24.6.09

Entre uns e outros

Mudanças, casa nova, mas não minha. Queres vir viver comigo?, podia ser a melhor música no meu ouvido, mas não foi. Foi apenas mais uma investida - embora não pense nem trate como apenas mais uma entre tantas - de quem me quer bem, de quem me conhece bem, a quem não correspondo e não vejo hipóteses de algum dia isso vir a acontecer. Ousadias amorosas de quem procurou uma pessoa próxima e lançou o apelo: ajude-me que isto é um amor impossível! Sorri, como faço sempre, porque é de facto um doce. Qualquer um de nós sabe que seria um desastre, foi a única resposta que pude dar-lhe, fazer assentar pés no chão e assim ficámos. Afastado o prenúncio de um naufrágio certo, perguntei-lhe se não se chateava de me aturar tantas vezes triste. Já que não te consigo dar o que precisas, dou-te o que posso dar, ou qualquer coisa parecida, entre carinho, um ombro, uma almofada só para mim e a constante presença de um gelado chocolat cookies na casa nova. Deixou-me com o coração apertado.

Ao som de uma guitarra de bandido, o outro cantou-me a letra de estar cada vez mais bonita, que os homens têm de ser parvos, coisa que estou careca de saber e a ousadia de confessar a vontade de um beijo na minha boca. Podia fazer de conta, desconversar, deixar de atender o telefone, responder a mensagens, mas não é o meu estilo, eu que entendo que deve existir sempre uma resposta para quem quer que seja, nem que isso signifique a sinceridade, primeiro polida, de um não, ou a sinceridade brusca de quem já tem a paciência esgotada. Optei pela sinceridade simples de que não correspondo, de ser uma pessoa magoada, de ter um nome escrito no meu coração, facto que nunca lhe escondi. Lamentei, mas pelo menos contava com a verdade, sabendo ele que não me verá nunca lançada em vidas duplas ou fingidas que o envolvessem. Adoro a tua sinceridade!, foi a resposta que não me convenceu. Niguém gosta deste tipo de sinceridade, por isso não pode gostar.

Entre um e outro, pelos métodos e sobretudo no olhar, a minha intuição marca uma linha divisória com um à esquerda, representativo de gostar, e outro à direita, representativo de um querer provar que diz gostar. Eu a gostar e ser correspondida é que nada. Estabilidade, equilíbrio e amor, pelos vistos, só na vida dos outros, condenada à eterna questão: para quando a minha vez? Mas a certeira, que eu estou cansada de fingidos.

6 caroço(s):

James Lewis disse...

Daqui alguns dias / meses / anos, irá apreciar a sinceridade.

O tempo, ensina-nos a descodificar as mais variadas mensagens.

:)

AP disse...

E com este texto podias descrever, pelo menos, parte da minha vida. Tanto de um lado como do outro: o de quem é amado e não corresponde, o de quem ama e não é correspondido. Por uma vez gostava que a minha vida fosse feita de amores e desamores, e não apenas de desamores.
Muito bom texto =)

papoila disse...

Gostas de ler?
Então se for sim e ainda não tiveres lido experimenta ler de Francisco Alberoni ele escreveu uns ensaios sobre o Amor /AMIZADE/ Ciúme e Inveja.
Um dia, estava eu a navegar nas minhas lagrimas de desamor...quando um amigo me aconselhou o do Amor e disse-me o que te vou dizer " mesmo que ao princípio te custe vai lendo porque a partir de determinada altura vais reconhecer algumas das situações de que ele fala e explica". Foi o que fiz e para mim foi muito interessante espero que para ti também.
beijinhos e HÁ_DE APARECER O TAL!

Tempus_Fugit disse...

Assumes que na vida dos outros é sempre tudo tão bonito como parece de fora. Pensa nas vezes em que te disseram depois de um final de relação: mas já não estão juntos? pareciam-me tão bem...

Quanto às aparências tens razão, mas mais vale deixar passar tudo ao lado do que por cima dos teus nervos.

Luisa disse...

Eu a gostar e ser correspondida é que nada. Estabilidade, equilíbrio e amor, pelos vistos, só na vida dos outros, condenada à eterna questão: para quando a minha vez? Mas a certeira, que eu estou cansada de fingidos.

Sabias que me revejo completamente nesta crise de identidade?
às vezes questiono-me se vim ao mundo só para ver os outros serem felizes e responder quando alguém me pergunta por novas a resposta ser a de sempre: "Nada, tudo na mesma..."

cantinhodacasa disse...

Pensando eu, e porque leio o seu blog, mas raramente comento, que estava numa situação estável e feliz, eis que deparo com este desamor.
Pergunto muitas vezes a mim mesma :«Por que será que as mulheres inteligentes, simpáticas e gentis, são sempre as que os homens evitam?»
Beijinho