1.6.09

Lutar ou não lutar? Eis a questão

"Não deixe uma coisa que descreve como tão especial cair por terra. Lute!"

Este foi um comentário deixado neste blog por alguém anónimo e que nunca me esqueci. Este fim-de-semana, em conversas que revolviam o passado, a Matryohska tocou no tema, na dúvida que fica ao perguntarmo-nos se não valeria a pena ter lutado, se a decisão de lutar por um amor que atrás ficou poderia ter mudado o rumo dos acontecimentos. E apesar de não sentir arrependimento nisso, questiono-me: valerá a pena lutar por alguém que - contas feitas, mas sem garantia de um resultado inequívoco - não nos quer? Será redutora a minha visão simples de quem gosta está, quem não gosta não está? Em nome do amor e da esperança da re-união, valerá a pena correr o risco de sofrer uma humilhação, ouvir palavras dolorosas, ser-nos pedido que nos afastemos de uma vez por todas? Correr esse risco não é atirar pela janela a auto-estima e o amor próprio? Valerá a pena correr o risco de fazer perdurar a dor, o que acontece inevitavelmente ao investir numa luta sem sucesso?

Foram muitas vezes, tantas que perdi a conta, as que fui à luta por um amor em que acreditava. Escrevi cartas de amor, fiz declarações, acho que pouco faltou para me estender no chão e ser pisada, mas lá tive o sucesso que buscava. Não me arrependo de ter lutado, mas tive um qualquer ponto de viragem na minha vida, num tempo que não sei identificar, em que me tornei incapaz de o voltar a fazer. Também não tenho esclarecidas as razões que a isto me levaram, mas provavelmente o cansaço de ser apenas uma a investir no que dois deveriam investir, a sensação de que agora é a minha vez de ver o quanto gostam de mim, razões que se prendem com o apagar dos cinzentos, manter apenas os brancos e pretos, o sim ou o não, triturar o talvez e o quem sabe.

Mas poderia ter mudado o rumo das coisas se tivesse lutado ou faria apenas uma figura ridícula? Seriam bem recebidas as minhas declarações, a prova do meu amor, ou olhada num misto de pena e saturação de quem não já não quer mesmo? Não tenho dúvidas de que não vale a pena lutar por um amor que nos traz mais tristezas que alegrias, por alguém que está sempre aquém do que desejamos, que não está quando precisamos, mas, e por alguém que não temos o que apontar? Poderá apenas uma última conversa marcar o todo, ser o único elemento a apontar? E tudo o resto? Isto nunca me tinha acontecido, é uma experiência nova, no entanto, sei que não darei um passo em frente, já não consigo, não sei sequer se o saberia fazer, estou consumida pela descrença.

E é por uma série de razões que se prendem a estas questões que prefiro sempre não ser eu a dizer que não quero mais ou a afastar-me. Assim não me martela na cabeça a hipótese de ter tomado uma decisão errada, nem a ideia de, eventualmente, num rasgo impensado, ter atirado a felicidade pela janela. Deixar esta responsabilidade nas mãos dos outros é muito mais fácil, é poder pensar que nada poderia ter mudado. Mas afinal, neste caso, e apenas neste caso, penso muito se poderia ter mudado alguma coisa, se será tarde demais, se antes é que era cedo e agora é que é a hora certa, se valeria a pena encher o peito de ar, fazer voar corações na direcção certa e ir buscar o que quero para mim. Mas fico quieta.

18 caroço(s):

Lady in red disse...

Não te conheço, e o que conheço da tua história encontrei por aqui...
Não quero parecer pessimista, nem quero que sejas mais uma no rol extenso de angustiadas para quem o amor fechou a cara e deixou de sorrir...mas se estava tudo bem e ele decidiu abrir mão de ti, porque tens que ser tu a lutar?? se quem desistiu da luta não foste tu?? não é o orgulho que defendo, mas sim a nossa capacidade de enfrentar a realidade e lutar ao lado de alguém e não por alguém que desistiu de nós!

S* disse...

Lutei duas semanas por uma pessoa e nao surtiu nenhum efeito. Ele estava decidido. E agora é ELE que luta por mim. Faz de tudo, coisas que nunca pensei que faria por mim. Mas continuo a nao o querer.

Lutar só faz sentido se houver probabilidade de sucesso.

Rabodesaia disse...

Acho que não vale a pena lutar quando a luta significa estar num campo de boxe sozinha...
No limite só há luta quando há reciprocidade, quando há dois em campo. Uma luta a sós... não é luta, é qualquer com outro nome, uma perca de tempo.

Bombokinha disse...

Infelizmente quem desiste de nós a meu ver hoje em dia é porque não quer mesmo. Porque quando se gosta a sério não há orgulho mais alto que nos impeça de assumir o arrependimento e voltar atrás e nisso os homens e mulheres são iguais. Se ele vai embora é porque quer, se não volta é porque não quer. Acho que não vale a pena correr sozinha...

Nikky disse...

Às vezes "mais uma oportunidade" pode ser "A oportunidade"... Mas é importante saber quando seguir em frente. E esse momento chega quando te sentires absolutamente tranquila por não tentares mais, sabendo que fizeste tudo o que podias.

Anónimo disse...

Neste contexto de lutas, diz-me Maçazinha, que quero saber a tua opinião porque já deu para parecer que a ti, já ninguem te engana!!
Ora imagina que lutas uns dias, (numa luta muito infrutífera e em que só recebes uns restinhos de esperança que se contam pelos dedos), mesmo sabendo à partida que está tudo condenado e porque ainda há qualquer coisa parva que te prende ali, o que farias quando, prestes a desistir, o palerma te viesse contar tudo acerca das suas novas pretendentes?? É para te chatear?É porque quer que insistas mais um bocadinho? É porque é parvo?É sim, mas esta eu já sei!!Bipolar?

Mafalda

James Lewis disse...

Lutar, sempre!

No pain, no gain.

(do outro lado está sempre uma razão, uma resposta... há que alcançar a mesma para melhor dissipar as nossas dúvidas e questões... caso contrário, seremos sempre perseguidos pelo fantasma "se")

Margarida disse...

Lutar. Principalmente para no futuro não olhar para trás e pensar que tudo poderia ter sido diferente.
*

Tiny Tear disse...

Acredito que devemos sempre lutar,claro. Mas chega a um ponto em que temos de ser sinceros connosco próprios e se do outro lado só levamos negas, por mais que custe, temos de partir para outra luta. A luta de aceitar que não nos querem, a luta de voltar a lamber as feridas e esperar que algum dia cicatrizem. A luta de tentarmos voltar a ser felizes, longe dessa pessoa por quem tanto lutámos.

Pedro disse...

Penso que a vida nos vai apresentando as coisas e temos a liberdade de escolha, segundo o que sentimos na altura, e dependente das nossas convicções, também da altura!
Assim sendo acho que se algo têm de acontecer, acontece!
É o destino!
Lutamos quando sentimos que o devemos fazer, até o querermos!Daí a escolha, ou sim ou sopas!
O destino está traçado, vamos lá chegar, agora podemos ir por variados caminhos conssoante as escolhas que fazemos!
Luta, luta sempre que achares valer a pena!

Beijo

Anónimo disse...

Só tu podes decidir o que pesará mais de futuro. Se o teres ficado presa ao medo e à descrença (compreensível) ou se o teres lutado uma última vez. Só nunca te humilhes por ninguém. Isso ninguém o merece. Boa sorte.

Anónimo disse...

Só tu podes decidir o que pesará mais de futuro. Se o teres ficado presa ao medo e à descrença (compreensível) ou se o teres lutado uma última vez. Só nunca te humilhes por ninguém. Isso ninguém o merece. Boa sorte.

inez disse...

Há momentos em que o medo está mais presente quando decidimos ficar, acreditar, lutar. Desistir pode ser libertador...

Anónimo disse...

a minha opinião esta relacionada com o que estou a passar, no verdadeiro AMOR não há vencidos nem vencedores,muito menos orgulhos feridos ou coisas do genero, se realmente é amor o que se sente, temos é de ir à luta, seja homem ou mulher, dar tudo por tudo, por mais que doa, por vezes o resultado vale tudo por mais tempo que leve a ser alcançado, 1 semana, 1 anos o que seja, eu sei por experiencia própria. e qd realmente queremos algo há sempre formas de ver as possibilidades. boa sorte para o teu blog

Miss Kin disse...

Eu também ficaria, depois de muito magoada e maltratada e dolorida, não acredito que o voltar atrás recupera seja o que for. Principalmente quando lá atrás a paisagem não foi a que se quis, a não ser que muito tenha mudado na outra pessoa e que ela própria viesse buscar o que perdeu, não é bom ir bater com a cabeça na mesma parede. Isso seria masoquista demais!

Anónimo disse...

É engraçado como eu me identifico contigo em tanta coisa. Também eu já corri muito atrás de quem não me queria, chorei, humilhei-me e também me aconteceu o mesmo que a ti. De um momento para o outro deixei de fazer isso. Houve ali uma mudança qualquer imperceptível em mim que me fez deixar de agir assim. No fundo apercebi-me que se a outra pessoa desistiu de mim, é também altura de desistir dela. Porque mesmo que voltemos, e foi isso que aconteceu sempre que corri atrás, os motivos pelos quais a pessoa tinha acabado da primeira vez, voltam a aparecer mais cedo ou mais tarde. E mais uma vez o ciclo vai voltar a repetir-se. Porquê perder tempo com alguém que não nos quer? Por alguém que não gosta de nós. Até porque no fundo, se a pessoa gostasse mesmo mesmo de nós, não abdicava de um relacionamento, nem que fosse só por um bocadinho para pensar na vida ou, por outras palavras, ver se existe por aí melhor....

Tempus_Fugit disse...

Não penses demasiado nos ses... Muitas suposições vão confundir-te ainda mais. Tenho a certeza de que se te conseguires distanciar um pouco tens a resposta à tua frente. É só acreditares na tua vontade. Não é tão difícil assim, ou vale a pena apesar de tudo, ou não vale e tens de esquecer todas as suposições, sejam cenários possiveis ou fantasias idílicas que os teus desejos criam.

Que ironia, se te tornasses infeliz simplesmente por sofreres com a ideia de ter desperdiçado um cenário feliz... Acho que já chega a relidade para nos fazer sofrer, é escusado sofrer por suposições ou por antecipação.

Não te estou a dizer para não tentares. Simplesmente acho que deves saber, no fundo, se vale ou não a pena.

fernando disse...

Sabes, Eva, a tua Maçã tem que ter "Sabor". Esse sente-lo no corpo e através do corpo, nunca sozinha. Estamos a falar de amor,ou seja lá o que isso for. O teu corpo só existe através do outro que o toca ou lhe dá a sentir esse sabor... reciprocidade... indispensável! Só, no teu solipsismo, não vives... vegetas! Vive, abrindo-te a novos "Sabores" que se completem com os teus. Isso sim, é que é vida!