Quem me conhece sabe que não tenho nenhum clube de futebol que me toque na alma e sabe, muito mais, que eu odeio futebol, a forma selvagem como a maioria das pessoas se comporta e a gritaria irracional que nasce fruto de um macaco meter uma bola numa baliza. Ódios viscerais à parte, eu não percebo nada de futebol. Durante a maior parte da minha vida achei que um "fora de jogo" era quando a bola saía do campo e isso é quanto baste para ilustrar a coisa.
Não só não gosto de bola como fico irada ao ver que essa porcaria é capaz de abrir telejornais, mas se quero ver as notícias, tenho de aturar. E vai para mais de um mês que oiço falar de um tal Queiroz que parece ser o seleccionador de Portugal. É todo um "sururu", não se fala noutra coisa e até oiço o Poisoned Apple Man discutir a temática ao telefone com os seus compadres. Mas afinal o que se passa? E lá me explicaram a coisa de forma a que pudesse entender, como se tivesse seis anos.
Pipis há muitos? Há, pois há! Mas toda a gente educada sabe que entre marido e mulher não se mete a colher, que não se põe o dedo em pipi alheio e toda uma série de provérbios que recomendam cautela no que respeita a pipis. O Queiroz não quis saber, deve ser criatura cheia de ele próprio, que pode com tudo e todos e dizer qualquer coisa sobre qualquer pipi que permanecerá intocado. Agora, veio uma suspensão de seis meses que dizem ser sobre outras coisas, mas toda a gente sabe que é por causa daquele pipi.
Um pipi no meio de tantos ainda lhe vai custar o emprego.
Pipis à parte, ninguém tem coragem de falar nos que na bola andam sem bolas, que é como quem diz sem huevos, cojones, tomates ou - à portuguesa - sem os belos dos colhões. Então andaram a enrolar o homem em vez de o despedir imediatamente, dedicaram-se a pôr panhinhos quentes, deixar tomar conta da selecção no decorrer do Mundial e depois quando volta é que é o "ai Jesus"? Se eu mexer no pipi da mãe do meu director o mais provável é ficar desempregada de imediato. Mas como não convinha e nem havia colhões, vai de esquecer momentaneamente o pipi da mãe do manda-chuva e depois das festividades honra-se o pipi da senhora. De forma enrolada para não ser paga uma choruda indemnização. Lá está, a outra origem de problemas de que a minha avô falava: o dinheiro.
Em suma, entre falta de colhões e mexer em pipis que não chamaram ninguém deu neste 31. E tudo começou por causa de um singelo pipi. Os telejornais abrem com notícias por causa de um pipi e corre tinta na imprensa escrita também por causa de um pipi.
Devia explorar melhor os poderes do meu pipi, que também tenho um.
3 caroço(s):
Os pipis têm muitos poderes.
O texto está excelente... uma perspectiva bastante engraçada do caso Queiroz :)
Beijinhos
Há pipis que fazem correr muita tinta. Parabéns pelo texto!
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