26.2.09

Admirável mundo novo

Os homens são burros - eu sei, estou a repetir-me pela quinquagésima vez, mas há que admitir as verdades. E, imagine-se, até o homem da Poisoned Apple deveu à inteligência em tempos. Médico de profissão, a certa altura dos seus estudos académicos entendeu que sabia pouco de pipis e precisava de tal sabedoria para concluir determinada cadeira. Não era saber pouco de pipis no sentido sexual, mas sim no que respeitava à Mãe Natureza, menstruação e dispositivos para o efeito existentes no mercado. Um homem a sério não pergunta à mãe, nem à irmã, nem às amigas. Um homem a sério entra num supermercado, puxa de um carrinho e vai de comprar tudo o que existe nas prateleiras. Pensos finos, grossos, com alas, sem alas, diários, tampões com e sem aplicador, minis, normais e superplus, enfim, todo um material dispendioso na quantidade, não considerado material didáctico e muito menos material escolar dedutível no IRS.

O jovem foi para casa abrir embalagens e observar pensos, uns que pareciam fraldas, outros nem tanto, dar-lhe com água, conhecer os limites de absorção e pendurar tampões debaixo da torneira e ver como cresciam. Ouwwwwww... era um admirável mundo novo, como cresciam! Uns inchavam, outros esticavam, a diversidade era espantosa. E após toda esta observação (e sem que eu saiba o que fez àquilo tudo) sentiu-se esclarecido.

Lamentavelmente, só anos depois percebeu que o lado autocolante dos pensos não vai colado aos lábios vaginais e sim às cuecas. É assim, não se pode ter tudo num homem.

23.2.09

Slumdog Millionaire

Há uns tempos tornei-me num pirata informático no que respeita aos recém-estreados filmes no cinema. Está no cinema? Já o tenho no meu portátil. É assim, a evolução dos tempos. Imagine-se que até já ponho legendas nos filmes. Sou um perigo cibernético.
O filme Slumdog Millionaire, que soube hoje ter arrecadado uma série de estatuetas na noite dos Óscares, desde logo ficou como meu preferido e nomeado por mim como Melhor Filme. Mais eis que nas salas de cinema portuguesa os cartazes do filme prococavam-me prurido, urticária, vá, gases. Então não é que houve um grunho qualquer que traduziu o título do filme para "Quem quer ser bilionário?"??? Bilionário? Mas a que propósito? Quem foi o grunho que aumentou em mil milhões o nome do filme? Mais ainda estranho quando o programa de entretenimento passou em Portugal e tem de nome, imagine-se, "Quem quer ser milionário?". Heim? Milionário! Gostava de falar com estas criaturas que tomam a liberdade de traduzir o título dos filmes. Eu tinha vergonha de ver um trabalho destes nos cartazes espalhados por Portugal fora, ah e tal, foram só nuns milhões que me enganei. Olhem, façam contas... - como vi alguém dizer na TV há uns anos.
Tivesse eu tempo, dedicava à pesquisa in loco e corria a escrever uma tese na qual as traduções escolhidas para os nomes dos filmes (e que aposto, devem ser sempre os mesmos a trabalhar) embrutecem o povo português e provoca constragimentos na hora da compra do bilhete. Ou o leitor acredita que na hora da compra o espectador diz «um bilhete para o "Quem quer ser Bilionário?"»??? Não! Não diz! tenho a certeza que diz «um bilhete para o "Quem quer ser milionário?"»! E acredita que a menina dos bilhetes corrige? Não!

Mas prontus, esqueçam lá isso que uns milhões não fazem diferença a ninguém e vão ver o filme que é genial, fabuloso, desarmante, bom, bom, bom!

Grunho, se me lês, diz-me. Eu preciso de encontrar resposta às dúvidas que me inquietam. Porquê de milionário para bilionário? Porquê?

22.2.09

Do you remember? #41



INXS - Mystify - 1987

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

19.2.09

Desafio "venham mais seis!"

Respondendo ao desafio da menina Pensadora (tarde, mas muito a tempo!) e sem cumprir a regra de escolher outras seis vítimas, aqui ficam seis coisas sobre mim:

1 - Como chocolate (ou um doce) todos os dias. Eu preciso.

2 - A minha relação mais longa durou pouco mais de cinco anos e a mais curta apenas seis meses (mais do que muita gente consegue, dizem).

3 - A minha irmã do meio é a pior pessoa que conheço no mundo e prejudica-me sempre que pode.

4 - Já achei que era capaz de morrer com o desgosto.

5 - Já parti cinco carros (e nenhuma das situações foi culpa minha).

6 - Sofro de um problema de flatulência crónico que já condicionou muitas decisões e momentos amorosos porque simplesmente "não podia".

18.2.09

Pré-requisitos

O homem da Poisoned Apple é um encanto de criatura é certo, mas estão todos à espera daquilo que eu já contava: os defeitos. É uma questão de tempo, meus caros, e eles aparecem como grãos de areia no deserto. Numa só tarde levei cada chapada que não sabia o que fazer. O mal é que não fui eu que me fiz ao piso dele, simplesmente deixei-o chegar-se e, inicialmente, foi conhecendo mais ele de mim do que o inverso. E como se nada fosse fiquei a saber que não gosta de sardinhas, e eu imaginei o verão mais pobre, que não aprecia marisco e "conchinhas", e eu vi o verão sem mariscadas à saída da praia, com a pele tostadinha e marcada de sal, a batalha pela última amêijoa, o molhar o paozinho na água de coentros, coisas que a minha mãe sempre me ensinou que era feio fazer, mas que todos fazemos. E quando achava que o caso estava mal arrumado, vai de informar que não gosta muito de sushi e aquilo foi uma naifa no meu coração, foi um prenúncio de uma relação avinagrada onde o bem comer vai ser uma guerra.

E dizia ele que não se importava de ir comigo ao sushi, mas só de vez em quando. Eu lá quero ver um califórnia mastigado fora do estômago! A partir de agora, candidatos amorosos preenchem o documento Poisoned Apple "Pré-requisitos", com atenção ao anexo "C", de Comida, que é para não sofrer amuos. É que agora é tarde para mudar. Merde!

17.2.09

Declara-te a mim #3

Poisoned Apple - #$%&/$%&/=?&# EU PERCO ANOS DE VIDA!!! #$%"#$%$% - gritava furiosamente a princesa desabafando a conjuntura profissional que lhe retira toda e qualquer paciência.

Homem da Poisoned Apple - Tudo o que achas que tens perdido nos últimos anos, eu vou devolver-te.

Estas coisas desarmam uma miúda, mesmo que até fosse mentira. Como é que eu ia continuar aos gritos. Só sozinha dentro do carro.

15.2.09

Do you remember? #40



Billy Idol - Eyes Without a Face - 1984

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

12.2.09

Questões pertinentes #14

Ando há que tempos para colocar esta questão no blog. Pode parecer que é uma questão estúpida, é certo, mas só compreende a necessidade disto quem é mulher. Ou não, não sei. Pode ser que os homens tenham muito a opinar sobre o assunto.

As mulheres, eu, temos o hábito de usar uma coisa de nome "pensos diários"*, por uma questão de higiene e não colar a lubrificação natural da mulher nas cuecas. Poupem-me a história de que o/a ginecologista diz que é melhor não dar uso a isto, blá, blá, blá, eu não vivo sem pensos diários. Sou incapaz de andar durante o dia com a lubrificação, branca, colada numas cuecas. Se forem brancas não é suportável, mas se as cuecas forem de cor, é abominável. Não vivo sem eles, mas tenho alturas que faço uma grande ginástica. Alturas essas de namorado, em que estrategicamente sabemos que momentos mais íntimos se aproximam e vai de arranjar forma de me dirigir a um WC para arrancar aquilo das cuecas, embrulhar em papel higiénico, deitar fora e aparecer como nova. Cheguei a arrancá-los das cuecas dentro do carro, embrulhá-los num lenço de papel atirado ao lixo e tocar à campainha como se nada fosse, sabendo o que se seguia. É tão difícil ser gaja.

Como é que os homem encaram a presença de um penso diário na cuequinha ao desbravar território manualmente? Ao retirar a roupa íntima?

*É lamentável como o google não me dá uma imagem de um penso diário. Até o google desaprova a ideia!

9.2.09

Quero

Não sei se reparaste que íamos trocando o copo de vinho. Bebíamos sem ordem, os dois copos não tinham dono e não te sabia responder à pergunta. Argumentava que ninguém sabe traduzir por palavras de forma clara e profunda aquilo que cada um quer, o que procura. É muito mais fácil listar o que não se quer. O que se quer sente-se, não se debita, é como gostar a sério e não saber porquê. O que não se quer é muito mais fácil de identificar, fruto de vivências infelizes que rapidamente fazem crescer aquele documento mental de nome "not to".

Tiraste-me o sono e comecei a escrever este texto longe, mas tão perto de ti. E lembrei-me que quero a tua tranquilidade, o espaço vazio ao lado da tua cama, os teus abraços que quase me afogam. Quero sardinhas no verão, uma festinha todos os dias, ser importante, estar em primeiro lugar. Quero ser insubstituível, dividir um cigarro e um Quinta da Alorna, colheita tardia, enquanto alterno a minha cabeça no teu peito com as pernas no teu colo. Quero namorar, desconjuntar o sofá e atirar as almofadas ao chão. Quero saber que pensas em mim, que a minha marca de iogurtes está no teu frigorífico e que há sempre um chocolate para mim. Quero deixar-te recados escondidos debaixo da almofada, partilhar banhos de sol, receber um beijo quando sais e me deixas dormir. Quero que me deixes sempre dormir. Quero a tua presença constante quando não estás, o teu cuidado e respeito. Quero beijos, mil beijos. Quero deixar Seal em repeat porque o verbo namorar carrega uma inércia que não deixa mudar de intérprete. Quero deixar o Salazar e as suas meninas falarem sozinhos, quero que cozinhes para mim, que me faças surpresas. Quero as tuas cores, visitar a até agora desconhecida Invicta, fazer um coast to coast, mergulhar numa qualquer praia tropical. Quero que te rias mais vezes, que penses sempre que afinal o céu existe.

Quero conhecer o teu mundo, trazer-te muito mais novidade, ensinar-te que ainda tens tanto para conhecer. Quero dançar no escuro o melhor dos 80's e que me vás buscar quando o IC19 me troca as voltas. Quero que me inspires a escrever. Quero que tudo o resto se torne relativo, quero poder fazer birras. Quero gastar o óleo de massagens e comprar outro. Quero provocar-te, manter a minha expressão de sacanagem. Quero que conheças cada par de sapatos que guardo no meu quarto. Quero fazer-te festinhas no cabelo enquanto lês um livro, passar de leve as minhas unhas na tua pele. Quero dizer-te que para mim és lindo e ouvir mais vezes gosto de ti. Quero que tomes conta das minhas coisas às quais não dou recado, quero fazer-te doces, quero que me tires os brincos sempre com o mesmo jeitinho. Quero que me faças rir, falar pelos cotovelos, quero trocar livros e ver filmes num qualquer lugar do teu colo que é só meu. Quero que me cures quando estou doente, que me ensines o nome de todos os ossos do corpo humano e me obrigues a fazer exercício. Quero pensar melhor onde tenho a cabeça para te pedir que me leves a fazer exercício. Quero plantar coentros e salsa na tua quinta. Quero poder chorar sempre nos teus braços, quero sempre a verdade, o emocionante e o raspanete. Quero que afastes o cabelo da minha cara. Quero manter este sorriso idiota na cara.

E quero mais de ontem.

7.2.09

Do you remember? #39



ABBA - Dancing Queen - 1975

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

5.2.09

Quase, quase...

Estive quase, quase para lhe ligar e perguntar a que horas acabava o dia amanhã. Estive quase para lhe dizer que não queria nada de especial, mas que estava doida para dar beijos na boca na casa nova que ainda não vi e que só amanhã vai ter inquilinos. Faltou-me um bocadinho assim, pequenino, como os iogurtes, mas assim que olhei para o espelho voltei a pôr o telefone na mala. Estou com uma alergia danada na cara, cheia de babas no pescoço e nas bochechas, litros de base, pós correctores, uma verdadeira boneca de porcelana bexigosa por baixo do betume e não me atrevo a apresentar assim a um homem quando tudo entre nós é ainda inicial. Preciso de esperar mais uns três ou quatro dias para que isto passe e ir desculpando-me com trabalho. Eu até arranjava tempo, mas é melhor ele não saber que existe tempo. É normal fazer isto, não é?

4.2.09

Verdade #44

Só me cruza o pensamento expressões como "férias", "baixa psicológica", "preciso de tempo para arranjar as unhas", "preciso de tempo para responder aos amigos", "preciso de tempo para namorar", "tenho de me dedicar mais ao blog", "tenho de arrumar o quarto", entre outros. E quando tenho tempo para estas coisas não consigo, os olhos fecham-se e adormeço até no chão de madeira, deitada em frente ao aquecimento, enquanto a minha viatura vai sendo constantemente estacionada sem que puxe o travão de mão. E vai ser até dia 27 a trabalhar dia e noite, assim, zombi. Penso todos os dias que não sei até quando vou aguentar.

3.2.09

Ajudemos a Vânia!

Ajudemos a Vânia que tem um blog interessante - www.belizsexologia.blogspot.com - e pode vir a fazer-nos revelações surpreendentes!

Estudo sobre Estilos de Masturbação Feminina
e Orgasmo Feminino durante o Coito

"Finalmente comecei o meu trabalho de investigação para a conclusão do mestrado. Quando me debrucei sobre a escolha do tema, temi as dificuldades tendo em conta o facto da MASTURBAÇÃO FEMININA ser ainda um grande tabu. Apesar de se tratar de um comportamento comum em ambos os sexos, foi desde sempre reprovado e ainda hoje nos questionamos sobre as possíveis consequências desta repressão. Pretendo com este trabalho perceber a forma como as mulheres se estimulam,tocam, para assim chegarem a relações mais prazerosas. Na minha prática clínica ouvi muitas mulheres, com dificuldade em lidarem com a sua sexualidade, em procurarem o seu prazer, em conhecerem melhor o seu corpo. Por ser um tema polémico, não se encontram muitos estudos nesta área e alguns confesso que são um tanto tendenciosos, outros pelo seu valor e rigor científico, abrem portas à descoberta de algo tão íntimo como o comportamento masturbatório. Não quero ser pretenciosa em relação ao meu estudo, quero apenas permitir-me conhecer melhor as mulheres portuguesas, obter algumas informações que me permitam continuar a ajudar as mulheres na sua busca por mais satisfação e prazer... Este estudo estará on line e no link:

http://www.recolhadedados.com/mf/mfpage00.aspx

para que todas as mulheres maiores de 18 anos possam participar de forma anónima.

NOTA IMPORTANTE: Se algum indivíduo do sexo masculino tiver interesse em conhecer o conteúdo do estudo, enviarei com todo o prazer o documento em formato Word, uma vez que a visualização do questionário no link contabiliza os resultados o que deturpará os resultados de investigação. Alguma dúvida ou dificuldade em aceder ao link informem-me por favor: vaniam@portugalmail.com"

2.2.09

Verdade #43

Recebo muitos pedidos para o "Consultório Sentimental" que pedem para não ser publicados. Ontem respondi a um no qual explicava em muitas linhas aquilo que espremido pensava eu dar dar uma verdade clara: quem gosta está, quem não gosta não está.

Mas depois de enviar a resposta ao e-mail lembrei-me daqueles que não sabem estar sozinhos e que, por isso mesmo, ainda quando não gostam permancem lado a lado, levando os pares a pensar que são amados. Grande porra. Mesmo quando temos alguém que está, pode estar apenas porque não sabe estar só, porque é melhor ter uma na mão do que duas a voar, porque para essas pessoas tudo o que vem à rede é peixe, porque mais vale isso do que nada.

E assim anda meio mundo a enganar a outra metade. Quem tem amores, tem dores. Essa é que é verdade.

1.2.09

Do you remember? #38



Sade - Smooth Operator - 1984

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com