Há umas semanas, tive de ir a um velório de uma pessoa que nunca conheci. O pai de um amigo meu, o A., partiu mais cedo do que era suposto e nós, os amigos, juntámo-nos para dar um beijinho e um abraço. Nestas situações, nunca sei o que dizer, por isso opto sempre por dizer isso mesmo: não sei o que dizer. E mostro-me presente, amiga, disponível para o que for preciso, na esperança que isso baste e não me deixe em falta.
Mas o que é que dizem os estúpidos e os nervosos nestas situações? Disparates.
Quando cheguei ao velório, a cara do meu amigo deixou-me de coração partido. Nada que não esperasse. Para aliviar a tensão no ar, falou-se de cinema, de um filme qualquer, ao que eu respondi:
- Vai ver! É de morrer a rir!
Merda.
Pensamento Poisoned Apple: Por que é que eu disse isto??! De morrer a rir? Não podia apenas antes ter dito que era hilariante? Estúpida! Estúpida!
Sorriso amarelo. Segundos passam, a coisa aligeira e espero que ninguém tenha constatado a minha infeliz escolha de palavras.
Até que chega o M., cheio de boa disposição para animar o A., brincalhão do costume, mas ganhando com isso o prémio O Inconveniente 2010.
O A., com calor, tirou o sobretudo afim de remover a camisola e passou-o para os braços do M. para que o ajudasse.
- Segura aí no casaco
- Não seguro nada! Sou teu pai ou quê???!
Silêncio.
Agarrem-me que eu caio para o lado.
Neste momento pensa-se: sabemos que não disse por mal, mas vamos-lhe aos cornos ou não?
O A., sofrido, fez de conta. Nós também, mas esta cena não me sai da cabeça. Espero ao menos que o A. tenha sentido o nosso apoio e estima e ainda a noção de que não lhe faltaremos, ainda que se digam disparates.
9 caroço(s):
Realmente todos passámos por situações constrangedoras desse género...
Mas para mim a que está no pódio é sem dúvida a que se passou com um amigo meu... Também tinha falecido a mãe de um outro amigo e a certa altura do velório, o filho da senhora que tinha morrido afastou-se e ficou algum tempo pensativo a um canto... Ora, o que é que esse outro meu amigo achou por bem regurgitar?? Então, vá anda lá para aqui... Estás a pensar na morte da bezerra ou quê?? Et voilá... Acho que não há mais nada a dizer... :)
Ah!!! Gosto imenso do seu blog!! beijinhos
os velórios são momentos tão constrangedores que a pessoa nem sabe bem o que dizer. e os nervos podem estragar tudo!
uma vez, no velório da avó de uma amiga minha, não conseguia parar de rir. mas não era por mal.
Acho que ninguém leva isso a mal. São expressões, fazem parte da nossa vida. Na verdade, acho que esses momentos constrangedores, acabam por ser reconfortantes, porque as pessoas continuam a agir de modo "normal" connosco.
Regista que o uso de "Nem o pai morre nem a gente almoça" também já foi utilizado em situação semelhante.
Eu quando era pequena, vá doze anos por aí tive um ataque de riso num cemitério com o meu irmão. No dia de todos os santos quando se faz a voltinha pelos cemitérios... Não sou cristã, não digo que não respeite toda a situação de se visitar a campa mas não é para mim... E com o nervosismo olhei para o meu irmão e ele também nervoso, deu em risada (não sonora, foi contida) mas não somos nada dados a ritual de beijar a foto da campa e etc. Uma urna em casa não me soa mórbido e é o que prefiro. Ri-me com essas observações que foram ditas no velório e outras que li dos comentadores. Expressões que saiem e só posso esperar que quem as ouça não leve a mal.
Ai, ai...essa do "morrer a rir" deixou-me a rir:) O problema dos funeráis é que nunca sabemos o que dizer quando vemos a/as pessoas mais próximas do falecido. Temos sempre medo de ser inconvenientes, e ás vezes, numa tentativa de sermos afáveis, corre-nos da pior maneira :s
ahaha acontece-me imenso situações destas, parece que não tnh filtro entre o cérebro e a boca.
Deixa estar... a mim já me aconteceu depois do funeral da minha avó... estávamos a almoçar e eu estava tão a leste que me viro no meio de uma conversa qualquer..." À não faz mal, hoje é dia de festa"... sim foi extremamente mau, a minha prima para disfarçar ainda tentou pôr paninhos quentes dizendo "festa à mesa..."... eu não sabia mesmo onde me enfiar...
D.F.
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