Rumei a um casamento no fim do mundo, onde cheguei com duas horas de atraso, kilómetros a mais e gasolina deitada a atmosfera porque insisto que não preciso de um GPS. Digo eu que o meu sentido de orientação é fabuloso, mas isto na esperança que a repetição se torne uma verdade.Bem para o fim da noite, momento em que lobisomens se transformam na floresta e homens se transformam nas bodas, já sem casaco e de gravata pendurada na testa, divertia-me numa mesa já sem pratos com os meus amigos de antigamente. É sempre giro ver casar um amigo que conhecemos desde os quatro anos de idade e participar da boda com os outros amigos que conhecemos também desde sempre, crescemos juntos na mesma escola, fizemos disparates juntos e muitas vezes foram postos fora das aulas aos pares (eu não que sempre fui uma princesa).
Ria-me ao lado do meu amigo B. e fumávamos o tabaco já escasso sob o olhar atento da sua namorada de há sete anos - e com quem vive há três - sem que eu notasse. Nunca fui íntima da rapariga embora a conheça desde então. Temos uma relação simpática, conversa de circunstância e só a vejo quando o vejo. Na mesa, poisavam umas sandálias lindas, cheias de brilhantes que rapidamente captaram toda a minha atenção. Eram dela, pedi para experimentar, respondeu-me que não. Eu achei que era brincadeira dela e um outro amigo passou-mas, experimentei-as, amei-as, disse que não me serviam, sorrindo para ela que retribuiu um irónico "é pena!". Na mesa o ar ficou pesado, olhei para os restantes e mentalmente pensei "a Poisoned Apple está a apanhar papéis..." e começou a discussão da qual só apanhei algumas palavras. Das palavras brotou a histeria, chamou-lhe nomes, ele levantou-se de rompante, arrastou a cadeira com brutalidade e desapareceu. Continuei sentada. Medo.
De outros chegou a palavra amiga, um deixa lá que isto não tem nada a ver contigo. Minutos depois ele regressou, ela agarrada à anca dele a chorar, maquilhagem borrada, ele a procurar soltar-se, ela a cair da cadeira, sacode-lhe os ombros, chega a mãe do noivo para acalmar os ânimos a quem o B. pediu que tomasse conta da piquena nervosa para poder ir buscar as coisas. Não desapareceu sem antes desabafar irritado: "percebe porque é que não caso com ela?". Ficámos todos em silêncio.
Que vergonha. O que é que leva uma mulher a agarrar um homem com unhas e dentes, a querer que ela seja a única no planeta? Ouvi falar muitas vezes em cenas de histeria, mulheres que não se controlam, que ameaçam matar-se e, com isso, dão tiros no pé, mas quando estamos metidos ao barulho é um palco de teatro completamente diferente. E nisto suspirava e agradecia a naturalidade da minha relação: eu num casamento cheia de homens, o meu namorado a dormir, eu a dormir no dia seguinte até tarde, ele a almoçar com amigos, eu num jantar de mulheres, ele sozinho em casa, talvez de namoro com a Playstation, eu a escrever-vos este texto, ele com colegas de trabalho a resolver um assunto relacionado com a sua profissão, nós numa feira a namorar e a dividir uma fartura, o resto do mundo sabe-se lá onde.
A par com esta história, dei de caras com uma outra a tentar combinar um jantar com um amigo, jantar esse que tem vindo a ser sucessivamente adiado. Vai juntar-se, a pequena engravidou, procura-se a melhor casa e tenta-se combinar um almoço. "Almoço não que é sempre a correr, prefiro jantar!", sugestão que me foi negada porque, como afirmou, estabeleceu um pacto com a sua senhora de que não terá quaisquer refeições com nenhuma amiga sem que ela esteja presente. Caiu-me o queixo. Este gajo terá perdido o tino? É mais velho que eu e vai deixar-se rumar nestes caminhos?
O que é que se passa? As pessoas gostam de viver assim? Agarrados, agarradinhos, sozinhos no mundo, a vida, os amigos e a naturalidade que sempre se teve atirada a uma retrete? E isso dura? Traz felicidade? Não há mesmo tempo para tudo? Cada um sabe de si, mas eu posso afirmar que me sentiria esganadinha. Homem que me sugerisse essa mudança de vida via-me a correr de malinhas cheias sem deixar um sapatinho para trás. E o mesmo posso assegurar no inverso, com a diferença de que um homem que foge disto está disposto a deixar roupa e sapatos para trás. Destas vidas posso garantir: aos outros deixa um constragimento difícil de gerir.
E o que eu acho mais engraçado nestas coisas, em mulheres que outro dia considerei inteligentes, é que não vêem que esta não é uma estratégia de sucesso. Pelo menos a médio e longo prazo. Contando que a parelha vai sempre desculpando e dando oportunidades na esperança de uma mudança miraculosa, depois de um certo tempo é um "ai Jesus!", vão-se as namoradas e os amigos e amigas de sempre ficam. Se os interessados assim o tiverem permitido contra a vontade da parelha, claro. Há os que um dia olham à volta e já não têm ninguém. Eu própria quase embarquei nisso um dia, mas salvei-me a tempo.
17 caroço(s):
Concordo plenamente com tudo o que escreveste. Uma coisa que eu prezo é a minha liberdade e o amor próprio. Ser eu mesma, independentemente do companheiro que tiver. Quando se tenta adaptar a uma pessoa, não mudem a personalidade porque se assim for perdem a autenticidade e viverão frustadas para sempre.
Antes de mais nada adorei o título do post ;) também já assisti a cenas dessas e sinceramente não entendendo esta sensação de posse que as pessoas têm. É perfeitamente normal ter-se namorado(a) mas sem perdermos a nossa individualidade. Sem deixarmos de fazer o que gostamos de fazer simplesmente porque ele pode ficar magoado. O egoísmo e possessividade matam uma relação. bjs
Fogo, há gente mesmo doente! medo muito medo...
Sim, concordo com tudo tb. Mas o que me chocou foi a história do casamento. Medo!
A história do casamento é impressionante. Medo medo medo.
Só agora tiveste a noção que para muita gente é este o modus operandi? Mas como disseste e bem, cada um sabe de si, ás tantas para uns a fecilidade é isso mesmo!
Muito menos! As pessoas acabam por fazer figuras de parvas e nem percebem. Eu posso garantir que não conseguiria viver nesta filosofia. Preciso do meu espaço para o partilhar c amigas e amigos de sempre, preciso daqueles encontros com as pessoas que me conhecem desde sempre e preciso de ser muito natural. Amar não é possuir desenfreadamente... Ok! Nós namorados temos que ter o nosso tempo juntos (que é precioso!), devemos conviver de uma forma harmoniosa e as vidas têm de estar unidas... Mas não devem nunca cair na obsessão e na insegurança desenfreada! Para quê estar com alguém em quem não se confia? Só para dizer que não se está encalhada?
Bah existem pessoas que não têm nada na cabeça...
A tua vida é só cenas pah :D LOL * beijokas
Não á casamento onde não aconteça sempre uma cena comigo foi a do ramo da noiva tinha 21 anos esva no casamento de um primo já divorciado e já casado outra vez a minha ex-prima decidiu que o ramo era para mim pois tinha levado com os pés e ela dissi dempre o ramo e teu metes-te á frente e ele vai-te parar as mãos assim foi na altura do lançamento uma gaja deu-me um empurrão o ramo caio no chão e ele atirou-se para o chão para o agarrar o pior é que o casamento era numa quinta o chão era pó de tijolo e ela que ia de creme ficou vermelha eu a olhar para a cena só pensava esfrega-te para ai que eu não quero o ramo para nada mas quando virei costas desatei-me a rir que nem uma perdida como vês as coisas que uma mulher desesperada faz por um ramo.
beijinhos
Concordooooooooo Plenamente!Para morrer de asfixia é melhor por a corda ao pescoço e enforcar-se duma só vez!
Cá em Portugal, pelo menos nas províncias as coisas funcionam assim! E se te vissem no casamento, sem o teu namorado e a fumar tabaco com amigos "homens"! Crucificavam-te logo e catalogavam-te de rameira ao quadrado! Eu vivo numa terra desse tipo, só porque saio a noite com as minhas amigas sem a companhia do meu namorado sou considerada a maior puta da cidade (e ainda por cima, oiço bocas dos homens da cidade que me dizem: “se eu fosse namorada deles não me deixariam sair nem amarrada”) É de LOUCOSSSSS CREDOOOOO
Estas situações acontecem de ambos os lados.
Mas penso que as mulheres conseguem controlar/manipular melhor os homens.
Eles, por vezes, porque têm os filhos, deixam-se ficar. Talvez, também porque vêem nelas as suas mães, as sopeiras, e nunca as companheiras.
Os homens que mandam bocas, num dos comentários que li, são uns cobarde. Vingam-se fora de casa daquilo que não se atrevem a fazer às esposas.
É a mentalidade que temos, mas também permitimos que isso aconteça.
E o problema é que essa é uma realidade de muitas relações. As pessoas impõem coisas que não deviam ser impostas, não percebem as perspectivas do outro. E assim é dificil..!
beijinho.
A verdade é que há pessoas que gostam desta perseguição por parte dos(as) companheiros(as). No dia em que terminou uma relação que mantinha há quase 10 anos (10 anos!!) o me ex disse-me: "a culpa é tua, és demasiado benevolente e compreensiva, devias ter-me dado rédea curta". Às vezes vem-me esta pérola de frase à memória e repito para mim mesma o que lhe disse na altura: "há-de haver por aí um gajo intelegente que veja nestas característica não defeitos mas qualidades".
Dulce
No comentário acima leia-se "inteligente", como é óbvio. Foi uma gralha.
ahah o título também podia ser "não agarres que (isso) é meu" (visto que a menina trata o rapaz como se algo de material se tratasse) *
Estou sempre a surpreender-me com amigos / amigas que casam ou namoram e passam a viver "na ilha" (que é o que eu chamo àquele espaço onde os amigos não cabem). A coisa dura uns tempos até que há sempre alguém que acaba por se cansar da "ilha" e depois vai de deitar as mãos à cabeça porque cometeu o erro da sua vida.
Acho normal que se cometa este erro uma vez. Já todos o fizemos. Mas mais do que uma já não acho. E há quem o cometa a vida toda, sucessivamente.
Não entendo, pronto.
muito medo!
ha mulheres que não têm amor próprio, verdadeiramente obsecadas por um homem! um homem! valha-nos a santa liberdade!
concordo contigo, la porque estão juntos não significa que tejam grudados feito lapa e pedra!
oh amigas...abram os olhinhos p'ra vida!
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