Com eles e com a distância, vai-se também, e inevitavelmente, alguma proximidade. Os anos passam, somos amigos na mesma, mas já não é a mesma coisa. Já não existe o contacto imediato para contar a última novidade, já não se fazem malas para voar para longe onde já se foi mais do que uma vez, deixa de fazer sentido contactar só para contar isto e aquilo e, no fim de contas, devagarinho e sem que se dê por isso, instala-se mais do que a distância geográfica. Somos todos amigos, apenas já não é a mesma coisa. E depois há os que partem para tão longe, os que ficam tanto tempo que, quando voltam, por vezes, até se esgota o assunto em três tempos. E em mim, a distância dá lugar à tristeza, porque são cada vez mais.
A Ritinha partiu, desejámos o melhor do mundo, vingou, descobriu o amor, recebeu um anel de noivado, e temos perfeita consciência de que o Tim a vai levar pelo mundo fora, feliz, mas nunca mais vai voltar.
Mais uma das minhas melhores amigas vai partir e, provavelmente, faltar ao casamento da Rita. Não vai ser a mesma coisa. Fiz figas para que conseguisse o novo trabalho e resultou. Desejo a maior sorte do mundo ao novo desfio, tenho a certeza que se vai safar lindamente, está ansiosa, não tem dúvidas, mas a mudança de vida deixa-lhe o coração apertado. Depois dos parabéns e do contacto efusivo, desliguei, olhei para o chão e sussurei: estou a ficar sem amigas. Entretanto, ela consola-se com quem já fez o mesmo e dita a sua opinião: daqui a um ano, está tudo na mesma. Lisboa tem apenas mais uma rotunda.
Percebo o coração apertado, o medo do desconhecido, mas a tristeza é maior para quem fica do que para quem parte. Já quase não tenho amigas à distância de uma curta viagem de carro, nem passando por uma dessas rotundas que há-de ser construída devagar, devagarinho, no país que se habitua a ver a minha geração desertar. Fico cá, à espera de ser bafejada com a sorte de um emprego que me entusiasme, continuarei a fazer contas aos fusos horários, a teclar cada vez mais, a perguntar as datas de visita ao país que as deixou sem nada para fazer e a encomendar botas Hunter, carregamentos de Clinique e outros artigos que este país não oferece em conta. E claro, a dar as boas novas de mais uma rotunda depois de 15 anos em obras.
6 caroço(s):
Vim há um mês, de armas e bagagens viver para outro país.
Ainda não tinha pensado na perspectiva dos que ficam. O nosso lado mais egoísta, faz-nos pensar em nós próprios, que vamos e ficamos longe não de um, mas de todos os amigos.
É bom conhecer o outro lado.
E cada vez vai ser pior.
Eu fui-me apercebendo ao longo dos tempos que as pessoas vão e raramente voltam...
Quando voltam é tudo diferente! As pessoas com quem tinhamos mais cumplicidade já não entendem as nossas piadas, já não entendem os olhares de antes.
Ao início toda a gente faz um esforço enorme para fazer parte da vida uns dos outros, mas pouco a pouco a coisa vai-se desvanecendo...
Sendo que isso tudo verdade também não é mentira que o retorno à normalidade caso os amigos voltem, é rápido e não deixa margem para dúvidas. A cola invisível que vos juntou no passado voltará a funcionar se lhe for dada oportunidade no futuro.
A quem o dizes, Maçã... Fui eu a que saiu de Portugal e estou muito contente por o ter feito. Não desejo voltar a não ser de férias. Mas os amigos ficaram lá... e a mãe e os avós e irmãos :(
E qual é o destino? :)
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