Foi num fim de tarde Dezembro de um dia que não quero dizer. Na verdade já era de noite, não lembro as horas, devia ser pelas 19h ou 20h, num daqueles dias em que se fazia sentir o frio típico da época natalícia, aquele que dizemos que racha e que a mim me deixa os pés azuis. Fugimos da festa onde não se podia fumar - que isto da ASAE é para cumprir - e como bons cidadãos desaparecemos para uma escada de emergência, onde já tantas vezes tínhamos estado para fumar. Era o nosso sítio para estarmos sozinhos, tornou-se o sítio de sempre, o nosso. Sabíamos um e outro que não queríamos fumar coisa nenhuma, queríamos apenas estar sozinhos, sermos só nós, bebermos do que somos quando estamos sós. O estômago tremia-me e não era do frio, o nervoso de estar sozinha contigo intensificava-se de dia para dia e eu perguntava-me o que me estava a acontecer. Estava a apaixonar-me e nem tinha consciência disso.
Tu, compravas muitos maços de tabaco, tu que nem fumas e és asmático, passaste a fazer os teus dias comigo de tabaco no bolso, matéria que era para ti tão fundamental como cada um de nós carrega o telemóvel e um cartão multibanco. Na tua asma, repetias-te, fumando cigarros uns atrás dos outros porque sabias que eu fumava naquelas escadas. Foi ali mesmo, depois de alguma cinza espalhada no chão que me abriste a porta para voltarmos onde estávamos. Cada um seguiria o seu percurso, mas eu não quis. Num arrojo que não sei onde fui buscar, bati com a porta, fiquei de frente para ti naquele lugar tão apertado, deitei a cabeça no teu ombro e ali me deixei ficar, num abraço que ainda não tínhamos dado. E apertaste-me com tanta força. Entrelaçaste os teus dedos nos meus cabelos, fizeste-me festinhas e ali ficámos naquele abraço eterno, de peito cheio e em silêncio. Mentira, silêncio não, tu suspiravas profundamente, como quem se sente aliviado. E não precisávamos dizer nada.
Foi na mesma escada, também numa noite escura como breu, depois dos cigarros que só eu fumei, foste tornando o espaço mais pequeno, estavas cada vez mais perto de mim. Olhávamos, sorríamos do nervoso, mentalmente perguntava-me se era um primeiro beijo que aí vinha, amaldiçoei o raio do cigarro que me tinha deixado sabor a cinzeiro, inclinei-me para trás, avisei-o, ele não quis saber, deu um passo em frente, e outro, encaixou as mãos na minha cintura, olhou no fundo dos meus olhos, esses que fechámos e depositou os lábios dele nos meus.
Embora longo, foi dos beijos mais acelerados que dei. Brinquei com isso dias mais tarde. Ele explicou que os nervos e a ansiedade estavam a dar cabo dele. Tinha de ter a certeza que beijava.
11 caroço(s):
Nossa, que menina aventureira hein..
rrsrs, e que blog massa.
Deve ter sido um momento bem intenso.
Bjs
Lindo.Momentos assim são inesquecíveis.
Tens um prémio no meu blog.
beijinhos
Amei..
é a tão boa sensação das borboletas na barriga... e que saudades :) Parabéns pelo texto
Bjs
Deixa-me completamente perdida em pensamentos passados que tanto me disseram... aiiii :D *
HUMMM... mas que intenso e inspirador...
* há um selinho para ti no meu blog... beijocas
Querida maça!
Escreves cada vez melhor!
Gosto muito de te ler.
Parabéns pelo que fazes por aqui!
beijinhos
Até eu fiquei com um friozinha na barriga! Ena!!! Isso é que foi...
Beijocas
Que momentos.*
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