(continuação)
Eu tive um namorado que duas semanas depois de me dizer que me amava, que eu não tinha como compreender as saudades que sentia por mim, que me queria sempre junto dele, que se sentia incompleto sem mim, que tinha de estar junto dos filhos dele e que devia era viver em casa dele, desapareceu sem deixar rasto. Mesmo. Catita, heim? Isto não é só nas novelas!
Eu conheço uma rapariga, pouco mais nova que eu, que ouviu o pai sair de casa dizendo que ia comprar tabaco e nunca mais apareceu. Saiu com a carteira, a roupa que tinha no corpo e já passaram mais de 20 anos.
Com isto não quero dizer que desconfio do homem da Poisoned Apple. Mas eu também não desconfiei dos princípios, valores e carácter deste meu antigo namorado (?) ou nunca me teria encostado um dedo, é claro! Talvez a mãe desta rapariga fosse capaz de pôr as mãos no fogo pelo marido fugitivo que, ao que parece, depois de o procurarem nas morgues, vive sem peso de consciência lá para o Luxemburgo.
A única coisa que eu sei, é que o inesperado acontece e tenho de me mentalizar que nunca vou ter como lhe fugir. Não há dentes de alho nos bolsos que me safem. Não sei explicar como sinto estas questões e não é que desconfie dele, mas desconfio da vida. Tenho medo que o dia-a-dia nos separe os caminhos e nos torne irreconhecíveis.
Tento mentalizar-me que os medos, se lhes der ouvidos, podem evitar que me magoe, mas também podem evitar que viva. Terei sempre de optar por uma ou por outra hipótese, e perguntar-me qual delas quero mais. Mentalizar-me que não posso desejar nunca mais sofrer, porque o sofrimento faz parte da vida. Se os dias amargos não vierem, os doces vão saber-me sempre ao mesmo, e lembrar-me sempre que o sofrimento é horrível, mas sempre me fez crescer, ser mais e melhor.
E isto é bonito de escrever, sobretudo para ver se me convenço a mim própria.
Também se perguntava a Miss Glittering: devemos esperar quanto tempo até decidirmos viver juntos? Há uma fórmula, uma equação qualquer, que meça o tempo necessário a garantir o sucesso a uma relação? Sei bem que não. Até porque há pessoas que namoram anos e anos, e só vivem juntas depois de se casarem e acabam por se separar porque afinal não se conheciam, os hábitos diários não são compatíveis e não conseguem lidar com as diferenças.
Mudar as minhas coisas para casa dele aos poucos, já de uma vez; em Julho de 2010 ou já este Natal; com cinco meses ou com um ano de namoro; com mais ou menos um ano de idade do que tenho agora, com mais ou menos sapatos, a verdade é que não existe uma forma correcta ou incorrecta de fazer as coisas. As formas de o fazer não são boas nem más, são apenas hipóteses.
A solução é ouvir o coração. Ir falando e escrevendo, para alinhar as ideias. Há-de existir um momento qualquer que me dirá "é agora!". Até lá, aguarda-se.
8 caroço(s):
Confiar desconfiando. Posso gostar, confiar, mas pôr a mão no fogo? Só pela família.
Cara Poisened Apple:
Sou sua leitora assídua há já algum tempo, inclusivamente tenho o seu blog linkado no meu. Considero-a uma mulher prática, decidida, de mente aberta e com bom sentido de humor e, por isso, gosto de a ler.
Se me permite, gostava de lhe deixar um comentário a esta sua situação, muito embora não queira estar a intrometer-me na sua vida nem queria que ficasse com essa ideia... é apenas uma opinião - o inevitável acontece, vai acontecer e assim será sempre. Seja com o amor, com o trabalho, com a própria vida, tendo em conta que mais tarde ou mais cedo todos morremos. O que lhe quero dizer apenas é, não perca tempo com dúvidas e receios, porque o que está a fazer com isso é que esteja a passar mais um dia sem estar a viver lado a lado junto da pessoa de quem ama. E, na verdade, não sabe se amanhã acorda ou se alguma coisa acontece (ainda há 3 dias a terra tremeu e podería ter sido bem píor...). E enquanto está com essas dúvidas está a perder todos os minutos bons e maus junto de quem ama. Arrisque! Vá em frente. Não pense tanto nos exemplos dos outros nem no que acontece e aconteceu com outros. Constrúa a sua própria história, o seu próprio caminho... se não correr bem é porque não tinha de ser, mas pelo menos tentou e deu o melhor de si e só por isso é uma experiência positiva. porque tudo o que vivemos de corpo, alma e com dignidade deve ser recordado de cabeça erguida! Boa sorte, Bom Natal e continuação de boas partilhas neste blog!
Peço desculpa por ter ecrito mal o nome.
Errata: onde se lê "Poisened Apple" deverá ler-se "Poisoned Apple".
"os medos, se lhes der ouvidos, podem evitar que me magoe, mas também podem evitar que viva"
Tictactictactictac.
Pois é. Atire-se de cabeça. Enquanto o pau vai e vem folgam ... E folgue. Folgue enquanto é tempo porque vai chegar um dia em que quer folgar e não tem como nem com quem. de qualquer maneira vai acabar mal. Acaba sempre. Ou ele se pira com aquela sua amiga - sabe, aquela muito gira e um pouco mais nova - ou se farta de si a parte para outra. Mas, ma vida como na festa, bolo comido é bolo saboreado e esse já ninguém lho tira.
Felicidades
Bem, grande texto que aqui ficou: http://maildeumlouco.blogspot.com/
sera que ha uma forma certa? ou o essencial é o sentimento?acredito mais nesta ultima. bom natal!!
Tenho um post antigo que fala um pouco disso, o que as pessoas dizem e fazem e diferente!
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