16.12.09

Consultório # 17 - parte II

Não estive bem, falhei no esquecimento de alguns pontos de vista no Consultório #17. E quem me fez ver isso mesmo foi o leitor Phillipe R. (PR), leitor deste blog e, surpreendam-se, gosta de aparecer por aqui porque não concorda com a maioria das minhas afirmações, o que eu acho um piadão.

No que respeita aos D. Juan, o PR afirma que nós mulheres sabemos todas como lhes fugir. Discordo que se coloque uma questão dessas tão gratuitamente e de uma forma tão "inocente". Vejamos: uma rapariga gosta de um rapaz que é mulherengo e não sabe o que fazer... portanto, a culpa será dele? Discordando da minha resposta e até porque a aprendizagem emocional deve estar em nós, sem interferência de terceiros, ao que parece os Don Juan vivem da maneira que entendem ser melhor. O estilo de vida, pelos vistos, está bem presente na mente de mulheres como a G. e, ainda assim, no final do dia, quem tem esse estilo de vida e sabendo as mulheres que lhes pode ser prejudicial, a culpa é do homem?

Eu entendo perfeitamente o ponto de vista do PR. Hoje em dia, quando vejo/leio este tipo de situações e o consequente desespero feminino, suspiro. É tão básico o caminho da fuga! Mas há um segredo: nem sempre foi. Hoje não perderia o sono por este tipo de situações, mas já aconteceu. Cair na vida é uma peça fundamental. E eu caí e aprendi. A outras falta cair e levantar-se. Mas não penso que procurar apoio emocional em fases que ainda sabemos pouco seja algo a evitar. Foi o que a G. fez. Foi o que eu fiz em tempos.

Eu não afirmo que neste tipo de situações a culpa é do homem e apenas do homem. Aliás, eu procurei sacudir a G. para a realidade, tentar fazer ver o que ela sozinha para não conseguia ver: ele é assim. Mais, deixei claro que por vezes nem se trata de gostar, trata-se de um lado feminino que deseja uma conquista, um "este homem por mim vai mudar!". Ou seja, muitas vezes não passa de um cavalo de batalha. A culpa não é do homem, assim dito de uma forma simples. A grande questão é que há homens que são puros D. Juan e nada há a fazer, e outros há (e sobre estes eu reflectia enquanto escrevia) que trazem memorizada a cantida do bandido: "eu vou mudar", "é uma fase", "és tudo para mim", "só estou bem contigo"... Ou seja, estes casos não tratam de situações transparentes.

Os homens sobre os quais escrevi não são os homens que dizem de caras: "este é o meu tipo de vida e não deves esperar diferente. Queres, queres; não queres, não queres". E quem diz homens haverá mulheres também! Isto não é exclusivo da classe. Os homens sobre os quais escrevi são os que levam este tipo de vida e tentam fazer crer que isso não é verdade. Mas verdade seja dita, devo acrescentar, assim de repente não me recordo de nenhuma história em que o homem levasse a mão à consciência e comunicasse a uma mulher: "minha filha, nunca será melhor que isto". Mas se calhar até há!

Mas o PR confessou: Ainda que considere que as pessoas colocam demasiada complexidade e valor sobre estas questões (...) tome como exemplo a minha experiência pessoal. Confesso que não tenho grande dificuldade no que diz respeito a seduzir mulheres embora não faça disso desporto. Menos dificuldade tenho no que diz respeito a magoá-las e sim, já disse mais do que uma vez o "sim, quero mudar" ou "contigo estou bem". Porquê? Porque era aquilo que eu queria para mim e era o que sentia naquele momento, o que não implica que seja algo verdadeiramente sólido.

Nunca escondi a minha natureza mais fria, distante e desprendida das outras pessoas mas adianto-lhe que fui sempre ignorado - "ele comigo não é assim". Claro que posteriormente quando me sentia entediado com quem estava, caminhei para a minha vida ao som de insultos e maldições. Mas devo ser censurado por isso? Por ter dito algo que me pareceu verdadeiro (leia-se: eu quero e vou mudar) e não ter conseguido atingir o meu objectivo de mudar? Afinal, ambos fomos iludidos pelo mesmo (...) Creio ser justo ser censurado por magoar mas não por ter dito as coisas porque era aquilo no qual acreditava.

(...) A conclusão que retiro é que mesmo que tirem o lobo da floresta, não podem tirar a floresta do lobo. Sei que vou continuar a magoar. Até quando vou fazer isto? Até vir alguém que me magoe a mim e isso me afecte até aos ossos.

A honestidade é maravilhosa.

5 caroço(s):

sofia disse...

e ja pensaste em empatia? tentar port no lugar do outro e procurar ver o que esta a sentir?

é que é mto bonito dizer: ok, eu magoei mas, ao menos fui sincero. é bonito mas, nao chega!

Allie disse...

Não deixa de ser fácil dizer que se quer mudar, mas prefiro um homem que mostre que está realmente a tentar mudar que um que assume verbalmente o seu problema. Obviamente, também já tive um ou outro "conquistador da cueca" e hoje sinto que os posso reconhecer mais facilmente e como tal afastar-me. Acredito que o segredo para encontrarmos a relação perfeita está em sabermos estar sozinhas. A partir daí, sem medo da solidão, é tão mais fácil resistir aos engatatões.

luafeiticeira disse...

Pois, esse tipo de comentários lixa-nos.

A Heidi regressou, tarde mas já podes ler a III.
Bom Natal
joca

Ines C. disse...

Ui. Este texto matou-me. Tenho um homem desses, e sou em certa medida uma mulher desse tipo. Estaremos condenados?lol

Ja agora, parabens pelo blog. Segui-lo-ei.

www.naoseidarnomesascoisas.blogspot.com

Anónimo disse...

que falta de sensibilidade e de caracter PR..! as pessoas adultas e felizes procuram sempre ser melhores e não prejudicar os outros... o dizer a verdade não justifica ser sacana e mau....

hitler tb disse (e ja chegou a escrever) a sua verdade, mas isso nao o desculpa de ser um ditador e assassino...francamente!