15.6.09

Alto voo

Meu amor,

hoje voei (literalmente) por cima da tua casa. Lá estava ela, de paredes cor-de-rosa e degraus marcados na entrada, a porta verde com o código de entrada que ainda guardo na memória, a rampa onde estacionava o carro, o caminho da auto-estrada que tantas vezes achei longo demais para o tamanho do meu coração. Não te vi, não sei se te poderia ver a tantos mil pés de altura. Claro que não, os carros pareciam formigas, mas o amor tem destas coisas irracionais. Na verdade, não sei se gostaria de te ver, o coração choraria com certeza, a saudade nem sei explicar, transformar-se-ia dos nervos, da ansiedade, da falta que me fazes.

Meu amor, hoje quando voei por cima do teu telhado, pensei que mesmo por debaixo daquelas telhas, tantas vezes estendeste a mão para me levantar e fazer dançar, rodopiar pela sala, passos que tu lideravas, enquanto eu fazia cenas fingidas de desespero, apelando a que não me pisasses os pés, de olhos cerrados, fitas de paixão, de não me faças mal, de toma sempre conta de mim, de puxa-me sempre para dançar. E depois a sobremesa, sempre comigo ao teu colo, uma colher ou um garfo partilhado, um dos teus pratos rectangulares pequeninos, beijos, muitos beijos, tantos gosto de ti, mais beijos com um doce qualquer, natas batidas, chocolate, a variedade de doçuras que fiz para ti, condizente com a força do meu amor que, rejeitaste ou eu deitei a perder, não sei.

Meu amor, gostei de voar por cima de ti e, ao ver o teu telhado, que saudades sinto de ti e de me fazeres rir com as tuas histórias! De te admirar, de te abraçar pelas costas junto ao fogão, de me pedires que não saísse dali, o lugar para quem não cozinhava, porque de mãos vazias ninguém poderia ficar. Palavras faltarão sempre para descrever a minha felicidade na altura, ou a falta que me faz o conforto que me devolvias a noite inteira, nos teus braços maiores que os meus, o sentimento, a certeza de que era contigo que queria ficar.

Meu amor, gosto de ti. Gostei de voar sobre ti, ainda que a vista aérea me tenha trazido um aperto no coração. Gostaria de poder abrir uma janela, saltar à tua varanda, ver que abririas as portas de abraço aberto, dizendo que esperaste por mim este tempo todo e que agora, finalmente, poderíamos ser felizes e arrumar em caixas sem etiqueta o mal que para trás ficou. Mas meu amor, isto são coisas de ficção, impossíveis e o que eu quero é realidade. Ter-te como meu amor, homem da minha vida, com tudo de bom e de mau que isso possa trazer.

Tua,

11 caroço(s):

Senhor das Chaves disse...

Já foi muito bom num teres caído em cima da casa. Isso sim, seria uma entrada triunfal lol

Love is so gooooooood :o))

Tixa disse...

tanto amor... até fiquei com um aperto no caração ao ler este post!


* beijocas e muito amor na vidinha, sim!

Nexis disse...

Poisoned, tas mas docinha, ves?

Continuas melancólica, mas já tás mais açucarada! Assim sim!

Esta carta existiu? E foi para o que recentemente te partiu o coração ou para aquele antigo mais cronico por quem te humilhaste?

Beijinhos

S* disse...

Um amor assim não devia ser terminado. Que bonito deve ser sobrevoar a casa de quem amamos. E que aperto no coraçao...

Isabel Silva disse...

Gostei muito do post.
Imagino quanta não devia ser a vontade de saltar para a varanda :o)

Bjocas :)

Rita disse...

Suspiro grandeeeeeeeeeee...

Nénix disse...

È preferivel viver um grande amor e perder do que nunca o ter vivido.
Gostei do post, bj

Luisa disse...

Tenham calma meus amigos que isto foi só o voo de reconhecimento, da próxima ela aterra ou se já alguém o fez antes... lá vai bomba!!! pelo menos foram felizes para sempre ;)

James Lewis disse...

Se tivesses que saltar para ir ao seu encontro, era com ou sem pára-quedas?

Anónimo disse...

és mesmo assim ou o que lemos é uma fachada para o blog?

se és mesmo assim morria de vontade de ter uma relação contigo: profunda, intensa, cumplice e repleta de gestos e palavras que tão maravilhosamente descreves.

Mas e depois de passada a novidade? teriamos que continuar a viver a intensa melancolia de um romantismo idealista tipo Carlos da Maia e sua irmã?

quanto tempo é que uma relação consegue corresponder às intimas expectativas de um incurável perfeccionismo amoroso?

o eça despachou o tema em +/- 700 páginas. mas a vida dura mais do que isso...

framboesa
(pq tb é fruta e também as há silvestres como as amoras)

Poisoned Apple disse...

Caro Anónimo,

what you read is what you get! ;)