30.9.09

Consultório #16

Ele vai casar com a gaja. A gaja cruza-se com a visada, a ex, e procura marcar o território, só faltando mesmo uma mijinha em cima do homem mesmo em frente à antecessora. Ele diz que gosta dela, mas também gosta da anterior. E da amiga e da prima e da gata da vizinha que é uma bola de pêlo mas também lá ia. Entre bichos e mulheres, vai deixando a marca como pode. Há homens assim, que nasceram para gostar de todas as mulheres e mais algumas. Umas há que ficam sem norte. Mas isso trabalha-se.

Olá I.,

(...) pede-me que lhe escreva uma frase mágica, mas a verdade é que a "magia" está dentro de si na resposta às questões: porque é que isto a afecta? O que é que pretende? Há inúmeras razões que apenas a I. poderá indicar, daí a dificuldade na minha resposta. Tem apenas um sentimento de posse em relação ao XY ou ainda gosta dele? Eu continuo a achar que quando o amor foi verdadeiro, o que parece ter sido durante 4 anos, essa vivência torna impossível uma amizade natural e, por isso mesmo, o melhor mesmo é o afastamento, o que não significa que lhe vire a cara se passar por ele na rua.

Se depois disso ainda tentaram voltar, a possibilidade de uma amizade torna-se mais impossível ainda. Acho que o segredo para que isso aconteça é passarem pelos dois outras pessoas e muito tempo, porque só o tempo torna as situações mais relativas, mais "pequenas", mais "sem importância" porque já passou isso mesmo, muito tempo.

O XY é igual a muitos outros, não me parece trazer nada de novo. Um egoísta que só se interessa por ele próprio. Acho estranho que com 29 anos queira casar, não é comum querer prender-se numa idade que é considerado algo cedo na sociedade actual. Para mim continua a haver qualquer coisa que desconhece e não é pressão familiar, porque ele não se importa com isso, só se importa com ele. Mandou-lhe sms porque é sempre divertido (re)viver um flirt, porque é bom, incha o ego saber que a ex ainda nos dá conversa, que ainda somos importantes, porque não há nada como manter os nossos antigamentes numa caixa e conservar para - em caso de necessidade - ir lá buscar, o chamado picar o ponto.

Não caia na ideia de que se ele faz isto é porque as coisas não estão bem ou não está muito apaixonado. Eu também pensava assim e tem sentido pensar assim, mas isso é para pessoas como nós, que acreditamos no amor, na fidelidade e temos bom carácter. Mas a verdade é que há muitos homens que estão bem e fazem jogos por detrás, faz parte da natureza deles e são os que eu chamo de mau carácter. Alguém que vai casar e ainda se ocupa com sms e beijos no seus caracóis, é porque não pode ser boa pessoa.

Quanto a essa XX que tem atitudes de coitadinha, eu tenho uma frase que costumo utilizá-la: "as pessoas só vão até onde lhes for permitido". Assim, da próxima vez que ela fizer qualquer outra tentativa semelhante à que me relatou, o melhor é olhá-la como se fosse uma criança, com ar de quem está ocupado e dizer: "ó XX, desculpa-me a franqueza, dás-te conta das figuras que andas a fazer? Achas que eu quero saber ou me importo? Não me molestes mais, por favor. Vá, arranja com que brincar!", sem qualquer tom de irritação na voz, como se estivesse a rezar o Pai Nosso. Isso acaba com uma pessoa, até porque a faz sentir ridícula. E repita-lhe a mesma frase as vezes que for necessário. Às tantas vai sentir-se envergonhada.

(...) Porque razão quereria a I. contar isto a toda a gente? Não pense que se está a deixar pisar por ficar calada deixando-o impune, pelo contrário, deixa-se pisar ao dar-lhe conversa, responder aos contactos ou ao quer que seja. Pense comigo, o que é que esse homem lhe traz? Nada, já trouxe, mas o passado já lá vai e pelos vistos é incapaz de ter respeito e consideração consigo em nome do passado. Assim sendo, quer mesmo viver uma relação de amizade que não existe? Lembre-se que o corte de relações não tem de ser uma coisa violenta, basta a sinceridade e dizer-lhe que os amigos trazem-nos coisas boas, fazem-nos crescer, ser mais e melhores e ele, coitadinho, não traz nada de bom. A ninguém pelos vistos.

Faça a sua vida junto dos que gostam de si. Há uns tempos estava parada a pensar no que eu já chorei e me irritei com pessoas que não valem a pena. Acredite, não há nada como abandonar aquilo que não nos serve. Ele que viva, case e coma as que quiser. Daqui a uns anos vai olhar para trás e perguntar-se o que viu ali, que foi o que aconteceu comigo em relação ao primeiro namorado.

(...) Beijinhos,

Poisoned Apple

5 caroço(s):

Cheese Maker disse...

bom argumento, uma retrospectiva bem real do q me aconteceu bem recentemente... mas escrito com um humor único!

tive a sensação "tosta mista"... ri-me exageradamente e encolhi os ombros meio nostálgica.

Mt bem escrito :))))


bjinho*

Anónimo disse...

Sou homem, e por circunstâncias das próprias relações que fui tendo, sinto já vivi nas duas versões. Na de amoroso incontestável e com muita cedência relacional e a de "cabrãozinho" , também amoroso, e verdade seja dita, muito mais egoista. Em qual delas fui melhor sucedido e saí menos magoado??Na segunda. Explicação? Acho que não é preciso...Vcs sabem XX´S!

Parabéns ao blog e à sua autora pelos textos fantásticos.

Cumprimentos

Anónimo disse...

Credo, assustei-me quando vi isto aqui, mas obrigada mais uma vez, pela ajuda para encontrar o Norte. :)

Beijinhos!
I.

kitty disse...

Meu Deus! Esta mensagem encaixa exactamente naquela que eu queria dar a uma grande amiga e não conseguia encontrar mais palavras...

Tina disse...

Adorei a perspectiva e a forma como foi descrita. Aproveito para dizer que gosto incontestavelmente deste blog, do que escrevem e como escrevem, das várias "maçãs", do look do blog... pronto, de tudo!
:-)