcional.
Sobretudo, é importante esclarecer-lhe o seguinte: não existem formas
"supostas" de como atingir o orgasmo. Não existe um "assim é que deve ser". A XX atinge como atingir, a fazer o pino, com estimulação clitoriana ou não, com vibradores ou não, seja como for, mais intenso quando o cão ladra ou não, não importa, usa o método que entender. Importa é que se sinta realizada e satisfeita. Pessoalmente, nunca me senti oca, mas há momentos de maior lubrificação em que se pode perder alguma sensibilidade, mas é uma coisa que passa rápido. Se tem a ver com a posição, só a XX me saberá responder: essa sensação muda conforme as posições?
Já tive namorados menos "generosos" e é diferente, claro que é. Essa coisa do tamanho não importa foi inventada por um homem. Mas o diferente não quer dizer que seja mau, não vivi infeliz. Mas parece que a questão da proporção não parece ser o caso do seu namorado, o que me deixa sem saber o que lhe responder, mas queria muito ajudar. Já conversou com o seu médico ginecologista? Pode ajudar a compreender algumas questões. Mais uma vez, não há que ter vergonhas, a conversar é que as pessoas se entendem.
Queria muito poder ser de mais ajuda, mas eu não tenho qualquer formação técnica que a possa ajudar. Aqui só me vale a minha experiência.
Faço-lhe a seguinte sugestão. Colocar o seu texto no blog (...) e aguardar pelos comentários femininos. A maioria será certamente anónimo, mas isso não tem qualquer importância. Continuo a achar que o diálogo entre estranhos é a melhor forma de esclarecer certas questões. São estranhos, não nos devem nada, são isentos e não acredito que uma mulher que tenha as mesmas questões que a XX não a ajude, ainda que não se identificando (...)
E lembre-se sempre, não existem formas correctas de atingir o orgasmo. É a forma que quiser, que a faz feliz, a forma que é sua, mesmo que não seja igual a outras formas que lhe contaram. Homens que dizem
"as minhas ex não eram assim" (como já ouvi) ou coisa parecida, são homens burros, egoístas e com muito pouca experiência. Os homens que "sabem muito" sabem da existência da diversidade e, imagine, adoram e não se impressionam com nada! Não há nada como um homem que aceita tudo o que nos dá prazer. É tão libertador! Cada vez que me lembro de namorados com conversa de
"isto não se faz"... o tempo que perdi!
E outra coisa: o pior burro é o que não quer aprender! Quando era mais nova também tinha "vergonhas". Com o tempo passei a perguntar tudo, a procurar informação em todo o lado e estar-me nas tintas para o que os homens podiam pensar. Olhe, perdi toda a vergonha na cara!
(...)
A pessoa com quem vivo naturalmente já esteve com outras mulheres de quem foi o não foi namorado, mas disse-me que nunca se tinha entendido sexualmente com alguém como comigo. Ele não diz isso porque eu sou acrobata ou malabarista na cama, não o diz porque faço coisas que outras mulheres não fazem, di-lo exactamente por causa da comunicação, do entendimento que se cria para além dos lençóis e que torna tudo, entre lençóis, muito melhor. Pense nisso.
E disponha!