30.9.09

Consultório #16

Ele vai casar com a gaja. A gaja cruza-se com a visada, a ex, e procura marcar o território, só faltando mesmo uma mijinha em cima do homem mesmo em frente à antecessora. Ele diz que gosta dela, mas também gosta da anterior. E da amiga e da prima e da gata da vizinha que é uma bola de pêlo mas também lá ia. Entre bichos e mulheres, vai deixando a marca como pode. Há homens assim, que nasceram para gostar de todas as mulheres e mais algumas. Umas há que ficam sem norte. Mas isso trabalha-se.

Olá I.,

(...) pede-me que lhe escreva uma frase mágica, mas a verdade é que a "magia" está dentro de si na resposta às questões: porque é que isto a afecta? O que é que pretende? Há inúmeras razões que apenas a I. poderá indicar, daí a dificuldade na minha resposta. Tem apenas um sentimento de posse em relação ao XY ou ainda gosta dele? Eu continuo a achar que quando o amor foi verdadeiro, o que parece ter sido durante 4 anos, essa vivência torna impossível uma amizade natural e, por isso mesmo, o melhor mesmo é o afastamento, o que não significa que lhe vire a cara se passar por ele na rua.

Se depois disso ainda tentaram voltar, a possibilidade de uma amizade torna-se mais impossível ainda. Acho que o segredo para que isso aconteça é passarem pelos dois outras pessoas e muito tempo, porque só o tempo torna as situações mais relativas, mais "pequenas", mais "sem importância" porque já passou isso mesmo, muito tempo.

O XY é igual a muitos outros, não me parece trazer nada de novo. Um egoísta que só se interessa por ele próprio. Acho estranho que com 29 anos queira casar, não é comum querer prender-se numa idade que é considerado algo cedo na sociedade actual. Para mim continua a haver qualquer coisa que desconhece e não é pressão familiar, porque ele não se importa com isso, só se importa com ele. Mandou-lhe sms porque é sempre divertido (re)viver um flirt, porque é bom, incha o ego saber que a ex ainda nos dá conversa, que ainda somos importantes, porque não há nada como manter os nossos antigamentes numa caixa e conservar para - em caso de necessidade - ir lá buscar, o chamado picar o ponto.

Não caia na ideia de que se ele faz isto é porque as coisas não estão bem ou não está muito apaixonado. Eu também pensava assim e tem sentido pensar assim, mas isso é para pessoas como nós, que acreditamos no amor, na fidelidade e temos bom carácter. Mas a verdade é que há muitos homens que estão bem e fazem jogos por detrás, faz parte da natureza deles e são os que eu chamo de mau carácter. Alguém que vai casar e ainda se ocupa com sms e beijos no seus caracóis, é porque não pode ser boa pessoa.

Quanto a essa XX que tem atitudes de coitadinha, eu tenho uma frase que costumo utilizá-la: "as pessoas só vão até onde lhes for permitido". Assim, da próxima vez que ela fizer qualquer outra tentativa semelhante à que me relatou, o melhor é olhá-la como se fosse uma criança, com ar de quem está ocupado e dizer: "ó XX, desculpa-me a franqueza, dás-te conta das figuras que andas a fazer? Achas que eu quero saber ou me importo? Não me molestes mais, por favor. Vá, arranja com que brincar!", sem qualquer tom de irritação na voz, como se estivesse a rezar o Pai Nosso. Isso acaba com uma pessoa, até porque a faz sentir ridícula. E repita-lhe a mesma frase as vezes que for necessário. Às tantas vai sentir-se envergonhada.

(...) Porque razão quereria a I. contar isto a toda a gente? Não pense que se está a deixar pisar por ficar calada deixando-o impune, pelo contrário, deixa-se pisar ao dar-lhe conversa, responder aos contactos ou ao quer que seja. Pense comigo, o que é que esse homem lhe traz? Nada, já trouxe, mas o passado já lá vai e pelos vistos é incapaz de ter respeito e consideração consigo em nome do passado. Assim sendo, quer mesmo viver uma relação de amizade que não existe? Lembre-se que o corte de relações não tem de ser uma coisa violenta, basta a sinceridade e dizer-lhe que os amigos trazem-nos coisas boas, fazem-nos crescer, ser mais e melhores e ele, coitadinho, não traz nada de bom. A ninguém pelos vistos.

Faça a sua vida junto dos que gostam de si. Há uns tempos estava parada a pensar no que eu já chorei e me irritei com pessoas que não valem a pena. Acredite, não há nada como abandonar aquilo que não nos serve. Ele que viva, case e coma as que quiser. Daqui a uns anos vai olhar para trás e perguntar-se o que viu ali, que foi o que aconteceu comigo em relação ao primeiro namorado.

(...) Beijinhos,

Poisoned Apple

28.9.09

Verdade #54

Há anos que reflicto sobre isto e nunca chego a uma conclusão (nem sequer uma conclusão temporária, não consigo encontrar uma resposta ainda que mais tarde volte a mudar de opinião): não sei se são as pessoas que me desiludem constantemente, se sou eu que sou estupidamente exigente.

Estou mais inclinada para a primeira hipótese. Ou melhor, tenho a certeza que é a primeira hipótese, só que eu sou assim, tapo o sol com a peneira, mais vale pensar que a culpa é minha e assim as coisas estão nas minhas mãos. Só que na verddae não estão. Sem aviso prévio, antes de findo o prazo validade, muitos e muitas que tinha em consideração começam a saber a leite estragado. É estranho, parece uma onda que varre uma série de pessoas.

26.9.09

Do you remember? #70



Bryan Ferry - Slave to love -1985

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

25.9.09

Sentido de oportunidade

A ocasião faz o ladrão, bem diz o ditado. Eu, caçadora da verdade nos sentimentos, não me fiz esperar. Tendo um namorado sonâmbulo que fala comigo durante a noite discursos coerentes dos quais não se lembra. E num dia de maior insegurança lembrei-me de aproveitar. Sim, oportunista, mas eu quero lá saber o que fica bem ou mal, quero é o sossego do meu coração. In vino veritas também haveria de servir aplicado ao sono.

A madrugada ia alta quando começou ele um novo discurso que eu interrompi:

- E gostas de mim?
- Sim
- Quanto?
- Muito
- Mas isso é quanto?

E a dormir na resposta faz o inesperado para mim, que foi abrir os braços como quem abraça uma abóbora das grandes, nascida de um fenómeno do Entroncamento, o que me deixou completamente calada e amolecida e, a ele, na maior ignorância porque não se lembra de coisa nenhuma. Foi tão querido que acho que vou ter de contar. E fiquei ali, de pestana aberta a olhar para ele, apenas com a luz ténue do despertador, até adormecer mais calma com a respiração profunda dele.

23.9.09

Do amor e da sua análise

"E eu não quero ter de andar sempre a repetir a minha história (...) sinto que estava mais confiante em relação ao sexo e ao romance quando tinha dezasseis anos (...)"

"Nessa altura eras jovem e estúpida. Só os jovens e estúpidos se sentem confiantes em relação ao sexo e ao romance. Pensas que algum de nós sabe o que está a fazer? Pensas que há alguma maneira de os humanos se amarem uns aos outros sem complicações (...) O amor é sempre complicado. Mas ainda assim os humanos devem tentar amar-se uns aos outros, querida. É inevitável ficar por vezes com o coração despedaçado. Isso é um bom sinal, ter o coração despedaçado. Significa que lutámos por alguma coisa"

in Comer, orar, amar by Elizabeth Gilbert

É verdade, quando era miúda era quase como se fosse ignorante, acéfala, o amor era possível sem qualquer complicação. Mas depois cresci a abri os olhos, comecei a pensar, a decompor e dissecar cada aspecto que eventualmente pudesse desaguar num fim, de modo a contorná-lo, de modo a fazer mais por mim, pelos amor e por um "nós". Quando era miúda não me lembro de pensar nestes aspectos. Agora penso. Muito. Acho que todos os dias. Às vezes desgasta-me, deixa-me frequentemente inquieta e há quem diga que sou uma eterna insatisfeita.

21.9.09

Há não-surpresas

Os homens deviam ter nascido educados quanto à relação homem/mulher. Às vezes acho que a culpa é da maezinha deles, outras vezes nem tanto, pois há-os com falta de sensatez e egoístas por natureza. Nestes casos, que nenhuma mulher pense que ele muda com o tempo ou, pior ainda, que o vai mudar. Senhoras, os homens são o que são quer invistam no diálogo inteligente e fundamentado, quer façam façam promessas a Nossa Senhora de Fátima, incluindo uma viagem de joelhos esfolados da cidade que habitam até este santuário. Por muitas velinhas que se acendam, não há nada a fazer. Ou melhor, se calhar até há. Que os mesmos venham aqui ler este texto e, com sorte, vêem-se no ridículo. Quem sabe um out of the box fará maiores maravilhas que as promessas aos santos mas, ainda assim, ainda que vendo-se no ridículo, tenho para mim que as mudanças teriam a duração de uma semana. Vá, quinze dias, que eu estou num dia de generosidade.


Não sejam estúpidos e ao fim de um dia fora de casa, não façam uma chamada para contar que têm uma surpresa. Não incitem os nervos ansiosos e delírio de uma mulher que acha que vai receber um presente para que, quando chegado a casa, o presente na realidade seja para vocês homens. Eu que sou esperta e tenho um poder de adivinhação peculiar, a meio do dia já estava a pedir a todos os santos que não fosse uma batedeira. É certo que já protestei quanto à falta de alguns bens, a meu entender, de primeira de necessidade. Mas uma coisa é fazer uma surpresa para uma mulher, outra é surpreender na compra de algo que era necessário. Pois bem, chega-me a casa com uma balança. Confere, tinha alertado para uma falta de controlo de peso da minha parte, o que me deixava desassossegada, mas aquilo não era para mim. Aliás, tanto o sabia que quando abri o saco ouvi um arrastado "não é bem para ti..."

Xô as criaturas que vão na lenga-lenga de que o que conta é a intenção, porque de meias-surpresas está o inferno cheio. A falta de noção incomoda-me e, aquilo que costumo recomendar a uma pessoa que não sabe se o que vai fazer está correcto ou errado, é colocar-se no lugar do outro, ter sensibilidade de conseguir inverter os papéis. O que, convenhamos, aos homens é deveras difícil de conseguir. Ou pelo menos (reconheço) à larga maioria deles.

É como estar para cima de um mês a ouvir dizer que vai fazer uma refeição. Uma mulher espera, há as que desesperam e há as que se conformam, como eu, que não caem na ilusão de encontrar o pote de ouro no fim do arco-íris. Atentem: nenhuma mulher fica com a sensação de um homem ter cozinhado para ela se, a poucas horas da hora de jantar, lhe ligar a pedir que vá ao supermercado comprar bifes, natas e cogumelos porque hoje vai cozinhar! Mas a mulher lá vai, munida de paciência. Não é perguntar-lhe se descasca uns alhos já que não está a fazer nada de especial, quanto todos os outros dias em que a mulher cozinha (deveria sublinhar o "todos"?), imagine-se, o homem não está a fazer nada de especial. Invariavelmente, estará agarrado a um jogo de futebol que a Sportzone, sabe-se lá como, consegue desencantar jogos de bola todos os dias. E muito menos é - depois de ter ido comprar o alimento e participar da sua confecção - deixar-lhe a cozinha para limpar. Cozinha essa um verdadeiro esterco que mais parece que teve trolhas a fazer obras na divisão.

Fica o desabafo, meus homens. O que acima relatei não é cozinhar para uma mulher. O que acima relatei não é fazer-lhe uma surpresa. É certo que às mulheres cabe a decisão de saber viver com isto ou largar às urtigas. A curto e a médio-prazo tudo resultará, não se apoquentem, pois ser mulher é sentir que tudo se aguenta eternamente. O pior é a longo prazo, quando estão fartas de fazer de empregadas e encontram no estado civil "solteira" mais paz do que a dois ou, também acontece, tropeçar num desses outros homens que não deixam tudo por conta delas, os chamados participativos e que conhecem os conceitos de divisão e esforço.

Divulgue-se, faça-se copy/paste deste texto, forward via e-mail. É que o Natal está aí à porta e não gostava de ver o mulherio receber novas batedeiras e picadoras nas festividades. Já sei que para muitas uma Bimby seria de sonho, mas dessas já eu tenho em ambas as casas. Os meninos não passam a vida a dizer que não compreendem as mulheres? Pois aqui têm, melhor que isto só fazendo um desenho. E aviso já que não sou dada às artes.


19.9.09

Do you remember? #69



Belinda Carlisle - Heaven Is A Place On Earth -1987

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

18.9.09

Consultório #15

Acho sempre querido quando um homem procura ajuda sentimental. As questões colocadas, a pedido do próprio, não são publicadas, apenas a minha resposta:

"(...) aquilo que me lembrei de imediato é que as pessoas tendem a complicar o evidente e, nos piores casos, a enganar-se a si próprios. Não tenha medo da minha resposta porque no final de contas, acho este e-mail não vai ser nem mau nem bom. Vou pedir-lhe que atente nas palavras que escreveu e que tente interpretá-las como se estivesse de fora, como se não tivesse assinado o texto.

O XY disse que "a relação corria bem até aos quatro anos e meio, onde começaram a existir algumas discussões se calhar normais, de casais que já se conhecem relativamente bem". O XY sabe que discussões não são normais, sobretudo se começarem depois de tanto tempo juntos, conhecendo-se bem um ao outro. Pense comigo: ao fim de tantos anos em comum é que é começam a discutir? A discussão (e pelo que percebi partia quase sempre dela) é um sintoma de algo que não vai bem. Esta é para mim a tentativa de engano nº 1, mas por favor não se ofenda com o que lhe digo nem tome as minhas afirmações como lei. Escrevo-lhe na medida das minhas experiências e do meu lado como mulher.

Enganamo-nos a nós próprios para que a realidade não seja tão cruel, para desculpar alguém que não queremos que tenha mudado, mas com isso só atrasamos a nossa vida. Quer-me parecer que o XY é uma pessoa pacífica e ela um vendaval, calculo que estivesse habituada a que lhe fizesse as vontades e quando não o fez tirou-lhe o tapete. Aliás, tomou a iniciativa de um afastamento, algo com que ela não contava de certeza. Mas XY, 3 meses é muito tempo e dá para muita coisa. Quando uma pessoa se afasta por uma semana ou 15 dias, tudo bem, mas 3 meses, ainda que com algum contacto, é demasiado. E quando digo demasiado não falo de regras universais, falo do tempo que lhe foi dado a que ela agisse, a que conhecesse um mundo no qual está ausente e a que se habituasse à distância e à ausência. Somos todas diferentes, mas o que custa são as primeiras semanas. Depois, dependendo se se fica em casa a carpir ou se sai para descobrir o que há lá fora (o que ela parece ter feito), vem a mudança.

O XY diz que o sentimento não pode ter desaparecido em 15 dias porque ela fez uma tentativa antes da sua nesse horizonte temporal, mas tem de se lembrar que deu ao sentimento 3 meses para se gastar e o que pode ter ficado afinal não era sentimento, mas sim orgulho ferido, o que a leva a rejeitá-lo quando consegue o que tanto parecia querer, quase como quem diz "agora já não tem graça".

Não me leve a mal mas, não sei porquê, através do seu texto algo me leva a querer que ela será algo mimada, a ter sempre o que quer - não que isso faça dela boa ou má pessoa - mas se assim for confirma a suspeita de querer só para depois largar, não digo por maldade, mas por questões e necessidades humanas que me ultrapassam.

"Estive uma última vez com ela, faz um mês agora, para lhe dar umas coisas a pedido dela. Não se aproximou de mim mais do que um metro, não me cumprimentou, nem tão pouco agradeceu o facto de eu ter ido lá levar-lhe as coisas. Pedi 5 minutos e tive-os a muito custo", isto são atitudes de quem não quer mesmo estar consigo, a não ser que se trate de uma sonsa que quer é vê-lo de rastos implorando pelos 5 minutos. Para quem tem 32 anos e, calculo eu, queira ser mãe a médio/longo prazo, ela parece ter uma rede de defesa. Sabe aqueles baloiços de circo lá no alto? Uma pessoa atreve-se a maiores acrobacias se souber que tem uma rede que a segura lá em baixo, a sensação de que nunca cairá no chão. E é isso que me parece, que há algo que lhe é omitido que lhe dá uma grande segurança e, normalmente, sobretudo depois de relações longas, é uma terceira pessoa.

Não sei se é seguidor do meu blog, mas eu acredito muito numa coisa que é a seguinte: quem gosta está, quem não gosta não está. Não há amuo que dure indefinidamente se a pessoa realmente gostar da outra (...)

E o XY, acha mesmo que gosta assim tanto dela ou tem um sentimento de perda? Todos estamos sujeitos a errar, mas não acha que se fosse assim tão arrebatador não teria aguentado tanto tempo longe dela? Pense nisso, até que ponto o hábito e o sentimento de perda não estão a falar mais alto, confundido-lhe os sentimentos. Já passei por isso. O meu melhor conselho é que seja claro e transparente olhos nos olhos, sem margem para dúvidas. Não lhe permita birras nem fitas, leve tudo o que tem dela, apareça-lhe e diga-lhe que gosta dela, que lamenta o que aconteceu e que está arrependido, mas está ali para recuperar o que havia e não vai andar a sofrer nem a remoer a hipótese de não ter lutado o suficiente. Assim, prova disso, ali está à frente dela, para que lhe diga que sim ou que não de uma vez por todas.

Se optar pelo não, entrega o que lhe pertence, explicando que não tem mais motivos para o contactar, partindo à sua vida. O destino ditará se um dia poderão ficar amigos ou não mas, a acontecer, não vai ser em pouco tempo. Ou então seriam os primeiros. E na verdade isso não é importante, porque lhe iria saber sempre a migalhas o que ela teria para dar, seria apenas uma fonte de sofrimento e, essa, o melhor é cortar pela raiz. Se ela lhe disser que não, diga-lhe também que não, desapareça da vida dela informando-a disso mesmo e proibindo qualquer contacto.

Chore o que tiver para chorar e um dia tudo mudará. É sempre assim, não querendo reduzir a sua situação a uma frase, estas histórias, também minhas, são sempre iguais, só mudam os pormenores. Ou como costumo dizer: a merda é a mesma, só mudam as moscas. E lembre-se sempre que - "se não a puder ter de volta, existe uma coisa que me consome ainda mais que é saber que sou odiado pela pessoa que mais amo, sem ter merecido isso" - se ela o odiar algum dia, foi porque assim tristemente decidiu, porque é garota, porque a si é que não lhe deu o devido valor e não o contrário.

Disponha,

16.9.09

Agarra que é meu!

Rumei a um casamento no fim do mundo, onde cheguei com duas horas de atraso, kilómetros a mais e gasolina deitada a atmosfera porque insisto que não preciso de um GPS. Digo eu que o meu sentido de orientação é fabuloso, mas isto na esperança que a repetição se torne uma verdade.

Bem para o fim da noite, momento em que lobisomens se transformam na floresta e homens se transformam nas bodas, já sem casaco e de gravata pendurada na testa, divertia-me numa mesa já sem pratos com os meus amigos de antigamente. É sempre giro ver casar um amigo que conhecemos desde os quatro anos de idade e participar da boda com os outros amigos que conhecemos também desde sempre, crescemos juntos na mesma escola, fizemos disparates juntos e muitas vezes foram postos fora das aulas aos pares (eu não que sempre fui uma princesa).



Ria-me ao lado do meu amigo B. e fumávamos o tabaco já escasso sob o olhar atento da sua namorada de há sete anos - e com quem vive há três - sem que eu notasse. Nunca fui íntima da rapariga embora a conheça desde então. Temos uma relação simpática, conversa de circunstância e só a vejo quando o vejo. Na mesa, poisavam umas sandálias lindas, cheias de brilhantes que rapidamente captaram toda a minha atenção. Eram dela, pedi para experimentar, respondeu-me que não. Eu achei que era brincadeira dela e um outro amigo passou-mas, experimentei-as, amei-as, disse que não me serviam, sorrindo para ela que retribuiu um irónico "é pena!". Na mesa o ar ficou pesado, olhei para os restantes e mentalmente pensei "a Poisoned Apple está a apanhar papéis..." e começou a discussão da qual só apanhei algumas palavras. Das palavras brotou a histeria, chamou-lhe nomes, ele levantou-se de rompante, arrastou a cadeira com brutalidade e desapareceu. Continuei sentada. Medo.

De outros chegou a palavra amiga, um deixa lá que isto não tem nada a ver contigo. Minutos depois ele regressou, ela agarrada à anca dele a chorar, maquilhagem borrada, ele a procurar soltar-se, ela a cair da cadeira, sacode-lhe os ombros, chega a mãe do noivo para acalmar os ânimos a quem o B. pediu que tomasse conta da piquena nervosa para poder ir buscar as coisas. Não desapareceu sem antes desabafar irritado: "percebe porque é que não caso com ela?". Ficámos todos em silêncio.

Que vergonha. O que é que leva uma mulher a agarrar um homem com unhas e dentes, a querer que ela seja a única no planeta? Ouvi falar muitas vezes em cenas de histeria, mulheres que não se controlam, que ameaçam matar-se e, com isso, dão tiros no pé, mas quando estamos metidos ao barulho é um palco de teatro completamente diferente. E nisto suspirava e agradecia a naturalidade da minha relação: eu num casamento cheia de homens, o meu namorado a dormir, eu a dormir no dia seguinte até tarde, ele a almoçar com amigos, eu num jantar de mulheres, ele sozinho em casa, talvez de namoro com a Playstation, eu a escrever-vos este texto, ele com colegas de trabalho a resolver um assunto relacionado com a sua profissão, nós numa feira a namorar e a dividir uma fartura, o resto do mundo sabe-se lá onde.

A par com esta história, dei de caras com uma outra a tentar combinar um jantar com um amigo, jantar esse que tem vindo a ser sucessivamente adiado. Vai juntar-se, a pequena engravidou, procura-se a melhor casa e tenta-se combinar um almoço. "Almoço não que é sempre a correr, prefiro jantar!", sugestão que me foi negada porque, como afirmou, estabeleceu um pacto com a sua senhora de que não terá quaisquer refeições com nenhuma amiga sem que ela esteja presente. Caiu-me o queixo. Este gajo terá perdido o tino? É mais velho que eu e vai deixar-se rumar nestes caminhos?



O que é que se passa? As pessoas gostam de viver assim? Agarrados, agarradinhos, sozinhos no mundo, a vida, os amigos e a naturalidade que sempre se teve atirada a uma retrete? E isso dura? Traz felicidade? Não há mesmo tempo para tudo? Cada um sabe de si, mas eu posso afirmar que me sentiria esganadinha. Homem que me sugerisse essa mudança de vida via-me a correr de malinhas cheias sem deixar um sapatinho para trás. E o mesmo posso assegurar no inverso, com a diferença de que um homem que foge disto está disposto a deixar roupa e sapatos para trás. Destas vidas posso garantir: aos outros deixa um constragimento difícil de gerir.

E o que eu acho mais engraçado nestas coisas, em mulheres que outro dia considerei inteligentes, é que não vêem que esta não é uma estratégia de sucesso. Pelo menos a médio e longo prazo. Contando que a parelha vai sempre desculpando e dando oportunidades na esperança de uma mudança miraculosa, depois de um certo tempo é um "ai Jesus!", vão-se as namoradas e os amigos e amigas de sempre ficam. Se os interessados assim o tiverem permitido contra a vontade da parelha, claro. Há os que um dia olham à volta e já não têm ninguém. Eu própria quase embarquei nisso um dia, mas salvei-me a tempo.

14.9.09

Dream on, dream on

Apresento-vos a casa dos meus sonhos ainda por concluir. A mansão que abaixo se pode admirar (é favor não babar as fotos), foi também apresentada ao homem da Poisoned Apple:

- Se me comprares esta casa caso contigo!
- Deixa ver. Humm... gosto. Eu dou-te a casa! Dá cá um beijinho...
- Só depois da escritura! - fechei o portátil e saí da sala com ar de enfado, umas trombas que dizem que o outro está atrasado para algo, deixando-o com o beijo pendurado no ar.

Quem quer de verdade tem de se fazer entender!






12.9.09

Do you remember? #68



A Flock Of Seagulls - I Ran -1982

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11.9.09

m80

Quem vai à festa da m80, já amanhã, em Cascais? Quem? Quem? Quem?! :)
Apresentem-se à Poisoned Apple, não sejam mal-educados!*
* e sejam discretos que poucos sabem o que eu escrevo!

9.9.09

Abaixo a escravatura do avental

A primeira vez que vi este vídeo, longe ia a polémica, mas nunca me esqueci dele. Nem da empregada, coitadinha. Depois vi-a, a menina Carolina Patrocínio, estendida ao meu lado na toalha, na praia do Meco, ela e suas exibições ao público que a conhecia. Quase que se lia no sorriso dela um "toda a gente me conhece", mas isto posso ser eu apenas a ser má língua. Mas coitadinha da empregada.

Agora mandatária da Juventude do PS, a pequena vai à televisão dizer barbaridades como "prefiro fazer batota a perder", afirmando veemente não gostar de passar despercebida, enquanto dá uma entrevista num espaço que julgo ser o seu quarto, pejado de fotos da própria em situações e poses com muito pouco de natural, qual Narciso que gostaria de ter também um quarto assim. A ginginha no topo do bolo, não gosta dos caroços na fruta e ora que só come cerejas quando "a minha empregada tira os caroços para mim". Coitadinha, nasceu sem noção. E que grande partida lhe pregaram os editores deste vídeo! Minha filha chegava a casa e passava a comer fruta até com casca. A incredulidade de muitos (ou tantos) foi tal que no Facebook criou-se o movimento "Libertem a empregada da Carolina Patrocínio". Que ideia genial, pensei desde logo! Aderi ao movimento.

Mas chega de conversa, veja o vídeo que é de chorar por mais:

7.9.09

Verdade #53

Não há não-fumador que consiga compreender o prazer de um cigarro pós-coital.

P.S. Ervi, eu sei que estás comigo!

5.9.09

Do you remember? #67



Bananarama - Iheard a rumor -1987

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4.9.09

Gaijas histéricas

Depois de mais um dia de Holmes Place (sim, que eu agora até faço ginática), preparei-me para a banhoca enquanto o homem da Poisoned Apple tratava de fazer a barba. Desnudei-me, entrei na cabine do duche, relaxei uns segundos debaixo da água, belíssimos movimentos circulares do pescoço, quando olho para o chão do duche, histérica, aos gritos:

- Tenho coisas pretas a sair do pipi!!!

Pânico. Histeria. Estava completamente paralisada perante a ideia de bebés do monstro Loch Ness me estarem a sair aos pares do meu rico pipi.

O homem da Poisoned Apple, qual Super-Homem, abre a porta do duche, deita um olho avaliador aos flutuantes pretos:

- Sãos borbotos das meias novas.

Silêncio.

- Prontus. Também não precisas de olhar para mim como se tivesse seis anos. Já passou o susto.
- Sei... - enquanto continuava de dar uso à gilette.

2.9.09

Na caixa do jumbo

Poderia ser uma maravilha da tecnologia aquelas caixas solitárias à saída dos hipermercados e das quais desconheço nome. Será qualquer coisa como “pague você mesmo”, “faça-se à vida”, “desamerde-se”, “aqui não há meninos” ou “dê-nos menos trabalho”. Mas como qualquer máquina que pede a intervenção do Homem, estamos sujeitos a instantes mais demorados, problemas de interpretação, a um “ai que não lê o código de barras desta orelha de porco!”, momento em que lá vai uma menina que, primeira tenta ela mesma, depois desiste e trata de digitar o código, número a número, e é ver uma fila de gente que ora suspira, ora revira o olhito e se pergunta porque é que a gente com pouco miolo para as novas tecnologias se mete nestas coisas e atrasa a vida dos outros. Eu pergunto-me, confesso.

E esta semana perguntava-me isso mesmo, sozinha no Jumbo, farta de esperar por esta gente que precisa de rever mentalmente cada passo antes de enviar um e-mail ou fazer um transferência bancária via internet. Ora repousava o peso do corpo na perna esquerda, ora na perna direita, o tal revirar dos olhitos, nenhuma Caras ou Lux por perto para me “actualizar”, enquanto para um grupo de jovens -nos seus vinte e poucos - o tempo passava certamente mais depressa que a mim de tão divertidos que estavam. Lá iam dando encontrões uns nos outros, com garrafas de álcool manhoso na mão, o mais baratinho, e falavam da Marta e da Joana que alguns queriam ver na horizontal. Havia uma Sónia que não lhes levantava o pau. Tinha estrias, afirmaram os que a tinham visto na praia.

A conversa estava animada, a minha escuta ainda mais, mas chegou a minha vez. Tudo correu bem, que não sou lesma nenhuma e muito menos bronca (ou pelo menos assim gosto de pensar), e pude constatar que além dos percalços ai-que-não-lê-o-código existem outros. Assim que passo a zona limite do hipermercado era ver tudo a apitar com uns sinais luminosos laranjas muito lindos. “Mas que merda, eu paguei tudo!” falou o cérebro para mim, interrompendo-me a menina que, explicou, devia ter um alarme em algum dos artigos. Pouso os sacos no chão para que a mesma fizesse o seu trabalho e, de inteligente que sou como afirmei há pouco, vai de pontapear o feijão frade que rolou corredor fora, obrigando-me a afastar alguns metros da menina. O feijão obrigou-me a afastar da menina, a distância obrigou-a a falar mais alto para que a ouvisse:


- NÃO SE PREOCUPE, É DO LUBRIFICANTE! – enquanto retirava um autocolante metálico da embalagem para que todos pudessem ver.


Ninguém imagina a minha tromba nem o júbilo mal-contido daqueles pós-adolescentes a pedir que lhes ensinasse qualquer coisita.