30.11.09

Carta ao Pai Natal - 2009

Poisoned Apple
A Maçã de Eva
Pai Natal
Rua do Céu Aberto
Apartado Barbas Brancas
Caríssimo,

à semelhança de anos anteriores, aqui te venho deixar uma listinha de presentes, própria de quem merece muito. Deixemo-nos de cerimónias! Bem sabes que sou uma piquena muito bem comportada e este ano não foi excepção. Curioso é que, ao ver a lista de anos anteriores, não é que com o tempo eu recebi quase tudo aquilo que queria? Até as viagens que eu já punha só pela gracinha (sem nunca esperar que a oportunidade surgisse) tive direito! Assim sendo, muito obrigada, fico feliz de ser merecedora dos meus desejos, ainda que com alguma demora.

E depois deste reconhecimento público, toca a tratar da lista deste ano. Não espero dos teus serviços nada menos que o rigor de anos anteriores!


Timberland - PVP 117€


TomTom ONE IQ Routes Europa 189,95€

Vestido Victoria's Secrets - PVP 88$USA



Máquina de raclete - PVP (ele há para preços diversos de 15 a 95€)


Lenço Massimo Dutti - PVP 24,90€


Mala Mango - PVP 35€


Vestido Mango - PVP 35€


Top Lanidor - PVP 39,90€
Uma mala de viagem, tamanho XXL, leve (eu não quero pagar excesso de peso!), verde alface, com rodinhas jeitosas, uma mala que tenha a minha cara!


Não caminho para nova, tenho de deixar de usar banha da cobra. Quero (muito!) este set para ter um ar mais composto. A saber (da esquerda para a direita): base even better, gel hidratante, pó solto, all about eyes, desmaquilhante, leite de limpeza desmaquilhante - PVP não-consigo-fazer-a-conta-que-os-dedos-não-chegam


"D. Sebastião e o Vidente" (e mais "O jardim perfumado", "As mulheres do meu pai", "Jardins de Lisboa", "Os pilares da terra" Vol. I e II, "Antídoto", "As Avis"... não te acanhes! Há muito por onde escolher!)

Um regresso aos EUA! Não há nada a fazer, adoro aquela terra. Desta vez, um regresso à Califórnia (com escala em NY, of course!), San Diego com salto em San Francisco, Las Vegas e terras de permeio. E com apenas um dólar ganhar o meu primeiro milhão numa slot machine! Em alternativa (e já chateada), ares mais exóticos, para Bali e arredores.

Ah! E antes que me esqueça, também quero voltar ao Brasil, mas isso não conta para as férias grandes. E dar um salto em Amsterdão e Maastrich para ver a amiga L., pensar na proposta da V. para ir ter com ela a Buenos Aires e, quem sabe, convencer a cara-metade a romancear em Paris e Roma, que é já aqui ao lado (ele anda armado em esquisito!)

Chocolates! Natal sem chocolate não é Natal! Milka trufinha, gosto muito.

XXL, claro! Que o tamanho importa.

E maneiras que é isto. Se me tiver esquecido de alguma coisa venho cá acrescentar. Como vês não sou abusada e saio baratinha.

Um beijo grande! Tua,

Poisoned Apple

28.11.09

Do you remember? #78



Leonard Cohen - I'm you man - 1988


Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

27.11.09

Correcto? Incorrecto? Nenhuma das duas? - parte 1

Penso demais, bem sei, mas não há como evitá-lo. E em algumas situações acho mesmo que tem de ser. Estoirar a cabecinha com possibilidades, fazer equações às probabilidades, procurar um resultado que, tenho para mim, será sempre indefinido.

O homem da Poisoned Apple pediu-me em "ajuntamento", que é como quem diz, que nos amancebássemos, vivêssemos em pecado, juntar os trapos de uma vez por todas. Na verdade, não muda muito da situação actual, a diferença está em ter os bens materiais, todos os meus trapinhos, sapatos, brincos e outras coisas que tanto espaço ocupam, debaixo do tecto que é dele. Quis tanto que me fizesse esta pergunta que, quando a fez, só me faltou fazer xixi nas cuecas. Deu-me o medo. Virei tímida e deve ter-me estranhado. E se corre mal?, era a pergunta que fazia eco na minha cabeça. Sorri, dei uma meia-resposta qualquer que no fundo foi uma não-resposta. Desconversei e fiz mal, mas não estava a encontrar outra saída porque não conseguia fazer contas a todas as variáveis que brotavam no meu pensamento. Qualquer coisa que dissesse poderia não ser exactamente o que queria dizer. No ouvido susurrou a solução encontrada por ele: um pensa nisso.

Depois deste dia, muitas vezes falámos sobre este assunto. De como seria feito, como organizaríamos as coisas mais banais do dia-a-dia, outras não tão fáceis e, mais discutíveis, a força da aposta. Do investimento e do risco. Se correr mal separam-se e vais-te embora!, dizia-me uma amiga. Mas eu não consigo ter esta ligeireza. Na prática é isso mesmo, mas e no coração?
Tenho medo agora, penso que tudo é tão bom que tenho medo que se estrague, que é estranho andar emocionalmente tão bem com a vida. Não estou habituada e tenho a mania de pensar que a seguir a uma fase boa, vem uma má. E a minha tem estado boa há muito tempo.

Não há dúvida, mas há medo. E a esse não sei o que lhe fazer. Será mesmo o casamento o princípio do fim como tenho pensado até aqui?

(continua)

25.11.09

A calcinha perdida

É a merda de deixar roupa a lavar em casa da mãe quando se regressa das viagens. Desapareceram-me umas cuecas. São lindas, sexys, castanhas e, nota importante: fazem conjunto com um soutien. Ora, toda a mulher sabe que se for uma cuequinha perdida, prontus, dá-se o desgosto, mas o coração lá há-de aliviar. Com sorte, encontra-se semelhante noutra loja. Mas se se tratar de um conjunto de soutien e cuecas, estimados leitores, isto é o mesmo que nos cuspirem no nome, atirarem a família à lama, é o fim do mundo. É um conjunto que deixa de o ser.

As cuecas tinham de aparecer. Ameacei a minha irmã mais nova, ela é que devia ter aquilo guardado por engano. Não tenho!, afirmava. Não me grites sua poia que te vou à tromba! Eu quero as minhas cuecas!, respondia eu. Se uma cuequinha fica desamparada do soutien, sim, isto é motivo de guerra. Eu estava pronta a arregaçar as mangas e fechar os punhos, mas decidi sabiamente aguardar. Quando a minha irmã saiu, fui-lhe ao armário, qual esposa procura provas de adultério.

Aha! Eu sabia!, gritei triunfante e sacudindo as desaparecidas no ar. Lá estavam elas, caídas no fundo do armário por acidente, saudosas de sua parelha, El Soutien e até com saudades do meu rabo.

Atirei aquilo para dentro da mala e fui à minha vida. Nunca mais me lembrei daquilo. No dia seguinte, levei a mesma mala para o trabalho.

Empresta-me uma caneta, pediu o meu Director enquanto lia documentos.

Apalpei o interior da mala em busca da dita. Uma destas putas que aparece na imagem.

Sabem aquela saliência de metal que vai na caneta e serve para prender o dito objecto ao bolso da camisa? Sim, aquele rectângulo de metal que actua como íman (mais parece), e que se agarra a tudo o que vai na mala?

Agora que já sabem ficamos assim...

21.11.09

Do you remember? #77



Elis Regina - Águas de Março - 1972

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

20.11.09

Questões pertinentes #17

Ele levava um post-it na carteira e lá seguiu, contente em cumprir as suas obrigações de macho, ir ao supermercado sem orientação feminina. Levava apenas aquele quadradinho amarelo no bolso, com orientações, a influência feminina que bastava.

Mas porque raio um homem traz uma couve-flor quando se lhe é pedido um ramo de bróculos??!

18.11.09

Vade Retro

Tenho um amigo, o A., que foi quem me ensinou algo que primeiro rejeitei, achei estupidez, achei que não se podia generalizar e, com os anos, pude dar a mão à palmatória e dar-lhe razão. Afinal, tem quase o dobro da minha idade e tem de saber mais coisas que eu. Hoje não só adoptei a máxima, como vou transmitindo: os homens só largam uma mulher por duas razões. Ou porque ela lhe faz a vida num inferno, ou porque ele tem outra no encalço.

Mas gostam os piquenos de florear as razões na revista Activa. Ora leia:

"Conheço-a, parece-me simpática, convido-a para tomar um café e até corre bem. Após três dias em que não tive tempo nem para respirar no trabalho, penso convidá-la para jantar. Mas mal aquela quase-desconhecida atende o telemóvel, começa com uma conversa que lembra a nossa ex-mulher depois de dez anos de casamento: mas porque é que eu não disse nada antes, se achava que aquilo era um comportamento correcto, estar assim tantos dias sem dizer nada, etc, etc, etc. Isto aconteceu-me duas vezes! É claro que nunca cheguei a levá-las a jantar!"
Paulo, 45 anos, gestor

Caro Paulo, digo-lhe a si o que digo à minha irmã mais nova quando tem a mania que tem razão e não faz asneiras: quando muitos dizem a mesma coisa, se calhar é altura de, pelo menos, dar o benefício da dúvida. É que todo o comum dos mortais sabe que quando uma pessoa quer, quando uma pessoa gosta e está verdadeiramnete interessada, não há trabalho nem stress que impeça um sms, um e-mail, uma nota leve de carinho. Se já as tinha convidado antes, se estão numa fase de “vamos ver no que isto dá”, três dias sem saber se morreu, se perdeu o interesse ou se é apenas um homem a meio-gás, é muito tempo para uma mulher. E uma mulher não gosta de um homem a meio-gás. Já no que respeita à forma como depois reagem, isso tenho de reconhecer que é estúpido. Bastava que lhe dessem a provar do seu veneno. Ou meio-interesse, desculpe, ficando uma semana sem responder. Amor com amor se paga, meu caro. Ela podia estar apenas ocupada!

"Com o risco de ter todas as mulheres a chamarem-me machista, devo confessar que fujo a sete pés de uma mulher com pêlos. Põem me nervoso. Incomoda estar a jantar e de repente ela levanta o braço e eis aqueles pêlos a despontarem da axila. Não dá mesmo!"
Luís, 33 anos, jornalista

Caro Luís-nervoso-miúdinho, não sei quem é esse gajame com quem parece dar-se. Eu não conheço mulheres que circulem nos preparos que referiu, que levantem os braços na hora da refeição para lhe dar a conhecer as maravilhas do Monsanto axilar. Tanto pêlo que se nota a milhas? Que provoca vómitos? Não, não conheço. Já vi na rua uma vez (nunca mais me esqueci), mas não conheço.

"A obsessão com os filhos que algumas mulheres parecem desenvolver a partir dos 30 assusta-me a ponto de me dar arrepios na pele. À primeira oportunidade, no primeiro encontro (!), ela mete a colherada no assunto: "e tu, já pensaste em ter filhos?" Quer dizer, não me apetece falar do assunto com alguém que acabei de conhecer, nem gosto de ser olhado/avaliado como possível macho Alfa. É mau. Muito mau."
Luís, 38 anos, arquitecto

Caro Luís, há conversas que podem apenas ser isso mesmo. Conversas. Acho que falei sobre isso com cada namorado que tive. Já foram à vida. Não veio mal ao mundo por isso. É histeria. O Luís parece uma mulher descontrolada. Nenhuma mulher que se preze vai querer ter filhos consigo antes de muita coisa acontecer, nem antes de achar que é o homem da vida dela. Há as que engravidam para dar o golpe, essas é que não piam sobre o assunto. E depois, zás! Luís, pode não querer dizer que ela quer parir já, pode ser para ver que coisas têm em comúm, razão aliás pela qual foram jantar juntos! Se reparar em baratas no prato, isso sim é motivo para alarme!

"O que me faz fugir? Ela abrir a boca e não sair nada. Nem uma frase construída do princípio ao fim, nem uma ideia ou uma opinião."
Guilherme, 24 anos, estudante universitário

Guilherme, o único homem com dois dedos de testa que foram arranjar para esta entrevista.

16.11.09

Das separações

Eu e o homem da Poisoned Apple temos medo do fim. Sabemos de separações, de relações que de saudáveis apenas têm a higiene pessoal individual, de traições e de todas aquelas coisas que deixam os visados com um amargo de boca. E gosto disso, do medo que temos. É sinal de que estamos atentos um ao outro, na medida em que procurarmos trazer-nos harmonia, felicidade. Veio aqui o João, e muito bem, falar disso mesmo.

Conta o autor que as pessoas andam (demasiado) abertas a tudo. Conta também aquilo que já todos sabemos: que uma relação a dois é uma coisa que exige compromisso e que tal não devia ser surpresa para ninguém quando toma a decisão de investir num namoro, casamento, o quer que seja. A par disto, da vontade e do esforço, parece que o mercado dispõe de uma oferta larga de número: as galinhas dos vizinhos. E é aqui que faz uma observação inteligente que tenho pena de não ter sido eu a escrever: a ideia de que a galinha do vizinho é sempre melhor que a nossa, e não nos oferece tantos obstáculos, é apenas isso, uma ideia. Vai-se a ver e os problemas que existem com a actual cara-metade, existirão também na galinha do vozinho a quem se anda a deitar o olho e namorar as penas.

Apesar de compreender o que o João quis dizer, eu nunca senti isso na pele, desejar alguém que me passa ao lado. Mas um destes dias, após uma semana em que trabalhei dia e noite, em que não vi o homem da Poisoned Apple por uma semana, quando eu e a equipa chegámos ao fim do trabalho, apostou-se na ideia de ir comemorar com uns canecos. A noite estava estrelada, estava calor, estava bom na rua, sentia-me acordada (o que era difícil de acontecer naqueles dias) e estava mesmo, mesmo com vontade de sair. Convidei a minha cara-metade a juntar-se a nós. Começou por dizer que sim, mas depois sentia-se cansado. "Vai tu", dizia, explicando não se importar e que gostava de mim na mesma. Mas eu não fui capaz, naquele contexto de ausência recente.

Naquele momento desejei ser omnipresente, poder estar nos dois lados, cumprir a minha obrigação e rir-me desalmadamente com os amigos. "Não devia ter «casado»!"- disse em tom de brincadeira. Mas não passou disso mesmo, uma brincadeira, porque sei desde sempre não me importo de perder umas coisas em nome de outras. Não bebi uns copos, mas matei saudades, dei muitos beijos na boca e ri-me na mesma.

Tem de haver tempo para tudo e sou incansável perante uma dificuldade. Não me interessam roupas desarrumadas, nem tampos de sanita levantados. A mim interessa-me o diálogo, a comunicação, o bom-senso. E enquanto sentir que tenho isso na minha vida, não troco a minha galinha dos ovos de ouro por nenhuma outra.

14.11.09

Do you remember? #76



Stan Getz, João Gilberto & Gene Lees - Corcovado - 1964

(sugestão enviada pela Leonor)

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

13.11.09

Rapidinha. Ou os homens não percebem nada.

Malas com o conteúdo de fora. Um check-in para fazer, um voo para apanhar, é tempo de regressar a Lisboa. Cloro na pele. Banhos ainda por tomar. Filet mignon e acompanhamentos a estoirar as costuras do aparelho digestivo.

Vontade.

- Temos exactamente 3 minutos e 20 segundos!
- Não me pressiones!

Minutos que não sei precisar.

- Já???
- Mas tu disseste que podia...
- Mas o papel do homem é dizer que nem pensar!
- Desculpa...

Os homens não sabem distinguir quando devem levar à letra o que diz uma mulher e quando não. Tsc, tsc....

E que ninguém me dê a conversa do "se disse está dito", é quanto baste, que tenho muita sorte pelo facto de o homem cumprir as minhas afirmações, blá, blá, blá. Não. Não e não. As mulheres dizem coisas que querem significar exactamente o oposto, tudo para ver se/como os homens mostram cuidado para connosco, atenção e outros que tais. Não, nem tudo quer dizer o que é dito.

Por isso é que nós mulheres temos tanta graça.

11.11.09

Consultório #17

Conta-nos a G. algo de que já todas ouvimos falar:

"O meu problema deve ser insignificante para as minhas caras Evas. Estou perdidamente apaixonada por um excelente sedutor, Don Juan. Ele é tudo o que uma mulher não quer. Mente (julgo), afasta tanto quanto se aproxima, engata esta e aquela, a Maria e a Josefina, a alta e a baixa, a morena e a loira. Tudo o que é mulher! TUDO! Verdade seja dita, ele lá tem razão para ter tão alto o ego. É bonito, muito bem feito, popular, jogador de futebol e possui charme.

Então imaginem, ele passa e a meninada baba, literalmente. Então ajudem-me: digam-me como conseguir fazer com que seja a única que ele precisa/quer/gosta ou ajudem-me (realmente!, que já estou cansada de conselhos mal dados) a esquecê-lo. HELP!

(Desculpem a banalidade da situação!).

G."


Cara G., queira perdoar o atraso na resposta ao seu pedido. A sua questão não é banal. É tão repetitiva que vem lembrar aquela frase que a minha mãe costuma usar: gira o disco e toca o mesmo. Já todas caímos algum dia na vida nas teias dessas figuras, Don Juan, no entanto é algo que com o tempo não volta a acontecer. Ou pelo menos gosto de pensar assim.

Se reparar, o seu próprio e-mail é contraditório. Diz que está perdidamente apaixonada por um homem que, leia, é tudo o que uma mulher não quer! Então tem a certeza que está apaixonada? O amor deve ser algo que nos faz bem, recíproco, deve alegrar-nos os dias e a vida. No entanto, foi gostar de um mancebo que não presta. E a minha grande questão é a seguinte:é isto que quer para si? Quer para si um homem que sabe à partida que mente? Que tanto empurra como aproxima (o chamado picar do ponto)? Que engata tudo que tem um pipi? Só de escrever sinto na pele o desassossego. Sim, porque eu também já vivi isto, em tempos, felizmente idos.

Nós mulheres (algumas) trazemos nos genes algo que, isso sim, é estúpido, a necessidade de fazer alguém mudar por nós. Não sei porque é que isto acontece, se é apenas algo próprio de pessoas teimosas, se é problema de afectos, se é apenas porque sim. Queremos, ponto final. Vai daí, investe-se no homem que no fundo sabemos que não presta, investe-se com todas as ganas, as forças, o coração e a mente. Há algo em nós que nos faz pensar que aquele homem que não mudou por mulher nenhuma, por nós vai mudar, porque somos especiais, porque o compreendemos como mais nenhuma, porque temos mais para dar, em suma, porque somos melhores.

O grande busílis da questão é que estes homens nem se dão conta que as mulheres têm algo dentro delas, como personalidade, boas intenções, expectativas, etc. Estes homens já ouviram falar de uma coisa, chama-se qualquer coisa como sentimentos, e aproveitam-se disso para fazer ganhar a sua vontade, ir dando umas beijocas e tudo mais que conseguir. Ah! Mas sempre sem compromisso, porque não estão preparados, têm traumas de infância porque as mães deixaram de lhes dar Cerelac à boca aos 30 anos, que é como quem diz que gosto é da biodiversidade, quero experimentar as que puder, eventualmente guardar um registo excel com os eventos (conheço um caso verídico), até se gastar a pilinha.

Querida G., outra coisa é que os homens bonitos acham que podem tudo. São muito poucos os que conseguem conjugar a beleza com o carácter. E o ser bonito e poder tudo tem uma consequência: se a Maria não quer, está aqui a Josefina caídinha. Estes homens aplicam à esfera feminina a lei de Lavoisier: nada se perde, tudo se transforma. E vão umas atrás das outras caindo nestas teias.

G., não me interprete mal, mas deixe-se de viver na Wonderland. Saia do raio visual deste homem, apague tudo o que lhe diz respeito e conviva junto de pessoas saudáveis. Custa, mas passa. Olhe que eu passei por isso e passou-me! Não há nada que possa fazer para que seja apenas de si que ele goste/precise. Nada! Para ajudar a esquecer, também não existem poções mágicas, mezinhas, nem xaropes. Mas uma certeza posso dar: quando isto tiver passado, vai olhar para trás e sentir-se estúpida, vai perguntar-se como pôde gostar de tal mentecapto e, isto é que é bom, vai fazê-la crescer e não voltar a cair nas teias de um tipo assim. Don Juan ou Casanova, esta gente só traz chatices e sofrimento, mas têm uma coisa boa: ensinam-nos para o resto da vida.

Espero ter ajudado!

Beijinhos,

9.11.09

O Rio na minha pele

Ai… o Rio de Janeiro! Muito me contaram em como ia adorar o Brasil, mas não houve ninguém que me alertasse para a percentagem estúpida de humidade que existe no ar. Resultado para quem tem caracóis no cabelo: peruca afro. Foi uma chapada de corpo inteiro sair do aeroporto e levar aquele bafo que às 19h devia estar na ordem dos 30ºC. Calor, a certeza de que ia haver sol no dia seguinte, um dia de verdadeiro verão, espalharam a alegria no meu corpo. Eram as saudades do verão, quando o de cá ainda há pouco se foi.

No caminho para o hotel, vi como o Rio de Janeiro é exactamente como esperava: favelas e mais favelas no meio edifícios absolutamente normais, quando não luxuosos. Para quem nunca foi, é a Cidade Maravilhosa, tal e qual como se vê nas novelas, é o Cristo Redentor enorme, são as vistas que não acabam, os morros que se multiplicam, é o jeitinho carioca, as frutas nunca antes vistas ou imaginadas, a carne que nos faz salivar, o sol inexplicável que nos faz sentir arrumados entre brasas, impossibilitando a habitual grelha ao sol de quem faz pelo tom de pele (diz isto quem gosta de fazer de lagarto), determinando que ao sol, só debaixo de água.

É sim a terra dos bikinis, mas pequenos. Amaldiçoei as maminhas pequeninas das brasileiras. O Brasil é uma terra de bunda, não é de mamas, já me dizia uma amiga. Foi para mim a terra do acordar cedo sem despertador, do café da manhã delicioso, da água de côco que tanto me desiludiu por saber a água suja, dos meninos quase despidos na rua, a terra das mulheres descomplexadas: 100 Kg, celulite, banha tanta que há anos não vê os joelhos, bisnetos, não são motivos para não usar um fio dental. Não tem maior?, perguntava eu à menina da loja. Ah, maior ninguém quer, né?

O Rio de Janeiro é a cidade onde se conduz sem regras. É a verdadeira anarquia, vale até seguir em contra-mão. Contratados que foram os serviços do Sô Rui, taxista, por um dia, confesso que tive mais medo de circular com ele pela cidade do que ir à Rocinha. Sim, estive na favela da Rocinha, acompanhada e sozinha. Não há que ter medo. Adorei ver como aquilo que parece ser apenas pobreza e desorganização, é afinal tudo menos desorganizado. As favelas chegam a ter “orientadores de trânsito”, pagos pelo líder, para que as pessoas possam atravessar as ruas, pois não existem passadeiras. E o que acontece se as pessoas não pararem? Ai, aí vai ter que se ver com o chefão! As favelas são um corrupio de moto-táxis morro acima, morro abaixo, cada viagem pelo preço de dois reais.

O Rio de Janeiro é Copacabana, Ipanema, é a Barra, o Corcovado e sumo de acerola, é espuma de abacaxi num copo, sandes de verão mágicas, gelados que pingam e escorrem pelo braço, é cajú, é um sambódromo deserto, é o Pão de Açúcar que faz impressão nas alturas, são Havaianas a preços que não se acreditam, é chopp a circular por todo o lado, é mulheres que se arranjam para entrar num centro comercial e é uma maravilhosa salada de palmito. É uma cidade impossível de fazer a pé, é a inegável presença portuguesa, uma calçada mais arranjada que a nossa, é uma cidade que me ficou na pele e a vontade de voltar.








Room with a view

Rocinha mesmo no meio dos edifícios

O outro lado da vista

Bem instalada

O voo dos lunáticos



Cascatinha

Floresta da Tijuca

Jane

Sô Rui

Táxi do Sô Rui






Sem medo das figuras


A favela na qual o líder mandou todo o mundo pintar a casa de azul, para que o BOPE não identificasse as casas pelas cores.




O sistema é ir atirando o lixo pelo morro abaixo. Depois a Prefeitura vai buscar.

Rocinha

Salão de Beleza



Aluga-se



Pontinhos de luz ao fundo: Rocinha



Blarghhh!

E que boa que é a água!

Praia do Pêpê






Praia de Ipanema




Namorar

Orelhão


Já a pensar no próximo destino!