- Eu vi. Gostei tanto. Acho que ficam mesmo bem ali!
Gosto dos provérbios e da sabedoria popular. Acho que existem por alguma razão e também, na maioria das vezes, estão cheios dela. Também sou da opinião que é ordem natural da vida e das relações que uma das casas passe a ser habitada pelos pertences do outro, neste caso da outra, eu, no feminino. Não passou muito tempo desde o meu último desgosto, um que ainda me dá raiva, um que gostava de lhe apertar o pescoço afrouxando algumas vezes e muito ligeiramente apenas para lhe dar a oportunidade de me responder aos porquês. Talvez acompanhasse de uns pontapés bem dados e uns estalos de mão cheia. E ainda assim não saciaria porque há situações em que não há como fazer justiça. Para reaver as minhas coisas que tanto gosto dizia em tê-las por perto, em ir cheirar-me ao armário, nunca teve os tomates de tomar a iniciativa de as devolver. Uma vez que estavam em sua casa, uma vez que tomou a decisão do ah, e tal, não sei... se calhar é melhor estar uns tempos sozinho, só lhe ficava bem. Mas mais vale ter uma pomba não mão do que duas a voar, já diz o ditado, por isso, a um homem sem tomates, que só se importa consigo próprio, o melhor é mesmo manter a pomba fechada no armário, não vá o Diabo tecê-las. Mas a pomba que não gosta de estar fechada agurdou um mês até ao aviso quero-o-que-é-meu.
Depois de umas semanas, de forma seca, fria, impessoal e sem aviso prévio, foi deixado um saco no meu local de trabalho, como se o tivesse traído e atirado os parentes à lama, correndo o risco de se saber da minha vida pessoal onde não queria. Fiquei tão desiludida, a injustiça (ou a realidade) deu-me uma estalada tão grande que jurei que nunca mais deixaria as minhas coisas em casa de homem nenhum. Nunca digas nunca podia ter-me dito alguém naquele momento em que a raiva era tanta que me deixou a chorar. Há pessoas que não se importam mesmo com o mal que fazem aos outros, mas tento consolar-me com a consciência de que eu durmo descansada todas as noites.
E hoje, podiam ver-me a escrever numa sala que não é minha, num quarto que tem vestidos por todo o lado, um frigorífico com os meus iogurtes light, uma casa-de-banho com todo o tipo de cremes e uma parafernália que só uma mulher tem. Hoje durmo numa cama que não é minha, vivo numa casa que não é minha, mas que tem um pouco de mim por todo o lado. E o medo bate-me quase todos os dias à porta lembrando-me que o que é bom dura pouco, que também diz o ditado.
5 caroço(s):
Para completar "o que é bom dura pouco" temos o "não há bem que sempre dure nem mal que não se acabe"
E depois, temos o "quem não arrisca, não petisca"... "há males que vêm por bem"... e muitas outras delícias da sabedoria popular
Espero ler mais coisas boas...
Concordo inteiramente com a margarida, especialmente em "há males que vêm por bem"
Gosto muito da tua forma de escrever :)
e eu que pesnava que os mails enviados para o consultorio sentimental tinham resposta...
Gira o disco e toca o mesmo!
Desta vez vai correr tudo bem. o melhor é mesmo ir vivendo um dia de cada vez... :)
BJS*
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