Encontrou-me um amigo de quem gosto muito, com quem estou muito poucas vezes, e perguntou logo a matar: já casaste? E eu ri à pergunta que ele naturalmente sabia resposta.
Todos os amigos sabem que tenho muitas reservas em relação ao casamento. Estas questões não são iguais para todos, e ainda bem, mas ninguém me tira da cabeça que o casamento é o princípio do fim. Diz-se que não muda nada, que é só um papel, opinião que também partilhava, mas com o tempo percebi que realmente muda. Muda muita coisa. Dá-se a união por garantida, as pessoas relaxam-se, não se faz o mesmo esforço que num namoro, a paciência diminui e o tempo trata de enfraquecer o que antes não era fraco.
Se isto pode acontecer na mesma quando as pessoas não são casadas? Pode. Se isto é intencional? Não me parece, mas não tenho dúvidas que é o que acontece na maior parte das separações. Depois do relaxar, do encolher os ombros, do há-de passar-lhe quando toca um alarme ao qual não apeteceu dar a devida atenção , do não estou para me chatear, depois das atitudes que se têm quando se sente que o risco é baixo porque se está casado, vem o desencanto. E depois disso não vale a pena discorrer que já se conhece o caminho.
Tenho uma visão muito romântica do dia do casamento, acho tudo lindo, adorava ser a noiva por um dia, se no dia seguinte tudo fosse igual. Mas eu não acredito que seja. Gozam-me os amigos que desesperam por mais uma festa de casamento que esta bandeira é por mim hasteada com firmeza para fazer género, outros dizem que eu estou é doidinha para casar. É um diz que disse, todos têm um palpite para dar. Palpites há muitos, mas pensar que aquilo que digo possa realmente ser o que acredito e não uma verdade-falsa que esconde qualquer coisa por debaixo, nem pensar. Acho que só o Poisoned Apple Man compreende e partilha. Menos mal.
Um destes dias, no tempo de um semáforo, o homem deu-me a mão e disse um dia peço-te em casamento. Devo ser a única mulher a quem uma informação destas provocou o pensamento: sim, mas por favor que demore muito! Não é que não queira. Quero, mas mais tarde, aos 40. Ou aos 50. Quero ter os pés assentes na terra, não me quero deslumbrar, quero ter a certeza que tenho maturidade para o fazer. E não me importo de casar com cabelos brancos, para tristeza de muitas amigas.
Um dia destes, criou-se uma confusão de roda de um vestido branco. Uma amiga achou que estava para casar, desatou aos gritos, estava pronta a marcar na agenda, quando tive de explicar que não vale a pena andarem obcecados por isso. Não estamos para aí virados. O sogro pede por favor, filhos ilegítimos não, e já fomos pressionados de tal forma que saí de um jantar fininha como uma folha de papel. Depois, os mais fanáticos, dizem que é pecado, com jeito de deviam fazer o favor para os que acreditam ficarem mais descansados. No que respeita a "favores", nem quero entrar por aqui.
Bem, respondo o do costume: ninguém me tira da cabeça que o casamento é o princípio do fim. E também ninguém me diz que isto não é verdade. Dizem que é um exagero, que não é bem assim, gaguejam, mas ninguém me dá um bom argumento que mude a minha opinião. Os que vêem isto como estupidez da minha parte, tenho pena que não percebam que não levo estas coisas com leviandade, nem com um optimismo que afastará males como um dente de alho no bolso afastará vampiros: há-de correr bem! E os que pensam ela não gosta é dele, é exactamente pelo inverso que não quero casar.
E voltando ao encontro, para meu espanto, o meu amigo casado em 2008 debaixo dos meus olhos, com seis ou sete anos de namoro e uma filha de cinco anos, veio concordar comigo. Estou a sofrer dos males que temes. E eu engoli em seco.
Aquilo que antes era natural, depois do casamento deixou de o ser. A futura ex-mulher sentiu-se presa e revelou-se uma falta de maturidade para um passo que aceitou e quis dar. Aquilo que antes era natural, a sensação de obrigação estragou tudo o resto.
É claro que isto não é igual para todos, nem os motivos são os mesmos, mas eu coloco-me em causa. Eu não sei se teria maturidade para casar. Menos sei se o Poisoned Apple Man teria essa maturidade. E prefiro dizer a verdade do que fazer um investimento de risco, arrepender-me e, pior, pensar que foi aquele passo que parece não ter tanta importância e não mudar nada que estragou tudo.
Sim, quem sabe, quando tiver cabelos brancos e maminhas caídas. Aí saberei mesmo que gosta de mim e talvez seja já mais "crescida". Esta pressão é que não.
16 caroço(s):
Não vou dizer que é o princípio do fim, mas sinto que tanto eu como o meu marido estamos totalmente relaxados na relação. Dolce fare niente...e é péssimo.
Há casos e casos, mas aqui está um bom ponto para uma dissertaçao interessante. Com um pouco mais de tempo voltarei para dar a minha opiniao.
Concordo! Também me pressionam para casar e passo-me com isso! Para mim o casamento é fachada porque, a meu ver, é impossível manter a chama acessa para todo o sempre. Como é que nos vamos comprometer para toda a vida quando o amor é a coisa mais irracional que existe?
eu sou suspeita Maçã.... mas ainda assim te digo que quando vivido com maturidade e depois de terem passado por nós algumas etapas importantes de vida que nos ajudam a clarificar que mais vale só que mal acompanhado... o casamento com quem finalmente se ama mesmo e se quer envelhecer passa a fazer todo o sentido. é um dia muito vivido e sentido e a tal festa de casamento terá de ser mais do que uma festa, deverá ser antes de tudo mais uma celebração dos dois entre os dois, sem favores como tu mesma dizes e com a maturidade intrinseca a um passo tão importante.
Eu concordo contigo. porque não casar aos 40 e aos 50 anos? tambem pode ser antes desde que sintas que tudo está reunido para tal.
O importante é ser feliz e fazer o outro feliz. Casar não é algo que tem necessáriamente que acontecer para serem felizes...mas que é bom lá isso é :)
Tenho mais anos de casamento do que tive de namoro com o meu marido. E não me arrependo/ponho em causa a decisão nem por um segundo!
Cada caso é um caso e, no meu caso em particular, ele é "o" meu homem.
Depois de namoros falhados, casos com homens casados e todas as loucuras amorosas possíveis, aprende-se a não facilitar quando se encontra algo de bom (de muito bom).
O casamento não faz mal. Mal faz quem casa e se acomoda. Mas quem vive junto também acaba por se acomodar...
O casamento não é de todo uma fachada e de facto ter um papel assinado muda tudo. Porque? Porque mais que se negue, o papel implica responsabilidade, "obrigação". Conheço inumeros casos em que viveram juntos anos e quando assinaram o papel, pouco tempo sobreviveram. Foi culpa do papel? Não!O papel so provou que algo não funcionava bem e com, talvez, a pressão desse mesmo, desmoronou mais cedo.
O papel faz mudar, porque as pessoas mudam. Namorei 6 anos e tou casada há 6. O casamento ainda melhorou mais a relação. Tá mais interessante que o namoro, simplesmente porque nos amamos realmente e há respeito...nunca metemos o carro à frente dos bois, e há diariamente conquista.
Casamo-nos porque queriamos viver juntos, estar um com o outro. Não porque sim, nem porque "quero ser mãe/pai" ou outras desculpas. Ainda não temos crianças, por exemplo. Queremos, mas não sentimos falta...completamo-nos e isso sim é o segredo de uma relação.AS almas gémeas existem, demoram a encontrar-se, talvez...só não temos de ter medo e entregar-nos - não fisica - mas emocionalmente a alguém.
Olá Maçã,
Gosto muito do teu blog, quase sempre me divirto quando cá venho, e na maioria das vezes aprendo qualquer coisa.
Também eu adoro dissertar sobre os temas, e o tema casamento para mim enquanto debate é quase uma mania.
Namorei quase seis anos, e estou casada à quase cinco e da minha experiência pessoal só posso dizer que de facto o casamento mudou absolutamente tudo.
Primeiro porque nunca tínhamos morado juntos antes de casarmos e depois, porque as rotinas diárias de uma vivência em conjunto testaram à exaustão o nosso amor.
No entanto à alguns pontos que gostaria de esclarecer, relativamente ao meu “comprometimento”, eu absolutamente não me comprometi para toda a vida numa relação, na altura em que disse sim, comprometi-me a minha vida, em fazer tudo para amar ainda mais, aquele homem, em fazer tudo para continuar um relacionamento honesto, sincero, mas sobretudo feliz.
Passados quase onze anos de ter dado o meu primeiro beijo (note-se que sim, o meu marido, foi e é o único homem da minha vida) continuo com um namoro, um casamento, um relacionamento, autentico, cheio de paixão, tesão e tudo mais o resto, mas também muito cheio de carinho, de compreensão, e de um bebé lindo que é o nosso pequeno niquinho.
Enquanto não tivemos filhos e não tivemos horários mais rígidos era mais fácil, “cuidarmos” do nosso casamento, mas com crianças, apesar de mais difícil é uma tarefa completamente concretizável, exige obviamente que exige o mesmo que quando não se te filhos, ou quando não se é casado e mora-se junto, ou o quando apenas se namora e está cada um em sua casa, exige a necessidade de ver o outro feliz, porque assim somos felizes, afinal acima de tudo está esse sentimento tão complexo que é o amor.
Toda a gente concorda que o respeito, e a compreensão são fundamentais num relacionamento, mas o problema está na definição que cada um lhes dá, para mim o respeito mutuo, implica que nenhum dos dois se anule, no seus sentimentos, objectivos e motivações mas que ao mesmo tempo seja capaz de ceder nos momentos os sentimentos, objectivos e motivações de ambos entrem em conflito, e para isso é preciso compreensão, no outro e em si próprio.
Claro está que tudo isto é muito bonito, mas o sexo é fundamental, a tal chama que todos falam, então nada de esquecer noites de loucura e jantares, e fim-de-semana.
Posto tudo isto e só para terminar, nada de maturidade, eu casei com 23 anos (nada de dizerem que eu não sabia o que fazia, acreditem já ouvi isso mais de 100 mil vezes) era e sou, super nova, e já tive discussões de meia-noite com o mais-que-tudo, mas no fim, somos incapazes de nos deitarmos sem estar tudo esclarecido, nem que seja debaixo dos lençóis.
Posso não ter certezas de nada nesta vida, posso não ter certezas no futuro, quem as tem? Posso não saber o nosso amor vai acabar, mas tenho a certeza de uma coisa, hoje amamo-nos, e fazemos tudo para cultivar esse amor.
Epá estiquei-em um bocadinho no coment anterior!!!
As minhas desculpas.
Até que tens razão no teu texto. MAs como dizes, há excepções e ainda bem que eu sou uma delas, no que respeita ao amor. O que ponho em causa é ter decidido aumentar a família. É muito difícil educar nos dias de hoje, mas tb um desafio. Se corre bem, tudo bem; se corre mal, uma desgraça. No meu caso se não fosse a força da nossa relação, já há muito que a familia estava em separação.
E, acredita, não foi o ter casado ou não. Se estivessemos apenas juntos, com os problemas dos filhos que estamos a passar, de certeza que era a mesma coisa. Não houve em nós a influência da assinatura do papel. E já lá vão 19 anos.
jinhos e Felicidades para vocês.
eu acho que não tem nada a ver. se namorares durante 10 anos achas que é por não seres casada que não vai haver comodismo? e se fores feliz no teu namoro é por te casares que vai ser o principio do fim? por favor... acho que o amor fortalece as relações (se estas já forem fortes o bastante, claro),
http://lovequotesrus.tumblr.com/post/1600049436/photo-courtesy-bluquote
Achei que esta imagem vai um pouco ao encontro do tema...
Na minha opinião estar casada e viver junta é mais/menos a mesma coisa. Tanto no casamento como para quem vive junta ao fim de algum tempo ambos podem ficar acomodados. Acho até que quando se vive junta e não se está bem é mais fácil sair porta fora.
Conheço casais que depois de casados a relação foi por água abaixo. Mas penso que isso acontece mais por uma questão de mentalidade do que outra coisa. Isso depende com que expectativas se vai para o casamento, se pensarmos que mesmo no casamento nada está garantido continuamos a investir na relação, a lutar, não nos desmazelamos, não nos acomodamos.
Na minha opinião, é a forma como encaramos as coisas que ditam o sucesso delas.
Tenho amigas que namoraram durante 5 e outra 7 anos e faziam vida de casados. Esses problemas que descreves aconteceu exactamente com elas e elas não estavam casadas. A comodidade de já não terem que agradar o outro e de ter o outro por garantido. Acho que não é o facto de ser o casamento que mude qualquer coisa, é uma questão de atitude! Achar que já não é preciso lutar...
Não acredito que o casamento seja o principio do fim, acredito que o principio do fim dá-se se em algum momento nos acomodarmos. Se a maçã se casasse isso iria mudar de alguma forma? Ao ler o seu texto parece que viver junto significa conquista eterna e casamento desleixo. Não será uma falsa questão sua? Parece-me que há outra questão de fundo para além daquela que nos apresenta.
O seu amor e o seu respeito deve ser igual a quando namora e a ideia de que ninguem é de ninguém também. Acho que se o casamento significa dizer e assumir perante toda a sua familía e amigos que ama essa pessoa em que medida isso poderia ser o fim? Talvez o fim de uma era, talvez tenha que enterrar os seus medos para que comece a ver o casamento com outra ideia.
Isso é uma supertição que tem, tão ilógica como as supertições do número 13 e por assim adiante.
Ainda vou lê-la a dizer que vai casar, e não acredito que tenha que esperar 20 anos para ler isso. ;)
Maria João
Nao será isso uma superstição sua, Maçã?
Agora, assim como vc, quero me casar bem tarde. Mas por outros motivos...
Abraços*
Acredito no casamento e tenho uma visão completamente diferente da tua, mas admiro profundamente essa honestidade com que assumes a tua posição. Vi tanto casamento "só porque sim", pelos motivos mais errados (com filhos igualmente por motivos errados, criando ciclos de infelicidade que parecem não ter fim)...
Yashmeen
Namorei 6 anos e estou casada há 9! e foi a melhor decisão que tomei na vida, acredita! E quando se sente isto é maravilhoso. Tenho um companheiraço, todos os dias rimos que nem uns miúdos loucos, abraçamo-nos beijama-nos, e um dia ou outro lá brigamos ( por coisas tontas quase sempre), mas faz parte! ah também me pede para re-casarmos outra vez ;)... O papel passado não muda assim tanto a rotina de um casal, se o casamento segue essa estrada é pq não havia outra hipotese. Normalmente quem não acredita no casamento tem como exemplos do não sucesso o caso dos pais. é o teu caso?
Bjinhos e ser feliz é que é o importante, casado ou não!
a.isa
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