1.2.10

Casamento e estágio

Conheço uma criatura que casou há coisa de poucos dias. Criatura essa muito católica, ou pelo menos assim se afirma, com poucos valores morais na prática e nas costas dos outros, mas de altos princípios e imensos valores quando o mundo olha. Tão temente aos ensinamentos de Deus, que (pelo menos que se saiba) nunca o namorado pernoitou em sua casa. Com isto nem vou pela virgindade até ao casamento, mas é que alguma família vivia no mesmo prédio, logo, há que manter as aparências. Ou seja, da porta para dentro cada um sabe de si, mas à noite é que não!!!

Nisto salta-me à memória outra criatura poucochinha, coitadita, que nos seus trintas insistia que não ficava em casa do namorado com quem andava e desandava, não sei, há cinco, seis anos? Pois que só casando e apenas casando. Triqui-triqui tudo bem, mas ficar a dormir só ao fim-de-semana e já a fazer o favorzinho. E pois, o gajo que era mais esperto, dizia que casando só com prévia experiência de ajuntamento, pois nunca se sabe como as coisas poderiam correr, já que passavam a vida a acabar e a começar. Bateu o pé, tanto quis fazer valer a vontade dela, que prontus, nem preciso de vos contar se a coisa deu casamento ou separação definitiva, certo?
Quando penso nisto, vejo que há muitas mulheres a dar tiros nos pés para fazer valer uma vontade de origem duvidosa que, tanto chateiam que acabam por perder o que tinham.

Casar é tudo? Não compreendo a obsessão extrema de querer casar e não gosto de casamentos "combinados", como o dela. Circulava a tal rapariga das aparências Lisboa fora, com a mala do carro cheia de mudanças, a boca cheia de lixo, a experiência cheia de nada e uma dupla de aliança e anel de noivado no dedo que exibia ao jeito "eu tenho e tu não" para quem quisesse ver. Ele e ela, vinte e poucos, preocupados em fazer o máximo possível by the book e sem saber coisa nenhuma do que é viver com alguém. A crer que é tudo amor e boa disposição, que estão protegidos e não haverá momento nenhum em que preferissem estar sozinhos, em que preferissem não fazer porra nenhuma, saltar o jantar ou deixar a cozinha num esterco, ir dormir até ao dia seguinte e estar-se nas tintas para a casa e para o amor, momentos em que a vontade própria não prevalecerá e os deixará chateados, de trombas, momentos em que a prateleira não é montada como nós o faríamos ou os bifes não são cozinhados como deve ser, restando a hipótese de almoçar verdadeiras solas. É, o amor não é fácil, há coisas que fazem crescer calores nas costas.

E eu havia de ser mosca para ver como corre aquilo, eu que vivo em pecado e tenho os dias contados. Coisas que se me dão no nervo. A mim os estágios nunca me fizeram confusão. Servem para aprender e, para muitos, é quanto baste. Confusão faz-me aqueles que acham indecente e largam sentenças ao alheio com uma Bíblia na mão e uma cruz na outra. O melhor é passar a andar com uns dentes de alho no bolso, não vá esta gente tecê-las. E esperar, esperar para ver porque isso tem graça.

8 caroço(s):

Poetic GIRL disse...

Também sou adepta do estágio, nunca sabemos o que nos sai na rifa, e sempre é mais fácil tratar das coisas depois... mas tens razão os que batem no peito são os piores... bjs

Atena disse...

Totally agree!!!!

Eu moro em "pecado".. e que bem que estou!!!

Bj*

Fuschia disse...

Mas tenho cá para mim que esse tipo de gente acaba sempre infeliz e frustrada, além de que são chatos pa caraças. E pior, vindo de uma mulher, ainda me parece mais poucochinho, essa falta de ar para casar, como se já não fossemos todas crescidas e uma mulher ainda precisasse de anel no dedo para se sentir concretizada. Já vi muitos casais que casam por pressão dela, e pouca ou nenhuma vontade dele. Não deveria ser um passo importante para os dois?

Pingo de Mel disse...

Pois! Cá quanto a mim é preciso é curtir.

Silvéria disse...

Tenho uma prima que é das tais apoiantes do "virgindade até ao casamento". Digamos que ela já namora há uns 7 ou 8 anos, e aqui há uns 6, numa minha festa de aniversário e em que um vizinho meu veio, quem é que ele viu no caminho dentro de um carro num beco??? A minha prima com o namorado!!!!!!!!!
Cada um diz o que quer, e cada um acredita no que quer também!
Ela é das tais que é professora há uns anos e sem emprego fixo. Diz que só se casa (não se quer "juntar") quando tiver um emprego seguro... ou seja, talvez nunca ou então aos 50 anos!

Cate disse...

So so so true! Que belo post!

kitty disse...

Não considero que se tenha que ir virgem para o casamento...

Mas acho que o casamento é sim preciso. Pelo menos eu preciso. Preciso de celebrar em grande a sorte que tive de encontrar a pessoa que me faz bem...mais do que qualquer outra pessoa conseguiu fazer...

La Trinca disse...

Pois bem, a minha experiência é diferente!
Casei com 23 anos com o meu primeiro namorado, sem pressões de absolutamente ninguém.

Casei não, que ninguém casa sozinho/a, casámos.

Casámos porque nos amávamos muito, e continuamos casados ao fim de já 4 anos porque ainda nos amamos muito.
O futuro? Não sei o que me reserva, simplesmente sei que se nos continuarmos a amar como até aqui, permaneceremos juntos até sermos velhinhos, velhinhos.

Nós nunca vivemos juntos antes do casamento, não se seja rígida e castradora da minha própria felicidade, mas simplesmente, na altura não equacionámos essa hipótese.

Se fosse hoje passado 4 anos, acho que também não iria pensar nisso, simplesmente porque hoje, passado algum tempo de casados percebo que não é só o amor que faz tudo por uma relação, porque quando há amor, este tem de vir acompanhado, da boa vontade, da compreensão, do respeito, da inter-ajuda.

Já comi muitas vezes arroz sem sal, e bifes petrificados, já fiquei horrorizada, porque a roupa e os sapatos, tendem a ficar esquecidos na cadeira do quarto, ou porque a correspondência tende a acumular na cómoda do hall. Já fiquei algumas vezes tristonha porque houve assim, como é que hei-de dizer, uma pequena preferência por uma ida ao futebol com amigos, enquanto eu não tinha programa nenhum, e muitíssimas outras coisas. Mas tenho a certeza a absoluta que eu também já pus a pata na poça milhentas vezes.
E no entanto, as compensações de todos os dias estarmos juntos, de construirmos uma família, a nossa família, superam tudo.

Casar, ou viver junto? O principio é o mesmo, é estar próximo ao lado, de quem se ama, as duas únicas diferenças são só mesmo o papel que se assina e o dinheiro que se gasta na festa.