Da I. agarrada a um balde de praia, de lágrimas nos olhos da humilhação, do cheiro insuportável, uma situação inevitável, o carinho e atenção que me foi possível dar e as toalhitas que ia passando. Lembro das fraldas que mudei, dos orifícios besuntados com Halibut, das caganeiras dos meus primos, e dos vomitados cheios nas mãos em forma de concha em viagens para o Algarve. Do senhor para onde corri à velocidade da luz, agarrado ao peito, nu numa sala cheia de gente, do eco da família ele vai ficar bem?, e do jacto de urina que se perdia no ar. Vítimas de acidente de viação com erecções não é tesão, é lesão medular e há quem tenha de ver um desconhecido nesses preparos. E também lembro do que se atirou da janela, por amor, ou por um amor destroçado, que sem ténis era capaz de matar uma equipa inteira tal era o cheiro. E dos genitais desconhecidos virados para mim, cheios de pêlos, os lábios vaginais que afastei para ver se a cabeça de um bebé estava para chegar ou não.
Ai que nojo!, ninguém quer dizer? Ainda tenho a versão ai que vergonha!, para quem quiser agarrar.
Para mim os vomitados, os rabos, os cocós, os gases e os orifícios têm a importância que cada um lhes quiser dar. E para mim tem tanta importância como tudo o resto que faz parte de nós. Assim como um bracinho.
18 caroço(s):
Vinha aqui só porque ontem vi nao sei onde alguém a gozar com o teu post anterior, que achei tao engraçado, mas vejo que já puseste tudo no lugar.
Às vezes penso como é possível que esta gente tenha uma vida sexual activa e um dia pense ter filhos se ainda etá na fase do "Aaaahhh, cocó"...
PS:Depois de ir ler os comentários - Adoro as pessoas que querem definir o grau de intimidade adequado aos blogues dos outros (??!!)
Pronto, tens razão. Os outros é que são estranhos.
Hm, apesar de tudo, acho que não foi muito boa ideia ler este post enquando almoçava.
Sabes que isso não me faz diferença nenhuma?
É daquelas coisas que me assustam ao primeiro segundo, mas no segundo seguinte já estão assumidas dentro de mim e tornam-se em coisas tão naturais como beber água.
O meu namorado faz tanatopraxias e eu adoro ouvi-lo a contar como é que se faz.São coisas que tenho curiosidade em experimentar.
Mas ao mesmo tempo consigo desmaiar quando vejo alguém a esfolar um coelho e não sou capaz de ver touradas.
beijinhos*
A mim, tudo o que escreves-te, causa-me medo. Medo daquilo que nao podemos controlar. De resto, é perfeitamente normal. Acho, que é das coisas mais normais na vida de uma pessoa.
Já faltava um pouco de humor escatológico neste blog. Numa destas tardes, dormitava no sofá com uns calções mínimos, perdida entre o sono e a realidade, o Poisoned Apple Man desceu de andar para me deixar um beijo na barriga quando… já era tarde demais!
Tinha acabado de dar um peidinho inocente, coisa de criança, que o homem veio a engolir. Ainda dei um grito, mas não o parei a tempo. E ficou preso no andar de baixo, agarrado ao peito e à garganta, com olhos de enforcado e emitindo sons dignos de um gato que deseja regurgitar um bola de pêlo. No meio daquele sons, consegui ouvir um sumido:
- … engoli um pum…!
Claro que comecei a rir histericamente, mas para ele parecia não ter graça nenhuma. Proferiu umas ameaças quaisquer e o assunto ficou esquecido.
À noite, saímos para jantar. Já ia a entrar no elevador quando ele percebeu que se tinha esquecido da carteira. Voltou atrás para a ir buscar e, eu, que estava sozinha (notem que estava sozinha!), dei mais um pum no elevador. Convenhamos que, do ponto de vista intestinal, estava a ser um dia muito difícil para mim. Ele regressou:
- F#$%&!!! Já me viste este cheiro? Havia necessidade de ir a levar com este cheiro até à garagem?
Caríssimo leitor, eu nem conseguia falar de tanto rir. Não é o peidinho que tem graça, é a expressão do Poisoned Apple Man. Lá chegámos ao carro, abriu as janelas e disse que estava proibida de me peidar sem o avisar. Censura. Acho inadmissível.
Quando regressámos a casa, ia a entrar no elevador, mas fui empurrada. A vingança tinha chegado!
- Agora vais ver!!!
Abriu as pernas, agachou-se uns poucos graus, equilibrou-se encostando as palmas das mãos às paredes do elevador e foi vê-lo rodar a anca o mais que podia.
- Cheeeeeeira! Agora vais cheiraaaaaaaar!
Aquele movimento circular de anca era digno de travesti. E era nauseabundo. Ali estava eu numa digna câmara de gás nazi. Pedi a Deus que fizesse subir seis andares o mais depressa possível, virada para um canto do elevador em apneia.
Eu não merecia.
É verdade, nessas situações o pudor não tem lugar.
Quando me vi, deitada numa cama de hospital, vestida com uma bata que deixava à mostra quase todo o corpo, "presa" à cama, aos fios e máquinas necessárias e precisei de usar a arrastadeira, passou-me a vergonha e o pudor. Teve que ser. E depois, quando já me levantava e não chegava a tempo à casa de banho, porque os passos não acompanhavam a força dos medicamentos, da anestesia e de tudo nos intestinos? Valeu-me uma irmã, mas se não, eram as enfermeiras e auxiliares.
Também sou e era muito zelosa de mim, mas nestes ambientes, aprende-se a conviver com estas coisas e a darmos valor à vida e às pessoas, a entreajuda é indispensável.
Quem diz "ai que nojo" e "ai que vergonha" é porque nunca esteve num hospital, ou numa urgência ou num centro de idosos.
Um beijinho afectuoso
Este post é intenso... muito intenso!!
Minha querida "Maçã", e agora disseste tudo. E como diz a Rita, caramba, "puseste tudo no lugar".
Chega a ser confrangedor pensar que tipo de pessoas são aquelas que se intimidam com um post bem humorado, descontraído e descomplexado, como o anterior.
A condição humana fere susceptibilidades. Infelizmente.
Grande beijinho
Pi*
Quero reforçar o que já foi escrito aqui. Que este texto é intenso. E que é profundo. E que não me deixou indiferente. Há dias em que se lê muita merda nos blogs, mas hoje e aqui, não. Obrigado.
Anónimo, impaciente criatura de Deus, quanto ao texto que insiste colar nos comentários porque não tem nada para fazer, eu passo a explicar:
No dia em que o escrevi o blogger parecia ter vida própria e não admitiu a data de agendamento, colocando-o on line. Com muita paciência, lá o consegui retirar e estava agendado para daqui a umas semanas. No entanto, como está tão impaciente, vou deixá-lo nos comentários para que esfregue a barriga de contente. E mais! Vou reagendar o texto para sair já amanhã! Contente? Vá, diga lá se não sou uma querida!
Ó Poisoned,
(desculpe a intimidade, mas acho que jamais me vai levar a mal)
e mandar esta gente da família "Anónimo" ir levar no sítio onde não se observam a lombrigas a olho nu? Xi, pá, isso é que era!!! Estas pessoas não só não têm vidinha como nem sequer se tocam e nem vêem o ridículo por que passam com estas "entradas"... Xi, pá... nervinhos!
Ide para o sítio onde não se observam lombrigas a olho nu! (sim, porque "cu" pode parecer mal, que as mentes são tão sensíveis...)
Ahhh... a ideia é gira, mas as imagens nem por isso.
Como sempre, GRANDE MULHER!
Ena...nota-se mesmo que gostas daquilo que fazes!
Isso é a melhor coisa que pode acontecer! Principalmente quando recebes palavras iguais às daquele senhor viúvo...deve ser gratificante e faz-te sentir de certeza que todo o esforço vale a pena!
:) Parabéns, existem muito poucas pessoas como tu!
lololol
Cada um é como é. Eu não suporto dar peidos ao pé de ninguém e também não gosto que o façam ao pé de mim. Mas que é normal, é.
Olá Poisoned,
tem sido gratificante ler os teus posts. É bom saber que alguém, como nós, partilha a noção de que a vida, a vida a sério, também é feita de coisas sujas. Ou talvez seja que a verdadeira sujidade não está nessas coisas...
Pipi das Meias Altas
Enviar um comentário