Eu e o homem da Poisoned Apple temos medo do fim. Sabemos de separações, de relações que de saudáveis apenas têm a higiene pessoal individual, de traições e de todas aquelas coisas que deixam os visados com um amargo de boca. E gosto disso, do medo que temos. É sinal de que estamos atentos um ao outro, na medida em que procurarmos trazer-nos harmonia, felicidade. Veio aqui o João, e muito bem, falar disso mesmo.Conta o autor que as pessoas andam (demasiado) abertas a tudo. Conta também aquilo que já todos sabemos: que uma relação a dois é uma coisa que exige compromisso e que tal não devia ser surpresa para ninguém quando toma a decisão de investir num namoro, casamento, o quer que seja. A par disto, da vontade e do esforço, parece que o mercado dispõe de uma oferta larga de número: as galinhas dos vizinhos. E é aqui que faz uma observação inteligente que tenho pena de não ter sido eu a escrever: a ideia de que a galinha do vizinho é sempre melhor que a nossa, e não nos oferece tantos obstáculos, é apenas isso, uma ideia. Vai-se a ver e os problemas que existem com a actual cara-metade, existirão também na galinha do vozinho a quem se anda a deitar o olho e namorar as penas.
Apesar de compreender o que o João quis dizer, eu nunca senti isso na pele, desejar alguém que me passa ao lado. Mas um destes dias, após uma semana em que trabalhei dia e noite, em que não vi o homem da Poisoned Apple por uma semana, quando eu e a equipa chegámos ao fim do trabalho, apostou-se na ideia de ir comemorar com uns canecos. A noite estava estrelada, estava calor, estava bom na rua, sentia-me acordada (o que era difícil de acontecer naqueles dias) e estava mesmo, mesmo com vontade de sair. Convidei a minha cara-metade a juntar-se a nós. Começou por dizer que sim, mas depois sentia-se cansado. "Vai tu", dizia, explicando não se importar e que gostava de mim na mesma. Mas eu não fui capaz, naquele contexto de ausência recente.
Naquele momento desejei ser omnipresente, poder estar nos dois lados, cumprir a minha obrigação e rir-me desalmadamente com os amigos. "Não devia ter «casado»!"- disse em tom de brincadeira. Mas não passou disso mesmo, uma brincadeira, porque sei desde sempre não me importo de perder umas coisas em nome de outras. Não bebi uns copos, mas matei saudades, dei muitos beijos na boca e ri-me na mesma.
Tem de haver tempo para tudo e sou incansável perante uma dificuldade. Não me interessam roupas desarrumadas, nem tampos de sanita levantados. A mim interessa-me o diálogo, a comunicação, o bom-senso. E enquanto sentir que tenho isso na minha vida, não troco a minha galinha dos ovos de ouro por nenhuma outra.
6 caroço(s):
Eu digo sempre que encontrar alguém à nossa medida é quase tão "fácil" como acertar no euromilhões. Depois de muitas cabeçadas, finalmente, ele veio. E tal como vocês, desde o primeiro dia apostámos no diálogo e na compreensão mútua. Pode haver dias menos bons, quem não os tem?, mas esse medo de que falas obriga-nos a abrandar e a ter calma e por isso, a cuidar da relação. Exige tempo, paciência e trabalho, mas o resultado final vale semre a pena.
O meu ponto de vista enquadra exactamente no teu Poisoned Apple.
Sorte a minha de ter um Homem e não um rato...
Um homem que tem valores, que não se importa que os outros lhe mandem bocas como "só falas nela, pelo amor de deus!"
Se estamos a construir um projecto juntos, por que não falar de mim? Vai falar de quem? Da gaja do minimercado??
Poupem-me por favor!
O que se quer é um homem com quem conversar, com quem rir, com quem fazer loucuras...perdem-se umas coisas, mas ganham-se outras, se calhar muito mais valiosas...
falar na terceira pessoa, sobre o próprio, é caracteristico de jogadores de futebol...fizeste-me lembrar o jardel.
E mai nada!! :)
Pois a mim faz-me imensa confusão essa perda e/ou esquecimento de identidade, esse optar por ele, esse viver para ele... mas enfim, no final das contas o que importa é ser, de facto, feliz... e se isso vos faz feliz, continuem! Para mim, essa dependenciazinha e espécie de tranquilidade à eyes wide shut são me contenta. May all our dreams came true!
Eu tenho um grande Homem ao meu lado, claro está ao lado de outra grande mulher(:))
Todos os dias, dá-se mais um bocadinho,todos os dias um dia novo, mesmo que se repita o que já aconteceu nunca é da mesma forma.
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